Sábado, 14 de Outubro de 2017

A direita, o centro, e a esquerda

Centro e esquerda.png

Tenho vários “posts” em que aponto Passos Coelho como causador do PSD ter abandonado a matriz ideológica social-democrata do partido ao avançar com um projeto neoliberal e de arregimentando os seus defensores que lá se encontravam encobertos.

Às portas duma nova liderança quem ficar à frente do partido tem que ter a noção das águas em que se moverá e a que correntes terá de resistir. Os comentários e opiniões que começarão a surgir sobre o que deverá ser o partido daqui para a frente serão espalhados pelos ventos da comunicação social e a tendência atual tentará fazer passar a sua mensagem.

No último congresso que reelegeu Passos Coelho o slogan era “Social Democracia sempre”. Rui Rio na apresentação da candidatura afirma que o PSD é um partido do centro, que vai do centro-direita ao centro-esquerda e que “não é nem nunca foi de direita como alguns o têm caracterizado”. Manuela Ferreira Leite tem afirmado o mesmo nos seus comentários semanais. Eu próprio tenho defendido a necessidade do PSD voltar ao seu estatuto de social-democrata. Quando defndia a ideia de que o PSD devia regressar à sua matriz social-democrata centrava-se na esperança de que o partido podesse vir a deixar de ser conduzido pelos neoliberais.

Mas será mesmo assim e irá haver de facto mudança com uma nova liderança?

A resposta, até agora, é não. O ideário político do PSD, na prática, sempre foi de direita, de liberalismo moderado, e a história tem-nos dado provas disso. Teve alguns pequenos desvios pontuais, com alguns episódios de tímida e ligeiramente à esquerda (relativa, diga-se) ou ao centro, para captar algum eleitorado consoante o andamento das circunstâncias políticas do momento. Aliás é frequente os partidos servirem-se desta estratégia. O certo é que a representação que se tem do partido, dada a sua prática, é a de ser conservador de direita. A prova está em que o PSD no Parlamento Europeu, juntamente com o CDS, faz parte da ala conservadora e de direita que pretensiosamente dizem ser de centro-direita. Ao Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas fazem parte o PS, juntamente com o SPD (Partido Social Democrata) da Alemanha e outros partidos socialistas e sociais-democratas.

Voltemos agora às candidaturas à liderança. Um dos que não se candidatou foi Paulo Rangel, que se fosse candidato teria muitas dificuldades em se desmarcar de Passos Coelho. Se ganhasse seria mais do mesmo com algumas nuances.

A mensagem que algum candidato à liderança do PSD quer fazer passar é que o espaço ideológico do partido é a social-democracia, mas este é o espaço do PS. Se assim for a direita fica na mão do CDS e Assunção Cristas tirará dividendos disso ficando com o espaço do seu antigo parceiro de governo.

Depois temos os neoliberais que nos últimos anos tomaram conta do partido e que tentarão evitar heresias ideológicas, mas outros, para garantirem os pequenos poderes, irão converter-se. O PSD para nos enganar a todos está a começar a fazer um tirocínio para ser social-democrata ou até socialista a menos que aparece mais algum que o queira manter à direita onde pertence. Sobre esta tese sou levado a concordar com Rute Lima quando escreve no jornal Público: “De uma forma, de outra ou até entrando André Ventura na corrida à liderança do partido, de uma coisa todos temos a certeza: o trilho, a ideologia, o pensamento e a prática politica do PSD sempre foi neoliberal e o país ainda sofre na pele os resquícios da sua governação conjunta com o CDS.

Publicado por Manuel Rodrigues às 20:34
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Terça-feira, 3 de Outubro de 2017

A democracia é assim mesmo, dá sempre lugar à regeneração

Miguel Júdice.png

Após estas últimas eleições no seio das direções de informação começaram a perfilar-se novas composições na área do comentário político. A estreia foi iniciada com a TVI. O comentário político que José Miguel Júdice fazia às terças à noite na TVI24 passa a ser agora às segundas feiras no jornal da oito da TVI. Não é por acaso porque neste canal, e a àquela hora, apanha mais audiência a nível nacional. A TVI convidou Miguel Júdice, que andava há alguns anos afastado, para comentador algum tempo após o acordo parlamentar do PS com o PCP e o BE.

Como já várias vezes tenho escrito os comentadores de direita proliferam pelos canais de televisão falando com isenção duvidosa. Basta ver o perfil de Júdice para se compreender esta mudança. Anti esquerda convicto e com ódio às esquerdas mais radicais, talvez porque foram elas que ajudaram a apagar do mapa político português a influência da extrema direita.

Quem consultar documentos da época da revolução do 25 de abril ficará a saber que Júdice, embora não diretamente, esteve envolvido em conspirações antidemocráticas, com gente e partidos da extrema direita no norte do país que arquitetaram a rede bombista de 1976 causando a morte a várias pessoas. A história fará recordar aos mais novos a constituição do ELP (Exército de Libertação de Portugal) e do MDLP (Movimento Democrático de Libertação de Portugal), o primeiro mais militar do que político. O MDLP, a 17 de fevereiro de 1975, ensaiou um golpe de Estado. A 5 de maio de 1975 era oficialmente constituído o MDLP, uma força política de extrema-direita ficando a área da Política ao cuidado de José Miguel Júdice, na altura saudosista assumido do salazarismo. Em princípios de 1980, José Miguel Júdice aderiu ao PPD hoje PSD, onde militou. Em 2006 desfiliou-se do PSD e apoiou a candidatura de Cavaco Silva a Presidente da República. Em 2007 aceitou ser mandatário da candidatura do Partido Socialista, encabeçada por António Costa, à Câmara Municipal de Lisboa.

É agora comentador prime time na TVI. Nada contra, a democracia é assim mesmo, deve dar oportunidades de regeneração e ainda bem. Nada contra. Mas o que também acho é que devem ser dadas oportunidades para o contraditório a comentadores de esquerda residentes, que são escassos ou até, em alguns canais, muito incipientes ou disfarçadas em debates, aparecendo só em situações especiais.

Imagem tirada de http://www.jornaleconomico.sapo.pt/noticias/judice-novo-banco-vai-comprado-pelo-preco-da-uva-mijona-90073

Publicado por Manuel Rodrigues às 19:55
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Segunda-feira, 2 de Outubro de 2017

O centrar da discussão política da direita em torno das perdas eleitorais do PCP

Boia de salvação do PSD.png

Boia de salvação da direita

Os resultados das eleições autárquicas foram a evidência e, de certo modo a validação das políticas do Governo com o apoio parlamentar do PCP, BE e Verdes.

A direita foi derrotada em quase todas as frentes, exceto nos distritos onde o voto é tradicionalmente de direita por algum atavismo politico, cultural e religioso. O CDS-PP apesar de em Lisboa ficar à frente do PSD canta uma vitória minimalista que Assunção Cristas quer mostrar como sendo uma grande vitória no país.

A direita através dos seus jornalista e comentadores de serviços pretende agora desviar as atenções da sua derrota para o tema da perda de algumas câmaras que a CDU (PCP-PEV) detinha desde 2013, algumas delas importantes, que foram para as mãos do PS. A razão é simplesmente, a de criar tenções entre aqueles dois partidos, fazendo crer que o PCP perdeu com o apoio parlamentar que tem dado ao PS.

As diferenças não foram significativas em Évora e Beja, por exemplo, o PCP-PEV manteve a presidência e os mandatos apesar de alguma perda de votos, e não é claro se as pequenas perdas foram favorecer o PS.  Em Almada perdeu a Câmara, mas manteve o número de mandatos, e a diferença em valores percentuais não é significativa. Em todos os casos em que o PCP perdeu influência poderá fazer acordos com o PS porque há para isso condições.

Deste eventual conflito a direita tiraria dividendos, e as suas Pítias de serviço iriam tentar mostrar que tinham razão sobre o periclitante apoio parlamentar do PCP, que diziam ser traiçoeiro e, como tal, iria desabar.

Se tal se verificasse era uma boia de salvação para a direita e talvez até para Passos Coelho, daí ficar em modo de espera até ver o que isto dá para depois tomar opções.

A direita com objetivo de provocar conflitos entre aqueles partidos quer agora demonstrar que o PCP, ao deter a força sindical, irá provocar contestações e greves para forçar o PS a ceder a cada vez mais exigências. A pergunta que se pode fazer é o que ganharia o PCP com um conflito político neste momento. Avançar para eleições antecipadas que o iriam de certo modo prejudicar? E o que ganharia a direita? Daí que o líder do PSD tenha dito que iria avaliar e refletir.

Sem querer ser também uma Pítia da política suponho que a reflexão de Passos sobre o resultado das eleições não se irá traduzir em demissão e seria bom que não o fizesse porque parece à primeira vista que, quem avançar para a liderança do partido não terá apoios internos suficientes, a não ser que seja um qualquer elemento da linha neoliberal direitista do atual líder. Prevejo com desagrado que o PSD não regressará à verdadeira social-democracia tão cedo. Espero que me engane.

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 18:07
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Segunda-feira, 21 de Agosto de 2017

Repete… Repete

Repetição.png

Acerta quem disser que nos meus comentários sobre política neste blogue incido em alguns pontos que já escrevi em textos anteriores. Mas é mesmo assim. A repetição faz parte da sucessão de acontecimentos que vão surgindo na política. A oposição de direita, faz isso até à exaustão.

Aproximam-se as eleições para as autarquias e a redundância do tema Sócrates será inevitável e na comunicação social poderá vir a ser mais uma evidência repetitiva. Aliás, o PSD já começou a utilizá-la e a contextualizá-la.  

A direita PSD recupera e repete o caso do despesismo de Sócrates quando esteve no governo e as nefastas consequências que teve para o país. Foi Abreu Amorim na RTP3 no frente a frente com Galamba do PS, agora é o presente chefe da bancada parlamentar do PSD, esse senhor de cabeça oca que dá pelo nome de Hugo Soares, cujo historial político e respetivos antecedentes não inspiram muita confiança, quer no aspeto ideológico, quer no debate político. É um dos já poucos fãs de Passos Coelho e das suas políticas.

Hugo Soares, em nome do PSD, como também o fizeram líderes de outros partidos, veio tecer comentários sobre a entrevista que António Costa deu ao semanário Expresso. Então não é que lá veio à baila o despesismo do investimento público do tempo de Sócrates e dos projetos megalómanos lançando o já cansativo jargão do medo dos resgates e da banca rota. Digam lá se isto é ou não repetitivo, pouco original, e que revela a falta de qualidade da argumentação política.

Vamos lá ver então. O PSD criticou o governo por manter a austeridade, e um dos argumentos era, na altura da discussão do orçamento, a falta ou o fraco investimento público. Recorde-se que neste campo aquele partido era defensor de quanto mais privado melhor e cancelou tudo o que fosse investimento público.

Curiosamente, quando se pede um compromisso entre os diferentes partidos para o programa 20-20 onde se prevê investimento público necessário e não megalómano, o PSD vem dizer agora que há um regresso ao despesismo do tempo de Sócrates. Vamos lá perceber este partido. Mas que há desorientação, lá isso há.

Mas, Hugo Soares, o único voluntário que se chegou à frente para liderar a bancada parlamentar do partido acrescentou que o PS não quis qualquer acordo com o PSD e agora faz apelo ao consenso. Entretanto muita coisa mudou e, pelos vistos, parece que o PSD prefere os seus joguinhos de interesses partidários ao bem do país. Não é novidade, isso já nós sabemos.

Publicado por Manuel Rodrigues às 23:56
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Quinta-feira, 16 de Março de 2017

Uma vitória difícil e amarga

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Na Holanda concorrem às eleições 29 partidos, (ainda há quem proteste porque em Portugal há demasiados partidos). Não houve um partido vencedor e em eleições anteriores também não. Na Holanda costuma ser regra fazerem-se coligações entre duas ou mais forças com ideias diferentes. E tem sucedido não ser o partido vencedor, não tendo maioria parlamentar que venha a formar governo. Já houve alturas cujas circunstâncias levaram à formação de geringonças que funcionaram.

O partido mais votado foi o VVD, Popular para a Liberdade e Democracia da direita cujo resultado foi muito inferior a 2012 quando obteve 26,5% contra 21,3% em 2017. A extrema direita (PVV), do populista Geert Wilders consegue ficar em segundo lugar e foi um dos vencedores tendo conseguido mais 3% dos votos do que em 2102 com mais cinco deputados.  Mas olhando para o mapa eleitoral da Holanda podemos verificar que a extrema-direita ficou confinada a pequenos redutos como se pode verificar no mapa anexo.  

O Partido Trabalhista PvdA, de Jeroen Dijsselbloem, e ministro das Finanças e presidente do Eurogrupo, perdeu 29 deputados, ficando em sétimo lugar. Este desastre eleitoral terá sido devido ao PvdA, partido trabalhista holandês equivalente ao Partido Socialista português, ter feito uma coligação com a direita no poder tendo, por isso, sido penalizado. O mesmo poderá acontecer ao PS se alguma vez se aliar à direita do PSD para formar governo. Sobre este assunto já me pronunciei no tempo em que, após as eleições o PSD pretendia aliciar o PS para algo que a que chamavam entendimento e sobre o qual vinham insistindo desde o tempo de António José Seguro.

Na Holanda a semente da extrema-direita foi lançada os partidos democráticos terão que arranjar soluções para que o vírus vá por si mesmo sendo exterminado. Enquanto tal não acontecer a Europa não se pode congratular com as pequenas vitórias dos partidos europeístas.

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 22:44
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Segunda-feira, 9 de Janeiro de 2017

Mas a vida continua

Mário Soares.png

Apesar da perda de personagens exemplares a vida tem que continuar. Recordo-me como se fosse hoje. Foi à cerca de quatro anos que me encontrei no El Corte Inglês, na secção de artigos para homem, frente a frente com Mário Soares. Acompanhavam-no familiares e amigos, três ao todo.

Parado, próximo ao balcão onde aguardava que a funcionária me atendesse, Mário Soares, com alguma lentidão venceu os escassos metros que me separavam dele, parou à minha frente, olhou para mim como se me conhecesse há muito, fixou-me nos olhos, estendeu-me a mão a que correspondi. Apertou-ma fortemente como se de um gesto simbólico de fraternidade se tratasse, muito comum entre pessoas que pertencem a um mesmo grupo de amigos. «Como está?» - perguntou. «Bem… muito obrigado. E o Dr. Mário Soares?». «Estou bem!». E cada um seguiu a sua vida…

Duas coisas, pelo menos, tínhamos em comum: as opções ideológicas pela liberdade democrática e a oposição combativa às políticas neoliberais de Passos Coelho.

Na altura em que a democracia ainda se encontrava em estado de consolidação, considerava Mário Soares muito encostado à direita. Mas, por outro lado, quando comparado na altura com o PPD, o Partido Socialista era o verdadeiro partido social-democrata, muito próximo da corrente dos partidos franceses e alemão.

Combatente e defensor da liberdade era na altura contestado por todas as esquerdas mais ou menos radicais, que eram várias. Ainda me recordo da célebre frase do “temos de meter o socialismo na gaveta” fortemente contestado por aquelas forças partidárias que exploraram em seu favor aquelas palavras simbólicas. Só muito mais tarde percebi quanto ele tinha razão nas opções políticas que fazia, e porque o fazia. Comecei então a admirá-lo como exemplo de um político hábil e integro que não se distanciava do país e colocava as pessoas em primeiro-lugar.

Levou com ele a satisfação da concretização da vontade que, nos últimos anos, ambicionava: a ver novamente o Partido Socialista no Governo.

Publicado por Manuel Rodrigues às 18:13
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Sábado, 7 de Janeiro de 2017

Recordando... mentiras

Mentiras de Passos_2.png

A direita de Pedro Passos Coelho servia do chavão utilizado por Thatcher conhecida por “There Is No Alternative - TINA  para mentir aos portugueses dizendo que não seria possível manter a TAP como empresa pública ou recapitalizar a Caixa Geral de Depósitos. Desculpava-se com Bruxelas que não deixava.

Argumentos falaciosos, confusos, deturpadores da realidade eram aqui e ali utilizados por ele e pelos fãs do comentário político da falácia. Utilizavam então com argumentos de juristas e de legislação para terminarem a dizer que a Europa não deixava. Este discurso era assimilado e replicado às cegas por quem nada percebia de direito Europeu. Não é obrigatório ser legista e licenciado em direito, basta ler e estar atento.

Neste âmbito incluem-se os fanáticos das privatizações das quais podem alguns beneficiar, e os crédulos que acreditam em tudo quanto ouvem ou leem e é divulgado pelos jornais de opção neoliberal que distorcem, para utilidade político-partidária, o que se passa de facto na Europa.

 Passos e os seus adeptos mentiam quando garantiam que só era possível uma política, a deles. Ao Governo de Passo e de Portas dava jeito que acreditássemos em tudo o que estava a ser feito. O PSD e CDS acreditavam que nunca haveria hipótese de refutar a tese do “não há alternativa” porque nunca pensaram que o PS faria um acordo parlamentar à sua esquerda para viabilizar um Governo daquele partido porque estava sem maioria absoluta, que a direita também não conseguiu. Pensavam assim porque durante dezenas de anos nunca tinha havido outra política na esquerda portuguesa. Foi e continua a ser essa a frustração da direita.  

Ainda nos recordamos de quando Passos Coelho nos dizia, por exemplo, que não seria possível manter a TAP como empresa pública ou recapitalizar a Caixa Geral de Depósitos? Aqui está o exemplo prático de que, servindo-se da mentira, desculpava-se dizendo que Bruxelas não deixava.

Com outro simples exemplo, recordemos o que Passos Coelho disse no Twitter, quando ainda na oposição e já em fase de pré-campanha eleitoral, três meses antes de tomar posse (21 de junho de 2011): “Se vier a ser necessário algum ajustamento fiscal, será canalizado para o consumo e não para o rendimento das pessoas.”. E só mais uma: “É uma tragédia o estado a que o nosso estado social tem chegado.”(maio de 2011). Nesta altura já sabia que haveria um processo de ajustamento e que a troika viria.

Deputados do PSD que estão agora na oposição por questões de lana caprina veem dizer que António Costa está a mentir aos portugueses. Replicam o que ouviam da oposição quando eram governo. Há, no entanto, uma diferença é que, na altura, quando se dizia que Passos Coelho mentia era mesmo verdade.

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 12:50
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Sexta-feira, 30 de Dezembro de 2016

Feliz Ano Novo sem vir o diabo

FelizAnoNovo.pngQuando leio algumas notícias que provêm de declarações do PSD não consigo deixar de sorrir e, até rio com vontade se estou em presença de pessoas conhecidas. Desta vez foi aquela do PSD pressionar o Governo para alargar o pré-escolar.

A exigência para o Governo avançar já em 2017-18, com a generalização da oferta da frequência do pré-escolar aos 3 anos de idade consta de um projeto entregue na Assembleia da República no qual o PSD acusa o executivo de António Costa de não se comprometer com qualquer data concreta para a promessa e acusam-no de propaganda. Aqui eu diria olha quem fala?

Rir, e depois sentir um sentimento de pena para com o PSD, lamentando a tristeza da política que por lá deve andar. Perguntam então os leitores deste “post”, porquê? A resposta é simples.

O alargamento do pré-escolar é uma proposta que consta do programa do PS que António Costa divulgou que é para ser implementado durante a legislatura e que, recordo, vai agora entrar apenas no segundo ano.

Agora o PSD apanha a boleia para a sua azáfama de propaganda e mostra que está muito interessado na educação pré-escolar, como se este projeto pudesse ser implementado em cima do joelho e posto em prática em meia dúzia de meses. Aliás, projetos elaborados em cima do joelho foi o que mais tivemos durante o governo do PSD-CDS. Nada se ouviu nem viu sobre a alargamento do pré-escolar durante os quase cinco anos que estiveram no governo, mas é agora que estão muito interessados na rapidez. Portam-se, como disse em “post” anterior como garimpeiros que, em vez de algo valioso, carregam para o saco umas pedrazinhas que cujo valor nem dão para o esfoço.

Apenas me resta desejar-lhes um Bom Ano Novo gasto à procura do diabo.

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 20:17
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Terça-feira, 27 de Dezembro de 2016

Garimpeiros

Garimpeiro.png

O Natal já lá vai e a política da oposição de direita é a de continuar à procura de prendinhas preciosas para oferecer a si própria. Mas não é só a oposição, são também alguns que, não sendo da oposição de direita e considerando-se do PS, fazem oposição ajudando a meter golos na baliza do “clube” a que dizem pertencer.

A pesquiza de preciosidades e a procura de brechas insipientes na política do Governo são a oportunidade que resta à direita para fazer oposição fácil porque oposição afirmativa séria e alternativa, não sabem como fazê-la.

A oposição a Passos Coelho dentro do PSD começa a borbulhara e a fazer sair da penumbra a que se votaram, depois da perda do poder, alguns senhores que então o apoiavam.  Saltitam alguns reagindo a uma possível aliança do partido com o CDS para a Câmara de Lisboa. Autarcas e ex-autarcas sugerem um congresso extraordinário do PSD.  

Seguem-se outros de direita, nomeadamente colunistas de jornais diários que aproveitam para pegar em tudo quanto o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, diz ou possa ter dito para fazer manchetes e para o criticar oraculizando esboços de divergência institucionais com o Governo.

Há ainda outros, os que escrevem em editoriais que  o “Presidente não é o menino Jesus e que  por muita fé que tenha, o boletim meteorológico continua a apontar para mau tempo.” Fazem parte do grupo que, entrando na carruagem de Passos Coelho, esperam ansiosos pela paragem onde entra o diabo. Estes eram os defensores das políticas de Passos Coelho no passado.

Vão escavando, garimpam aqui e ali, em tentativas de procurar algo fazendo uma oposição sem consistência. Primeiro foi a CGD, agora são os lesados do GES para os quais Passos, enquanto esteve no Governo, não conseguiu, não quis ou não soube arranjar uma solução. Surgem como senhores das trevas que dizem defender o interesse de Portugal.

Timidamente vão saindo da nebulosidade outros comentadores e opositores vindos duma direita  enfezada, porventura devido a estarem próximo do diabo que dizem estar para vir. Tecem estes críticas veladas ao Presidente da República, ainda de forma comedida, mas que, entre linhas, vão insinuando que o Presidente está em consonância com o Governo por estar a fazer discursos pacificadores. Estes são os mesmos que, durante a campanha eleitoral, faziam campanha e elogiavam Marcelo. Anseiam agora por conflitos institucionais, querem instabilidade porque é isso que os torna vivos.

Estou à vontade para escrever porque sempre critiquei Marcelo Rebelo de Sousa para Presidente. Reconheço o meu erro, apenas, e só, porque, ao contrário do que pensava na altura, ele veio trazer um contributo para a paz social com uma atitude contrária ao passadista Passos Coelho que, durante o seu mandato, criou feridas, crispações e instabilidade sociais dividindo o que deveria unir, até porque Portugal estava confrontado com dificuldades a ultrapassar que necessitavam de união e não de divisão. Sobre esse tempo e essa atitude, neste mesmo sitio, várias vezes manifestei-me contra.

É mais do que certo que, nem tudo o que o Governo fez, ou se proponha fazer, está isento de críticas, nem tudo tem sido perfeito, mas qual foi a perfeição do Governo da passada legislatura. Aqui entram, mais uma vez, os que exaltam o que bom fez o Governo de Passos que preparou o terreno do que, dizem, estar o atual a aproveita-se.

Não falemos agora da saída limpa e do que, para isso, esconderam sobre o estado da banca!…

Garimpam desesperadamente em terrenos onde nada existe para garimpar.

Apenas como uma nora final tomem nota senhores autarcas do PS, atuais, futuros ou recandidatos, os garimpeiros da política andam por aí e a caça ao nepotismo e a outras atividades menos éticas já começou com a aproximação das eleições autárquicas.  Essas vão ser duras, mais do que se estivéssemos num Governo do PSD onde muita coisa seria ocultada, desculpada e dada sombria visibilidade.

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 18:40
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Terça-feira, 27 de Setembro de 2016

Obsessão da comunicação social ilumina Sócrates

Sócrates iluminado.png

 

Raramente abordo o tema Sócrates, juízes como Carlos Alexandre e outros, as justiças ou injustiças a que ele possa estar sujeito e as acusações falsas que, segundo ele, lhe estão a ser imputadas. O que raras vezes aqui escrevi sobre Sócrates teve mais a ver com a comunicação social, não a nova, as das redes sociais, mas a clássica da imprensa,da rádio e da televisão.

Noutro blog escrevi vários textos a criticar Sócrates e a sua ação governativa estou, por isso, à vontade para dizer o que acho do desvairo que para aí anda sobre José Sócrates sem que isso me coloque a favor ou contra ele. Não ando por aí a procurar argumentos para lhe poder apontar o dedo ou para o desculpabilizar. Se não tenho a certeza não digo, não escrevo, nem me vou fiar no que dizem tabloides, jornalistas, comentadores e escribas de opinião, talvez ressabiados pelo que lhes aconteceu no tempo em que Sócrates foi desastrosamente governante. O que comento é a forma e a qualidade da substância que é passada pela comunicação social sobre o processo e o modo como é transformado de acordo com interesses. Nada me obriga a tomar o que dizem como sendo legítimo, válido, verdadeiro e indiscutível. O esclarecimento e a verdade virão apenas e aquando da acusação, do julgamento ou julgamentos e da condenação, ou não, do presumível réu.

Durante estes últimos três ou mais anos o assédio pelos órgãos de comunicação social que vivem do sensacionalismo e da baixeza jornalística tem sido mais do que evidente. Sócrates é uma fonte de notícia e rendimento para os jornais e estou em crer que vai sê-lo cada vez mais. Ao mesmo tempo é utilizado por uma oposição vazia, sem argumentos válidos e credíveis e de baixo caráter que se serve disso como arma de arremesso político. Para isso já basta Donald Trump.

É curioso como periodicamente se retira da gaveta da investigação da Operação Marquês e das gavetas da comunicação social o tema Sócrates, coincidindo com certos momento da política, ou de outros, com eles relacionados.

Também é verdade que ele anda a pôr-se a jeito. As deambulações que José Sócrates faz por aí para ganhar o espaço mediático que a comunicação social depois lhe dedica, as suas intervenções, os apoios de "amigos" e admiradores, sejam eles do partido ou não e, agora, um livro que vai ser apresentado em outubro põem muito boa gente da comunicação social e outros fora de si fazendo-os entrar em devaneios obsessivo-compulsivo de escrita por tudo quanto é jornal.

Criticar Sócrates e dizer que não se gosta dele pelos motivos que cada um entenda é legítimo. Deixa de o ser quando se fazem insinuações desonestas e sórdidas para se criticar seja quem for. Ou se conhecem dados exatos e informações sólidas do processo ou, então, as afirmações produzidas baseiam-se apenas e só no que alguns jornais por aí dizem a quem acusam de serem fugas ao segredo de justiça. Até existe quem ache que essa história do segredo de justiça foi uma má ideia talvez porque lhes limite condenações públicas sem julgamento. Ao mesmo tempo Sócrates serve também àqueles que o atacam como ajudazinha atacar o Governo e António Costa e aplaudem quando socialistas censuram Sócrates por prejudicar o partido.

Uma das estratégias da oposição de direita e dos seus adeptos comentadores e jornalistas ressabiados é a de tentarem estabelecer uma colagem de António Costa a Sócrates. É esta a oposição duma direita desorientada que diz ser social-democrata. Por outro lado, há jornalistas ineptos, lamentavelmente à frente de jornais que deviam ser exemplo de seriedade que chegam tendenciosamente ao desplanto de associar os grupos que por aí andam em reuniões e almoços a apoiar Sócrates aos saudosistas de Estaline na Rússia. Afirmarem coisas como estas só pode ser considerado como ódio pessoal e político que lhes tolda a razão.

Muitos não suportam Sócrates não apenas pelos traumas que lhes causaram no passado mas também pela sua capacidade de defesa e recuperação perante fatores e condições adversos.

Os que apanharam a síndrome do socratismo afirmam categoricamente, como se isso fosse determinante para um caso do âmbito da justiça, que é um dado adquirido a culpa baseada "no que se vai sabendo sobre os esquemas que Sócrates utilizaria para fazer circular o dinheiro" e continuam dizendo que a outros "apenas lhes interessa que parte do que foi divulgado pelos jornais devia estar em segredo de Justiça.". Isto não é nada mais, nada menos, senão um manifesto apologético dos julgamentos na praça pública através da comunicação social. Grandes jornalistas estes não há dúvida.

Temem Sócrates e não estão interessados em que ele recupera a imagem e volte à cena política. Eu, cá por mim, estou-me nas tintas, mas as probabilidades podem ser significativas, tudo depende do julgamento, quando for.  

Publicado por Manuel Rodrigues às 22:05
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Sexta-feira, 19 de Agosto de 2016

O acessório à falta de melhor

O problema gerado com os elementos escolhidos para a administração da CGD – Caixa Geral de Depósitos é um bónus que o Governo deu à direita na oposição. O Governo de António Costa errou. Esta é a segunda vez. Com mais erros idênticos dá-lhes oportunidade para trautear e evitar assim a verdadeira oposição que ainda não fizeram. Se António Costa e o seu Governo não prestarem mais atenção às implicações antes da tomada de decisões temos baile mandado.

Esgotado o argumento das sanções da U.E. pelo incumprimento do défice, do Governo anterior, diga-se, a direita olhará em todas as direções para ter oportunidades que até hoje não teve. É nisso que irão apostar. No acessório e não no essencial. Na chamada baixa política.

Os deputados da direita, como é sabido, pertencem a dois grupos partidários que, quando no poder, sempre prejudicaram uns em favor de outros e, para continuar essa cruzada querem voltar.

Deixemos agora um dos partidos, o CDS, que há muito se sabe com que contar e voltemo-nos para os deputados do PSD cujos argumentos apenas têm servido para iludir o povo com banalidades numa espécie de bailinho. Argumentam de modo a ir ao encontro com o cidadão menos atento e com alguma iliteracia política, a não ser a que veem e ouvem nos jornais televisivos e seus comentadores que muitas das vezes não escondem a sua entrega dedicada ao partido hoje na oposição.

Os que conduziram e contribuíram para que Portugal caísse no marasmo económico em que hoje se encontra e que outros pretendem ainda salvar num esforço hercúleo, dada a resistência quer interna, quer externa, veem agora, pela voz do vice-presidente da bancada parlamentar do PSD, Luís Montenegro, por questões de lana caprina, falar da incompetência do atual governo devido à rejeição pela Comissão Europeia de alguns dos administradores propostos para a CGD. É como aquele adepto dum clube de futebol que comenta à mesa dum café sobre o treinador e diz que se eu estivesse lá não faria assim.

Apesar da razão que lhe possa caber pela falha não desculpável do Governo não se preocupa o senhor deputado com a ingerência da Comissão nos assuntos internos que apenas deveriam dizer respeito a Portugal. Isso já não lhe faz cocegas. Até parece que, quando o seu partido estava no Governo, era intocável, sem falhas, sem falcatruas, sem trapalhadas.

A Comissão Europeia numa coisa tem razão. Não pelo currículo dos propostos, mas pela questão da acumulação de cargos que podem dar lugar a interações pouco claras. Quando se vai ocupar o lugar num banco do Estado não podem existir incompatibilidades.

Disse ainda aquela luminária de deputado que é um atentado aos trabalhadores do banco do Estado os ordenados dos administradores. Esse senhor que manobra em algumas águas profundas e secretas e que, segundo a imprensa da época, janeiro de 2012, teve alguns problemas por ligações ao ex-diretor do SIED, e que pertence a um partido cujo líder sempre prejudicou quem trabalha vem correr em defesa dos trabalhadores. Quando o seu partido esteve no governo isso não fazia parte das suas preocupações. Tem memória de elefante para umas coisas e memória de toupeira para outras. Releia os jornais do seu tempo. Releia, que lhe faria bem rever os escândalos e falhas do Governo que na altura o seu grupo parlamentar apoiava.

Quanto aos vencimentos exagerados dos administradores posso não estar de acordo, mas será que ele encontraria alguém com qualidade e competência que arriscasse administrar a CGD com os problemas que atualmente enfrenta, apenas por um prato de lentilhas?

O que mais se lhe recomenda é tento, para não dizer pior.  

Publicado por Manuel Rodrigues às 23:59
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Sexta-feira, 22 de Abril de 2016

Quando o réu quer virar juiz

Juiz.png

A direita, especialmente o PSD de Passos Coelho, tenta desvincular-se da política que adotou enquanto esteve à frente do Governo. O PSD tenta agora na comissão de inquérito ao BANIF mostrar que nada teve a ver com isso,  desculpabilizar-se e apagar parte do seu mandato. Na Assembleia da República o PSD aproveita a comissão de inquérito e a visibilidade televisiva para atacar e responsabilizar o Governo em funções. A sua pedra no sapato é o ministro das finanças Mário Centeno porque, se este conseguir mostrar durante o mandato deste Governo que há outros caminhos para atingir os mesmos objetivos, mostrará o fracasso do Governo anterior e a política da severa austeridade que apoiou, (apenas para alguns), imposta pela UE e pelo seu defensor incondicional que é o ministro das finanças alemão.

Podemos questionar, se, quem não resolveu o problema do BANIF por incompetência, desleixo, ou talvez premeditadamente para precaver uma eventual perda de eleições tem moral política para acusar seja quem for pela situação criada no naquele banco. Poderemos perguntar ainda se já estão esquecidos dos estrondosos problemas que enredaram o Governo de que faziam parte?

O Governo anterior passou o problema para o senhor que se segue que, a custo, o resolveu enquanto elementos do PSD que estão na comissão de inquérito constroem artifícios irrelevantes fazendo-os parecer mais importantes do que na realidade são.

O PSD  ainda está no rescaldo da incapacidade de Passos Coelho, aliada a um certo ressentimento por não ter conseguido constituir Governo. Diria até uma certa ira para com o atual que, até ver, mostra estar a governar. Passos Coelho, por seu lado, mantém o registo de primeiro-ministro mas sendo ex-primeiro-ministro que algumas e desvairadas cabeças do PSD aconselham a manter como estratégia de modo a não fazer parecer exatamente aquilo que é, um ex-primeiro-ministro como tantos outros o já foram.

O PSD quer mostrar que não tem estratégia entrou num estado de aparente catalepsia esperando sentado. Isto é, está numa espécie de comprometimento e numa oposição inerte talvez porque nada tenha para apresentar de novo e que não seja ideologicamente neoliberal. O PSD estar a favor é comprometer as suas políticas passadas, abster-se é o mesmo que dizer que não concorda e estar contra é o mesmo que estar contra medidas que a maioria da população, bem ou mal, aceita.  

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 17:04
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Quarta-feira, 6 de Abril de 2016

Abandono da social-democracia pelo PSD já!

Hoje resolvi incluir aqui um e-mail que escrevi a João Miguel Tavares sobre o artigo de opinião que escreveu no jornal Públicohttps://www.publico.pt/politica/noticia/o-tempo-corre-a-favor-de-passos-1728040 relativo ao passado Congresso do PSD que tem a ver, segundo ele, com a a ultrapassada social-democracia. Posso colocar a questão das seguintes formas: social-democracia eis a questão ou, abandono da social-democracia pelo PSD já!

Boa tarde Caro  João Miguel Tavares,

Duvido que o tempo corra a favor de Passos, mas não é por isso que lhe vou fazer perder o seu.

 

Li com muita atenção o artigo de opinião publicado no jornal Público de 5 do corrente. Raramente os leio e quando o faço também raramente concordo consigo, digo isto percepcionando que isso também não lhe faz diferença alguma.

Independentemente da concordância ou não com os seus pontos de vista eles apresentam, não raras vezes, um explícito cariz de facciosismo. Não tome isto como ofensa é apenas um ponto de vista político e não pessoal.

Mas voltemos ao seu artigo. Face ao argumentário apresentado não seria despiciendo que apresentasse sugestões nos seus artigos para que o PSD – Partido Social Democrata abandonasse esta designação e fosse substituída por uma outra em que as palavras social, democracia e social-democracia deixassem de vigorar no programa já que afirma explicitamente: “Só que essa definição de social-democracia vai invariavelmente desembocar num modelo de sociedade estatista, alumiado pela eterna lamparina de São Bento, que se mostra esgotado há 20 ano. São aqueles que gostavam que o PSD fosse um bocadinho mais parecido com o PS.”. Será que deveremos concluir que, quem como eu, atribui a Passos Coelho o epíteto de liberal ou neoliberal têm razão? Senão, que outra designação se poderia atribuir ao partido que ele lidera?

Algo não bate certo. Tendo em conta as críticas que faz no seu artigo a quem não concorda com o atual líder do partido por defenderem, como diz, a ultrapassada social-democracia, como explicar então a frase “Social-democracia sempre” como slogan do congresso que Passos Coelho aceitou e recuperou? A honestidade de propor a mudança da sigla e denominação do partido evitaria confundir potenciais eleitores de estarem a ser enganados, como eu o fui em 2012, por uma sigla partidária a que está mais ou menos associada a uma ideologia política.

Claro que poderá sempre dizer-se que essas siglas e atributos são apenas chavões utilizados pelos partidos mas que propriamente não os define. Todavia, quem vota tem o direito de ser esclarecido sobre o partido em que pretende votar. É uma escolha que se traduz num programa de qualquer partido que apresente quer orientações de direita, quer de esquerda, quer de assim-assim. Se não houver orientações para opções de escolha a democracia não será mais do que palavreado para enganar. Então fora com a social-democracia do Partido Social Democrata.

 

Com os meus melhores cumprimentos,

 

Manuel Rodrigues

Publicado por Manuel Rodrigues às 19:51
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Quinta-feira, 31 de Março de 2016

Plano Nacional de Reformas e parcialidade dos comentadores televisivos

Comentadores_Simpsons.png

 

Foi ontem apresentado na Assembleia da República o PNR – Plano Nacional de Reformas de iniciativa do Partido Socialista no Governo. Claro que, como já tem sido habitual noutras ocasiões idênticas, houve de tudo um pouco, palmas, risos, abanares de cabeças, discursos com notas de humor que visaram adversários que alguns comentadores da televisão (SIC) acharam pouco edificantes. Já se esqueceram das intervenções de Paulo Portas que, de quando, em quando, animava a Assembleia com o seu humor por vezes cáustico e sarcástico quando que se dirigia à oposição.

Mas há comentadores e comentadores. Há os que tentam manter alguma isenção, por vezes sem o conseguir, e outros que não a conseguem nem fazem o distanciamento necessário. Entre estes últimos incluo José Gomes Ferreira da SIC que hoje mais parecia uma versão televisiva dum deputado do PSD destacado opor Passso Coelho para aquele canal. Refiro-me ao seu cometário sobre a discussão do PNR ao qual se referia dizendo que era uma conjunto de ideias generalistas que qualquer governo poderia apresentar. Mais parecia um decalque do que Passos Coelho disse no plenário.

Quereriam que fosse apresentado um dossiê completo e detalhado com centenas de páginas? Quem minimamente conhece a metodologia de projeto sabe que qualquer plano/projeto se inicia por um geral e só depois se avança com o plano detalhado ao que se segue depois para o plano de pormenor todos enriquecidos por propostas de vários setores, porque, um plano que abranja várias áreas de intervenção, deve ter uma componente política multipartidária e técnica multidisciplinar. Será que não estarão ali propostas abertas e sujeitas a discussão pública aptas a poderem ser melhoradas e acrescentadas? Ou queria a oposição um tal documento com centenas de pormenores que depois se tornaria impossível, a tempo, a sua análise e discussão.

O cometário de alguns destes senhores, como aquele que referi, pode indiciar duas perspetivas, a primeira será a ignorância, a outra revela o sectarismo ideológico, partidário e seguidista do regime que apoiaram durante quatro anos.

Gomes Ferreira, comentador que apenas aborda o que vai de acordo com os desígnios que professa, vai mais longe quando se refere à capitalização das empresas dizendo que desconhece se esta capitalização será com dinheiro colocado pelo Estado, omitindo o que está bem claro na intervenção de António Costa quando referiu que a capitalização das empresas é necessária para resolver “um dos maiores bloqueios à atividade e ao crescimento da economia”. E para atingir esse objetivo contará também com o Fundo Europeu para Investimentos Estratégicos (conhecido como o Plano Juncker)” e que este inclui uma linha específica para apoio a empresas, “incluindo a capitalização”, de 75 mil milhões de euros. Nesse sentido, o Plano Juncker foi considerado pelo Governo “como uma fonte complementar à estratégia de capitalização das empresas com vista ao fortalecimento das suas capacidades de investimento, à promoção do crescimento económico e do emprego”.

Abaixo incluo uma síntese dos seis pilares do PNR publicado pelo jornal Público.

 

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Qualificação dos portugueses
Melhorar as qualificações a partir dos 3 anos

É uma das medidas mais concretas entre as que António Costa apresentou esta terça-feira. “Generalizar a todas as crianças de 3 anos o acesso ao pré-escolar”, anunciou, lembrando que as taxas de reprovações são mais altas entre os alunos que não tiveram educação pré-escolar. O objetivo já constava do programa eleitoral do PS e do programa do Governo.

Dessa forma, o executivo espera cumprir o objetivo de redução do insucesso e abandono escolar. Este é um dos eixos em que se desdobra o primeiro pilar do PNR, dedicado à qualificação. Neste âmbito, destaca-se também a necessidade sublinhada pelo executivo de melhoria da qualificação da população que já está no mercado de trabalho, que será concretizada através do Programa Integrado de Educação e Formação de Adultos (herdeiro do programa Novas Oportunidades), cuja criação foi aprovada no último Conselho de Ministros. O PNR aponta ainda para a necessidade de introduzir inovação no sistema educativo, ainda que sem explicitar de que modo, e para a formação de jovens que não estão nem a trabalhar nem a estudar. Samuel Silva

Inovação na economia
Puxar pelo empreendedorismo

Se novidades há neste PNR face ao programa do Governo, elas passam pela definição das metas que vão ajudar a aferir o grau de sucesso das políticas através das quais o executivo quer diversificar as exportações, promover o empreendedorismo e inverter a queda do investimento empresarial em Investigação e Desenvolvimento: 5100 empresas apoiadas pelas medidas de internacionalização, 1500 a beneficiar com medidas de apoio ao empreendedorismo, conseguir que até 2023 existam entre 62 a 67% das empresas com mais de 10 trabalhadores a reportar atividades de inovação e que nesse mesmo ano o peso das exportações nas vendas das empresas atinja os 22% e que o respetivo peso no PIB nacional passe dos atuais 40% para os 47%. Um dos indicadores que o Governo pretende intensificar é o do volume de exportações de produtos de alta tecnologia – apenas 3,6%, enquanto a média dos 28 países da UE chega aos 15,6%. Nas previsões do conselho de finanças públicas até 2019, o aumento da procura externa era expectável apenas a médio prazo: um abrandamento em 2016 (de 5,1% para 4,9%) para crescer nos anos seguintes, com destaque para o contributo do turismo. Luísa Pinto

Valorização de recursos
Aposta na reabilitação urbana 

Quatro mil edifícios públicos e privados e três milhões de metros quadrados de espaços públicos serão alvo de reabilitação ou de intervenção apoiada, de acordo com a meta anunciada pelo primeiro-ministro. A aposta na reabilitação urbana estava já clara no programa do Governo. Aliás, o tema, consensual, anda há muito no discurso de vários governos, mas ainda não ganhou no terreno a expressão que os agentes económicos reivindicavam – sobretudo o sector da construção civil que hoje depende muito deste segmento. Ainda não foi diferente com Costa: os instrumentos já foram anunciados, falta a sua operacionalização. O Ministério do Ambiente, que tutela esta área, está a criar o Instrumento Financeiro para a Reabilitação e Revitalização Urbanas (IFRRU 2020), tendo como ponto de partida 250 milhões de fundos comunitários a que se somam 140 milhões do empréstimo contraído junto do BEI. Com estes 390 milhões como base, o Governo pretende lançar um concurso para a participação da banca comercial e com ele assegurar, até ao fim do ano, cerca de 780 milhões para financiar operações de reabilitação urbana. Mas a valorização do território também passa pela mobilidade. Pretende-se construir 214 quilómetros de ferrovia, e requalificar mais de 40% da rede. Quanto à eficiência energética, o compromisso é reduzir em 25% o consumo de energia primária em todos os sectores económicos. Luísa Pinto

Capitalização das empresas
Transferir 2,8 mil milhões

Primeiro, um elevado ritmo de endividamento. Depois, um congelamento de novos empréstimos, que ditou um bloqueio à atividade. Este é o retrato do sector empresarial nacional nas últimas duas décadas. Só entre 2000 e 2012 o endividamento subiu de 98% para mais de 150% do PIB, muito suportado pelo sector bancário. Com a crise financeira, e especialmente a partir de 2011, o crédito tornou-se algo raro, e muito mais caro. Empresas, mais ou menos viáveis, fecharam portas, enquanto outras sobreviveram mas a custo.

Aliás, parte da descida geral do endividamento (o rácio está agora em 144% do PIB) advém do facto de muitas empresas terem encerrado (obrigando os bancos a assumir o impacto negativo), e da redução forçada de diminuição da dívida, por falta de novos empréstimos. Este último fator levou a menor competitividade (ao nível dos preços), despedimentos ou bloqueio de novas contratações e adiamento de investimentos. As empresas precisam de se capitalizar, e de preferência diminuir a dependência da banca (algo que o anterior executivo já identificara).

O que o Governo vem agora sugerir é a aplicação de medidas no terreno que ajudem a esse processo. Os fundos “Capitalizar” serão orientados para a “generalidade das empresas”, e para os vários ciclos: desde a sua criação ao desenvolvimento/criação, passando pela reestruturação. Aqui, a Instituição Financeira para o Desenvolvimento (vulgo “banco de fomento”) teria um papel operacional, através de dois fundos (um ligado a capital e outro a dívidas e garantias).

Esta terça-feira, António Costa afirmou que a ideia é apoiar, através dos fundos “Capitalizar”, 9300 empresas, prevendo-se a transferência de 2,78 mil milhões de euros para esse objetivo, no quadro do Portugal 2020. De acordo com fonte oficial do Governo, o número de empresas que se prevê apoiar “decorre, no essencial, do compromisso já assumido no âmbito do quadro Portugal 2020 para a utilização de instrumentos financeiros de capitalização”. O reforço de capitais próprios, diz a mesma fonte, “teve em consideração a avaliação prévia das necessidades de financiamento demonstradas pelas empresas que compõem o tecido empresarial português (gap de financiamento referente a necessidades de capitalização), designadamente tendo em conta os níveis de autonomia financeira desejáveis para estas empresas, bem como as falhas de mercado atualmente existentes ao nível do investimento (gap de investimento) ”.

Na sua intervenção, António Costa referiu que a capitalização das empresas é necessária para resolver “um dos maiores bloqueios à atividade e ao crescimento da economia”. E para atingir esse objetivo contará também com o Fundo Europeu para Investimentos Estratégicos (conhecido como o Plano Juncker).

Ao PÚBLICO, fonte do Governo clarificou que este inclui uma linha específica para apoio a empresas, “incluindo a capitalização”, de 75 mil milhões de euros. Nesse sentido, o Plano Juncker foi considerado pelo Governo “como uma fonte complementar à estratégia de capitalização das empresas com vista ao fortalecimento das suas capacidades de investimento, à promoção do crescimento económico e do emprego”.

Nas próximas semanas, a estrutura de missão para a capitalização das empresas, criada pelo Governo e presidida por José António Barros (gestor e ex-responsável máximo da AEP) deverá apresentar as primeiras conclusões do seu trabalho. A ideia é avançar com algumas medidas que sejam aplicáveis no imediato, havendo depois uma segunda fase com instrumentos financeiros mais complexos, a olhar para o médio e longo prazo. Luís Villalobos

Modernização do Estado
Reduzir pendências em 20% até 2020

António Costa deixou claro que a simplificação administrativa é, a par da capitalização das empresas, um ponto essencial para dotar o tecido empresarial de condições para melhorar a sua produtividade e criar emprego.

Os problemas estão há muito identificados e o primeiro-ministro espera que estejam criadas condições para simplificar os processos de licenciamento e pôr a justiça ao serviço da competitividade. Num contexto em que os recursos são escassos, o primeiro-ministro falou na importância de um Estado “que se concentra em acrescentar valor à vida dos cidadãos, das empresas e da sociedade”.

No sector da justiça, o Governo quer reduzir em 20% o número de pendências na ação executiva cível ao longo dos próximos cinco anos. Na calha está também a entrada em funcionamento de um interface que ligue o Sistema de Suporte à Atividade dos Agentes de Execução à plataforma informática Citius e a disponibilização de um site para consulta de informação processual.

Na área empresarial o Governo compromete-se a concentrar todos os processos de licenciamento no Balcão do Empreendedor e a pôr, finalmente, no terreno o licenciamento único ambiental (integrando 11 regimes jurídicos). O objetivo é reduzir em 30% os prazos médios deste licenciamento e em 25% os seus custos. Raquel Martins

Coesão e Igualdade Social
Mais 23 mil idosos com apoio extra

Mais 23 mil idosos abrangidos pelo Complemento Solidário para Idosos — chegando-se aos 200 mil beneficiários deste apoio para quem tem pensões muito baixas. Mais crianças com abono de família. Mais pobres com Rendimento Social de Inserção. A síntese do Programa Nacional de Reformas estabelece, no capítulo da “Coesão e Igualdade Social”, três objetivos — que, de resto, já estavam bem expressos no programa do Governo: por um lado, “elevar gradualmente os rendimentos dos portugueses, em particular das populações mais atingidas pela pobreza e exclusão social”, por outro, “restabelecer os mínimos sociais”, revendo condições de acesso a prestações. E por fim, “promover a saúde”. Sobre este último define-se que haverá uma “redução global do valor das taxas moderadoras”, de “22% a 24%, em 2016”, e também “100% das consultas realizadas em tempo adequado” e “100% das cirurgias realizadas dentro do tempo máximo previsto”. Ao plano junta-se o objetivo já anunciado de oito mil camas à rede de cuidados continuados. Garantir que a tarifa social de energia chega a todos os potenciais beneficiários é outra meta inserida no PNR, que acrescenta que “medidas fiscais para promover maior justiça social” serão igualmente adotadas para atingir o objetivo da coesão social. Andreia Sanches

Publicado por Manuel Rodrigues às 17:54
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Terça-feira, 29 de Março de 2016

Desfaçatez ou nostalgia do poder

Passos_Coelho_diabo.png

Descaramento não falta ao ex-primeiro-ministro. Segundo o Jornal de Notícias de 25/03/2014 Passos Coelho disse que é preciso elevar os rendimentos mais baixos dos portugueses e que tem como “objetivo a redução das desigualdades e das injustiças sociais, afirmando que "doravante" será possível "olhar para as políticas sociais" com um alcance que o "contexto de emergência" dos últimos três anos não permitiu”. Mas afinal não tínhamos todos que empobrecer!? E então não eram os cortes para serem definitivos? Entretanto abriu exceções para reposição de alguns por altura da campanha eleitoral. 

As afirmações deste ex-primeiro-ministro que continua numa missão de espécie de político exilado apenas demonstram uma falta de caráter sem limites. Não olha a meios para atingir os fins. Tudo lhe serviu e continua a servir para os seus intentos de tomada do poder: a mentira, a deturpação de sentido, o engano, o ultrapassar dos limites do estado de direito constitucional, como várias vezes fez durante o seu mandato, enfim uma trapalhada. Apenas em alguns meses altera os seus pontos de vista caminhando cada vez mais para o deserto para onde está a colocar o partido. Mas a culpa não é só dele é também dos seus “adoradores”. Como é o PSD o elegeu (apenas 46% do militantes o fizeram) agora tem que  aguentar um líder como este que, às segundas, terças, quartas, quintas e sextas é liberal radical e nos fins de semana é um socialista dos mais à esquerda. Para Passos Coelho era preferível baixar salários por questões de competitividade agora é preciso aumentá-los; evitava o aumento do salário mínimo, agora é preciso revê-lo. Como se os argumentos que então utilizava tivessem perdido a validade.

Era crítico acérrimo do Estado Social e da sua reformulação que agora é o seu melhor defensor ao defender que o Estado e o Governo "farão bem aquilo que lhes cabe se olharem para as políticas sociais como políticas de investimento social". Será que li bem ou será que a leitura é outra e estou enganado e o que ele diz é que as política sociais deverão ser um área de negócio para os privados com fins lucrativos, (não tenho nada contra o lucro nem investimento privado desde que não à custa da miséria de uns e dos impostos dos outros), para onde o Estado deve canalizar fundos dos impostos de todos. Se for este último caso nada mudou na sua política do passado.

Mas Passos Coelho não se fica por aí e vai a reboque das políticas da atual maioria parlamentar que Paulo Portas denominou de “geringonça” dizendo que "Para isso, teremos de apostar na qualificação do nosso capital humano e de dar oportunidades aos nossos jovens, sobretudo aos mais desfavorecidos. Teremos de proteger e elevar os rendimentos mais baixos dos portugueses que não podem dispensar os apoios sociais. Teremos de reduzir as desigualdades e as injustiças sociais". Então não era isto o que ele apelidava de as gorduras.

Plágios do programa do Partido Socialista.

Será esta viragem à esquerda desfaçatez ou nostalgia do poder?

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 17:43
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Quarta-feira, 16 de Março de 2016

A propósito do congresso do CDS

Cristas e Passos.pngA propósito do congresso do CDS-PP do passado fim de semana que culminou com o discurso de Assunção Cristas, eleita como líder do partido, recuperei da minha memória o congresso do PSD onde foi eleito Passos Coelho com 95% dos votos. Este feito que foi por aí muito notado omitiu contudo outra realidade que foi o facto de apenas 46% ditos sociais-democratas é que votaram.

O ar contido e entristecido de Passos Coelho enquanto assistia ao congresso do seu ex-aliado CDS-PP que pretendia mostrar para as câmaras das televisões o seu ar enternecedor era música para os ouvidos de quem ainda o vê como primeiro-ministro no ativo mas por outro lado alguma preocupação face ao discurso de Assunção Crista

Passos Coelho diz, agora, querer que o PSD regresse à social-democracia numa tentativa de abandonar o seu cunho de direita. Neste mesmo local afirmei várias vezes que o PSD com Passos Coelho tinha abandonado a sua matriz social-democrata, o certo é que o PSD sempre foi de direita. O PSD insere-se no conjunto do Parlamento Europeu, juntamente com o CDS-PP, no agrupamento político e partidário que é o PPE - Partido Popular Europeu onde se encontram partidos do centro-direita e conservadores. O Partido Socialista, por sua vez, pertence ao grupo do PSE onde se encontram os partidos sociais-democratas e socialistas, e também partidos trabalhistas dos estados membros como por exemplo o Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD) e o Partido Social-Democrata da Áustria, entre muitos outros.

O extraordinário Passos Coelho, resta-lhe apenas o ex, afirmou, quando foi eleito líder, que o PSD é um partido “que não quer gerir o dia-a-dia, que não quer andar para trás, que não quer populisticamente procurar aquilo que é mais fácil ou mais demagógico”, mas antes, com “mais algum esforço, um futuro melhor”. Que é isto senão populismo e demagógico! E isso de não querer andar para trás o que é? Quem quis colocar o país aos níveis de há vintes anos atrás? Sim, já sabemos, foram os outros que obrigaram ao resgate.  A direita PSD e CDS-PP utilizam, não raras vezes, para justificarem as suas opções políticas que são em nome dos “altos interesses da nação”. Podemos perguntar quem é, ou o que é para direita o conceito de nação. Será para eles apenas uma pequena parcela da população que pretendem favorecer?

Depois do congresso do CDS-PP Passos Coelho passou a ter dois adversários eleitorais de sentidos diferentes. O Partido Socialista é, por princípio, o que agora o preocupa mas, a médio e a longo prazo, vai ter também que enfrentar o seu antigo parceiro de coligação que irá tentar ocupar parte do seu espaço.

O PSD de Passos Coelho não aceitou a mudança e a sua estratégia de oposição irresponsável não terá sido a melhor.

Recordo-me dum livro milenário chinês que é a Arte da Guerra de Sun Tzu que em determinado passo diz: “O general deve conhecer a arte das mudanças. Se ele se fixa num conhecimento vago de certos princípios, numa aplicação rotineira das regras da arte bélica, se os seus métodos de comando são inflexíveis, se examina as situações de acordo com esquemas prévios, se toma as suas resoluções de maneira mecânica, é indigno de comandar.”.

O CDS-PP de Assunção Cristas enquanto partido de direita está a criar espectativas e não será fácil para Passos Coelho lidar com ela quando chegar a altura própria. Ela irá tentar ocupar parte do espaço do seu adversário mais próximo que é o PSD de Passos Coelho.

Ontem, 15 de março, Assunção Cristas foi recebida por Passos Coelho na sede do PSD com muitos beijinhos e abraços. Passos talvez ainda tenha uma vaga esperança de obter uma nova coligação que o leve de novo ao poder. Espera que nas próximas eleições, quando as houver, terá uma votação confortável, mas Assunção Cristas, a menina “bem” e agora a mais que tudo do CDS irá, nessa altura, fazer-lhe frente para lhe captar algum eleitorado. E começou agora com a tomada de posição sobre o atual governador do Banco de Portugal iniciada no congresso por Paulo Portas.  

E termino citando mais uma vez Sun Tzu: “Uma das tarefas essenciais que deves realizar antes do combate é escolher criteriosamente o terreno do campo de batalha. Para isso, é preciso agir rápido. Não permitas que o inimigo tome a dianteira. Ocupa o terreno antes que ele tenha tempo de te reconhecer, antes mesmo que ele possa estar ciente de tua marcha. Qualquer negligência nesse sentido pode ter consequências nefastas. Em geral, só há desvantagem em ocupar o terreno depois do adversário”.

Publicado por Manuel Rodrigues às 18:45
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Domingo, 31 de Janeiro de 2016

Promessas, acordos, estratégias e apoio institucional

Costa e Marcelo.pngForam sete dias de silêncio após as eleições presidenciais, tempo para refletir sobre a vitória de Marcelo Rebelo de Sousa que já era de esperar dada a fraca campanha dos outros candidatos e a também não necessária campanha do candidato vencedor que foi também uma vitória da televisão e a prova da sua influência na decisão do comportamento de voto dos eleitores. Foi a prova de que ainda há uma maioria que se deixa convencer por argumentos frágeis e mais do que repetidos dos comentadores e oradores que puxam sempre para o lado dos interesses que mais lhes convém para os seus objetivos pessoais que escondem sob a capa da defesa dos interesses dos portugueses. Alguns desses comentadores residentes nos canais de televisão dão opiniões públicas para agradar aos "patrões" e garantirem o seu posto e visibilidade. Os poucos discordantes servem para manter as aparências da pluralidade informativa e opinativa.

Parabéns a Marcelo pela vitória que os portugueses lhe deram que obteve sem qualquer esforço.

António Costa poderá ter em Marcelo um aliado, e vice-versa, e, por isso, o novo presidente não irá agitar muito as águas das relações institucionais, potenciando no futuro um pacto entre o PS e o PSD. Basta analisar o que Marcelo disse em campanha. Marcelo Rebelo de Sousa é, devemos dizê-lo, um social-democrata convicto que não se revê na política seguida pela ala direitista mais radical, os neoliberais disfarçados, que ocuparam o seu partido.

Até que o PSD decida o que irá fazer, isto é, deixar o partido continuar a ser controlado por aquela gente ou providenciar para que outros ventos façam ressuscitar a sua matriz ideológica, dando lugar a uma lufada de ar fresco, António Costa não terá grande obstrução por parte de novo Presidente da República.

Agora será o momento do tudo ou nada para o PSD. Passos Coelho apresentou a sua recandidatura à liderança do partido. O poder nos últimos quatro anos e meio soube bem ao PSD e não admirará que não mexa em treinadores que ganham, já que mais não seja pela figura que atrai muita gente que vota mais pelo efeito presença pessoal do que em políticas.

A frase infeliz de Jerónimo de Sousa "Podíamos arranjar uma candidata mais engraçadinha e com um discurso mais populista" pode aplicar-se à estratégia do PSD que é a de manter Passos Coelho na liderança porque não conseguem arranjar outro mais "engraçadinho" e com um discurso enganador que lhe possa trazer o mesmo número de votos ou mais ainda.

António Costa não tem a missão nada facilitada pela ditadura da União Europeia disfarçada de democracia para quem só os votos na direita são válidos e, tudo quanto assim não seja, há que bloquear por serem maus exemplos para outros que possam vir a surgir por aí. Os pretensos amigos europeus do PS e de Costa, como o SPD na Alemanha, estão enfeudados ao partido de Angela Merkel que parece não gostar nada do que venha da esquerda, seja ela moderada ou não e os partidos de direita no resto da UE estão com ela.

Publicado por Manuel Rodrigues às 17:49
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Quarta-feira, 13 de Janeiro de 2016

Cómicos da política

Cómicos da política.png

 

O candidato à Presidência da República Marcelo é um cómico que anda pelo país a fazer o quê? Segundo São Marcelo disse, durante uma das suas digressões, que a proximidade com as pessoas "é muito importante mas que em rigor não caça votos nenhuns, isto é, as pessoas já têm na cabeça o voto ou não voto, à distância de dez, nove, oito dias já ninguém muda de voto". Mas então para que gasta ele tempo e dinheiro? Será para aproveitar e fazer turismo? Veja-se a arrogância do senhor que viveu mais de dez anos a autopromover-se e a fazer a cabeça a muitos portugueses. Só não percebe isto quem não quer.

Marcelo é um candidato da história de certa direita portuguesa. Quando intervém regressa ao seu passado político e professoral, (vejam só, 25 mil alunos, importante para ser bom Presidente) sem clarificar o que pensa sobre o futuro e nisso compete com Maria de Belém.

Num futuro mais ou menos próximo o mais provável é apostar na conivência com as propostas da oposição geridas pelo anterior Governo. Está-lhe no gene político-partidário. O objetivo pode ser tentar jogadas para empossar, através de eleições antecipadas, um novo Governo de direita, e a direita apostou nisso quando perdeu a esperança com Cavaco Silva. Será que Marcelo vai dizer que as decisões que tomar são apenas de forma e não de conteúdo como ele várias vezes disse enquanto comentador político para com nada se comprometer ou descomprometer.

Defende aqui e ali que o seu projeto é unir os portugueses que estão divididos mas não esclarece o conceito. Em democracia há consensos mas também há divisões maiores ou menores, é normal. Só existe união em regimes de partido único em condições de obrigação.

Consideremos que o pretende fazer, não diz é como, a menos que algum produtor de cola-tudo o ajude com matéria-prima (ironia). Será que a estratégia, se chegar a Presidente, é obrigar o Partido Socialista e a atual direita neoliberal que controla o PSD a aliarem-se contra "potenciais inimigo"? Cavaco Silva também tentou ou quase exigiu isso mesmo. Se assim for, Marcelo está contaminado pelo vírus do pensamento cavaquista. Marcelo é um cómico da política. Parece que a sua candidatura serve também para preparar o fim da sua carreira para obter mais uma série de regalias vitalícias que o cargo lhe irá proporcionar.

Publicado por Manuel Rodrigues às 14:36
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Terça-feira, 12 de Janeiro de 2016

A galinhola e o pássaro

Galinhola.pngPássaro com peixe.png

Marcelo é como um pássaro que se prepara para capturar os peixes que o contemplaram durante anos num aquário em forma de aparelho de televisão.

Há dois candidatos em campanha eleitoral para a presidência da república que têm condições para serem apoiados pela direita. Um deles ora diz ser da esquerda, do centro, da direita e do centro-direita, a outra não o diz mas repete até à exaustão o seu "currículo vitae" como se o estivesse a defender num concurso para o exercício de funções numa qualquer empresa.

A candidata Maria de Belém, apesar de ter o apoio difuso do PS, tem também o apoio de alguma direita que não vê em Marcelo o seu candidato. Maria de Belém tem um discurso monótono, vago, cansativo e sem conteúdo significativo, refugia-se com argumentos desinteressantes e meramente pessoais. É uma espécie de galinhola que debica aqui e ali para apanhar alguns bichinhos que andam por aí perdidos.

O candidato Marcelo Rebelo de Sousa, com o seu já maçador discurso de comentador de televisão sem contraditório, não se saiu bem nos debates televisivos com os candidatos que mais lhe poderão fazer frente. Marcelo é um mito criado pela televisão com a ajuda semanal dum(a) jornalista, um "entertainer" da política cujas propostas quer destinar a todos os quadrantes mas que, se for eleito, não saberemos o que fará. Quem se coloca numa posição ambígua e de equilibrismo alguma vez terá que cair para algum lado e não será para o lado contrário ao dele, a direita.

Ainda há portugueses que votam por representações que têm sobre os candidatos, se é ou não conhecido. Não votam em políticas, em ideias, em projetos, porque também os desconhecem, mas em pessoas. Rejeitam presidentes como Cavaco, mas são capazes de apoiar, sem o saber, candidatos cujas ideias são iguais.

As campanhas de Marcelo e de Maria de Belém para o cargo de Presidente da República têm apenas servido para exibir impotência (já mostrada por Cavaco Silva). Não basta fotogenia e presença sucessiva na comunicação audiovisual, para tal há por aí vários palhaços e humoristas. Um candidato a Presidente da República não pode passar mensagens como se de um cangalheiro se tratasse, suspenso sobre o passado, e dissimuladamente fugindo ao elogio dum defunto que já foi enterrado.

Marcelo é como um pássaro que se prepara para capturar os peixes que o contemplaram durante anos num aquário em forma de aparelho de televisão e Maria de Belém esgravata a terra à procura de algo que a alimente.

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 10:11
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Domingo, 27 de Dezembro de 2015

Estratégia de fuga e trapalhada a continuação

Fuga da coligação.png

 

A mentira, a omissão, o engano, a falsidade e a adulteração de factos continua a ser a postura do ex-primeiro-ministro Passos Coelho e do seu grupo parlamentar, agora na oposição.

Passos Coelho ainda não despiu o fato de chefe de governo e a mesma máquina de marketing de propaganda continua ativa. Eventos "fabricados" para continuar a propalação da sua imagem, como se ainda fosse chefe de governo, para preparar atempadamente a sua candidatura a líder duma ala neoliberal que se infiltrou no PSD que, agora, oportunisticamente, defende princípios da social-democracia.

O CDS-PP, numa tentativa para a demarcação do seu anterior parceiro, votou contra um orçamento retificativo devido aos acontecimentos do BANIF que foram provocados pelo governo onde Paulo Portas foi vice primeiro-ministro. Caso estranho, já que o orçamento de 2015 foi da autoria do governo da coligação PSD.CDS-PP, sendo portanto da sua responsabilidade a necessidade urgente dum orçamento retificativo.

É sabido que a comunicação social, especificamente a televisão, pode condicionar muitas atitudes, mas daí acusarem a TVI pelo problema do Banif por ter colocado em roda pé a desvalorização das ações do Banif ser a causadora da derrocada do banco é o cúmulo do descaramento. SE não fosse grave seria para contar como anedota. À falta de melhor o disparate passou a ser o argumento do PSD e do CDS-PP.

O CDS-PP ao votar contra o orçamento retificativo pretendeu mostrar para o exterior que se demarcava do seu anterior parceiro de coligação e que nada teve a ver com o facto. Mais uma exibição para a opinião pública duma manobra de ilusionismo do ilusionista e acrobata Paulo Portas. Seria também interessante para a opinião pública dizer que solução apresentaria, nas mesmas circunstâncias para o BANIF e como o faria incluir no orçamento que é seu e do seu parceiro do PSD.

O retardar das decisões sobre o BANIF, a trapalhada e a confusão com que o governo anterior foi construindo e gerindo um processo que adiou soluções com as desculpas que em gíria popular se chamariam de esfarrapadas, pode levar a que se levantem legítimas suspeitas sobre o que estaria por detrás de todo o caso, e de como pensariam Passos e Portas resolver o problema.

Muitos outros buracos poderão aparecer e a propaganda dos cofres cheios será desmontada.

O aproveitamento de divergência normais entre partidos mais à esquerda do PS, PCP, PEV e BE, serão aproveitadas e escalpelizadas até ao milímetro pelos agora na oposição Passos Coelho e Paulo Portas mas, se a direita espera que este Governo do PS em funções seja deposto com o apoio dos votos parlamentares daqueles partidos bem pode esperar sentada porque irá cansar as pernas de tanto correr. É esta espectativa que também lhes provoca rubor nas faces quando intervêm com desvairo no parlamento.

Quanto ao Presidente Cavaco Silva, que anda por aí fazendo afirmações sem nexo e inúteis, como aquela de que a "governação ideológica” acaba sempre por ser “derrotada pela realidade” para este "sábio" do disparate é a ideologia versus pragmatismo, como se a política fosse, de todo ou em parte desligada da ideologia e esta da economia. É no mínimo risível e serve apenas para demonstração de prova de vida pelo que já nem vale a pena comentar. Camilo Lourenço disse em tempos que a história no ensino não serve para nada… Cavaco deve ser um adepto desta douta ideia.

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 19:22
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Livros que já li

Prisioneiros da Geografia Tim Marshall As cidades invisíveis Italo Calvino Quando Portugal Ardeu Miguel Carvalho A Vida Secreta dos Livros O Romancista ingenuo e o sentimental de Orham Pamuk malbe

Os porques da esperança.png

Demorei algum tempo a ler este livro mais do que o costume. Livro sobre a política nacional sobre a forma de entrevistas que passaram na TVI 24 efetuada por um provocador nato cujas respostas são dadas por um astuto tribuno da palavra. Livro que aborda temas nacionais da política recente com uma abordagem em que as palavras se se entrelaçam com alguma exposições mais académicas. Um bom manual para quem se interesse pela política em Portugal nos últimos tempos.  

 

 

Piketty_Capit_SecXXI


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Rodrigues, Manuel A (2011). Geografia Social Urbana na Licenciatura em Educação Social, Cadernos de Investigação Aplicada, (5). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas


Rodrigues, Manuel A (2010). Didática da Geografia: recurso à Literatura como proposta interdisciplinar, Cadernos de Investigação Aplicada, (4). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas. .


Rodrigues, Manuel A (2008). Televisão e os efeitos de exposição a mensagens televisivas na educação: o efeito da terceira pessoa, Cadernos de Investigação Aplicada, (2). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas.


Rodrigues, Manuel A (2005). Do Presencial ao Online: um estudo de sobre a atitude de estudantes face a situação de aprendizagem online, Actas do VII Simpósio Internacional de Informática Educativa-SIIE05, Escola Superior de Educação de Leiria.


Rodrigues, Manuel A (2004). Um Modelo de Formação em Ambiente Misto de e-Learning (Blended Learning): uma experiência na disciplina de Tecnologia Educacional, Actas da Conferência eLes’04: e-Learning no Ensino Superior, Universidade de Aveiro.


Rodrigues, Manuel A (2004). Marionetas em Liberdade: a identidade pe(r)dida com as novas exigências curriculares, Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas.


Rodrigues, Manuel A (2000). Ciberespaço, Internet e as Fronteiras da Comunicação Educacional, Lisboa, Universidade Aberta. Porbase, CDU 37.01(043), 159.95043), 005.73Internet(043.2),371.1043)

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