Sexta-feira, 29 de Setembro de 2017

Uma opinião sobre o protesto dos enfermeiros

Enfermeiros.png

Os enfermeiros são uma classe necessária e imprescindível em todo e qualquer serviço de saúde. São eles que fazem a manutenção médica diária dos doentes, apoiam-nos e tratam-nos seja nos hospitais públicos seja nos privados, casas de saúde etc. Eu diria mais, sem eles a saúde colapsava já que os médicos não poderiam responder a tudo. Têm a formação adequada para as tarefas que desempenham, mas não são médicos. Mas, por outro lado, se questionássemos pessoas que estão ou estiveram internada nos hospitais públicos sobre a forma como os enfermeiros lidam com os doentes ouvir-se-iam de certeza muitas razões de queixa nomeadamente as atitudes que tomam para com os doentes. Todavia tenho consciência de que as generalizações podem ser injustas para muitos.

Os que hoje são enfermeiros devem ter optado pela enfermagem por vocação, por gosto, seja lá pelo que for, caso contrário teriam optado por medicina. Podem dizer que não tinham média para entrar e que, por isso, escolheram o curso superior de enfermagem. Seja, mas não são médicos. Não tiraram um curso de medicina e sim de enfermagem. Não podem agora através de formas de pressão tentarem administrativamente equalizar-se aos médicos cuja formação é em teoria e na prática muito diferente. Se não o fosse então os médicos teriam tirado o curso de enfermagem com menos custos financeiros e de saberes. Um médico pode fazer o serviço dum enfermeiro o contrário já não é verdadeiro.

Isto leva-me à chamada luta dos enfermeiros reivindicando carreiras, altos salários e o mesmo estatuto dos médicos. Na minha opinião foi uma manobra política de oposição contra o Governo utilizando as reivindicações laborais. Como se sabe na central sindical UGT existem duas correntes uma delas do TSD (Trabalhadores Sociais Democratas). Há um dos Sindicatos dos Enfermeiros que pertence àquela central sindical. Parece-me que é este o grupo que mais se tem salientado na luta por salários chorudos e em ações de rua. Oportunisticamente utiliza problemas ditos laborais para fazer pressão política sobre o Governo diria mais, fazer oposição já que o PSD tem falhado.

O que me parece ser mais estranho é que, se não me engano, foi esta a mesma classe que não se mobilizou para se manifestar com tanta perseverança e persistência quando o anterior Governo PSD/CDS lhes cortou direitos e salários, aumentou-lhes as horas de trabalho e retirou as horas extraordinárias e muitos tiveram que emigrar. Nessa altura a classe dos enfermeiros estava caladinha exceto um ou outro protesto sem significado e amochava.

Os enfermeiros querem o sol e a lua mesmo que impossível. Querem mais dinheiro, carreira fácil, estatuto e tudo o que mais vier do saco, e tudo o mais que lhes vier à cabeça que seja reivindicativo. Não sabem eles que quem depois pagará a fatura somos todos e eles também. Não se percebe a violência com que o protesto é feito o que me leva a crer que o ódio e a exaltação que se verifica nas atitudes deve ter influência de origem política e partidária.

Não são os únicos licenciados deste país, mas os enfermeiros com as greves estão indiretamente a utilizar os doentes, que deles necessitam e sofrem por esses hospitais, para fazerem valer as suas reivindicações exageradas relativamente a outros trabalhadores. É humanamente imoral e oportunisticamente político.

Publicado por Manuel Rodrigues às 13:48
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Segunda-feira, 13 de Abril de 2015

Ambivalência do serviço de saúde

Saúde em Portugal.jpg

Bem podem o ministro da saúde, Paulo Macedo, chamar tolices aos estudos sobre a saúde em Portugal recentemente divulgados pelo INE, e Passos Coelho dizer que as estatísticas publicadas pelo mesmo instituto têm que ser justificadas, apenas porque os números não lhes agradam, que a realidade não se altera. Caiem no costumeiro ridículo de quererem que a realidade não seja a que pretendem.

A bola da tolice está do lado deles por julgarem que os portugueses são tolos. Foram-no sim, quando, levados ao engano, votaram numa gente sem escrúpulos sociais que se esconderam sobe a capa da “troika” para fazer mais do que o memorado previa.

Muitos dos que por aí peroram nos órgãos de comunicação social tentam salvaguardar a imagem de Paulo Macedo, louvando a sua competência e relevando o facto de ter feito um bom trabalho em governos anteriores ao reorganizar as finanças enquanto Diretor Geral dos Impostos entre 2004 e 2007. É a prova do ditado popular “cria fama e deita-te a dormir”.

Cá para mim nada de confusões. Paulo Macedo, com a sua voz calma, tenta convencer os “tolos” dos portugueses que o escutam, (julga ele que o são), lançando para o ar ideias falsas sobre melhoria, reorganização e eficiência do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e dos hospitais. Para ele há mais camas nos hospitais, há consultas mas rápidas, há mais intervenções cirúrgicas, há mais de tudo…

Claro que Paulo Macedo e quem como ele fala não tem necessidade de recorrer ao Serviço Nacional de Saúde porque têm as suas medicinas privadas. Mas, mesmo que tivessem que recorrer a um hospital público de urgência, porque são figuras públicas teriam de imediato prioridade mesmo que tivessem que parar tudo o que houvesse em mãos.

Aqueles mesmos senhores quando se referem ao SNS falam como se alguma vez o tivessem utilizado. Seria bom que fizessem uma apreciação nos locais sem avisos e preparações prévias. O que vemos nas televisões sobre visitas do ministro ou dos secretários de estado a hospitais e centros clínicos não são mais do que fachada. Todos sabemos como isso funciona em termos de propaganda. O gabinete do senhor ministro ou do secretário de estado, ou seja lá de quem for, quando toma uma decisão dessas, o departamento de comunicação do ministério previne antecipadamente essa ou essas instituições ou unidades hospitalares da respetiva visita. O que acontece depois já é conhecido. É preparada uma encenação de pessoas e de ambientes, do género teatro para ministro ou secretário de estado ver e para televisões captarem imagens. Mas a realidade com que os utentes se confrontam diariamente é bem diferente.

A qualidade da assistência pública de saúde recuou cerca de vinte anos senão mais. A finalidade está bem clara, isto é, degradar o SNS para que utentes que, apesar de pagarem impostos elevados, mas não pertençam a outros subsistemas de saúde e não possam ter seguros de saúde, fiquem sujeitos a um serviço público de saúde sem condições que se vai progressivamente degradando, obrigando-os a pagamentos em serviços privados por vezes incomportáveis. A organização do SNS está a ser feita de forma a possibilitar a transferência de verbas do setor público para o setor privado da saúde.

O que está subjacente é que no acesso aos serviços de saúde haja um serviço público de saúde de primeira, para os que podem pagar, e outro, de segunda, com serviços públicos de saúde sem condições, a ser utilizados pelos mais carenciados e pelo grupo que referi anteriormente.

 É bom recordar que o ministro Paulo Macedo entre 2003 e 2004, integrou a Comissão Diretiva da Seguros e Pensões e que entre 2001 e 2004 foi administrador da Médis, Companhia Portuguesa de Seguros de Saúde. Para bom entendedor meia palavra basta.

Durante a anterior campanha eleitoral para as legislativas de 2010 quando o então primeiro-ministro José Sócrates disputava as eleições com Passos Coelho alertava para o facto ao dizer que estava em curso a criação de “dois sistemas de saúde, um para pobres e outro para ricos”. A confirmação tem estado à vista.

Eu sei do que estou a falar.

Publicado por Manuel Rodrigues às 22:35
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2015

Estado de negação

Estado de negação.png

O estado de negação é uma atitude em que uma pessoa, um grupo, seja ele profissional ou empresarial, tenta esconder recusando uma verdade e a realidade de factos. Também é um estado de negação quando se recusa admitir algo que está a acontecer negando a evidência arranjando um processo de fuga a uma questão colocada. É uma questão de sobrevivência.

É uma fuga a factos pouco favoráveis ou negativos de uma atuação ou decisão tomadas para si ou para o seu grupo ou até para com a sociedade em geral.

O primeiro-ministro entrou mais uma vez em estado de negação ao subestimar à partida a vitória do Syriza na Grécia. Mas, mais do que sobre a Grécia, é sobre Portugal o estado de negação do primeiro-ministro sobrevalorizando décimas estatísticas de indicadores económicos e sociais através das quais ele e os seus ministros concluem estarmos em crescimento económico e com os problemas sociais e de desemprego e resolvidos.

 

Nesta fase de acalmia as hostes do Governo de Passos Coelho suspenderam, digamos que temporariamente, o afã no que respeita a cortes de salários e pensões, despedimentos na função pública, flexibilização das leis laborais, aliás recomendada no último relatório do FMI, devido à proximidade de eleições legislativas. Entrou numa outra fase do seu estado de negação permanente, isto é, negar que tudo quanto exigiu aos portugueses não foi mau, foi bom porque os bons resultados estão à vista. À vista de quem? "Os frutos dos sacrifícios já se fazem notar" disse em janeiro Maria Luís Albuquerque e acrescenta que o número de carros aumentou. O olhar dela é mais arguto e fiável do que qualquer estatística de indicadores económicos ou de pobreza. É o estado da negação da outra realidade do país.  

Passos Coelho, após ter aberto uma guerra de confronto entre gerações e entre vários grupos sociais e profissionais, adultos empregados e jovens desempregados que, em alguns casos, felizmente raros, deu frutos tão bons que ainda se continuam a conhecer através da imprensa. Apesar de tudo esconde o sol com a peneira e diz que a pobreza em Portugal não é de hoje mas já vem de trás, negando o seu agravamento.

Veja-se recentemente o caso da saúde com os medicamentos que podem trazer a pessoas esperança de vida, as urgências hospitalares onde morrem por falta de assistência atempada. Tudo isto é mentira, não existe em Portugal e segundo os responsáveis do ministério da saúde o serviço nacional de saúde está melhor do que sempre esteve.

Agora pretende abrir outra guerra, a de colocar os portugueses numa animosidade contra a Grécia fazendo-os sentir que estão a ser prejudicados e que, se o forem, a culpa é exclusivamente dos gregos.

Mas também há quem esteja umas vezes em estado de negação e outras em estado de afirmação consoante os interesses. José Manuel Fernandes, diretor do Observador, género de mercenário que serve quem mais cargos e mais dinheiro lhe prometer, acompanha o seu primeiro-ministro nos estados de negação. Abre apenas uma janela contrária no que respeita a Sócrates, entrando em estado de afirmação absoluto e perentório apoiando-se na visão doentia das opiniões de Nuno Garoupa, responsável da fundação controlada por Francisco Manuel dos Santos:

 “A opinião pública pode e deve fazer um julgamento político, independentemente do julgamento legal e judicial. A política e a justiça não são a mesma coisa.” Ou seja, deixem-se da hipocrisia do “inocente até prova em contrário”, pois isso é verdade nos tribunais mas não é verdade quando temos de julgar politicamente alguém como José Sócrates. O julgamento político, como ele sublinha, não está sujeito aos mesmos critérios do julgamento penal.".

Para estes senhores é tudo muito claro. É o estado da negação no seu melhor sobre o que deve ser justiça e a ética num país democrático e livre. Para esta gente o julgamento, desde que político, é válido através dos média e na praça pública mesmo com base em mentiras e factos não comprovados. O caso a que se referem, ao contrário do que pretendem negar, não é exclusivamente politico, tornaram-no simbiótico pois quiseram que ficasse sujeito a critérios legais, penais e políticos, e vice-versa.  

Seguindo aquele critério será uma ótima ocasião para julgarmos politicamente Passos Coelho na praça pública, através dos media, por toda a política executada que trouxe a Portugal o descalabro económico por querer ir para além da troika, destruir centenas de milhar de famílias e de empregos e por afirmações como salvar vidas sim, “mas não custe o que custar”.

Publicado por Manuel Rodrigues às 23:43
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Quinta-feira, 5 de Fevereiro de 2015

Conto do vigário

Conto do vigário.png

 

 

Há pequenas memórias da nossa vida que não se apagam e que, quando menos se espera, surgem associadas a factos do presente.

Há muitos anos atrás, muito antes do 25 de abril de 1974, apareciam, de tempos, a tempos, uns sujeitos engravatados vestindo fatos impecáveis, calçando sapatos esmeradamente limpos pelo brilho da graxa e com irrepreensível penteado e barba escanhoada.

Dirigiam-se a casa das pessoas tocavam à campainha e apresentavam-se utilizando uma linguagem esmerada proveniente do círculo a que diziam pertencer.

A apresentação tinha quase sempre o mesmo formato. Tinham chegado dum país como os Estados Unidos da América, Espanha, Canadá, Argentina, etc., pertenciam ao círculo dos amigos dos embaixadores e traziam umas novidades que, não podendo deixar na embaixada, viam-se obrigados a desfazerem-se deles a preços módicos. No leque destes produtos, segundo eles excecionais e produzidos pelas mais famosas empresas da altura, incluíam-se perfumes, joias, relógios e até tabaco estrangeiro raramente comercializado em Portugal.  

Quando os preços pedidos não agradavam ao potencial "cliente" pediam-lhe que fizesse uma oferta e, não raras vezes vendiam o produto por menos de metade do preço inicialmente pedido.

Muitos foram os que caíram na esparrela. Após efetuado o "negócio" e com o dinheirinho na mão desparecia numa pressa porque, segundo eles, tinham que ir ainda apanhar o avião. Mas surpresa! A abertura da impecável e por vezes até luxuosa embalagem que conteria o almejado produto mostrava, no seu interior, algo totalmente diferente. Os perfumes eram uma água amarelada com um ligeiro odor a alfazema, os relógios que seria de esperar um Rolex era um daqueles que se vendiam nas feiras da altura, as joias eram pechisbeques e o tabaco só a caixa era de marca o conteúdo era tabaco do mais rasca.

Esta recordação surge-me frequentemente sempre que vejo o senhor primeiro-ministro Passos Coelho a falar perante as câmaras de televisão quando interpelado sobre temas da atualidade.

Seja sobre o que for, com a sua voz de barítono, falando pausadamente e tentando ser convincente sobre o que está a perorar. O problema é como no passado aconteceu o conteúdo é muito diferente da embalagem que está a pretender vender no presente para tirar dividendos no futuro. Quem assim não o entender corre o risco de voltar a ser otário.

 

Mais grave ainda é quando se refere aos problemas da saúde, nomeadamente no que respeita ao medicamento para a cura da hepatite C. Disse então que embora reconheça que cabe ao Estado fazer tudo o que está ao seu alcance para garantir os melhores cuidados de saúde no Serviço Nacional de Saúde (SNS), Passos Coelho considerou que, "com recursos limitados, suportar qualquer preço do mercado não existe em Portugal nem em qualquer lugar do mundo".

Podemos em teoria concordar mas o primeiro-ministro sendo uma neoliberal empenhado e acreditando no mercado deveria compreender a posição das empresas em vez de as criticar. É óbvio que o que digo é sarcasmo como não podia deixar de ser. Para Passos e os ministros do seu governo a vida humana, desde que uma qualquer pessoa não tenha recursos ou estes sejam escassos para pagar uma determinada terapia parece não ter valor. Leva-nos a pensar: quanto vale mais, a vida de um rico ou vida de um pobre ou remediado? Respondam senhores Ministro da Saúde, Secretário de Estado Adjunto, Leal da Costa, e senhor primeiro-ministro. E, contudo, todos pagamos impostos.

Numa outra linha de pensamento, sem querer comparar porque não é o caso, a questão dos recursos limitados para manter vivos em campos de concentração um número imenso de prisioneiros judeus também foi um dos argumentos para o ato desumano para milhões de mortes programadas.

 

O que podemos subentender destas posições de Passos Coelho?

 

Os Estados devem fazer tudo o que está ao seu alcance para salvar vidas humanas, os Estados devem fazer tudo o que está ao seu alcance para garantir os melhores cuidados de saúde mas é mentira que custe o que custar, no sentido em que tenhamos os recursos ilimitados para suportar qualquer preço de mercado, isso não existe nem em Portugal nem em lado nenhum do mundo"

 

"Eu discordo da forma como essas perguntas [sobre o preço da vida humana] são colocadas porque elas só podem ter um propósito que é o de entender que qualquer que seja o custo de qualquer coisa, ele tem que ser suportado não importa o quê. E todas as pessoas sabem que não é assim".

E se ele, ou qualquer outro com poder e financeiro  estivessem no lugar duma dessas pessoas será assim ou ou não?

Publicado por Manuel Rodrigues às 19:03
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2015

O Serviço Nacional de Saúde está melhor, as pessoas é que estão pior

Hospitais.png

 

 

Em caso de doença quem nos vale se o próprio Serviço Nacional de Saúde foi atacado por um vírus que lhe provocou uma doença física e moral que o conduzirá, certamente, à morte. Vejam-se as notícias que têm vindo a público pelos órgãos de comunicação social sobre os hospitais e as urgências.

O Ministro da Saúde e em alternância o seu Secretário de Estado Adjunto da Saúde, Fernando Leal da Costa, têm vindo às televisões, com o seu bla…, bla…, costumeiro, acalmar as gentes ansiosas sobre o que se passa nos hospitais onde, em vez de se procurar a cura passaram a ser locais de expectativas negativas sobre o que lhes poderá acontecer se o pior não for a morte.  

Por mais confiança que queiram transmitir à população quem passa pelas urgências dos hospitais ou por uma hospitalização por questões de saúde não trará com certeza boas notícias e poderá nem sair curado da doença, antes pelo contrário, poderá vir até a morrer da cura, coisa que, a acontecer, nunca será provado.

Dizem então os responsáveis máximos pela saúde em Portugal, cada um à sua vez, para quem se sentir doente não recorrer às urgências dos hospitais e, acrescentam, a culpa da sobrelotação dos hospitais é dos utentes que, por tudo e por nada, recorrem às urgências hospitalares (dizem-no, é claro, por outras palavas). Como se as pessoas gostassem de andar por esses hospitais a passar tempo sem necessidade disso. Ficavam em casa e pronto! Ou, então, automedicavam-se com mezinhas e sempre poupavam uns dinheiritos ao Estado para o qual contribuem com os impostos, conduzindo ao agravamento do seu problema de saúde.

Face ao facto do que se passa nas urgência e para aliviar a sobrecarga das mesmas aconselham então os doentes a recorrerem ao atendimento nos centros de saúde que, dizem eles, passarão a estar abertos mais tempo.

Ou o ministro Paulo Macedo não sabe do que está a falar, ou o informam mal ou está deliberadamente a fazer de parvos os utentes destes centros. Além do mais é evidente que o senhor ministro não utiliza estes serviços pois tem recursos para ter a sua medicina privada. Gostaríamos de o ver a marcar uma urgência num daqueles centro de saúde levantando-se às cinco da manhã para estar à porta do centro às seis, onde já se encontra uma fila de gente à esperar que o centro abra às oito para, no final, correr o risco de as cinco ou oito consultas de urgência que o médico tem livres, já estejam preenchidas quando chegar a sua vez. Isto no inverno, com chuva e frio e com uma camada de febre em cima.

Se o senhor ministro e o seu secretário de estado adjunto tivessem que recorrer a estes serviços talvez pusessem em primeiro lugar as pessoas à frente das deias do seu partido e do Governo de que fazem parte.

Um ministro e um secretário de estado politicamente honestos que gerissem serviços como os da saúde, de importância vital para as populações, que não tivessem condições para o exercício das suas funções que colocassem acima dos interesses pessoais, partidários e de governo demitiam-se. Portanto, não venham alguns comentadores falar da competência do ministro da saúde lançando as culpas para outro ministério que lhes impõe essas medidas. Quando não se têm condições para exercer com competência uma função pública essencial para as pessoas não se exerce.

Na saúde (e também noutro serviço públicos) os interesses políticos e partidários, seja lá outros que forem, não podem sobrepor-se aos interesses das pessoas, salvo risco de se cair no ridículo ao dizer-se, como já o foi, embora noutro contexto que o Serviço Nacional de Saúde está melhor, as pessoas é que estão pior.  

 

Imagens de: www.humortadela.com.br

Publicado por Manuel Rodrigues às 15:22
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Sábado, 11 de Outubro de 2014

O regresso dos papões

Papões.png

A sondagem da Aximage que o Jornal de Negócios publicou mostram resultados muito favoráveis a António Costa. Estes resultados são ainda muito precoces e muita coisa se irá ainda passar.

Ora, face a esta situação de popularidade de António Costa e do Partido Socialista, começam a despontar os arautos dos papões e o ciclo iniciou-se já com uma das aventesmas da política, António Barreto. Diz esta sumidade, que Costa deve ter cuidado com as alianças à esquerda dominada pelos comunistas e refere, pondo no mesmo baralho tudo qunto é esquerda do PS, misturando o Bloco de Esquerda e o Livre o que, para Barreto "põe problemas seríssimos" e "caminho perigoso ao estar a aliar-se a partidos comunistas". Mas quem lhe disse a ele que isso iria acontecer. Será que tem informação privilegiada? E alianças com a direita que problemas coloca? O facciosismo é lamentável num sociólogo.

Para quem não se recorde António Barreto foi ministro da Agricultura do 1º governo de Mário Soares que fez a célebre "Lei Barreto" sobre a reforma agrária e, porque atacado, naquela altura, por todos à esquerda do PS deve ter ficado com o trauma dos comunistas.

Num debate televisivo em 2102, na SIC, posicionava-se com Manuela Ferreira Leite numa uma solução em que no Serviço Nacional de Saúde quando estivesse em causa a manutenção da saúde através de meios dispendiosos e tivesse mais de setenta anos deveria pagar os tratamentos. Afirmações polémicas que causaram escândalo na altura.

Já este ano defendia na Rádio Renascença "tornar a Constituição mais simples para, depois, no plano político, ser possível ter mais liberdade de opção. E é no plano político e não constitucional que defende a manutenção de um sistema de saúde público, mas com maior liberdade de recurso ao privado, de contratualização com o privado.".

Mas há mais, diz que "os empresários não têm liberdade para dizer e fazer o que querem", talvez seja por isso que muitos enriqueceram num curto espaço de tempo. Então como é que se cosntruiram (e detruiram) grande gupos económicos. Veja-se para já o caso BES. É preciso lata. 

 Por outro lado, façamos-lhe justiça, nem tudo o que esta aventesma da política disse foi mau, entre outras afirmações também diz, quanto à educação, admitir a liberdade de escolha, mas sem que o Estado pague a privados. “Quem quer fazer educação privada que a pague. O Estado não deve pagar cheques ensino não deve estar a subvencionar as escolas privadas, como faz atualmente. O Estado gasta milhões e milhões nisso, nas escolas privadas e acho que não o deve fazer.”. 

Podemos e devemos levar a sério os professores catedráticos e investigadores em ciências sociais mas não podemos esquecer-nos de que em todas as formações sociais existe uma função da pluralidade contraditória de sistemas ideológicos de codificação do real e que, por isso, são as ideologias dominantes ligadas ao bloco do poder que retêm a atenção constituindo obstáculos fundamentais à elaboração de conhecimentos científicos.

Presidente do Conselho de Administração da Fundação Francisco Manuel dos Santos, António Barreto pediu a demissão prematura de Presidente do Conselho de Administração da fundação em abril de 2104. Para o Jornal Económico  a saída de Barreto deve-se a "diferenças de opinião com a família fundadora em torno da estratégia da instituição em áreas como o ensino superior" em cuja área Francisco Manuel dos Santos "defendia uma postura mais interventiva". Resta saber em que sentido...

Será que é apenas uma questão de opinião que conduziu a António Barreto à demissão ou estará a prepara-se para outros voos? O facto é que ele começou já a dar entrevistas com afirmações polémicas o que poderá dar mais protagonismo na comunicação social. Pelos vistos começa bem. lançando para opinião pública os papões do costume.

Publicado por Manuel Rodrigues às 22:58
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Quinta-feira, 24 de Outubro de 2013

O parecer e o ser no Serviço Nacional de Saúde

 
   

Por várias ocasiões tenho visto na televisão elementos do Governo e os seus porta-vozes dizerem que as medidas e o cortes de salários e das pensões não são tomadas por prazer e com o intuito de sacrificar os portugueses.  Mas parece, porque a realidade tem-no confirmado.  

Veja-se o caso da saúde. Um médico do Serviço Nacional de Saúde confidenciou-me que os médicos estão a ser pressionados para não prescreverem exames de diagnóstico e de prevenção que, normalmente, as pessoas de mais idade necessitam com mais ou menos frequência para acompanhamento do seu estado de saúde. São passadas instruções rigorosas aos clínicos para que esse tipo de exames sejam apenas passados de dois em dois anos e já se fala de cinco em cinco anos. Recorde-se que há doenças silenciosas que não são diagnosticáveis porque os sintomas não ser percetíveis a não ser através de exames complementares de diagnóstico. Por outro lado, reduz-se a  prevenção e a deteção precoce de certas doenças que podem a vir tornar-se crónicas ou até provocar morte prematura.

Dizem os senhores do Ministério da Saúde que nada está a ser posto em causa, mas não é isso o que acontece. Através da comunicação social o Observatório Português dos Sistemas de Saúde, tem afirmado que "os estudos mostram que os idosos queixam-se de que sentem dificuldades económicas para comprar a totalidade dos medicamentos que lhes são prescritos e para fazerem uma alimentação saudável".

Não são apenas os idosos, como se sabe há cidadãos que não sendo idosos e encontrando-se no ativo necessitam de tratar ou prevenir algumas doenças. Trata-se de um problema de saúde nacional. Mas como é sabido este Governo não tem isso em conta nos seus planos para o país, se é que alguma vez os teve.

É tudo uma questão de fazer parecer em vez de ser.

Se pensarmos um pouco poderemos começar a desconfiar que, para além dos cortes e da redução das despesas com a saúde  existe uma agenda disfarçada em que o pressuposto vai no sentido de,  quanto mais idosos falecerem por falta de assistência médica, menos pensões e menos reformas a pagar e, assim, poupar. Utilizarão os senhores que atualmente governam este país o Serviço Nacional de Saúde quando têm necessidade de ir ao médico? Mesmo sem ter essa informação a resposta é obviamente não.

É tudo uma questão de fazer parecer em vez de ser.

Vejamos agora o caso de pessoas no ativo que, para se sentirem em boa forma para trabalhar em pleno, deveriam fazer periodicamente exames para o médico de família aferir a sua situação clínica que poderá ficar prejudicada caso não sejam feitos acrescido ao facto de algumas pessoas se queixarem de sintomas que eventualmente não sentem para obterem exames. Ah! A medicina no trabalho serve ! Pois!

Estas e muitas outras situações levam a que os de mais posses possam usufruir da medicina privada deixando o SNS para quem não as tem e onde, não lhes sendo facultados os cuidados de que necessitam estão fatalmente conduzidos para a doenças graves e até à morte precoce.  Se forem desempregados tanto melhor, são menos uns a quem não se tem que pagar subsídios. Mas dizem que não, que a assistência é igual para todos.

É tudo uma questão de fazer parecer em vez de o ser.

Penso que alguns se recordarão de José Sócrates que, durante a campanha eleitoral, acusava a direita neoliberal, ansiosa por captar o poder,  de ter em vista acabar com o Serviço Nacional de Saúde e criar uma saúde para pobres e outra para ricos. O que Sócrates antecipou é o que está a acontecer aos poucos. Apesar de cortes e mais cortes e dos enorme impostos que continuamos a pagar, cada vez menos usufruímos de quaisquer contrapartidas e os serviços pioram cada vez mais.

Se a ideia da direita neoliberal é a do princípio do utilizador pagador  então resta perguntar para servirá o pagamento de imposto se os cidadãos têm que pagar tudo.

É uma questão de ser e não de parecer.

Agora são os hospitais que vão voltar a pertencer à esfera da Misericórdias. Segundo o Jornal i,  o Ministério da Saúde pretende avançar com a transferência dos primeiros hospitais públicos para as Misericórdias já em novembro, garantiu à Lusa fonte da tutela. Um comentário de um anónimo afirma que "Desgraçados dos que não são da igreja (beatos) e políticos, pois a cunha vai implementar-se como serviço público...". A destruição do Serviço Nacional de Saúde continua.

As misericórdias tiveram o seu auge devido à pobreza que grassava pelo país em séculos anteriores as quais, posteriormente passaram também a superintender os hospitais. Hoje fala-se de exclusão social e de solidariedade, de desigualdades económicas e de processos de autoexclusão a que correspondiam no passado expressões como obras de misericórdia, caridade, beneficência, pobres, mendigos e vadios, pobres envergonhados, órfãs e desvalidos, presos pobres. Embora em contexto e realidades diferentes as palavras passaram a ter uma carga psicossocial menor mas os significados são idênticos.

Em 1971, ainda na altura do regime de Marcelo Caetano, o Decreto-Lei nº 471 reorganiza o Ministério da Saúde e Assistências como era então denominado e explicita o reconhecimento do direito à saúde de todos os portugueses, cabendo ao Estado assegurar esse direito, através de uma política unitária de saúde da responsabilidade do Ministério da Saúde, a integração de todas as atividades de saúde e assistência, com vista a tirar melhor rendimento dos recursos utilizados, e ainda a noção de planeamento central e de descentralização na execução, dinamizando-se os serviços locais. Surgem os “centros de saúde de primeira geração”. Em 1973 passa a existir o Ministério da Saúde é autonomizado face à Assistência e cria-se o Ministério dos Assuntos Sociais.

A política assistencialista que caracteriza esta direita que se encontra no Governo está paulatinamente a ir na direção  oposta conduzindo o Serviço Nacional de Saúde para o nível meramente assistencial e não a considerá-lo como um direito que deve assistir a todos os cidadãos sejam eles pobres ou ricos que pagam impostos e que mesmo assim têm que recorrer à saúde privada como até há muito não se verificava.

Dizem que não, mas  é tudo mais uma questão de parecer do que ser. 

Publicado por Manuel Rodrigues às 19:15
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Sábado, 10 de Agosto de 2013

Privilégios, temas e desabafos à solta em tempo de férias

Privilégios nas reformas só para alguns: os políticos

 

Algumas da gentalha que esteve, ou ainda está, nos órgãos do poder tornou-se numa espécie de casta privilegiada, no dizer de Ana Sá Lopes, quando se trata da ameaça de perda de direitos adquiridos, protegem-se uns aos outros e arranjam processos mais do que questionáveis e duvidosos para, apoiados pelos interstícios do direito, não serem abrangidos pelas medidas que os possa atingir evocando o caráter de exceção. 

Face aos cortes nas reformas que se preparam perfilam-se já para a fuga arranjando subtilezas lexicais chamando às verbas que recebem do estado subvenções vitalícias que crescem 1,7% ao ano desde 2008. Contudo estas subvenções aparecem no Relatório e Contas da Caixa geral de Aposentações como pensões. Não será isto UMA POUCA-VERGONHA?

E andamos todos nós sustentar esta cambada através de impostos e cortes nos rendimentos!

Ana Sá Lopes, diretora adjunta do Jornal i, no editorial do dia 9 de agosto lança o grito de “ouviram bem” sobre o que o secretário de Estado Hélder Rosalino afirmou: “caso se justifique” o corte das reformas dos políticos “será tratado em sede própria”. Aqui está, CASO SE JUSTIFIQUE, ouviram bem? Clama Ana Sá Lopes.

Pretendem ainda enquadrar-se neste rol militares, juízes e mais não sei quantos! Juízes? Militares? Não são da função pública? Porque deverão ser exceção? Cada um que tire as conclusões que entender.

Poiares Maduro já veio a público dizer que ninguém será exceção na redução de pensões mas, há sempre um mas, “No que toca às subvenções vitalícias, o ministro- Adjunto recordou que estas subvenções apenas se aplicam a pessoas que exerceram cargos políticos até 2005”. Mas, haverá alguém que ainda acredita nestes indivíduos?

 

Constitucional para uns, inconstitucional para outros

Muitos poderão estar de acordo como que Luís Rosa escreveu no editorial do Jornal i de 5 de agosto de 2013 intitulado “A desigualdade respeita a Constituição?” Mas, relativamente ao remate do artigo é que surgem dúvidas. Diz Luís Rosa que “o Constitucional arrisca-se a transformar-se num tribunal ideológico que impede a redução da despesa pública estrutural e, por arrastamento a baixa dos impostos. Ou será que o Saque fiscal a que os trabalhadores estão sujeitos a nível de IRS e IVA (e de tantas outras taxas) não será inconstitucional?”.

É precisamente na baixa de impostos que o caldo se entorna. É bom que a despesa pública se reduza mas, se ao mesmo tempo se reduz a receita, então voltamos ao mesmo. Qualquer reforma ao nível da despesa que implique direta ou indiretamente uma redução dos rendimentos das famílias vai por um lado afetar a diminuição de impostos diretos e, por outro, a redução do consumo traduz-se em menos receitas do IVA.

Contabilisticamente é óbvio que, diminuindo a despesa do Estado, passa a haver um menor desequilíbrio entre a despesa e a receita, mas será falacioso e demagógico afirmar que podemos, à vontade, de imediato descer os impostos e na mesma proporção em que foram aumentados anteriormente. Quando se aumentam os impostos diretos como o IRS são as camadas intermédias onde se vai buscar mais receita, mas será que a redução daquele imposto afetará a mesma camada de população na mesma proporção em que foram aumentados? Parece-me evidente que não, a menos que se queira perder receita substancial. Por pouco que se baixem os impostos estes vão afetar a receita anulando, em parte, o efeito na redução da despesa.

Podemos fazer uma pergunta ao Luís Rosa: se tivesse havido há cerca de dois anos uma redução da despesa pública numa ordem de grandeza superior a oito mil milhões (sim seria este o valor dos cortes para ser eficaz) evitar-se-ia o “enorme” aumento de impostos? Não teria havido como consequência uma diminuição nas receitas? Confirmou-se que, Vítor Gaspar assim o afirmou, as medidas não resultaram. Isto porque atacaram apenas uma área da despesa, apesar de substancial, que provoca recessão, deixando alguns privilégios intocáveis.

As chamadas poupanças provenientes dos cortes na despesa do Estado através daquilo a que a chamam reforma mais tarde vão ser absorvidas por rendas e outros pagamentos a privados que continuam a contar com os impostos de todos para a acumulação de lucros. Isto é, corta-se em vários setores do Estado como benefícios sociais, reformas criadas com os descontos de todos, para serem transferidos para o capital privado que quer continuar a contar com os privilégios que o Estado sempre lhes concedeu.

Sou contra a estatização da economia mas também sou contra os bancos e as grandes empresas apoiadas por políticos, escritórios de advogados, que recebem quantias exorbitantes em estudo que nunca se vieram a conhecer ou a concretizar.

Quando se trata de privatizar a direita alega que o Estado é um péssimo gestor, mas apenas e quando lhes interessa entregar a grupos económicos as atividades lucrativas, quanto aos prejuízos já deve ser o estado a suportá-los com o dinheiro dos contribuintes. Ficam com os ativos porque os passivos serão os cidadãos a suportá-los. Quanto é que ainda iremos pagar ao BIC por terem ficado com o BPN. Mas que grandes negociatas depois há que fazer cortes em salários, pensões, despedir pessoal, cortes na saúde, na educação, etc..  

Outro caso é o escândalo do confisco dos depósitos em bancos privados que necessitem de ser recapitalizado, mesmo por incompetência de gestão. Cabe perguntar que responsabilidades têm os depositantes nos “golpes” da alta finança, aos quais são alheios, que engordam com os depósitos dos cidadãos a troco de uns escassos euros.

Por aqui podemos ver que, quem controla os estados e a própria UE não são os estados nem os cidadãos que democraticamente elegem os partidos que os governam, são os grupos de pressão financeira que decidem os destinos dos países. O povo é facilmente manipulável e os governos não são mais do que fantoches que não defendem os interesses dos países e de quem os elegeu.

Estão a criar-se as condições para os países de economia e financeiramente mais fortes dominem os mais fracos. É um bombardeamento em massa. Os alemães, por exemplo, esmagam os que se mostram fracos e frágeis, mas respeitam quem se lhe opõe. O caso português nestes dois últimos anos foi paradigmático. A subserviência nada trouxe de novo, antes pelo contrário.

Porque será que, face aos problemas que Portugal e outros países que, segundo eles causam à UE não os pressionam para sair do euro? Os países ricos do norte apesar de se mostrarem contra mais ajudas financeiras aos do sul não os forçam “esses preguiçosos” que tantos problemas lhes causam a sair do euro? Será por serem bons alunos? Se ainda estamos no euro não é por sermos bons alunos, mas porque lhes interessa. A pressão dos países do sul para a saída do euro seria uma arma poderosíssima, mesmo encarando que poderiam advir mais dificuldades.

O argumento que alguns sustentam de que a saída do euro originava uma catástrofe pior do que aquela em que nos encontramos e geraria o empobrecimento dos portugueses não está demonstrado este ser assim tão radical. Talvez este tivesse um impacto eventualmente negativo, mas porventura já alguém fez um estudo honesto e isento dos impactos negativos ao nível económico, financeiros e sociais da saída do euro? E quanto aos impactos positivos a população terá sido informada? Pois, destes não interessa falar!

O que responderiam os portugueses num referendo? A manutenção no euro interessou e ainda interessa a quem se aproveitou e ainda se quer aproveitar dos fundos europeus. A entrada dos fundos europeus refletiu-se no enriquecimento rápido de alguns, que receberam quantias chorudas que desperdiçaram ao mesmo tempo que distribuíram umas migalhas por outros para que fossem cantando e rindo.  

Publicado por Manuel Rodrigues às 20:56
Link do post | Comentar | Ver comentários (1) | Adicionar aos favoritos
|
Segunda-feira, 21 de Janeiro de 2013

O que se diz e o que se faz: entrar na real

 

 

Não sou dos que avançam chavões e palavra de ordem como proposta de políticas alternativas que arriscam sem certezas das consequências pela sua realização. Mas factos são factos, e os números não enganam, embora alguns pretendam fazer ginástica com eles.

Quem está no Governo, quando os números não lhe agradam minimizam o facto, quando lhe agradam maximizam-no e até se trasvestem os números para que funcionem de acordo com os seus propósitos.

Concretizemos então através do que se diz e o que se faz.  O Governo pretende convencer-nos, através de vários argumentos, que o Estado tem gasto mal o dinheiro dos nossos impostos divulgando então para a opinião pública que se deveria:

  • Eliminar gorduras
  • Eliminar regalias e privilégios
  • Evitar e eliminar desperdícios
  • Eliminar as parcerias público-privadas (PPP)

Isto é, eliminar as despesas desnecessária. O que se tem feito então é:

  • Cortes nas prestações sociais cujas consequências são:
    • Pôr em causa o direito a toda a população a um ensino e a uma saúde pública de qualidade fragilizando-os, assim como algumas classes sociais, diga-se classe baixa e sobretudo a média.

É certo que muitas das prestações sociais que existem ou existiam, por falta do controle, não se destinavam aos fins a que se propunham dando origem a abusos. Haveria também que efetuar alguns acertos em algumas prestações sociais, mas não com as justificações assentes em falácias. Como já referi, os argumentos lançados pelo Governo não coincidem com a realidade dos números mas deveriam coincidir.

Se atentarmos nos números divulgados pelo Eurostat e estes não coincidem com os do Governo então alguma coisa se passa. Ou os números enviados para o organismo da UE (União Europeia) que gere as estatísticas são falsos, ou o Governo mente ou ainda, ou o Eurostat é um poço de erros sendo a sua credibilidade posta em causa, o que não é provável. O mesmo se pode dizer dos números da OCDE.

Recordemos os números representados num gráfico que ontem coloquei num “post” deste blog.

 

 

 

Com a concretização das funções sociais, o Estado gasta menos que a generalidade dos países europeus. Com exceção da Noruega, Luxemburgo, Espanha e Suíça Portugal encontra-se na média Europeia. Como estes valores são favoráveis a Portugal o que acontece é que pretendem baixá-los de modo a serem colocados ao nível dos países que têm valores inferiores, isto é, recuar afastar-nos dos restantes países com o argumento de reduzir a despesa colocando Portugal ao nível dos países que saíram da alçada da ex-união soviética. Os que agora pretendem reduzir as despesas sociais na saúde e na educação são aqueles que, na naquela altura, acusavam (em alguns aspetos com razão) aqueles países de falta de liberdade económica e social que, por isso, estão na base da escala de despesas sociais.

De acordo com números do Eurostat publicados pela revista Visão em 2011 a despesa pública do Estado Português era de 48,9% do PIB e de 49,1% na União Europeia mas com uma taxa de desemprego maior e um nível de vida mais baixo. Entre os 17 membros da zona euro, havia em 2011 oito países onde a despesa pública foi maior, em percentagem do respetivo PIB do que em Portugal: França (55,9%), Finlândia (54%), Bélgica (53,3%), Eslovénia (50,9%), Áustria (50,5%), Grécia (50,1%), Holanda (50,1%) e Itália (49,9%).

Cabe perguntar então qual o objetivo da preocupação com a despesa pública? Por um lado é reduzir o défice até ao exigido pela EU e, por outro, o Governo pôr em prática o seu programa ideológico ultraliberal com a eliminação do estado social para o que pediu ajuda ao FMI, como é do conhecimento público, para a elaboração de um relatório que foi encomendado e, provavelmente pago, que lhe permita ter uma desculpa para a execução do pretendido.

Prova-se que não terão sido as despesas das Funções Socias do Estado responsáveis pela deterioração da economia e pela recessão. Em percentagem do PIB a EU tem uma despesa igual ou superior à de Portugal e que não foi por isso que deixaram de ter ou têm crescimento diminuto.

Sobre o que tem acontecido no passado o diagnóstico está feito, não temos que gastar saliva e tinta votando sempre ao mesmo. Cada partido que tem ocupado as rédeas do poder que faça o seu exame de consciência de acordo com a responsabilidade que a cada um compete.

A dívida pública entre 2000 e 2008 aproximava-se da Alemanha e da França, a partir de 2009 é que se verifica o descontrolo 83,2% do PIB, cujas causas já se conhecem. Aliás em 2000 era inferior àqueles países. Em 2011 já se encontrava em 108,1% conforme podemos verificar no gráfico seguinte.

Dívida Púbica em percentagem do PIB

 

 

Fonte: Eurostat

 

As previsões da dívida pública para 2013 são de 124%. A que se deve este aumento? Será devido às despesas sociais? Não é preciso ser especialista em finanças para fazer uma leitura das estatísticas e da informação disponível, assim, de acordo com o Banco de Portugal em 2012 Portugal irá pagar em juros 8,7 mil milhões de euros por ano ou seja cerca 23,8 milhões por dia. Basta fazer as contas.

O aumento da dívida pública é acrescida pela despesa com os juros dos empréstimos que aumentará e 2014 e, com a recessão, virá a ser superior a que o Estado gasta com o SNS (Serviço Nacional de Saúde).

Ainda temos o caso dos 4 mil milhões de euros que o Governo diz ter que arranjar, mas sem justificar qual o motivo e destino. Com tudo isto, estão já à vista o aumento da pobreza e das dificuldades sobretudo provindo da classe média e média baixa. Redução nos serviços de saúde, nas reformas e outras prestações que se prevê a médio prazo, baixar a esperança média de vida. Pode ser, afinal, uma das formas que encontra para reduzir a despesa com a saúde e, também pagando menos pensões. Por outro lado a destruição da coesão social irá conduzir a confrontos intergeracionais, entre trabalhadores de diversos setores nomeadamente entre público e privado e empregados contra desempregados.

Estratégias como o racionamento de medicamentos que põem em causa a saúde de pessoas que, sem ser por vontade própria como é óbvio tenham ou venham a ter doenças graves e prolongadas, cortes na educação e com o aumento de propinas incomportáveis no ensino superior, muitas famílias vão ser impossibilitadas, devido à austeridade, a impostos elevados e a cortes de salários, de ter os filhos nas universidades.

A competição por um posto de trabalho por qualquer salário que seja ou a sua manutenção vão gerar conflitos e consequentes fraturas na coesão social que tenderão a agravar-se a alargar-se. Basta consultar os dados da Pordata para se verificar que a taxa de risco de pobreza em Portugal antes das transferências sociais passou de 40,8% em 2005 para 42,5% em 2011. Sendo estimativas, e havendo muita pobreza envergonhada que não é manifesta, estas não mostram toda a dimensão do problema pelo que não se conhece qual o seu valor real. E ainda não se conhecem os dados de 2012! São as transferências sociais e de pensões que minimizam substancialmente estes valores, assim, as taxas de 2011, após transferências de pensões passam a 25,4% e, após transferências sociais passa a 18%. Com a redução substancial ou a sua eliminação como se comportariam as respetivas taxas? A ser isso um dos objetivos do governo, isto é, reduzir ainda mais aquelas transferências sociais o que poderá acontecer?  Oxalá que não!

Publicado por Manuel Rodrigues às 19:38
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Terça-feira, 20 de Março de 2012

O Estado que vive acima das minhas possibilidades

 

Um bom político

  é aquele  que não tem tempo de fazer

 o seu trabalho, mas tem tempo para
poder falar do muito que  já fez.

J.R.MORA

 

Frequentemente deparamos com o termo demagogia  quando lemos e ouvimos políticos e comentadores acusar de demagógicas uma ou outra afirmação. Ao assistirmos a debates na Assembleia da República, se estivermos atentos e despertos para tal,  não é difícil ouvirmos intervenções e discursos com caráter demagógico.

O atual governo e quem o apoia, têm afirmado mais do que uma vez que os portugueses têm sido uns gastadores e que, por isso, temos o défice que temos, e que a culpa é do estado social que não pode continuar. O dinheiro do Estado que os sucessivos governos gerem provêm dos  impostos e não é pelas despesas destinadas ao bem-estar social que o Estado é um gastador.

 

Ideia caoazul

 

A constituição portuguesa define com clareza as funções do Estado, nomeadamente no que respeita às áreas sociais, em cuja intervenção estão implícitos investimentos e despesas tendentes ao bem comum ao nível económico, educativo e social, tudo o resto são despesas que revertem apenas para alguns...

A frase o ESTADO VIVE ACIMA DAS MINHAS POSSIBILIDADES pode ser uma frase demagógica. Sê-lo-á de facto? Mas afinal o que é isso de demagogia? Será que algo que politicamente não nos agrade ouvir o classificamos de imediato como demagógico dando-lhe uma conotação pejorativa?

Como a filosofia não é o meu domínio científico, ou  como dizem por aí, não é a minha praia, recorri a especialistas na matéria, como Adelino Maltez, para me ajudar a clarificar o conceito

 

 

 

 

 

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 19:48
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Quarta-feira, 14 de Março de 2012

A crise, o desequilíbrio orçamental e os “inúteis”.

 

 

Carregar no botão

Tenho vindo a adiar a colocação neste blog de um "post" sobre uma ideia que me tem ocorrido relativa à questão do estado social. Foi a leitura do artigo de Vítor Malheiros publicado no Jornal Público de 13 de Março de 2012 que me motivou a fazê-lo. Como o artigo de Vítor Malheiros o desenvolve de forma muito mais clara e objetiva do que eu com certeza o faria, alinhavei apenas algumas ideias. Através de uma metáfora muito bem escolhida a partir do episódio "Button, button" da série "Twilight Zone", Vítor Malheiros levanta a questão dos dilemas com que por vezes somos confrontados e das opções que se tomam que, sem nos apercebermos, estão implícitas questões ideológicas e valores sociais. Assim, aconselho a leitura do artigo na íntegra que, apesar de tudo, é polémico e, como tal, pode ser objeto de debate e confronto de ideias.

Veja a parte 2 deste video no Youtube

   

Como elemento atento às preocupações do governo relativamente aos problema que afetam a nossa sociedade vejo que surgem frequentemente, numa ótica financeira, questões como sejam os desempregados involuntários e os subsídios, a saúde e os doentes culpados de o ser, as pensões e reformas dos milhões de pensionistas que vivem demais e já deviam ter morrido, os jovens sem emprego que não deviam estar a viver no país mas sim procurar outros para trabalhar, isto é, emigrar. A educação, que é um sorvedor de recursos financeiros, porque as famílias deviam colocar os filhos em escolas
privadas para os outros as escolas e as condições que temos são mais que suficientes! Que maçada esta coisa do ensino ser obrigatório!

Todos estes problemas são os grandes causadores dos desequilíbrios orçamentais. Sobre eles fazem-se debates, comentários, propõem-se soluções, mas, o certo é que o país não suporta tanto despesismo. Acabar com ele é “incontornável” e uma “inevitabilidade”!... Mas os impostos devemos continuar a pagar. Cada vez mais, e mais, e mais…. para alimentar a "máquina do Estado que, por sua vez, alimenta alguns poucos.

Mas há soluções. Uns, os jovens e desempregados de longa duração, podem ir-se embora. E porque não uma espécie de solução final para os doentes, reformados e pensionistas que estão a viver demais? Não como aquela que Hitler aplicou aos judeus, o que seria impensável para qualquer base ideológica social, democrática e cristã, mas algo muito mais subtil, isto é, deixá-los morrer por falta de assistência médica,dificultando o acesso aos medicamentos, aumentando a energia e os meios essenciais de subsistência básica! Se não fosse este tipo de gente, o país não teria os problemas que tem e, todos nós, os que governamos, e as elites políticas poderíamos prometer tempos de prosperidade aos que ficassem. É este tipo de filosofia eugenista que, de forma não totalmente explícita, tem vindo cada vez mais a contribuir para a perda da coesão social. Exagero? Juízos de intenção? Juízos arbitrários de valor? Demagogia? Talvez! De entre os políticos profissionais e os governantes, quem nunca os fez e não a usou para manipular consciências que atire a primeira pedra.

Fico-me por aqui, porque Vítor Malheiro vai muito mais longe.

Publicado por Manuel Rodrigues às 15:04
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|

pesquisar

 

Posts recentes

Uma opinião sobre o prote...

Ambivalência do serviço d...

Estado de negação

Conto do vigário

O Serviço Nacional de Saú...

O regresso dos papões

O parecer e o ser no Serv...

Privilégios, temas e desa...

O que se diz e o que se f...

O Estado que vive acima d...

A crise, o desequilíbrio ...

Outubro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
11
13
15
16
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

Arquivos

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Livros que já li

Prisioneiros da Geografia Tim Marshall As cidades invisíveis Italo Calvino Quando Portugal Ardeu Miguel Carvalho A Vida Secreta dos Livros O Romancista ingenuo e o sentimental de Orham Pamuk malbe

Os porques da esperança.png

Demorei algum tempo a ler este livro mais do que o costume. Livro sobre a política nacional sobre a forma de entrevistas que passaram na TVI 24 efetuada por um provocador nato cujas respostas são dadas por um astuto tribuno da palavra. Livro que aborda temas nacionais da política recente com uma abordagem em que as palavras se se entrelaçam com alguma exposições mais académicas. Um bom manual para quem se interesse pela política em Portugal nos últimos tempos.  

 

 

Piketty_Capit_SecXXI


Memoráveis


Crónica dos dias do lixo



Links

Mais sobre mim

Trabalhos Publicados

Rodrigues, Manuel A (2011). Geografia Social Urbana na Licenciatura em Educação Social, Cadernos de Investigação Aplicada, (5). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas


Rodrigues, Manuel A (2010). Didática da Geografia: recurso à Literatura como proposta interdisciplinar, Cadernos de Investigação Aplicada, (4). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas. .


Rodrigues, Manuel A (2008). Televisão e os efeitos de exposição a mensagens televisivas na educação: o efeito da terceira pessoa, Cadernos de Investigação Aplicada, (2). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas.


Rodrigues, Manuel A (2005). Do Presencial ao Online: um estudo de sobre a atitude de estudantes face a situação de aprendizagem online, Actas do VII Simpósio Internacional de Informática Educativa-SIIE05, Escola Superior de Educação de Leiria.


Rodrigues, Manuel A (2004). Um Modelo de Formação em Ambiente Misto de e-Learning (Blended Learning): uma experiência na disciplina de Tecnologia Educacional, Actas da Conferência eLes’04: e-Learning no Ensino Superior, Universidade de Aveiro.


Rodrigues, Manuel A (2004). Marionetas em Liberdade: a identidade pe(r)dida com as novas exigências curriculares, Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas.


Rodrigues, Manuel A (2000). Ciberespaço, Internet e as Fronteiras da Comunicação Educacional, Lisboa, Universidade Aberta. Porbase, CDU 37.01(043), 159.95043), 005.73Internet(043.2),371.1043)

Participar

participe neste blog

Blogs Portugal

Facebook

Zoom Social no Facebook

Tags

todas as tags

blogs SAPO

subscrever feeds