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O coro

por Manuel AR, em 20.03.14

 

No caso português não vai ser fácil ao Partido Socialista obter uma maioria que ultrapasse substancialmente a oposição já que ela concorre em coligação PSD/CDS. Assim, tem que haver um esforço para que haja uma maioria de votações que derrote de forma significativa a direita coligada  para que Portugal possa fazer ouvir a sua voz juntamente com os seus parceiros europeus. 

 

À medida que as eleições europeias se aproximam, várias vozes em uníssono, internas e externas, nomeadamente europeias, tal como num coro, fazem campanha de ajuda ao governo. Afinados pelo mesmo diapasão tecem loas ao programa de ajustamento seguido pelo Governo de Passos Coelho.

Neste leque incluem-se, entre outros, o Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, o antigo chefe da missão do FMI em Portugal, Poul Thomsen, entre outras entidades e instituições.

Buscam-se minuciosamente nas estatísticas macroeconómicas, divulgadas por organismos nacionais e internacionais, informações sobre o débil desempenho económico de Portugal para sustentar as suas teses de crescimento para mascarar a austeridade.

Podemos identificar alguns dos elementos que cantam no coro: Comissão Europeia confirma previsões económicas para Portugal (26/02/2014); Durão Barroso considera que Portugal pode estar em condições de dispensar um programa cautelar, após a saída da “troika”. Depois de em Janeiro ter defendido que essa seria a melhor solução, o presidente da Comissão Europeia admite agora que a situação melhorou e, por isso, o país pode optar por uma saída limpa (03/03/2014); Barroso afirma que Comissão está disponível para apoiar qualquer opção de Portugal (03/03/2014)

Internamente falam de crescimento económico, da saída da "troika" (qual saída?), clamam aos quatro ventos estar no caminho certo e outras balelas. Apesar dos últimos dados mostrarem um incipiente crescimento económico e uma diminuição artificial do desemprego podem não ter a importância que lhe querem atribuir porque a tendência pode facilmente vir a inverter-se.

Parte dos problemas da UE só poderão ser resolvidos, embora com algumas dificuldades, se, nas próxima eleições europeias, mudar a correlação de forças que controlam a Comissão Europeia e o Parlamento Europeu que, até agora, tem sido favorável às famílias políticas liberais e neoliberais.

Se, por hipótese, as esquerdas europeias, nomeadamente as da família socialista da europa, onde se inclui o SPD (Sozialdemokratische Partei Deutschlands) da Alemanha, atualmente coligado com a CDU alemã (Christlich Demokratische Union Deutschlands), muita coisa poderia ser mudada no contexto político europeu. De notar que o SPD vai separado do seu parceiro da coligação a CDU. Há que fazer com que, nas eleições europeias, os grupos de esquerda tenham uma maioria de votações.

No caso português não vai ser fácil ao Partido Socialista obter uma maioria que ultrapasse substancialmente a oposição já que ela concorre em coligação PSD/CDS. Assim, tem que haver um esforço para que haja uma maioria de votações que derrote de forma significativa a direita coligada  para que Portugal possa fazer ouvir a sua voz juntamente com os seus parceiros europeus. 

 

Famílias e respetivos partidos no Parlamento Europeu:

 

Grupo do European People's Party (Christian Democrats)

Grupo do Progressive Alliance of Socialists and Democrats in the European Parliament

Grupo do Alliance of Liberals and Democrats for Europe

Grupo do Greens/European Free Alliance

Grupo dos European Conservatives and Reformists

Grupo do European United Left - Nordic Green Left

Europe of Freedom and Democracy Group

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publicado às 23:54

Exportações

por Manuel AR, em 26.11.13
Foto: Sic Notícias

As exportações não se situam apenas no domínio dos negócios e dos bens transacionáveis. As exportações também se situam no domínio da política de descrédito das instituições do nosso país e o principal exportador são o primeiro-ministro, o Governo e respetivos porta-vozes.

Uma das principais exportações das nossas instituições democráticas são as tentativas de descrédito e de pressão sobre o Tribunal Constitucional que tem sido falado, caso único no mundo civilizado, pela pior forma. A tentativa de internacionalização das medidas do TC sem que, quer o Governo na voz do primeiro-ministro, quer do Presidente da República tenham tomado qualquer posição ou tido uma palavra de defesa da nossa soberania, pelo menos a das nossas instituições democráticas. Todos os organismos internacionais se têm referido ao TC como é o caso do FMI, Comissão Europeia, na voz do seu presidente Durão Barroso, OCDE e, agora, até o CITIBANK.

Será de facto posição de estadistas omitirem e passarem ao lado sem uma tomada de sentido de estado dos nosso governantes (vejam-se as declarações de Durão Barroso sobre o TC tomadas ao lado de Passos Coelho) e da Presidências da República. Isto é posição de garotos sem qualquer sentido de Estado que tanto apregoam. Por que admitem sem uma palavra de repúdio como se tudo isto fosse a normalidade. Será isto defender Portugal e as suas instituições democráticas? É explicável pois para eles defender Portugal é apenas defender os seus interesses e os lugares que ocuparam e distribuem pelos amigos oriundos das Jotas.

E por aqui me fico porque senão ainda sou multado ou mesmo preso por escrever no blog que não seja ser a favor do Governo, como é o caso que se está a passar na Hungria que até mudam a Constituição por decreto. Valia a pena terem visto, para quem a não viu, na Grande Reportagem que passou hoje na SIC ou consulte a Visão de outubro de 2012.

 

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publicado às 23:34

O diz e o desdiz na Europa

por Manuel AR, em 30.04.13


Enquanto os países da UE quiserem, e parece que querem, a Alemanha e os seus aliados continuarão a dominar a parte mais fragilizada. A UE foi construída para ser uma economia forte e ainda é uma das maiores do mundo. No meio desta construção a Alemanha aproveitou a oportunidade para se tornar hegemónica o que, desde logo, os alemães aprovam e gostam, encontrando em Ângela Merkel o seu porta-voz e, para isso tem trabalhado ao longo dos últimos anos.

Face às críticas que advém de vários setores, nomeadamente dos EUA, sobre as políticas de austeridade na Europa, Angela Merkel, a partir de um fórum em Berlim tenta agora substituir a palavra austeridade que, segundo ela, “é realmente algo que soa completamente mal”, então passa a ser “chamada economia ou consolidação ou orçamento equilibrados”, como pode ser confirmado num artigo do jornal The New York Times. Apenas joga com as palavras. Também ela é uma das que acha que todos quanto a escutam são tontos.

Por sua vez, também na semana passada em Bruxelas, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, disse que a Europa esteve no caminho certo no que respeita ao apertar dos cintos, mas agora precisava suavizar a sua abordagem para reconquistar um público irritado. Disse então Barroso, e cito a partir do  The New York Times, "Embora esta política esteja fundamentalmente certa, eu penso que atingiu os seus limites, em muitos aspetos" e continuou dizendo que estas políticas "Têm que ter o mínimo de apoio político e social.".

Após estas declarações o porta-voz da senhora Merkel para as questões orçamentais veio quase de imediato contrariar o comissário europeu dizendo que “Fiquei muito irritado”. "Um abandono do percurso rigoroso de consolidação orçamental na Europa seria um sinal fatal de que não estamos a ser verdadeiramente sérios quando falamos de reformar os nossos países".

Ninguém se entende nesta U. E., o que demonstra que Durão Barroso no meio é apenas uma marioneta que quando pretende mostrar o seu pensamento é logo desautorizado e leva “tautau” da sua perceptora alemã.

Sobre a austeridade na Europa, segundo o mesmo jornal, uma nova abordagem na Europa tende a ser saudada como uma boa notícia pela administração Obama, que pediu economias europeias saudáveis para estimular o crescimento, com aumento de despesa e uma política monetária mais atenuadas. A economia norte-americana, onde a despesa do governo não foi reduzido tão drasticamente, parece relativamente robusta em comparação com a Europa.

Em Portugal temos dois que nem se atrevem a desmentir ou a alterar as receitas, são eles Passos Coelho e seus apaniguados da ultradireita do PSD e Vítor Gaspar que aguarda lhe seja entregue, algures na Europa, quiçá no FMI, um lugar ao Sol à semelhança de outros que, foram premiados pela sua incompetência, como Barroso e Vítor Constâncio.


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publicado às 18:49


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