Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



O pensamento dum candidato a presidente

por Manuel_AR, em 17.01.16

Marcelo_Presidente.png

 

Podemos muito bem imaginar uma comunicação ao país do futuro Presidente da República se for Marcelo Rebelo de Sousa. A propaganda que Marcelo faz nesta campanha para as eleições presidenciais ainda tem o “tic” do comentador de política que, sozinho, e sem contraditório, mais parecia um comentador de futebol, com todo o respeito por estes últimos.

“ Bommm! Portugueses,

Tenho na minha posse uns diplomas para promulgar vindos da maioria de esquerda. Não precisei de os mandar analisar porque eu sou professor de direito constitucional e, como tal, analisei-os eu próprio. Não vou promulgar alguns por uma questão de conteúdo, mas não de forma, não que sejam inconstitucionais, mas porque eu acho que são, mas podem também não ser. Vou devolvê-los à Assembleia da República para mudarem a forma mas manter o conteúdo. Se viessem da direita devolvia-os também por causa da forma e não do conteúdo.

Bomm! Hummm!, à direita vou dar nota 19, porque o 20 é só para mim, e aos da maioria de esquerda vou dar nota 9. Aliás eu acho que a direita faz tudo bem, o que faz de mal são erros de comunicação.

 Portugueses,

Nas minhas intervenções vou passar a dar notas ao Governo e á oposição, como fazia quando comentei política unilateralmente na televisão, por mais de uma década. Como dei classificação negativa ao Governo vou ter que arranjar uma estrangeirinha para dissolver a Assembleia da República e convocar eleições.

Bommm!…, para terminar aconselho que leiam um livrinho que eu escrevi publicado pela editora MRS sobre como se deve exercer o cargo de Presidente da República.

E termino porque tenho que ir tirar umas “bejecas” para umas pessoas do povo que convidei para virem aqui ao palácio de Belém.”.

***

A campanha para estas eleições são uma espécie de circo e de teatro para a qual contribuíram algumas televisões, nomeadamente a TVI e, de certo modo, a sua direção de informação de alguns anos atrás, para a promoção de uma pessoa que, aproveitando isso se tornou popularucha retirando a dignidade ao cargo que pretende exercer.

Não sei se alguém se recorda de Peppe Grillo artista e humorista a quem chamavam “palhaço” que fundou em Itália o movimento 5 Estrelas que em 2013 obteve 25,5% (3º lugar, tendo em conta as coligações) dos votos. Grillo teve mesmo uma percentagem maior que o Partido Democrático (PD), de Pier Luigi Bersani, que teve 25,4%. Ainda assim, o PD coligado com o Esquerda, Ecologia e Liberdade e outras pequenas formações de centro-esquerda, obteve 29,5%.

Não está nas minhas intenções chamar palhaço a Marcelo Rebelo de Sousa, mas artista já não diria que não. Não está em causa a pessoa, mas a forma como ele encara a função presidencial e como fez, e faz, propaganda da sua imagem que o conduziu a esta corrida presidencial. Não é uma questão de conteúdo mas de forma como ele próprio diria.

Se para o Tino de Rans lhe podemos desculpar alguma coisa, a Marcelo Rebelo de Sousa não se lhe pode desculpar. Veja-se a pobreza de argumentação que Marcelo tem tido com outros candidatos frente a frente. Uma coisa é falar para quem o escute sem ninguém que o confronte com outros argumentos, outra é estar presente em debates. Uma coisa é o comentário político com linguagem popularucha para telespectador ver e passar um tempo frente à televisão, outra coisa é o debate e o confronto sério, coisa em que Marcelo não se sente à vontade, mas a maioria do povo parece gostar de poder vir a ter um presidente assim! Tristeza política confrangedora.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:35

Fuga da coligação.png

 

A mentira, a omissão, o engano, a falsidade e a adulteração de factos continua a ser a postura do ex-primeiro-ministro Passos Coelho e do seu grupo parlamentar, agora na oposição.

Passos Coelho ainda não despiu o fato de chefe de governo e a mesma máquina de marketing de propaganda continua ativa. Eventos "fabricados" para continuar a propalação da sua imagem, como se ainda fosse chefe de governo, para preparar atempadamente a sua candidatura a líder duma ala neoliberal que se infiltrou no PSD que, agora, oportunisticamente, defende princípios da social-democracia.

O CDS-PP, numa tentativa para a demarcação do seu anterior parceiro, votou contra um orçamento retificativo devido aos acontecimentos do BANIF que foram provocados pelo governo onde Paulo Portas foi vice primeiro-ministro. Caso estranho, já que o orçamento de 2015 foi da autoria do governo da coligação PSD.CDS-PP, sendo portanto da sua responsabilidade a necessidade urgente dum orçamento retificativo.

É sabido que a comunicação social, especificamente a televisão, pode condicionar muitas atitudes, mas daí acusarem a TVI pelo problema do Banif por ter colocado em roda pé a desvalorização das ações do Banif ser a causadora da derrocada do banco é o cúmulo do descaramento. SE não fosse grave seria para contar como anedota. À falta de melhor o disparate passou a ser o argumento do PSD e do CDS-PP.

O CDS-PP ao votar contra o orçamento retificativo pretendeu mostrar para o exterior que se demarcava do seu anterior parceiro de coligação e que nada teve a ver com o facto. Mais uma exibição para a opinião pública duma manobra de ilusionismo do ilusionista e acrobata Paulo Portas. Seria também interessante para a opinião pública dizer que solução apresentaria, nas mesmas circunstâncias para o BANIF e como o faria incluir no orçamento que é seu e do seu parceiro do PSD.

O retardar das decisões sobre o BANIF, a trapalhada e a confusão com que o governo anterior foi construindo e gerindo um processo que adiou soluções com as desculpas que em gíria popular se chamariam de esfarrapadas, pode levar a que se levantem legítimas suspeitas sobre o que estaria por detrás de todo o caso, e de como pensariam Passos e Portas resolver o problema.

Muitos outros buracos poderão aparecer e a propaganda dos cofres cheios será desmontada.

O aproveitamento de divergência normais entre partidos mais à esquerda do PS, PCP, PEV e BE, serão aproveitadas e escalpelizadas até ao milímetro pelos agora na oposição Passos Coelho e Paulo Portas mas, se a direita espera que este Governo do PS em funções seja deposto com o apoio dos votos parlamentares daqueles partidos bem pode esperar sentada porque irá cansar as pernas de tanto correr. É esta espectativa que também lhes provoca rubor nas faces quando intervêm com desvairo no parlamento.

Quanto ao Presidente Cavaco Silva, que anda por aí fazendo afirmações sem nexo e inúteis, como aquela de que a "governação ideológica” acaba sempre por ser “derrotada pela realidade” para este "sábio" do disparate é a ideologia versus pragmatismo, como se a política fosse, de todo ou em parte desligada da ideologia e esta da economia. É no mínimo risível e serve apenas para demonstração de prova de vida pelo que já nem vale a pena comentar. Camilo Lourenço disse em tempos que a história no ensino não serve para nada… Cavaco deve ser um adepto desta douta ideia.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:22

O canto dos cisnes e a bomba BANIF

por Manuel_AR, em 22.12.15

Banif.png

 

Há uma lenda que teve origem grega que se utiliza como metáfora quando nos queremos referir a um esforço final de um indivíduo que é usada para descrever a derradeira e mais importante obra de um artista, como se este tivesse alcançado nos últimos momentos de vida, uma suprema inspiração.

Aplica-se esta metáfora a Cavaco Silva enquanto Presidente da República que faz condecorações apressadas, declarações com o seu costumeiro discurso de fação. Fala da TAP e intimida dando exemplos de países onde, em circunstâncias e contextos diferentes, empresas de aviação tiveram problemas para depois poder afirmar "eu bem disse…". Quando Cavaco Silva na passada semana falou sobre o Banif recomendava muito cuidado com as palavras, qual repreensão a menino mal comportado, contudo, no passado recente, referindo-se ao BES, afirmou perentoriamente que estava fora de causa qualquer problema e todos podiam estar confiantes.

Agora condecora Alberto João Jardim que em tempo foi considerado um despesista e ter endividado a Madeira. Anda por aí em roteiros já sem qualquer significando político a não ser aproveitar para elogiar o antigo Governo que sempre apoiou e a quem sempre facilitou a vida.

Mas há mais cisnes a cantar e a morrer. A coligação PàF do PSD e do CDS-PP  cantou até se desfazer.  O PSD e o CDS cantaram a ária da ilegitimidade do Governo em funções, que é o mesmo que dizer que Cavaco Silva tomou uma decisão ilegítima ao empossar o atual Governo.

Ainda antes das eleições, não prevendo a sua morte, o propagandismo de Passos Coelho, de Paulo Portas e dos seus comentadores profissionais do marketing partidário elogiavam o então Governo das saídas limpas e cofres cheios, de promessas de cumprimento do défice abaixo do exigido, da recuperação económica que estava aí, da eventual promessa de baixa de impostos e eliminação da sobretaxa do IRS. Depois tinha havido "engano" da Autoridade Tributária, as receitas já não eram assim tão boas e, por isso, não era possível retirar a dita sobretaxa.

Relativamente ao BANIF (banco madeirense) Passos Coelho afirmou, e reafirmou, que não haveria custos para o bolso dos contribuintes e o coro dos seus apoiantes acrescentava que o dinheiro que entrou naquele Banco até era bom porque seria pago pelo banco com juros. Muito boa gente, ingenuamente, acreditou na lenga-lenga  pré-eleitoral e eleitoral da coligação divulgada pelos canais de televisão, e neles votou.

A ameaça da bomba BANIF estava lá, apenas foi escondida aos olhos dos portugueses durante a campanha eleitoral. A mentira, a dissimulação e o recurso a ilusionismos retóricos da política foram truques para levar os portugueses a continuar a votar nos que, em 2011, foram eleitos com base em mentiras.

Mais bombas poderão surgir e parece que os cofres estariam cheios para, logo de seguida, ficarem vazios. Se aquela gente continuasse no Governo que mais iria acontecer? Que desculpas mais haveria?

As pedras começam a cair em cima das duas cabeças que nos governaram e do seu suporte durante mais de quatro anos. Ou será que a desculpa também é de Sócrates?

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:31

Votos de sucesso

por Manuel_AR, em 24.11.15

Votos de sucesso.png

 

Embora contrariado, o Presidente da República Cavaco Silva, finalmente, indigitou António Costa como primeiro-ministro do novo Governo de Portugal.

A responsabilidade é enorme. Ninguém lhe vai perdoar se falhar e voltar a défices excessivos que eventualmente possam dar lugar a novos resgates. Os partidos que se comprometeram dar apoio parlamentar ao governo PS não podem falhar. A direita que perdeu votos vai andar por aí atenta a tudo e tudo sirva para fazer oposição, por mais sórdida que seja. Aliás, como já tem vido a ser seu hábito.

Logo que a decisão do Presidente da República foi conhecida alguns partidos, nomeadamente o BE através de Catarina Martins perfilou-se frente às câmeras das televisões falando como se o seu partido fosse o principal e único protagonista das mudanças que constam do programa de Governo do Partido Socialista, esquecendo-se que houve outros parceiros na negociação. Nesse aspeto o PCP foi mais comedido. Esperemos que isto não sirva para começar a gerar conflitos tendo como base a propaganda partidária, que a oposição de direita irá aproveitar em pleno. Não é estratégico os partidos que assinaram o acordo iniciarem uma competição onde cada um pretende chamar a brasa à sua sardinha, o que apenas servirá para dar argumentos e razão à direita.

Das centrais sindicais e dos sindicatos nelas filiados espera-se uma contenção reivindicativa responsável.

Ao presidente da CGTP, Arménio Carlos, pede-se uma outra atitude e contenção verbal e parar com a contínua guerra aberta respeitando os outros dirigentes quer da UGT quer das associações patronais, da mesma forma que o respeitam a ele. Refiro-me, neste caso, ao presidente da CIP.

Arménio Carlos, quando fala, parece estar sempre em guerra aberta com todo e qualquer representante das confederações patronais quando em negociação ou em debates. Não negoceia, exige, reivindica, vendo apenas e só um lado da questão, esquecendo-se que existe uma economia para crescer e gerar postos de trabalho. Torna-se por vezes inconveniente, o que pode conduzir a ruturas que, nem agora, nem num futuro próximo, interessam a qualquer das partes, nem aos portugueses. Gerar conflitos apenas ajuda a direita. Não é o momento de vanguardismos de esquerda, mas de calma e consensos. Se assim não for quem ganha sempre é a direita. E, nas próximas eleições, se a direita volta a ganhar, as vítimas serão sempre os mesmos, os que afinal pretendem defender!

Pensem nisto.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:47

A fila

por Manuel_AR, em 23.11.15

 

Fila para Belem.png

 

Resolvi reler alguma da imprensa da passada semana e rever algumas das notícias dos canais de televisão sobre as audições pelo Presidente da República Cavaco Silva fez a personalidades, instituições, formações, sindicatos, economistas, eu sei lá, um corrupio sem fim para tomar uma posterior decisão sobre quem irá indigitar para formar um governo para o país.

Os "especialistas" em economia e finanças que acorreram ao Palácio de Belém eram senhores do pensamento único que Cavaco Silva queria ouvir.

Até um antigo ministro de José Sócrates decidiu ouvir. Um deles que, enquanto se manteve no Governo daquele ex-primeiro-ministro, não previu antecipadamente o que veio depois a acontecer e deixou que tudo chegasse até às últimas consequências, desculpando-se já no final com a resistência do então primeiro-ministro. Manteve-se no lugar até às consequências que ele poderia prever vindo depois a desculpabilizar-se e a tentar distanciar-se da insolvência que também ajudou a construir. Se tudo estava, há muito, a ser mal conduzido na política financeira com que não concordava então porque não pediu ele a demissão e abandou o cargo em devido tempo.

Mas, voltando ao Presidente da República, à parte os partidos e os Secretários Gerais das centrais sindicais, de todos os outros que foram ouvidos Cavaco Silva sabia que lhe dariam as respostas que ele queria ouvir. É a tal visão de pensamento único a que, em "posts" anteriores, me tenho referido. Foi uma fila de personalidades, únicos detentores da verdade e circunscritos ao pensamento cavaquista, isto é, a uma espécie de "união nacional" e defensor dum "nacional-neoliberalismo" no falso pressuposto de que não há alternativa. Sou pela iniciativa privada que é o motor fundamental da economia mas sem os fundamentalismos do neoliberalismo que se quer impor a todo o custo e à custa de alguns.

Resta perguntar porque será que Cavaco Silva não convocou o Conselho de Estado onde poderia ouvir várias sensibilidades.

***

Apenas uma nota final para recordar a quem esteja esquecido que neoliberalismo é um sistema económico e ideológico que defende uma intervenção mínima do estado na economia, limitação do protecionismo, privatização de empresas estatais. apenas os ativos, ficando a maior parte das vezes os passivos na posse do Estado. O mercado autorregula-se com total liberdade. Argumentam a favor de quanto menor a participação do Estado na economia melhor para todos na via de um Bem-Estar Social para todos (?) ao mesmo tempo que elimina subsídios. Esse tipo de pensamento pode ser representado pela privatização de tudo, deixando à revelia o mercado num sistema do salve-se quem puder. Tivemos a experiência neoliberal de Thatcher nos anos 80 e, mais recentemente com George W. Bush nos EUA que abriu caminho para a crise financeira internacional com a falência do  Lehman Brothers. Dizia ele então: "Eu acredito muito na livre iniciativa, por isso o meu instinto natural é se opor a intervenção do governo. Eu acredito que as empresas que tomam más decisões devem sair do mercado. Em circunstâncias normais, eu teria seguido esse curso. Mas estas não são circunstâncias normais" e confessava: O mercado não está funcionando corretamente. Houve uma perda generalizada de confiança, e grandes setores do sistema financeiro da América estão em risco."

O discurso tinha por objetivo de explicar aos americanos o porquê de o governo enterrar 700 mil milhões de dólares numa semana para socorrer bancos à beira da falência. Será que não podemos tirar ilações? 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:28

Instabilidade.png

 

 

Quantos dias vão demorar esta fantochada e a instabilidade política e interregno governativo, provocados pelo Presidente da República que, ao demitir-se das suas funções, ao lançar para os partidos a procura de alternativas para governo estável, quando as eleições foram bastantes claras? Só tinha que ouvir os partidos e indigitar quem ganhou as eleições. Os acordos parlamentares viriam depois com a capacidade negociadora já comprovada de António Costa.

O discurso do medo, da catástrofe, da instabilidade política, da estabilidade governativa, do que pode acontecer se…, funcionou no tempo da ditadura e enraizou-se de tal forma na cultura dos portugueses que hoje em dia ainda persiste, pelo menos nos que votaram conservador. A direita da coligação PSD-CDS sabia disso, utilizou a estratégia durante a campanha eleitoral para ganhar e continua a utilizá-la agora, reforçado pelo Presidente da República que, para não se comprometer, lançou no país a confusão total.

Quando Salazar tomou o poder falava em pacto de consenso de governo nacional afirmando que não defendia nenhum sistema político e, menos ainda, a democracia, pelo efeito nefasto porque tinha o jogo de interesses privados e ideologias rígidas que orientavam os partidos políticos, pelo que atalhou caminho para um governo estável da nação proibindo estes e ainda a liberdade de imprensa, em nome do que considerava ser a paz social.

 Ao ocupar o poder num tempo de instabilidade política Salazar conseguiu impor as suas ideias ajudado pela reputação que granjeou ao resolver a crise financeira, criando um pacto de consenso de governo nacional.

Ao escrever chega-me à memória a parecença com intervenções de Cavaco Silva que disse um dia não ser político mas que, na atualidade, tem ideias muito parecidas.

Os grupos de palavras sublinhados são os que foram utilizados pela coligação PSD-CDS durante a campanha eleitoral e sempre recordados pelo Presidente da República que disse em tempo não ser um político, mas nunca assumiu que a sua pureza política esteve associada a nomes menos claros criados pelo cavaquismo. "No seu tempo o BPN era legal e Dias Loureiro e Oliveira Costa eram "pessoas honradas" segundo o Banco de Portugal e foi preciso que rebentasse a crise financeira mundial para que o escândalo viesse a público no meio de tantas fraudes e logros financeiros. Coincidência?"

O discurso do medo, da insegurança, do que poderá acontecer, se nada for feito de acordo com a direita, tem levado uma parte da população a assumir-se como pessoas a que lhes podem retirar tudo o que têm, incluindo direitos sociais, desde que haja estabilidade política. Salazar assim gravou nas suas mentes.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:47

Ratoeira.png

 

A direita e os pregoeiros do regime conduzido pelos mesmos do costume, andam num estado de grande inquietação, porque sabem que têm que retroceder em algumas das medidas que tomaram e agem no sentido de agarrar a única boia de salvação que é o PS e, para isso, fazem à sua maneira a costumeira interpretação das palavras do Presidente da República.

Um dos pregoeiros que escreve opinião para o jornal Público é João Miguel Tavares, liberal por convicção, não sei se por interesse também, chegou ao ponto de dizer que os portugueses elegem um Presidente da República para bater o pé aos partidos e, "se necessário, fazer valer a sua vontade" no sentido de obrigar os partidos a entenderem-se. Obrigar, em democracia, significa contrariar ou pressionar o que foi decidido nas urnas olhando só para um dos lados. É oportuno perguntar, e se fosse o contrário?

Mas aquele pregoeiro vai ainda mais longe diz que não há problema nenhum em não se formar governo já Governo e refere o exemplo do Governo alemão que levou 86 dias "após o sufrágio". Meses atrás defendiam a rapidez da formação dos Governos que era muito lenta em Portugal de acordo com o que na altura diziam oa comentadores residentes nos canais de televisão.

Escrevia o jornal Público em 2011 "O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, recebe hoje à tarde o vencedor das eleições legislativas realizadas ontem, o líder do PSD, Pedro Passos Coelho. Apesar de não o poder convidar formalmente - isso só acontecerá depois de publicados os resultados eleitorais e de ouvir os partidos -, o Presidente da República quer, com audiência de hoje a Passos Coelho, dar um sinal claro de que pretende que um novo Governo seja formado com rapidez".

De qualquer forma, o Presidente da República foge às responsabilidades; é como se dissesse arranjem-se... porque eu não tenho nada a ver com isso, e não dou posse a um Governo que ganhou as eleições, é minoritário e temos uma maioria de esquerda da Assembleia da República...

O argumento de que 13 Estados da União Europeia são Governos de coligação é um dos cavalos de batalha para atrair o Partido Socialista para o covil dos tubarões da direita neoliberal cujo objetivo é acabar de vez com as opções pela esquerda moderada do eleitorado e, assim, poderem dominar os povos.

Não foi para fazer coligações com esta direita, em nome de um patriotismo que serve apenas para justificar a manutenção dos privilégios conseguidos  durante estes quatro anos que muitos portugueses votaram no Partido Socialista. A direita que governe sem colete de salvação porque foi para isso foi mandatada. Já quanto a consensos pontuais sobre algumas matérias o negócio pode ser outro.

Se o Partido Socialista se coliga com o PSD e o CDS-PP começará o seu início do fim à semelhança do que aconteceu na Europa, onde os partidos moderados de esquerda e a social-democracia se encontram no momento em posição minoritária e dependentes da direita. A direita neoliberal lançará mão de todas as estratégias ao seu dispor para que a social democracia e os socialismo seja "agarrados" para os enviar para o crematório da morte lenta.

Uma aliança à esquerda, leia-se PCP e BE, será na prática inviável devido ao radicalismo de posições sobre assuntos essenciais. Seria, a prazo, a fuga para a direita de algum eleitorado mais conservador do PS que evoca o descontentamento gerado pelo Governo neoliberal de Passos Coelho para votar no Partido Socialista.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:38

cavaco-silva-fantoche.png

O Presidente da República na sua intervenção de ontem continuou na sua linha de apoio descarada à coligação. É um Presidente cheio de dúvida e de receios que pretende esconder atrás duma capa de rigor e independência que não mostra. Utilizou por outras palavras as que a coligação utilizou durante a campanha eleitoral. Claro que, Cavaco Silva tem que dar posse ao governo que saiu da decisão do povo manifestado nas eleições. Sobre isso não deve haver quaisquer dúvidas e desvios por mais artificiosos que sejam.

Quando disse que "cabe aos partidos políticos encontrar um compromisso para um Governo consistente", não trouxe nada de novo. Limitou-se a lançar para o ar um lugar-comum numa situação eleitoral como esta. É evidente que poderia ter dito que caberia à coligação que ganhou as eleições encontrar um compromisso governativo, mas não, referiu-se aos partidos, excluindo alguns, como quem diz, vocês aí, que tiveram os votos arranjem-se que eu não tenho nada a ver com isso. E vocês, portugueses, que não deram aos partidos que eu apoio a maioria absoluta também são responsáveis.

Como determina o Artigo 187º, nºs 1 e 2 da Constituição da República o Primeiro-Ministro é nomeado pelo Presidente da República, ouvidos os partidos representados na Assembleia da República e tendo em conta os resultados eleitorais.

Ora, a intervenção de Cavaco Silva passou uma borracha por cima daquele artigo dizendo o que achava. O Presidente Cavaco limitou-se a exprimir "estado de alma" em vez dum "estado político" ao excluir à partida outros partidos que tiveram expressão eleitoral. Uma espécie de marginalização a esses partidos e um castigo aos portugueses que se atreveram a votar neles. Baseou-se em justificações ouvidas durante a campanha eleitoral mesmo antes de os ouvir. Como saberia se estariam ou não dispostos a negociar sem primeiramente os ouvir? Uma revanche antidemocrática sobre uma esquerda que representa mais de 994 mil portugueses.

Cavaco Silva, durante a sua desastrosa presidência mostrou mais uma vez, com os seus apelos aos consensos, ser um adepto fervoroso duma união de partidos, duma espécie de fantochada do tipo união nacional do passado.

Foi e continua a ser já no fim de mandato uma vergonha para os portugueses. Pelo menos da grande maioria.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:25

O diabo das promessas

por Manuel_AR, em 27.07.15

 

Promessas_2.pngPromessas de Passos.png

Quatro anos de Passos Coelho e do seu governo provocaram nos portugueses divisões e feridas sociais que irão levar muito tempo a sarar e a esquecer.

Diz ele que não lhe interessam as eleições e que, por isso, irá continuar a seguir o mesmo caminho seguido até aqui mas, ao mesmo tempo, vai abrindo aqui e ali “os cordões à bolsa” distribuindo umas benesses que, caso ganhe as eleições, irá recuperar à custa de alguns e a qualquer preço. Os discursos laudatórios ao fim da crise e ao crescimento anémico e vão ter custos agravados ao chegarem ao poder. Serve para obter o poder a qualquer custo.

Não haverá ninguém que não ache positivo a redução ou a eliminação da sobretaxa do IRS, lá para 2016 se a receita fiscal aumentar conforme preveem, (espécie de cenoura para enganar os potenciais votantes que o ajudem a manter-se no poder). É mais uma das artimanhas, mas, entre linhas também vão dizendo que, se a receita fiscal diminuir, este imposto da sobretaxa do IRS pode voltar a subir.

Não é preciso lançar cartas do Tarot para se adivinhar o que vai acontecer caso a coligação, apoiada por Cavaco Silva, ganhe as eleições para justificar recuos no processo de austeridade que, dizem, ter abrandado ou terminado: o perdão ou a reestruturação da dívida grega, uma crise financeira de última hora, a dificuldade do cumprimento das metas do défice por causa das pensões em pagamento, os custos salariais com a educação pública, ou qualquer outra desculpa que não será difícil encontrar no atual contexto europeu, serão o motivo para retirar o que andam por aí a distribuir voltando às mesmas políticas que os moveram até aqui e, se possível, procederem ao seu agravamento.   

Passos Coelho, diz por aí, querer travar um combate sem tréguas às desigualdades sociais e à pobreza, fala em promessas e esperança de prosperidade coisa que esqueceu durante quatro anos escudando-se com o programa imposto no memorando da troika, mas lá ia dizendo que o seu programa era o mesmo e que tencionava ir mais além.

Entre confiar em Passos Coelho e no se acólito Presidente Cavaco mais vale confiar no diabo que, de acordo com a mitologia judaico-cristã, é falso, tentador e perfilha a traição e a arte da manipulação. 

Não podemos esperar da coligação PSD/CDS qualquer mudança de rumo a não ser a continuação da mesma política social, económica e fiscal com que governou até aqui, e o mesmo pensamento político sobre a sociedade.

Passos Coelho entrou para a política pela mão da JSD não por convicção pelos ideais da social-democracia mas por interesse, assim como tantos outros que lá se encontram. Não é por isso difícil perceber a distorção que o partido de que é líder tenha vindo a degenerar e a esquecer as suas raízes.     

Seguir as políticas ditadas pela Alemanha e a dos seus aliados do norte desdenhando o povo do seu país para se mostrar um fiel e bem comportado bom aluno dos “mestres” da destruição duma Europa que se quer mais unida, é outro dos pressupostos convictos de Passos Coelho, talvez como forma de se perfilar para voos mais altos no domínio dos lugares europeus porque, se assim não for não terá emprego. Quem não o conhecer então que se atreva a comprá-lo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:52

Presidente da República o eco do Governo

por Manuel_AR, em 24.07.15

O Presidente da República Cavaco Silva quanto mais fala, mais perde a sua credibilidade. Tempo houve em que permaneceu em silêncio quando era necessário que falasse e dizia que não se metia em assuntos da competência do Governo, agora, em plena pré campanha eleitoral, quando se deveria remeter ao silêncio recatado e deixar a democracia partidária funcionar fala demais. Ainda hoje os canais de televisão emitiram declarações do Presidente reproduzindo o mesmo discurso sobre a sobretaxa do IRS que é da estrita competência do Governo, salientado bem o seu eleitoralismo pro governamental.

Quando os partidos do governo ameaçam e atemorizam com “Grécias”, novos resgates, regressos ao passado, lá está Cavaco Silva a repetir a dose. Quando os partidos do governo falam na recuperação económica, nas melhorias das condições de vida, lá está Cavaco Silva a repetir por outras palavras a mesma dose. Quando Passos Coelho está de aflitos, como foi o caso das declarações de Juncker, lá vem o Senhor Presidente dar uma ajudinha.

Ó Senhor Presidente os portugueses não precisam de ecos.

Querendo mostrar-se acima dos partidos disse que não se mete em querelas político partidárias. Mas será que temos um Presidente da República que não é político? Que está ele a fazer no lugar onde os portugueses infelizmente o colocaram? Diz não se meter em querelas partidárias mas é notório todo o empenho que tem dado à campanha eleitoral da coligação PSD/CDS.

Bem pode espernear Senhor Presidente.

Estúpidos? Nós? Nem pense Senhor Presidente!

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:05


Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.