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ZOOM SOCIAL - Cultura, sociedade e política

Apontamentos, comentários e OPINIÕES sobre política, economia, educação, sociedade e cultura. Confronto de afirmações, reflexões e contradições sobre o modelo social que temos.

ZOOM SOCIAL - Cultura, sociedade e política

Apontamentos, comentários e OPINIÕES sobre política, economia, educação, sociedade e cultura. Confronto de afirmações, reflexões e contradições sobre o modelo social que temos.

E, no entanto, ela move-se

Galileu na inquisição.png

Refiro-me à direita com a paráfrase de Galileu Galilei, matemático, físico e filósofo italiano, que terá murmurado a frase "eppur si muove" - "e, no entanto, ela move-se" depois de ter sido obrigado a renegar em 1633, diante da Inquisição, a sua crença de que a Terra se movia em torno do Sol. No momento do seu julgamento, a visão dominante entre os teólogos, filósofos e cientistas era de que a Terra seria estacionária, e era o centro do universo. Adversários de Galileu acusaram-no de heresia, crime punível com a morte pelo tribunal da Inquisição. 

A Inquisição já não existe da mesma forma, modificou-se, transformou-se, adaptou-se, “democratizou-se”.  A fogueira foi substituída por órgãos de comunicação social especialistas em atear a fogueira na praça pública que outros também ajudam. Esta nova inquisição investiga, julga sem julgamento e ao mesmo tempo condena nos novos pelourinhos que são as primeiras páginas e as redes sociais.

Estas novas inquisições que condenam sem culpa formada são aplaudidas por uma direita que lhes viu o poder fugir da mão e o quer de novo agarrar utilizando as ferramentas que ela tão sabe manipular. A direita, sem nada na mão para fazer oposição ao Governo, faz coro com essa comunicação social utilizando o populismo e, por portas travessas, entra hipocritamente no desvario “justiceiro”. Este coro de justicialista da direita esgueirou-se pelas portas entreabertas da PGR de Joana Marques Vidal que, neste momento do seu mandato, quer mostrar a eficiência do seu trabalho dedicado, e é imperioso apresentar trabalho feito para português ver, fazendo ao mesmo tempo jus a uma eventual agenda política da direita há muito premeditada. O estranho é que, apenas agora, tenham aparecido em catadupa “tantas e tão boas” operações investigatórias e publicamente inquisitoriais para o deleite dum público que fica efervescente à espera de sangue na arena dos órgãos de comunicação social.

Para além de apenas informar uma comunicação social séria e isenta deve escrutinar os poderes, sem pactuar com interesses outros, que não apenas as suas políticas e princípios editoriais salvo risco de passarem a ser órgãos oficiosos e seguidores dos interesses de partidos, quaisquer que sejam, dando aqui e ali umas pinceladas de isenção.

Jornais e canis de televisão lançam para a opinião pública casos, alguns em segredo de justiça, provenientes de “fontes” eventualmente pagas pelas informações que abastecem ávidos jornais, alguns autointitulando-se como sendo de referência.

Toda esta catadupa de casos judiciais surge, por coincidência, claro está, depois do não assunto que é de momento a continuação, ou não, do mandato da Procuradora Geral da República. Claro que, todos nós, portugueses, queremos e ansiamos que se investiguem e apurem factos de corrupção, quando exista, e que a justiça seja aplicada com celeridade.

Todavia, toda esta ânsia de investigações e buscas aqui e ali que vão desde bilhetes para jogos de futebol, desvios de milhões em universidade privada, dirigentes de clubes desportivos misturados com juízes desembargadores e de permeio, neste último caso Sócrates metido através de imagens inseridas à pressão nos jornais informativos de canais de televisão em assuntos que nada têm a ver com o caso que noticiam. A impressão que transmitem é que a justiça se move, que não está estática como o planeta Terra, tal como a inquisição queria fazer crer no tempo de Galileu.

No entanto, ela move-se, ela a direita, que, sem nada para fazer oposição, recorre à costumeira estratégia da possibilidade de se aproveitar de “infiltrados” nas várias instituições do Estado, estão sempre a postos com a finalidade de atacar figuras públicas que lhe estão a travar, pela sua competência, a oposição ao Governo, recorrendo assim, a estratégias pidescas para denegrir, através de suspeições e de enxovalhos algumas figuras fazendo-nos acreditar que é a justiça funcionar. São os descendentes duma direita politica salazaristas mimetizados de democratas que utilizam os conhecidos métodos de investigação pidesco de informação e contrainformação.

Sim, a direita move-se na procura de casos que lhe possam politicamente interessar para trazer para a praça pública. Por outro lado, coloca na prateleira outros, por vezes até à prescrição, ou, fazendo cair no esquecimento, os que pertencem aos da sua laia. Para fingir fazem vir ao de cima num noticiário um ou outro processo em curso para logo depois, e novamente, desaparecer dos ecrãs dando dar lugar a outros processos que mais lhe interessem.

De modo geral a comunicação social evita, desvaloriza e dá pouca relevância aos casos de justiça que envolvem elementos da direita. Surgem e desparecem de seguida para caírem no esquecimento da opinião pública. A direita quer aparecer aos olhos da opinião pública como imaculada e virtuosa.

 Sim, os processos judiciários e a direita movem-se em conluio com alguns órgãos da comunicação social quando neles não se encontra envolvida, isto já é um facto. Há um caso recente que é evidente: às 8H30M uns ditos jornalistas da revista Sábado já se encontravam no local quando as autoridades chegaram ao apartamento habitado por Rui Rangel. Querem mais explicações?

São vários os casos de justiça que têm falhado, quiçá por omissão (ou será por esquecimento?), quando os que pertencem ao “grupo” da direita estão em causa fazendo-os esquecer pela passagem do tempo. Vejamos alguns casos:

. Esforços porfiados e coroados de êxito na caça aos corruptos e corruptores dos submarinos.

. Fundos da UE para a Tecnoforma.

. Abate ilegal de sobreiros. (Arguidos absolvidos das acusações de tráfico de influências, de abuso de poder e de falsificação.). (2012).

. Depósitos em dinheiro vivo em contas do CDS-PP. (2012)

. Transporte em dinheiro vivo na mala do sr. Preto do PSD que justificou o dinheiro vivo que recebeu como honorários pagos por serviços prestados como advogado (2016).

. Crédito mal-parado do BANIF, BES E CGD

. Negociatas com ações da SLN. Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) arquivou o processo relativo à compra dos terrenos da Herdade de Rio Frio, financiada pelo BPN em 2004, um caso extraído do processo principal. Em causa estavam acusações de burla e de branqueamento de capitais.

. Quinta da Coelha, e da prisão dos respetivos implicados (2011)

Que dizer de tudo isto quando depois de resolvidos os intricáveis casos dos e-mails e vouchers do Benfica, depois de esclarecidas todas as nebulosas circunstâncias de muitas nacionalizações e da atribuição de volumosos fundos do Estado, que redundam em falências fraudulentas, e depois de expurgado, o corpo de magistrados das toupeiras que conluiadas com “galdérias” jornalistas se vendeu nas últimas décadas, por preço baixo, o segredo de Justiça?

A justiça Portuguesa, “justiceira”, avança agora com o misterioso caso que nem a Fox Crime ainda conseguiu apresentar em temporadas e episódios arrojando-se num dos “mais enigmáticos casos judiciais que algum dia alguém poderia prever. Numa nova e trepidante tarefa esclarecerá os tugas ansiosos sobre a forma sub-reptícia e tendenciosa como o Benfica ofereceu dois bilhetes, dois, ainda se fosse só um, ao foragido no Eurogrupo ministro Centeno”. Sabe-se agora porque é que ele, uma espécie de Puidgmont do Carnide se albergou no Eurogrupo para fugir á espada infalível dos pretores portugueses”.

(Parágrafos da autoria de Sousa Castro que subscrevo).

Surge agora mais um caso José Magalhães, este de 2012, podemos questionar o porquê de só agora virem tantos casos a público. Será uma operação concertada com a comunicação social? Temos direito a uma resposta.

A direita, a partir dos esconderijos onde se alberga nas instituições públicas, move-se por entrepostas vias utilizando a intriga, a maledicência, o enxovalho de pessoas em conluio com alguma comunicação social funcionando numa atitude pidesca e inquisitorial abusando da liberdade que a democracia lhes confere.

À direita falta agora desenterra casos e casinhos de pessoas já falecidas donde a direita possa tirar dividendo políticos, desde que são seja com ela, claro.

 P.S.: Será que somos um país de corruptos e que só agora descobrimos?

1) A questão não é não se fazer justiça é o motivo de apenas agora surgir tudo ao mesmo tempo. Processo em que há suspeitas de vendas de decisões judiciais e que conta já com cinco detidos e mais seis arguidos. Os vários casos em que participou Luís Filipe Vieira nos 14 anos que já leva de Benfica. Outro, é o processo que ocupa o dia é o julgamento de dois secretários de estado de José Sócrates que estão acusados do crime de peculato num caso de uso indevido de cartões de crédito com os envolvidos José Magalhães e Conde Rodrigues, este de 2012. A investigação à Universidade Fernando Pessoa, em que o reitor Salvato Trigo nega a prática de qualquer crime.

2) Para além dos casos de justiça e à margem dela, tem surgido numerosos outro casos como os incêndios, legionelas a proliferar em hospitais, dantes insuspeitos, poluição no rio Tejo, etc.. Sem pretender insinuar qualquer relação destes com a política não posso deixar de me recordar dos atentados que causaram a morte de vidas humanas que a direita perpetrou contra a esquerda.

No tempo recente de governo da direita pouco vinha à superfície vindo do poço da comunicação.  

Conservação do emprego e manutenção do trabalho

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O desemprego, independentemente da sua causa, para além de ser um flagelo social e económico é ainda um tormento para famílias e trabalhadores isolados que sofrem e sofreram da sua perda. Vivemos num sistema de economia de mercado onde as empresas sobrevivem apenas se tiverem resultados positivos. Quando estes resultados não se verificam há que garantir a viabilidade das empresas e então começa aquilo a que habitualmente se designa por reestruturação.

No mundo globalizado em que vivemos existe a necessidade de as empresas estarem atentas às mudanças políticas, económicas e sociais que ocorrem num país poderão vir a interferir com o desempenho e desenvolvimento empresarial.

A estratégia da reestruturação duma empresa é utilizada entre outras quando da aquisição ou fusão de outra empresa; quando existe a necessidade de mudança no segmento de negócio da empresa com um reposicionamento no mercado como reforço sua posição; quando a empresa está a atravessar dificuldades financeiras, quebra nos negócios, dívidas com bancos etc.

No entanto, para algumas empresas, a reestruturação não é mais do que um eufemismo para justificarem a dispensa de pessoal sendo os trabalhadores a pagar a crise empresarial que, não tendo causas macroeconómicas nem sociais, não poucas vezes, é resultado da má gestão dos empresários ou dos seus mandantes.

As empresas procuram um ajuste ou uma mudança para continuar a sobreviver, poder aumentar o lucro e produzir maiores resultados para seus acionistas ou donos. É esse um dos objetivos em regime de economia de mercado. N maior parte dos casos a dita reestruturação tem como alvo em primeiro lugar os recursos humanos com vista à demissão de funcionários ou de outras medidas lesivas dos seus interesses. A reestruturação pode também ser feita simulando ou provocando uma situação de falência, ou através da venda da empresa com a consequente redução de substituir e ou reduzir trabalhadores.

Numa economia liberal e de livre concorrência um governo, sendo a instância máxima de administração executiva, geralmente reconhecida tendo a liderança de um Estado, que não adote doutrinas ou ideias coletivistas, deve ser apenas um regulador, não devendo, não podendo intervir nem intrometer-se nas políticas empresariais. Sobre este tipo de intervenção tem-se o exemplo real do tempo do governo de Vasco Gonçalves, que governou o país entre julho de 1974 e setembro de 1975, e que adotou políticas intervencionistas indiscriminadamente em empresas em dificuldades, ainda que fossem pequenas empresas. O objetivo era, nessa altura, a coletivização da economia. Os sindicatos sob a área de influência do PCP ajudaram trabalhadores a destruir, sem o saberem, as empresas onde trabalhavam, sei do que estou a falar.

Muitos dos sindicatos na esfera da CGTP dizendo-se contra o “patronato” envolvem os trabalhadores através da manipulação verbal fazendo tentativas, a maior parte das vezes falhadas, para retroceder o processo e ao mesmo tempo ter visibilidade da comunicação social para mostrar que defende os trabalhadores. Claro que, face aos acontecimentos a presença de um sindicato, ainda que nada adiante, é sempre uma esperança para quem está em vias de perder o seu sustento.

Veja-se o caso da Triumph cujo processo culminou no despedimento coletivo e, mesmo assim, puseram os trabalhadores ao fim de 20 dias de “luta” a soltar gritos de vitória apenas e porque lhe foi passado pela administração da insolvência o documento para o fundo do desemprego.

O caso da Autoeuropa é ainda mais complexo porque em vez de negociações inteligentes que promovam a manutenção dos postos de trabalho, há oportunistas que querem o sol e a lua o que poderá, a prazo, vir a ser prejudicial aos próprios trabalhadores.

João Vieira Pereira numa opinião publicada no semanário Expresso vê assim o problema:

“… há uma parte da sociedade, nomeadamente a ligada a   partidos políticos ou outros lobbies que, de forma conservadora, insistem em ver o mundo do trabalho como foi retratado por Joel e   Ethan Coen no fantástico filme Hudsucker — (o grande salto). As novas   empresas já não são comandadas por um grupo de velhos gordos que   exploram ao máximo os trabalhadores contra um salário mínimo em   troca de tarefas repetidas à exaustão sem nexo aparente. As empresas   evoluem cada vez mais ao sabor dos clientes e não dos acionistas. Isso   obriga à alteração de horários e à adaptação do colaborador e da   empresa.   Se quem trabalha na Autoeuropa não percebe isto então pode dizer   adeus ao seu emprego. Chegará o dia em que a empresa procurará quem   perceba. Não porque querem maximizar o lucro, mas porque disso   depende a sua sobrevivência. E claro que tudo isto tem custos sociais e   cabe às empresas os corrigir, seja através de condições financeiras ou   outros similares.”.    

Mais uma vez, cá para mim, podem chamar-me o que quiserem.

 

Dois pontos: o cartaz do PSD e Sousa Tavares com o seu espetáculo interior

Cartaz do PSD e de Sousa Tavares.png

1. Após as eleições internas do PSD as táticas começaram já a delinear-se tendo em vista as próximas legislativas em finais de 2019 iniciando a pintura de “cartazes” jornalísticos. No PSD começam a medir-se as correlações de forças das duas tendências antagónicas que existem embora queiram passar para a opinião pública que tudo está pacífico. Não está, o que revelam as afirmações de influentes da corrente neoliberal de Passos Coelho que começam a vir a lume, mas que em nada irá servir o partido, antes pelo contrário.

Sousa Tavares, no semanário Expresso no seu artigo de opinião semanal, vai mais longe ao escrever que “Prisioneiro daquilo a que chamam o respeito devido ao "sacrifício" de Passos Coelho, o PSD tem vivido amarrado à nostalgia de um passado recente, de que o partido se louva, mas de que o país não tem quaisquer saudades. Ao ponto de passar a mensagem de que, perante um governo cujo desempenho económico (que é aquilo em que as pessoas votam) tem superado as melhores expectativas, apenas tem para oferecer como alternativa o regresso aos tempos da austeridade, do desemprego, das falências, das emigrações.”

No CDS, através do mais ou menos folclore palavroso de Cristas, tenta recolher alguns dividendos da crise no PSD para subir nas sondagens aproveitando o descontentamento do eleitorado mais à direita do PSD, fiel às políticas de Passos Coelho. Apesar do esforço, nas sondagens mais recentes, o CDS fica abaixo do PCP segundo a Aximage. Em 9 de janeiro de 2018 eram as seguintes as intenções de voto: PS 41,3%; PSD 26,9%; CDS 6,4%; CDU 7,0%; BE 9,5%,

À Esquerda o BE e o PCP querem demarcar-se do PS, na tentativa numa espécie de autodefesa tendo em vista as próximas eleições, fazendo acreditar às pessoas que não votem pelo passado, mas pelo futuro que não votem para compreender e agradecer o que perderam, mas o que recuperaram. E, nesse sentido, o PSD não se tem afirmado como oposição. Afinal, o que tem o PSD para oferecer, não apenas ao país, mas às pessoas (no passado dizia que país estava melhor)?  

Para terminar no mesmo artigo Sousa Tavares continua a mostrar os seus ódios de estimação para com os funcionários públicos e pensionistas quando diz que o Estado deve canalizar para aí o grosso dos recursos financeiros disponíveis do Estado para a economia, “em lugar de os alocar à satisfação dos interesses particulares dos seus votantes funcionários públicos, pensionistas, etc.”. Tem razão no que se refere às causas crónicas dos nossos problemas estruturais, mas perde-a ao canalizar os problemas apenas para aqueles estratos sociais. Como se os votantes funcionários públicos e pensionistas votassem todos em massa no partido no Governo.

2. Neste último contexto aproveito para fazer uma observação à postura jornalística de Sousa Tavares. Sousa Tavares sofre de uma síndrome que é o de assistir a um espetáculo de multimédia onde o seu EU (capacidade de olhar-se a si próprio) é o espetador que assiste ao espetáculo interior da sua subjetividade. Recordo-me que, em várias intervenções no passado, tomou posições onde o seu EU está presente num egoísmo subjacente. Aponto apenas três casos: quando saíram leis sobre a proibição de fumar em estabelecimentos fechados, insurgiu-se porque ele queria fumar quando e onde lhe apetecesse, (os outros não interessavam, mas apenas ele); quando se insurgiu contra os restaurantes onde deixam entrar crianças que causam ruídos, para ele incomodativos, não o deixando contemplar o seu prazer gastronómico do paladar; é agora sobre a possível limitação da velocidade a 30 Km/h nas cidades e, daí, fazer apelo a uma manifestação dos automobilistas para engarrafamentos do trânsito caso essa medida tenha seguimento. Não lhe interessa os acidentes nas cidades, os excessos de velocidade, a passagem dos semáforos vermelhos nem os atropelamentos nas passadeiras de peões devido a excessos de velocidade. Não, nada disso lhe interessa porque o espetáculo interior do EU está em permanência no cartaz.

O preto

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A grande atriz Ivone Silva numa das séries de humor que passou nos anos oitenta na televisão onde protagonizava a rábula Olívia Patroa e Olívia Costureira dizia "Com um simples vestido preto eu nunca me comprometo!"

O tema do assédio sexual, sem que tal conceito seja devidamente esclarecido, quer na sua veemência, quer nas circunstâncias, tem estado na ordem do dia da comunicação social. O assédio sexual, é uma violência sobre as mulheres seja a que classe social pertençam. Sobre este ponto de vista sobrescrevo as palavras de João Miguel Tavares no jornal Público apesar de, politicamente, termos pontos de vista opostos:

“A importância do movimento #MeToo é indiscutível, e desta vez não estamos a falar de picuinhices identitárias, nem dos insuportáveis trigger warnings que ameaçam a liberdade de expressão em todo o lado. O assédio sexual é um problema gravíssimo e transversal às várias classes sociais. É impressionante como nós ouvimos as maiores estrelas de Hollywood contarem histórias de assédio que poderiam ser relatos de agressões sexuais sofridas por uma qualquer trabalhadora a ganhar o salário mínimo numa fábrica do Vale do Ave. Denunciar o assédio sexual é urgente, é necessário e é absolutamente justo.

Tal como é necessário e justo criticar aquilo que se quer fazer passar por assédio sexual quando, de facto, não o é”.

O vexame a que uma mulher é sujeita para poder arranjar trabalho passa todas as marcas e não apenas a da decência. Desde que veio para a opinião pública a primeira denúncia de uma vítima de assédio sexual proliferam na comunicação social denúncias, em Portugal inclusive. Ainda hoje o jornal Público traz hoje mais uma notícia sobre um deste casos.

Como protesto, na entrega dos Óscares em Hollywood, as estrelas decidiram vestir-se de preto. Portugal nestas coisas faz questão de imitar seja a propósito ou a despropósito, e se não há motivo para a imitação inventa-se um. Pega-se, por exemplo no caso da rede de adoções ilegais de crianças da IURD em Portugal que a TVI denominou por «O Segredo dos Deuses» que revela uma rede de adoções ilegais de crianças da IURD em Portugal para imitar a “moda” do preto.

Se igrejas como a IURD que exploram a crença de cidadãos indefesos através de burlas fazendo-lhes autênticas lavagens cerebrais, e se servem da sua organização para proceder a outras ilegalidades, tanto pior e há que denunciar.

Outra coisa é a partir daqui umas “senhoritas” que à moda de Hollywood resolvem vestir-se de preto e criam um movimento e fazem uma campanha publicitada pela TVI destinado a emocionar a opinião pública exigindo comissões independentes para investigar as ditas adoções ilegais e exigir que o Governo intervenha sem que ainda se tenham quaisquer provas provenientes das investigações judiciais leva-me a desconfiar da seriedade da coisa e do que verdadeiramente estará por detrás deste pretenso movimento.

Resta a inspiração imitadora pelo dito movimento que também se veste de preto. O vestuário preto ficou agora mais na ordem do dia desde a última edição da entrega dos Óscares em Hollywood para quem quiser fazer movimentos do que é preto.

Rui Rio líder do PSD: até quando?

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A liderança do PSD ficou entregue a Rui Rio após as eleições diretas do passado dia 13. Nas televisões comentadores diziam que Rio ganhou por uma maioria folgada. Considero que uma diferença com Santana Lopes de 8,7% nas circunstâncias em que o PSD se encontra não chega para dar volta ao partido. Repare-se que uma sondagem em dezembro dava a Rui Rio 70,5% e apenas 26,8% a Santana Lopes.

Dar a volta não é, como alguns dos apoiantes de Santana Lopes afirmaram durante a campanha, transformar o PSD num partido socialista, mas colocar o partido numa rota da social democracia, do centro ou do centro direita libertando-se do laço do neoliberalismo.

A renovação do PSD vai ser difícil de fazer mesmo com Rui Rio. As pressões internas, vindas de setores que ocupam lugares que Passo Coelho deixou como legado, para que o partido continue na mesma deriva ideológica, mesmo no contexto da atual conjuntura política e partidária, irão tentar sobreviver. Repare-se que alguns dos mais antigos do partido que apoiaram o PSD de Passos que apoiaram Santana Lopes querem manter os cargos e, por isso, irão resistir. Rui Rio foi claro na sua intervenção após a sua eleição ao dizer que “O PSD não foi fundado para ser um clube de amigos ou agremiação de interesses individuais”. Aliás um desses dos mais antigos apoiantes num debate sobre o resultado das eleições refugiou-se, mais uma vez, no passado e em elogios a Passo Coelho que dizia foi uma altura muito difícil que atravessou obrigado pela troika. Memória curta premeditada de Carlos Carreiras, atual Presidente da Câmara de Cascais, omitindo que Passos pretendeu fazer vingar medidas, e conseguiu, que foram muito para além da troika.

Não foi por acaso que Miguel Relvas, apoiante assumido de Santana Lopes, um dos braços direito de Passos Coelho e ex-membro do seu governo, afirmou durante a campanha que “Vamos ter um líder do PSD para dois anos, se ganhar as eleições continua, se não ganhar será posto em causa”. Deveria estar a referir-se a Rui Rio. Relvas já está a antecipar uma derrota do PSD visto que uma vitória vai ser muito difícil em 2019. Sonha, claro está, com a repetição de uma maioria absoluta para o partido.

O CDS-PP, pela voz de Cristas, qual espécie de fera à espera, já se perfila para futuras alianças direitistas, e vai dizendo que “está empenhada em "contribuir" para "uma alternativa séria ao governo das esquerdas unidas”. Quer voltar ás direitas unidas, claro que o poder sabe bem quando se ganha, mas é amargo quando se perde a maioria absoluta.

Disse Assunção Crista que "O CDS não está acantonado, o CDS está a crescer, o CDS está a dar mostras da sua vivacidade, queremos falar mais para todos os portugueses e a nossa estratégia é claríssima, é isso que queremos dizer aos portugueses". Pois é, numa sondagem em janeiro o CDS obtém, 6,2% das intenções de voto, muito abaixo do Bloco de Esquerda e próximo do PCP.

 

Fazer de cada pequeno episódio uma guerra total

Episódios jornalisticos.png

 Começo com uma frase do artigo de opinião de Teresa de Sousa no jornal Público. Diz a jornalista em determinado ponto do seu artigo: “deixámo-nos cair no debate público pendurado numa sucessão de palavras que, sabe-se lá por quê, todos repetimos e que vão mudando quase todos os dias. Passámos da Raríssimas, que não permitiu derrubar um ministro, ao pernil de porco, do pernil de porco ao financiamento dos partidos, do financiamento dos partidos para qualquer outra coisa que chegue amanhã de manhã. E já me esquecia da “reinvenção” do país que Marcelo nos recomendou como mote do ano que agora começa e que já toda a gente parece disposta a adoptar. Temos o dever de acompanhar a realidade, mas não precisamos de fazer de cada pequeno episódio uma guerra total, todos os dias.”.

Esta frase foi o mote para abordar as formas como a comunicação social, as redes sociais e os blogs, como este onde escrevo e que por aí proliferam utilizam a informação. A crítica que se pode fazer, e que é legítima, é dizer que os autores, mais ou menos espontâneos (eu incluído) escrevem sobre o que desconhecem. Isto é um facto. Mas, daí dizer que escrevemos sobre o que se desconhece ou pensa conhecer com uma atitude de estar no centro dos acontecimentos políticos sobre o qual se escreve já é falso.

No centro dos acontecimentos e dos meandros do conhecimento do facto político apenas se movem políticos e jornalistas. Estes furam aqui e ali para obterem informações, muitas das vezes recebendo-as de fontes “secretas”.  Os jornalistas que se encontram nos meandros da política ouvem, perguntam, entrevistam e utilizam tais fontes “secretas” que podem ser pessoas quer de direita, quer de esquerda, que têm funções em instituições e organismos públicos. Aquelas fontes divulgam ao seu jornal ou jornalista preferido, por vezes deturpando a informação, se acharem conveniente para os objetivos em vista, que passam por denegrir personalidades que exercem determinados cargos ou desempenham determinadas funções focadas como potenciais elementos a abater. Enfim fazendo julgamentos formulados em opiniões ou raciocínios baseados em hipóteses ou suposições não confirmadas e muitas vezes com sentido pejorativo, isto é, fazendo juízos apriorísticos.

Não tenho acesso a fontes “não identificadas, privilegiadas e próximas de”, nem consigo entrevistas, nem tenho conhecimentos e amigos nas redações de jornais nem nos canais de televisão, nem entrevisto pessoas, nem ando atrás de personalidades da política para as entrevistar para poder conhecer com profundidade os assuntos sobre os quais escrevo.

As minhas fontes são a imprensa escrita, os jornais televisivos, os artigos de opinião, os debates televisivos, os comentários, a literatura disponível sobre os temas sobre os quais escrevo. É a partir destas fontes, a que todos também podem ter acesso, que me abalanço a escrever sobre alguns assuntos emitindo apenas a minha opinião e a minha visão perspetivada sobre o que se diz, vê ou escreve. Quando me engano é porque as minhas fontes também se enganaram. Privilegio sobretudo a honestidade nas opiniões ou críticas que formulo apesar de algumas vezes contundentes. Quantas vezes comentadores profissionais da política, que supostamente estarão dentro dos assuntos, divulgam publicamente informações dando-as como certas, anunciando que tiveram origem em fontes fidedignas ou do seu meio de conhecimentos e contactos, mas que, posteriormente, não são confirmadas.

O que escrevo não são “fake news”, são interpretações pessoais de notícias e de opiniões que, como é óbvio, podem ser concordantes ou discordantes dos seus autores.  

.

Alguns dos profissionais da comunicação social, felizmente não todos, por vezes cumprem a sua função para agradar a quem lhes paga o ordenado, como uma espécie de “vozes do dono”, para manterem o emprego já que isto, para os lados do jornalismo, anda mal por todo o lado.

A maior parte da comunicação social, ao invés de dar as notícias faz manchetes preparadas para induzir à oposição política, por vezes até, hostil, a certos governos ou pessoas que exerçam funções públicas que não são seu agrado, político ou ideológico, diga-se. Essas manchetes como se sabe são suscetíveis de produzir respostas emotivas resultando em sentimentos emocionais provocados e desfavoráveis para quem as lê ou ouve, mas cujo desenvolvimento do conteúdo não acompanha a conotação do título.   

Vejamos este exemplo real que foi publicado ontem dia 10 do corrente.

O jornal Expresso escreve em manchete: “Mal-estar: Marcelo espera explicações de Costa sobre Marques Vidal”

O lead da notícia é o seguinte:

«Oficialmente, “o Presidente da República não comenta entrevistas da ministra da Justiça”, mas o mal-estar é indisfarçável.»

No desenvolvimento da notícia acrescenta-se que “Uma fonte próxima de Marcelo, não identificada, disse ao Expresso que este caso "é uma afronta ao Presidente" e que as declarações da ministra da Justiça e do primeiro-ministro “causaram mal-estar em Belém”. (Cá está nesta notícia uma das fontes próximas e não identificadas a que os jornalistas recorrem e que anteriormente referi).

O mesmo jornal Expresso, e no mesmo dia, a notícia refere que: “Para Marcelo Rebelo de Sousa, a questão que envolve a eventual não recondução de Joana Marques Vidal como Procuradora-Geral da República “não existe”, pelo menos “até ao momento em que tiver de exercer o meu poder constitucional”.

De acordo com a nota que ontem o Presidente fez publicar no site da Presidência é que “só se pronuncia sobre a nomeação de titulares de órgãos do Estado sob proposta do Governo, no momento da designação”.

Os jornalistas que redigem as notícias, digo notícias e não opiniões, afirmam, deduzem, especulam sobre as mesmas levantando dúvidas e suspeitas. Colocam partes de frases, tiram ilações e até, por vezes, fazem juízos de intenção e de valor quando redigem algumas notícias. Quais serão os objetivos?

O grande apostador

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 Na convenção promovida por Santana Lopes no sábado passado coloca-se a Pedro Passos Coelho e diz ao partido que esteve sempre lá.  Passos Coelho, diz Santana, “não pôde fazer mais e fez um trabalho absolutamente excecional”.

A razão desta colagem, na minha opinião, faz parte da sua estratégia na campanha eleitoral à liderança do PSD. E porquê? Poderá perguntar-se. Primeiro, porque Passos Coelho ganhou as eleições em 2011 embora com maioria relativa pelo qual teve de se coligar com o CDS. Segundo, porque Passos Coelho também ganhou as eleições em 2015, perdendo votos, ficando com o CDS com minoria parlamentar face à esquerda. Assim, Santana Lopes acha que os “fãs” de Passos Coelho o verão, a ele, Santana Lopes, como um futuro e potencial vencedor nas próximas eleições legislativas. A estratégia de colagem a Passos Coelho por Santana pode ser a de vir a conseguir captar a direita mais conservadora que se afastou para o CDS, contudo, esta pode ser espada de dois gumes virando-se contra ele porque alguns consideraram que Passos e as suas políticas já não teriam futuro.

Após o frente a frente entre Rui Rio e Santana Lopes, um dos comentadores que analisou o debate, José Manuel Fernandes, afirmou, em determinada altura, que as orientações ideológicas do partido para as eleições não interessam nada porque as pessoas iriam votar em pessoas e não em ideologias. É, também neste ponto, que Santana se apresenta pensando que, quem irá votar, é uma espécie carneirada destituída de qualquer ideologia e que irá votar apenas pelo “look” do candidato. É nisto que Santana aposta. Aliás, parece que apostas são com ele porque aprendeu enquanto esteve à frente da Santa Casa da Misericórdia que, segundo parece, até desempenhou bem a função, exceto no caso da intervenção no capital do Montepio e foi ainda um dos motores para a abertura do Casino de Lisboa.

Para bom entendedor meia palavra basta. Se Santana Lopes ganha o PSD teremos um novo Passos Coelho, mas para pior, se, por mero acaso, vier a ganhar as próximas legislativas. E os neoliberais do PSD estarão nessa. Se, pelo contrário perder as eleições, o PSD bem pode pedir uma reforma de fundo.

A palavrosa arte circense santanista e o equilibrista

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O frente a frente entre Rui Rio e Santana Lopes na passada quinta feira foi duma confrangedora exibição e pobreza. Ambos estiveram mal e o jornalista moderador pelas questões colocadas contribuiu para o desinteresse também não esteve melhor. As questões que colocou interessavam-lhe. Terá sabido previamente como Santana iria atacar? De qualquer forma o papel dum jornalista nestas situações é sempre ingrata, mas, neste caso, Vítor Gonçalves também não esteve bem.

Santana refugiou-se em assuntos do passado para atacar Rui Rio com temas que apenas revelaram a sua fraqueza, fragilidade, contribuindo para a falta de nível do debate e o desinteresse pelo esclarecimento do futuro do partido e do país caso venha a ganhar as eleições. Baseou-se apenas em críticas ao seu adversário concorrente.

Santana Lopes, ao referir e criticar Rui Rio por ter aceite um convite para participar num evento na Associação 25 de abril, conotou esta como se fosse uma associação de malfeitores.

Santana faz lembrar os que fazem política e comentário à mesa de cafés ou à frente de imperiais em cervejarias.  Faz lembrar os propagandistas das televendas que fazem tudo para vender o produto com publicidade enganosa. Estes ao menos centram-se apenas no seu produto e não falam da concorrência.

A prestação de Santana Lopes, enquanto candidato a líder de um dos maiores partidos portugueses, fez política baixa mostrando que não tem qualquer projeto definido. Todavia, pelos comentários de alguns jornalistas parece-me que a direita neoliberal dentro do PSD está do seu lado e tenta ver Santana Lopes como o herdeiro do pensamento de Passos Coelho e da sua turba. Cola-se à direita passista talvez para captar votos que se desviaram desde as eleições autárquicas para o lado do CDS. É nisso que ele está a apostar já que parece claro que é um admirador do ainda atual líder do PSD e da sua política.

Santana é um fiasco político e quer vir a ser primeiro-ministro para continuar a ser fiasco como já mostrou ser no passado. Gerir um país não é o mesmo que gerir uma instituição privada ou pública e já tivemos oportunidade de o confirmar no passado. É senhor de uma conversa fiada, com palavreado por vezes doce, por vezes amargo, por vezes confuso e desarticulado, muito ao seu estilo pessoal. Santana Lopes fala muito, mas concretiza pouco. Santana gosta de espetáculo, gosta que o admirem, gosta que o adulem, disponibiliza-se e está sempre disponível para falar sobre tudo e sobre nada frente às câmaras da televisão e para elas fixa o seu olhar. É um narcisista nato.

Sabemos por anteriores afirmações que Santana Lopes diz hoje o que irá desdizer amanhã. Fala dos erros dos outros esquecendo os seus. Com Santana Lopes, como líder do PSD, e caso venha a ganhar as eleições em 2019, para o que diz estar preparado, vamos ter mais do mesmo à direita.

Pelo contrário, Rui Rio é objetivo, pragmático e diz o que pensa. É um homem do Norte, sem papas na língua, e, para o bem e para o mal podemos saber com o que contamos. Diz o politicamente correto e politicamente incorreto.

Não vai ser fácil para Rui Rio poder remodelar o partido visto que os neoliberais alimentados e protegidos por Passos Coelho estão bem assentes e não vão deixar que lhes tirem o tapete. Por outro lado, o país também não pode estar sossegado se Rui Rio vier a ser eleito e ganhar eleições em 2019. O PSD com Rui Rio não deixará de ser de direita, talvez seja mais moderada. Uma coisa é certa, Rui Rio tem propostas mais concretas que podem, ou não, ser concretizáveis, ao contrário de Santana Lopes que é um vazio confuso.

Parece-me que a direita, que domina em grande parte os media, parece ter uma preferência por Santana Lopes, talvez porque alinha pelo liberalismo do passado recente e talvez também porque lhes poder vir a dar material e palhaçada para temas a publicar.

O que eles desejariam para 2018

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Habitualmente a comunicação social avança com prognósticos de como os políticos vêm o novo ano. Como seria de esperar, quer a esquerda e a maioria que apoia o Governo, quer a direita têm visões diferentes para os seus prognósticos. Quanto aos primeiros não vale a pena falar porque são sempre positivos e os partidos mais à esquerda querem “prendas” para 2018 ainda maiores.

Dedico-me, portanto, aos pessimismos da direita que já vêm desde a célebre frase do “vem aí o diabo” quando o atual Governo tomou posse.

O jornal Público colocou algumas perguntas aos candidatos a líder do PSD e à centrista Assunção Cristas sobre como viam o ano que entrou em termos de oposição. Santana Lopes recusou responder, assim, apresento apenas as respostas mais representativas da direita PSD e CDS sobre como pensam vir a fazer oposição em 2018.

 

Santana Lopes ao formalizar ontem a sua candidatura à liderança do PSD, demonstrou falta de originalidade e colou-se à mensagem de Ano Novo do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa quando disse que “é preciso reinventar o futuro”. Santana, para além de se colar oportunisticamente ao discurso do Presidente, inscreve o termo no texto da sua moção.

Se podemos perceber, ou até imaginar, a mensagem que o Presidente Marcelo pretendeu o mesmo não se pode dizer com o que Santana pretendeu com o “reinventar o país” já que o conceito é aplicado de forma tão pouco clara, vaga e descontextualizada quanto a sua moção o é. Sabemos que “pretende honrar o passado e perspetivar o futuro”. Não sabemos a que passado se refere Santana Lopes, se ao passado longínquo do PSD ou ao passado mais recente. Frases vagas plenas de ambiguidades.

 

Rui Rio, candidato à liderança do PSD prevê para 2018 um maior desgaste do Governo, uma pressão maior dentro da coligação parlamentar com confrontos ao nível da Assembleia da República assim como ao nível do movimento sindical. E, como seria de esperar, para Rio haverá seguramente um PSD mais atuante depois “deste demasiado longo período de tempo dedicado à substituição da liderança”.

Quanto às prioridades para 2018 “ganhar as eleições internas no PSD. Se tal acontecer,

a construção de uma alternativa de governo à solução parlamentar atual”. Que base serão propostas nessa alternativa de governo é que ficamos sem saber. Será mais do mesmo do passado recente?

Para Assunção Cristas, presidente do CDS-PP, entusiasmadíssima com os 21% alcançados em Lisboa, diz que tem os pés bem assentes na terra e estar “otimista para a construção alternativa para os portugueses”, mas também ficamos sem saber qual é. Ao nível interno diz que 2017 foi um ano trágico e fala, mais uma vez, dos incêndios tragédia de que ela tão bem soube tirar partido. Diz ainda que o país (o deles, lá do CDS, digo eu), “deve estar particularmente atento ao que o Governo vai ou não fazer em matéria de prevenção e combate aos incêndios, nomeadamente se cumpre as promessas que fez”. Veremos quando o ordenamento do território e da floresta forem levados para a frente pelo Governo, se o forem, se o CDS estará na disposição de contribuir paral tal ou se atuará de forma reacionária e conservadora contra as medidas que forem tomadas.

E, para Assunção Cristas o país, (a vigilante do país deles, os do CDS, digo eu, mais uma vez) “deve estar particularmente vigilante em relação às tentações de uma governação eleitoralista, a par de um escrutínio grande da qualidade dos serviços públicos, cuja degradação é notória. Esqueceu-se, esta vigilante em nome do país, de dizer que a degradação dos serviços públicos foi devido ao contributo que o seu partido deu quando esteve no governo de coligação de direita PSD/CDS que originou tal degradação e que, depois da terra queimada, é difícil a reconstrução instantânea.

Vigilante relativamente às tentações eleitoralistas? Dr.ª Assunção lembramo-nos bem do seu eleitoralismo quando das eleições autárquicas em Lisboa.

Para Cristas as prioridades para 2018 à semelhança de Rio “é afirmar-se como uma alternativa sólida e credível ao Governo das esquerdas unidas, através de uma oposição firme e construtiva”. Mas vai mais longe, quer que o CDS seja a primeira escolha dos portugueses.  Com que projeto de governação é que também não sabemos. Ah! Já sei, o projeto é “Ouvir Portugal” como ela diz. Desejos há muito, é como os chapéus também há muitos.

Para terminar e numa antevisão do jornal Público O julgamento de José Sócrates poderá

começar ainda em meados de outubro de 2018 ou, na pior das hipóteses, em 2019, como anteciparam em outubro próximo passado vários juristas ligados ao processo Operação Marquês.  No final do pré-julgamento o juiz Carlos Alexandre decidirá se leva os arguidos todos a julgamento ou se arquiva o caso, se entender não haver indícios suficientes que possam conduzir à sua condenação pelos crimes que constam da acusação do Ministério Público.

Se assim for esta antecipação mostra que, mais uma vez, está-se a conjugar tudo para a proximidade das próximas eleições legislativas. Ou será mais uma vez uma invetiva da minha parte quando tenho escrito que, no que respeita ao caso Sócrates, há um calendário judicial alinhado com o calendário político?