Quarta-feira, 19 de Abril de 2017

Que gente é esta?

Publicidade enganosa.png

Há um anúncio enganador colocado como publicidade paga à Google que pretende angariar clientes (?) através do engano.

Que gente é esta que está por detrás desta publicidade enganosa que se serve da política para fins pouco claros?

A imagem e a legenda foram extraídos do portal www.vercapas.com que circula pela Internet . É um anúncio gerido pelo Google e é uma publicidade paga pelo anunciante cujo conteúdo pode ser visto em http://sl.empiricus.pt/pce02-colapso/?xpromo=XP-ME-GGL-PCE02-L1SUBPT-X-SDC-X-&=pce&gclid=CL7js_PqsNMCFQEL0woducoEDQ

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 17:02
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Terça-feira, 11 de Abril de 2017

No meio do nada nestes calmos dias de primavera

No meio do nada.jpg

O que tem ultimamente tem acontecido na política não sei. Encontro-me no meio do nada e a televisão a ele se associa deixa-me respirar. Longe do palco da política em plena beira interior onde os jornais não chegam e a televisão é a única fonte de informação. Aqui a  Internet ainda é para alguns, senão um luxo devido ao seu custo mensal, algo desnecessário e a resistência à mudança não facilita a adaptação e essa coisa das novas tecnologias que não enchem barriga.

Para a gente destes lados basta-lhes serem bombardeados diariamente com os noticiários das televisões que apenas lhes mostram as desgraças do mundo e sobre a política do país dizem apenas o mau e omitem ou tornam impercetível, para muita desta gente, o que houver de bom.

Estas gentes raramente falam de política, fogem dela como o diabo foge da cruz. População envelhecida, nascida, criada e vivida no tempo da ditadura salazarista ficaram-lhes bem vincados os receios de outrora. Todavia, a abertura das conversas em que a política aflora, vai-se timidamente mostrando. Ainda hoje, numa conversa entre vizinhas onde falavam de galinhas, flores, cultura e estado do tempo veio à baila, não sei como, a política. Falaram de Cavaco Silva não percebi sobre o quê e, no meio do diálogo, uma delas disse para a outra que o «António Costa está lá agora, mas já devia lá estar há muitos anos». Conversa terminada. Numa região cavaquista e conservadora pareceu ser uma luz no meio da escuridão. Oxalá ela não se engane, e eu também não para bem de todos.

Entretanto vim para aqui trabalhar, sim, porque aqui trabalha-se nem que seja para apanhar as folhas que o inverno deixou pelo chão e cortar as ervas que a primavera trás. Nos intervalos o sossego do espaço que nos envolve proporciona à reflexão, não apenas sobre política, embora esta esteja cada vez mais presente em todo o lado sem que nos apercebamos, mas sobre outros temas que alimentam o espírito.

Antes de vir revi algumas obras de escritores clássicos folheando aqui e ali as suas páginas motivado pela leitura do livro “A Vida Secreta dos Livros” que li recentemente. Os clássicos parecem estar na moda pois nas livrarias proliferam reedições dessas obras mergulhadas nas estantes que pareceriam esquecidas e agora tomaram novamente vida.

Deparei-me então com uma descrição sobre como Júlio Verne, um dos escritores de antecipação científica, escreveu alguns dos seus livros. Quando adolescente li algumas das suas obras duas delas adaptadas ao cinema como, por exemplo, as “Vinte mil léguas submarinas” e “A volta ao Mundo em oitenta dias”. Mas há uma obra pouco divulgada publicada anos após a sua morte, “Paris no Século XX”. Este livro encontra-se esgotado em Portugal tendo apenas conseguindo uma edição em francês na Amazone.

Por achar de relevante importância porque muitos anos antes faz uma previsão do futuro como seria de facto uma cidade como Paris, e do mundo dito civilizado. Transcrevo uma pequena passagem, traduzida do original francês, daquele livro em que Júlio Verne faz uma descrição do futuro feito por um personagem como se vivenciasse antecipadamente um presente visto do tempo em que em o romance foi escrito, o futuro em 1960.

“O que diria um dos nossos antepassados por ver essas avenidas iluminadas com um brilho comparável ao do sol, esses mil carros que circulam sem fazer ruído por sobre as ruas de asfalto, as ricas lojas como palácios, onde a luz se espalha em brancas irradiações, essas vias de comunicação amplas como praças, essas praças vastas como planícies, esses hotéis imensos onde se alojam sumptuosamente vinte mil viajantes, esses viadutos tão leves; essas compridas galerias elegantes, essas pontes que cruzam de uma rua para outra, e enfim, esses comboios reluzentes que parecem navegar no ar a uma velocidade fantástica… Ter-se-ia surpreendido muito, sem dúvida; mas os homens de 1960 já não admiram estas maravilhas; desfrutam delas tranquilamente, sem por isso serem mais felizes, pois na sua atitude apressada, o seu caminhar ansioso, o seu espírito americano, sente-se que o demónio do dinheiro os move sem descanso nem piedade.”

(Hachette le cherche midi éditeur 1863, pág. 21).

Publicado por Manuel Rodrigues às 17:10
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Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2016

Vasculheiros e patrulhadores

Vasculhar.pngNo vasto campo da imprensa internacional dos países ocidentais onde a democracia existe é um facto que há jornais, diários e semanários, que podemos considerar tendencialmente de direita e de esquerda. Excluo aqui os jornais partidários que saem fora do âmbito.

Se afirmar que em Portugal não há jornais tendencialmente de esquerda e que todos são tendencialmente de direita, dir-me-ão que não é verdade, que há jornais independentes, isentos e equidistantes das duas correntes políticas. Independentes do poder político serão. Quanto à divulgação das diferentes correntes de opinião e ao espaço que lhes é destinado e à frequência diária ou semanal de cada corrente é discutível

É claro que todos os jornais nacionais têm representatividade das várias correntes, só que há correntes mais representadas e com periodicidade mais frequente do que outras. É por isso que, quando consulto jornais portugueses, saltam-me à vista as opiniões de direita e, raramente, opiniões de esquerda. Esclareço que leio ambas sem qualquer preconceito, o que me preocupa é parecer existir, por parte da direita, uma aproximação exagerada aos órgãos de comunicação para que estes lhes sejam favoráveis. A direita, como já disse noutro texto, quer controlar a agenda mediática.

Percorrendo os jornais os desejos da direita e dos seus jornalistas e jovens articulistas de serviço são transformados em prognósticos de que no próximo ano o Governo falhe e que se agrave a conjuntura política que garante o apoio parlamentar. Esperam com inquietude que tudo corra mal. A bem de Portugal, claro! E, como o Ano Novo nos vai trazer eleições autárquicas o desespero aumenta.  Anseiam pelas quedas nos indicadores económicos, pelo aumento dos juros da dívida, pelo aumento do desemprego e que, finalmente, nada corra bem ao Governo. Tudo a bem de Portugal, do país e dos portugueses, claro! Para isso procuram por todos os cantos da casa pó para levantar, mesmo que esse pó não exista, inventa-se para passar a existir.

São os palradores, os patrulheiros que vigiam, procurando, aqui e ali, algo indigente que possam transformar em parangonas, enriquecidas pelo empolar do oportunismo noticioso televisivo.

Para reforçar o que acabo de dizer li hoje algo que me causou alguma perplexidade sobre a opinião dum jornalística que mostra no seu artigo de opinião, publicado hoje no Diário de Notícias, indignação corrosiva com o Presidente da República, mas já lá vamos.

Sou do tempo em que vi a Princesa Leia da Guerra das Estrela, Carrie Fisher, que, infelizmente, faleceu há pouco tempo praticamente de seguida ao falecimento de George Michael. Carrie apesar ser uma argumentista conceituada o seu percurso enquanto artista não foi do mais proeminentes.

Um dos tais jornalistas patrulheiros que parece ser um fã incondicional da artista, insurge-se por o Presidente da República não ter comentado a morte de Carrie, como o fez com Michael, e mais ainda, mostra-se também incomodado por Marcelo Rebelo de Sousa ter tentado negociações, através do ministro da cultura, para ver a possibilidade da continuidade do histórico grupo de teatro Cornucópia que vai fechar portas. O dito jornalista até invoca o artigo 191º da Constituição para criticar Marcelo e par o mandar limitar-se às suas estritas funções. Tão legalista e institucionalista é este jornalista! Não lhe agrada a presidência de Marcelo Rebelo de Sousa e, por algum motivo (qual será?) descontente com a sua popularidade acha que devia colocar-se muito quietinho no seu lugar em Belém. Mas não contente com isso João Henriques, é o nome do distinto jornalista, termina chamando indiretamente potencial ditador a Marcelo Rebelo de Sousa:

“Alguém então que diga a Marcelo Rebelo de Sousa uma evidência: o que molda os poderes do Presidente da República é a Lei Fundamental. Não é, nem nunca poderá ser, a popularidade e a consequente tolerância dos eleitores. Isso, em Portugal, não é ser Presidente da República - é ser caudilho. Portugal já passou por isso - e deu-se mal.”

Este é um dos garimpeiros e patrulheiros que andam por aí e que, à falta de melhor, vão procurar o acessório para dar uma mãozinha à inconsolável oposição de direita.

 

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 17:05
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Terça-feira, 13 de Setembro de 2016

Ó gente do meu país

Gente da minha terra.png

“Ó gente da minha terra” é um fado que foi escrito por Amália Rodrigues que é interpretado por Mariza. Contrariamente ao que consta por aí não foi ela que o escreveu. O seu mérito deve-se à excecional interpretação. Completando a quadra:

Ó gente da minha terra

Agora é que eu percebi,

Esta tristeza que trago

Foi de vós que recebi.

 

Eu, que não aprecio fado, por que é que inicio este “post” com esta quadra? Recordei-me de autores como Eça de Queiroz e Guerra Junqueiro e de outros tantos escritores e políticos que, nas suas obras, cada um à sua maneira, traçaram perfis dos portugueses.

Para mim o povo português é muito acolhedor, sociável e hospitaleiro e recebe bem tudo quanto é estrangeiro e nos visita. Mostra, a seu modo, a sua subserviência disfarçada. Por princípio é um povo que ajuda o seu próximo quando necessário, é solidário quando se trata de defesa dos interesses da sua comunidade em que se integra. Falsamente pacífico, introvertido apesar de alegre, preocupa-se mais com a vida dos outros do que em expor a sua. Há várias citações sobre os portugueses, algumas delas antagónicas.

 

 

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 15:18
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Quarta-feira, 13 de Abril de 2016

O ideólogo, a mobilidade social, e a sociedade sem classes

Ideólogos.png

Para quem escreve Paulo Rangel do PSD? Para quem, do povo, menos iletrado, o leia e não percebe patavina. É um discurso hermético apenas para alguns eleitos a quem provavelmente se dirige.

A sua retórica é a de alguém que procura exibir um conhecimento intelectual levando leitores a desistir da sua maçadora prosa. Eu, cá por mim, não me considerando, de todo, um desses eleitos e iluminados a quem os seus textos parecem dirigir-se lá vou tentando fazer um esforço para o ler e compreender.  

O último artigo desse supremo intelectual e ideólogo da política neoliberal por onde enveredou o PSD é um caso paradigmático do que acabo dizer. Na amálgama de conceitos sócio-político-filosófico-partidários o leitor desprevenido, e, como escrevi em parágrafo anterior, sem a formação adequada perde-se pelos diversos e complexos conceitos da política do partidarismo e da sociologia sem tirar conclusão plausível, mantendo-se em explicações e argumentos já cansativos que volvem sempre ao passado onde não se vislumbra qualquer projeto para o futuro, ainda que o seu líder tenha utilizado no último congresso o chavão “Social-democracia sempre”.

Paulo Rangel, desde qualificar o PSD como partido que não é de massas mas um “partido de eleitores” de “abertura” e de “adaptabilidade” do seu “leque ideológico” lá vai dizendo que os “eleitores e militantes não são atraídos por um programa” e devem ser os “produtores de um programa que os atrai”. Se bem se percebe aos eleitores e simpatizantes do PSD não interessa uma ideologia, um programa, um projeto, são eles que o irão construir ao votar no desconhecido.   

Mas vejamos esta complexa e ambígua frase que caracteriza o seu discurso: “Os eleitores e militantes não são o propriamente atraídos por um programa; eles foram e são – e, questão decisiva no futuro, devem novamente ser - os produtores de um programa que os atrai. Dito de um modo mais apelativo: no PSD, os simpatizantes e os militantes não veem um programa, eles revêem-se no programa - porque o programa é pela própria elasticidade genética ou constitucional (constitutiva) do partido, de algum modo, um reflexo ou uma refracção da afinidade sociológica da sua composição.”

Tudo isto para dizer que simpatizantes e militantes revêm-se no programa do PSD. Eles não veem um programa, reveem-se nele – diz ele. Fantástico!

Atenção, isto não fica assim, porque vai deambular para a sociologia eleitoral caracterizando a base de apoio do partido afirmando que, ao contrário do que escreveu anteriormente, não se pode “enganosamente” caracterizar o partido “como um partido de classe” (classe média, de feição pequena e médio burguesa ou de pequena e média propriedade rural e de uma boa parte das profissões liberais ou com formação universitária…) e que, se assim fosse, agora recorrendo a Marx, afasta o PSD desse cálice. Nada disso porque, a ser assim, o PSD seria uma instituição encarregada de politicamente zelar e velar por esse agregado de interesses e valores.

Basta olhar para as estatísticas eleitorais ao longo dos anos e para trabalhos estatísticos no âmbito da geografia eleitoral como por exemplo “Comportamento eleitoral e o voto através de indicadores regionais nas eleições de outubro de 2015: Uma análise geográfica do voto” que mostra que é precisamente nas regiões onde esses eleitores, de feição pequena e médio burguesa ou de pequena e média propriedade rural e camponeses de parcos recurso como ele diz, se concentra em maior massa o eleitorado do PSD.

Mas lá vai argumentando Rangel que, “Sem nunca desdenhar da pertinência duma análise social e até da categoria “marxiana” da classe social – análise, em todo o caso, sempre parcelar, relativa e redutora – não é esse o traço que aqui se pretende realçar. Por mais dialética que se reclame, uma análise de classe seria, hoje e irremediavelmente, uma análise estática, conservadora, imobilizadora.”. Essa categoria “marxiana” (neologismo inventado pelo super intelecto ideólogo do partido) não é mais do que um contrassenso.

Rangel vê em Marx o imobilismo? Se assim for, então qual a finalidade ideológica da contínua luta de classes que Marx preconizava senão a de potenciar, através da luta permanente, (do meu ponto de vista, hoje em dia, essa apologia da luta de classes é destrutiva e injustificada da forma como partido mas radicais a propõem), em que uma classe ascende a outra sem olhar a meios para tingir os fins, em direção a uma sociedade sem classes, essa sim conduzindo ao imobilismo? Sem que Rangel se aperceba o imobilismo talvez esteja mesmo no PSD com Passos Coelho na liderança. Mais ainda, esse tal eleitorado do PSD tem-se mostrado ao longo do tempo com uma instabilidade eleitoral conjuntural.

Poderíamos continuar por este caminho, mas o título do artigo de opinião de Paulo Rangel publicado no jornal Público de 12 do corrente diz tudo: “Mobilidade social: um desígnio para o PSD pós-troika (2)” que pode resumir-se, segundo as suas próprias e demagógicas palavras proclamadas no último congresso do PSD, a que “o partido deve fazer da mobilidade social a sua “grande bandeira para os próximos anos” e considerou que está na hora de Portugal deixar de ser “o país dos doutores” e “virar a página na estratificação social e na estrutura elitista e aristocrática da sociedade portuguesa”.

Não tenho a certeza se Rangel, licenciado em Direito pela Universidade Católica, sabe o significado do conceito sociológico de mobilidade social, algo complexo que, lançado para o ar, pode levar à confusão. Mobilidade social entendendo-a como sendo movimento de indivíduos entre diferentes posições sociais. Este mesmo conceito divide-se ainda em mobilidade vertical e mobilidade horizontal. A qual delas se refere Rangel? Será à mobilidade vertical definida como movimento ascendente ou descendente na hierarquia de posição num sistema de estratificação social? Ou refere-se à mobilidade horizontal que é o movimento físico de indivíduos ou grupos entre regiões.

Estranhamente, e se bem percebi, Rangel, com esta frase, mais parece um esquerdista radical da altura do 25 de Abril. Tece uma viragem populista do partido que nos últimos anos ficou virado para si mesmo, que foi, e é elitista, afirma agora que tem que se combater a estratificação social e a estrutura elitista e aristocrática da sociedade portuguesa, e fora com o doutorismo. Paulo Rangel mais parece um revolucionário marxista ressuscitado que defende levar Portugal no sentido da sociedade sem classe. Aonde chega o desplanto!

Afinal, quem és tu PSD?

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 16:09
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Quinta-feira, 10 de Setembro de 2015

Falar do passado para fazer esquecer o presente e ocultar o futuro

Estratégia da coligaçãoPSDCDS.png

O debate de António Costa e Passos Coelho deve ter sido um pesadelo para os adoradores do segundo. Passos não conseguiu despir a veste dum primeiro-ministro que quase destruiu o país. Portou-se como um tecnocrata que fala "economês", frio, despido de qualquer sensibilidade social como se estivesse a governar apenas para o cumprimento números, sem contudo apresentar quaisquer proposta quantificável, Sem programa para apresentar e falando uma linguagem sem qualquer interesse para a maior parte das pessoas que fazem parte do país real falou sem dizer nada e sem que a maioria do povo o perceba.

A coligação representada por Passos Coelho à falta de projeto ou de um programa concreto e explícito, que não seja a continuidade do que executou durante quatro anos, refugiou-se no passado e em Sócrates, como se isso fosse de interesse para o que pretende fazer se ganhar as eleições.

Foi oportuna a prisão de Sócrates para direita tentar para esconder com o passado o que nos oculta sobre o futuro se esta direita for novamente governo. Pelo que de viu e permitam-me aqui que especule um pouco, até parece que, o que Paulo Rangel disse sobre a justiça e governo parece haver algo de coincidente, ver um dos blogs anteriores. Para não debater projetos para o futuro e não abrir o jogo refugia-se em Sócrates e no passado.

Caso a coligação PSD/CDS venha a ganhar as eleições de outubro o que acha que o espera a si?

Se pudéssemos fazer uma sondagem com esta pergunta as respostas seriam de vários tipos. Imaginámos três que poderão ser representativas do universo das respostas obtidas. Uma, poderia ser - é indiferente, são todos iguais, para mim continuará tudo na mesma seja quem ganhar. Outra seria - fizeram tudo bem, nada me afetou e até tenho tido vantagens, por isso só espero o melhor. Uma outra seria - espero o pior porque irão fazer o mesmo que já fizeram, por isso espero tempos pouco favoráveis. Não há esperança de qualquer melhoria para as pessoas como eu.

Todas as respostas são válidas no que respeita às expectativas sobre o que o futuro lhes reserva se a coligação ganhar as eleições.

Podemos classificar as respostas do primeiro tipo com sendo a de potenciais abstencionistas que contribuem para que nada mude.

Os que dizem que tudo melhorou são os habituais eleitores desta direita e os que professam uma política clubista, fiéis que vestem a camisola mesmo que ela tenha contribuído para os destruir. Os do terceiro tipo têm sempre um partido em que votar que não seja a coligação PSD/CDS.

Para quê esta conversa? OK. Aqui vai.

Se as eleições forem ganhas pelos que, passo a passo como os zombies regressados das tumbas, matraqueiam os nossos ouvidos com palavras vãs como estabilidade e continuidade não nos enganam porque já todos os portugueses pensantes sabem o que irá acontecer.

  1. Se ganharem vão fazer uma releitura dos relatórios do FMI para justificarem a continuação das suas políticas da austeridade e da sua política neoliberal.
  2. Dirão que o défice está novamente a subir e estará tudo pior do que o que apresentaram durante o último ano e durante a campanha eleitoral e mais uma vez seremos enganados.
  3. Continuarão a fazer de conta que não existem centenas de milhares de desempregados, (dizem ser cerca de um milhão ao todo, tudo contadinho), desencorajados e desempregados de longa duração desencorajados que já não se incluem nas estatísticas incluindo os que saíram do país emigrando. Estágios virtuais criados para "reparar" estatísticas.
  4. Continuarão (ou agravarão) os que nem sequer têm emprego sem direitos, pura e simplesmente não têm emprego.
  5. Manter-se-á ou agravar-se-á o número de uma em cada cinco pessoas é pobre cerca de dois milhões de portugueses. Não são falados, são apenas números a coligação passou-lhes um espanador por cima. Após quatro anos tudo é bom, porque para eles não existem as pessoas que vivem mal em Portugal.
  6. Os media televisivos não falam deles não dá audiências, preferem fazer reportagens sobre casos de pessoas que vivem em extrema miséria, sem água, sem luz, isso sim é emoção e dá audiências enquanto a pobreza estrutural que recuou dezenas de anos para trás para quem a esperança que a coligação lhes oferece nunca não passará disso.
  7. Continuarão a arranjar estratégias, digo, "esquemas" para retirar valor às pensões de reforma, mesmo às mais magras que sejam. Pode ser que aqueles que não foram atingidos estejam, neste momento, a defender a coligação, mas bem podem esperar pela sua vez.
  8. Os que não eram pobres ou o deixaram de ser após o vinte cinco de abril e que agora foram lançados para essa situação ficarão assim para sempre. É essa a política que a coligação PSD/ CDS continuará e nada há a fazer.
  9. Quem perdeu tudo casa, carro, emprego continuará a ter as cantinas sociais e o assistencialismo humilhante que a coligação lhes proporcionará.

O discurso oficial fala muito no crescimento da “economia”, daquilo que eles chamam “economia” na sua visão tecnocrática pode resolver a questão social e alterar as estatísticas sociais. Palavras de ilusionista. Se não houver mecanismos de distribuição, a não haver equilíbrio nas relações laborais, a não haver reforço dos mecanismos sociais do estado – tudo profundamente afetado pela parte do programa da troika que eles cumpriram com mais vigor e rapidez – o “crescimento” de que falam tem apenas um efeito: agravar as desigualdades sociais.

Passou a haver "novos donos disto tudo", "são os do lado do poder, do poder que aparece nas listas dos jornais económicos, os chineses, angolanos, profissionais das “jotas” alcandorados a governantes, advogados de negócios e facilitadores, gestores, empresários de sucesso, a nova elite que deve envergonhar a mais velha gente do dinheiro, que o fez de outra maneira.".

 

Recomendo a leitura do artigo de Pacheco Pereira no jornal Público que me inspirou este "post"

Publicado por Manuel Rodrigues às 23:25
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Segunda-feira, 6 de Julho de 2015

A única verdade é a que a direita deseja

Pereira Coutinho.pngO comentador maestro da direita neoliberal

mais radical de Portugal

É extraordinário como os comentadores e jornalistas dedicados a argumentos dedicados em defesa da direita enganam, omitem, distorcem, deturpam para confundir, com os seus comentários, os que, menos atentos, podem deixar-se confundir mesmo que os factos desmintam os que defendem as causas que lhes pode trazer a prazo vantagens para sua tabanca.

Quando uma votação coincide com o que eles esperam é sempre uma votação de responsabilidade, na estabilidade, na competência e de clareza no caminho desejado, caso contrário é a votação na irresponsabilidade, na insegurança, etc., etc.. Ao longo dos anos é sempre o mesmo.   

Dou apenas dois exemplos de colunista de jornais e de comentadores de televisão cujas opiniões e a credibilidade, mais do que uma vez já foram contraditadas pelos factos. São um tal de Pereira Coutinho, do Correio da Manhã e da CMTV e Henrique Monteiro colunista do jornal Expresso que, quando bem calha, e por interesse de opinião, surge nos canais de televisão da SIC que pertencem ao mesmo grupo do Expresso.

Eduardo Monteiro está sempre com um meio sorriso (será de escárnio?) que mais parece estar sempre a "gozar" com tudo o que comenta e outras vezes parece estar zangado com a vida. Pois este dito jornalista que, pensa ele, ser isento nos comentários que verbaliza diz coisas tão atabalhoadas que ninguém percebe.

Ontem, no canal SIC Notícias, ao comentar o referendo na Grécia onde ganhou por larga maioria o NÃO disse no momento em que no ecrã passavam imagens dos gregos a festejar a vitória que os gregos estão a festejar mas nem sabem o quê. Pois, para Monteiro, os gregos são uma cambada de estúpidos que não sabem em que votaram nem para quê. Ao falar-se do número de votantes da fraca abstenção e da percentagem conseguida pelo NÃO lança outra, dizendo que ali até os mortos estão a votar.

Como é possível que dum sujeito, enquanto jornalista, se esperava seriedade, lança para o ar estas "bacoradas". Será isto um contributo para a credibilidade dos comentadores que andam por aí a enxamear e a encher a cabeça dos cidadãos que os escutam, contribuindo para o descrédito da comunicação social.

Temos outro espécime requintado, esse, declaradamente da direita extremista que pretende enganar quem o ouve utilizando a técnica do medo que é um tal Pereira Coutinho. Este, lança para o ar a ideia de que o não pagamento de salários e pensões na Grécia pode também acontecer em Portugal, como se o Governo que ele pretende apoiar não o tivesse já feito.

Mas confunde e deturpa a realidade quando associa, sem qualquer prova do que diz o problema da Grécia ao aumento de impostos, cortes de salários e de pensões que Portugal poderá ou poderia sofrer por causa dos gregos terem optado pelo NÃO.

A direita pretende passar a mensagem de que os problemas da Grécia foram devido ao atual governo democraticamente eleito, o que é falso. Não foi o Syrisa, no poder há cerca de seis meses apenas, que levou os gregos à situação em que se encontram, foram as coligações de direita que o precederam.

A causa final para o Syrisa estar no poder foi ao estado a que a direita conduziu a Grécia. É evidente que a austeridade excessiva, a difusão da pobreza, a perda de poder compra, os cortes nos rendimentos, o desespero, os impostos que as grandes empresas não pagam por culpa da direita que esteve no poder resultou numa viragem para o extremo, por mais que a direita diga o contrário.

Os gregos no domingo passado deram uma lição de inconformismo apesar de todas as vicissitudes, sacrifícios, ansiedades, dúvidas, não recebimento total de reformas, fecho dos bancos e a impossibilidade de poderem levantar mais do que 60 euros, como se a grande maioria tivesse a necessidade ou a possibilidade de levantar diariamente aquele valor (1800 euros mês!). 

Publicado por Manuel Rodrigues às 20:02
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Conformismo versus inconformismo

Conformismo.png

 

Os gregos no domingo passado deram uma lição de inconformismo apesar de todas as vicissitudes, sacrifícios, ansiedades, dúvidas, fecho dos bancos e a impossibilidade de poderem levantar mais do que 60 euros, como se a grande maioria tivesse a necessidade ou a possibilidade de levantar diariamente aquele valor (1800 euros mês!).  

Nós, portugueses, somos na Europa um povo muito estranho nas suas atitudes e comportamento sociopolítico enquanto somatório dos comportamentos individuais que afetam o modo como pensa, talvez fruto dum regime que, apesar de ter caído no 25 de abril de 1974, ainda se mantem como uma espécie de componente do seu gene social.

Quando sujeitos a situações de carências várias esses comportamentos são manifestos na forma como aceitam com resignação e submissão a que o obrigam.

Foi assim que Deus quis! O que havemos de fazer? Manifestam.

Há outros piores do que nós!

Então o que é que havemos de fazer, é assim!

Outras formas de pensamento manifestos apenas nos seus círculos familiares ou de amigos revelam uma resignação e aceitação a tudo dizendo:

Olha, ficamos com menos, mas ainda nos dá para ir vivendo! Cortam-lhe tudo a que devia ter direito sem reclamar e diz, vamos vivendo com o que ainda temos.

Cortam-lhe no salário e… vá lá que ainda tenho trabalho… cá vamos vivendo.

Aceita trabalhos com salários que os leva ou mantêm ao nível da pobreza e dizem-lhe: vale mais teres este trabalho do que não teres nenhum.

Cortam-lhe ainda mais em tudo até ao limite e dizem: ainda bem que tenho as cantinas sociais.

Ficam sem a casa e dizem: paciência a minhas família vai ter que ajudar.

Tem que tomar um medicamento três vezes ao dia para manutenção da sua saúde mas não tem como pagar e diz: paciência, passo a tomar apenas uma vez ao dia. Não tem dinheiro para pagar a energia que foi cortada e logo pensa: que hei de fazer, tenho ali umas velas, como é verão os dias são mais longos.

No inverno diz para quem está perto de si: tenho ali uma mantinha que me deram lá na paróquia, sempre serve bem para aquecer.

Isto até à exaustão.

Que vida é esta? Que povo é este?  

Formas de pensar que o conduzem a uma espécie de suicídio lento.

Todos falamos de barriga cheia, especialmente aqueles que por aí andam a contribuir para defender e ajudar à manutenção daquele tipo de atitudes conformistas. Veja-se como todos eles criticam o inconformismo do povo grego.

Publicado por Manuel Rodrigues às 16:02
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Terça-feira, 30 de Junho de 2015

A Grécia e as pressões e preconceitos da direita

Em Portugal o problema da Grécia tem provocado comentários e análises motivados por preconceitos partidários e ideológicos que chegam ao ponto do irracional como os comentários de Luís Pedro Nunes, diretor do Inimigo Público, que pretende ter graça e satirizar mas que de graça nada tem. Em vez de distanciamento e isenção que se esperaria por parte de comentadores e analistas políticos, formando e informando, o que se vê é desinformação e tropeços em comentários emocionais, ideológica e tendencialmente partidarizados.

Os senhores que mandam na Europa não se dão bem com a esquerda, mas dá o seu beneplácito a governos de direita em coligação com sociais-democratas que lhe sejam fiéis e obedientes. É isto que está em cima da mesa, daí a teimosia dos dirigentes europeus que vêm com desagrado e querem fazer com que seja um mau exemplo para se no futuro chegarem ao poder partidos de esquerda mesmo que democraticamente eleitos. Chamam-lhe esquerda radical mas onde está a outra, a não radical? Essa já foi há muito absorvida deixando de ter representação significativa.

Há que reconheçer que a responsabilidade é de todos, políticos, governos, do povo, e dos líderes europeus mas parece que estes últimos não querem assumir as suas responsabilidades e centram-se apenas em arranjar formas de fazer cair um governo apenas por ser duma esquerda não-alinhada com as propostas que lhe querem impor.

O problema é, por isso, mais político do que financeiro e económico. Não é com vinagre que se apanham moscas diz o povo. A direita que toma posições radicais e que governa a europa, onde Portugal também se encontra, preferiu utilizar sprays fortíssimos para afastar uma espécie de moscas que lhe vieram cair em cima do prato.

É necessário ter em conta que não se trata de moscas mas de um país que foi enfraquecido por medicamentos que era suposto fortificá-lo mas que o colocaram num estado de tal depauperação que está em vias de não conseguir sequer levantar-se. No entanto, quem nos governa na Europa quer mostrar para a opinião pública que já reduziu o máximo que podia o princípio ativo do medicamento prescrito que estavam a obrigar os gregos a ingerir. Mas este princípio ativo não ajuda à cura da doença mas colocar o doente num estado de letargia durante anos.

Vamos ser objetivos, têm sido identificados na Grécia situações como evasão fiscal, a falta de agilização na cobrança de impostos, a corrupção, mau funcionamento dos tribunais administrativos, problemas de oligopólios, nas profissões, etc.. A quem devemos imputar a responsabilidade disso senão aos governos anteriores que fora socialistas, direita e de centro direita de coligação e outras fórmulas mágicas de coligações que nunca conseguiram por falta de vontade política, comprometimento com o status quo e porque nunca quiseram tocar em privilégios instalados durante anos.

A Grécia tem responsabilidades de estar na situação em que se encontra, mas a responsabilidade não é, por certo, do Syriza que nunca esteve sozinho no governo da Grécia nem sob a forma de qualquer coligação. O Syriza está no Governo da Grécia como consequência do que fizeram os governos antecedentes.

É bom recordar que em 23 de abril de 2010 o Governo da Grécia era liderado por Papandreou do partido socialista, altura em que foi pedido o primeiro resgate financeiro devido à crise europeia fazendo entrar 100 mil milhões de euros provenientes das três entidades internacionais (União Europeia, Banco Central Europeu e FMI). Em março de 2012 recorre a um segundo resgate de 130 mil milhões que entraram até finais de 2014. O resultado das condições impostas pela troika ao governo de Atenas, com Samaras da Nova Democracia então no poder, não foram cumpridas e as que o foram também não resultaram apesar dos extremos sacrifícios a que sujeitaram o povo grego.

Ao aceitar o empréstimo da troika em troca de €245,6 mil milhões de euros de maio de 2010 a março de 2016, o Governo comprometia-se à da implementação de reformas económicas, privatizações e medidas de austeridade.

No momento de uma das avaliações a troika encontrou um desfasamento no cumprimento das metas do plano de cerca de 2,5 mil milhões de euros nas contas e pedia medidas acrescidas de austeridade mas o Governo insistia nas suas contas que eram as corretas e sujeitou-as ao parlamento que as aprovou.

Para Mariana Mazzucato do The Guardian o problema da Grécia não pode ser resolvido com cortes e mais cortes e acrescenta que "o problema da Grécia nunca foi um problema de liquidez mas de solvência, ou seja, a sua incapacidade para cumprir os compromissos com os recursos que constituem seu património ou ativo. Foi a crise da competitividade agravada pela crise financeira. A crise grega não aguentando mais cortes deveria ser direcionada uma estratégia de investimento sério, acompanhado por reformas sérias do Estado e da fiscalidade tendo em vista a competitividade. A insistência no status quo de mais austeridade produz uma Grécia cada vez mais fraca, com mais desemprego e mais perda de competitividade."

A Grécia tem problemas que quer resolver mas precisa do apoio da União Europeia que lho está a negar apenas, e só, por mero preconceito e receio de que outros países possam seguir-lhe o exemplo de se atreverem a votar em partidos que não são aceites por governos que pretendem ser dominantes e hegemónicos. A estratégia tem sido dominar e controlar pacificamente outros países mais fracos, através de governos subservientes que não lhes crie problemas, de modo a possam ficar no domínio da sua influência e da qual não se possam libertar. É uma espécie de colonialismo dos tempos moderno através da finança, isto é, uma forma de domínio económico, político e social, exercido por um país sobre outro, separado geograficamente dele.

Publicado por Manuel Rodrigues às 00:04
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Quinta-feira, 25 de Junho de 2015

Libertai Barrabás

O que se vem passando neste país nos últimos quatro anos, os acontecimentos dos últimos seis meses, nomeadamente na Grécia, e as sondagens que por aí se divulgam fizeram-me recordar uma passagem do Novo Testamento que passo a resumir.

Na antiga Judeia por ocasião da festa Pilatos o governador romano na região costumava conceder a liberdade a um prisioneiro à escolha do povo. Nessa altura havia um afamado criminoso e assaltante chamado Barrabás que tinha sido preso por causa de uma insurreição desencadeada na cidade, e por homicídio.

Jesus Cristo na altura era invejado e punha em causa o poder dos sacerdotes do templo e a organização social que então se vivia sob o poder romano que ocupava a cidade, isto é, Jesus apresentava outras alternativas para a época que tinha por base a construção de uma sociedade mais humanizada.

Então chegada a altura da condenação Pilatos perguntou à multidão que se encontrava reunido e perguntou: "Qual quereis que seja libertado: Barrabás ou Jesus Cristo?".

Os sumos-sacerdotes receosos da perda do poder e aqueles que pretendiam que nada fosse alterado naquela sociedade persuadiram a multidão a pedir que soltassem Barrabás e a exigir a morte de Jesus. Então Pilatos inquiriu: "Qual dos dois quereis que vos solte?". A populaça respondeu: "Barrabás, Barrabás!". "Que hei de fazer, então, de Jesus?". "Seja crucificado!".

Esta história bíblica é bem demostrativa do comportamento das populações quando condicionadas e alimentadas por ideias que lhes são induzidas previamente.  

As sondagens eleitorais têm vindo a demonstrar o medo e o receio de alternativas diferentes das que lhe impuseram durante anos. Pensamento típico do português que acha que mais vale ficar neste cantinho do que mudar para outro que pode ainda ser pior. Não pondera se pode ser melhor, mas aceita logo de imediato que pode pior. A quem pode interessar este tipo de atitude?

É a consequência da ordem lógica das coisas criada pelos princípios da política salazarista que tem persistido que é bem explorada por uma direita que gostava que tudo continuasse na mesma ainda que sob a capa duma democracia onde se pode dizer e a escrever umas coisas, a que chamam liberdade de expressão, e a eleições de quatro em quatro anos e, se possível, apenas em partidos a que chamam do arco da governação.  

O que faria a União Europeia se houvesse outros Syrizas a ganhar eleições? Tudo mudaria. É mais por isso que a UE pretende servir-se do exemplo da Grécia para evitar que volte a acontecer o mesmo noutro qualquer país. Esta é democracia da europa do euro.

Rejeitar partidos eleitos pelos povos impondo uma falsa democracia de com regimes de partidos únicos.

Jesus Cristo colocou em causa a sociedade da época e apresentava uma alternativa humanista, por isso, a populaça gritava "Barrabás, libertem Barrabás e crucifiquem Jesus" num ímpeto de vingança e com o medo da mudança.

Publicado por Manuel Rodrigues às 20:14
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Sexta-feira, 19 de Junho de 2015

Grécia: a outra realidade

Não me tenho pronunciado frequentemente neste local sobre o problema grego mas começa a ser grave o que está acontecer naquela que, apenas de nome, se apelida de União Europeia.

Sempre pensei que a U.E. está a forçar a todo o custo a cedência da Grécia apenas, e só, porque um partido de esquerda que não é do seu agrado foi eleito democraticamente pelo povo grego.

Não sou simpatizante deste tipo de partidos mas aceito que, se foi a escolha dos gregos e se quiser ser minimamente coerente com os princípios democráticos que adoto, tenho que aceitar tal decisão. A questão que coloco é: e se fosse um partido de direita, a europa estaria a tomar a mesma posição? Vários partidos já estiveram no poder na Grécia, nomeadamente de direita e em coligação e nada fizeram, mas a U.E. e o FMI não se tiveram posições tão radicais. Como explicar então este facto?

Alexis Tsipras escreveu um artigo sobre o sistema de pensões grego que foi publicado no jornal alemão Der Tagesspiegel , para tentar dissipar o mito de que os contribuintes alemães estão a pagar as pensões gregas. Neste seu artigo argumenta que o " mito popular de que o contribuinte médio alemão tem sido levado a acreditar [...] que ele está a pagar para os salários e pensões do povo grego [...] é absolutamente falso".

Em baixo transcrevo o artigo na íntegra que vale a pena ler e comparar como o caso português:

 

"Durante uma negociação, uma troca de argumentos é legítima, desde que haja sinceridade e boa-fé entre as partes. Caso contrário, quando o diálogo está em curso sem fim à vista a consequência é que os métodos utilizados são semelhantes aos descritos pelo grande filósofo alemão Schopenhauer em "A Arte de estar sempre certo"!

Por exemplo, é injusto para utilizar seletivamente índices estatísticos - mesmo se eles são dotados com o prestígio de economistas de renome, tais como Olivier Blanchard - para produzir generalizações infundadas de que a realidade obscura.

Como tal, gostaria de desconstruir um mito popular de que o contribuinte médio alemão tem sido levado a acreditar. Ou seja, que ele está a pagar os salários e pensões do povo grego. Isso é absolutamente falso.

Eu não nego que o nosso sistema de segurança social tem problemas. Mas é importante ressaltar a raiz do problema e como ele pode ser resolvido. Houve muitos cortes nos últimos anos, que só serviram para aprofundar a recessão e tornar o problema ainda pior.

Pode parecer um pouco suspeito que 75% da despesa primária é usada para pagar salários e pensões. Se isso soa inacreditável-isso é porque ele é: apenas 30% das despesas primárias das pensões. Além disso, é importante notar que os salários e as pensões não são a mesma coisa, e avaliá-los juntos é um erro metodológico grave.

A comparação com as pensões da Alemanha também é um pouco enganadora. De acordo com o Relatório de Envelhecimento (2009, 2015), as despesas com pensões na Grécia subiram de 11,7% do PIB em 2007 (um pouco maior do que a de 10,4% na Alemanha) e chegou a 16,2% em 2013 (enquanto na Alemanha os números mantiveram-se praticamente estável).

O que causou esse aumento? Foi devido a um aumento dos pensionistas ou um aumento no montante das pensões? A resposta é: Não. O número de pensionistas permaneceu essencialmente inalterado e as pensões têm diminuído drasticamente devido às políticas implementadas.

Aritmética simples é suficiente para chegar à conclusão de que o aumento das despesas com pensões em percentagem do PIB é inteiramente devido a um declínio no PIB (denominador), e não a um aumento das despesas (o numerador). Em outras palavras, o PIB declinou mais rapidamente do que as pensões.

No que diz respeito a idade de reforma, pode ser que em funcionários da Grécia se aposentem muito mais jovem?

A verdade é que a idade da reforma na Grécia é de 67 anos para os homens e mulheres, ou seja, dois anos mais do que na Alemanha.

A idade média de saída do mercado de trabalho para os homens na Grécia é 64,4 anos, ou seja, oito meses mais cedo do que os 65,1 anos na Alemanha, enquanto as mulheres gregas se aposentam aos 64,5 anos, cerca de 3,5 meses mais tarde do que as mulheres alemãs que se aposentam em 64,2 anos.

Eu quis destacar a -novamente acima, para não negar os males de nosso sistema- segurança social, mas para provar que o problema não é das supostas pensões generosas.

A rutura mais significativa para os fundos de pensão é devido a receitas mais baixas dramaticamente nos últimos anos. Estes foram causados ​​pela perda de bens devido à PSI (haircut de títulos gregos detidos pelos Fundos de Pensão, totalmente cerca de 25 milhões de euros), bem como - e mais importante - pela forte queda nas contribuições que resultou de aumento do desemprego, e a redução dos salários.

Em particular, durante o período 2010 - 2014, cerca de € 13.000.000.000 foram removidos do nosso sistema de segurança social por meio de uma série de medidas com uma redução correspondente em pensões e subsídios a uma taxa de cerca de 50%, o que esgotou qualquer margem para novas reduções sem prejudicar o núcleo operacional do sistema.

Além disso, temos de compreender que o sistema está sendo pressionado principalmente do lado da receita e menos em despesas, como é muitas vezes implícito.

Gostaria também de chamar a atenção de um assunto que é exclusivo da crise grega. O sistema de segurança social é o mecanismo institucionalizado de solidariedade entre as gerações, e a sua sustentabilidade é uma preocupação principal para a sociedade como um todo. Tradicionalmente, esta solidariedade tem significado que os jovens, através das suas contribuições, financiam as pensões dos seus pais. Mas durante a crise grega, temos testemunhado esta solidariedade está sendo revertida como pensões dos pais financiar a sobrevivência de seus filhos.  As pensões dos idosos são muitas vezes o último refúgio para famílias inteiras que têm apenas um ou nenhum membro trabalha em um país com desemprego de 25% na população em geral, e 50% entre os jovens.

Diante de tal situação, não podemos adotar a lógica de cortes cegos e horizontais, como alguns no têm pedido para fazer, o que resultaria em consequências sociais dramáticas.

Por outro lado, não somos indiferentes à condição atual do nosso sistema de segurança social, e estamos determinados a garantir a sua sustentabilidade.

O governo grego apresentou propostas específicas em matéria de reorganização do sistema de segurança social. Nós concordamos com a abolição imediata da opção de reforma antecipada que aumenta a idade média de aposentação, e estamos comprometidos em avançar imediatamente com a consolidação dos fundos de pensão, reduzindo as suas despesas de funcionamento e restringindo o regime especial.

Como analisámos em detalhe durante as nossas discussões com as instituições, estas reformas funcionar de forma decisiva em favor da sustentabilidade do sistema. E como todas as reformas, os seus resultados não serão aparentes de um dia para o outro. A sustentabilidade requer uma perspetiva de longo prazo e não podem estar sujeitos a critérios fiscais estreito, curto prazo (por exemplo, a redução das despesas de 1% do PIB em 2016).

Benjamin Disraeli costumava dizer que existem três tipos de mentiras: mentiras, mentiras deslavadas e estatísticas. Não permitamos que um uso obsessivo-compulsivo de índices para destruir o acordo abrangente que nós preparamos durante o período anterior de negociações intensivas. O dever recai sobre todos os nossos ombros."

Publicado por Manuel Rodrigues às 01:01
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Domingo, 7 de Junho de 2015

Os valores, a moral e a ética política de quatro anos de governo

Etica e moral.png

Tinha em cima da minha secretária um livro que relata factos da política de meados do século XX. Resolvi folheá-lo e ler alguns extratos. Lá descobri algumas frases de reuniões, instruções e discursos pronunciadas por líderes da altura que inseri no final deste texto. Aquelas frases exprimiam um certo tipo de pensamento político de apelo à violência física e à dignidade das pessoas.

Para melhor se perceber a influência e a relação entre o que se diz em política e a formação de certos valores sociais partamos da seguinte suposição:

Numa aula de política eu dizia frente a jovens universitários o seguinte:

- Vocês não conseguem um emprego porque os vossos pais e outras pessoas estão instalados e a ocupar postos de trabalho que poderiam ser vossos.

Que valores pessoais, morais e sociais estaria eu a passar a esses jovens?

Estaria a disformar as suas mentes passando-lhes valores anti família e antissociais e ao mesmo tempo a contribuir para estimular uma “revolta” psicológica contra a família e outros setores da sociedade, podendo posteriormente a provocar clivagens sociais. Na prática estaria a estimular comportamentos de estigmatização dos seus progenitores por serem os responsáveis por não terem trabalho.

Voltemos novamente à questão da deturpação de valores que eu estava a transmitir aos jovens que tinha na aula à minha frente. Com uma atitude doutoral, convincente e de aparente credibilidade acrescentava sem qualquer outra explicação:

- Vocês, jovens, quando chegar a vez da vossa reforma, a pensão que irão receber será muito mais baixa porque os vossos avós, e pais se for esse o caso, estão hoje a receber pensões a mais do que aquela que deviam e não aceitam que sejam reduzidas para que no futuro vocês possam receber mais.

Imaginemos agora que entre esses alunos estivesse um Bart Simpson, o personagem do filme de animação “Os Simpsons”. O mais provável seria que ele batesse palmas e soltasse alegremente vivas. Com certeza haveria outros que, como a sua irmã Lisa Simpson, mais esperta, atenta, informada e refletida, em cuja educação lhes foram incutidos outros valores, não teriam concordado com nada do que eu tinha dito e, se pelo menos não me apupassem seria por respeito ou por pressão psicológica do grupo.

As mensagens que são passadas em política, podem vir a refletir-se na construção dum pensamento ao nível dos valores, da ética, da moral social e da filosofia de vida.

Face ao que Passos Coelho e alguns elementos do seu Governo e de partido têm dito por aí colocam-se então algumas questões que não são de somenos importância e merecem ser exigida uma resposta.

Que ideologia, que atitudes na política estão a pretender seguir ao proporem-se quebrar com toda uma cultura de solidariedade e de coesão social que são raízes na nossa cultura ao mesmo tempo que acicatam rivalidades inter-geracionais?

Que objetivos encobertos terão em mente que os conduzem a produzir tais afirmações tentando destruir valores consagrados em qualquer democracia da civilização ocidental?

Afirmam, e insistem, com grande aparato comunicacional que tudo está a melhorar, desde o crescimento da economia à diminuição do desemprego, da diminuição da dívida ao aumento do consumo, e que vivemos num Portugal em vias de ser uma maravilha e que todos os problemas têm sido resolvidos. O primeiro-ministro chegou a dizer para quem o quis ouvir que "Portugal é comparável às nações de maior prosperidade no mundo". Ao mesmo tempo fazem passar mensagens nas quais fazem subentender que não há solução senão banir, marginalizar e a excluir do tal apregoado crescimento um setor da sociedade que dizem ser causador de todos os males.

Apesar do atual contexto político não apresentar semelhança com aquela época que referi anteriormente levaram-me a fazer algumas conotações devidamente ajustadas à realidade portuguesa dos últimos quatro anos. Nenhuma das frases foi proferida em Portugal e, em regimes democráticos, hoje em dia, seriam impossíveis de ser pronunciadas, a não ser por movimentos radicais e extremistas que existem por esse mundo fora.

Contudo há mensagens subtilmente passadas em certas intervenções políticas que evidenciam determinadas atitudes e valores que perfilhadas cuja génese pode ser rebuscada no substrato das citações que selecionei.

Assim, através dum pequeno exercício intelectual que teve como base o que foi dito e feito por políticos em pleno exercício de funções durante estes últimos quatro anos de Governo, e após uma análise das citações, arrisquei fazer algumas conotações que, no domínio do simbólico, podem ser reveladoras de atitudes político-ideológicas semelhantes ao nível do subconsciente.

O conteúdo das frases citadas abaixo basta pode ser atualizado e transformado num discurso atual dissimuladamente democrático. Algumas são plenas de segregacionismo, defensoras da exclusão e de clivagens sociais conducentes à desvalorização e à quebra da coesão social.

As associações podem parecer exageradas e despropositadas mas deve ter-se em conta que o tempo político em que as frases originais foram proferidas foi outro, e que, posteriormente, muitas das ideias políticas foram-se alterando, subtilmente adequando e os seus discursos dissimulados. Ao longo da história da primeira metade do século passado alguns líderes ocuparam o poder que lhe foi dado pelo povo, graças às mensagens que transmitiram através dos seus discursos empolgantes que começaram primeiro por ser ideias plenas de promessas e glórias nacionais mas rapidamente e em crescendo, foram-se transformando em apelos intoleráveis.

Veja-se então as ditas associações a partir das frases citadas:  

  • “…Vamos agora enfrentar a tarefa de repartir o nosso bolo segundo as nossas necessidades, de modo a podermos: em primeiro lugar, dominá-lo; em segundo lugar administrá-lo; e em terceiro lugar, explorá-lo.”

Comentário:

Esta frase nunca foi proferida nem escrita pelos nossos políticos mas podemos supor o bolo como sendo um Orçamento de Estado que poderá ser será elaborado de modo a que haja transferências de uns setores para outros que deles beneficiarão. Normalmente os que são beneficiados são sempre aqueles que utilizarão os impostos pagos por todos para benefício de apenas alguns e prejuízo de muitos, que se manterão ou serão lançados para a retaguarda da sociedade. Isto porque a distribuição da maior parte dos recursos, nomeadamente os financeiros que, sendo escassos, privilegia cada vez mais através do processo de transferência outros setores já de si privilegiados. Quer dizer, estão a ser retiradas efetuadas da classe média e baixa para as camadas sociais mais ricas, não só através do Orçamento de Estado mas também por outras vias.

Alguns casos exemplificativos:

O desemprego dos dois membros de um casal, ou de apenas um deles, gera uma perda de rendimentos que os torna incapazes de manter os compromissos que tinham assumido. A compra duma habitação, concretizada no pressuposto de manterem ao longo da vida alguma estabilidade financeira que lhes possibilitava cumprir os seus compromissos, numa situação de desemprego viram-se repentinamente sem recursos para garantir o compromisso contraído com a aquisição da habitação. O não cumprimento da obrigação tem como consequência a entrega da casa. Esta é então adquirida a pronto por quem tem recursos financeiros enriquecendo o seu património. Poderão alguns dizer que em vez de se comprar uma habitação teria sido preferível alugá-la. O problema mantinha-se mas doutra forma, o rendimento dessa família ou pessoa singular, nas mesmas circunstâncias anteriores, continuava a não ser suficiente para assumir o compromisso do pagamento da renda.

Numa situação de desemprego ou de corte nos rendimentos (corte salarial por ex.) mesmo tendo habitação própria e sem qualquer dívida o aumento do valor do IMI pode ser tão elevado que possa ser incomportável o seu pagamento pelo que pode haver o perigo da perda da habitação em caso de incumprimento. O mesmo se passa com outros setores da sociedade, sejam eles reformados, aposentados ou pensionistas que, vendo-se privados de parte de rendimentos devido a cortes vêm-se obrigados a desfazer-se do seu património que passa para mãos oportunistas.

São apenas alguns exemplos de situações de pessoas, descritos com linguagem simples e não codificada que é utilizada por aí com o objetivo de evitar a sua compreensão por parte da população que vive num país onde lhe dizem que está tudo muito melhor e a correr como previsto. Será que um país existe sem as pessoas?

  • “As ações contra nós apresentam algumas vantagens: permitem exterminar quem quer que se nos oponha”.

Comentário:

Manifestações de protesto, greves, oposição popular e de trabalhadores a decisões tomadas pelo poder foram enfraquecendo. A retirada de regalias e direitos, cortes de salários e pensões, contribuíram para que quaisquer atividades reivindicativas da população fossem neutralizadas quer pela incapacidade anímica e física, (os idosos em estado de aposentação ou reforma, não têm capacidade reivindicativa nem lóbis), quer por incapacidade financeira, quer ainda por receio do risco de perda do posto de trabalho.

Veja-se este caso verídico passado nos anos oitenta quando a democracia estava em fase de consolidação e ainda havia alguma instabilidade política. Numa empresa privada onde na altura era eu diretor dum departamento que reportava à administração. Um dos meus colegas, também diretor de outro setor, quando tinha algum trabalhador que se lhe dirigia ao gabinete para fazer quaisquer pedido de aumentos salarial ou outra reivindicação qualquer, recostava-para trás na sua cadeira, abria calmamente uma das gavetas da secretária, retirava dentro dela um conjunto de papéis olhava para o funcionário e dizia: “olhe isto são tudo pedidos de emprego para lugares como o seu, portanto já sabe, faça o que entender.”.

  • “Deve fazer-se todo o possível por promover a difusão do terror, que é o único meio de eliminar na população a vontade de resistir”.

Comentário:

Na estratégia utilizada amiúde em situação de maior crise de oposição a medidas impopulares o terror é substituído pelo medo que se transmite à população para a amedrontar. Todos nos recordamos a proveniência de palavras e pequenas frases como estas: “cuidado com os mercados”, “podemos perder a credibilidade”, “podemos a ter que voltar a ter outro resgate”, “não há dinheiro para pagar salários e pensões”, “aqueles são os mesmos que nos conduziram à vinda da troika”, “as propostas deles são para voltarmos ao despesismo”, ”cuidado que eles são a instabilidade”, "a troika pode voltar", etc., etc., etc..

Um à parte:

Ainda hoje, domingo 7 de junho, Paulo Portas aplicou a estratégia do medo quando  durante uma intervenção no encerramento do IX Congresso Regional do CDS-PP/Açores, na Madalena, ilha do Pico disse que Portugal arrisca voltar à bancarrota com o PS.

Há ou não alinhamento com o que acabei de escrever?

 

  • “…A piedade e a brandura são sinais de fraqueza e constituem um perigo evidente.”

Comentário:

As associações que podemos fazer são várias mas há uma que se adequa perfeitamente e que se resume apenas em algumas palavras.

Apesar dos vários escândalos como as listas Vip, "os submarinos", o caso das declarações e das dívidas de Passos Coelho à Segurança Social, o caso da justiça com o Citius, os vistos Gold, as "swapps", entre outros, não houve quaisquer responsabilizações políticas nem o Governo tirou delas quaisquer ilações. Apenas se tentava responsabilizar e culpabilizar os funcionários de base do processo.

Em todos os casos Passo Coelho e o seu Governo seguiu o princípio de que a brandura, podendo ser substituída aqui por cedência, é sinal de fraqueza e constitui um perigo evidente para a credibilidade do Governo, para o seu enfraquecimento e de seguida para a perda do poder. Neste caso não procedeu a quaisquer demissões, nem ele próprio apresentou a sua, porque isso seria sinal de fraqueza e resolveu aplicar a isso tudo o princípio da impunidade.

  • “Só poderão receber a quantidade de alimentos que a restante população puder dispensar, e em caso algum mais alimentos do que os indispensáveis para assegurar a sobrevivência.”.”Estas rações devem continuar a ser ministradas até poderem entrar em vigor medidas mais intensivas…”.

Comentário:

Esta citação é uma das mais radicais em termos sociais. É um despacho de natureza política e social que coloca alguns setores da sociedade dependentes daquilo que outros não necessitem, neste caso alimentos de que precisem apenas, e só, para se manter a sua sobrevivência até novas mediadas mais radicais serem tomadas. As tais “rações que devem a ser ministradas até poderem entrar em vigor medidas mais intensivas”, no contexto e no tempo em que elas foram produzidas não fariam hoje sentido.

Claro que em Portugal não foi feito nem emitida qualquer legislação ou despacho neste sentido, nem tal, em democracia seria tolerável. Todavia há outras formas mais habilidosas e menos evidentes de o fazer. Exemplo? Destruição progressiva do Estado Social é uma delas, cortes de pensões, cortes nos salários, cortes nos subsídios de desemprego e de outra natureza destinados à manutenção da dignidade pessoa e social, desemprego forçado, etc., são medidas restritivas.

No Portugal atual as medidas intensivas são de outro molde e mais suaves mas que, no nosso contexto político e social, são evidentes com a subida da abertura de cantinas sociais em flecha, aumento do apoio financeiro que o Estado tem que dar a instituições privadas de solidariedade social, bancos alimentares, todos eles que têm tido cada vez mais procura.

Quer se queira, quer não, hoje em dia estas medidas são intensivas. A mais radical, e talvez já pensada por alguns de certas áreas políticas, mas sem coragem sequer para as propor seria a eliminação de todos e quaisquer apoios sociais de vez, o que não seria praticável porque isso a manifestações populares de revolta que levariam à tomada de medidas que podem ser sintetizadas na seguinte citação:

  • “Devem esforçar-se por manter a ordem não mediante pedidos de reforço, mas sim mediante o emprego dos métodos draconianos mais apropriados”

Quem estiver para isso que tire as suas próprias conclusões.

Se elas forem concordantes com o que se tem passado nestes últimos quatro anos de Governo então espere pela sua vez.

E por aqui me fico.

 

Referências:

Gibert, Martin. 2015, A Segunda Guerra Mundial, Vol. 3, Lisboa, Publicações D. Quixote/Jornal Expresso.

Publicado por Manuel Rodrigues às 20:06
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Quinta-feira, 30 de Abril de 2015

Dar graças pelo estado do país

Cavaco_invocação.png

Mas que discurso é este em que o Presidente da República de alguns portugueses em tem a "lata" de vir invocar o nome de Deus para agradecer por termos uma rede de instituições de solidariedade social em Portugal.

Será isto motivo de orgulho para os portugueses?

O que o Presidente da República defende e sustenta é a política do país pobrezinho, sujeita à caridadezinha e à oferta de instituições de solidariedade, apesar de serem meritórias, mas que, não raras vezes, utilizam dinheiros públicos e sobre o qual não se sabe se há ou não controlo.

As instituições de solidariedade social são importantes em casos extremos que necessitem de ajuda, mas viver num país onde a política governativa lança uma grande parte da população ativa e não ativa para os braços das instituições de solidariedade não é aceitável.

É sabido que a crise gerou pobreza o que deu lugar a que surgissem cada vez mais instituições de solidariedade social. 

Cavaco Silva de cada vez que fala em público faz a invocação do nome de Deus em vão para ir de encontro à sensibilidade religiosas do povo, já que não tem mais nada que o faça aproximar.

Votar na coligação é como estar também a votar em Cavaco Silva e sufragar o seu apoio ao Governo.

Que pontos é que a direita e o Presidente da República ainda não perceberam, não querem perceber ou não concordam? 

  • Dinamizar o investimento.
  • Combater o desemprego.
  • Combater a desigualdades extremas.
  • Investir na educação.
  • Investir na saúde.
  • Investir na cultura.
  • Investir na ciência.
  • Proteção do ambiente.
  • Garantir a defesa da liberdade.
  • Garantir a defesa dos direitos humanos.
  • Garantir que a democracia não é apenas votar de quatro em quatro anos mesmo que seja evidente a destruição económica e social do país.
Publicado por Manuel Rodrigues às 23:53
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Quarta-feira, 22 de Abril de 2015

E se Portugal fosse igual a Singapura?

 

No jornal Expresso do passado 18 de abril na sua coluna o professor Daniel Bessa que prezo como economista surprendeu-me com o comentário que fez criticando Jerónimo de Sousa que teria acusado o primeiro-ministro Passos Coelho de querer transformar o país na Singapura da Europa. Daniel Bessa diz que lhe custou a acreditar no que ouvia. Não pretendo defender o Secretário Geral do PCP, mas acho que é necessário um pequeno e simples contributo para clarificar o assunto.

Resolveu Daniel Bessa fazer uma comparação de dados estatísticos entre Singapura e Portugal. Pois bem,  é um exercício interessante que Daniel Bessa faz a partir de dados estatísticos com os últimos valores conhecidos.

Taxa de desemprego era, em Singapura, de 1,9% (13,5% em Portugal).

Em 2013, o PIB per capita de Singapura foi de 54.775 USD (20.727 em Portugal).

Em 2014, no Relatório sobre a Competitividade no Mundo, do World Economic Fórum, Singapura ocupava o 2º lugar (Portugal era 36º).

Em 2014, no Índice do Desenvolvimento Humano das Nações Unidas, Singapura ocupava o 9º lugar (Portugal era 41º).

 

A dúvida está na leitura que podemos fazer para alguns países do indicador do PIB per capita. Sendo o PIB per capita calculado dividindo os indicadores económicos agregados (produto, renda, despesa) pela população pode ser enganadora a leitura daquele indicador para alguns países. O PIB per capita pode ser elevado e aumentar enquanto a maior parte da população pode ser pobre ou proporcionalmente não tão rica, pois o PIB não considera o nível de desigualdade de renda de uma sociedade. Veja-se o caso de países produtores de petróleo como a Arábia Saudita que tem um PIB per capita elevado mas onde a maior parte da população tem um nível de vida e uma renda baixíssima porque a riqueza do país está nas mãos de um pequeníssima parcela da população. Nem me a trevo sequer a colocar em dúvida que o professor Daniel Bessa se tenha esquecido disso.

Sobre a competitividade a leitura também não é linear pois a exploração da mão-de-obra ao nível salarial, nomeadamente a infantil, acumulados com o excessivo número de horas de trabalho contribuem, e muito, para o aumento da competitividade. Não é por acaso que Passos Coelho insiste na desvalorização salarial em Portugal.

Pelas informação dadas pelo professor Daniel Bessa parece até que deveríamos seguir o exemplo de Singapura em Portugal para alvcançarmos os mesmos índices. Isso seria ótimo, mas à custa de quê?

Sem querer meter a foice em seara alheia penso que não basta recolher os dados que mais nos agradem ou interessem, porque em macroeconomia há outros indices também importantes que, cruzados, devem servir como termos de comparação entre países e com o seu nível de bem estar pessoal e social porque a vida duma sociedade não é apenas o trabalho apesar de importante. A educação a saúde, a alimentação para além de outros são essenciais para o nível de desenvolvimento social de um país.

Quanto à aposentação Singapura têm fundos de aposentação menos adequados no mundo.

 

É o quinto lugar mais fácil para os ricos ficarem mais ricos se forem politicamente ligados ao governo. Singapura está ao nível de outros países em desenvolvimento como a Malásia, Índia e Indonésia. Basta consultar com critérios as estatísticas de organismo internacionais. O poder de compra é outro dos indicadores de igualdade que pode ser cruzado.

Para além de tudo isto os elementos do Governo de Singapura auferem salários mais altos entre os líderes políticos do mundo por vezes até quatro vezes mais. Não será isto também importante para avaliação?

Apresento em baixo uma recolha de alguns dados estatísticos que ajudam a comparar com Portugal.

 

 

Nome do Indíce

País

Observações

 

 

Singapura

Portugal

 

Indíces comparativos

Despesas gerais em saúde como percentagem no total da despesa da saúde

31% (2010)

65,80% (2010)

 

Despesas com educação

3,2% (2012)

5,3% (2011)

 

Propinas

5583 US dólares

   

Salário médio

2925 US dólares (2011)

   

Desigualdades

Indice de Gini

0,412 (2011)

0,342 (2011)

 

Taxa de pobreza

28%

11,9% (2011)

18,7% (2013)

 

Despesa do Estado em % do PIB

17%

   

Despesas com segurança social, saúde e bem-estar em % do PIB

2% (2012)

   

Número médio de horas de trabalho semanais

50,8 horas (2011)

35 horas (2014)

 

Salários milionários em % do PIB

Ranking dos países onde é  mais fácil para os ricos ficarem mais ricos se estiverem politicamente ligados ao governo.

Mede a posição relativa onde os empresários politicamente ligados ao governo têm mais probabilidade de prosperar.

 

5ª posição do ranking

   

Salários dos líderes  políticos

2.200.000 US dólares/ano

   

Salário médio ilíquido dos executivos

200.000 euros/ano

120.000 euros/ano

Fonte: ECA Global Perspectives National Salary Comparison

Salário médio líquido dos executivos

170.000 euros/ano

75.000 euros/ano

 
Publicado por Manuel Rodrigues às 15:26
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Segunda-feira, 20 de Abril de 2015

Ardilosos, embusteiros e apocalípticos

Ardil e embuste.png

 

Este poderia ser o título de um ensaio sobre a arte do ardil e do embuste. Mas não é. É a constatação de factos ao longo de quatro longos anos plenos de enganos e de frustrações para os quais nos deram motivos. Ficamos desconfiados e a suspeita brota como erva daninha e não a conseguimos eliminar por mais que tentemos. Cortamo-la mas, passados meses, volta a nascer plena de força e vigor.

Passo Coelho o seu Governo e as medidas tomadas, falsamente prometidas são como ervas daninhas ora desaparecem com o passar do tempo mas surgem novamente quando chega o tempo propício para o seu desenvolvimento. Como alguns animais que disfarçam a sua aparência para se defenderem dos seus predadores também eles  se apresentam com características miméticas, por conveniência e ou sobrevivência.

A frontalidade, honestidade e seriedade políticas que ainda existia em anteriores governos, com este acabaram de vez.

Os valores que os alimentam e querem passar para o povo através dos seus manipuladores de opinião são a conflitualidade intergeracional; a promoção da divisão entre trabalhadores; o desdém pelos idosos; o pouco apreço pela dignidade do, e no trabalho; o desrespeito pela saúde; o desprezo pela história de Portugal; o culto da subserviência e o seguidismo bacoco pelo poder estrangeiro; o desinteresse pela cultura, considerada como sendo de terceiro plano; a obsessão pelo poder; o ataque e o desprezo pela justiça constitucional; o desrespeito pela educação de todos, privilegiando apenas alguns; a exaltação do individualismo feroz; a opressão e perseguição dos mais fracos e o recuo perante os mais fortes; a desonestidade subjacente nas medidas políticas; a mentira por omissão; a defesa da incompetência dos seus; a exaltação do mérito dos incompetentes que os apoiam; o encobrimento de alguns para os subtrair à justiça e ao ónus da demissão por responsabilidades políticas graves são alguns dos valores que Passos e seus apoiantes têm feito passar para a sociedade desprevenida e enganada.

São conduta política e social do neoliberalismo desregrado deste Governo que é apoiado sem qualquer pudor por Cavaco Silva. Não há ética nem moral, mínima que sejam, nas políticas deste Governo que Passos chefia mas com que os honestos políticos do PSD, ainda os há, se conformam.

Publicado por Manuel Rodrigues às 17:52
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Quarta-feira, 5 de Novembro de 2014

Os portugueses não são esclerosados

Coligação_3.png

 

 

 Coligação_2.png

Para o PSD e o para o CDS a campanha eleitoral já começou mas, a cerca de 12 meses das eleições legislativas, não se sabe ainda ao certo se os partidos do governo PSD e CDS vão concorrer isoladamente ou em coligação. Tudo aponta para esta última solução, não só porque se encontram na dependência um do outro com base em compromissos assumidos mas, também, porque sabem que perderam individualmente as suas clássicas bases de apoio eleitoral.

Com esta coligação quem mais tem perdido em influência tem sido o CDS-PP. A partir do momento em que se coligaram e ao distribuírem entre eles as suas áreas de influência no governo, apoiando um mesmo programa deixou, na prática, de haver diferenças por mais que Paulo Portas se esforce por salientar que esta e aquela medida foram da sua iniciativa e que a outra, e aqueloutra, não o foram. Ou bem que o Governo é uno e está coeso como dizem, ou bem que há divergências internas que não convém que trespassem para o exterior.

O CDS de Paulo Portas no momento em que aceitou ficar no governo após ter provocado uma crise política com a já sua conhecida demissão "irrevogável" ficou amarrado e, diria mais, impossibilitado de concorrer individualmente para não ficar no círculo dos partidos com baixíssima representação parlamentar.

As últimas sondagens, em meados de outubro, davam ao CDS um mínimo histórico de 4% e ao PSD uma votação muito baixa na ordem dos 28%. Se esta tendência se mantiver, mesmo que haja ligeiras oscilações, o resultado está à vista. Para o CDS ir às eleições em coligação é a única alternativa para evitar uma humilhação numérica.

No Governo a submissão do CDS ao PSD é notória. Se fizermos leituras atentas das intervenções do primeiro e do vice primeiro-ministro por altura da preparação do orçamento para 2015 verifica-se que cada um salienta o que mais lhe interessa.

O CDS bem pode tentar arranjar créditos políticos para seu lado mas não se pode esquecer que tem nas suas mãos pastas ministeriais das mais importantes no que se refere à vida dos portugueses como a segurança social e emprego, economia e agricultura e pescas. No primeiro caso a aplicação ideológica e programática do CDS/PP tem estado bem à vista através do seu contributo para fomentar uma sociedade virada para o assistencialismo pela qual o ministro Mota Soares se vangloria por ter aberto muitas cantinas sociais, esquecendo-se que isso é o pior que pode acontecer a uma sociedade e que para as pessoas é uma humilhação terem necessidade de as frequentar.

Quem ouviu no passado as intervenções de Paulo Portas e de seus pares partidários na Assembleia da República, antes da chegada ao poder, poderá comparar o que diziam e o que agora praticam.

O que este governo tem objetivamente destruído ao nível do tecido social é, de imediato, e com agrado ideológico, sustentado pelos cortes aos apoios sociais em direção a uma prática de política assistencialista.

Há cerca de dois anos, ou mais, que o discurso de propaganda política do Governo tem sido direcionada para o crescimento e para a redução do desemprego, mas também é sabido que a realidade desmente as estatísticas que ocultam o falso emprego que se manifesta pelos programas ocupacionais que deixam de contar para os cálculos do desemprego.

Os atuais indicadores sociais macroeconómicos e sociais são a prova do que este Governo destruiu sem construir. É fácil governar destruindo o que está bem feito sem construir nada de novo. A política aplicada foi exatamente o da destruição irresponsável apenas tendo em vista uma missão puramente ideológica e de revanchismo sobre tudo quanto foi construído durante décadas. Reformar não é destruir, é modificar, é melhorar, é rever circuitos mal desenhados, reformar as finanças públicas, etc., tarefas que demoram anos e devem ser consensuais.

Até às eleições Passos Coelho, assim como os seus correligionários e ministros, irão proceder a uma autêntico terrorismo eleitoral passando o tempo a aparecer, até à exaustão, nos ecrãs dos canais de televisão (o que já acontece), regressando às velhas e cansadas histórias do passado ameaçando com papões para mascarar os estragos que fizeram no país e, para além disso, minorar os que irão sofrer nas futuras eleições. Esquecem-se que, ao contrário dos doentes que sofrem de aterosclerose aguda, cuja memória de curto prazo sofreu prejuízos insanáveis mas têm presente tudo o que se refere ao passado, os portugueses, pelo contrário, têm a memória do que é recente, muito presente.

Publicado por Manuel Rodrigues às 18:08
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Quinta-feira, 3 de Julho de 2014

Ausência

  

 Photobucket

 

Não desistirei de contribuir para que certa gente deste país deixe de considerar Portugal uma coutada que apenas serve os seus intuitos socialmente preversos

Publicado por Manuel Rodrigues às 19:18
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Sexta-feira, 2 de Maio de 2014

Mentiras e promessas

Quando tivermos que fazer escolhas para as eleições europeias devemos tomar em consideração que elas são mais importantes para o nosso futuro do que aquilo que nos querem fazer crer. O DEO (Documento de Estratégia Orçamental) apresentado por este governo que, digam o que disserem, não é mais do que um PEC (Pacto de Estabilidade e Crescimento) mas para pior. Aquele documento já foi ou irá ser enviado para a União Europeia, como o foram, em tempos, os PEC. Desiludam-se aqueles que pensam que os cortes nas pensões e nos salários ficarão por aqui. Irá caber a vez ao setor privado, não através de cortes diretos, porque não o poderão fazer, mas outras medidas serão possíveis como por exemplo o aumento de taxas sobre o trabalho ou outras que possibilitem às empresas poder fazê-lo, justificando, a baixa produtividade, a falta de encomendas, os custos de produção e ameaça de insolvência.

Os valores dos salários em atraso, devido às mais diversas causas dispararam em 2013 mais de 66% que em 2012 o que corresponde a 36,5 milhões de euros.

A experiência tem-nos dito que em campanhas eleitorais todos os partidos fazem promessas que depois não cumprem, mas não há memória termos um governo que enganou os portugueses antes das eleições e está a continuar a enganá-los no presente com promessas que, sabe, à partida, não irá cumprir porque empurra para quem as vier a ganhar em 2015.

É um governo sem rumo cujo objetivo é reduzir os portugueses à penúria sem que haja qualquer estratégia que não seja a do empobrecimento. Mudaram o discurso mas os princípios e a ideologia neoliberal continuam, apenas estão adormecidos. Mostram-se agora com um cariz social adotando uma estratégia de esforço para tentar minimizar os sacrifícios dos trabalhadores, reformados e pensionistas. Logo que consigam captar alguns na teia que estão a tecer, após eleições, se as ganharem, lançam-se novamente qual aranha sobre as suas presas.  

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 18:58
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Segunda-feira, 10 de Março de 2014

Eleições europeias e o neoliberalismo

Há quem não queira ver um rosto neoliberal neste PSD e CDS que estão no governo e se refugie em explicações para demonstrar a invalidade deste conceito da teoria económica. Mas a realidade é que ele é uma consequência mais moderna do clássico liberalismo. A escola liberal clássica defendia a abolição da intervenção do governo em matérias económicas e ser o comércio livre o melhor caminho para o desenvolvimento das economias nacionais.

O neoliberalismo é uma nova espécie de liberalismo que foi incentivado pela rápida globalização da economia do tipo capitalista e centra-se fundamentalmente na obediência aos seguintes princípios:

a)      Libertação do setor privado de qualquer obrigação imposta pelo governo (o Estado) mesmo causando danos sociais. Redução de salários e do papel dos sindicatos deixando os trabalhadores desprotegidos com eliminação dos direitos obtidos durante muitos anos.

b)      Redução ou eliminação da despesa pública destinda aos serviços sociais como educação, cuidados de saúde, redução da rede da segurança de minimização da pobreza.

c)       Passagem da exploração e manutenção das redes de comunicação terrestre para entidades privadas pagos com os impostos.

d)      Privatização da energia e da água, tudo em nome de redução do papel do Estado. Ao contrário de atribuições sociais, o neoliberalismo não põe em causa o pagamento de subsídios do Estado a entidades privadas ao mesmo tempo que evita taxar os benefícios do negócio.

e)      Redução da regulação por parte do governo de tudo quanto possa diminuir os lucros, incluindo a proteção e segurança ambiental e a proteção do emprego.

f)       Venda das empresas e serviços públicos a investidores privados. Isto inclui bancos, indústrias-chave, transportes públicos, portagens, eletricidade, escolas, hospitais e água potável, cujo argumento é a maior eficiência dos serviços, justificado pelo efeito da prosperidade. Conduz à concentração em apenas algumas mãos.

g)      Eliminação do conceito de bem público e de comunidade que são substituídos pela responsabilidade individual.

h)      Pressão sobre grande parte da sociedade, mesmo sobre os mais pobres da sociedade para eles próprios encontrarem soluções para a falta de cuidados de saúde, educação e segurança social, deixando-os a cuidar de si mesmo e, se falharem, acusando-os de serem "preguiçosos".

 

Como se sabe a aplicação do neoliberalismo tem sido imposto por instituições financeiras como o FMI, o Banco Mundial e o Banco Central Europeu (BCE) a países mais frágeis. Em Portugal são a coligação PSD/CDS e a "troika" que, com agrado e apoiando-se reciprocamente, impõem políticas neoliberais.

Não é por acaso que surgem pressões para a imposição daquelas medidas, a que dão o nome de austeridade, aos países do sul da europa e cujo objetivo é justificado pela necessidade da diminuição dos défices que passaram a ser excessivos.

A crise financeira internacional e da europa que o PSD e o CDS desconsideravam quando se encontram na oposição veio ajudar a submeter alguns países para, sob pressão, procederem a uma viragem para políticas neoliberais. Ao aproximarem-se as eleições europeias começaram a verificar-se intervenções intencionais dirigidas ao nosso país vindas de várias instituições nacionais e internacionais de apoio às medidas do Governo e elogiando o esforço. Entretanto saem estatísticas cujos números que servem e ajudam a completar o discurso.

A política neoliberal que estamos a suportar em Portugal aplicada por este governo á consequente com os princípios anteriormente enunciados que, há cerca de três anos, podem ser comprovados pelos seguintes factos:

  • 12000 Pessoas perdem apoios por mês.
  • Governo cobra cada vez mais e distribui cada vez menos: IRS subiu 35,5% custo de vida 20% mas os apoios caem 7%
  • Mais de 440000 desempregados sem qualquer apoio em 2014.
  • RSI apoia menos 52000 pessoas que em 2013.
  • Em maio de 2013 havia 399000 desempregados com direito a subsídio que recebiam em média 510 euros mensais, em janeiro deste ano os 388000 desempregados recebem 470 euros.
  • O governo conseguiu aumentar as receitas de IRS em 35,5% num só ano. Apesar do empobrecimento das famílias o aumento de receitas de IRS. (Contradições do neoliberalismo?).
  • Em 2010 48% ganhavam até 10000 euros ano. Agora são 66%. Isto é, se em 2010 existiam 2,3 milhões de famílias a ganhar menos de 10000 euros ano (48%) em 2012 contavam-se já 3,04 milhões de famílias nessa situação (66%).
  • Portugal está melhor. Se salários e pensões foram cortados, o custo de vida nos últimos anos aumentou: o preço da eletricidade subiu 23%, o uso de hospitais 19,3% mais caro e o ensino superior subiu 5,1%.
  • Num único mês 50000 crianças perderam o abono de família.
Para tudo isto basta fazer as contas

Fontes: IEFP, Instituto da Segurança Social, Segurança Social, INE, Banco de Portugal

                                                  

O dados apresentados são apenas uma parte do conjunto das pessoas afetadas que poderão ter ficado felizes com o facto de "Portugal estar melhor mas as pessoas não".

Há uma lógica neoliberal que, ao mesmo tempo que provoca crises, protege os responsáveis e força os "peões" que são as vítimas a pagar os custos. Portugal não é original neste sentido mas é o que segue o padrão com mais afinco. Já nem os partidos socialistas se conseguem distanciar. Basta recordar o que se passou com os bancos. As medidas de austeridade também serviram para os reparar do que eles próprios causaram.

A pergunta universal que podemos colocar é: quem ajudará as nações se até os partidos ditos sociais se afastam da sua matriz?

O nível elevado de abstenção que se verifica nos períodos eleitorais é manifesto de uma desilusão pela ineficácia das respostas das políticas vigentes e alternantes, pela falta de escrúpulos políticos e de valores humanos que leva à aplicação cega das teorias do neoliberalismo económico, executadas pelos que nos têm governado há décadas.

Somos todos responsáveis quando, através do voto, escolhemos em função da imagem mais ou menos favorável dos políticos que as televisões nos vendem em lugar de programas de governo e das propostas que apresentam. Quem se abstém também não se isenta de responsabilidades pois contribui para que outros escolham por ele.

O absentismo da política e do exercício da cidadania por parte dos cidadão deve-se, em parte, ao medo da perda do pouco que ainda resta de pertença a uma classe que está em vias de perder tudo em prol de uma outra que vem impondo através do empobrecimento e umas e da exclusão social de outras.

No mesmo contexto a igreja católica portuguesa também não está isenta de responsabilidades porque como já não tem o que evangelizar na europa dota-se agora duma outra função que é a de, subtilmente, apoiar políticas de governos neoliberais, ditos de inspiração cristã, que lhes é mais favorável e dos quais tira vantagens. 

Publicado por Manuel Rodrigues às 00:06
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Quinta-feira, 6 de Março de 2014

Mentirosos e desvairados

 

Mentirosos

 

O espetáculo lamentável dado pelo primeiro-ministro na Assembleia da República em primeiro lugar não o dignifica e que demonstrou ter perdido o rumo e o controle da situação. A deputada Catarina Martins do Bloco de Esquerda, pessoa que nunca foi do meu agrado devido às suas intervenções mais ou menos comicieiras, ao referir que a palavra do primeiro-ministro não "vale nada", não foi de todo desajustada na verbalização do termo aplicado, pois é sabido que Passos Coelho tem mentido e ocultado a verdade ao longo destes três anos de governo, por isso não tem autoridade moral para criticar seja quem for quando o confrontam com afirmações contraditórias no que se refere a políticas que anteriormente negou aplicar ou que nunca clarificou.

O primeiro-ministro foi questionado sobre questões do corte de salários e pensões quando dizia que eram medidas pontuais e transitórias. É verdade e evidente que ele mais do que uma vez o afirmou. Há cerca de um mês disse Passos Coelho que "Não enfrentaremos o futuro pensando que todos estes cortes que tivemos de fazer permanecerão. Muitos deles serão transitórios". Ao afirmar convictamente que aqueles cortes são para continuar significa que Passos Coelho mentiu logo, Catarina Martins ao afirmar que a palavra dele não vale nada não cometeu nenhuma calúnia.

Passos Coelho refugiou-se numa frase tirada da cartola num momento de ilusionismo para se esquivar a respostas objetivas dizendo que "Dado o valor que a minha palavra tem não estará à espera de resposta". Portanto, acabou por assumir a falta de valor da sua palavra. O menino ficou com a birra ao ser confrontado publicamente com as suas mentiras e, mais uma vez, aproveitou para fugir à questão. 

 

Desvairados

 

Hieronymus Bosh - O Jardim das Delícias Terrenas, painel direito - Detalhe do Coelho

 

Face ao desaire eleitoral que preveem os partidos do Governo os seus líderes e apoiantes perderam o rumo e desesperam refugiando-se nuns índices e dados macroeconómicos que neste momento ainda nada representam na realidade portuguesa.

Mas, para além das mentiras com que têm iludido os portugueses o Governo anda desvairado, alucinado, desatinado. Palavras, todas elas, mais do que adequadas ao que os seus elementos e propagandistas têm vindo a demonstrar nas mais diversas ocasiões e lugares.

Um dos desvairos são as afirmações de Paulo Rangel como o de fazer apelo à utilização das redes sociais para atrair as gerações mais novas com certeza para caírem, mais uma vez, nas armadilhas que a coligação Aliança Portugal prepara e que mais se deveria chamar "Coligação Aliança para a Destruição de Portugal". Claro que agora pretendem tirar dividendos do discurso fácil e divisionista lançado na sociedade colocandojovens contra velhos sabendo, previamente, que estes não andam pelas redes sociais.

Outro desvario corrente que se repete ad nauseam é o do sistemático convite para o Partido Socialista se sentar à mesa com o Governo. Será para alguma almoçarada? Mas que pressa é esta? A insistência leva a desconfiar. Se alguém convidasse outro para colaborar depois de o ter acusado e intrujado este ficaria sempre de pé atrás.

Paulo Rangel já arquitetou o discurso desatinado contra a oposição mas, ao mesmo tempo, apela a consensos. Mas que consensos? Será que pretende fazer campanha eleitoral em conjunto casos os haja?  

Nesta altura perante a proximidade de eleições europeias um governo com maioria absoluta que governa Portugal há três anos estar a insistir numa negociação com o seu opositor político é o mesmo que estar a dizer que o quer meter num buraco sem saída com comprometimentos e prejuízos óbvios.

 

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 14:54
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Livros que já li

Prisioneiros da Geografia Tim Marshall As cidades invisíveis Italo Calvino Quando Portugal Ardeu Miguel Carvalho A Vida Secreta dos Livros O Romancista ingenuo e o sentimental de Orham Pamuk malbe

Os porques da esperança.png

Demorei algum tempo a ler este livro mais do que o costume. Livro sobre a política nacional sobre a forma de entrevistas que passaram na TVI 24 efetuada por um provocador nato cujas respostas são dadas por um astuto tribuno da palavra. Livro que aborda temas nacionais da política recente com uma abordagem em que as palavras se se entrelaçam com alguma exposições mais académicas. Um bom manual para quem se interesse pela política em Portugal nos últimos tempos.  

 

 

Piketty_Capit_SecXXI


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Rodrigues, Manuel A (2011). Geografia Social Urbana na Licenciatura em Educação Social, Cadernos de Investigação Aplicada, (5). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas


Rodrigues, Manuel A (2010). Didática da Geografia: recurso à Literatura como proposta interdisciplinar, Cadernos de Investigação Aplicada, (4). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas. .


Rodrigues, Manuel A (2008). Televisão e os efeitos de exposição a mensagens televisivas na educação: o efeito da terceira pessoa, Cadernos de Investigação Aplicada, (2). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas.


Rodrigues, Manuel A (2005). Do Presencial ao Online: um estudo de sobre a atitude de estudantes face a situação de aprendizagem online, Actas do VII Simpósio Internacional de Informática Educativa-SIIE05, Escola Superior de Educação de Leiria.


Rodrigues, Manuel A (2004). Um Modelo de Formação em Ambiente Misto de e-Learning (Blended Learning): uma experiência na disciplina de Tecnologia Educacional, Actas da Conferência eLes’04: e-Learning no Ensino Superior, Universidade de Aveiro.


Rodrigues, Manuel A (2004). Marionetas em Liberdade: a identidade pe(r)dida com as novas exigências curriculares, Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas.


Rodrigues, Manuel A (2000). Ciberespaço, Internet e as Fronteiras da Comunicação Educacional, Lisboa, Universidade Aberta. Porbase, CDU 37.01(043), 159.95043), 005.73Internet(043.2),371.1043)

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