Terça-feira, 25 de Julho de 2017

Dos ciganos à formação de milícias populares vai um passo

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Já escrevi várias vezes neste blog que a direita com os seus comentadores e colunistas de opinião que proliferam como cogumelos nas televisões e na imprensa, à falta de substância para fazer oposição, centram-se na infelicidade das catástrofes dos incêndios e em casinhos que vão descobrindo, aqui e ali, para fazer política de cariz partidário obsessivo, oportunista e reles.

Digo direita porque há só uma, igual, sem diferença no que toca a projeto político de governação. porque não o têm e nada têm para oferecer. A direita na sua atuação é una, construiu uma união partidária de interesses com diferenças que esmiuçada nada as distingue. Os seus interesses efetivos são os de captar uns votinhos e nada dizem à maioria dos portugueses. Apostou na destruição do país e não para de a forçar.

Manuel Ferreira Leite no seu comentário semanal na TVI24 já disse. mais do que uma vez. que fica contristada quando se referem ao seu PSD como sendo um partido de direita. Terá sido no passado um partido social democrata, mas já não o é, e não é de agora. Ela ainda vive no sonho de o seu partido não ser de direita, e posiciona-se como não sendo. Nem centro direita já é. A seta laranja, símbolo do partido, inclina-se perigosamente e cada vez mais para a direita se não houver dentro dele quem trave a escalada.

Não sou defensor dos ciganos, para mim são pessoas cuja atuação e cultura desagrada a muitos terão de certo razão para tal porque saem e ultrapassam das regras do sociável onde se inserem rejeitando alguns até a integração social.  Há razões para tal porque a comunidade cigana, não toda, oportunisticamente aproveita tudo o que o estado lhe possa garantir sem dar contrapartida, em alguns casos até trapaceando. Mas isso compete ao Governo detetar e pôr termo com os mecanismos legais que tiver ao seu dispor. Mas não é por isso não deixam de ser pessoas.

Passos Coelho veio a público fazer questão de considerar serem suficientes as explicações dadas pelo seu candidato, isto é, aceitou como boa a reprodução dos mesmos princípios discriminatório dos ciganos com que Ventura se foi enlameando atolando durante a semana, em diferentes tons e com variadas não pelo princípio, mas na forma.

Eis senão quando, André Ventura (que à falta de outro partido com suficiente visibilidade se filiou no PSD, e aqui está, Drª Ferreira Leite, como o partido se transforma) esse jovem debutante que o PSD lançou para a ribalta das autárquicas de Loures saiu-se com outra grande intervenção inspirada e eloquente que parece ter sido tirada das páginas discursivas de ditadores que dominam nos governos totalitários assume que  “se o Governo insistir em não dar à PSP os meios para Loures ser um concelho mais seguro” e não terá “outra hipótese que não criar um exército em Loures”. “A polícia municipal terá que ser um exército de proteção”. A leitura pode ser feita no sentido de “vamos criar milícias populares” e, porque não, uma legião lourense.  A conversa sobre “criar um exército em Loures” com a Polícia Municipal é de uma gravidade sem precedentes para qualquer candidato de um partido que defenda o estado de direito. O autor do despautério que dizem ser professor universitário e até parece que dá umas aulas de direito, sabe certamente disso (será que sabe?) deve estar já a preparar-se para dizer que as suas declarações devem ser só entendidas no sentido figurado ou qualquer outra “treta” do género.

Publicado por Manuel Rodrigues às 10:16
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Sexta-feira, 14 de Julho de 2017

O estado da desgraça da oposição de direita

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Estamos ainda no rescaldo do debate na Assembleia de República sobre o Estado da Nação. No que respeita ao Governo era o que se esperava, enunciado do que fez e do que pretende fazer com umas pinceladas aqui e ali com cores promocionais, o que é natural nas intervenções dos representantes de qualquer governo em democracia.

Se os discursos de Costa, Carlos César, Augusto Santos Silva e ministro da saúde Adalberto Campos Fernando estavam bem estruturados tendo em vista o pretendido, os da oposição de direita com Luís Montenegro do PPD/PSD, Passos Coelho e Assunção Cristas e Telmo Correia do CDS foram os do repete, repete não saindo qualquer novidade que os portugueses pretendessem ouvir a não ser a lamúria costumeira já deteriorada pelo passar do tempo agarrando-se como gato a bofe aos tristes, lamentáveis, mas inesperados acontecimentos do último mês.

Falam, tentando, como de costume, enganar-nos, conotando factos e com eles forjando mentiras fazendo-as passar por verdades. Tal como Telmo Correia transformou opiniões pessoais sobre o que vai vendo e ouvindo, e procura, sem o conseguir, em verdades. Assunção Cristas fez da sua intervenção numa espécie de chá canasta em que amigas falam das últimas sobre política.

“The revolution is not a tea party” é uma frase de Mao Tse Tung que escreveu num ensaio durante a Revolução Cultural Chines que associo à forma como Cristas faz política, como se fosse uma conversinha em encontros de chá canasta. As intervenções da direita mais uma vez nada de novo apresentaram a não ser a lamúria derrotista e costumeira de casos e casinhos. Assunção Cristas do CDS primou pela repetição do que vinha a dizer durante a semana pretendendo mostrar-se como a aguerrida representante duma direita minoritária agitada e barulhenta à qual António Costa soube responder à altura, desmontando com assertividade o seu discurso. Identicamente o fez Carlos César.

Elogio às medidas tomadas pelo Governo, mas ainda poucas, foram coloridos com alguma oposição por parte das intervenções de Jerónimo de Sousa e Cristina Martins   e de alguns outros deputados das bancadas PCP e BE. Era que se esperava.  

Na minha opinião um deslize, inconveniente na oportunidade foi o de António Costa ao pretender apanhar boleia do PCP e do BE sobre o caso dos despedimentos da PT, agora Altice, fazendo referência menos institucionais a uma empresa privada o que posso tomar por um deslize emotivo. Aqui acompanho Passos Coelho, apenas e só quando afirma que "uma perspetiva muito negativa da visão que um primeiro-ministro tem, numa economia social de mercado, do que é a função do Governo"

Finalmente, quem assistiu a todo o debate do Estado da Nação e viu os jornais televisivos foi confrontado com alinhamentos noticiosos do acontecimento através duma seleção que pendiam mais para a direita e menos relevância para as de António Costa. Escolha seletiva favorecedora das intervenções desastrosas da direita, o que foi evidente. Pretenderam assim relevar mais o discurso da direita do que as intervenções relevantes que desmontavam o que era dito. É assim que vai a nossa televisão. E, na TVI24, claro, o comentário do neoliberal, direitista e admirador de Passos Coelho, António Costa eis diretor do Diário Económico, e sem contraditório, mais uma vez.   

Publicado por Manuel Rodrigues às 19:15
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Sexta-feira, 10 de Março de 2017

O espelho da direita

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Parece-me que a direita continua desvairada pela perda do seu ente querido, o poder. A ela vai-se associando uma extrema-direita que aos poucos vai fazendo ouvir-se através de estratégias de propaganda política da falsidade e calúnias de modo a criar crispações artificiais para fazer constar que a esquerda que apoia o governo está a pôr em causa e a tentar limitar as liberdades pretendendo controlar isto e mais aquilo com a popularmente chamada conversa da treta!

Neste mesmo local já escrevi que durantes os anos conturbados do pós 25 de abril era comum controlar as reuniões gerais de alunos e assembleias dos sindicatos através de propostas de cariz radical apresentadas por grupos ocultos que se intitulavam de esquerda para as manipularem de modo a fazerem aprovar e votar propostas que eram de seguida utilizadas politicamente pela extrema-direita fazendo-as reverter para os seus desígnios.

Eu explico com um exemplo. Convoca-se uma reunião geral para debater um tema que se sabe à partida provoca controvérsia. De seguida, certos elementos convocam uma reunião geral de alunos para discutir a validade do tal evento. Alguns infiltrados da extrema-direita “mascarados de esquerda” fazem aprovar proposta de boicote ao evento que se irá realizar e, no final, é aprovada uma proposta radical contra o evento. De seguida a organização do evento vem a público divulgar que foi impedida a sua realização por radicai de esquerda que querem limitar a liberdade de expressão e de reunião e com o objetivo de criar instabilidade.  Teorias da conspiração? Olhe que não, olhe que não!... Nos meus tempos da universidade em assembleias gerais e em reuniões sindicais como independente de qualquer partido ou organização, assisti a isso mais do que uma vez.

É uma forma para se fazer constar para a opinião pública a ideia, falsa, de que as liberdades estão a ser postas em causa pela esquerda. Aliás, já tenho ouvido comentadores(as) políticos ainda de forma muito cautelosa lançar para o ar algumas insinuações.

Aproximam-se as eleições e nada está a correr bem para direita, assim, há que lançar mão a tudo, mesmo a baixa política, arte em que é eximia. É pena que não tenha nada na mão para nos apresentar de concreto. E não tem porque não consegue ou então teria defender o contrário do que defendeu no passado recente.

 

Para terminar uma nota à margem:

Ontem no programa da TVI24 “Prova da Nove” aquela sumidade que é Paulo Rangel e que, dentro do PSD, não sabemos onde se posiciona, se é na ala mais à direita, ou na ala à esquerda ou no centro. Quando falava sobre o banco de Portugal e sobre o evento que teria a presença de Jaime Nogueira Pinto, que foi adiado, fez-me lembrar aqueles palhaços que gesticulam muito, mostram expressões faciais de calma forçada e que olham fixamente para a câmara fazendo divertir as crianças.

Paulo Rangel é um ator da charada política, fala, agita-se, gesticula, deturpa, é um mestre do ilusionismo político. Tenta convencer os outros, e principalmente a ele próprio, que tudo quanto diz são verdades absolutas. Quando fraqueja nos argumentos utiliza a baixa demagogia que sabe pode ser eficaz para mentes menos conhecedoras do jogo onde se lançam as cartas. Enfim! Assim vai o PSD e a direita neste país!

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 23:07
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Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2017

Oposição errática e seus segredos

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Quem ontem, 26/01, viu e ouviu o programa “Prova dos nove” da Constança Cunha e Sá na TVI24 terá visto que Paulo Rangel comprovou mais uma vez que mistura, confunde, desordena quando faz intervenções. Constança faz os possíveis, como sempre, para manter a imparcialidade nas questões que coloca.

Rangel, face ao que se passou com o PSD e a TSU, sem argumentos válidos e sustentados sobre o que se passou e sobre a nova solução apresentada pelo Governo, enredou-se em raciocínios tortuosos, adulteradamente sofisticadas, fora da realidade e com argumentação dirigida a alguns fiéis e fãs da sua retórica. Acho até que já nem ele próprio se entende, tais são as contradições. Lamentável! Esta posição nada tem a ver com o ser-se mais de esquerda ou de direita, é uma questão de bom senso.

Paulo Rangel dá voltas e voltas para justificar e alterar a realidade histórica muito recente que o seu partido construiu, negando as evidências com argumentos cujas dialéticas chegam às raias do absurdo. Quando os argumentos dos seus opositores o contradizem e não lhe agradam interrompe criando propositadamente entropias na comunicação.

Por outro lado, Rangel diz que o que o PSD fez é oposição ao Governo. Lá nisso terá razão, mas é uma oposição sem lei nem regra gerada apenas por egoísmo partidário e revanchista. O PSD queria ser governo minoritário e como enfrentaria uma maioria parlamentar que, para todos os efeitos, lhe seria hostil? Foi isso que fez com a TSU, hostilizar o Governo.  

Álvaro Beleza do Bloco de Esquerda que ontem substituiu Fernando Rosas, apesar de estar à altura dos seus parceiros de debate está menos à vontade do que Fernando Rosas desta vez esteve ausente.

A estratégia adotada pelo líder do PSD da oposição pela oposição, do meu ponto de vista, tem os dias contados. Neste aspeto quem tem mostrado ter bom senso é o CDS tentando distanciar-se da oposição errática do PSD.

Publicado por Manuel Rodrigues às 15:46
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Sexta-feira, 13 de Maio de 2016

A plena liberdade de escolha é uma opção condicionada

Liberdade de escolha.png

 

Os contratos de associação é um filão político que a direita e sobretudo o PSD pretendem aproveitar para fazer oposição ao Governo. Como a maior parte dos colégios com quem o Estado tem contratos de associação e que se encontram em sobreposição com o público são pertença, no todo, ou em parte, da igreja católica. A direita PSD tenta assim explorar a religiosidade que grande parte da população abraça para creditar pontos partidários em seu favor.

Passos Coelho, durante o seu Governo, destinou quinze milhões de euros para aqueles colégios privados que retirou a setores tais como a assistência escolar e nos subsídios da educação especial com a justificação de haver abusos e com a “necessidade de fazer correções”. É bom que se recupere a memória e quem não esteve atento reveja a imprensa de então.

No nosso país a igreja católica tem ainda um poder quase medievo ao nível de influência nas populações, sobretudo no norte onde de esses colégios proliferam, e é ainda que bate o ponto. Não é por acaso que o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa apela a um consenso neste domínio e afasta ideias de que há uma potencial guerra religiosa e ideológica. E de facto não há. É uma questão política e é nela que o Governo tem que navegar. Mas não é aqui que a direita PSD quer levar o debate. Prefere fazer parecer uma questão religiosa. Isto é, um “combate” religioso-ideológico.

É por demais evidente que, quem mais se aproveita destes contratos de associação são as famílias de maior potencial financeiro. É também evidente que para uma família com capacidade financeira confortável pagar a um colégio privado centenas de euros mensais para lá ter os seus filhos ou educandos não será muito agradável.

Ontem no seu comentário semanal na TVI24 Manuela Ferreira Leite, sobre os contratos de associação confundiu tudo, baralhou-se, contradiz-se e no meio das questões que lhe iam sendo colocadas mostrou que era a favor da manutenção destes contratos, mas lá foi dizendo que são colégios elitistas ao ponto de selecionarem alunos pelo seu “nome”.

Claro que famílias de menos posses que têm os seus educandos nestas escolas, apesar de haver escolas públicas na mesma área, também estão contra a eliminação destes contratos é pois uma questão de estatuto e não de qualidade.

Vivemos numa economia liberal de competição entre empresas, os colégios privados são empresas que prestam um serviço que é a educação, logo terão que estar e competir com o mercado nesta área. Quem tem posses paga, quem não tem, será o Estado, a sociedade, todos nós, que devemos ser o garante da gratuitidade do ensino para toda a população em situação de escolaridade obrigatória, quer tenha ou não posses. Há, assim, plena liberdade de escolha na educação como em tudo. A sociedade que temos é esta, alguns terão pena que seja assim, mas é a que temos, e ainda bem.

Publicado por Manuel Rodrigues às 21:40
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Sexta-feira, 1 de Abril de 2016

36º Congresso do PSD: Social-democracia sempre - dirá ele.

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Inicia-se hoje o 36º Congresso do Partido Social-Democrata onde se cantará aos quatro ventos o retorno à social-democracia com o slogan “social-democracia sempre”, que deverá ser apregoado por Passos Coelho que mostrou durante quatro anos que o seu slogan preferido foi ser um liberal sempre. Ou será neoliberal? Vamos lá ver se percebi: durante estes quatro últimos anos não foi social-democrata? Eu respondo. Não. Não foi. Passos nunca mostrou sê-lo e terá as suas razões porque o PSD sempre pertenceu na União Europeia à família dos partidos de direita, o PPE (Partido Popular Europeu) onde também está incluído o CDS-PP que ultimamente parece ser mais social-democrata do que o seu coligado do ex-Governo. Assim sendo como hoje é o dia das mentiras hoje é o dia preferido pelo líder eleito.

O cabotinismo que foi a eleição de Passos Coelho para liderar o PSD, em que voram apenas 46% dos potenciais eleitores, está a prejudicar o partido.Neste espaço escrevi várias vezes que o PSD com Passos Coelho tinha abandonado a sua matriz social-democrata que eventualmente terá sido, mas não na sua essência mas que le radicalizou.

O atual líder do partido, depois de se ter mostrado um liberal convicto, estando do lado das direitas europeias com posições contrárias às do grupo PSE, família dos partidos socialistas e sociais-democratas europeus, afirma querer ser um social-democrata. Desfaçatez gritante! Se há um retorno é porque houve um afastamento ideológico do qual Passos Coelho não é o único responsável mas muitos outros que desejavam o poder o levaram para essa linha e que, agora, acham que soube a pouco.

Nos comentários semanais da TVI24 Manuela Ferreira Leite tem afirmado várias vezes que acha mal que digam que o seu partido é de direita quando não o é, porque sempre foi social-democrata. Bem, sobre isto já emiti a minha opinião anteriormente. Ela poderá ter razão relativa porque o principal causador do seu mau estar foi Passos Coelho. Pode ele arranjar os argumentos que entender da fama já ninguém o livra.    

As intervenções de Passos Coelho assim como as dos seus fiéis seguidores durante os seus quatro anos e meio de poder quase absoluto contribuíram para crispações sociais que já não se verificavam desde os anos logo após o 25 de abril. Apoucaram os portugueses, provocaram a degradação das condições de coesão social, incentivaram e agudizaram conflitos entre gerações, não é por acaso que um estudo efetuado pelo jornal Público mostra que um aumento considerável deste tipo de violência, provocaram conflitos entre trabalhadores de diferentes setores e funções, colocaram o Serviço Nacional de Saúde num estado caótico em que ainda hoje se encontra, fizeram com que o estado de direito constitucional, assim como o estado social, fossem desconsiderados.

Quando em fevereiro de 2016 Pedro Passos Coelho se recandidatou a líder do partido “surpreendeu a direção do PSD ao divulgar um vídeo no Facebook a anunciar o ‘slogan’ “Social-democracia, sempre” com o qual pretende descolar-se da imagem liberal. Escrevia na altura o Diário de Notícias: “Social-democracia sempre? Tem dias...”. Este diário acrescentava ainda: “Há mais de 40 anos que o PSD mantém uma relação conturbada com o ideário social-democrático. Passos Coelho quer reabilitá-lo”. É uma desfaçatez que um liberal cujo discurso mostrou sempre qual era a sua convicção queira, agora, fazer inversão de marcha. Será mais uma falsidade com a origem de marca como tantas outras.

O PSD sempre foi um partido de direita, embora tivesse momentos com algumas pinceladas do ideário social-democrata nas quais Passos Coelho lançou o diluente final, querendo agora reabilitar o partido mas, especialmente, reabilitar-se. Talvez já venha tarde.

Os que falam e comentam em prol do PSD de Passos Coelho, já em decomposição, tecem rosários de ladainhas monótonas rezados à pressa para comunicação social passar em horários nobres. São os filhos extra matrimónio do PSD que viram em Passos Coelho o seu legítimo pai que o congresso irá ligar à máquina do “look” da sobrevivência mas que cerebralmente já está em degradação. Nada de novo tem para nos mostrar senão o mesmo regresso ao passado recente, voltando depois a dar o dito por não dito como sempre nos foi habituando. Passos Coelho é um “cadáver” político adiado.

Não podemos esquecer-nos que ele quis restabelecer como única via, em parte conseguida com a ajuda do CDS-PP, a “sociedade providência”, termo que Boaventura Sousa Santos utilizou em tempo em alguns dos seus trabalhos, com uma articulação formal e de providência tipo mercantil, donde o Estado se retira mas contribui com uma quota-parte dos impostos pagos por todos. No fundo alguém rebe para ser providencial. É o que agora se passou a designar por economia social.

Publicado por Manuel Rodrigues às 11:40
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Segunda-feira, 11 de Agosto de 2014

Obsolescência e obsessão pelo passado

A obsolescência e a falta de honestidade política manifestam-se num grande número de políticos, mas agrava-se em alguns da direita, como é exemplo o senhor que foi eleito em última escolha para o Parlamento Europeu pela coligação. Refiro-me ao senhor deputado do CDS Nuno Melo. Nos debates televisivos em que participa são notórios os seus argumentos circulares que nada esclarecem e apenas servem para consumir tempo de antena. Quando algum elemento do PCP participa e os argumentos não lhe agradam, regressa ridiculamente ao passado e já uma vez chegou até à revolução soviética de 1915 para evitar discutir o presente. Recordam-se da trilogia de Robert Zemeckis, Regresso ao Futuro, em que o desenrolar da ação se passava numa dicotomia passado-futuro. Pois bem, Nuno Melo insiste no passado e, quando aborda o presente, traveste-o à sua medida.

Ainda hoje no noticiário da 9 da TVI24 foi passada uma peça onde era questionado sobre o BES e aproveita a oportunidade para estabelecer comparações com o BPN, interessa para lançar nevoeiro sobre o caso BES. Mas dizia ele que a solução adotada para o BPN pelo anterior governo onerou os contribuintes com a nacionalização e o injetar de dinheiro no banco e que o BES foi diferente devido à solução adotada pelo Banco de Portugal que não irá onerar os contribuintes. Coisa que ainda se irá ver, digo eu.

Não está em causa a defesa ou não das medidas tomadas, mas a falta à verdade dos factos por omissão.

O QUE O SENHOR MELO NÃO DIZ É QUE A ATUAL SOLUÇÃO NÃO FOI INVENÇÃO DO BANCO DE PORTUGAL NEM TÃO POUCO DO GOVERNO MAS SIM DEVIDO AO MECANISMO DE RESOLUÇÃO DO BCE PARA BANCOS EM FALÊNCIA OU FALIDOS QUE, APENAS ESTE ANO, ENTROU EM VIGOR. ASSIM, EM 2009, E RELATIVAMENTE AO BPN AQUELE MECANISMO NÃO EXISTIA PARA SER POSTO EM PRÁTICA.

Mentiras por omissão, para o senhor Melo, são como aquele que diz "chapéus há muitos" oh palerma!

Publicado por Manuel Rodrigues às 23:33
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Quinta-feira, 12 de Junho de 2014

A galinha cacarejante

 

Teresa Leal Coelho é a galinha cacarejante do PSD cuja verborreia é bem conhecida nos debates televisivos. Não lhe chamaria debates mas antes monólogos cansativos cuja densidade nem sequer deixa prender a atenção do telespectador.

O mais grave é que os jornalistas mediadores não conseguem conter a azáfama da galinha cacarejante. Esta coelha não fez mais do que, dando um entrevista ao Jornal Público vir defender o outro coelho sobre o que disse sobre a mesma matéria.

Tem vindo desta vez cacarejar tecendo autênticas animosidades contra o Tribunal Constitucional e colocando em cheque os próprios juízes ao afirmar que deveria ser escrutinado e que os juízes escolhidos não foram leais aos partidos que os escolheram. Mas, desde quando é que os juízes de um tribunal, como o constitucional, têm que ser fiéis política e ideologicamente aos partidos de um governo que os escolheu.

Um regresso ao passado do Estado Novo seria para esta senhora e para o seu partido o ideal. Que gente é esta que se tem formado na Universidade Lusíada para gerir Portugal. Falou-se muito na credibilidade da Universidade Lusófona por causa de Relvas, mas seria curioso investigar aquela outra…

A galinácea Teresa Coelho justificou-se na TVI24 refugiando-se numa linguagem técnica cuja maioria dos portugueses que a ouviram não entendeu. Baralhou tratado orçamental com a Constituição e chegando veladamente afirma que os tratados europeus se deveriam sobrepor à Constituição da República. Isto é como se dissesse que deveria meter-se a Constituição na gaveta.

Não se coloca aqui a questão de críticas que todos nós podemos ou não fazer ao TC, apoiando ou desaprovando as suas decisões mas a da gravidade das afirmações que ultrapassam qualquer crítica que se possa fazer. Admitir sanções jurídicas quando decidam contra matérias decididas pelos governos. Mais, defende esta coelha que "os juízes do TC estejam sob uma avaliação pública sobre o seu pensamento filosófico-político" (o sublinhado é meu). Então os juízes do TC devem ter opções ideológicas, pensamento filosófico e políticos em consonância com os governos? Este é o espírito que sai da leitura das suas afirmações. O que ela propõe são opções como as dos estados totalitários, sejam eles de base soviética ou fascista.

Publicado por Manuel Rodrigues às 23:47
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Sábado, 18 de Janeiro de 2014

Os “hooligans” da política

Em sentido lato “hooligan” significa um indivíduo ou grupo que tem um comportamento destrutivo e desregrado, por vezes até violento (a violência não é apenas física) e tem sido usual utilizá-lo quando se trata de futebol. Passa a não ser despropositado utilizá-lo também em contextos dos políticos.

O que se passou no final da semana com a questão do referendo sobre a coadoção é demostrativo do que acabo de afirmar. A deputada Isabel Moreira acusou a iniciativa por parte da JSD de “bulling” político eu iria mais longe e chamá-la-ia de hooliganismo político.

Paulo Rangel no programa de ontem da Prova dos Nove da TVI24 ao comentar a decisão do seu partido sobre a coadoção afirmou que não deveria ser a turba popular através de um referendo a decidir sobre matéria tão sensível. O termo utilizado por Rangel para designar o povo português, no meu entender, foi infeliz. O que me escandaliza não é a utilização do termo por Rangel num momento mais emocional da sua intervenção mas sim a asserção e a conceção que o partido dele tem do que representa o povo português, um magote de gente pela qual não se tem qualquer consideração a não ser quando são necessários os seus votos.

Os hooligans políticos da JSD, com a conivência do presidente do partido e do líder parlamentar do PSD começam a vir à tona revelando a sua verdadeira natureza de espécimes totalitários ao validarem uma prática pouco democrática de disciplina de voto para um referendo cuja oportunidade e legalidade dão mais do que discutíveis, não sendo mais do que uma cortina de fumo para ofuscar assuntos mais gravosos com que os portugueses se confrontam.

Sou muito cético quanto à lei da coadoção, uma posição quiçá conservadora, contudo, acho que já houve, e há, assuntos sobre questões nacionais importantes que deveriam ter sido referendados mas não o foram. Porquê agora esta encenação para referendar uma questão muito particular de direitos humanos de minorias que não são uma questão nacional relevante.

Pode haver uma razão para este hooliganismo por parte da JSD e do PSD, que os comentadores não têm abordado, que é a de poderem ficar nas boas graças da igreja católica pois tem havido uma campanha por parte do patriarcado de Lisboa a defender o referendo como uma boa solução. Mais uma vez a igreja a intrometer-se em que questões políticas.

O PSD cavalga esta onda, e como se tem visto as sondagens não lhe são nada favoráveis, é uma oportunidade para apoiar a igreja porque sempre pode ser uma ajuda.

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 18:05
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Sexta-feira, 29 de Novembro de 2013

Direita portuguesa, eis a questão

 

Luís Rosa no editorial do Jornal i de hoje faz incursões pela direita e pela esquerda partindo da Constituição diz, vejam só, ela pretender "abrir caminho para uma sociedade socialista". Temos visto que, ao longo dos quase 40 anos de democracia, a Constituição em nada tem obstado à iniciativa privada, ao enriquecimento ilícito e lícito de alguns, ao crescimento de muitas empresas privadas portuguesas e estrangeiras[i].  

Continua dizendo que, por a "constituição não ser neutra há um preconceito cultural contra tudo o seja denominado de direita". Será que eu estou a perceber bem? Então, e nas últimas eleições, o complexo cultural contra tudo quanto seja de direita sublimou-se na atual maioria?

Leio sempre que posso, por vezes sem agrado, os editoriais do jovem Luís Rosa - comparado comigo é um jovem -, que terminou o curso na Lusófona no ano em que entrei como professor para uma das instituições de ensino superiores do grupo, (não, não passei alunos ao género do Relvas), apenas sabe do que foi a ditadura pelo que lhe dizem ou leu. Tenho a certeza de que sabe que houve durante estes 40 anos governos de direita.

Refere ainda que os últimos acontecimentos relativos às declarações de Mário Soares e da ocupação simbólica dos ministérios são "exemplos inimagináveis em democracias maduras como a inglesa ou francesa.". Diz bem, democracias maduras! Pelo menos a de Inglaterra já tem mais de quinhentos anos. Recordam-lhe estes factos a anarquia do radicalismo político da Primeira República e reforça que não se compara com a "luta política normal de um estado-membro da União Europeia". Que luta política na europa? A Europa está estabilizada com as suas direitas, não selvagens, em termos socias.

Viveu por acaso Luís Rosa numa anarquia para a comparar com as manifestações de descontentamento popular que se têm verificado. Se acha que são comparáveis então estamos mal porque o problema então apenas se resolveria com uma ditadura.

Mas o essencial é que a direita portuguesa não tem qualquer paralelo com as que lhe servem de comparação porque as direitas europeias (fora as extremas direita radicais) não sujeitam os seus povos a torturas sociais, nem colocam em segundo lugar as pessoas através de formas iníquas e critérios vincadamente ideológicos, próprios do radicalismo neoliberal como as do famigerado tempo de Thatcher.

Ainda ontem o ministro da economia Pires de Lima numa entrevista na TVI24  afirmou que a "austeridade tem sido seletiva" (nos momentos selecionados no portal da net da TVI essa afirmação não consta). Aqui está a equidade desta direita: atingir apenas alguns com a austeridade.

Esta direita portuguesa não é a direita europeia, é uma direita que se baseia, apenas e só, nos interesses dos seus clientes partidários e criar lugares na função pública para os amigos dos amigos e para os ansiosos por lugares que proliferam nas "jotas". Não tem sentido de Estado nem defende Portugal perante as interferências, ameaças e agressões verbais exógenas sobre as instituições democráticas (veja-se o caso do T.C.).

Nos países em que a direita está no poder os governos não tem procedido à destruição violenta dos seus estados sociais, salvo alguns ajustamentos necessários, nem atuam contra as Constituições, nem transformam estados em assistencialistas como esta direita tem feito e continua a fazer em Portugal.

Não defendamos o indefensável com passados recentes nem nos iludamos, a direita em Portugal nada tem a ver com a direita verdadeiramente democrática dos países europeus.

Será isto pensamento de esquerda? Se assim for então sou de esquerda.

 


[i] Veja-se o caso da Sonae por exemplo. http://www.sonae.pt/pt/sonae/historia/

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 19:03
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Quinta-feira, 7 de Novembro de 2013

Televisão da política espetáculo

Entr

Montagem de MR

 

As televisões que não sobrevivem com dinheiros públicos, necessitam de "shares" para captar publicidade. Desta forma, arquitetam e produzem programações e conteúdos destinados a conquistar audiências. Estes programas vão desde os telejornais aos de entretenimento, passando por debates por vezes com cariz de pertença atualidade política.

A televisão tornou-se, desde há alguns anos, o espaço privilegiado da luta política, quer em momentos excecionais, como por exemplo em tempo de eleições, quer no dia-a-dia da política, tendo contribuindo para  o fenómeno da política espetáculo.

A política adequou-se necessariamente à linguagem de comunicação televisiva. Para que os seus objetivos se realizem absorveu a lógica da produção do espetáculo em detrimento da lógica exclusivamente política. Isto é, numa perspetiva de produção de espetáculo, a política torna-se ela mesmo espetáculo, passando a obedecer a padrões daquele tipo de produção televisiva.

A adequação a esta nova forma de existência da política implicou uma mudança de dinâmicas que conduziram à chegada de técnicos especialistas em comunicação, publicidade, analistas de sondagens e de outro tipo de especialistas e, os não raramente  pseudo-especialistas em economia, finanças, contabilistas, fiscalistas, politólogos, outros ainda integradores de todas estas áreas que de tudo falam e sobre tudo comentam do alto das cátedras construídas para público comprar. Entre estes últimos salientam-se os facciosos da política, os propagandistas e doutrinadores situacionistas, militantes partidários disfarçados de comentadores isentos, alguns aterradores que apenas falam de números como se as pessoas e as suas vidas, a sociedade, fossem exclusivamente elementos numéricos sujeitos apenas às leis da aritmética e dos modelos macroeconómicos.

Há dois exemplos da política espetáculo feita em estúdio: o programa da TVI24 "Olhos nos olhos", não a novela que a TVI iniciou em julho de 2013, mas outro tipo de novela. Outro é o programa de comentário político de Marcelo Rebelo de Sousa aos domingos na TVI.

No primeiro, para além da jornalista moderadora cujo brilho se esbate no meio do estrelato dos outros atores em cena, encontra-se o fiscalista Medina Carreira, ator feito à pressa a fazer carreira televisiva não sabemos se pro bono.

Refiro apenas o primeiro caso como exemplo. O programa "Olhos nos olhos", para atrair audiências, fabricou um personagem controverso, dizem. É um ator com uma frontalidade mistificada, politicamente escandalosa que debita o texto do guião e defende, com modos teatrais, as suas tomadas de posição, tecendo argumentos sobre os quais não tem contraditório. Este ator da política espetáculo, cujo carisma se tem vindo a perder devido às doses repetitivas, e já cansativas, dos seus argumentos e gráficos  sempre baseados na mesma informação que transforma a seu bel prazer mudando apenas a cor e a estrutura.

Este tipo de política espetáculo quando não é bem moderado tem um poder enganador para o público, qual novela de ficção ao confundir-se com a realidade. Nas atuais condições de desigualdade, por falta de um contraditório, beneficiam os situacionistas mais privilegiados que passam à margem da austeridade devastadora que se abate sobre parte da sociedade.

O referido programa potencializa a aparição semanal dum espetáculo de política mediatizada cuja marca provoca indignação pela apresentação de aritmética pura e de argumentos sem contraditório o que pode ter um maior impacto popular e indutor de interpretações erróneas.

Aqui, a moderadora também se evidencia como atriz marcando contracena neste palco televisivo. Isto é, finge que dialoga ou questiona enquanto os outros atores em presença debitam as suas deixas sem interrupção. Como não se documenta previamente com informação fidedigna, tem corrido o risco, e várias vezes aconteceu, de se deixar manipular pelas deixas dos restantes.

Estes atores da política espetáculo são matreiros pelo que, quem contracena com eles, como é o caso da jornalista do programa, a maior parte das vezes não tem na sua posse as deixas que desarmem o protagonista confrontando-o com eventuais falhas ou contradições, como foi o caso do programa do dia 4 de novembro. É isto que tornaria o espetáculo com interesse, e não um monólogo ou diálogo entre pares, quando os há, cujo discurso é o mesmo, variando apenas a entoação e as palavras. Esta encenação torna a ação monocórdica, repetitiva, semana após semana, em que o  ator principal apresenta ad nauseiam os mesmos e falsos argumentos mascarados com dados em bruto e sem contexto. Este tipo de atores valoriza a ação em desfavor do conteúdo.

No último programa sobre a apresentação de números e gráficos produzidos a partir de estatísticas do Banco de Portugal ou de quaisquer outras fontes, como habitualmente sem qualquer enquadramento e aprofundamento, não foi dada uma explicação cabal sobre o funcionamento financeiro do sistema da instituição que rege e paga as pensões, ( Instituto de Gestão dos Fundos de Capitalização da Segurança Social do Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social), que  até este governo entrar em funções, 2011, era sustentável. Apenas como esclarecimento, em 2011, após fecho de resultados auditados pelo Tribunal de Contas, o sistema de previdência teve de quotizações 13757 milhões de euros, pagou de pensões 10829 milhões de euros e 1566 milhões de euros de outros subsídios. O saldo? É só fazer a conta!

Os argumentos apresentados por aqueles comediantes da política fazem-me lembrar trabalhos de  maus alunos do primeiro ano da faculdade, como me apreciam alguns, que se limitam a fazer uma apresentação a partir de dados recolhidos sem dar a conhecer o seu fundamento e a forma de apuramento. Primavam pelo impacto visual da apresentação em detrimento da análise do rigor. O objetivo da representação destes atores é criar o pânico entre os espectadores da peça televisiva para captar audiências, qual filme de terror que esteja na moda.

Este é apenas um dos vários exemplos do espetáculo televisivo da política que utiliza uma das estratégias de manipulação do público desprevenido que obedece ao seguinte preceito: dirija-se ao espectador como se fosse uma criança menor de 12 anos ou um débil mental.

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 11:02
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Terça-feira, 29 de Outubro de 2013

Os manipuladores

Em dicionários mais antigos não se encontra o sentido figurado de manipular a que atualmente se confere também o significado pejorativo de controlar ou influenciar indevidamente segundo os próprios interesses ou influenciar alguém levando-o a atuar de determinada forma.

O que os elementos que compõem o Governo têm feito ao longo dos dois anos e meio não é mais do que a manipulação do povo e da opinião pública. Não vamos mencionar os muitos exemplos que se encontrariam por aí, centremo-nos apenas nestes dois últimos dias.

Entre outros, o que me ocorre é o do atual Orçamento de Estado para 2014 onde, num primeiro momento, dizem que os cortes na função pública são para salários acima dos seiscentos euros, no momento seguinte, alguns dias depois, já dizem só para os de setecentos euros.

Por que razão este recuo? Se antes não havia, como diziam, plano B nem folga orçamental, como é que agora já têm alternativas para ir buscar as verbas que se perdem pela subida do limite do salários sujeitos a corte? Não deveria ter sido equacionado durante a preparação do orçamento?

Pode ver-se o objetivo que está por detrás desta súbita decisão do executivo de Passos Coelho, como já foi em outras ocasiões, minimizar os efeitos contestatários da função pública que se aproximam. Assim serão menos umas dezenas de milhar de funcionários que não aderem, pois o problema passa apenas a ser dos "outros", os que auferem salários acima dos seiscentos euros. É assim que este Governo sempre funcionou, manipulando e dividindo.

Outro caso é o das maravilhas dos crescimento que aí vem ao fim de algumas semanas, hoje também referido pelo Presidente da República. Algo de milagroso está para acontecer. Paulo Portas é hábil em pedir a intervenção do céu e do  sobrenatural, talvez seja por aí.

Passos Coelho, especialista em chantagem e na manipulação, mais do que especialista em governar o país, pede agora à oposição que o ajude a refazer o orçamento depois da negociação do Governo consigo próprio nas jornadas parlamentares conjuntas do PSD e do CDS-PP.  

Faltava agora Cavaco Silva vir para o palco dizer que "é bom que Portugal seja na Europa um país normal e o normal na Europa, de que nós fazemos parte, é os mandatos serem cumpridos". Pois é, o problema é que nós somos um país anormal. Na Europa, os Governos sabem governar bem os seus povos e defender os seus interesses e soberania apesar dos  problemas  pontuais que surgem normalmente em democracia. Não têm executivos incompetentes que pretendem destruir e desarticular todo um país que disfarçam com  a máscara de reformas estruturais.

Publicado por Manuel Rodrigues às 17:05
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Sexta-feira, 11 de Outubro de 2013

Injeção atrás da orelha

 

 

Escrever politicamente correto não chega à maioria das pessoas. Por vezes há que chamar as coisas pelos seus nomes, sem disfarces que apenas servem para mascarar as realidades do se passa na política e nos condena a um suplício sem fim qual mito de Sísifo. Austeridade, mais austeridade, sacrifícios, mais sacrifícios, promessas em vão, austeridade, mais austeridade... num sem fim.

Agora começou a surgir nos debates políticos um ex-dirigente do CDS, José Ribeiro e Castro, da ala direita mais radical. Desta vez vem dizer que não existe austeridade mas sim rigor. Ao que chamará este senhor sacrifício? Prazer?

De acordo com o último programa prova dos nove da TVI24, para ele não está a haver austeridade mas sim rigor. É extraordinário como aquele senhor vem agora defender o indefensável com argumentos do passado, mais do que estafados, que grande parte dos portugueses já estão fartos de ouvir.

O primeiro-ministro depois das autárquicas anda agora em campanha pró-governo e está preocupado em "trilhar um caminho sustentável de crescimento e de prosperidade para todos os portugueses”. A palavra crescimento que é um vai e vem na gíria de Passos Coelho e do governo, volta novamente à baila a par da prosperidade que será num futuro tão longínquo que mal se vislumbra. Procura realizar por palavras e artes mágicas de comunicação, diga-se péssima, o que não consegue na realidade. A terra prometida do leite e do mel que ele promete é que tarda em aparecer com as políticas por ele impostas.

Para Passos Coelho o programa da "troika" já não é o do PSD mas deve ser nacional e, como tal, "não se trata apenas de escolhas de um Governo, nem sequer de uma coligação de partidos, mas de escolhas verdadeiramente nacionais". Assim, apela ao envolvimento do sistema na coesão político-constitucional, isto é, o envolvimento do Tribunal Constitucional com o Governo, o que significa que devem ser colocadas de parte as leis fundamentais do país, à boa maneira do terceiro-mundo, e de países que, apesar do seu grande crescimento, mantêm uma política repressiva, na prática destituída de direitos básicos. Para ele a coesão deve existir apenas entre o Tribunal Constitucional e o Governo.

A verdadeira coesão nacional, no seu todo, tem sido por ele destruída ao lançar a divisão entre grupos sociais e profissionais de portugueses na mesma medida em que lança outros para o empobrecimento, normalmente os mais frágeis, sem capacidade reivindicativa ou de qualquer forma de pressão. É um Governo cobarde que apenas desafia os mais fracos. Esta é a linha da insensibilidade social, escondida atrás dos memorandos da "troika", que é defendida pelo grupo que atualmente controla o PSD e que está no Governo

No mesmo envelope de Passos Coelho e do PSD podemos colocar Paulo Portas cujo cinismo e a falta de palavra foram já postos à prova. Analise-se com cuidado a conferência de imprensa dada por Paulo Portas sobre a oitava e nona avaliação da "troika" e os anúncios que se seguiram sobre a austeridade sempre sobre os mesmos. Um especialista em leitura da expressão facial detetaria um certo cinismo no sorriso ao anunciar, "nada", na referida conferência de imprensa.

Há uma linha política e social no PSD, adotada por este Governo que podemos designar por socio-terrorista, que se afasta da matriz essencial do partido, à qual me tenho referido em blogs anteriores,  que apostou no conflito inter-geracional e  na marginalização pelo afogamento económico e financeiro de determinados grupos sociais como pensionistas e reformados, alguns deles já fragilizados, numa espécie de eutanásia lenta.

 

 

Quem viveu os primeiros anos da revolução do 25 de abril ainda se deve recordar do medo que a direita muitas vezes aterrorizava os idosos, através da comunicação social, dizendo que o PCP e na União Soviética lhes davam injeções atrás da orelha para se verem livre deles. Ora bem, a estes indivíduos que nos desgovernam apenas falta a execução física e sumária dos idosos porque já arranjaram uma solução de eutanásia mais subtil que puseram em curso a encoberto da "troika" ao longo destes dois anos e meio.

Já várias vezes escrevi que há uma corja infiltrada no PSD, alguns uma geração de retornados, muitos deles provenientes de "jotas" radicais, selvagens, incultos, neonazis disfarçados, que controlam o partido, que se apresentam como grandes patriotas, e que, se não correrem com eles, destruirão e espoliarão Portugal até à medula na expectativa de benefícios pessoais na carreira política.

Já que se fala em retornados recordo o caso de Rui Machete que pôs em causa a nossa dignidade enquanto portugueses e a separação de poderes do nosso regime político e judicial. Isto não é Angola, a separação de poderes não está apenas no papel. Repare-se na defesa que alguns arautos do PSD e do Governo fazem das declarações de Rui Machete ao dizerem que foi em defesa dos interesses de Portugal e por causa dos investimentos de Angola. De Angola? De uma seita elitista de Angola talvez.

Claro que os jornais angolanos defendem Rui Machete e atacam Portugal. Afinal parece que o ministro dos negócios estrangeiros não está a defender os nossos interesses, mas sim os de Angola. Mas que raio de ministro dos negócios estrangeiros é este?

Alguém se recorda de algum ministro dos negócios estrangeiros, ao longo dos últimos trinta anos estar envolvido em escândalos para além de Paulo Portas, com a questão dos submarino, e agora este de Rui Machete?

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 19:26
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Sexta-feira, 26 de Julho de 2013

Moção de confiança já!

Se moções de censura apresentadas em situações de maioria parlamentar poderão ter um significado simbólico de descontentamento perante as atuações de um governo não deixam, por isso, de ser caricatas porque se conhece à partida o resultado que é o de serem rejeitadas pela maioria, salvo casos excecionais em que alguns deputados resolvam “morder a corda”.

O mesmo se poderá dizer das moções de confiança apresentadas por maiorias parlamentares. Neste caso, o caricato da situação é por demais evidente. Por aqui podemos ver como a política em Portugal está toda inquinada onde até o Presidente da República anuncia a apresentação de um moção de confiança que é depois confirmada pelo grupo parlamentar que apoia o governo durante o curto espaço de tempo de uma remodelação ministerial. Isto é, um governo remodelado sem ainda ter tomado qualquer iniciativa visível e merecedora é sujeito a uma moção de confiança. Parece-me ridículo, para não dizer lamentável.

Quem ouvir agora a cavaquista Manuela Ferreira Leite na TVI24 se aperceberá a cautela que tem quando se refere ao Presidente da República e como ela agora rodeia algumas questões que anteriormente criticava com mais convicção. Agora este governo passou a ser o do seu mentor.  

Cavaco Silva, o mentor de tudo isto, tem um objetivo que não é Portugal nem dos portugueses, é dele próprio e dos seus interesses a manutenção deste governo. Pode haver justificações insondáveis nisto tudo. Tudo se passa como se alguém dissesse: se não fazes isto já sabes o que pode acontecer!

Vendo que, neste momento, eleições trariam perdas significativas para o partido que ele tem vindo a apoiar resolveu meter um pauzinho na engrenagem para emperrar, mesmo conhecendo os riscos que se verificariam relativamente aos mercados, como acabou por acontecer. Claro que juntou o útil ao agradável ao ter a consciência de que, eleições neste momento também poderiam ser prejudiciais para o país.

Sabendo nós que todos eles, os políticos que nos governam, sempre dizem, em qualquer circunstância, que é tudo a bem dos portugueses e de Portugal podemos sempre desconfiar do que nos pretendem “vender”, a desconfiança. Foi isto que Passos Coelho e o Presidente da República conseguiram ao fim dos dois anos que levaram à derrocada do país. E falam eles agora de crescimento e recuperação! Cá estaremos para ver.

Publicado por Manuel Rodrigues às 23:08
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Segunda-feira, 1 de Julho de 2013

Servirão os briefings do Governo para o controle da informação?

Imagem TVI24

 

Não há paciência para isto. Começaram hoje os briefings do Governo, mas tiverem antecedentes. O ministro Poiares Maduro foi empossado para a coordenação dos diversos ministérios do Governo e para ultrapassar os problemas de comunicação com o público, isto é, a forma como o Estado deve comunicar com os portugueses. Para tal encomendou ou vai encomendar mais um estudo desta vez para conhecer a forma de como fazer chegar a mensagem. A ideia é fazer aproximar, em tempo de crise, os cidadãos ao Governo. Como se o problema dos disparates que o Governo tem feito conduzissem ao descontentamento popular devido aos problemas de comunicação.

O problema da comunicação não é novidade porque, comentadores da área dos partidos que sustentam o Governo, face a notícias que vêm a lume que indignam até o cidadão mais apoiante vêm dizer que o que se diz não é bem verdade, o que houve foi um problema de comunicação. Outras vezes quando o primeiro-ministro faz uma declaração, mesmo que tenha sido bem clara, como mais do que uma vez aconteceu, e, posteriormente, entra em contradição, lá começam os “sacristãos” a desdizer o que se disse transformando o erro e a mentira em problema de comunicação. O que se pretende no final é a utilização de técnicas comunicacionais mais eficazes para ludibriar os portugueses.

Não se sabe hoje, momento em que se iniciaram os briefings, se o estudo já foi ou não entregue, se é que alguma vez chegou a ser feito e se aqueles foram uma consequência destes. Mas interessava saber por que eles foram pagos com os nossos impostos e com os “cortes” nos salários e pensões que também contribuíram.

Há uma solução para os problemas de comunicação que se usava muito na ex-União Soviética, e, para quem se recorda também no tempo do Estado Novo, embora de outra forma mas com o mesmo objetivo, é torná-la monolítica através do controle da informação antes de ser divulgada.

Marcelo Caetano, nas suas conversas em família, não tinha problemas de comunicação porque, o que ele dizia era assim e pronto, mesmo que estivesse enganado ou o que anunciasse fosse contra o que o ”público” pensasse ou viesse a dizer…

Publicado por Manuel Rodrigues às 15:55
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Quarta-feira, 27 de Março de 2013

Salazar e a liberalização das rendas

http://rendarroios.blogspot.pt

 

Costumo ver quase sempre o programa “Governo Sombra” da TVI24 com  Ricardo Araújo Pereira, Pedro Mexia e João Miguel Tavares moderado por Carlos Vaz Marques. É um programa que, com algum humor, fala de coisas sérias da nossa vida política que vejo com algum agrado, apesar de nem sempre estar de acordo com algumas opiniões manifestadas. Mas, para ouvirmos ou vermos comentadores e debates políticos, temos que ter estrutura psicológica e paciência para suportar mesmo o que não gostamos ou com que não concordamos.

 

João Miguel Tavares é um liberal, como ele próprio se define e, como tal, tenta defender posições de acordo com a sua orientação política e ideológica. Sobre isto nada a dizer. O nome do João Miguel Tavares surge apenas como mote para este meu comentário sobre a Lei das rendas.

 

Numa das últimas emissões que vi daquele programa, Miguel Tavares, a propósito de um tema que se estava a debater, referiu-se ao congelamento das rendas que Salazar impôs, coisa que, para ele, Tavares, era inadmissível. É uma posição que, como tal, deve ser respeitada.

 

Mas o que é mais importante é saber qual a causa do congelamento das rendas de casa. Salazar tinha pavor à inflação, apesar de quase inexistente, que adviesse da pressão sobre o aumento dos salários. O funcionalismo público era mal remunerado, mas tinha mais regalias sociais, embora poucas, do que o setor privado. Deste modo, o congelamento das rendas tinha como objetivo garantir a habitação mantendo salários baixos. Aliás, naquele tempo, para se alugar uma casa tinha que se ter um fiador, mas para quem era funcionário público não era necessário. Nos anos 50 desse século foi aprovada a lei da renda limitada para habitação, cuja construção teria que obedecer a certas caraterísticas.  

 

A partir de 1981, as rendas foram liberalizadas e apenas condicionadas (não congeladas) a arrendamentos anteriores àquele ano.

 

Isto é, a liberalização das rendas, denominada lei das rendas tal como ela se encontra, vai atingir os mais frágeis que não têm possibilidade de defesa dos seus interesses quer devido a dificuldades financeiras, quer por desconhecimento de como agir para sua defesa.

 

A crise é para todos quer para inquilinos, quer para senhorios, mas não podemos defender uns da crise em detrimento de outros. Não foi por acaso que todos os governos falavam da necessidade de mexer no mercado de arrendamento mas só muito timidamente o fizeram porque sabiam que, qualquer mexida, teria consequências sociais graves. Estamos a ver agora as situações complicadas que, combinadas com o aumento de impostos, não são sustentáveis para a maior parte dos inquilinos afetados, criando problemas sociais, de coesão e de estabilidade social.

 

Os subsídios de apoio às rendas, para casos muito específicos que o Governo apregoa, é mais uma despesa para o Estado coisa que têm vindo sistematicamente a combater e a reduzir por falta de disponibilidade financeira. Não se percebe, corta-se na farinha e gasta-se mais no farelo.

 

Por outro lado, a questão que se levanta é a de saber se devem os senhorios ser transformados em entidades de assistência social da habitação. Todavia, tendo em conta a situação económica do país, a quebras de salários e de regalias sociais, o empobrecimento e o desemprego, talvez não seja despiciendo o Governo começar a pensar em soluções salazaristas!

 

Não está aqui em causa a apologia das rendas congeladas. O que está em causa é o ambiente social que se vive atualmente em que se reduzem os rendimentos às famílias e se deterioram as atividades económicas fazendo aumentar o desemprego enquanto os subsídios de desemprego são reduzidos, se cortam e retiram subsídios às pensões de reforma, outras são congeladas e se diminuem rendimentos aos funcionários públicos. Caminha-se para uma situação idêntica à da época de Salazar através do retrógrado empobrecimento da maioria dos portugueses pelo que se podem encontrar possíveis semelhanças entre as duas épocas, salvaguardando a respetiva relativização temporal que podemos definir como sendo a forma como a sociedade e a política e os ritmos específicos das relações sociais do passado e do presente se organizam.



 

Publicado por Manuel Rodrigues às 19:39
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Quarta-feira, 20 de Março de 2013

Os bons e os maus desenhos segundo Catróga

O Dr. Euardo Catróga deu ontem, numa entrevista à TVI24, uma figura caricata ao tentar justificar, atabalhoadamente, o mau desenho do programa da “troika” que só agora o PSD descobriu estar mal desenhado. Tendo gasto o tempo num “déjà-vu” de regresso ao passado e sobre a história da causa da intervenção da “troika” que os portugueses já se fartaram de ouvir, o que levou o entrevistador, e muito bem, a recordar-lhe que se situasse no presente. Descobriu também ao fim de quase dois anos que o programa deia ser reajustado, como se fosse coisa que nunca se tivesse ouvido falar.

Por motivos patrióticos, dizia ele, é que o PSD e o CDS assinaram aquele memorando. Omitiu, ostensivamente o facto de, após a assinatura, ter feito declarações nos órgãos de comunicação, que podem ser comprovadas, onde claramente dizia que o memorando tinha sido melhorado devido à intervenção do PSD o que pode ser confirmado, entre outros, no Jornal Público Economia de 3 de maio de 2011. Como estas há muitas mais mas é gastar espaço e tempo, não merecidos, a citá-las.

Os portugueses também não esqueceram que o próprio primeiro-ministro Passos Coelho disse que “temos que ir para além da troika” e que o memorando era o programa de governo do PSD.

Na sua entrevista teve ainda tempo para tecer elogios ao ministro Vítor Gaspar defendendo até que as previsões como as que ele apresentou deviam ter um intervalo como por exemplo entre 1 e -3. Estão a ver não é? Quando falhassem estavam sempre dentro do previsto, logo estariam sempre certas. Estará por acaso à espera que se lhe atribua um outro grande lugar bem pago, seja onde for? É por gente como esta que nós estamos a ser governados.

O Dr. Catróga, na altura o coordenador do programa eleitoral do PSD, não pode agora colocar-se de fora. Mostrou que, para além de uma atitude facciosa, gastou o seu tempo de antena com minudências para não utilizar um palavrão por ele empregue na SIC Notícias na altura em que se discutia o memorando em 2011.

Publicado por Manuel Rodrigues às 20:40
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Quarta-feira, 13 de Março de 2013

...

Imagem de: http://marx21.com/category/economia-e-politica-no-brasil/page/2/


 

Já lhe chamaram o profeta da desgraça. Sem quaisquer propósitos ofensivos para o Dr. Medina Carreira, sempre que o vejo às segundas-feiras na TVI24, não sei porquê, lembra-me antes aquele tipo de cientista louco das obras de ficção que, nos seu laboratório secreto (no caso dele deve ser o escritório), procura transformar a realidade através de manipulações mirabolantes, quer preparando cadinhos de poções mágicas, quer fazendo operações macabras para dar vida ao que é inanimado. Tal como um Dr. Jekyll/Dr Hyde, de Louis Stevenson, que escreveu a história do médico Jekyll, honesto e virtuoso que se transforma em Mr. Hyde de natureza má, ou um Dr. Frankestein, de Mary Shelley, que pretendia criar vida a partir de corpos inanimados.

 

Ora no caso do Dr. Medina Carreira as suas experiências partem da elaboração de gráficos que prepara de acordo com a sua sabedoria e tempera de modo a criar polémica e entretenimento televisivo. Outras vezes, menos polémico, trás a acalmia às hostes dos seus opositores. Os ingredientes básicos, neste caso os números, com que ele prepara os gráfico, podem estar e estão com certeza certos, apenas lhes faltam outros ingredientes necessários para se fazerem análises macroeconómicas com rigor.

 

Traçar gráficos de linhas de evolução de variáveis ou de barras comparativas é fácil. Qualquer aluno do primeiro ano da universidade quando apresenta os seus primeiros trabalhos é assim que faz. Para que se seja rigoroso o importante é, a partir do histórico determinar as causa, fazer o diagnóstico e, posteriormente, projeções. Não basta lançar gráficos do histórico é também necessário correlacionar as varáveis e indicadores sociais e macroeconómicos, comparar com outros países do mesmo grupo, fazer projeções e arranjar alternativas inovadoras, tudo o resto é mais ou menos tendencioso e não passa de um programa televisivo para subir audiências.

 

Na passada segunda-feira, ao falar das pensões de reforma e de eventuais cortes, foram lançados para a mesa números sobre pensões pagas a partir dos três mil euros, ao que o Dr. Medina Carreira respondeu prontamente que isso de cortar naquelas pensões não adiantava nada, o corte tinha que ser feito nas pensões mais baixas. Claro que, em termos globais, havendo menos pensionistas a receber valores mais elevados a verba será pouco significativa. Mas o espantoso é a forma como rapidamente tentou escusar cortes naquelas pensões. Estando ele reformado, como se pensa, e auferindo possivelmente pensão superior a três mil euros percebe-se.

 

 Não acham genial?  


Publicado por Manuel Rodrigues às 17:47
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Quinta-feira, 20 de Dezembro de 2012

Os porta-vozes


Os homens de mão do governo ocupam tempos de antena das televisões como comentadores políticos autênticos porta-vozes do governo. Quem tiver paciência para os ouvir facilmente constatará a forma subtil como eles fazem análise política na base da lavagem das declarações do primeiro-ministro fazendo interpretações mais ou menos adocicadas das suas palavras. O mais caricato é que umas vezes critica Passos, noutra defendem-no acerrimamente. São uma espécie de cataventos, ao sabor dos interesses do momento, desejando um mudar de vida para um país mais justo para eles.

Interrogo-me como é possível que haja de facto isenção nestes senhores sendo eles defensores e apoiantes do partido no governo. Nas suas análises mostram gráficos cujas leituras e interpretações podem ser várias em função das variáveis e dados apresentados. Como exemplo bastaria assistir na TVI24 aos comentários de Marques Mendes, sobre as declarações do primeiro-ministro, em que desculpabilizava, deturpando completamente o seu sentido, transformando as suas declarações divisionistas, de quebra da coesão social e lançando gerações contra gerações em boas intenções.

De facto, passámos a ter nos canais de televisão comentários monolíticos de senhores que pretendem lavar-nos o cérebro e fazer pedagogia à boa maneira da ex-soviética e da Coreia do Norte. 

Publicado por Manuel Rodrigues às 23:17
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Livros que estou a ler

Livros que já li

Quando Portugal Ardeu Miguel Carvalho A Vida Secreta dos Livros O Romancista ingenuo e o sentimental de Orham Pamuk malbe

Os porques da esperança.png

Demorei algum tempo a ler este livro mais do que o costume. Livro sobre a política nacional sobre a forma de entrevistas que passaram na TVI 24 efetuada por um provocador nato cujas respostas são dadas por um astuto tribuno da palavra. Livro que aborda temas nacionais da política recente com uma abordagem em que as palavras se se entrelaçam com alguma exposições mais académicas. Um bom manual para quem se interesse pela política em Portugal nos últimos tempos.  

 

 

Piketty_Capit_SecXXI


Memoráveis


Crónica dos dias do lixo



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Rodrigues, Manuel A (2011). Geografia Social Urbana na Licenciatura em Educação Social, Cadernos de Investigação Aplicada, (5). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas


Rodrigues, Manuel A (2010). Didática da Geografia: recurso à Literatura como proposta interdisciplinar, Cadernos de Investigação Aplicada, (4). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas. .


Rodrigues, Manuel A (2008). Televisão e os efeitos de exposição a mensagens televisivas na educação: o efeito da terceira pessoa, Cadernos de Investigação Aplicada, (2). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas.


Rodrigues, Manuel A (2005). Do Presencial ao Online: um estudo de sobre a atitude de estudantes face a situação de aprendizagem online, Actas do VII Simpósio Internacional de Informática Educativa-SIIE05, Escola Superior de Educação de Leiria.


Rodrigues, Manuel A (2004). Um Modelo de Formação em Ambiente Misto de e-Learning (Blended Learning): uma experiência na disciplina de Tecnologia Educacional, Actas da Conferência eLes’04: e-Learning no Ensino Superior, Universidade de Aveiro.


Rodrigues, Manuel A (2004). Marionetas em Liberdade: a identidade pe(r)dida com as novas exigências curriculares, Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas.


Rodrigues, Manuel A (2000). Ciberespaço, Internet e as Fronteiras da Comunicação Educacional, Lisboa, Universidade Aberta. Porbase, CDU 37.01(043), 159.95043), 005.73Internet(043.2),371.1043)

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