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Debates com primeiro ministro.png

É caricato que nos digam que uma verdadeira democracia é aquela em que um primeiro-ministro, seja ele quem for, vá com frequência ao parlamento.

E, de repente, eis que se levanta um clamor vindo de comentadores, responsáveis escrevedores de opiniões e jornalistas contra algo que, para eles, é lesa democracia acabarem os debates quinzenais com o primeiro-ministro. Talvez porque vão deixar de ter tema e espaço para as habituais “cachas” jornalísticas, comentários e opiniões e “bocas” oportunas ou não que irão passar a ter apenas de dois em dois meses.

Uns levantam-se clamando que os partidos, PS e PSD, que aprovaram o fim dos debates quinzenais com o primeiro-ministro – com o atual e com os que a seguir vierem – “têm ADN salazarista”. Pois claro, a comparação é mesmo a mais indicada e encaixa-se perfeitamente na nossa democracia com ou sem debates com o primeiro-ministro, então, não é? Outros afirmam que é um “dia negro para a democracia”. Estamos a entrar em plena ditadura, só falta esta. Tretas digo eu! O que irão sentir é a falta das tricas do costume para comentar casos e casinhos, quais vizinhas calhandreiras que falam umas das outras entre janelas e varandas e que com nada contribuem para a melhoria dos problemas do país e dos cidadãos.

Aqueles senhores e a comunicação social vão sentir a falta das tricas e questões de lana caprina que transformavam debates que deveriam ser feitos para escrutinar a ação do governo e dignificar o Parlamento com assuntos que interessem às pessoas e ao país  e não uma espécie de fantochada quinzenal com perguntas e perguntinhas sobre coisas e coisinhas que na maior parte das vezes não interessa aos cidadãos e em nada contribuem para a melhoria o estado da nação. Tricas de partidárias que na maior parte das vezes apenas servem para ter a visibilidade nos noticiários televisivos de alguns dos senhores deputados sem qualquer utilidade prática na governação.

Não me venham com essas de a democracia ficar mais pobre por os debates com o primeiro-ministro serem de dois em dois meses. Se assim for então quem está contra esta ideia tem de assumir que o então primeiro-ministro José Sócrates ao resolver criar estes debates quinzenais foi o pai do enriquecimento da democracia pois antes deste modelo nenhum outro primeiro-ministro o fez.  Quem pensa que os debates quinzenais com os primeiros-ministros são importantes o que pretende é espetáculos ao vivo para terem assunto no dia seguinte e durante os seguintes quinze dias.  Eu não fico mais informados com o que o primeiro-ministro quando vai ao parlamento quinzenalmente. Onde apenas se questionam as tretas do costume que, na maior parte das vezes não se refletem posteriormente em resultados práticos.

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publicado às 21:20

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A distinção entre passado, presente e futuro é apenas uma ilusão teimosamente persistente.

Albert Einstein

Vivemos dependentes da inexorabilidade do tempo. Ao longo de décadas impõem-nos o ritmo alucinante do quotidiano. No exato momento em que escrevo estas linhas, o tempo deixou de ser presente, pertence já ao passado. O que escrevo projetam-se para um futuro mais ou menos próximo até que eu, ou algo, as destrua, sem o que será mais uma pegada digital.

Toda a interação humana ocorre num determinado espaço e tem uma duração específica de tempo. O conceito de tempo faz parte do homem, mas para Kant, filósofo do século XVIII, o tempo não é um conceito é uma intuição, é uma forma a priori da sensibilidade, juntamente com o espaço. O tempo é uma intuição pura a priori no plano da sensibilidade, é uma noção objetiva de observação e não é extraído da experiência e é prévio a qualquer experiência.

Esse conhecimento denomina-se a priori e distingue-se do empírico, cuja origem é a posteriori, ou seja, baseado na experiência. Todavia, alguns conhecimentos vindos da experiência já são conhecidos a priori, porque não são extraídos desta, mas sim de uma regra geral, que foi de início buscado na experiência, assim Kant nomeia os juízos a priori puros, aqueles que são independentes de qualquer experiência, como o de tempo.

Filósofos de várias correntes do pensamento refletiram sobre a questão do tempo mostrando que ele indica o caminho do homem, e das sociedades como entidades coletivas do passado que foi presente, do presente que deixa de o ser quando passa a futuro que é uma continuação do presente.

Cada um de nós desde criança teve e tem o seu espaço vivido que se prolonga, alarga, estabiliza e adensa de experiências múltiplas que se quebram por descontinuidades. A primeira descontinuidade, a mais relevante, marca a passagem da adolescência ao universo dos adultos que por norma acontece através da dupla experiência do casamento e do primeiro trabalho. Esta sequência que no passado parecia imutável foi quebrada no presente pelo ritmo frenético das sociedades com a permanência na casa dos seus progenitores prolongada no tempo pela difícil procura de trabalho que abre novas relações sociais e cria rigorosas obrigações, mas que escasseia e sem remunerações que permitam uma independência para constituição de família.

O espaço vivido da idade adulta tem de se integrar num espaço ordenado que por ser cada vez mais social deixa de ser apenas pessoal e passa a alinhar com obrigações de outras pessoas e dos próximos é um problema da liberdade individual que se coloca em termos de espaço físico. Pessoas e coisas movem-se através do espaço num determinado tempo. O espaço virtual da World Wide Web com as redes sociais quebraram as barreiras do espaço físico vivido nas sociedades muito urbanizadas alcançando contactos com pessoas distantes de outros espaços e sociedades. 

A Internet veio encurtar o tempo de interações com outras pessoas independentemente do espaço e da distância em que se encontram e também alterar a perceção do tempo pela comunicação é imediata.

Ao longo da sua vida o homem alcança espaços diferentes ao ritmo do tempo e da escala das distâncias. A não ser o espaço da divisão do apartamento onde vive, cujas paredes pode alcançar apenas com o estender dos braços, o resto da casa, o bairro, o centro da cidade, a região, o resto do mundo são articulados com o quotidiano, o semanal, o mensal, o excecional, respetivamente.  

O registo da passagem do tempo é feito pela escrita através dos livros e também pelos arquivos virtuais da tecnologia digital que oferece a possibilidade de conhecer o que se passa e se passou com as pessoas, a natureza e a sociedade que servem para compreendermos a sequência dos acontecimentos. São registos de escrita sequencial, ou fragmentada pela hipertexto quando em ambiente digital, da sucessão dos acontecimentos. Todavia há uma diferença entre o que se lê e que foi registado e o que é percebido por quem lê o registo escrito; a visão do quadro descrito muda de pessoas para pessoa.  A escrita aprisionou o tempo para, ao saber o que aconteceu no passado e com os olhos no presente, tentar hipoteticamente prever “o depois”, o futuro.

O que hoje se ensina no mundo com os esquemas curriculares, obrigatoriamente lecionados nas escolas, já não será o que no futuro aqueles que se formaram irão encontrar e em que terão de atuar e intervir. Isto é tão evidente que a evolução se faz em tempo cada vez mais acelerado, exatamente o contrário do tempo demorado em que necessariamente se traduz a tentativa de integração social pela longa disciplina escolar.

O tempo condiciona em cada momento a informação que nos chega pelos meios de comunicação social. O que é verdade hoje pode não sê-lo amanhã e que deixa de ser presente passando a pertencer ao passado pelo que, no presente, podemos desmentir verdades que já o foram no passado.

 O jornalista, o cronista, o analista, o ensaísta e o cientista vivem o presente e servem-se do passado para explicar o presente, fazem prognósticos sobre o futuro, mas, quando leio o que escreveram ou disseram já é do passado.

O processo de registar o que se passa no tempo envolvendo simultaneamente os sentidos da audição e da visão, o audiovisual (os outros sentidos são acionados pela imaginação), é a televisão e o seu registo em videotape. Através deste meio o fator tempo entre um facto e o conhecimento público foi eliminado pelas reportagens em direto, gerando reações imediatas, muitas vezes emocionais. Muito tempo depois do facto acontecido, e conhecido pelo público, o registo em filmes ou videotapes possibilita reviver o acontecimento registado no passado. É o tempo aprisionado. Pela leitura temos de fazer um esforço para criar um quadro mental para reconstituição do facto, com o audiovisual temos o registo total. Revemos os acontecimentos e tomamos consciência como se estivéssemos presentes e dá-nos a sensação de sermos participantes do acontecimento. A televisão introduziu um elemento na noção de tempo. O tempo não pode ser parado daí o haver um histórico do passado o que a televisão possibilitou é registar o que acontece de maneira a poder repetidos como se fosse o original.

A televisão vista de forma global levanta-nos outro problema: a identidade nacional dos países. Os canais emissores estrangeiros transmitidos e controlados pelos grandes centros podem atingir os menos influentes e poderosos que começam a moldar a reação pública de acordo com os interesses de quem transmite, o que facilita que um grupo humano, em contacto contínuo com outro grupo humano de cultura diferente, adote os valores e práticas culturais desse outro grupo. O peso do que é enviado pelos canais transmissores à escala planetária atinge todos os países e Portugal não escapa a essa espécie de aculturação a distância.

Entre as várias questões que se levantam colocam-se duas que me parecem importantes e para as quais se procuram respostas: qual impacto da invasão pelos meios de comunicação televisivos e internet? O que acontecerá ou (o que está a acontecer) à identidade nacional face à massiva divulgação de hábitos, crenças, conhecimentos e orientação política vinda do exterior num contexto do interesse nacional dos produtores e emissores de conteúdos?

A assimilação pelas novas gerações de novos hábitos, modas e inovações que se desvia das culturas autóctones é facilitada por via da televisão e da internet e ainda pela facilidade de deslocação a outros países devida aos baixos custos de viagens aéreas low cost e a programas do tipo Erasmus.

O conceito de geração é mais amplo do que o conceito de idade e está estritamente associado

a influências de normas, fruto dos diversos papéis sociais exercidos ao longo da história. A noção clássica de geração fazia referência ao conjunto de pessoas que, por terem nascido no mesmo período histórico, receberam ensinamentos e estímulos culturais e sociais similares e, por conseguinte, têm gostos, comportamentos e interesses em comum. Isto é, definia-se geração como sendo o grupo de indivíduos que sucederam aos seus pais.

Nos últimos 50 anos assistimos a uma aceleração temporal quanto ao modo de fazer as coisas e aos modos de produção com o desenvolvimento das tecnologias que se marcaram sucessivamente no tempo. O intervalo entre uma geração e outra ficou mais curto. Hoje, já se pode falar em uma nova geração a cada dez anos. Os jovens que nasceram cercados pela internet e ligados o tempo inteiro cresceram. Eles têm entre 18 e 34 anos e são o futuro. Isso significa que mais pessoas com visões “diferentes” estão a conviver na escola e no mercado de trabalho.

As gerações não se avaliam apenas por cortes demográficos num determinado tempo. Envolvem segmentos sociais em que estão envolvidas relações familiares, relações entre amigos e colegas de trabalho, entre vizinhos, entre grupos de desporto, artes, cultura etc. Implicam estilos de vida, modos de ser, saber e fazer, valores, ideias, padrões de comportamento, graus de absorção científica e tecnológica.

As duas gerações anteriores cresceram num tempo histórico em que foram agentes ativos e conscientes da construção e consolidação da liberdade e da democracia. As gerações atuais são preponderantemente passivas e pouco ou nada contribuem para a identidade nacional que deve ser uma obrigação moral de todas as gerações e não estão a ser preparadas para serem a solução para os problemas que terão de resolver num futuro que está colado ao presente. Manifestam-se e reivindicam sem apresentarem soluções concretas, pedem às gerações anteriores que os geraram e que hoje os governam e nos governam que resolvam os problemas, mas não se envolvem, preferem que outros o façam. Pretendem liberdade plena sem responsabilidade.

Ocorrem-lhes momentaneamente ímpetos súbitos de indignação sobre algo traduzidos em movimentos de massas que esmorecem ao fim de algum tempo. Manifestações que servem para desencadear movimentos de rua temporários e curtos onde se extravasam emoções. Quando não são construídos movimentos com base sólida e ações concretas e objetivas resultam numa mão cheia de nada. As forças políticas e os seus aliados que reagem às reivindicações têm uma capacidade imediata de reação com mais poder de dissuasão, quando não abafar e levar ao esquecimento, mesmo que temporário, e à exaustão qualquer ação reivindicativa.  

Apresento um exemplo sobre as questões ambientais que foi o caso de Greta Thunberg cujo movimento parece ter adormecido limitando-se de momento a dar pequenos apontamentos de entrevistas como a que em junho de 2020 a deu à BBC sobre o movimento "Black Lives Matter aquando da manifestação anti racista devido à morte de George Floyd. Greta disse nessa entrevista que “não será um plano de recuperação ambiental que resolverá, por si só, todos os problemas, sendo necessário os decisores dedicarem à pandemia e aos problemas sociais a mesma atenção que vêm dando às alterações climáticas.”

Mais uma vez entra em jogo a questão do tempo presente e futuro traduzidos em espera para tomadas de decisão. Uma espécie de paragem do tempo, como se isso fosse possível! Para mim é uma questão de crença que, com a quebra drástica da economia e do crescimento provocados pela covid-19, mais uma vez os problemas ambientais e sociais vão ser enviados num saco para a arrecadação das prioridades.

Há problemas no nosso país para os quais que nos governa fecha os olhos esperando que o tempo passe mantendo-se sem que qualquer intervenção. No dia 13/07/2020 o Jornal das 8 da TVI passou uma pequena peça que deixou no ar algo que parece ser muito grave que as autoridades admitem e até apoiam, ao qual ainda não foi objeto de investigação.

A peça com o título “Estufas esgotam recursos hídricos da Costa Vicentinatrata do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e da Costa Vicentina que está a comemorar 32 anos e onde, longe vão os tempos, as paisagens eram naturais e hectares de plástico não manchavam toda a zona que se quer natural.

Os jovens vivem num presente constante, ininterrupto, sem futuro, pensando que vivem um presente que se traduz numa espécie de eterna juventude. Desdenham o passado, não se dando conta da velocidade a que a sociedade, movida apenas pelo lucro e pela imagem virtual dada pelas redes sociais, acentuando individualismos. Submetem-se às importações que lhes impõem todos os meios de comunicação social induzindo-lhes, valores, atitudes e modos de viver. É a utilização do veículo juventude como meio de aculturação.

Os conflitos de gerações dão-se entre os seus progenitores, o passado, e eles, o presente que eles vivem e que outros lhes “vendem”. A complementaridade de gerações quando de dá é apenas para a necessária sobrevivência do jovem. Atualmente à medida que o tempo avança regista-se uma clara e acentuada antecipação do choque geracional que sempre existiu embora a ritmo mais lento, mas agora em idades cada vez mais jovens.

Este é o tempo da pandemia da Covid-19. O presente cria-nos uma permanente ansiedade, mas também uma mera sensação de esperança no futuro quando conhecemos a informação do passado quanto ao número de infetados se juntam ao número dos anteriores infetados e óbitos. Haver recuperados é bom, mas o seu número não nos protege. Os recuperados que foram infetados com Covid-19 no passado continuam a pensar no futuro segundo, minuto, hora, dia, em que poderão voltar a ficar infetados porque não há evidência científica disponível à data, para confirmar se as pessoas infetadas com o SARS-CoV-2 desenvolvem imunidade protetora.

As investigações do presente são contraditórias e desatualizam-se no tempo em menos de vinte e quatro horas em alguns casos. Fazem-se outras que ficarão de imediato também desatualizadas.

O espaço pessoal é o espaço físico que os indivíduos mantêm entre si e os outros e varia entre a distância íntima para relações estreitas, a distância para encontros formais e a distância pública quando se enfrenta uma audiência. O tempo da Covid-19 é o tempo do espaço social restringido a que chamam distância social. Quando se sai à rua ou nos deslocamos a qualquer lugar o que importa é acautelar o futuro, o futuro imediato, não o presente, o nosso e de outros familiares ou não.

Os jovens são desafiantes do perigo e juntam-se em perigosos delírios gregários violando as regras de distanciamento social verificado pelos jovens mais velhos que parecem apresentar uma maior tendência a correr riscos e sentem que não vale a pena seguir as diretrizes.

É impressionante o quanto os(as) adolescentes mais velhos(as) se destacam em termos de violação das regras de distanciamento social com atitude extremamente negativas para, numa atitude distópica extremamente negativas criticarem a ordem social e/ou a política existente.

A necessidade de gregarismo dos jovens levanta dúvidas se expressa uma tendência natural, que os leva a desafiar as imposições necessárias para contenção da pandemia ou se será função de contingências adaptativas em face de situações de insegurança e decorrentes de ansiedades,  de motivações pessoais, egoísticas ou ainda e motivações sociais e altruísticas?

A mentalização dos jovens para os problemas da vida adulta começa mais cedo, e cada vez mais cedo. Pretendem que as suas reivindicações de emancipação sejam agora e já, no presente e para o futuro, sem regresso. O tempo leva-nos também à questão de qual o tempo da maturidade necessária para a emancipação. O presente dos jovens é o imediatismo.

Recordo-me de, quando ainda na universidade, e muitos também ainda se lembram do tempo em que os professores assistentes eram considerados jovens quando a maior parte deles ainda não tinham chegado aos 30 anos de idade; hoje os estudantes já não os consideram jovens e tendem a incluí-los no outro grupo, o dos não jovens.

Há políticos que quando no poder por questões de angariação de apoios tendem a virar as gerações umas contra as outras com ideias simplistas incutindo a ideia de que uma geração beneficia de um bem-estar económico à custa das outras. São os que acicatam os do presente e os do futuro contra os do passado. Afinal os do presente que conseguiram os privilégios que os do passado conquistaram para eles e que no presente pertencem ao grupo de privilegiados falhados que nasceram na abundância, que sempre viveram em liberdade e que dizem nada terem a ver com as gerações anteriores, os do passado. Há uma espécie de consciência de grupo nos jovens das sucessivas gerações que sugerem a ideia de um corte com o passado, mas que continuam a viver no seio desse passado do qual se querem afastar. Ouçam este podcast da Antena 3 “Pão para Malucos”.  

A invenção de léxicos ressonantes com que alguns pretendem representar a evocação de uma geração que terá na mão o futuro do mundo são verdadeiros truísmos. É o caso do neologismo millenials com que pretendem designar a geração que terá na mão a gestão e a governação do mundo. É óbvio que na linha do tempo e devido à finitude do ser humano todas as gerações terão, algum dia, o futuro do mundo nas mãos, seja a geração do milénio ou qualquer outra que se lhe siga.

Para os da nova geração de 2001 a 2020 a geração dos anos 1981 a 2000, os tais, millenials já são velhos, pertencem ao passado. Os millenials começam já a ficar ‘velhos’ e a ser suplantados por uma nova geração nascida após 1996 que é problemática pelas suas conceções de vida que lhes foram induzidas e pelas distorções de perceção que geram.

Bourdieu, sociólogo francês, disse em 1983 que é uma manipulação utilizar o termo juventude para falar de jovens como se fossem uma unidade social, um grupo constituído, dotado de interesses comuns e relacionar esses interesses a uma idade biologicamente defina. No entanto, a questão central é a de explorar não apenas as possíveis ou relativas similaridades entre jovens ou grupos sociais de jovens em termos de situações, expectativas, aspirações, consumos culturais, mas também as diferenças sociais que entre eles existem decorrentes ou não das classe sociais das famílias a que pertencem. Os jovens não se englobam e agrupam numa mesma geração ou grupo não podem englobar-se numa mesma geração (num mesmo grupo) e que apesar de contemporâneos e terem a mesma idade e de serem portadores do sentimento comum de se encontrarem em presença de outras gerações na sociedade identificam-se a si mesmos como pertencendo, por exemplo, a classes sociais, grupos ideológicos ou grupos profissionais diferentes.

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Fonte: Purdue University Global

Especialistas das áreas de antropologia e sociologia tentam identificar seis gerações apesar de alguns perigos e equívocos devido a generalizações devido a diferenças que pendentem do universo de estudo: a Maior Geração, Geração Silenciosa, Baby Boomers, Geração X, Geração Y e Geração Z. Cada geração possui seu próprio conjunto exclusivo de características e normas. Por exemplo, a Maior Geração (nascida em 1901-1924) é conhecida por seu patriotismo, trabalhadores esforçados e lealdade às instituições. Os millenials (nascidos em 1980-2000) são caracterizados por sua dependência de tecnologia, distanciamento das instituições tradicionais, otimismo e mente aberta. Não é de admirar que muitas pessoas de diferentes gerações tenham dificuldade em se entender.

Começa a manifestar-se agora uma outra geração progressista destinada a salvar o planeta do apocalipse ecológico e da ganância capitalista, algo que as velhas gerações anteriores não quiseram fazer, ou então não souberam fazer. Mas não se muda o mundo à espera de que surjam ideias novas que o venham a transformar, venham elas de que geração vierem. Ou elas surgem com as gerações que temos no presente para preparar o futuro ou, então, quando a tal geração millenials e seus descendentes nos governarem deixar-se-ão minar como os seus antecessores ou então já estaremos todos mortos se a mudança verificar.

Se olharmos para o passado vemos que a anterior geração possibilitou a democracia terminou com totalitarismos em muitos países. Mas, se olharmos para as últimas 3 décadas (com um decréscimo apenas em 2009 devido à crise financeira) essa mesma geração que governou o Mundo contribuiu para a pobreza generalizada, para o enriquecimento de uns poucos que possuem a maior parte da riqueza global e para o neoliberalismo desregrado como modelo económico que causou a maior crise financeira e económica do século XXI.

As gerações que serão responsáveis por decisões no futuro estão a ser educadas para desdenhar o coletivo e a centrarem-se no interesse particular e individual para uma competição sem limite.

É intuitivo que o passado influencia o futuro e marca as diferenças entre gerações por taxas de mudança acelerada na sociedade, contrariamente aos desenvolvimentos lentos na sociedade do passado em que diferenças entre gerações não eram exacerbadamente relevantes.

Os avanços tecnológicos e sociais que ocorreram a partir de meados do século XX e durante o século XXI o estilo de vida de indivíduos com uma geração de diferença é drasticamente diferente um do outro e a taxa de mudança acelerou a limites tais que conduziram também a elevadas taxas de stress e de burnout.

Não se pretende uma guerra entre gerações, pretende-se complementaridade, mas para isso há que a juventude, adolescentes incluídos, percebam os momentos em que deve haver limites nas atitudes que os amarrarão e marcarão durante toda a sua vida. O hiato de geração refere-se a diferenças de ações, crenças, interesses, experiências de vida, visões do mundo e opiniões que marcam cada uma das diferentes gerações. Então, o que causa essas diferenças?  Há eventos históricos significativos que moldaram e moldarão no tempo cada geração.

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publicado às 17:59

O campeonato do empurra

por Manuel AR, em 05.07.20

Coronavirus-desconfinamento2.png

O desconfinamento apressado na Região de Lisboa e Vale do Tejo (RLVT) e sem qualquer estratégia passou a ter, para além de responsabilidades sanitárias, responsabilidades políticas. O problema provavelmente não ficará por aqui; deixemos vir a “Champions League” e veremos.

O sentimento de fascínio de Fernando Medina e de António Costa pelo acolhimento daquele acontecimento desportivo que outros países provavelmente rejeitaram poderá vir a acentuar a propagação da epidemia covid-19. A ver vamos se não se agravará ainda mais em função da decisão de haver, ou não, espetadores mesmo com medidas de segurança.

Deslumbrados pelo dito sucesso inicial com que Portugal conseguiu de certo modo conter epidemia abriram portas ao desleixo pós confinamento na região de Lisboa criando uma espécie de corredor livre para o agravamento em Lisboa do covid-19.  Tudo entra em Lisboa minha gente, venha dondo vier, com ou sem controle que, quando existe, é apenas de fachada.

Costa deu o mote ao criticar a ministra da saúde e Medina agarrou a deixa e passou a acusar de incompetência os responsáveis pela saúde, seguem a regra da criação de bodes expiatórios. Face ao que está a acontecer na região de Lisboa desligam-se das responsabilidades que tiveram e apontam agora o dedo a outros. Ou não tenha de começar a preparar o terreno para as autárquicas.

Aliás tem sido notório os disparates e as contradições nas mensagens por parte do Governo e da autarquia de Lisboa através de Costa, Medina, ministra da saúde e ministro das infra estruturas Pedro Nunes Santos. O presidente da Câmara de Lisboa disse que "Não há nenhuma demonstração de que os casos se devam ao desconfinamento". Então se os casos aumentaram após os desconfinamento na RLVT como se explicam os números da região anteriores com o aumento de casos que foram divulgados após essa decisão.

António Costa lança o maior disparate, quiçá seguindo Trump, ao diz que o aumento de número de casos de covid-19 se deve ao aumento do número de testes. Vamos lá ver: então será que para diminuirmos o número de infetados o melhor é não fazer testes? Ou será que não há infetados e os testes é que os criam? Ou será que número de infetados depende do número de testes efetuados? Os infetados existem, mas se não se fizerem testes deixam de existir!

A ministra da saúde Marta Temido que no início era tão certinha também começou a meter os pés pelas mãos talvez por ordem Costa. Que pretende tapar o sol com uma peneira. Quanto à possibilidade de os transportes público na RLVT poderem ser causadores de propagação do vírus a ministra refere num dia o que no dia seguinte altera por força da linguagem. Vejam-se estas declarações mencionadas no jornal Público:

“Questionada sobre a situação de Lisboa e Vale do Tejo e a questão dos transportes públicos, Marta Temido explicou que o que disse foi que “não são conhecidos casos de contágio que tenham tido origem em transportes e não que os transportes não sejam pela sua sobrelotação, pelas suas condições, espaços a merecerem uma especial cautela”. “Se não fosse assim, não tinha o Governo decidido desde o primeiro momento que haveria uma coima pelas viagens em transportes públicos sem máscaras ou viseira”, salientou.”

O que se pode questionar é se utilização de máscaras pela maioria dos utentes é suficiente em situações de autêntico aperto nas carruagens ou autocarros para afastar quaisquer riscos de infeção.

E mais à frente relata o mesmo jornal:

“Penso que estes dois aspectos sublinham intensamente o ponto para o qual estava a chamar atenção e para aquilo que era sobretudo a substância da minha chamada de atenção. Estamos a enfrentar um fenómeno novo relativamente ao qual temos muitas incertezas e, em muitas circunstâncias, lapsos de conhecimento. Esta questão dos contágios em transportes é uma delas. Embora da nossa vida empírica percebamos que há um conjunto de circunstâncias para que sejam locais particularmente expostos. Mas se não tivermos estes dois argumentos em paralelo, penso que não estamos a prestar bom serviço ao conhecimento e à objectividade”, reforçou Marta Temido.”

A minha opinião é que estará a ser pressionada no Governo para fazer passar para a opinião pública uma falsa realidade. Aliás, o que também se tem verificado é que os números de infetados que são divulgados faltam num dia e no dia seguinte estão a mais e também a culpa deste caos é a de terceiros que informam mal as entidades de saúde que nos divulgam, a DGS.

Por outro lado, a mensagem que por vezes passam é a de que a medida da gravidade da situação está em saber apenas se há ou não número de camas suficientes no SNS para que este não fique superlotado e sem resposta, quanto ao resto deixa andar.

O caso do Reino Unido que nos coloca numa lista negra de países não seguros para os ingleses viajarem sem que no regresso não tenham de ficar de quarentena deve servir como sinal para enfrentar e superar o problema que o governo concorreu para o originar e para pedagogicamente reforçar a nossa determinação no combate. Os critérios para qualquer avaliação de avaliação devem ser iguais quando se comparam várias entidades e os números de novos casos de infeção pelo novo coronavírus por cada 100 mil habitantes tem sido o critério. Pode-se discutir se esse deveria ser o único ou o melhor critério. Mas, seja qual for a resposta, é o que está a servir de base às análises de todos os países que discutem a reabertura das suas fronteiras.

Com base neste critério Portugal é o segundo pior registo da Europa, com quase o dobro de novos casos em 14 dias contados até esta sexta-feira face aos registados no Reino Unido e para os quais a RLVT tem vindo a contribuir.

Gestos e palavras como as que se têm ouvido não vão nesse sentido. A perceção que os portugueses têm é que tudo quanto agora possam dizer sobre o covid-19 com todos os dias nos afrontam é que cabe na categoria das manobras de diversão.

Só esperamos é que as estratégias de Bolsonaro não sejam inspiradoras para o Governo de Portugal.

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publicado às 15:50


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