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Campanha eleitoral e Debates. COMENTÁRIO e OPINIÃO - Sociedade, Comunicação e Política

O que outros pensam e comentam sobre a sociedade, política, economia, educação. Comunicações e opiniões pessoais sobre o dia a dia da política e da sociedade.

Onde estavam entre 2011 e 2015?

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Os artigos de opinião podem servir como panfletos para orientar determinada campanha eleitoral. Basta pegar em determinados incidentes como por exemplo na saúde, nas repartições públicas, nos incêndios, etc., e apresentá-los misturados com a corrupção, com o trânsito, com os transportes, como provas culpabilizadoras de má governação. Esta narrativa é repetida vezes suficientes por vários atores dos órgãos de informação até ganhar os contornos de uma verdade subjacente à sociedade.

Grupos de cidadãos, organizações independentes, ou ditas como tal, associações ideológicas, profissionais e outras fazem campanhas e organizam-se contra ou a favor de algo.

Em época de aproximação de eleições surgem outras campanhas provenientes dos mais diversos setores e organizações e seus representantes que procuram exercer o seu direito de expressão de pensamento prestando declarações, dando entrevistas, fazendo comentários, escrevendo opiniões, entrando em debates que os órgãos e comunicação se encarregam de organizar e divulgar.

Muitos dos intervenientes são líderes de partidos, bastonários de ordens profissionais, dirigentes sindicais, deputados, comentadores, “opinion makers”, jornalistas, economistas, enfim, uma parafernália de ditos especialistas.

Em época de aproximação de eleições nos jornais televisivos, por exemplo, verifica-se alguma tendência para os alinhamentos e as edições das peças serem inseridos elementos, por vezes descontextualizados, indutores da formação de opiniões que eventualmente poderão favorecer forças políticas e partidárias opositoras ao Governo.

Um jornalista muito conhecido, infelizmente já falecido, terminava as suas entrevistas na televisão com uma pergunta, para ele sacramental: “Onde é que estavas no 25 de Abril?”.

Gostaria de fazer uma pergunta idêntica a muitos jornalistas, comentadores e escritores de opinião, alguns deles, na minha opinião, jornalistas e comentadores de fação que criticam tudo quanto venha dos últimos quatro anos de governação do Partido Socialista com o apoio parlamentar do PCP e do BE. Onde é que estavam entre 2011 e 2015?

Poderão perguntar-me: então já não se pode ter opinião própria mesmo contrária ao regime e expressá-la livremente? Claro que pode e deve, assim como estou a exercer neste mesmo momento o direito de opinião. Outra coisa é tentar transformar um facto verídico e positivo numa espécie de falsidade distorcendo a verdade, através de palavras e frases para tal escolhidas, por conveniência partidária ou ideológica.

Há ainda a estratégia muito aplicada em alguns espaços noticiosos das televisões e nas reportagens chamadas jornalismos de investigação em que é sistemática a repetição consecutiva de factos negativos ocorridos no passado, chamados ao presente através de repetições exaustivas. A estratégia de muitos partidos políticos, com incidência nos de direita, é a repetição constante de certas palavras que recordem às audiências factos desagradáveis, alguns até sem grande relevo, denunciado certos factos como sendo verdadeiros, mas afinal se verifica serem mentiras criadas com propósito bem determinado.

A direita recorre a todas as estratégia que passam pela difamação, ofensa e incentivação de ódios primários para atingir os seus objetivos, até mesmo dentro dos seus próprios partidos criam divisões, por vezes insanáveis, como está a acontecer com o ataque a Rui Rio dentro do PSD. Em entrevista ao Correio da Manhã, a antiga ministra da Justiça no governo de Pedro Passos Coelho, Paula Teixeira da Cruz, acusou no passado domingo o líder do PSD, Rui Rio, de exigir “uma cega e leal obediência à direção“ de se comportar como um ditador. “Não me inscrevi num partido estalinista, não tenho feitio para isso”.

Tenho reparado que a tendência da campanha eleitoral da direita com a eventual ajuda dos órgãos de comunicação será sob a forma de notícias e da atualidade no sentido de abandonar a notícia de casos e a centrar-se em casos mais amplos que possam sugestionar eleitores a colocarem-se contra o partido do governo com o objetivo de impossibilitar uma maioria absoluta e a redução da sua margem de potenciais votos, minimizando possíveis estragos nos partidos da direita.

Diariamente são apresentadas durante os jornais televisivos as mais diversas opiniões intervenções sem torno de problemas que dizem afetar indesejavelmente os portugueses e referindo-se à saúde, aos transportes públicos em geral, à educação, funcionamento dos serviços públicos, etc..

Depois há a Fenprof, os trabalhadores das misericórdias, as instituições de solidariedade social que, de forma oportunista, pretendem a devolução do tempo de serviço congelado e melhores salários, os opositores ao Governo já não contestam e até aprovam (será porque estão fora do poder?) e não contestam. Estamos a ver porquê. É tudo uma questão de votos.

Sobre todos aqueles temas atrás referidos escrevem-se opiniões de indignação, de fúria, de alerta e apelo às emoções. Uma senhora que não sei se é jornalista ou não, poderá já o terá sido e que também escreve livros de poesia alguns já editados (será a mesma? Se não for as minhas desculpas) agora também escreve artigos de opinião no jornal mensário DIA 15. Na última edição daquele jornal

 

Comentando comentários de Bagão Félix

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Li no jornal DIA 15 do mês de junho uma entrevista com António Bagão Félix que foi Ministro da Segurança Social e do Trabalho no XV Governo Constitucional chefiado por Durão Barroso e depois Ministro das Finança XVI Governo Constitucional no tempo em que Santana Lopes foi primeiro-ministro. Embora sem filiação partidária sabe-se da sua simpatia pelo CDS/PP.

Nessa entrevista o Dr. Bagão Félix faz várias afirmações que me parece padecem de uma visão clara e coerente no que se refere a alguns aspetos, mas falha noutros mais básicos.

Bagão Félix poderá ser um humanista que aceita uma visão do neoliberalismo, do meu ponto de vista, enviesado com “rosto humano”. Menos Estado, melhor Estado, é o lema em que a procura de lucros sem limites, responsável pela destruição humana e ambiental, se compatibiliza com a assistência social feita pela caridade cristã.

Quando se está no topo de um pensamento teoricamente elaborado sobre os temas que são colocados numa entrevista e se abdica da perceção e da compreensão do pensamento popular sobre os mesmo temas, o pensamento do nosso interlocutor pode falhar na objetivação de ideias que deveriam e poderiam ser concretizadas na prática. Ideias e pensamento profundos que, apesar de verbalizados por um discurso coerente, mas demasiado especializado e teórico, não chegam “ao céu”, isto é, os cá debaixo, por não ser influenciador.

Vejamos alguns casos simples sobre os quais Bagão Félix reflete com saber e convicção:

  1. Segundo o entrevistado “A redução do IVA na restauração foi um dos maiores erros cometidos por este Governo em termos orçamentais. Porque a restauração é um bem opcional, ao contrário da eletricidade, da saúde ou da habitação”.

Quem pode não concordar com esta afirmação? Claro que, de uma forma genérica, temos de concordar. Primeiro porque a redução do IVA veio inibir receitas aos Estado que poderiam ser canalizadas para outras áreas mais necessárias. Segundo porque a redução do IVA não veio trazer uma baixa dos preços de venda ao consumidor na restauração, como seria de prever. Em terceiro lugar também podemos concordar quando afirma que “a restauração é um bem opcional” que o é de facto. Aqui Bagão Félix esquece-se do povo trabalhador que é um ponto essencial. Devia saber que grande parte dos trabalhadores se deslocam, por vezes, a grandes distâncias para irem trabalhar longe das suas residências por isso almoçar fora é quase obrigatório porque nem todos as empresas têm refeitórios ou cantinas. Por outro lado, há algumas empresas que oferecem subsídios de refeição por isso mesmo.

Compreendo que o dr. Bagão Félix fique incomodado quando quer entrar num restaurante e encontra sempre tudo cheio nos restaurantes que frequenta, mas isso é outro caso! Se estão cheios ainda bem porque foram criados postos de trabalho à custa da procura.

Será que o dr. Bagão Félix gostaria que se voltasse ao tempo de Passo Coelho quando muitos trabalhadores foram obrigados a levar para os empregos marmitas com o almoço o que ainda acontece hoje para certo tipo de trabalhadores?

  1. Ao falar da regionalização o entrevistado refere que tal é um disparate e que há uma “grande confusão entre regionalização, descentralização…”.

Estou em plena sintonia com ele. A regionalização tem um caráter decisório-político e pressupõe órgão políticos regionais tais como parlamentos regionais e governos regionais. Num país unitário como o nosso em termos linguísticos e culturais entre outros serve apenas criar “tachos” e aumentar ainda mais a despesa do Estado.

  1. Bagão Félix critica o Estado tal e qual ele se encontra e necessita de reformas e ainda o sistema de impostos sem contrapartidas positivas para os cidadãos. Todavia deixo aqui uma pergunta. Quando o dr. Bagão Félix foi Ministro da Segurança Social e do Trabalho e Ministro das Finança em dois Governos porque não avançou com medidas para minimizar ou até reformar aspetos que agora critica? Já sei a resposta: na altura não houve tempo devido às curtas legislaturas de então. Pois então porque não dar tempo a um Governo que possa fazer reformas. Isto numa perspetiva otimista, claro! …
  2. “O Estado está organizado em função daqueles a quem presta serviço, mas daqueles que prestam serviço. Na educação não está organizado em função dos alunos, mas dos professores. Na saúde não está organizado em função dos doentes, mas dos vários funcionários que lá prestam serviço…”.   

Esqueceu-se o dr. Bagão Félix de falar dos sindicatos. Estamos em democracia e existem sindicatos. Sim, existem pressões e reivindicações sindicais orientadas por esquerdas e direitas e até ordens profissionais que condicionam a reorganização dos setores. Ele sabe bem que, quando algo se pretende alterar ou melhorar, os sindicatos dão saltos e aqui vai greve…

Ou se enfrentam os sindicatos de facto como o fez António Costa ou por mais críticas mesmo construtivas e bem-intencionadas como as do dr. Bagão Félix não há nada a fazer.

Muito haveria para comentar, mas vou finalizar porque já se faz tarde…

Endividamento e o medo do passado

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Para a direita e para os comentadores neoliberais que a apoiam a vinda do diabo é desejada em pleno. Todos sabemos porquê e para quê!

As eleições para as legislativas aproximam-se com tal rapidez que nem nos apercebemos devido às tarefas diárias e preocupações do trabalho que nos absorvem o tempo, mas a pré-campanha iniciou-se logo após as europeias. Os media, especialmente as televisões, já nos dão sinais disso.

A estratégia de envolvimento dos canais com a oposição de direita ao Governo denuncia-se de forma não claramente expressa durante o período dos jornais televisivos, mas evidencia-se através de pormenores identificáveis pela argúcia de quem os vê e ouve.

Repare-se que tudo quanto possa ser negativo que seja da responsabilidade do governo e possa ser utilizado é trazido à tona nos noticiários sendo editados e inseridos durante as peças televisivas por associações mesmo quando não seja um facto essencial para aquele noticiário.

Repare-se ainda que, apesar dos problemas que os há decerto e sempre haverá, à falta de melhor vão recuperar peças do passado já mais do que vistas. A pretexto de uma notícia recorre-se à memória jornalística para fazer recordar aos espectadores, talvez por conveniência, aspetos dos mais negativos que já foram noticiados e repesados no passado, mas que se trazem novamente para o presente.

É o recurso à estratégia da memória continuada do que é negativo e possa ter impacto como forma de induzir os espetadores a reconsiderações de opinião negativa sobre algo que possa ter sido, no presente e no passado, a governação socialista.

Os erros e as falhas no presente ou no passado, especialmente neste, em relação à direita e aos seus atores são, a maior parte das vezes, omitidas ou passadas sem ênfase.

Veja-se o caso dos incêndios de Pedrogão em 2017 dos quais, constantemente, e a pretextos vários, são feitas retrospetivas e mesmo quando não os haja, criam-se investigações várias, ditas jornalísticas, acerca do tema ou de outros. Podem alguns questionar se se deve passar um apagador pelas tragédias e fazê-las esquecer. Não advogo isso por ser uma espécie de censura à informação e, por isso, a resposta é, claramente, não. O que está em causa é a intensão e a oportunidade escolhidas à medida do momento. Veremos que, até às eleições legislativas, o tema dos incêndios e das pessoas por eles lesadas serão um dos temas, entre outros, a serem emocionalmente explorado pelas televisões.

Os temas a explorar serão os que sendo pontuais e apesar de se encontrarem em fase de resolução, como o de alguns organismos ligados à saúde e a pretexto vários a ordem dos médicos e dos enfermeiros e também sindicatos ditos “independentes” alinham-se e ajudam a direita a fazer oposição ao Governo à falta de propostas concretas para apresentar. Os transportes coletivos são outro dos temas preferidos assim como o funcionamento de alguns serviços públicos, Outros surgem agora ainda ligados à calamidade dos incêndios, como o caso do SIRESP que a direita clamava que não funcionou por culpa do Governo e neste caso já não se olha para o passado do governo anterior quando também existia o SIRESP e houve gravíssimos incêndios com morte de bombeiros. Agora que o SIRESP passou para as mãos do Estado essa mesma direita inventa um negócio da china e quer saber como foi. E se fosse com eles?

A direita continua a fazer uma oposição de casos para mostrar trabalho, mas quanto às suas propostas e programa a cumprir caso venham a ser governo continuamos sem nada conhecer.

As opiniões de comentadores e de jornalistas especializados em áreas económicas escolhidos entre os conotados com a direita é outra das estratégias. Com base em factos verídicos e apresentando-se com uma postura que dê credibilidade frente às câmaras da televisão apresentam dados de fontes fidedignas entremeando opinião pessoal que altera o sentido e o objeto do facto no meio das suas análises.

Ainda não há muitos dias vimos e ouvimos na RTP1 a jornalista de economia Helena Garrido comentar, a partir do Boletim Económico de junho de 2019 do Banco de Portugal na parte que se refere ao comércio externo (exportações e as importações) cujo saldo tem vindo a ter tendência negativa e sobre risco da diminuição das exportações e do aumento das importações face ao aumento do consumo interno o que pode perigar o aumento da dívida.

O que diz o relatório do Banco de Portugal (o sublinhado é da minha autoria para salientar o importante):

“À semelhança do observado em 2018, ao longo do horizonte de projeção o contributo da procura interna para o crescimento do PIB será superior ao contributo das exportações. Este padrão de crescimento traduz-se num saldo negativo da balança de bens e serviços a partir de 2019, após um período relativamente longo de saldos positivos. Esta evolução exige uma atenção particular, uma vez que o endividamento externo da economia portuguesa permanece num nível elevado e constitui uma das suas principais vulnerabilidades latentes”. “Neste quadro, torna-se crucial que sejam criadas condições para um aumento do potencial de crescimento da economia portuguesa, em particular tendo em conta os riscos colocados pelos elevados níveis de endividamento e os desafios associados à evolução demográfica, aos baixos níveis de capital por trabalhador e de qualificação da mão-de-obra e às debilidades no funcionamento de mercados, que conduziram a afetações ineficientes de recursos no passado.

Tendo em conta o relatório do BP e tudo aquilo que os números das estatísticas permitem Helena Garrido, selecionou a partir do relatório de 58 páginas aquilo que achou importantes, e que o é de facto (ver sublinhados). Contudo, já parece estar a faltar à isenção e distanciamento partidário quando ameaça no meio da sua análise com o “medo de se repetir o passado”, com referência implícita  ao período de Sócrates que nos levou em 2011 ao colapso económico e financeiro.  Quem a ouviu falar mais pareceu um discurso colado ao de Passos Coelho do passado sobre os portugueses viverem acima das suas possibilidades.

A dita jornalista utiliza a sua credibilidade, se é que a tem de facto, para induzir medos, atualmente infundados, a partir de uma situação idêntica à que se verificou no passado. Na minha opinião Helena Garrido, enquanto jornalista, faz de auxiliar da direita na oposição ao governo utilizando a sua posição mediática privilegiada. Uma coisa é fazer, na sua perspetiva, comentário e análise, outra é fazer analogias com verdades do passado que não colam com a verdade da realidade presente. Isto é como divulgar uma “fake opinion” pronunciada com base em “true news” fazendo vir ao de cima emoções primárias das pessoas como as do medo, neste caso, com base no passado.

As “fake opinions” formulam de imediato juízos, opinam com dureza a partir de dados falsos, ou até de dados verdadeiros conotam com outros pela distorção e não costumam estar abertas ao contraditório.

Quem emite aquele tipo de opiniões vale-se da desinformação popular generalizada o que o torna, à luz de quem o escuta, mais convicto, fechado à possibilidade de ser contraditado sobre a forma como emitiu a opinião e avesso aos que veem a realidade de outro modo.

É certo que começa a subir o endividamento externo, graças ao consumo privado e ao endividamento das empresas, especialmente das famílias pela excessiva facilidade com que acedem ao crédito ao consumo. Temos de evitar a todos o custo que possamos voltar ao passado, mas não é utilizando a estratégia dos medos primários com objetivos e interesses político-partidários que se faz pedagogia.

Para a direita e para os comentadores neoliberais que a apoiam a vinda do diabo é desejada em pleno. Todos sabemos porquê e para quê!

O problema do PSD não está em Rui Rio

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Houve quem criticasse a intervenção do Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa quando afirmou que “Há uma forte possibilidade de haver uma crise na direita portuguesa nos próximos anos” e Rui Rio foi um deles ao responder que a crise não está na direita, mas no regime todo.

Desconheço em que base o Presidente da República se apoiou para fazer tal análise. Uma coisa é certa, aquela declaração do Presidente serviu para agitar o PSD e libertar os movimentos que estavam latentes e vieram agora à superfície da política interna do partido com respostas reativas.

Tomando como pretexto o desaire do PSD nas eleições europeias, esquecendo o seu passado desastroso, os resistentes desse passado tomaram como bode expiatório Rui Rio para o culpabilizar e pressionar a fazer uma oposição que leve o partido a ganhar as próximas legislativas. Como se tal dependesse apenas da vontade e da ação política do líder. Rui Rio é um líder direto, franco, sensato e confiável, características que, em política são raras e que para uma oposição não ligam muito bem. Fundamentalmente tem falta de matéria programática e dum projeto consistente e credível que atraia potenciais eleitores.

Esta corrente contra Rui Rio começou antes de janeiro de 2019 com Luís Montenegro a desafiá-lo para diretas relativamente à liderança. Recordemos que Hugo Soares acompanhou Montenegro quando este pôs em causa a liderança de Rui Rio. Por sua vez, em fevereiro de 2018, na altura o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, anunciou, que iria "devolver a palavra aos deputados para eleger uma nova direção parlamentar", depois de Rui Rio lhe ter manifestado o desejo de trabalhar com outra liderança de bancada apesar de as regras de escolha de deputados não poder "cada um" dos representantes no Parlamento ser escolhidos por Rui Rio.  Ora o busílis do atual líder é mesmo esse o ter que lidar com esse grupo que herdou do passado e que há limitações que se lhe impõem que apenas podem ser colmatadas após as eleições.

O enfileirar de interessados à liderança do PSD começam a delinear-se e a revelarem-se na ribalta da política partidária.

A liderança de Rui Rio desde que tomou posse não tem sido fácil. Herdou um partido que saiu dumas eleições que ganhou juntamente com o CDS, mas cuja minoria parlamentar face a um acordo do PS com as esquerdas PCP, Verdes e BE não lhes permitiriam estabilidade governativa.

Os deputados da minoria parlamentar de direita, especialmente do PSD, constituída após as eleições de 2015, sob a liderança Hugo Soares, ligado a Passos Coelho e com vínculo ideológico aos neoliberais do partido mantiveram-se e Rui Rio, como novo presidente do partido, manifestou "desejo de trabalhar com outra direção parlamentar".

Dentro do partido elementos neoliberais ligados à anterior direção não têm apoiado Rui Rio com suficiente convicção, bem pelo contrário, têm feito tudo para o colocar em causa. Enquanto não houver eleições legislativas e o atual líder não poder indicar nova lista para o Parlamento continuará a sua liderança a ser posta em causa pela pressão do grupo de contras que lhe fazem oposição interna.   

À parte de Luís Montenegro que não se sabe o que fará depois da primeira tentativa para “destronar” Rui Rio, há pelo menos três potenciais candidatos cujos nomes têm vindo a público numa tentativa de auscultar a opinião pública. Um deles é Miguel Pinto Luz vice-presidente da Câmara Municipal de Cascais e ex-líder da distrital de Lisboa que é apoiado por Miguel Relvas e que já teve intenções de concorrer aquando da saída de Passos Coelho. Outro dos candidatos é Moreira da Silva, ministro do Ambiente no governo de Passos Coelho, que anda por aí discretamente a efetuar contactos com as bases do PSD. O discurso ambientalista de Moreira da Silva poderá ir de encontro às tendências atuais com a subida dos partidos de base ecologista. Há ainda um outro potencial candidato que poderá ser Carlos Moedas que, na minha opinião seria um candidato forte e credível que poderá causar alguns estragos à esquerda, distanciando-se ele dos neoliberais “passistas”.  

Pinto Luz disse em entrevista que não esperava resultados tão baixos nas europeias porque considerava “Paulo Rangel, de todos os cabeças-de-lista que se apresentaram nestas eleições, o mais bem preparado para desempenhar o lugar”.

Pinto Luz disse ainda que o PSD “não tem sido capaz de dizer bem alto e tornar clara a desgovernação deste Governo socialista.”, e acrescenta que “Tem sido, de facto, um desgoverno para este país”.

Parece-me que Pinto Luz está a passar um atestado de incompetência aos portugueses eleitores e, ao mesmo tempo, a passar-lhes um atestado de estupidez porque, a deduzir da afirmação, os portugueses não estão a ver a desgovernação. Tenha lá paciência Pinto Luz ainda está na fase de candidato potencial e já está a atacar e a ofender quem não vota em si ou no PSD?  

Paulo Rangel foi o grande erro de Rui Rio que, talvez iludido por ele, ao escolhê-lo para cabeça de lista fez uma aposta falhada porque, como alguém escreveu num artigo de opinião que subscrevo na íntegra: “escolheu um profissional da baixa política que fez uma campanha inane, sem qualquer ideia e a cuspir ódio sempre que abriu a boca. O próprio Rio assumiu a calúnia como arma eleitoral, destruindo de vez a sua credibilidade. Fez tudo exatamente ao contrário do que devia ter feito, perdeu uma ocasião histórica para deixar o seu nome na História”, que pode ler aqui.

 

Por favor não digam que é caça à multa

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No editorial de hoje do Jornal i, o diretor executivo adjunto, José Cabrita Saraiva escreve a propósito do acidente mortal do antigo jogador do Benfica e do Atlético de Madrid ao volante do seu veículo desportivo e a outros que tiveram acidentes a alta velocidade.

Termina o seu editorial com um argumento que subscrevo na integra: “Quem anda na estrada a velocidades moderadas vê com frequência situações deste género, acidentes à espera de acontecer, automóveis que seguem claramente à margem da lei, a velocidades, por exemplo, na ordem dos 150/160 km/h em zonas onde o limite é de 80. Não faria sentido as autoridades, em vez de fazerem operações stop para cobrarem dívidas ao fisco e outras coisas do género, andarem mais na rua para apanharem estes homicidas em potência? É que só não os vê quem não quer”.

É que, segundo Cabrita Saraiva, o excesso de velocidade é um problema quase generalizado e de proporções preocupantes. Diariamente são noticiados acidentes de violência extrema sendo um deles o mais impressionante o de um jovem, segundo o Correio da Manhã TV, aluno da Universidade da Beira Interior que morreu na passada quinta-feira, pelas 19h00, em consequência da colisão frontal do carro em que seguia com um camião de transporte de maquinaria pesada. O acidente ocorreu na EN18, à entrada da Covilhã em que, na sequência de um choque frontal, o seu BMW ficou literalmente partido em dois.

Escreve ainda Saraiva que “há dias fiquei arrepiado quando, numa estradinha fora de Lisboa, um carro “kitado” passou por mim em sentido contrário a uma velocidade em que qualquer deslize seria fatal... para ele e para quem tivesse a infelicidade de estar no seu caminho.”.