Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


A vingança serve-se fria?

por Manuel_AR, em 09.02.19

Bastonárias enfermeiros.png

Imagem de: Noticias ao minuto. https://www.noticiasaominuto.com/

Começo a ficar preocupado comigo porque acho que estou a verificar em mim uma tendência para a interpretação errónea da realidade em consequência da suscetibilidade aguda e da desconfiança extrema que estou a ter para com os enfermeiros. Até já vejo em todas as mulheres que passam na rua enfermeiras grevistas. Mas a culpa é delas. Porquê só as mulheres? É simples: mais do que 85% dos enfermeiros são mulheres.

Estou com receio de ter de ir a um hospital público e ser maltratado se reajo contra a greve desnaturada que eles estão a provocar sobre pessoas indefesas. Sim, ando com medo e os médicos também estarão por causas diferentes.

Esta gente, nomeadamente Ana Rita Cavaco, bastonária da ordem dos enfermeiros, uma das incitadoras e manipuladoras da greve sabe o que anda a fazer e, para mim, é uma espécie de vingança dos enfermeiros, direi antes enfermeiras porque mais de 85% são mulheres, incitada e poe ela manipulados(as) sobre o que o PS e António Costa fizeram a Passos Coelho e ao PSD em 2015. Para saber quem Ana Rita Cavaco basta clicar aqui e ver um artigo da revista Visão em 2017.

Ana Rita Cavaco foi adjunta de Carlos Martins, secretário de Estado da Saúde entre 2002 e 2004, no Governo de Durão Barroso.

No Verão de 2013 foi-lhe instaurado um processo disciplinar com base numa participação de uma colega, que justificou a sua denúncia com “princípios éticos e deontológicos”. De acordo com a participação, Ana Rita, então colocada no Centro de Saúde da Graça, esteve ausente do serviço durante três semanas, em junho desse ano, “tendo assinado a respetiva folha de ponto” quando regressou, tal como se tivesse estado a trabalhar. Podem confirmar aqui.

Esta greve é essencilamente política, idependentemente da razão que lhes possa assistir ou não.

Para alguns liberais de direita (digo alguns porque é sempre mau generalizar) que escrevem artigos de opinião no que se refere à greve dos enfermeiros, talvez porque está no governo um partido de centro esquerda, lá vai disto, e colocam-se do lado dos enfermeiros porque à direita (alguma) convém tudo quanto possa por em causa o Governo e António Costa. É o caso do artigo de Vasco Pulido Valente e da grosseira opinião no que respeita à greve selvática dos enfermeiros e à sua duvidosa perceção dos que frequentam os hospitais. Talvez as minhas opiniões não o sejam menos, mas eu sou um elemento do povo, da ralé, do povaréu e ele é um senhor supra-classe, por isso tenho desculpa.

O artigo de opinião do dr. Vasco Pulido valente mereceu os meus comentários seguintes: O dr. saberá do que está a falar? Apesar de dizer que esteve num hospital público só se for de passagem, em transição para um privado. Devo concluir que esteve num hospital público no entretanto dos tempos das greves. Talvez com gripe? Dr. Vasco Valente, as pessoas que estão nos hospitais neste momento estão com medo dos enfermeiros, de maneira que lhes dizem a tudo que sim e lhes fazem muitos sorrisos e estimulam vãos apoios. O curso de filosofia que tirou na faculdade de letras, antes do tempo em que eu por lá andei, não o ajudou a compreender as pessoas... Que tenha "raiva" ao Dr. António Costa e às esquerdas ainda compreendo. Mas, por favor, tenha pena de nós os coitadinhos cá de baixo, os do povaréu! E acrescentei: Por essa dos enfermeiros ficamos a saber qual a origem da organização grevista e selvática, porque a esses lhes interessa e, por outro lado, esses mesmos vão aos hospitais privados quando precisam. A questão que coloco agora é: como seria a opinião dele se estivesse no governo um partido ou uma coligação de partidos de direita, espetro com o qual provavelmente se identificará?

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:17

Mário Machado2.png

Imagens TVI24 e jornal i

A frase do título deste post que penso ter sido atribuída a Óscar Wilde fez-me recordar Donald Trump que, para uns, sofre de autoritarismo, é fascizante e tem falta de senso político, e, para outros, é o melhor político como, por exemplo, para Bolsonaro no Brasil que gosta de o imitar o que me levou a refletir sobre os avanços na U.E. da extrema-direita e dos seus tentáculos. O crescimento destas ideologias é um dos assuntos mais sérios que tem vindo a público e não pode ser desvalorizado pela U.E. apesar de que alguns em Portugal digam estarmos livres. Não, não estamos livres. Não há dúvidas do começo do seu despontar embora que, ainda, timidamente.

São as tendências autoritárias e extremistas que vivem sob a capa de democratas no seio da própria democracia que a estão a minar. São os nacionalismos exacerbados, as xenofobias, os racismos, o ódio, o apelo à segurança por causa da insegurança, o ser contra tudo quanto é diferente que se vai amplificando no seio das democracias.

Por cá, invocam-se recordações saudosistas dos tempos de Salazar que alguns, os mais velhos, na sua instabilidade e insegurança que a idade avançada lhes vai trazendo, recordam e acham que um regresso a esse espírito lhes faz falta. Outros, os mais novos, eventualmente angariados por estes extremismos, os que não viveram aqueles tempos e que dizem não haver agora liberdade de expressão por não poderem clamar hinos rácicos e xenófobos, reclamam por novos tempos que acabam por trazer, novamente, a falta dela como se pode confirmar por afirmações de André Ventura (ainda no PSD?) ao semanário Sol.

É muito fácil fugir a perguntas, ao diálogo e à controvérsia com mensagens curtas e inteligíveis, com frases e discursos redondos e bacocos, feitos à medida, sem coerência argumentativa, convencer um povo e desencadear as suas emoções mais primárias. Um povo menos culto, com algum défice de literacia política, impreparado e desavisado, recebe e assimila rápida e facilmente essas mensagens e dá-lhes crédito. É o endeusamento dos que falam direto e fácil, por serem compreendidos com um mínimo esforço.

Aqueles que anseiam por um novo homem ele aí esteve, na televisão, identificando-se como sendo uma nova pessoa, um novo homem após libertação, terminada a prisão por violência racista. Se a prisão recupera aí está a prova manifestada pelo arrependido. O passado de violência e assassinatos por motivos raciais, as cruzes gamadas tatuadas nos braços, as saudações nazis, nada disso interessa, foram coisas do passado, coisas de juventude. Mas esse novo homem diz precisarmos de um Salazar que nada teve a ver com fascismo e que no seu tempo havia liberdade de expressão coisa que atualmente não existe. Salazar salvou Portugal da guerra e recebeu judeus fugidos dos nazis, não era fascista e nessa altura havia segurança.

Hoje, que já não há um Salazar precisarmos de um, ou mais do que um. Quem o diz é o novo homem que saiu da prisão e é contra a imigração e os negros porque a violência vem dos africanos, provado que está nas prisões, onde se encontram em maioria, devido a crimes violentos. Compreende-se, é uma nova pessoa, um novo homem como afirma categoricamente, talvez escondendo tatuagens reveladoras dessa nova pessoa debaixo da manga comprida do casaco que traz vestido.

Claro que já adivinharam de quem estou a falar. É desse novo homem, Mário Machado, líder do movimento Nova Ordem Social, várias vezes condenado por crimes de ódio racial, mas que não tem nada contra os homossexuais. Quando no programa "Você na TV", Manuel Luís Goucha lhe perguntou no final da entrevista:

- Vivo há vinte anos com um homem, tem alguma coisa contra mim?  - perguntou Luís Goucha a Mário Machado.

A resposta veio de imediato:

- Claro que não, senão não estaria aqui - responde o entrevistado.

Esta foi mais uma novidade que nos trouxe este novo homem!! 

Goucha levanta-se muito rápido e, com uma expressão de regozijo por esta afirmação, sentindo-se talvez “aliviado” dos ataques que lhe terão feito nas redes sociais pelo convite dirigido àquele novo homem, encaminha-se, porventura envaidecido, para o ecrã gigante onde passa uma mini reportagem, espécie de vox populi. Foi, porventura, a sua forma de vingança.

Gostava que me explicassem por desenhos este fenómeno de recuperação que levou Mário Machado a transformar-se num novo homem uma vez que, em 2016, apenas há dois anos, foi noticiado que “Comunistas, negros, muçulmanos e homossexuais foram violentamente espancados por skinheads entre 2013 e 2015, no centro de Lisboa. A motivação político-ideológica das cabeças rapadas, que pertencem à fação mais perigosa do movimento internacional de extrema-direita Hammer Skin Nation, levou à intervenção da Unidade Nacional de Contraterrorismo (UNCT) da PJ, que deteve ontem 20 suspeitos.”. “Os cabecilhas do grupo agora detido fizeram parte do núcleo duro do ex-líder dos Portuguese Hammer Skins (PHS), Mário Machado, detido desde 2007, data da última megaoperação da UNCT contra os crimes deste movimento neonazi.”, que pode ler aqui.

Esses, como Mário Machado, que falam em censura e em falta liberdade de expressão que dizem atualmente não existir, cortariam, sem hesitação, este texto se fosse escrito, sob um regime como o que ele defende.

A polémica e os protestos instalados sobre o dito programa da TVI, na rubrica "Diga de Sua (In)Justiça" da autoria de Bruno Caetano, deu lugar a uma quantidade de artigos de opinião que talvez tenham sido exagerados, porque "a única coisa pior do que ser falado é não ser falado". E Mário Machado foi falado, e até de mais! Neste preciso momento ele está a ser falado e você está a ler. Terá sido esse o objetivo que a TVI teve em mente?!. . . 

Para além da tentativa de branqueamento do seu passado, a TVI ofereceu ao nazi que agora diz ser nacionalista e um outro homem, a publicidade gratuita que intentou elevar os telespectadores ao nível de consumidores do produto enganoso que é Mário Machado.

E termino com uma citação de Vasco M. Barreto no jornal Público:

“Independentemente do que possamos pensar sobre a liberdade de expressão, qualquer texto que mencione o mais famoso neonazi da pátria deve incluir uma referência a Alcindo Monteiro, Manuel Domingos Silva, Contreiras Ferreira, Alberto Adriano, Fausto Soares, João Soares e Matias de Almeida, entre outros, que a 10 de Junho de 1995 foram agredidos à paulada e aos pontapés no corpo e na cabeça por skinheads.”.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 09:53

movimentos inorgânicos.png

De acordo com o jornal Le Monde  estará marcada um nova manifestação dos “coletes amarelos” em França para sábado 1º de dezembro?

Apesar do discurso de Emmanuel Macron em 27 de novembro, apesar da reunião de representantes do movimento com o ministro da transição ecológica François de Rugy (27 de novembro) e depois com o primeiro-ministro Edouard Philippe (30 de novembro), mais um dia de a mobilização está planeada em toda a França.

Marine Le Pen líder do partido União Nacional, ex FN, sob a capa da moderação, provoca implicitamente o confronto quando disse na Europe 1, segundo o jornal FranceSoir,  "Se os Champs Elysees forem interdito aos “coletes amarelos” eles sentirão isso como um ato de  mais humilhação, mais uma forma de desprezo", argumentou o Marine Le Pen. "Os Champs-Élysées é uma avenida que é o símbolo da França, ora os “coletes amarelos” são o povo francês…” Eles consideram isso como como sendo seu.”, afirmou Le Pen. Pode conferir aqui.

Segundo uma sondagem  em França que pode ver aqui são cada vez mais os franceses que apoiam os “coletes amarelos” e os protestos pela redução de impostos e reposição do poder de compra: 84%,. Os eleitores da União Nacional de Le Pen, antiga FN, são os que mais apoiam a contestação com 92%. Os apoiantes de Macron dividen-se: 50% apoiam e 50% não.

Isto leva-nos a refletir sobre este tipo de movimentos. As manifestações são ações democráticas em que se pretende expressar coletiva e publicamente um sentimento ou uma opinião podendo ser

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:58

democracia.png

Quem anda pelas redes sociais e escreve em blogs e escuta comentários nos canais de televisão lê e ouve o que gosta e o que não gosta, até mesmo o que vem de alguns energúmenos da asneirada ofensiva e da mentira que proliferam nas redes sociais. Daí é necessário ter a dose respetiva de capacidade psicológica para o encaixe, e a disposição necessária para o desprezo de certo tipo de comentários.

Veja-se o exemplo do que se passou durante a campanha eleitoral no EUA e continua ainda a passar-se e, mais recentemente, no Brasil com Bolsonaro. Fazer comentários nas redes sociais contra ou a favor do que quer que seja ou denunciar notícias falsas não vale a pena porque, quando se trata de campanhas que se apoiam principalmente nas redes socias, a maior parte das vezes as respostas que contestem tais notícias mesmo que falsas e respetivos comentários caem no saco roto nos eleitores porque o povo irá votar irracionalmente, tanto mais, quanto a irracionalidade das atitudes perigosas e grosseiras investidas por quem faz campanha e apoia certas ideias contra a democracia, os políticos,  os candidatos ou os partidos de forma radical, violenta, primitiva, brutal, deseducada.

Tenho-me referido várias vezes aos comentários e artigos de opinião escritos na imprensa alguns deles escritos para elites digerirem. José Miguel Tavares, uns dos liberais com o qual raramente estou de acordo que escreve artigos de opinião para o jornal Público, referiu naquele jornal, a propósito das eleições no Brasil, que: “as elites artísticas, intelectuais e jornalísticas têm de meter na cabeça de uma vez por todas que a sua influência sobre o povo, na hora do voto, é nula. Que os seus poderes de mediação e de persuasão, na era das redes, evaporaram-se de vez. Que ter escritores, comentadores, historiadores, músicos ou jornais a criar vídeos, e manifestos, e hashtags, e editoriais, e o diabo a quatro, onde do alto da sua imensa sabedoria tentam explicar ao povo brasileiro (como já haviam tentado explicar ao povo americano) em quem ele deve votar, é uma ridícula figura, por uma razão muito simples – aquele voto, o voto de dezenas de milhões de brasileiros e de norte-americanos, também é contra nós”.

Face a isto o confronto democrático e o debate político deve passar a seguir outro caminho porque a exigência do povo pela qualidade intelectual e cultural tem vindo a deteriorar-se progressivamente devido às redes sociais onde alguns exprimem o que lhes vai na alma através de grunhidos grosseiros rebuscados nas profundezas das cavernas mais obscuras de certa política partidária e ideológica que por vezes são mais eficazes do que dissuasores.

Nesta era das tecnologias da informação e comunicação todos passámos a ser, para além de consumidores, produtores de informação, falsa ou não, boa ou má, sem censura, enfim  sem quaisquer riscos que não sejam os comentários dirigidos. A informação que antigamente era validada, e conferida segundo critérios pelos órgãos de comunicação social – felizmente alguns ainda continuam a seguir – deu lugar à desinformação desenfreada nas redes sociais e à contra informação, numa competição sem tréguas do quanto mais falso e ofensivo melhor que contribui para confundir opiniões, até as dos bem intencionados, numa espécie de rodopio de notícias confusas, e não factos, difundidas pelas redes.

Quem mantém blogs de opinião política seja qual for o quadrante, mesmo de visão sectária, está no seu direito de liberdade de expressão que a democracia lhe confere. Já no que diz respeito á comunicação social, nomeadamente a imprensa, a coisa é diferente. Detesto jornais de orientação tendencialmente unilateral. Em jornais online com opiniões provenientes de vários quadrantes ideológicos e partidários aparece de tudo na zona dos comentários, desde os que se insurgem contra a opinião do autor fazendo comentários insultuosos até aos que defendem as suas opiniões e criticam outros como se fossem eles os proprietários de verdades absolutas. Nestas tarefas de crítica e opinião no domínio da política temos de ter a capacidade de encaixe suficiente para podermos ler e ouvir quer o que gostamos ou com que concordamos, quer o que não gostamos ou com que não concordamos e se assim não for o melhor é: não comentar.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:10

As vespas dos comentários online

por Manuel_AR, em 17.09.18

Comentários.png

Um artigo de opinião é um texto em que se expressa uma opinião pessoal, tipicamente polémica ou provocadora, sobre um assunto ou notícia em particular. Isto é, um texto em que um autor emite opinião sobre uma determinada temática de interesse atual e que pode gerar polémicas. Sendo um texto dissertativo e argumentativo, o seu autor deve expor sua opinião, sustentá-la por meio de informações que sejam admissíveis e citando fontes credíveis.

Esse tipo de texto normalmente é visto e acompanhado de uma grande polémica em jornais, revistas, TV, blogs, entre outros, de forma que espectadores e leitores poderão criar as suas opiniões com base na argumentação do autor.

Neste contexto é frequente vermos nas redes sociais, em blogs e em jornais online artigos que são apenas opiniões de quem os escreve, cujos comentários que lhes são dirigidos denunciam as limitações argumentativas e confrangedoras de quem os faz e, não raras vezes, deparamo-nos com imbecilidades, algumas até ofensivas, dirigidas aos artigos e aos seus autores. É mais do que evidente que a limitação intelectual, cultural e de valores de quem escreve tais comentários leva-os numa fuga para a frente pela ausência de argumentos quer por incompetência, que por incapacidade e falta de bases pelo que se refugiam numa linguagem ofensiva que reveladora de rancor do mais baixo nível.

É evidente que essas vespas que picam aqui e ali escrevendo tal tipo de comentários não sabem o que são artigos de opinião. Leem, não gostam, não concordam e, de imediato, escrevem comentários reveladores da sua incapacidade comunicativa e argumentativa. Algumas vezes até, ao serem confrontados com outros pontos de vista sobre a mesma realidade rejeitam-nos através do comentário com linguagem soez. São os comentadores enfurecidos ou comentadores do nada.

Encontramos por aí sempre alguém que se imagina uma sumidade na avaliação das opiniões de terceiros e extrapola essa sua avaliação como se ela fosse a do universo de todos os leitores. Não lhes interessa o debate e o confronto de ideias, não lhes o interessa o debate político, interessa--lhes a luta pelos interesses pessoais e unilaterais. É, por isso, que, quando comentam o fazem com raiva, com sarcasmo, com estupidez. Fraqueza de espírito essa!

O raciocínio que está por detrás desses comentários, se é que há neles qualquer espécie de raciocínio, é o de que as suas ideias sobre um assunto são únicas e verdadeiras, isto é, uma espécie de verdades absolutas, sectaristas. O preocupante é que muitos desses comentários poderão vir de pessoas cujo perfil não é o que aqui apresento, o que é ainda mais lamentável.

A propósito, Pacheco Pereira, num artigo de opinião no  jornal Público, numa critica dirigida a posições do CDS/PP e de João Almeida escreveu em certo momento que “quem é de direita não pode levar em conta qualquer posição que venha das “esquerdas”. Aqui está outra característica actual da política portuguesa: é posicional antes de tudo, vem do inimigo, é má, vem do amigo, é boa. E confunde “ideologia” com aquilo a que os marxistas chamavam “posição de classe”, interesses”.

Uma das posições a tomar sobre comentários destrutivos a artigos que são meramente opiniões, por vezes até pessoais e de circunstância política e que surgem da estupidez aparvalhada e da ignorância demonstrativa de incapacidades várias de quem os faz, é o de não resposta ao comentário.

Escrito este texto apenas aguardo os comentários dos ditos cujos…

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:26

Aliança

por Manuel_AR, em 27.08.18

Aliança_Santana Lopes.png

Cerca de um mês afastado do blogue, longe de Lisboa, embrenhado na região centro, cá vou sabendo das notícias pelos costumeiros meios de comunicação. Uma novidade que me despertou interesse no meio das notícias sensaboronas das TV’s foi o anúncio da constituição de um novo partido pelo senhor Santana.

O senhor Santana ao ser candidato à liderança do PSD terá apostado numa vitória mas, confirmada a perda, a amargura soltou-se (mais uma ao longo dos anos) também partilha pelos sem-lugar e os desamparados no partido após a saída de Passos Coelho. Terão sido ests as causas próximas conducentes à ideia para a constituição de um novo partido pelo senhor Santana. Tal ação divisionista terá tido também como causa questões de influência e de acesso ao poder perdidos pela mancha política da direita neoliberal do pós-Passos dentro do PSD que não concorda com a orientação de Rui Rio. A constituição do novo partido Aliança, a concretizar-se, vai criar brechas no partido onde o senhor Santana milita há décadas.

O nome Aliança é uma designação que me faz recordar nomes de partidos de extrema-direita como, por exemplo, o Aurora Dourada na Grécia ou Frente Nacional de Le PEN. Todavia não pretendo ir tão longe, limito-me a enquadrá-lo num espetro ideológico na linha dos que, agora sem rumo apoiavam Passos Coelho na orientação neoliberal e que agora estão descontentes com a orientação social-democrata que Rui Rio tem dado ao PSD.

Com o senhor Santana o Aliança vai ser um partido conduzido ao fracasso tais como outras das suas incursões políticas com a diferença de que, desta vez, não será para dizer vou andar por aí mas para dizer: Olá! Estou aqui!

Sobre o senhor santana e o Aliança João Miguel Tavares nos seus costumeiros exercícios anti PS faz um mix de futurologia e matemática tendo antes o cuidado de afirmar que “não votaria em Pedro Santana Lopes nem para delegado de turma…”, diz no jornal Público que, ao concorrer à próximas eleições, o senhor Santana foi esperto porque: “Imaginem que António Costa fica a dois ou três deputados dos 116 e que o novo partido de Santana Lopes tem esses dois ou três deputados — de repente, o novo Aliança pode conseguir um protagonismo, e um poder, que jamais alcançaria noutra conjuntura política. Era agora ou nunca”. Então, se assim for, digo eu, embora a conjuntura política seja diferente, o Aliança poderá vira a ter o mesmo papel do antigo partido PRD formado por Eanes em 1985 e, consequentemente o mesmo fim, o seu desaparecimento.

O senhor Santana dividindo o PSD com o apoio das fações neoliberais do partido pretende vir a ser uma espécie de bola de ping-pong no Parlamento, (se lá chegar a entrar), aliando-se ocasionalmente com um partido A, com um partido B ou com um partido C consoante as conveniências.

O senhor Santana pretende que o Aliança venha a ser o seu habitat porque só assim poderá lutar pela sua sobrevivência e continuar a existir politicamente. Quer ter a sensação de que vale mais estar aqui do que não estar, num mundo em que poderia não estar, mas está.

O senhor Santana empurrado pela ânsia do poder é arrastado pelas ondas da política e interroga-se sobre o que seria a política sem ele. Mergulha, mas, quando emergir, talvez olhe com espanto para a espada Dâmocles que presa por um fio ficará a pender sobre a sua cabeça. O que, para ele, talvez já não seja novidade.

O senhor Santana e os seus melros vão debicar o prado das eleições abrindo-se-lhes uma perspetiva muito prometedora sem se aperceberem de que vão viver uma constante fonte de angústia pela discrepância entre o comportamento político e o resto do universo partidário. Pelo que, a ter votações com alguma representação os votos virão do partido donde teve origem a fratura, o PSD, e do CDS/PP.

Hoje no jornal Público Leonete Botelho diz que “Ao “roubar” eleitores ao PSD, o partido de Santana Lopes fará aumentar a distância entre os dois maiores partidos portugueses…”

A lei de Lavoisier diz que a massa é conservada quaisquer que sejam as modificações químicas e/ou físicas que a matéria sofra: na natureza, nada se cria e nada se perde. Tudo se transforma. Na contabilização partidária a massa são os votos, assim, o alimento em votos do novo partido serão os do partido dividido que os perderá, podendo haver algumas exceções como fugas do PS, e um partido de direita não será alimentado pelos votos de partidos da chamada extrema-esquerda.

A contribuição do senhor Santana para a boa imagem do PSD e da social-democracia - que está a ser recuperada por Rui Rio – foi e tem sido nula tendo consistido em aparecer em momentos oportunos, despertados por sentimentos egocêntricos, de certo modo também atávicos, para defender ou conquistar um espaço no mundo da política a que pensa ter direito.

A decisão da constituição de um partido de direita pela cisão do PSD e da atual orientação social-democrata é necessária não para o país mas para a imagem do senhor Santana. Foi necessária uma revolução interior na mente do senhor Santana colocando acima do país as suas emoções e sentimentos, de acordo com os seus ritmos mentais, para conseguir prever os efeitos que efetivamente terá o novo partido os quais consegue apenas imaginar em teoria sobre. Ao senhor Santana apenas lhe interessa o protagonismo que tem vindo a perder politicamente e o que este lhe possa render e não o país e, com ele, estão os que, como ele, pensam.

O senhor Santana tem uma visão política e partidária familiar e fragmentada pela perceção individual que pode ser constatado pela sua atuação no passado, até mesmo quando Durão Barroso lhe entregou de mão beijada o poder do país XVI Governo Constitucional com a duração de 7 meses e 23 dias. “Vamos ver… nem quero pensar nisso”. Terá sido assim que Pedro Santana Lopes reagiu quando Durão Barroso lhe pediu pela primeira vez que o substituísse na chefia do Governo no verão de 2004. Na altura Barroso tinha sido sondado para o cargo de presidente da Comissão Europeia e queria assegurar que a transição era feita sem eleições legislativas antecipadas.

O senhor Santana para poder vingar terá de enveredar pelo populismo demagógico de direita para que o seu discurso tenha efeito, tática a ser utilizada por muitos partidos europeus quer de esquerda quer de direita. O primeiro sintoma tem a ver com a recusa aceitar “dogmas da construção europeia, como refere a Declaração de Princípios do Aliança sobre a União Europeia referindo que “Portugal tem-se dado ao luxo de estar na linha da frente da aplicação de deliberações da União Europeia que têm prejudicado importantes unidades do sistema económico e financeiro”. Uma versão mais soft do que tem sido defendido pelos partidos europeus da direita radical, estes anti U.E.

A Declaração de Princípios não apresenta nada de novo que não tenha sido já mencionado nos conteúdos programáticos de todos os partidos com exceções dos mais radicais de esquerda. É uma espécie de “copy paste” melhorada daqui e ali, nomeadamente no que se refere ao liberalismo e personalismo cristão que, ideologicamente, é semelhante à do CDS/PP.

O senhor Santana limita o seu partido Aliança a ideia imediatas que lhe foram sendo sugeridas e diz assentar, a sua matriz em três eixos fundamentais: Personalismo, Liberalismo e Solidariedade. Afinal, todos os partidos de direita, e alguns do centro esquerda também os reclamam. São três conceitos filosóficos muito complexos mas que, assim colocados não passam de chavões cuja aplicabilidade é vaga e praticamente exequível enão passam de mera propaganda.  

Em teoria, para o senhor Santana, o partido Aliança será a concretização de um novo paradigma no panorama partidário português, porque é novo e inovador nos seus traços ideológicos, mas não o é. Menos do que uma declaração de Princípios é uma declaração de intenções perigosa, demagógica, popularucha, inexequível a prazo. São boas e más intenções que estão implícitas. É uma espécie de neoliberalismo com pinceladas de preocupações sociais restritas para mostrar um rosto humano, mas não passa disso.

Estranho no que respeita à ambiguidade do que se refere à política externa a referida declaração refere em certo ponto que: “Vemos com otimismo, apesar dos riscos, a construção de um equilíbrio mundial inovador, assente na realidade multipolar, intransigentes que somos na defesa da Paz e dos direitos fundamentais”. Frase ambígua, pouco clara que sugere interpretações polissémicas. Para um leitor como eu, ver com “otimismo apesar dos riscos a construção de um equilíbrio mundial inovador”, é preocupante por presumir a concordância incondicional com a forma como a política internacional tem vindo a ser conduzida pelo atual presidente dos E.U.A e que tem vindo a ser contestada no próprio país e noutros países e a vários níveis.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:57

Liberdade de expressão.png

Há quem escreva artigos de opinião, mais ou menos polémicos, conceptuais e filosóficos que pretendem mostrar e evidenciar conhecimento pleno e absoluto das problemáticas que as redes sociais levantam. Divagam e divulgam numa escrita erudita dirigida aos da mesma tribo de intelectuais depois, outros, inserem no espaço online comentários mais ou menos elevados à categoria do incompreensível.

Fora do domínio da escrita que o rigor científico exige nos comentários prefiro utilizar uma linguagem acessível a maiorias de leitores de modo a ser compreendido mesmo por iletrados, e sem palavras de jornalista emproado e sabedor de tudo.

Quado se escreve um artigo de opinião há sempre quem concorde e quem discorde. Note-se, todavia, que, nem quem escreve nem quem comenta são donos da verdade, nem se pense que conseguem alguma vez converter-se mutuamente aos seus pontos de vista. Em janeiro de 2018 coloquei neste mesmo blog algo relacionado com este ponto de vista.

Sobre as redes sociais, tecnologia com que Pacheco Pereira, como muitos outros, parece não conviver bem, escreveu um artigo de opinião no jornal Público que merece ser lido e que, por isso, dada a liberdade de expressão também está sujeito a comentários. Foram vários os comentários ao artigo de opinião escritos com grandes tiradas, algumas até despropositadas para o tema, onde se brandem espadeiradas afastadas do objetivo do artigo. Alguns desses comentários, embora válidos, manifestam várias e possíveis interpretações, carecem de fundamentação e revelam mais emoção do que razão.

O dr. Pacheco Pereira, pessoa que admiro e considero enquanto intelectual e comentador, acha que as redes sociais são perversas e que são “formas de activismo simplista e grosseiro que o radicalismo “social” e político provoca nos nossos dias”.

A linguagem utilizada por quem frequenta as redes sociais é, a maior parte das vezes, exacerbada, não intelectualizada, não refletida; é sentida, irresponsável, espontânea. As redes sociais são frequentadas por um conjunto heterogéneo gente que vai desde a populaça ululante, tal qual uma manifestação de rua anti qualquer coisa onde os participantes apresentam cartazes insultuosos contra alguém ou alguma coisa, estes, felizmente uma minoria, até intelectuais bem-falantes, políticos, jornalistas, professores, comentadores, escritores, cientistas, pessoas não eruditas mas bem-intencionadas e muitos outros.

A linguagem dos que frequentam as redes sociais é, como diz Pacheco Pereira, primitiva onde surge uma “mão-cheia de “seguidores” que propagam e “amplificam todo o estilo de ataques, insultos e afirmações de má-fé que acabam por ter uma circulação em que o testemunho directo é substituído pelos comentários dos comentários dos comentários”.

Insurge-se Pacheco Pereira com o que se escreve nas redes sociais, e com alguma razão, mas a tecnologia das redes sociais e dos blogs apareceram muito depois do aparecimento da rede, vulgo internet, que possibilitou a qualquer cidadão ser também um potencial produtor de informação, (falsa ou não), para além de mero consumidor que lhe chegava unilateralmente apenas pelos clássicos órgãos de comunicação social imprensa, rádio, televisão. Pagando o aluguer de um espaço num qualquer servidor podia, desde logo, formatar uma página e colocar o lá que bem entendesse. Aceder à “fala” pública deixou de ser possível apenas a alguns “eleitos” para passar a ser aberta a todos.

O problema agravou-se com o surgir das redes sociais, com a sua miríade de interações, onde se angariam amigos, sejam eles quem forem, a maior parte das vezes aleatoriamente, e com o acesso a blogs, onde se publicam emoções e sentimentos sinceros ou inventados, opiniões e nuvens de perceções, manipulação de notícias e de factos forjados, e outros escritos não fundamentados. O livre acesso e direito a publicar na rede foi uma mágoa que se entranhou em muitos que consideram que tudo quanto se escreve nas redes sociais são heresias.

Quem frequenta as redes sociais deve estar informado sobre os seus conteúdos daí que tem de ser capaz de distinguir o trigo do joio, o que só se consegue com treino aturado ao longo do tempo. A leitura de comentários nas redes sociais e nos artigos de opinião exige treino para quem costuma ferver em pouca água.

Nesta amálgama de comentários que aparecem nas redes sociais, blogs e afins, alguns com uma linguagem de falsa neutralidade, acusa-se, condena-se, julga-se, injuria-se, ofende-se, destroem-se imagens, fazem-se autos de fé, e se manipula informação e deturpam factos, surgem também os inquisidores e os falsos moralistas que não aconselham, não sugerem, mas criticam, repreendem, ameaçam… Outros utilizam palavras acaloradas, menosprezo e desrespeito pela posição do outro, feito de forma muito fria e educada mas não menos ofensiva, com defesas e ataques de parte a parte conduzindo ao confronto de pontos de vista que, longe de permitir o enriquecimento de cada um ou de possibilitar uma posição de consenso, apenas redunda em desconforto, ou a ideias mais extremadas e repisadas pelo confronto.

Para mim o problema não está na linguagem utilizada por esses ululantes da escrita de comentários porque esse tipo de linguagem ouvimo-la ao virar da esquina duma qualquer rua ou café frequentados por jovens e adultos. O problema é, e Pacheco Pereira salienta-o, a repetição por ditos seguidores que propagam e repete até à exaustão “afirmações e opiniões grosseiras, falsidades, deturpações, que, não sendo verdadeiras, acabam por ganhar um estatuto competitivo com a verdade”. É neste ponto que reside o problema e o perigo que não se resolve nem evita com mediações ou verificações por uma espécie de “validadores” de comentários que podem vir a ser alcunhados de censores, ou como lhes queiramos chamar, que não validariam a veracidade ou a falsidade do que é escrito nem tão pouco as fontes, mas apenas e só a linguagem. Seria bom que estes inquisidores se limitassem apenas a questões de linguagem, mas vão mais fundo, pretendem silenciar o pensamento de outros. É aqui que para mim se deve centrar a discussão.

A linguagem não é neutra, ela está relacionada com fenómenos comunicativos e tem a capacidade que possuímos para expressar pensamentos, ideias, opiniões e sentimentos, estimula comportamentos e atitudes e pode moldar convicções. Um dos problemas da linguagem é as palavras terem tantos significados - e tão diferentes.

A maior parte das vezes são as emoções e os sentimentos, contra ou a favor de algo, que geram uma linguagem utilizada por quem não tem argumentos e, por isso, os que escrevem e insistem em utilizar uma linguagem insidiosa, frases caracterizadas pelo exagero e tentam distorcer a realidade acabam sempre por ficar expostos à rejeição e ao voto ao desprezo pelos seus pares, e por outros. O reforço desta rejeição pode ser promovido pelo debate livre e aberto das ideias por argumentos e contra-argumentos refutando e pondo a descoberto o que for torpe. É nisto que se baseia a liberdade de imprensa que deve ser de liberdade absoluta para a linguagem. Todavia, como a liberdade de expressão de pensamento absoluta é uma utopia, para tal deveria ser universal, restrinjo a linguagem do calão grosseiro, sem conteúdo sustentável, utilizado apenas e para o ataque pessoal, político e religioso nem tão pouco manifestações racistas e xenófobas de extremistas de cabeças rapadas e ocas.

A manipulação de informação não existe apenas nas redes sociais ela também existe, embora de forma subtil, nos clássicos órgãos de comunicação social. Veja-se os títulos dos jornais que por vezes levam a falsas interpretações para quem não lê própria notícia.

Como anteriormente referi, há quem, mergulhado em preconceitos e conservadorismo do passado, advogue uma espécie de verificação prévia, nova fórmula light para censura, para o que se escreve nos comentários das redes sociais e noutros sítios, mas, neste caso, estou parcialmente de acordo com Pedro Norton quando escreveu na revista Visão que “se eu tivesse de escolher um mundo de censores sem insultos ou um mundo de insultos sem censores, eu não vacilaria um instante em preferir o último. Prefiro, sem sombra para qualquer dúvida, ser exposto a ideias e a palavras ofensivas e pre-conceituosas permanecendo livre para rebatê-las do que ser obrigado a prescindir da minha liberdade para ser defendido pelo poder sem freios de censores iluminados”.

A este ponto de vista que me parece ser mais ideológico do que realista acrescento que, apesar de tudo, não nos podemos esquecer de que a liberdade de expressão de pensamento não pode ser absoluta, sem regra nem lei, onde os insultos e puro calão asneirento são correntes, sobretudo quando em conflito com os invioláveis princípios e direitos relativos à imagem e ao bom nome. A publicação de matéria dita jornalística de opinião ou outra tem de respeitar a veracidade dos factos que relata não podendo extrair conclusões acerca da conduta das pessoas nela mencionadas ou incitações à violência e dignidade da pessoa humana tais como racismo, nazismo e outras formas de segregação e violência religiosa, política ou étnica.

Quando se fala em manipulação de informação e de difusão de notícias falsas (fake news) há vários exemplos que mostram que se generalizou e, até personalidades em altos cargos nos estados utilizam as redes sociais para fazer política através de mensagens frequentemente falsas, sendo o presidente dos EUA, Donald Trump, o exemplo mais paradigmático. Trump já fez nos seus tweets várias declarações falsas, mentiras por omissão, falsificações de verdades que funcionam para desvalorizar e ignorar a realidade de facto. Mas os que o apoiam não se importam e a outros parece não lhes interessar fazer desmentidos utilizando a própria verdade. À tribo que elegeu acriticamente Trump não lhe interessa a verdade e assimila sem intermediação o que ele lhes diz. Quando Trump afirma que o facto A não é verdade, sendo-o de facto, os seus apoiantes entram em coro a dizer que estão a conspirar contra ele e forjam e divulgam notícias falsas que possam comprovar o que ele disse. Trump percebe isso e usa o Twitter para comunicar “directamente” com a sua “base” sem intermediação. Como ninguém vai verificar a veracidade ou falsidade do que foi dito ou escrito, e é gratificante para os seus apoiantes, está lançada a replicação através da rede chegando até aos seus opositores que as aceitam sem se questionarem sobre a sua veracidade.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:43

Professores e injustiças.png

Corro o risco de me repetir e de estar, mais uma vez, em consonância com João Miguel Tavares no que respeita à atual questão do boicote aos exames a que a FENPROF dá o nome de greve. Eu e João Miguel Tavares nada temos em comum no que respeita a opções ideológicas na política e muitas vezes tenho colocado do lado oposto das suas opiniões. O seu artigo de opinião publicado no jornal Público “Professores: o justo, o injusto e o Justino”, é outro ponto de vista com que estou de acordo.

Sobre a posição do PSD sobre esta matéria já escrevi neste mesmo blogues com o título “O regalo da direita com as delícias dos professores”. Escrevi então que o disse o PSD quando “acusa o Governo de defraudar e discriminar os professores em relação aos restantes funcionários públicos no descongelamento de carreiras” porque à direita interessa a contestação para captar votos dos professores numa ação eleitoralista e, por isso, junta-se à esquerdas a que chamava radicais e que nada fez nem alterou em prol dos professores quando no Governo.

Foi agora a vez de David Justino, vice-presidente do PSD dar uma mãozinha a Mário Nogueira para participar na “luta” vanguardista dos professores por mais dinheiro e direitos e menos trabalho que, no final, é no que se resume toda esta movimentação contestatária já bem conhecida gerada pela máquina partidária do PCP.

Miguel Tavares utiliza um termo bem interessante quando diz que David Justino resolveu “cantar uma grandolada com os professores”. Ele disse de forma humorística que Justino e o PSD aliou-se aos que cantam com fervor canção Grândola Vila Morena. Tenho um grande espeito pelo que ela representou num momento da nossa história na segunda metade do século passado e ainda é um símbolo, não sei se será esse o caso de Miguel Tavares. Mas pronto, se não for pode voltar a escrever porque está perdoado.

Enfim, o CDS, fica-se pela superfície, e o PSD, oportunista, está a colar-se aos sindicatos mas ninguém avança com o importante: é preciso reformar a avaliação dos professores.

Para quem não tenha acesso ao artigo de João Miguel Tavares no jornal Público transcrevo-o na íntegra com a devida vénia.

 

 

OPINIÃO

João Miguel Tavares

Professores: o justo, o injusto e o Justino

Um vice-presidente do PSD deveria ter bastante mais prudência quando resolve dar o braço a Mário Nogueira para cantar uma grandolada com os professores.

16 de Junho de 2018, 8:13

O vice-presidente do PSD David Justino deu uma entrevista ao PÚBLICO. Título: “O tempo de carreira dos docentes deve ser respeitado.” Pós-título: “David Justino elogia sindicatos e cobra ao Governo a contagem integral do tempo de serviço congelado aos professores.” No mesmo dia, o PÚBLICO tinha como manchete um trabalho da jornalista Clara Viana sobre o número de professores e de alunos existentes no sistema de ensino. Título: “Número de alunos está a descer e o de professores a aumentar.” Pós-título: “Número de alunos no ensino não-superior desce por causa da quebra da natalidade e o de professores aumenta devido à entrada no quadro de cerca de 3300 contratados neste ano lectivo.” Eis o esplendor de Portugal. Na mesma edição do PÚBLICO temos um político na oposição a defender aquilo que sabe que o Estado não pode dar, e o Estado a ignorar os dados mais elementares da realidade demográfica portuguesa.

Será que depois de quatro anos de troika não aprendemos nada, e continuamos sentados a um canto com orelhas de burro, por mais reguadas que a realidade nos dê? Infelizmente, é pior do que isso. David Justino não é burro. António Costa não é burro. Mário Nogueira é tudo menos burro. Eles sabem que se as escolas têm cada vez menos clientela e ainda assim o número de professores continua a aumentar, o ensino público vai dar o berro, tal como o Sistema Nacional de Saúde já está a dar. Simplesmente, não há uma alma política neste país que seja capaz de governar com os olhos postos no longo prazo, e por boas razões: a democracia é um jogo de curto e médio prazo, e colocar demasiadas fichas no futuro é um péssimo investimento. Vejam o que aconteceu a Pedro Passos Coelho – bastou o diabo falhar a sua entrada e o erro de timing custou-lhe a cabeça. Mais do que isso: para quê preocuparmo-nos com justiças futuras quando há tantas e tão grandes injustiças para corrigir no presente?

Então não é justo que os professores contratados entrem no quadro? Claro que é. Então não é justo que todo o tempo de serviço seja contado para a progressão na carreira? Claro que é. Então não é justo que um professor tenha estabilidade e não ande anos e anos a saltar de escola em escola? Claro que é. Qualquer professor consegue apresentar uma longa lista de reivindicações justíssimas, e não é preciso ser Justino para concordar com elas. O problema – o dramático e terrível problema – é que essa soma de reivindicações justas, se forem aceites, criam uma situação simultaneamente injusta e insustentável: tendo o Estado meios finitos, não é possível fazer a todos justiça sem injustiçar o contribuinte.

Donde, um vice-presidente do PSD deveria ter bastante mais prudência quando resolve dar o braço a Mário Nogueira para cantar uma grandolada com os professores, até pelo histórico do seu partido. Há eleitoralismos que descredibilizam – e muito. E quanto à classe docente, com a qual tenho andado em animadas discussões nos últimos tempos, penso que deveria fazer um esforço sincero para levantar o nariz da sua carreira e olhar para o conjunto do país. É claro que para tudo há solução: se existem mais professores e menos alunos, então que se aproveite para diminuir o número de alunos por turma. Não será essa uma medida justa? Eu, como pai de quatro, respondo: é uma medida justíssima! E assim vamos nós andando alegremente, saltando de medida justa em medida justa, até nos afundarmos todos em mais uma injustiça geral.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:49

1. Incêndios e incendiários da política.

 

A oposição de direita coadjuvada pela comunicação social ainda não largou os fogos da época passada, postos por incendiários cuja origem e motivos se desconhecem, e já a comunicação social e os partidos da oposição de direita estão a dar o mote para que os incendiários novamente se preparem. Portugal, como nenhum outro país da UE, é um país de incendiários por mais que nos queiram fazer ver o contrário.

Não se percebe como é possível que responsáveis partidários e políticos aparecem a falar assumindo a inevitabilidade dos incêndios em vez contribuírem com propostas para a sua prevenção.

A frase mais do que uma vez utilizada pela impressa e pela televisão é a “época dos incêndios que se avizinham”, como se estes fossem um determinismo. O pressuposto deveria ser que ninguém deita fogo às florestas, a menos que se aceite implicitamente a existência de a circunstância de há uma “causa terrorista”, e, a ser assim, haverá “interesses” a ela subjacentes para se retirarem dividendos.

Como iremos continuar a verificar durante toda a época de verão os incêndios não deixarão de ser o estribilho da oposição de direita e da comunicação social que a apoia. Partem da suposição de que eles se continuarão a verificar. E assim vai ser! Essa direita que, quando no governo, nada fez para alterar essa calamidade que assolam o país todos os anos, pretende agora que um problema de tal envergadura e complexidade seja resolvido em menos dum ano.

Pela rede da web não faltam comentários das notícias vindos da direita estão todos sintonizados na estação da culpabilização do Governo como se nada existisse antes…

Até Rui Rio já viu o filão pode explorar partidariamente e possa colher daqui e dali alguns votos.

O Presidente da República sobre os incêndios disse numa entrevista ao jornal Público que se “Voltasse a correr mal o que correu mal no ano passado, nos anos que vão até ao fim do meu mandato, isso seria só por si impeditivo de uma recandidatura”. Como se as causas dos incêndios fossem unicamente da responsabilidade deste Governo, e se, à simultaneidade da ignição dos mesmos fosse possível dar respostas imediatas.  António Costa parece ser mais sensato quando ao responder à pergunta se se demitiria se houvesse nova tragédia, diz que "Quando há um problema, a solução não é demitirmo-nos, é estarmos prontos para resolver o problema".

 

2. Sócrates e ódios de estimação

Raiva3 (5).png

Tocqueville, historiador e escritos francês do século XIX disse no seu tempo que, em política, a comunhão de ódios é quase sempre a base das amizades.

Nesta semana João Miguel Tavares num dos seus já habituais escritos de opinião no jornal Público veio defender uma tese muito interessante numa tentativa de desculpabilizar mais os que praticam um certo tipo de corrupção e de culpabilizar mais outros, conforme os níveis da sua prática quando se está no poder. Como se a corrupção tivesse níveis quando e como é praticada e consoante é em proveito próprio ou não. A corrupção por princípio tem como fundamento benefício próprio e ou de outrem.

João Miguel Tavares refere que “Uma das reacções mais estupidamente pavlovianas à invocação do nome de José Sócrates, e à sua cumplicidade com tantos socialistas, consiste em elencar de imediato todos os casos de Justiça envolvendo figuras da direita – e lá vem Dias Loureiro, Oliveira e Costa, Duarte Lima, o BPN, os submarinos, Paulo Portas, Miguel Relvas, a Tecnoforma, e o mais que der jeito e assomar à memória.”

Ao contrário do que acha João Miguel as reações não são pavlovianas pois estas têm como base reflexos condicionados, e as que o autor se refere são reações comportamentais ou behavioristas como se quiser. Baseiam-se no condicionamento operante que é um processo pelo qual se pretende condicionar uma resposta de um indivíduo, seja para aumentar a sua probabilidade de ocorrência ou para extingui-la. No primeiro caso, são apresentados reforços (e o reforço são as notícias sobre a Operação Marquês e Sócrates).  Vale a pena ressaltar que o conceito de reforço está diretamente ligado a ocorrência da resposta, um estímulo só pode ser considerado reforçador se aumentar a probabilidade de determinado comportamento ocorrer.

Mas voltando ao que interessa, não assomou à memória de João Miguel Tavares o caso de Aníbal Cavaco Silva. Como liberal assumido defende os seus, os que agora se encontram do lado de lá, e centra-se nos que estão do lado de cá. Tem, todavia, alguma razão quando escreve que o caso de José Sócrates é um caso singular de corrupção. E, sê-lo-á, se vier a ser provado em tribunal, ao contrário da comunicação social que acusa, julga e condena. Não há que esperar, há que fazer notícia a qualquer preço.

Lembro-lhe que na oitava eleição presidencial portuguesa, em janeiro de 2011, foi reeleito Aníbal Cavaco Silva para um segundo mandato. Conforme divulgou o jornal Expresso, no mesmo ano, uma testemunha revelou em tribunal que Oliveira e Costa vendeu, em 2001, a Cavaco Silva e à sua filha 250 mil ações da Sociedade Lusa de Negócios, a um euro cada, quando antes as adquiriu a 2,10 euros cada à offshore Merfield. Respondendo a perguntas dos juízes do julgamento do caso BPN, o inspetor tributário Paulo Jorge Silva disse "não ter explicação" para o facto de o principal arguido, José Oliveira Costa, ter perdido 1,10 euros em cada ação que vendeu a Aníbal Cavaco Silva e à filha do atual Presidente da República, Patrícia Cavaco Silva Montez.

Em 2016 a revista Sábado publica o seguinte: Luís Montez "beneficiou" das mesmas facilidades que o antigo Presidente da República no BPN, mas ao contrário do que aconteceu com Cavaco Silva, não era "permanentemente fustigado" pelo Partido Socialista. Depois de em 2011 a SÁBADO ter avançado que o genro do antigo Presidente da República tinha renegociado uma dívida de 260 mil euros com o BPN, agora é Fernando Lima, antigo assessor de imprensa de Cavaco Silva, quem o escreve em "Na sombra da Presidência", livro que hoje é citado no jornal i.

Não seria também Cavaco Silva um caso singular de corrupção por ser na altura o mais alto magistrado da nação e que, por isso, deveria ser investigada até à exaustão? E alguns desses outros a que se refere não tiveram responsabilidades governativas? Mas não, foram enviados para os arquivos mortos.

João Tavares afirma que “Muita gente tem dificuldade em perceber isto – e daí a obsessão por tentar encontrar exemplos idênticos no partido ao lado.” Para ele são casos diferentes, e são-no de facto. Será por isso que uns devam passar impunes e outros sejam sistematicamente atacados e lançados desmesuradamente para a opinião pública?

Mas João Tavares não espera, Sócrates já é culpado e sentencia que Sócrates “utilizou a sua posição de poder para promover de forma ilícita o enriquecimento pessoal”. Lembro-me outra vez do que atrás referi sobre Cavaco Silva, sujeito que esta semana, na TVI24, José Miguel Júdice considerou ser a pessoa mais honesta do país e fora de qualquer suspeita.

Pela minha parte não faço juízos de intenção nem de valor sobre ainda presumíveis factos. O facto é que, o que tem sido divulgado pelos órgãos de comunicação sobre Sócrates e sobre Operação Marquês, que “opinion makers” aproveitam para tecer as mais diversas opiniões, são considerados. sem qualquer dúvida. como verdades. Podem vir a ser dados como provados (ou não), mas deixo sempre tudo em aberto até ao julgamento.

Com uma coisa concordo com João Miguel, é que “a corrupção é um mal transversal, que não olha a ideologias”, mas se assim é então há que combatê-la afincadamente, sem diferenciar tipologias consoante os interesses, dando-lhes o mesmo destaque e fazendo as mesmas críticas, porque corrupção no mundo da política é sempre corrupção seja, ou não, no sentido convencional do termo, mesmo quando governantes ou ex-governantes sejam eles quem forem estiverem presumivelmente implicados.

Caso curioso é que, quando as televisões avançam com notícias sobre o caso Sócrates de seguida colocam umas peças relacionadas com anteriores casos sobre os quais raramente se fala. É como nos quisessem dizer:

- Estão a ver como somos isentos também falamos de outros casos.

Não brinquem connosco.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:13

Os momentos radicais da Catarina do Bloco

por Manuel_AR, em 12.04.18

Catarina do BE.png

A conduta do Bloco de Esquerda (BE) e da sua coordenadora Catarina Martins, olhando à distância para as próximas eleições legislativas, tem vindo a ser orientada por duas estratégias que se destinam a captar dois tipos de eleitorado de esquerda: os que se situam no campo da influência do PCP e os se situam na ala mais à esquerda do PS.

Se algumas vezes Catarina Martins mostra um rosto menos radical, conciliador até, afastando-se do radicalismo do PCP, outras, mostra um rosto de ameaça, uma rutura com o partido que lá vai apoiando no Parlamento.  A mensageira do BE, Catarina Martins, quer mostrar aos seus apoiantes que lidera a política de oposição à esquerda e, ao mesmo tempo, apoia o partido do Governo no Parlamento.  O PCP por seu lado tem-se mostrado mais sóbrio com uma responsabilidade q.b. A sua movimentação faz-se mais através dos sindicatos e organizações de trabalhadores do que na praça pública, mostrando nas suas intervenções públicas para os seus militantes o que lhe vai na alma, dele e do comité central, em relação ao governo do Partido Socialista.   

Catarina Martins quer apresentar um bom resultado eleitoral nas próximas legislativas daí a sua entrada em ebulição com a fervura centrada agora em Mário Centeno em relação à revisão do défice que Centeno quer ver reduzido para 0,7%. Mostrar a Bruxelas o que conseguimos é positivo e pode, no futuro, trazer-nos apoios e credibilidade. A fervura de Catarina Martins leva-a ao ponto de fazer ultimatos para que o ministro das Finanças recue na intenção de ir além das metas do défice definidas com Bruxelas e que use essa folga para investir em serviços públicos. Os avisos saem em tom mais duro e concertado, mas a concretização das ameaças só será conhecida quando o Governo apresentar o documento, conforme notícia do jornal Público que pode ver aqui.

Encontrando-se ainda Portugal numa circunstância para uma consolidação financeira sustentável após a saída da crise e com resultados económicos favoráveis quer agora a esquerda que apoia o Governo no Parlamento que se abram indiscriminadamente os cordões à bolsa.

A direita apoia neste sentido os pontos de vista da esquerda porque lhe interessa que o diabo volte a aparecer para haver argumentos para o regresso ao poder. Se o que não passa de uma ameaça de rutura e esta se concretizar e a direita vier a aproveitar vantagens políticas os portugueses irão penalizar os partidos que ajudaram a essa rutura.  Todavia resta-nos a esperança de que tal não aconteça já que Catarina Martins vai dizendo que "Tudo o que nós queremos é que os compromissos se mantenham", e "que se mantenha o espírito de negociação, de convergência e de cumprir os compromissos que tivemos até agora na maioria parlamentar".

Num artigo de opinião Sónia Sapage no jornal Público diz que “Hoje mesmo, o Governo aprova em reunião de ministros um documento que nada diz à generalidade dos portugueses, o Programa de Estabilidade, mas que pode interferir com a estabilidade governativa. Pode mesmo? Vem aí uma crise? O Bloco saltaria fora da "geringonça" a meses de ser aprovado o último Orçamento do Estado (OE) desta maioria? E o PCP, que não quer ser a peninha no chapéu do Governo, poderia chumbar um orçamento? Até o Presidente acabou a dizer que "uma crise política envolvendo o OE é duplamente indesejável". E termina “Mário Centeno mostra-se inamovível nas suas pretensões de não falhar metas – já lhe basta a percentagem da dívida estar acima do desejável. Não somos todos Centeno, mas não nos iludamos: Costa "é" Centeno. E é daí que vem a força do ministro das Finanças.”.

Não é novidade, pois é por demais conhecido que quem tem mais poderes nos governos europeus são os ministros das finanças serem que têm mais poder nos governos europeus durante a crise e na recuperação que ainda decorre nesta pós-crise que é necessário não deitar a perder o que se conseguiu. Se em muitos setores é necessário investimento público para melhorar serviços há que por enquanto ir com calma valendo mais acautelar do que darmos um passo maior que a nossa perna e é nas finanças que está o segredo.

Aliás, esta nova meta do défice, que se pretende constar no Programa de Estabilidade a ser remetido para a Comissão Europeia até ao final do mês, pretende assumir novas metas e sobre a U.E. são conhecidos os pontos de vista do PCP e do BE em relação.

O BE assim como o PCP, cada um ao seu modo, manifestam o desejo de que, num futuro mais ou menos próximo, a U.E. se desmantele e que Portugal abandone o grupo, mesmo que isso vinha a tornar-se a tragédia do século. Uma situação deste tipo, com a escalada das extremas-direita nacionalistas e xenófobas que se verifica em alguns países da U. E. seria a concretização dessa tragédia. As razões de cada um dos partidos são idênticas. Jerónimo de Sousa disse já depois das eleições, em 2016, que “adesão foi um desastre e a permanência é um desastre ainda maior. Recuperar a soberania monetária é recusar esta sentença. É não nos conformarmos com o subdesenvolvimento, nem com o empobrecimento, nem com a submissão do País. A integração no euro é um grande obstáculo ao desenvolvimento nacional, que tem de ser removido, a adesão ao euro foi um desastre e a permanência é um desastre ainda maior”. Em março de 2017 a coordenadora do Bloco de Esquerda defendeu a urgência de preparar o país para a saída do euro e rejeita que "Numa Europa em degradação, o nosso país não pode ficar alegremente no pelotão da frente para o abismo". Na mesma altura Marine Le Pen dizia que se ganhar presidenciais a União Europeia "vai morrer"

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:24


Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.





Twitter