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Governo e Políticas. Debates, COMENTÁRIO e OPINIÃO - Sociedade, Comunicação e Política

Comunicações e opiniões pessoais sobre o dia a dia da política e da sociedade. O que outros pensam e comentam sobre a sociedade, política, economia e educação.

Quando Joacine Kadar transforma o Parlamento num espetáculo de burlesco

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Há pessoas que na ânsia de mostrar competência e conquistar visibilidade no “emprego novo” acabam por ser arrogantes e até querem mostrar “serviço” àqueles com mais experiência e tempo. 

Joacine Katar Moreira anda deslumbrada, fogosa, arrogante, desvairada até, com o seu estatuto de deputada. Julga-se com a capacidade para mudar Portugal e os portugueses e, por que não, o mundo.

A arrogância de Joacine Katar esconde o medo de rejeição. Sente-se dona de um pedaço que lhe foi concedido pelo voto e por quem a propôs como cabeça de lista e, por isso, ela dizer que “não sou descartável”. É uma forma de proteção para as dificuldades que ela sabe que terá de enfrentar no novo mundo e ambiente de trabalho. A sua arrogância pode ser uma tática para disfarçar fragilidades, inseguranças, dificuldades e até baixa autoestima. Este tipo de pessoa torna-se até de difícil convivência.

Joacine Katar tem a visibilidade que nunca teve e quer agora tê-la à custa da política, à custa da sua rebelião contra preconceitos. Talvez para dar nas vistas pelo ridículo, e não por ser contra falsos preconceitos, o assessor com saias mais parece uma estrela do burlesco que passou a frequentar o Parlamento. Mas o Parlamento não é nem pode ser um espetáculo de burlesco.

Desde o 25 de Abril nunca assistimos a uma tal situação. Katar ofende o Parlamento e ofende todos os que lá representam os portugueses defendendo apenas a política da identidade que é, para ela, apenas uma maneira de fazer política. O que ela defende deve inserir-se num contexto mais global e Katar que fazer apenas disso a sua bandeira pessoal como se os problemas de ser negra e ser mulher se resumissem apenas, e só, a isso. Como se eleger uma mulher negra resolvesse os problemas dos negros nas periferias de Lisboa.

Katar Moreira não gosta que a sua gaguez seja tema. Mas é. Ridículo é também ser destacado um GNR para a proteger de perguntas dos jornalistas. O que receia Joacir? A justificação é “decretada” pelo seu assessor de saias Rafael Esteves Martins: “Parece-me ocioso explicar que não há propriamente uma normatividade daquilo que se faz. Há culturas de trabalho, e a cultura de trabalho da senhora deputada é uma cultura de descanso no sentido intelectual do termo, ou seja, sem interrupções.” Afirmação que mais parece tirada dum manual de frases da impercetibilidade política. O desvario de Katar Moreira e do seu assessor é tal que parecem não perceber onde começa e termina o bom senso. 

Novo ciclo neoliberal em marcha no PSD

No PSD atravessa-se um momento conturbado com as eleições diretas para eleger um novo líder

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Dentro do PSD atravessa-se um momento conturbado com as eleições diretas para eleger um novo líder. O intuito é tentar afastar da liderança a ala social democrata de Rui Rio que se opõe aos neoliberais e companhia criados por Passos Coelho.

Antes das eleições em que o ato eleitoral fez ascender a primeiro-ministro, Passos Coelho prometeu que melhoraria o nível de vida dos portugueses e mal chegou a São Bento desencadeou uma política de confessado empobrecimento com uma governação neoliberal favorecida e justificada pela presença da troika, apesar de ter declarado alto e bom som que a sua política seria mais radical da que a troika pretendia.

Era a altura em que o PSD se desfigurou num partido neoliberal pela mão daquele “grande timoneiro” que conseguiu o poder num partido que sempre foi do centro direita e social-democrata. Passos capitaneou   o embuste de que a crise tinha resultado de os portugueses viverem acima das suas possibilidades, (que o sistema financeiro estimulou), escondendo que tinha sido o sistema financeiro internacional que, por contágio, tinha provocado a crise em Portugal.

A população portuguesa sofreu, na altura, económica, social e moralmente. Quanto aos donos disto tudo, os DDT como agora lhes chamam, nunca disse uma única palavra de crítica.

De acordo com os órgãos de comunicação e associações várias com o partido de Passos Coelho os que eram pobres ficaram mais pobres, como ele próprio reconheceu. Muitos dos remediados ficaram pobres. A classe média encolheu. Uma minoria ínfima ficou mais rica.

Passados quatro anos começam a surgir por aí uns movimentos opinativos ainda tímidos tendentes a desculpabilizar Passos, quiçá para preparar o seu regresso, numa espécie de encarnação de D. Sebastião que virá para vingar e destruir os “desregramentos” da geringonça.

Para muitos militantes e para muitos mais portugueses, mesmo para os não apoiantes do partido, o anterior líder do PSD parece uma assombração que ainda paira por aí. Houve já que o assemelhasse a uma espécie de D. Sebastião, esperando que ele regresse ou através de outros dos seus seguidores ideológicos. Estão nesta situação dois deles que têm pretensões a controlar o partido.

Estes pretendentes ao “trono” são, como se sabe, Luís Montenegro e Miguel Pinto Luz, ambos herdeiros da linha Passos Coelho ou sua aproximação. Quanto ao primeiro às pretensões políticas pessoais juntam-se as pretensões dos seus “irmãos” da organização a que pertence,  rodeada de secretismo, de ritos e rituais, de regras, simbolismos, hierarquias e compromissos que não estará isenta de possibilidades de atividades de lobby e de interesses com as da associação a que pertence.  

Ambos os candidatos afirmam que querem um PSD do centro direita, mas as suas tendências são da ala neoliberal e pretendem que o partido seja aglutinador das direitas. Para Montenegro os seus aliados naturais são os da direita, não se distanciando sequer do Chega. Para este qualquer um serve aos seus intentos.

Montenegro tem afirmado que vai conseguir uma maioria absoluta para fazer as reformas, (conceito muito vago que nada diz quando não são especificadas), que ainda não se fizeram. Algumas já as conhecemos do tempo da coligação PSD-CDS quando foi líder da bancada do PSD.  Penso que ninguém tem dúvidas sobre estas pessoas, que dizem pretender mudar Portugal, o que pretendem de facto é ascender ao poder movidos por interesses pessoais e de alguns setores privados, partidários e de compadrio, relegando os interesses do país e das pessoas.

Passado o desvairo da campanhas eleitoral, Rui Rio, o atual presidente do PSD e candidato à liderança parece ser o candidato cujo perfil é já bem conhecido quer pela narrativa clara e frontal quando voltou a afirmar que, se ganhar as eleições no partido, estará disponível para acordos “estruturais” em nome do país, mesmo que o critiquem.

A história da última década já nos mostrou aonde nos pode conduzir um povo desinformado e muito recetivo aos rumores e falsas notícias cujo objetivo é o de avivar emoções e obscurecer a razão.

 

Orçamento de Estado e os caminhos do Chega

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Ouvindo os primeiros debates no Parlamento com o primeiro-ministro ficámos a saber pouco, mas o suficiente para considerarmos que algo começa mal. Da parte da oposição de direita, para além do tema da educação relacionado com a retenção de alunos no terceiro ciclo  a que chamaram passagens administrativas, pouco ou nada se tirou como útil das intervenções.

Lamentavelmente, os partidos mais à esquerda para mostrarem serviço ao povo pressionam e criticam tudo o que lhes possa trazer dividendo político e pretendem que tudo seja conseguido a muito curto prazo sabendo que não pode ser possível senão em tempo mais alargado.

O Governo precisa de aprovar o Orçamento de Estado para 2020 e, com uma maioria relativa, é pouco provável que o consiga sem a “companhia” de outros parceiros, os da esquerda.

Segundo o Diário de Notícias Rui Rio, presidente do PSD afirmou há dias "não ter dotes de bruxo" para definir a posição do partido em relação ao Orçamento do Estado para 2020, mas anteviu que será "muito difícil" que coincida com as linhas mestras dos sociais-democratas.

O que poderá ser considerado mais grave é que esse extremista André Ventura do partido Chega está a querer aproximar-se do PSD de Rui Rio para propostas sobre o orçamento para 2020.  

Talvez poucos saibam que Rui Rio e André Ventura estiveram reunidos na quarta-feira na Assembleia da República. Segundo o semanário Expresso o líder do Chega! pediu para falar com o líder do PSD, e Rio não se fez difícil - recebeu-o no seu gabinete no dia do primeiro debate quinzenal da legislatura. Falaram sobretudo do Orçamento do Estado e de eventuais pontos de convergência no que toca a propostas orçamentais para dinamizar a economia. Não fecharam nenhum compromisso, mas mantiveram a porta aberta a novas conversas.

Recordemos que André Ventura foi do PSD no tempo de Passos Coelho primeiro-ministro e aquando das eleições autárquicas era candidato a vereador à Câmara de Loures tendo feito declarações xenófobas consideradas graves sem que Passos, na altura, lhe tivesse retirado a candidatura ao contrário do CDS.

André Ventura está desesperadamente a pretender colar-se ao seu anterior partido, histórico da democracia, para tentar lavar a sua face como partido xenófobo, racista e de extrema-direita que o é de facto.

Ventura lá foi dizendo que “há abertura para falarmos”, acrescentando: “Tenho muitos amigos no Grupo Parlamentar do PSD.” Já da parte de Rui Rio parece ter sido afastada qualquer hipótese de uma estratégia conjunta entre ambos os líderes. “Faz parte do jogo democrático” receber outros líderes partidários, disse fonte oficial do PSD.

Esperemos que Rui Rio não caia nessa armadilha. Todavia não deixa de ser expectável que qualquer um dos outros candidatos à liderança do PSD, se ganharem a eleições diretas no PSD, possa não rejeitar acordo com aquele partido.

Para o PS a coisa não está promissora no que se refere a cedências aos partidos à sua esquerda. Há algo de preocupante em afirmações de António Costa no que diz respeito a taxas e impostos. Em resposta à pergunta do deputado do Chega sobre se o primeiro-ministro estava em condições de garantir que não aumentaria impostos diretos ou indiretos, nomeadamente dos combustíveis, António Costa respondeu que não garantia nada, justificando que estamos numa altura em que devido a questões climáticas se tomem medida que venham a estimular o consumo dos combustíveis fósseis.

Foi uma boa desculpa que dá jeito para abrir portas ao aumento dos impostos sobre os combustíveis. Há, contudo, uma situação complexa já que não se vislumbra como, sem soluções alternativas e sustentáveis, sem colocar em causa a economia. Os combustíveis fósseis são ainda a principal fonte de energia que contribui ainda para a mobilidade no contexto da economia. Pelas palavras do primeiro-ministro podemos prever, desde já, que irá haver uma subida do imposto sobre os combustíveis.

Concordo em que os salários, e as pensões, não apenas os da função pública, são muito baixos e necessitam de revisão, mas a função pública com os seus sindicatos absorvedores de recurso financeiros do Estado pelas reivindicações salariais e outras regalias deixam o setor privado em nítido prejuízo, por mais que os sindicalistas façam soar o contrário através dos ventos da comunicação social.

Costumam apontar-se, e com razão, os cortes nos salários, nas pensões e nos direitos do trabalho feitos pelo Governo PSD-CDS no tempo de Passos Coelho. Esse tempo já lá vai, e ainda bem, tendo sido a reposição, ainda que parcial, feita pelo anterior Governo com o apoio Parlamentar da extrema-esquerda a que chamaram geringonça. Há, contudo, uma comparação que podemos fazer: o governo PSD-CDS cortava, o anterior governo repôs e o atual poderá ainda vir a repor pouco mais, mas também poderá vir a retirar através de taxas e impostos para sustentar as reivindicações salariais exigidas pelos sindicatos da função pública e outros que trabalham para o Estado, enquanto há serviços públicos essenciais como a saúde e a educação que se encontram à míngua com falta de recursos humanos e materiais.

Agora são as polícias com reivindicações não menos justas, mas também a quererem tudo já.

Todos temos direito e gostaríamos de ter salários e pensões elevados e é aí que os partidos radicais de esquerda investem sabendo de antemão que dá popularidade. Não é por acaso que esses partidos espalham cartazes onde pretendem fazer passar a mensagem de que os aumentos salariais, ordenados mínimos e pensões são da sua autoria e concretização.

É por demais sabido que quando há aumentos na função pública se verifica o consequente aumento dos bens de consumo necessários no dia a dia.    

Se fossem aceites todos os pedidos o país voltaria a colapsar levando-o novamente ao incumprimento financeiro com a consequente bancarrota é isso que a direita pretende porque sabe que a levaria novamente ao poder só ou aliada a outros que com populismos e propostas irrealistas conseguiram penetrar através das portas da democracia na Assembleia de República.

Os inimigos do país e do povo e a instabilidade necessária

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Portugal, no conjunto dos países da EU e do Mundo, tem-se mostrado como sabendo viver em democracia, manifestando-se quando necessário em manifestações ordeiras e reivindicações orientadas por organizações sindicais e centrais sindicais.

Como já várias vezes tenho afirmado sou contra greves promovidas com objetivos políticos e sempre estive contra reivindicações radicais como o foram as dos professores com a Fenprof, a dos estivadores e dos sindicatos dos motoristas de matérias perigosas, este último constituído a partir de uma associação.  

Desde que a direita PSD-CDS saiu do exercício do poder proliferaram novos sindicatos que têm dividido o movimento sindical e são desligados de qualquer das centrais sindicais. A divisão, como é sabido, enfraquece o movimento dos trabalhadores. Quem os promove terá alguns objetivos tal será o caso  da colagem pública de partidos de extrema-direita ao Movimento Zero que pode ver aqui.

Este perigoso movimento, foi criado nas redes sociais em maio deste ano, na sequência da condenação de vários agentes da PSP por ofensas à integridade física e injúrias a moradores do Bairro da Cova da Moura. Foi criado por alguns elementos das forças de segurança e é preocupante, como afirmou o presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT). São elementos da PSP e da GNR sob anonimato e que "tem significado, não pode ser ignorado e a tendência vai ser para aumentar".

Em agosto do presente ano nas listas do Chega para as legislativas de outubro encontrava-se o militar de GNR Hugo Ermano, que estava para ser cabeça de lista pelo Porto. Hugo Ernano esteve a ser alvo de um processo disciplinar por ter aceitado ser candidato independente nas listas do partido Chega e pode vir a ser expulso da GNR. Um parecer do gabinete jurídico da Direção Nacional da PSP, emitido em maio, dava conta na altura de que não era permitida a candidatura de agentes da PSP às eleições europeias, mas a Direção Nacional daquela polícia veio um dia depois contrariar o parecer.

Peixoto Rodrigues, presidente do Sindicato Unificado da Polícia, e Pedro Magrinho, presidente da Federação Nacional dos Sindicatos da Polícia, foram candidatos, como independentes, na lista da coligação Basta às eleições europeias de 26 de maio.

O presidente do Sindicato Unificado da Polícia, Peixoto Rodrigues, confirmou no Jornal das 8 da TVI de ontem 18 de novembro de 2019 que, de facto, foi convidado para integrar as listas do Movimento Basta mostrando-se, contudo, arrependido.

Desde o início de 2017 surgiram 24 novos sindicatos em Portugal. Só dois se filiaram na UGT e nenhum na CGTP, apenas 92% dos novos sindicatos estão fora das centrais.

A extrema-direita, por meio de promotores e intermediários que se velam na sombra, pretende que se mimetizem as manifestações inorgânicas de outros países, como por exemplo em França. Ao descobrirem que as redes sociais podem ser um meio ao seu dispor para mobilizações e com poder de força convocatória para movimentos e rebeliões, sem controlo nem líder, contragovernos democraticamente eleitos, sempre que se proporcione criam justificações falaciosas utilizando-as para denegrir instituições e desestabilizar a ordem pública dos estados de direito.

São movimentos orientados para que governos extremistas de direita tomem o poder em vários países aproveitando fragilidades sociais e ideológicas para voltarem ao controle dos poderes que, há muito, fugiu ao seu controle, e voltarem assim aos nacionalismos fundamentalistas.

Em Portugal alguns são apologistas de uma espécie do “orgulhosamente sós” contra todos. Não é por acaso que, por razões diferentes, movimentos da extrema direita fascizantes, mais do que outros extremistas de esquerda, estão a crescer em força debaixo da asa da democracia. 

 A temperatura das manifestações sociais espontâneas ou manipuladas por vários grupos extremistas tem subido, em vários locais do mundo, prevendo-se condições muito mais extremas provindas de fenómenos políticos atípicos.

Em Portugal alguns desses grupos inorgânicos atípicos já começaram a levantar a voz, talvez induzidos por grupelhos que se organizaram em partidos políticos que conseguiram eleger deputados pelo aliciamento de eleitores potencialmente inquinados pela intolerância social e étnica com recurso a narrativas populistas e inconsistentes que propagandearam e que são acriticamente absorvidas por cidadãos desarmados de ferramentas intelectuais e ideológicas. São exceção os fundadores desses grupos e os que, de facto, perfilham ideais de extrema-direita e de intolerância justificadas por razões mais aparentes do que reais.

O que aflige essa gente não é a governação seja de centro esquerda ou de centro direita que, governe o país. O objetivo é minar e destruir a democracia utilizando a própria democracia por meio de movimentos que pretendem insuflar na opinião pública a ideia do recurso à violência como forma de derrubar o poder democraticamente instituído que conduza, pela exaustão, à incapacidade de resposta às mais diversas reivindicações impossíveis de concretizar ao momento.

A direita e o centro direita se não se distanciarem destes modelos estarão a dar um contributo para que esses movimentos surjam com mais força.

Conluio do silêncio

Silenciar partidos não é boa estratégia

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Há por aí muita gente indignada a escrever artigos de opinião sobre um tema que, como grandes democratas que se consideram, insurgem-se sobre a discussão que se levantou sobre saber se os novos e únicos deputados de partidos entrados no Parlamento são, ou não, um grupo parlamentar referindo-se ao Chega, ao Iniciativa Liberal e ao Livre.

Antes de continuar devo dizer desde já que sou contra a limitação da palavra dos referidos partidos. As suas intervenções devem gerir-se pelo regimento parlamentar que é aceite e ter proporcionalmente o tempo que lhes confere a sua eleição, tal como a qualquer outro partido.

Um dos colunistas residentes no jornal Público, João Miguel Tavares coloca em título: “Os porteiros do regime não sabem fazer contas”. Outro, esse mais sofisticado na linguagem para que poucos o entendam, e à boa maneira salazarenta, dá o título, do meu ponto de vista insultuoso à maioria parlamentar democraticamente eleita de “A tentação do PS, do BE e do PCP de domesticar o Parlamento”.

Neste o artigo de opinião, Paulo Rangel, o seu autor, escreve:

“Percebe-se qual era o cálculo e a intenção pragmática das forças da esquerda. Por um lado, calar o Livre, que, por razões diversas, é percepcionado por todos eles como perigosa concorrência. Por outro lado, silenciar a Iniciativa Liberal, que, alinhando por um credo nos antípodas dos socialismos, não terá qualquer pejo em enfrentar desabridamente a esquerda. Por outro lado, ainda, apagar o Chega, que, sendo um movimento conservador e populista de direita radical, agita todos os fantasmas. A estas razões, acresce uma outra que é comum a todos e talvez a principal. É que os três novos partidos com representação parlamentar não são nem esperam ser “partidos de Governo”; num certo sentido, e cada um à sua maneira, são ainda partidos de protesto. Esta natureza tribunícia de partidos de protesto – de partidos “fora do sistema” – dá-lhes uma liberdade e latitude de discurso que nenhum dos outros pode ter”.

O ponto de vista de Paulo Rangel coloca-se numa posição hipocritamente democrática porque se trata de falar de forças de direita com a qual também se identifica e porque dois deles combatem, como ele, a esquerda sendo, por isso, também potenciais aliados e por haver uma maioria parlamentar de esquerda democraticamente eleita. Por interesse ideológico convém-lhe defender esses partidos, talvez por pensar que não lhe fazem “mossa”. Incluir aqui também o Livre não poderia deixar de ser, justificando-o por ser um concorrente da “outra” esquerda, o que lhe interessa. Caro dr. Paulo Rangel, nós não temos um olho tapado com uma pala! Sim, já sei, estou a fazer juízos de intenção. Pois estou, e então, posso fazê-los ou não?

Paulo Rangel está a esquecer-se de que foi assim, com paninhos quentes da direita democrática mais conservadora, juntamente com outros fatores, que a extrema direita em Espanha, o Vox, subiu estrondosamente.

Para Rangel o Chega, o Iniciativa Liberal e o Livre são simplesmente partidos de protesto. Talvez o sejam agora! Ver-se-á depois. Silenciador foi o seu partido no tempo em que apoiava incondicionalmente Passos Coelho. E apagavam o mais possível a pegada dos potenciais “competidores” de esquerda que dizia serem, na altura, partidos de protesto e perigosos comunistas que queria voltar ao PREC. Sim, mais uma vez, pode ser juízo de intenção e escrever o que não disse. Mas sabe, como nas leis, é preciso saber ler nas entrelinhas. Os partidos de extrema-esquerda que antes intitulava de protesto estão agora implantados na Assembleia da República.

Esquece-se que André Ventura afirmou há relativamente pouco tempo que agora é apenas um mas no futuro serão muitos mais. São de protesto, mas vejamos se no futuro próximo não serão também concorrentes do seu partido.

João Miguel Tavares é mais lógico, mais racional, coloca os pontos nos “is” e, sem grandes delongas, vai ao cerne da questão e é mais realista ao escrever que:

“É um absurdo silenciar três deputados com a desculpa que não são um grupo parlamentar, até porque a melhor forma de os transformar num grupo parlamentar é mesmo fazendo tudo para que não abram a boca. A pressão política e mediática vai obviamente ser insustentável, a esquerda vai obviamente ceder e os três novos partidos vão obviamente poder falar nos debates quinzenais, como têm direito.”

Ponto de vista com que não se pode deixar de concordar. Quanto mais se proíbe mais o emergir na opinião pública se torna viral o que apenas contribui para esses partidos se auto vitimizarem. Por vezes deixar falar ajuda ao enterro de quem fala pelo surgir de contradições.

O dr. Paulo Rangel pretende chegar à mesma conclusão, mas encheu-se de demagogia e de democracia hipócrita. Tenha presente que aqueles partidos que desvaloriza e que são próximos da extrema-direita, para crescerem, não vão buscar eleitores e consequentes votos às esquerdas, vão procurá-los à direita. A intenção é boa, mas a sua razão de fundo tem como base a maioria estar agora do lado da esquerda. O resto é conversa mole.

O Iniciativa Liberal e a lâmpada de Aladino

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A disparatada afirmação do deputado do IL, João Cotrim de Figueiredo, não merecia sequer tantas linhas e espaço no jornal, nem o trabalho da jornalista, nem, tão pouco, os “posts” nos comentários.

Ler alguns comentários sobre artigos de opinião nos jornais online, salvo raríssimas exceções, é o mesmo que ler colunas escritas em jornais humorísticos. Ler esses comentários é, por vezes, um passatempo. Exemplos do jornal Público, é o que hoje apresento, sabendo-se de antemão que também poderiam ser de outros jornais.

Antes de avançar com esse caso concreto devo informar que podem também incluir nesse rol o presente texto. Sobre ele haverá, com certeza, alguns leitores, ou melhor, muitos, que também o acharão digno de gozo e que o considerem um chorrilho de disparates. Se assim for ainda bem, é porque foi lido.

A democracia é assim mesmo porque dá lugar a poder haver várias opiniões, contrastantes, idiotas, disparatadas, sem nexo, imbuídas de fação, recalcitrantes, ocas, sectárias, incompreensíveis, desajustadas, reativas, reacionárias, de propensão totalitarista, racista, etc., etc. e a maior parte delas são provocadas por emoções à flor da pele. Algumas são manipulações intencionais impulsionadas por facciosismo. Outras há que tentam mostrar erudição na matéria lançam-se em explicações e apontam formas de se fazer, algumas sem fundamento e exequibilidade prática para o caso em questão.

Sim, podem incluir também este mesmo texto numa dessas categorias.

Caberá a cada um a seleção e a avaliação. Mas a prática da Internet que muitos creem ser o paraíso da liberdade de expressão, sofre de fragilidade democrática identificada através de muitos dos conteúdos publicados que propagam informação falsa e intencionalmente deturpada, incitam à violência e fomentam a radicalização cujos publicadores consideram ser a liberdade de expressão, porque, para esses, a é a oportunidade de se fazerem ouvir e a ter acesso a todos os conteúdos, incluindo os falsos. Para alguns a sua verdade é a única, é a verdade e a razão absolutas.  

Continuando. Vem tudo isto propósito das mentecaptas palavras pronunciadas na intervenção no Parlamento por esse estreante e debutante deputado do Partido Iniciativa Liberal (será PIL ou apenas IL?) ao dizer que “O PS sabe que mantendo um país amorfo e resignado tem um grupo de pobres, desesperados e dependentes do Estado que lhe irão dar o voto. A pobreza de muitos é o que segura o PS ao poder.” E de seguida que o PS só “existe para estar no poder, nunca irá resolver o problema da pobreza”, pois são os pobres que permitem ao PS “manter-se lá”.

Antes de mais gostaríamos de saber qual é para o deputado e para o IL o conceito de pobre e qual a demonstração da afirmação que fez. Para um raciocínio ser correto as premissas devem ser verdadeiras e devem ser primeiras, ou seja, não têm necessidade de serem demonstradas, é o silogismo científico.

O conceito de pobre reduz-de, para o senhor deputado, apenas aos que ele diz votam no PS?

Se formos pela lógica e fazendo humor poderemos construir silogismos deste tipo:

Eu votei no PS, 

Segundo o IL os que votaram no PS são pobres e desesperados,

Logo eu sou pobre e desesperado.

Mais um:

A pobreza de muitos segura o PS ao poder,

Eu sou pobre,

Logo seguro o PS ao poder.

 

Senhor deputado do PIL, por favor, não goze com o povo!

Ora, dizendo-se o IL liberal a cem por cento, e diz apoiar a meritocracia e o acesso de todos ao empreendedorismo e supostamente à riqueza acessível a todos pela redução do peso do Estado, dos impostos, etc.., estamos a ver que, quando e se o PIL for governo, os pobres, os votantes no PS passarão a ser ricos, deixarão de ser desesperados e passarão a ser votantes no PIL.

Quem ler o programa do IL, pleno de demagogia, pode encontrar um conjunto de intenções e desejos. Tal como no conto de Aladino e a Lâmpada Mágica das “Mil e uma Noites” que, ao esfregar a lâmpada, são satisfeitos assim também o PIL (Partido Iniciativa Liberal) fará tudo acontecer. Isto é, tudo quanto lá se escreve vai no sentido de reduzir ou até eliminar a pobreza e dar a possibilidade a todos sermos todos ricos através da iniciativa e da meritocracia. O que não diz é como tencionam acabar com os pobres que, segundo eles, votam todos no PS.

É sobre este último ponto que a conceituada e experiente jornalista do jornal Público Bárbara Reis escreveu um artigo de opinião sobre as afirmações antes citadas de João Cotrim de Figueiredo, líder e único parlamentar do PIL que podem ler aqui. Na minha opinião a disparatada afirmação do dito deputado, não merecia sequer tantas linhas e espaço do jornal nem o trabalho da jornalista.

Foram escritos vários comentários críticos ao artigo de opinião de Bárbara Reis, poucos elogiando, outros atacando. Para quem tiver tempo e paciência para ler transcrevo-os a seguir na íntegra, sem qualquer alteração, mesmo a ortográfica, apenas os nomes dos que os publicaram foram omitidos.

  • 11.2019 00:53

As contas que foram feitas no final são completamente ridiculas e com o objectivo de atirar areia para os olhos dos leitores. O que interessaria saber seria como cada categoria profissional vota (e isto assumindo assim de repente que há categorias profissionais com mais pobres vs ricos). Interessava sim saber da categoria do operariado qual a percentagem que votou PS vs a percentagem que votou PS na categoria de empresários. Nem sequer sabemos a percentagem global de cada categoria no total da população, como podemos sequer fazer as contas de que percentagem votou no partido..enfim..isto é só para enganar quem quer ser enganado..

  • 11.2019 04:21

Não defendendo em circunstância nenhuma a retórica da IL, devo dizer que o que também não cola é a forma falaciosa como a autora tenta desmontar este discurso. Se o deputado da IL falou em "pobres" a autora não pode decidir comparar este termo com o esquema de classes de Daniel Oesch que não se refere a pobres, nem ricos, mas a categorias profissionais. Sabia que um arquitecto, professor, enfermeiro, e tantas outras profissões incluídas tradicionalmente no universo dos "não-pobres" chega a ganhar menos à hora que uma empregada doméstica ou um operário? Posto isto é lamentável que a autora tenha falhado redondamente a linha de raciocínio, sem confrontar quaisquer factos pertinentes, contribuindo apenas para mais desinformação.

  • 11.2019 21:17

Tanto trabalho a ler relatórios para fugir a uma evidência. Basta ver como e a quem são distribuídas as benesses em épocas eleitorais para saber onde estão os votantes que pesa

  • 11.2019 21:13

Tanto trabalho a ler relatórios para fugir a uma evidência. Basta ver como e onde são distribuídas as benesses em épocas eleitorais para ver que votos têm peso nos resultados eleitorais

  • 11.2019 19:34

Provavelmente o que Cotrim quis dizer a Costa foi semelhante ao que Palme disse a Otelo, quando este lhe disse que o 25 abril tinha sido feito para acabar com os ricos. Olof Palme respondeu que na Suécia estavam mais preocupados em acabar com a pobreza e os pobres. Se Costa fosse o alvo da pergunta de Palme, provavelmente responderia que Portugal cresce acima da média europeia. Ao que o culto e desconfiado Palme, depois de consultar uns números, perguntaria talvez porque razão o nosso país cai nos últimos 4 anos no rendimento per capita, descendo uma posição todos os anos e estando já em antepenúltimo lugar... não sei que resposta daria Costa/Otelo a Cotrim/Palme... A chatice são os números :-/

  • 11.2019 20:39

parece-me sensato iniciar-mos uma sessão conjunta de telepatia para apurarmos com precisão o que vai na tola sizuda do Cotrim....hemmm!??

  • 11.2019 19:34

Provavelmente o que Cotrim quis dizer a Costa foi semelhante ao que Palme disse a Otelo, quando este lhe disse que o 25 abril tinha sido feito para acabar com os ricos. Olof Palme respondeu que na Suécia estavam mais preocupados em acabar com a pobreza e os pobres. Se Costa fosse o alvo da pergunta de Palme, provavelmente responderia que Portugal cresce acima da média europeia. Ao que o culto e desconfiado Palme, depois de consultar uns números, perguntaria talvez porque razão o nosso país cai nos últimos 4 anos no rendimento per capita, descendo uma posição todos os anos e estando já em antepenúltimo lugar... não sei que resposta daria Costa/Otelo a Cotrim/Palme... A chatice são os números :-/

  • 11.2019 18:47

Senhora jornalista Bárbara Reis, como se atreve a escrever dois artigos a malhar no IL! Muito grato lhe ficaria, a auscultação dos tais cientistas, relativamente à caracterização dos pobres deste país. Pense nisto: temos pobres em Portugal, que só o são, porque vivem neste país socialista. É inadmissível que uma pessoa que trabalha oito e mais horas diárias, viva pobremente.

  • 11.2019 17:06

Esses Pobres são Incultos se soubessem Votar levavam o Cartão Vermelho

  • 11.2019 20:09

são os chamados pobres de espirito. desde que elegeram o illuminati Socrates que acredito no infindável bom senso do povo. outros portentos tb foram escolhidos, como Cavaco. mas é o povo quem mais ordena...isto é...45 % do povo porque os restantes 55% gostam tanto do actual sistema q nem sequer votam.

  • 11.2019 16:26

O Sr Figueiredo prestou homenagem à imbecilidade. Não é coisa pouca.

  • 11.2019 16:14

...o populismo combate-se com factos e argumentos sustentados neles...BR, como sempre muito lúcida, é um gosto lê-la.

  • 11.2019 16:10

Muito bem, Bárbara. Apenas gostaria que o sr. João Cotrim, nos falasse do milagre liberal no Chile, como exemplo de criação de uma sociedade sem pobres.

  • 11.2019 20:31

a Michele Bachelet é uma perigosa neo-liberal. é tão nice saltar uma geração ou duas.

  • 11.2019 20:56

O Chile foi transformado num "paraíso" neoliberal durante a ditadura de Pinochet. Foi tudo privatizado: educação, saúde, segurança social, tendo os trabalhadores perdido ficado sem quaisquer proteções laborais. Michele Bachelet não mudou nada. Foi totalmente conivente com o sistema instalado. Os chilenos estão fartos do seu "paraíso".

  • 11.2019 21:17

olhe que não, olhe que não!! quando o preço de cobre aumentou nos por volta de 2008, Michellet investiu os fundos dai resultantes de forma muito sensata: primeiro, criou um fundo almofada que permitiu ao Chile escapar á crise financeira global de 2008 e, além disso, investiu fortemente em pensões para os idosos, programas de assistencia social e um pacote de medidas para estimular o crescimento econóomico. ela reduziu o desemprego e a pobreza e melhorou dramaticamente a educação infantil. é por estas e outras razões que foi fenomenalmente popular... não diga mentiras. vários esquerdistas europeus elogiaram-na.

  • 11.2019 15:54

Vê-se que a Iniciativa Liberal já incomoda o PSV (Pinho, Sócrates e Vara) bem como a CS que os apoia, patrocina e catapulta.

  • 11.2019 15:49

Tenho a dizer que foi graças a alguns artigos da Bárbara Reis que votei IL. De facto, pode -se escolher algo com dois raciocínios: “se uma pessoa daquelas gosta , deve ser bom”. Ou: “se uma pessoa daquelas detesta, deve ser bom”. Percebida a minha situação, imagino que esta sua persistência já tenha arregimentando mais uns quantos potenciais votantes. Continue o bom trabalho.

  • 11.2019 15:38

De facto o PS não é o partido dos pobres, é o partido dos penduras. Pendura, em ciência politica, é aquele que, pobre ou rico, viva à custa dos outros.

  • 11.2019 17:28 Para a mentira ser segura ... tem que ter qualquer coisa de verdade

Nem mais.

  • 11.2019 15:22

Pobres? O socialismo nao acabou com a pobreza em Portugal? Ou quer é acabar com a riqueza?

  • 11.2019 14:56

Na politica não interessa a verdade mas sim o que se diz e o momento.O novel deputado da IL já aprendeu, depressa, a cartilha. O importante é dizer qualquer coisa para as TVs...

  • 11.2019 13:59

O PS não é o partido dos pobres, de facto. É principalmente o partido dos funcionários públicos e daqueles (em número muito maior) cujos rendimentos vêm directa ou indirectamente do Estado. Isto é um problema para a democracia, porque o PS é dominante na máquina do Estado, que deve supostamente ser imparcial. Quando o PS consegue dominar também a banca e a imprensa, como nos anos Sócrates, adquire um poder sinistro e praticamente sem controlo. [Escrevi este comentário há quatro horas, seria o segundo do dia por acaso, mas ainda não apareceu aqui, embora apareça no meu perfil. Um mistério.]

  • 11.2019 14:55

Fake News

  • 11.2019 12:27

Obrigada senhora jornalista por repor a verdade. Uns apresentam factos, outros frases bombásticas que no incêndio que agora se vive nos média e redes sociais até colam. Aliás a Iniciativa Lacoste deve grande parte da sua votação a esse tipo de frases feitas e em cartazes de puro marketing.

  • 11.2019 14:11

Aplaudo o escrutínio mas receio detentores da verdade.

  • 11.2019 11:31

Tenho um amigo que baralha qualquer análise sobre a propensão do voto. É Monárquico e leva um modo de vida aristocrático, veste-se a rigor para as refeições servidas em baixela de porcelana e copos de cristal por uma empregada e depois vota no Partido Comunista. Também conheço alguns pobres, Investigadores com grande capital social porque são Doutorados e estão no desemprego ou na precariedade e esses não votaram PS.

  • 11.2019 13:21

Não há ciência do particular...

  • 11.2019 11:15

Pessoalmente, acho que os pobres em Portugal não existem como suporte de qualquer dos partidos que têm estado no governo (PS e PSD). São, antes, uma consequência natural do tipo de governação imposta a esses governos por força da adesão à UE. Quando se sabe que a economia é mantida praticamente em "crescimento zero" propositadamente, com todas as consequências que daí derivam, então a pobreza em Portugal é um claro efeito secundário das políticas implementadas. Agora, se esse efeito secundário (pobreza) é aproveitado para beneficiar alguém, julgo que esse alguém poderia ser mais facilmente um qualquer partido de esquerda, mais defensor dos pobres.

  • 11.2019 11:08

Obrigado Barbara Reis, eu como votante na IL, venho agradecer-lhe a escalpelização - em sentido positivo - que em dois artigos dedicou á IL. A minha opção de voto na IL, identifica-se com os principios da valorização competitiva - quem organiza e controla eficientemente a sua actividade economica, perspetivando o lucro (não conheço empresas privadas que sobrevivam com prejuízos), adoptando uma politica de valorização dos seus colaboradores e remunerando em função da riqueza criada, pois hoje só sobrevivem empresas que tenham estes principios. Foi este tipo de exigencia que encontro no discurso da IL, o seu programa não sendo um primor nas referencias á organização da sociedade, tem bons principios e concerteza será melhorado pois reonheço-lhes capacidades para corrigir o que promova injust

  • 11.2019 15:20

Não conhece empresas privadas que sobrevivam com prejuízos?!... Ah, ah, ah! Boa piada! Basta olhar para as empresas que controlam os meios de comunicação social. E sabe, não sabe, porque não fecham mesmo a acumular prejuízos?... E também deve saber que a situação estaria ainda pior se não houvesse umas "empresas amigas" que lhes compram publicidade inútil. Tanta "ingenuidade"...

  • 11.2019 10:50

Não cola? Vamos então ao que este jornal publicou em 7 Outubro 2019: "Quem vota em quem? Breve análise ao perfil dos concelhos onde os partidos se destacam" 1. PS mais forte nos concelhos com menor poder de compra Os concelhos onde o PS obteve resultados mais altos registam um poder de compra inferior à média nacional, com um ganho médio mensal dos trabalhadores por conta de outrem de 950 euros (inferior ao valor médio registado no país, de 1108,56 euros). Têm também mais trabalhadores da administração local do que a média (por cada 1000 habitantes há 13,21 funcionários das câmaras ou juntas de freguesia, enquanto a média nacional é de 11,62 funcionários por cada 1000 habitantes). E ainda um número mais elevado de escolas, embora a escolaridade esteja abaixo da média." A realidade é esta

  • 11.2019 14:18

Mas hoje estava com vontade de mandar palminhas ao PS

  • 11.2019 10:46

E o argumento de que o Bloco central se alimenta da máquina do estado ?? Acho que isso já cola melhor !!

  • 11.2019 10:45

Então somos um país de eleitores filantropos! Obrigado pela revelação

  • 11.2019 10:39

O enviesamento do artigo demonstra-se na falaciosa pretensa aposta nos ricos para haver mais pobres quando a ideia é transformar os pobres em ricos, como dizia Lucas Pires e como demonstram os factos nos países que os emigrantes económicos pobres preferem como destino, sinal inequívoco do que realmente cola. Talvez estes últimos, pelo muito que sofreram nas suas controladas terras de origem, sejam mais listos a compreender os mecanismos da perpetuação da pobreza (dependência do estado e não do indivíduo) do que muitos jornalistas e investigadores.

  • 11.2019 10:22

Sendo benevolente, os "iluminados" da Iniciativa Liberal vivem num mundo completamente imaginado por eles, uma espécie de bolha de gente que nunca teve algum contacto de facto com a realidade em toda a sua extensão. Sendo mais realista, os "iluminados" da Iniciativa Liberal sabem que mantendo o país extremamente desigual, cultivando uma pequena minoria de bolsos cheios, enquanto o resto chafurda na miséria, irão ter o apoio dessa minoria. E aqui apoio não siginifica apenas votos, mas antes de mais lum lugar na teia de relações onde essa minoria se apoia.

  • 11.2019 09:46

Muito bem. Excelente trabalho jornalístico num espaço de opinião, que mostra que é possível sustentar opiniões com factos, sem achismos, “parece que” e pré-conceitos. Receio é que com a qualidade dos novos partidos que entraram no parlamento o Publico tenha de contratar uma equipa só para verificar as tolices que dali virão...

01.11.2019 10:50

  1. PS mais forte nos concelhos com menor poder de compra Os concelhos onde o PS obteve resultados mais altos registam um poder de compra inferior à média nacional, com um ganho médio mensal dos trabalhadores por conta de outrem de 950 euros (inferior ao valor médio registado no país, de 1108,56 euros). Têm também mais trabalhadores da administração local do que a média (por cada 1000 habitantes há 13,21 funcionários das câmaras ou juntas de freguesia, enquanto a média nacional é de 11,62 funcionários por cada 1000 habitantes). E ainda um número mais elevado de escolas, embora a escolaridade esteja abaixo da média. Jornal Público, 7 Outubro 2019

 

  • 11.2019 09:28

Excelente, Barbara. O jornalismo faz-se com fontes e conteúdos.

 

O aquecimento global não é só climatérico é também político

A necessidade de protagonismo é uma praga que, cada vez mais, atinge e se estende a vários grupos so

Aquecimento político.png

A necessidade de protagonismo é uma praga que, cada vez mais, atinge e se estende a vários grupos sociais e a pessoas da política e fora dela. Utilizam todos os meios convencionais que têm ao dispor para alcançar esse objetivo e, falhado esses, são as redes sociais o seu meio preferencial.

A política não tem sido parca a esse fenómeno, nomeadamente os populistas de extrema-direita e também, em menor escala, a extrema-esquerda, cada um à sua maneira, que têm começado a ter cada vez mais protagonismo. Será este um dos males trazido pela exigência com que os mentores da mais e melhor democracia nos têm invadido como se a que temos já não chegasse? Os resultados, mascarados com a mais democracia, começam a ser visíveis na Europa e no resto do mundo.

 A temperatura das manifestações sociais espontâneas ou manipuladas por vários grupos extremistas tem subido em vários locais do mundo prevendo-se temperaturas muito mais extremas provindas de fenómenos políticos atípicos.

Justificadas por várias causas, quer remotas, quer próximas, com diferentes virulências e motivações específicas, estão a verificar-se conturbações e crispações sociais em várias nações. No Líbano, no Iraque, em Hong Kong, em Paris, Londres Barcelona entre outras. A estas vieram acrescentar-se recentemente e agora com mais vigor as lutas em prol do ambiente.

Todos parecem estar empenhados, negros, brancos, várias etnias e religiões, árabes, asiáticos, homens, mulheres ou crianças. Nesses países as palavras de ordem são semelhantes. Seja em castelhano, inglês, árabe ou qualquer outra língua, é surpreendente a semelhança dos cartazes e das palavras de ordem.

Nenhum dos protestos pode ser reduzido a uma só questão nomeadamente a económica. Muitos dos protestos desencadeados por indivíduos ou grupos que se distinguem pela violência e pelo alimentar do medo nas populações a forma de serem ouvidos e colocados nas primeiras páginas do jornais e aberturas da informação televisiva. E os noticiários televisivos dão-lhes cobertura e relevância porque o medo e a violência compram audiências.

As consequências destes movimentos inorgânicos ou organizados, alguns pouco democráticos demonstrado pelas suas atuações violentas, são a satisfação das exigências e a cedências às suas reivindicações feitas pelos governos. Mas, mesmo com a satisfação das exigências esses movimentos continuam com os protestos.

O que aparentemente desencadeia as manifestações com consequente violência desenfreada nas ruas é normalmente a pretexto de alguma coisa de concreto, como por exemplo a lei da extradição num território (p.e. Hong Kong), o aumento de preços dos combustíveis num lado, o custo de vida no outro, as prisões ditas políticas aqui, as desigualdades ali. São algo de concreto, mas são motivos que apenas servem para disfarçar outras realidades ainda ocultas, disseminadas, mas em estado mais do que embrionário prontas a emergir em qualquer momento. Os geradores destes embriões, os que os alimentam, não se conhecem exatamente quem são, mas andam por aí dispersos.

Todas estas manifestações já são mais do que isso, são insurreições, são o caldo de cultura virulenta que pode conduzir aos populismos e totalitarismos, soluções que muitos acham que poderão resolver o objeto do descontentamento.      

Coincidência, ou não, o crescendo da turbulência que já tinha sido semeada agravou-se com a política de desorientação, desvario e confusão resultante da eleição de Donald Trump nos EUA.

 A direita, e sobretudo a extrema-direita, mais do que a esquerda, têm nas redes sociais uma rede de gente cuja missão é a desinformação, a difusão de propaganda e notícias falsas de forma a descredibilizarem, as instituições democráticas e os políticos. Utilizam as liberdades democráticas para promover a erosão da confiança nas autoridades, encorajar a militância que nutra a raiva contra o sistema político através de publicações sobre assuntos como a raça, imigração, género, convocações de manifestações inorgânicas, etc. São uma espécie de departamentos idênticos aos que engendravam desinformação e conspirações no tempo do estalinismo soviético e do nazismo, mas que utilizam agora as redes sociais e a Internet como veículos de difusão.