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A esperada vingança de Trump

por Manuel AR, em 09.02.20

Trump_impeachement.png

Após a absolvição fantoche pelo senado, onde os republicanos detêm a maioria, o discurso de Trump foi o da vingança contra os democratas e os republicanos que testemunharam contra ele.

Trump pertence àquela espécie de casta de políticos que não sendo estadistas e que se servem do poder em benefício próprio e dos poderosos seguidores iguais a eles. É uma nova casta de ditadores mascarados que está a emergir no seio das sociedades democráticas liberais e à sua volta, se congregam nazis, neonazis, xenófobos, racistas não incluídos nos nazis, seitas religiosas e outros grupos radicais que, cada vez mais, vão mostrando a cara a coberto pelo acolhimento desses neo-ditadores que, ocupando o poder pela legitimidade do voto, utilizam a democracia para a enfraquecer por meio de campanhas favorecidas por difusores de fake news através das redes sociais. 

Os EUA, país que se pensava ser uma democracia livre e a justiça era para todos, estão a atravessar uma fase aguda de défice democrático ao nível do poder. Quem, como eu, assim pensava, enganou-se absolutamente.  O período que os EUA estão a travessar é grave para as democracias em geral e para os cidadãos americanos que mais parece estarem adormecidos. Muitas das mais ferozes ditaduras que afligiram as nações começaram assim.

É uma situação perigosa, diria até muito perigosa. Perigosa porque se conseguiu manter no puder alguém que, provados factos de culpabilidade das acusações de abuso de poder, de obstrução de Congresso e por "trair o cargo" ao pressionar a Ucrânia a investigar adversários políticos em benefício próprio e que os crimes de abuso de poder e obstrução do Congresso praticados pelo presidente "colocam o país em risco" e que, ao ser apoiado por maiorias afetas  a Trump no Senado este pode considerar-se como monarca absoluto.

Há alguns factos que apontam nessa direção a começar pela retaliação encetada contra os que se apresentaram a depor contra ele durante o processo de “impeachment”. Trump criticou os que se lhe opuseram chamando-os "maus", "corruptos" e "tortos", enquanto o seu secretário de imprensa declarou que aqueles que feriram o presidente " deveriam pagar por isso”.

O presidente Trump perdeu pouco tempo na sexta-feira ao abrir logo uma campanha de retaliação contra aqueles que ele culpa pela sua tentativa de “impeachment”, demitindo duas das testemunhas mais importantes do inquérito da Câmara do Representantes que estiverma contra ele apenas 48 horas depois de ser absolvido pelo Senado.

Trump responde à absolvição lançando o seu ódio com um discurso desmedido e cáustico procedendo ao expurgo dos que depuseram contra ele, despedindo a segunda testemunha chave de “impeachment”, Gordon Sondland, embaixador da União Europeia, como aconteceu. Não ficou por aqui, seguiu-se o tenente-coronel Alexander Vindman. O advogado de Vindman emitiu um comunicado dizendo que ele foi escoltado para fora da Casa Branca. Vindman "foi convidado a sair por dizer a verdade", disse o seu advogado. O irmão gémeo de Vindman, advogado do Conselho de Segurança Nacional, também foi demitido. Especialistas classificaram estas demissões como o "Massacre de Friday Night ". Enquanto os democratas condenaram as demissões os parlamentares republicanos disseram "boa viagem ".

Ao escrever estas linhas vieram-me à memória as purgas que eram feitas na ex-União Soviética aos dissidentes de Estaline e de outros que se seguiram quando se lhes opunham. Só faltam as deportações para locais idênticos à Sibéria.

Está à vista que se está a construir um mundo só para alguns à custa dos que neles votam e acreditam no que lhes dizem durante as campanhas e cujas  regras  valem para uns e não valem para os outros. É um mundo fundamentalmente desigual. Vimos isso nos EUA. Trump passou a ter poderes absolutos não porque lho dessem, mas porque o usurpou com o consentimento dos que o apoiam por interesse e oportunismo para obtenção de dividendos políticos, sociais e até financeiros. Em pleno discurso do Estado da União Trump pôde insultar, desrespeitar o congresso e, até, condecorar um homem da rádio, conhecido pelos seus comentários racistas. A líder da Câmara dos Representantes rasgou o discurso no fim da cerimónia, e houve um escândalo generalizado, mas pronunciar e divulgar mentiras aos gritos e ter uma linguagem aberrante, parece estar tudo bem, enfim, desculpa-se, mas notar educadamente quais os factos, que horror, como é possível, que desrespeito. Não, isso é só para alguns…

Alguns comentadores do nosso burgo, fãs deste presidente, mostram como vai benéfica a evolução positiva da economia dos EUA que Trump confirmou no discurso da união ao fazer autoelogios do seu mandato baseado no que os indicadores oficiais apontam, mas que são desmentidos pelos factos, mas isso fica para o blog seguinte.

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publicado às 16:32



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