Domingo, 7 de Maio de 2017

Mulher maravilha e girassol da economia e finanças

Mulher Maravilha.png

Atenção a todos o que se atrevam a comentar positivamente a política económica do atual Governo e os seus resultados, fiquem sabendo que não estão habilitados a tal. Apenas instituições nacionais e internacionais e europeias, independentes e iluminadas se podem dar a essa magnificência, embora saibamos que são políticas, mas Maria Luís Albuquerque quer dar a entender que são independentes.

Senhor Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, veja lá se tem tento, porque isso de falar sobre a economia do país não é para si, aliás, nem devia falar em nada do que se passa no país, porque o Senhor não tem competência, tá a ver!? O senhor não deve falar em nada, deve ficar lá no seu buraquinho caladinho e, quando falar, deve fazê-lo criticando, apenas, e só, o Governo. Está é uma das formas como podemos interpretar o que Maria Luís Albuquerque, Mulher Maravilha e girassol da economia e finanças, disse numa entrevista. Tal como o girassol ela é um heliotrópico (segue o movimento do sol) que indica o seu caráter solar de esplendor derivado da forma radiada da flor, aplicado às finanças e à economia.

Lamentável a prosápia desta senhora quando, em entrevista em 2016 ao jornal de Negócio, de direita, “critica o modelo económico que está a ser seguido pelo atual Governo, baseado no consumo interno. “O modelo económico não funciona” e “já tinha sido demonstrado no passado”. “O erro deste modelo não é matéria sujeita a opinião. Estamos a falar de factos”.

Agora que parece estar a funcionar mantém-se na dela juntamente com o seu grande amigo líder do ex-governo em que participou.

No Olimpo dos deuses da economia e das finanças só alguns tecnocratas de direita podem penetrar porque só a eles pertencem as verdades absolutas, inflexíveis, invariáveis e inalteráveis. Maria Luís acrescenta maior esplendor ao seu prestígio com a auréola da candidatura pelo PSD à Assembleia Municipal de Setúbal. O seu esplendor não a irá abandonar!

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 16:03
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Quarta-feira, 13 de Janeiro de 2016

Cómicos da política

Cómicos da política.png

 

O candidato à Presidência da República Marcelo é um cómico que anda pelo país a fazer o quê? Segundo São Marcelo disse, durante uma das suas digressões, que a proximidade com as pessoas "é muito importante mas que em rigor não caça votos nenhuns, isto é, as pessoas já têm na cabeça o voto ou não voto, à distância de dez, nove, oito dias já ninguém muda de voto". Mas então para que gasta ele tempo e dinheiro? Será para aproveitar e fazer turismo? Veja-se a arrogância do senhor que viveu mais de dez anos a autopromover-se e a fazer a cabeça a muitos portugueses. Só não percebe isto quem não quer.

Marcelo é um candidato da história de certa direita portuguesa. Quando intervém regressa ao seu passado político e professoral, (vejam só, 25 mil alunos, importante para ser bom Presidente) sem clarificar o que pensa sobre o futuro e nisso compete com Maria de Belém.

Num futuro mais ou menos próximo o mais provável é apostar na conivência com as propostas da oposição geridas pelo anterior Governo. Está-lhe no gene político-partidário. O objetivo pode ser tentar jogadas para empossar, através de eleições antecipadas, um novo Governo de direita, e a direita apostou nisso quando perdeu a esperança com Cavaco Silva. Será que Marcelo vai dizer que as decisões que tomar são apenas de forma e não de conteúdo como ele várias vezes disse enquanto comentador político para com nada se comprometer ou descomprometer.

Defende aqui e ali que o seu projeto é unir os portugueses que estão divididos mas não esclarece o conceito. Em democracia há consensos mas também há divisões maiores ou menores, é normal. Só existe união em regimes de partido único em condições de obrigação.

Consideremos que o pretende fazer, não diz é como, a menos que algum produtor de cola-tudo o ajude com matéria-prima (ironia). Será que a estratégia, se chegar a Presidente, é obrigar o Partido Socialista e a atual direita neoliberal que controla o PSD a aliarem-se contra "potenciais inimigo"? Cavaco Silva também tentou ou quase exigiu isso mesmo. Se assim for, Marcelo está contaminado pelo vírus do pensamento cavaquista. Marcelo é um cómico da política. Parece que a sua candidatura serve também para preparar o fim da sua carreira para obter mais uma série de regalias vitalícias que o cargo lhe irá proporcionar.

Publicado por Manuel Rodrigues às 14:36
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Terça-feira, 12 de Janeiro de 2016

A galinhola e o pássaro

Galinhola.pngPássaro com peixe.png

Marcelo é como um pássaro que se prepara para capturar os peixes que o contemplaram durante anos num aquário em forma de aparelho de televisão.

Há dois candidatos em campanha eleitoral para a presidência da república que têm condições para serem apoiados pela direita. Um deles ora diz ser da esquerda, do centro, da direita e do centro-direita, a outra não o diz mas repete até à exaustão o seu "currículo vitae" como se o estivesse a defender num concurso para o exercício de funções numa qualquer empresa.

A candidata Maria de Belém, apesar de ter o apoio difuso do PS, tem também o apoio de alguma direita que não vê em Marcelo o seu candidato. Maria de Belém tem um discurso monótono, vago, cansativo e sem conteúdo significativo, refugia-se com argumentos desinteressantes e meramente pessoais. É uma espécie de galinhola que debica aqui e ali para apanhar alguns bichinhos que andam por aí perdidos.

O candidato Marcelo Rebelo de Sousa, com o seu já maçador discurso de comentador de televisão sem contraditório, não se saiu bem nos debates televisivos com os candidatos que mais lhe poderão fazer frente. Marcelo é um mito criado pela televisão com a ajuda semanal dum(a) jornalista, um "entertainer" da política cujas propostas quer destinar a todos os quadrantes mas que, se for eleito, não saberemos o que fará. Quem se coloca numa posição ambígua e de equilibrismo alguma vez terá que cair para algum lado e não será para o lado contrário ao dele, a direita.

Ainda há portugueses que votam por representações que têm sobre os candidatos, se é ou não conhecido. Não votam em políticas, em ideias, em projetos, porque também os desconhecem, mas em pessoas. Rejeitam presidentes como Cavaco, mas são capazes de apoiar, sem o saber, candidatos cujas ideias são iguais.

As campanhas de Marcelo e de Maria de Belém para o cargo de Presidente da República têm apenas servido para exibir impotência (já mostrada por Cavaco Silva). Não basta fotogenia e presença sucessiva na comunicação audiovisual, para tal há por aí vários palhaços e humoristas. Um candidato a Presidente da República não pode passar mensagens como se de um cangalheiro se tratasse, suspenso sobre o passado, e dissimuladamente fugindo ao elogio dum defunto que já foi enterrado.

Marcelo é como um pássaro que se prepara para capturar os peixes que o contemplaram durante anos num aquário em forma de aparelho de televisão e Maria de Belém esgravata a terra à procura de algo que a alimente.

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 10:11
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Sábado, 2 de Janeiro de 2016

O último bafo político do Presidente Cavaco

Cavaco_Mensagem_AN_2015.png

 

Finalmente a mensagem de ano novo do Presidente da República Cavaco Silva foi o último bafo político por ele proferido. Como é habitual e previsível dirigiu-se aos portugueses e ao "amor a Portugal" mas foi na ótica do "eu" que se centrou a mensagem: eu conheci; eu vi; eu valorizei; eu mantive; eu lancei; eu procurei; eu desenvolvi; eu etc., eu etc...

Alguns dos pontos que referiu na sua mensagem nunca lhe ocorreu fazê-los passar quando o Governo de Passos Coelho e Paulo Portas estava no poder para ocultar a situação do país real.       

Foi uma mensagem com um discurso de hipocrisia já que, há um ano, omitiu muito do que agora disse, como "construir um país melhor e mais solidário, com mais justiça social" quando o Governo que apoiou mais de quatro anos destruiu a coesão, a solidariedade e a aumentou a injustiça social; pede "que o Estado crie condições…" e "que os poderes públicos não estabeleçam entraves à sua atividade, desde a criação de emprego e riqueza até à defesa do património e do ambiente, passando pela inovação social e tecnológica", quando o Governo anterior que apoiou destruiu a investigação em Portugal e não valorizou a inovação tecnológica." Quanto à "inovação social", por se prestar a inúmeras interpretações, está por esclarecer o conceito segundo o evangelho de cavaquista. Talvez se quisesse referir à destruição da classe média e aumento da pobreza e o enriquecimento de outros nos últimos quatro anos. Em relação ao património, foi o que se constatou, porque dinheiro não havia, vem agora alertar para tal.

"Este é o País real, o País verdadeiro, que muitos agentes políticos desconhecem, que a comunicação social tantas vezes ignora e que conheci de perto durante os meus mandatos" disse, referindo-se aos passeios (a palavra é minha) que, sempre acompanhado com "a primeira-dama" que nunca falhava. É certo que visitou empresas, sobretudo no norte, onde estendeu a mão a alguns trabalhadores recrutados para lhe prestarem homenagem, mas não foi decerto ver de perto o que se passava com toda a restante sociedade que o seu dileto Governo foi destruindo por este país. A saúde e a educação foram tabus na sua mensagem, nem uma palavra, e todos sabemos porquê.

Mais adiante vem mostrar preocupação social ao afirmar que "é fundamental combater as desigualdades e as situações de pobreza e exclusão social, que afetam ainda um grande número de cidadãos: os idosos mais carenciados, os desempregados ou empregados precários, os jovens qualificados que não encontram no seu país o reconhecimento que merecem.".

Espanto-me com esta desfaçatez quando, nas suas intervenções antes da campanha pré eleitoral para as legislativas, não fez qualquer referência àqueles aspetos ou, se o fez, foi em pequenos apontamentos escondidos no meio dos seus discursos de fação. Parece dar agora recados ao atual Governo quando, o anterior, nada fez do que Cavaco agora diz ser "fundamental". Ainda há alguns, poucos, portugueses que ainda o escutam, eu incluído porque a isso me obrigo.

Havia muito mais, mas por aqui me fico.

Ainda bem que este tormento está próximo do fim e o sopro deste bafo se vai, enfim, desvanecer.

Publicado por Manuel Rodrigues às 19:28
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Terça-feira, 29 de Dezembro de 2015

A argúcia política pode iludir e captar votos

Marcelo_Estratégia_Eleitoral.pngMarcelo Rebelo de Sousa é uma pessoa bem-disposta, bom comunicador, que atrai audiências com os seus comentários. Gostamos de o ouvir, é um ator espontâneo no mundo da política que pondera bem o que diz e como o diz e, por isso, tem a qualidade e o dom de dizer e desdizer colocando quem o escuta numa ilusão de isenção. Diz, não diz, conhece, desconhece, informa, desinforma, publicita livros, revela factos, olvida factos, vira à direita, vira à esquerda,  fica no centro hoje, amanhã, se necessário, é PCP ou Bloco ou PS ou…

Fartos do Presidente da República Cavaco Silva, sorumbático e partidário, os portugueses estão a dar ao nível das sondagens maioria de intensões de voto a Marcelo Rebelo de Sousa. Pretendem alguém que os divirta, que faça da presidência da república um local menos cinzento, que fale para que o percebam que entretenha com intervenções de comentador político.

Os jornalistas convidados pelas televisões para comentar a política andam entusiasmadíssimos com Rebelo de Sousa. Ele é o melhor, tecem-lhe elogios, recorrem ao seu percurso político desde 1973, recordam que foi um dos fundadores do jornal Expresso, como se atualmente fosse garantia de alguma coisa. Esquecem-se, ou querem fazer esquecer que muita coisa mudou na política, especialmente desde 4 de outubro.

Esquecem que Marcelo Rebelo de Sousa andou em campanha eleitoral para as legislativas pelas ruas ao lado da coligação PàF do PSD e do CDS-PP. Marcelo é um político que, como a cortiça, está sempre à tona da água. Vira-se para todo o lado, quer "agradar a gregos e troianos". Ora diz que apoia este, ora pisca os olhos aos que lhe podem dar votos, ora mais à frente diz que tem apoiantes desde o PCP ao Bloco de Esquerda, como se isso fosse possível, a não ser que estejam todos de olhos fechados ou meio abertos.

Marcelo prepara há anos a sua carreira política e o comentário político nas televisões durante dez anos abriu-lhe a porta. A sua candidatura teve a ajuda da indecisão dos partidos a lançar, ou não lançar candidatos devido à proximidade entre as eleições legislativas e as presidenciais criadas pelo atual Presidente da República que prorrogou a data das legislativas até ao limite com o intuito de favorecer os partidos no Governo então em funções.

Marcelo, como Presidente da República, não hesitará em tomar decisões que possam dar vantagem ao seu partido e sempre que for oportuno. Não será Cavaco Silva, mas será um Cavaco Silva com o "savoir faire" que lhe é peculiar e em que é exímio.

É evidente que, em campanha eleitoral, qualquer candidato tem a tendência de dizer o que, quem lhe dá o votos, gosta de ouvir.

Rebelo de Sousa estrategicamente convida para sua mandatária Maria Pereira, uma jovem investigadora em biotecnologia que exerce a sua atividade em França. É uma forma de mostrar que, por um lado, a sua candidatura defende a educação e a ciência e, por outro, captar o eleitorado composto por jovens investigadores e académicos, competindo assim, nesta área, com Sampaio da Nóvoa que terá eventual apoio das universidades. Esta estratégia tem ainda a vantagem de chamar a atenção para o seu distanciamento em relação à política de Passos Coelho nesta área e, mostrar a intencionalidade de remediar a destruição que causou a investigadores e universidades e à educação em geral. Enquanto presidente não sabemos como o fará porque são competência do Governo, colocando-se assim como se fosse tivesse um programa de candidato a primeiro-ministro.

Ele próprio o confirma quando considera que Maria Pereira representa o futuro, a aposta na educação e na ciência defendida pela sua candidatura, e é também um exemplo dos jovens que nos últimos anos partiram para o estrangeiro e um elogio aos emigrantes portugueses. Esperteza e argúcia política não lhe faltam… Cuidado e olho ele…

Publicado por Manuel Rodrigues às 18:26
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Terça-feira, 17 de Novembro de 2015

Parcialidade de um presidente

Parcialidade.png

 

Uma breve referência ao que se passou em Paris. Foi um exemplo lamentável do terror praticado contra a democracia e as culturas europeias que causou indignação mundial. Que mais se pode esperar de quem não respeita a sua própria cultura e regressa a um estado de barbárie? Esperemos que estes atos de extrema violência não sirvam de pretexto para que alguns ditadorzecos que por aís andam comecem a gritar aos quatro ventos, agitando os papões da segurança, dando oportunidade para porem em causa a liberdade democrática.

*

*   *

Vamos então voltar à nossa República começando pela expressão "ter dois pesos e duas medidas" segundo os Novos Dicionários de Expressões Idiomáticas – Português, Lisboa, Edições João Sá da Costa, 2006, «diz-se de pessoa que não usa de imparcialidade, isenção, equidade em seus juízos, atos, decisões», isto é, julgar de forma parcial duas situações iguais. Aquela expressão aplica-se na íntegra ao atual Presidente da República que tem demonstrado a sua aplicabilidade na prática corrente da sua política.

É o exemplar perfeito da falta de carácter político. Revanchista, tendência para ditador que, infelizmente para ele, não pode exercer como acha que deveria. Utiliza o poder que lhe foi concedido pelos eleitores para impor a sua vontade e do seu partido.

Nas suas intervenções proclamava a instabilidade governativa como prejudicial a Portugal sugerindo esse facto como prejudicial caso a coligação de direita não ganhasse maioria absoluta que agora parece ter deixado de ter qualquer importância. Num regresso ao passado relembra agora que ele, quando primeiro-ministro, e que no tempo de José Sócrates, que agora já serve de exemplo, também houve governos de gestão.

Ainda hoje numa missão de propaganda do ex-governo que protegeu voltou a elogiá-lo e regressou mais uma vez ao passado. Este Presidente não é mais do que uma pouca-vergonha para Portugal. Uma mancha na história da nossa democracia.

Os mercados, os credores já não são relevantes. Provavelmente, Cavaco Silva estaria interessado em que reconhecessem que havia instabilidade governativa para poder justificar as decisões políticas mal-amanhadas que viesse a tomar. Parece que os tais mercados não até hoje não o demonstram porque Lisboa dispara 2,5%. A melhor sessão desde as eleições. Isto também foi devido ao anterior Governo ou ao de gestão de Passos Coelho?

 Onde estão agora os superiores interesses da nação? O que diz e o que faz são antagónicos. "Agrei sempre…, mas sempre de acordo com os interesses superiores de Portugal...", proclama. Mas será? A prática não o confirma.

Cavaco Silva, enquanto Presidente, diz que não é político. Mas que afirmação mais disparatada. Não terá a função de Presidente da República, um dos órgãos de soberania, uma função também política. É um político até de mais agravado pelo seu partidarismo porque age como um Presidente partidário.  

Publicado por Manuel Rodrigues às 22:18
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Sexta-feira, 13 de Novembro de 2015

O que nunca aconteceu não pode acontecer e a teoria do geocentrismo

Órbita da política.png

 

O não facto é a direita querer governar nas atuais condições parlamentares mantendo as mesmas propostas de governação.

Se os últimos quatro anos não tivessem tido o prejuízo que a coligação de direita neoliberal causou ao país o milagre de entendimento ao nível parlamentar à esquerda do PS dificilmente teria acontecido.

Para a direita o que nunca aconteceu jamais poderá acontecer. Na altura em que o geocentrismo foi posto em causa por Galileu que defendia o heliocentrismo logo foi declarado suspeito de heresia, o que lhe valeu julgamento pelo tribunal a que chamavam na altura Santa Inquisição. Foi condenado a prisão perpétua porque ter provado que a teoria tradicional estava errada e que devia ser alterada. Disse então  "… e no entanto ela move-se!”. Para os conservadores tradicionais da época segundo a tradição deveria continuar a ser a terra, o ponto em torno da qual todos os astros se moviam.

É este o pensamento da direita portuguesa a mais retrógrada da União Europeia. E repito, para esta direita o que nunca aconteceu não pode acontecer, nem vir a acontecer.

O lamentável é que algumas cabeças pensantes deste país enevoadas com a defesa do indefensável pensam desta forma e querem que o país todo pense da mesma forma. O que dão a entender é que o neoliberalismo devia ser o sistema dominante e predominante e o caminho para o uni-partidarismo.

O Presidente Cavaco Silva é a prova de que mudam-se os tempos mudam-se as vontades (leia-se neste caso os interesses) porque em 1999 apoiou a moção de rejeição ao programa de Governo de António Guterres que, pela segunda vez, tinha ganhos as eleições sem maioria absoluta e disse então: “Quem no PSD não entende que é assim que o partido pode regressar às vitórias das duas uma: ou tem pouca visão de futuro ou já absorveu a linguagem da pretensa responsabilidade que o PS quer impor à oposição”.

A estratégia da coligação de direita era atrair o Partido Socialista para o seu lado de modo a validar a sua continuidade no poder e manter e até agravar as políticas seguidas. O PS seria o partido dos tontinhos que se aliavam à direita e ao seu programa a troca de uns lugares nas cadeiras do governo. A direita seria o centro da política e o PS o seu satélite.

Para convencer rebuscam argumentos dizendo que a vontade dos portugueses, demonstrada nas urnas, foi de apoio a um acordo do PS com a direita coligada. Deixem-se de torneios e expliquem como perderam 819148 votos entre 2011 e 2015 e para onde foram, como e porquê a esquerda no seu todo ganhou 448140 votos.

Em 2009 o PSD mais o CDS tiveram em conjunto 2246443 votos e quantos obtiveram em 2015? Resposta: 19993921 votos.

A coligação de direita neoliberal ganhou as eleições é o facto. Outro facto é que os portugueses validaram como negativa a política em que anteriormente tinha votado (2011). O não facto é a direita querer governar nas atuais condições parlamentares mantendo as mesmas propostas de governação.

Publicado por Manuel Rodrigues às 21:37
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Quinta-feira, 12 de Novembro de 2015

O reflexo das imagens e a distorção da política

 

Reflexos.png

 

O jornal i publicou um artigo de opinião de Carlos Carreiras, conhecido militante do PSD, intitulado "La grande bouffe" onde escreveu: "A esquerda está esfomeada. Quer poder. Quer tomar conta do aparelho de Estado. Como os homens do filme, vai comer até não poder mais". É o que ele acha.

Todos podem, eu incluído, dizer os disparates mais disparatados, desculpem a redundância propositada.

Olhemos para o espelho por onde a coligação de direita está a ver os outros e olhemos para o seu reflexo. As principais propriedades de um espelho plano são a simetria entre os pontos objeto e a imagem, e que a maior parte da reflexão que acontece é regular. Algumas superfícies apresentam retro reflexão. A estrutura destas superfícies é tal que a luz volta na direção de onde veio.

Façamos então a releitura a partir do reflexo do espelho por onde Carlos Carreira se mira. A direita está empanturrada. Mas quer manter o poder. Quer continuar a tomar conta do aparelho do Estado. Como os homens do filme comeu até não poder mais. Quer ainda mais. O que sucedeu é que, como os homens do filme, morreram com tanto comer.   

À falta de melhor a direita neoliberal agarra-se agora à que sempre foi a sua tábua de salvação: O Presidente da República Cavaco Silva. Vêm nele o porto de abrigo que elimine qualquer solução por mais estável que seja. Não tem em conta os superiores interesses de Portugal como tantas vezes tem afirmado. Vê os interesses do seu partido em primeiro lugar e a sua revanche não tem limites pelo que dele tudo se espera.  

Cavaco Silva tem um desrespeito por Portugal e pelo povo ao colocar prioritariamente o passeio à Madeira, como se isso fosse inadiável, preferindo adiar Portugal. Coisa nunca vista em nenhum Presidente da República responsável.

É o Presidente do pensamento único, virado para o passado do partido único. Coloca em primeiro lugar a sua imagem e a coligação que apoia, apesar de estar pelas ruas da amargura, e Portugal em segundo.

Não se pode queixar da falta de tempo porque foi ele que decidiu marcar a data para as eleições. Ou será que ele o fez propositadamente, sabendo ele, e já o disse, previu todas as hipóteses? Se assim for agiu premeditadamente. Nos julgamentos os crimes premeditados acarretam penas agravadas. Neste caso quem vai sofrer a pena vai ser Portugal, vamos ser todos, devido à visão estrábica, egoísta, passadista e autofágica da política.

Publicado por Manuel Rodrigues às 18:55
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Segunda-feira, 26 de Outubro de 2015

Sectários, mentirosos e agarrados

Sectários_mentiras_agarrados.pngAo longo do mandato do XVIII Governo Constitucional, o Presidente da República Cavaco Silva, agora confirmado pela sua última intervenção em que anunciou dar posse à coligação PSD+CDS revelou ser de um sectarismo feroz e um desprezo absoluto por mais de 18,46% dos eleitores portugueses (994.833). Para Cavaco Silva é como se não existissem, são marginais, devem até ser punidos. Este é um pensamento fascizante que há muito tinha deixado de existir mas que ele ressuscitou. Não está em causa, visto partido a partido, a maioria de votos obtidos nas eleições pela coligação de direita PSD+CDS com 38,34% (2.062.513 de eleitores). O PS obteve 32,38% (1.742.012 de eleitores). É legítimo entregar a formação do Governo a quem teve maios votos.

A pergunta que também se pode fazer é quantos eleitores não votaram na coligação de direita? A resposta é 2.736.845 de eleitores que, segundo a nossa organização parlamentar obteve no total de 121 deputados contra os 104 da coligação de direita.

Repito que, de qualquer forma, é legítima a entrega da formação de Governo pelo Presidente da República à coligação de direita PSD+CDS que foi a mais votada. Contudo, o nº 1 do Artigo 187º da Constituição da República, diz apenas que "O Primeiro-Ministro é nomeado pelo Presidente da República, ouvidos os partidos representados na Assembleia da República e tendo em conta os resultados eleitorais.". Não afirma que tem que ser ao partido mais votado mesmo que em minoria parlamentar. De qualquer modo, a decisão do Presidente da República pode ser criticada, mas não se pode dizer que seja algo de anormal ou que viole a Constituição.

O que está em causa é a forma como passou dos limites ao justificar a sua decisão, emitido opiniões, emoções e estados de espírito que lhe vão na alma, amedrontando, ameaçando e propondo divisões no seio de partidos. Afinal, ele que dizia não ser político e estar acima dos partidos fomenta agora guerras partidárias. Mas que Presidente é este em que muitos portugueses votaram que os divide em vez de os unir, revelando sectarismo e instintos de pensamento de partido único?  

O que não é normal e sujeito a críticas é o modo como justificou a sua opção porque se tratou de uma intervenção de exclusão e desclassificação em quem votou em partidos com os quais não simpatiza e que não foram apenas meia-dúzia de cidadãos que o fizeram.

Lança receios infundados, apresentando falsos argumentos que sabia não poriam em causa os pontos que apresentou como sendo de grande importância para a estabilidade governativa e posteriormente confirmado pela reação dos mercados e bolsas que não reagiram ao seu discurso pítico da desgraça. O que ele salientou nada tinha a ver com a estabilidade governativa, porque sabe bem que o Partido que geriu as negociações à esquerda é bem mais europeísta que o Presidente nunca sonhou ser. Criou polémicas mentirosas e absurdas sem apresentação de justificação objetiva. Falou para o espaço vazio como a sua própria cabeça.

O Presidente não tem que avaliar programas de governo, isso é da competência da Assembleia da República.

Cavaco Silva quis ser um institucional que cumpre tradições sem considerar a objetividade dos factos em prejuízo do país. Aliás, ao longo do seu triste mandato, revelou ser o apoiante incondicional dos partidos do Governo, refugiando-se em argumentos, ora internacionais, ora de patriotismo bacoco, ora, ainda, ameaçando em abstrato os perigos que adviriam se não fossem cumpridas os seus píticos e esclarecidos pontos de vista e estados de alma. Algo teme se a direita PSD+CDS (que pensamos o protege) sair do poder.

Muitos colocam viseiras com buracos estreitos e papagueiam argumentos que mostram (premeditadamente) desconhecer que somos uma democracia parlamentar e que isso deve ser também tomado em consideração. Face a um número de votos que expressem uma maioria representativa dos eleitores os partidos podem conjugar esforços de modo a apoiar, ao nível parlamentar, um governo que saia da conjugação de dois ou mais partidos representativos duma maioria que dê estabilidade governativa.

O medo racional, repito racional, que a queda do Governo apoiado pelo Presidente, e de que outros possam vir a abrir uma espécie de caixa onde se encontra escondido algo que o possa vier a comprometer e a afetar publicamente, a ele a outros seus protegidos.

As mentiras eleitoralistas da coligação de direita e de Passos Coelho como alertei em "posts" anteriores estão a ser desmascaradas. Começaram já a revelar-se ao deixarem cair uma das promessas a redução da sobretaxa do IRS que prometeram ser de 35%.

Os agarrados, que na gíria são os dependentes de algo, neste caso do poder, são os partidos da direita que estiveram no Governo e que tinham o sonho da perpetuação eterna cuja cobertura lhe era dada por um medroso sectário numa simbiose quase perfeita. Aliás ninguém se demitia ou era demitido apesar de escândalos que fora surgindo por aí, alguns que nunca mais se ouviram falar co o a investigação a Marco António Costa pelo DIAP do Porto por alegados crimes de tráfico de influências durante os mandatos na Câmara de Gaia. 

O desespero é visível nos comentários dos seus apaniguados cujos argumentos chegam a ser ridículos esquecendo-se do que fizeram em 2011 quando se aliaram aos partidos que agora querem excluir para derrubar um Governo que também não tinha maioria. O que na altura era bom, agora, para esses neoliberais que se apossaram do PSD, com a conivência de Cavaco Silva deixou de o ser.

Constituição de maiorias parlamentares segundo Paulo Portas em 2011.

Para ver

Publicado por Manuel Rodrigues às 16:51
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Quinta-feira, 22 de Outubro de 2015

Em políticas, dois, mais, dois, podem não ser quatro, isso depende dos expoentes

Penso que ninguém tem dúvidas de que as eleições foram ganhas pela coligação PaF constituída pelo PSD+CDS com 38,55% dos votos o que não foram suficientes para obter uma maioria absoluta. O Partido Socialista teve 32,38%, o Bloco de esquerda com 10,22% e a CDU coligação PCP com os Verdes 8,27%.   A diferença entre a coligação e o PS foi de 6,17%. Quanto a isto nada a dizer. Quanto a deputados eleitos o mesmo se pode dizer quanto aos números de deputados com 104 para a coligação PSD+CDS, 85 para PS, ficando o BE com 19 e a CDU com 17.

Como não se vota para eleger primeiros-ministros, mas sim deputados para a Assembleia da República e se estivessem em presença apenas estes dois partidos não haveria quaisquer dúvidas que a coligação poderia governar porque tem de facto a maioria e poderia então formar um Governo estável a longo prazo. Mas a realidade óbvia não é esta.

Como existem outras forças políticas também eleitas democraticamente pelos portugueses a configuração política e partidária obedece a outros contornos.

Antes de continuar há um ponto prévio que gostaria de colocar é que foi o arrasto do CDS pelo PSD o que levou a coligação a ganhar as eleições, caso contrário o PSD teria uma votação na casa dos vinte e poucos por cento. Se fizermos apelo à nossa memória curta verificamos que em 2011 os PSD+CDS tiveram 50,37% e o PS teve apenas 28,05%. Para se ver a diferença entre 2011 e 2015 basta fazer as contas. Quem cresceu e quem baixou afinal? Mas, repito, o facto é que em 2015 a coligação PSD+CDS ganhou as eleições.

Face a esta situação óbvia, concreta, e de acordo com o número 1.do Artigo 187º da Constituição da República, será a coligação que deve formar Governo, embora com apoio parlamentar minoritário (104 deputados contra 121).  

Voltando a fazer apelo à memória curta em 2011 foi a direita do PSD, CDS, BE, PCP e Verdes que derrubaram o Governo socialista de apoio minoritário de José Sócrates. A situação atual tem hoje sinal contrário. Que estabilidade governativa pode a coligação prometer com tal representação parlamentar?

Sendo um institucionalista convicto, o que em algumas situações é conveniente, o Presidentes da República Cavaco Silva deveria indigitar Passos Coelho como primeiro-ministro para formar um governo da coligação, pois assim tem sido sempre, e fá-lo-á com certeza desta vez com uma consequência já certa: o derrube do Governo arrastando outras que daí advêm.

Que fará depois o Presidente da República? Convocar eleições gerais antecipadas? Renegociar com os partidos políticos a formação dum novo Governo? Indigitar como primeiro-ministro o segundo partido mais votado se houver um acordo de governação politicamente estável com apoio parlamentar?

A ver vamos.

Publicado por Manuel Rodrigues às 15:55
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Domingo, 11 de Outubro de 2015

Ensaio da loucura das presidenciais e outras que tais

Marcelo_marketing.png

 

Ainda estou para decidir se deva ou não chamar loucura a todo o erro de espírito desta panóplia de vedetas mediáticas oportunistas do propagandeio, comentadores ditos isentos que proliferam nas televisões.

 

A comunicação social há tempo que andava sôfrega por lançar para o universo da confusão política a questão das eleições presidenciais, antes até da constituição do novo governo, Marcelo Rebelo de Sousa deu-lhes agora uma ajudinha oportuna.

As candidaturas para a Presidência da República foram transformadas numa espécie de corrida louca dada a enfase com que a comunicação social a começou a "trabalhar" e a lançar para o mercado jornalístico.

Quando se falou na potencial candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa a Presidente da República coloquei um "post", neste mesmo blog, onde ironizei com a possibilidade duma candidatura de Luís Goucha ou de Cristina Ferreira, também eles figuras públicas, mediáticas e comunicadores de sucesso.

Jornalistas e comentadores sorriem em estado de grande contentamento e tecem nas televisões discursos laudatórios à apresentação da candidatura de Rebelo de Sousa que foi o início da sua pré-campanha eleitoral e o primeiro passo para dar voz perfil para candidato, revendo-se como sendo um político com as condições mais do que suficientes para exercer o cargo de Presidente justificando assim as sondagens, prova indubitável da sua vitória logo à primeira volta.

Passos Coelho, em janeiro de 2014 no Congresso do PSD, traçava o perfil do que deveria ser o futuro Presidente da República: "protagonista catalisador de qualquer conjunto de contrapoderes ou num catavento de opiniões erráticas em função da mera mediatização gerada em torno do fenómeno político". Nem "deve buscar a popularidade fácil". Nestes dois pontos e apenas por uma questão de forma concordo com Passos Coelho,

Houve controvérsia sobre esta descrição, uns dizendo que se referiam a Marcelo Rebelo de Sousa e outros a dizer que nada tinha a ver com ele e que podia referir-se a qualquer um. A versão dos primeiros parecia ser mais verosímil

Coloquemos a seguinte hipótese: o candidato A. não é conhecido e não tem currículo político relevante e, por isso, não tem perfil para o cargo; o candidato B. não tem apoio de nenhum partido sendo quase nula a possibilidade de ser obter vantagens nas intenções de voto; por sua vez o candidato C. é muito conhecido pela visibilidade como comentador de televisão e pode vir a ter apoios alargados. O candidato C. é, de imediato, personificado por Marcelo Rebelo de Sousa porque todos o conhecem, não por ter funções políticas ativas mas porque tem uma visibilidade mediática permanente na televisão e faz comentários políticos semanais há anos e anos. Como poderia não ser conhecido? Quantos não haverá que, não sendo conhecidos nem tendo visibilidade mediática, podem ter perfil para Presidente da República.   

Rebelo de Sousa ao longo dos anos passou a ser um profissional da comunicação, um oráculo semanal da política. Não necessita de grande esforço para fazer uma campanha, mesmo sem falar muito. Despe a pele de comentador, vestindo a de candidato a Presidente comentador.

O segredo de Marcelo é ter-se "dedicando à comunicação social em jornais, na rádio e na televisão contactando milhões de leitores, ouvintes e telespetadores" como ele próprio afirmou no discurso de apresentação da candidatura que o jornal Expresso divulgou na íntegra.

Comunica como se estivesse perante o seu público da televisão, milhões de telespectadores, como afirma. Para salvaguarda do caso de alguns apenas o conhecerem apenas como comentador da televisão e como o professor encarregou-se de tecer a sua biografia profissional, diria antes um curriculum vitae, escusando assim que lha escrevam por ele. Diz-se "católico, influenciado pelo Vaticano II, concílio bem presente hoje no magistério do Papa Francisco" frase muito conveniente e convincente para captar votos de todos os devotos deste Portugal.

Para além de benemérito ao "devolver ao país tudo aquilo que Portugal lhe deu" segura também o discurso da estabilidade governativa que justifica através de argumentos de peso que apelam à fácil emoção quando revelou que para ele a "estabilidade e a governabilidade têm de estar ao serviço do fim maior e o fim maio na política é o combate à pobreza, é a luta contra as desigualdades, é a afirmação da justiça social." Palavras do agrado do governo e do ainda Presidente da República que serviram de mote à campanha da coligação PSD-CDS para gerar em parte da população um estado de temor.

Acrescenta ainda frases bem conhecidas e já pronunciadas pela direita e por Cavaco Silva quando diz "considero essencial que haja, como nas democracias mais avançadas, convergências alargadas sobre aspetos fundamentais de regime" de coloca ainda um toque de emoção: "a estabilidade e a governabilidade têm de estar ao serviço do fim maior e o fim maio na política é o combate à pobreza, é a luta contra as desigualdades, é a afirmação da justiça social.". "Considero ainda que não há desenvolvimento, nem justiça, nem mais igualdade com governos a durarem seis meses ou um ano, com ingovernabilidade crónica e sem um horizonte que permita aos governados perceberem aquilo com que podem contar no quadro da composição parlamentar resultante daquilo que votam.". Pensamentos déjà vu.

É consensual que ninguém quer instabilidade, mas as palavras de Marcelo Rebelo de Sousa são as mesmas da direita e de Cavaco Silva, divergindo apenas na forma e no tom que o traquejo de longos anos de comunicação televisiva lhe ofereceu.  

Com uma frente neoliberal, que diz ser agora social-democrata, a governar o país, Rebelo de Sousa, se for eleito Presidente da República, teremos novamente o lema "uma maioria, um governo e um presidente". Cabe perguntar o que fará diferente de Cavaco Silva nestas circunstâncias.

As posições defendidas à volta da candidatura de Marcelo por jornalistas e comentadores, conduziram-me à sátira "Elogio da Loucura" escrita em 1509 por Erasmo de Rotterdam.

Para finalizar transcrevo partes do texto de Erasmo com uma adaptação à atualidade política, livre e satírica, tendo, para tal, modificado e acrescentado umas poucas palavras.

 

Sei muito bem quanto o meu nome soa mal aos ouvidos dos mais tolos, orgulho-me de vos dizer que esta Loucura, sim, esta Loucura que estais vendo é a única capaz de alegrar os deuses e os mortais. A prova incontestável do que afirmo está em que não sei que súbita e desusada alegria brilhou no rosto de todos ao aparecer eu diante deste numerosíssimo auditório. De facto, erguestes logo a fronte, satisfeitos, e com tão prazenteiro e amável sorriso me aplaudistes, que na verdade todos os que distingo ao meu redor me parecem outros tantos deuses de Homero, embriagados pelo néctar do vinho embriagante.

Se, agora, fazeis questão de saber por que motivo me agrada aparecer diante de vós com uma nova roupa, eu vo-lo direi em seguida, se tiverdes a gentileza de me prestar atenção; não a atenção que me costumáveis prestar enquanto comentador que era a dos charlatães, e pantomineiros.

De facto, que mais poderia convir a Loucura do que ser o arauto do próprio mérito e fazer ecoar por toda parte os seus próprios louvores? Quem poderá pintar-me com mais fidelidade do que eu mesmo? Haverá, talvez, quem reconheça melhor em mim o que eu mesmo não reconheço? De resto, esta minha conduta parece-me muito mais modesta do que a que costuma ter a major parte dos grandes e dos sábios do mundo.

No entanto, esses insignificantes faladores a que atrás me refiro envaidecem-se com a sua vazia erudição e experimentam tanto prazer em ocupar-se dia e noite com essas suavíssimas nénias que nem tempo lhes sobra para ler ao menos uma vez programas e opiniões de outros. E o mais bonito é que, enquanto assim cacarejam nas suas escolas, imaginam-se os defensores do povo, que cairia na certa, se cessassem um momento de sustentá-la com a força dos seus silogismos, exatamente como Atlante, segundo os poetas, sustenta o céu com as costas.
Contam ainda os nossos discutidores com outro grande motivo de felicidade. A política e a governação são, nas suas mãos, como um pedaço de cera, pois costumam dar-lhes a forma e o significado que mais correspondam ao seu génio. Pretendem que as suas decisões uma vez aceitas por alguns outros devam ser mais respeitadas do que as leis de Sólon. Erigem-se em censores dos outros e, se alguém se afasta um pouquinho das suas conclusões, diretas ou indiretas, sentenciam oráculos: Essa proposição é escandalosa, esta aqui é temerária, aquela cheira a esquerdismo, aquela outra soa mal.

Para uma campanha eleitoral há que ter coragem, vamos! Dissimular, enganar, fingir, e apontar os defeitos dos adversário mas fechar os olhos aos defeitos dos amigos, ao ponto de apreciar e admirar grandes vícios como grandes virtudes, não será, acaso, avizinhar-se da loucura? Beijar, numa feira ou numa rua uma velhinha, sentir com prazer o fedor do seu nariz e, num mercado beijar peixeiras com cheiro a peixe e prometer atender um pai que o filho está desempregado não será isso uma verdadeira loucura?

Ainda estou para decidir se deva ou não chamar loucura a todo o erro de espírito desta panóplia de vedetas mediáticas oportunistas do propagandeio, comentadores ditos isentos que proliferam nas televisões.

Publicado por Manuel Rodrigues às 16:49
Link do post | Comentar | Ver comentários (3) | Adicionar aos favoritos
|
Sexta-feira, 2 de Outubro de 2015

Ocultismo na campanha eleitoral da coligação PPD-PSD . CDS-PP

ProgramadeGoverno_2.jpg

A campanha eleitoral da coligação PaF do PPD-PSD e do CDS-PP no que reporta ao seu programa a aplicar no futuro caso venha a ser governo é uma espécie de ciência oculta. O ocultismo consiste no estudo e prática de ciências que se rodeiam de mistério. O programa de governo para a próxima legislatura é uma coisa sobre a qual se vai reger a coligação PPD-PSD e CDS-PP ainda não foram explicadas. É um conhecimento destinado apenas para certas pessoas e que deve ser mantido escondido. Isto é, oculto

Passos Coelho antes de ir para o Governo mentia, agora oculta.

A dita coligação passou o tempo todo a falar do programa de outros partidos que há muito se conhecem e não apresentou claramente o seu. Criam medo com os outros partidos mas ocultam o que aí vem se eles ganharem. É o culto do ocultismo.

Parece que até o Presidente da República Cavaco Silva já aderiu a esta nova ciência do ocultismo político. Passo Coelho diz que o Presidente da República "é transparente" e rejeitou qualquer desconforto pelo facto de o Presidente não ter sido mais explícito para si sobre o que vai fazer no pós-eleições. Mas o próprio Presidente diz saber "muito bem aquilo que vai fazer" mas não diz. Oculta. Todos els praticam uma ciência que se rodeia de mistério.

Publicado por Manuel Rodrigues às 00:18
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Quarta-feira, 30 de Setembro de 2015

Ponto de vista de um cidadão mais do que comum sobre quatro anos de políticas PSD/CDS

Votação_2.png

Os textos que tenho vindo a escrever neste blog são uma espécie de cruzada política empreendida contra Passos Coelho, enquanto primeiro-ministro, e o seu Governo neoliberal e não subjugada a quaisquer interesses partidários. Uma cruzada, mesmo que no sentido figurado, não é um empreendimento de defesa mas de ataque para libertar algo ou alguém.

Durante os últimos anos de governação de José Sócrates já tinha feito o mesmo empreendimento. Só após a sua queda e após ter entrado em funções o Governo de Passos Coelho reconheci que tinha sido enganado e incorrido num erro grosseiro ao associar-me àquela expedição contra Sócrates devido a influências exógenas imanadas dos seus opositores e órgãos de comunicação a elas veiculados.

O meu arrependimento chegou quando afundei a minha cabeça entre as mãos e lamentei que tivesse havido desde o 25 de abril de 1974 um homem na política que me conseguiu enganar com o requinte com que Passos Coelho o fez. Como se costuma dizer, "comi gato por lebre".

Os próprios "ditos" de Passos Coelho que, ao negá-los afirma serem, como diz "mitos urbanos" que se criaram. Saberá ele por acaso o que é um mito urbano ou ter-lhe-ão soprado ao ouvido este conceito e ele apenas resolveu debitá-lo para a plateia que, como eu, ainda tem paciência para o ouvir.

O conceito de mito é complexo e tem várias formas de entendimento. O étimo da palavra tem origem grega (mythos) que significa narrativa ou lenda. O conceito mais genérico e comum de mito e, no caso mito urbano é uma crença imaginária baseada na credulidade daqueles que a aceitam. Isto é, o que foi dito por Passos Coelho sobre emigração dos jovens segundo o próprio não foi dito e não foi mais do que uma lenda e crença imaginária. Os órgãos de comunicação que replicaram o que ele disse não produziram mais do que uma narrativa dum acontecimento duvidoso, fantástica e inverosímil. Para bem da informação aquela ideia foi desmontada com as palavras do próprio primeiro-ministro.

Há afirmações que me ocorrem proferidas por ele ou outros do seu Governo que tinham a pretensão de colocar jovens contra pais, avós e idosos em geral, empregados contra desempregados, trabalhadores públicos contra trabalhadores privados baseando-se em postulados falsos. Será que tudo o que foi dito e ouvido por muita gente serão também mitos urbanos?

O meu empenho nesta cruzada aconteceu a partir de 2011 e levou-me a estar mais atento ao que se passava na política e a arriscar-me a todas as críticas contra os meus escritos que, por mais violentas, virulentas e contundentes, não me afastaram do meu objetivo.

Não se pode dizer que nada sabia e que inventava os assuntos porque o que soube, e sei, foi, e é, pelos órgãos de comunicação social. E das duas uma, ou estão todos errados ou eles próprios desconhecem os factos e os assuntos.

As minhas fontes não são os meandros da política são os órgãos de comunicação social, das conversas de café, dos taxistas e opiniões de conhecidos e desconhecidos.

Na pesquisa social há outros métodos para obter dados que não envolvem recolha direta de informação a partir de algo investigado. É o que se denomina em ciências sociais métodos não interferentes. As entrevistas, os questionários e as sondagens criam atitudes por parte das pessoas alvo porque os que respondem tentam na generalidade suscitar impressões de si próprio a fim de manter o seu estatuto aos olhos do entrevistador mesmo que este não esteja na sua presença.

Estudos sobre comportamento eleitoral concluem que há pessoas que declaram nos inquéritos, mesmo que telefónicos, ter votado, ir votar num sentido ou não ter votado não o tendo feito de facto.

Era meu objetivo percorrer todos os anos de governação PSD/CDS até 2015 mas o tempo escasseou e não saiu mais do que uma tentativa de síntese incompleta, diga-se, do que se passou nos primeiros dois anos do Governo PSD/CDS. Fiquei por alguns factos que, embora sem uma sequência temporal, do meu ponto de vista, julguei serem mais relevantes. Correndo o risco de saturar e esgotar a paciência, até dos mais curiosos, resolvi anexar o ficheiro com a parte descritiva de partes dos referidos anos.

Coloco em baixo um pequeno extrato dos apontamentos que podem podem ser consultados na íntegra em Política vista por um cidadão comum_final.pdf

 

Pouco dias antes daquela data 6 de abril de 2011 Portugal tinha proposto um programa de austeridade denominado PEC 4 (Plano de Estabilidade e Crescimento IV, atualmente chamam-lhe apenas PE - Plano de Estabilidade) que tinha sido elogiado por Angela Merkel. Com o seu apoio e o do presidente da Comissão Europeia, Portugal poderia ter obtido um resgate mais suave.

Sobre este facto José Sócrates dá conhecimento disso ao líder da oposição Passos Coelho. Nessa altura era bem conhecido o apoio partidário, o poder e a influência que José Relvas exercia sobre o líder do PSD. Podemos afirmar que Passos Coelho era dependente de Relvas e por este influenciado, e por isso não deixa passar o PEC IV.

Passos Coelho, justificando que já tinha havido vários PEC’s, alegava desconhecimento do que se passava e que não queria que os portugueses passassem mais sacrifícios. É bom considerar este seu pensamento e compará-lo com as posições posteriormente efetuadas durante a campanha eleitoral e também com as  depois já no Governo as posteriores de Passos.

Objetivo principal, óbvio e oportunista era a queda do Governo e a tomada do poder através de eleições antecipadas, cujas sondagens devido às medidas já tomadas pelos PEC’s anteriores davam uma maioria ao PSD.

No discurso da tomada de posse como Presidente da República, a 4 de abril, Cavaco Silva faz um ataque ao então Governo de Sócrates afirmando que não havia espaço para mais austeridade, “Há limites para os sacrifícios que se podem exigir ao comum dos cidadão”, dizia. Nesta altura começou a ser notado o alinhamento do Presidente da Repúblicacom o Governo e a sua falta de isenção e independência.

Entretanto os bancos pressionavam o ministro das Finanças da altura, Teixeira dos Santos que sem consultar José Sócrates anuncia publicamente que Portugal precisava de recorrer a ajuda financeira externa. Sócrates pede a intervenção da “troika”.

Angela Merkel que também desconhecia aquele facto mostra-se surpreendida e desconfortada com tal medida.

Claro que os partidos da oposição, obcecados pelo poder, e os comentadores neoliberais extremados e alinhados com o potencial futuro Governo de maioria, sem o mínimo espírito crítico, dão vivas ao memorando de entendimento que foi assinado como sendo o melhor que poderia ter acontecido a Portugal.

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 22:19
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Sexta-feira, 29 de Maio de 2015

Cobertor precisa-se

Apesar de continuar no campo a política não me larga. O senhor Presidente da República Cavaco Silva sentiu necessidade de apoiar a decisão da recondução de Carlos Costa como governador do Banco de Portugal. Mais uma vez demonstrou descaradamente a sua colagem e identificação com o Governo. Se alguma vez alguém teve dúvidas desta vez pôde tirá-las. Já agora poderia confirmar se é apenas Presidente de alguns portugueses.

Conhecendo com certeza as conclusões da comissão de inquérito parlamentar e das posições desfavoráveis tomadas em março por alguns elementos do Governo em relação a Carlos Costa qual terá sido a necessidade de Cavaco Silva vir agora em defesa daquela nomeação. Sendo apenas da competência do Governo nada teria a dizer, e ponto.

Foi ainda mais longe. Qual professor primário do antigamente disse aos “meninos” que não concordaram com a nomeação que estudassem o que se passa noutros países. Pois é, relativamente a muito do que saiu da sua lavra, mais parece que, quem não estudou foi o senhor Presidente.   

Esta imediata tomada de posição por Cavaco Silva “trás água no bico”. Até parece que também precisa dum cobertor para se tapar do frio. Mas querem enganar quem?

Publicado por Manuel Rodrigues às 22:51
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Sexta-feira, 15 de Maio de 2015

Os jogos de brincar à política para crianças

Passos Coelho_macaco.png

 

Passos Coelho parece estar num jogo de crianças a brincar à política. Disse esta semana ao jornal Sol que "Não há qualquer hipótese de um Governo com o PS". Isto é, está a inverter as posições. Então não foi ele e o seu parceiro de coligação, a primeira vez ainda no tempo de António José Seguro, que andaram atrás do PS para fazerem um pacto de regime ou um entendimento, abençoado pelo Presidente da República?

Não tenho qualquer procuração para defender o PS, o que manifesto é a minha perplexidade quando ouço, neste caso leio, o que Passos Coelho afirmou que é o contrário do que antes propunha. Não há partido que se entenda com outro sem que haja cedências de ambos os lados e, muito menos, se têm posições opostas em relação a pontos fundamentais da execução político ideológica.  

Um entendimento de governo com este PSD de Passos Coelho parece ser coisa que agrade apenas ao CDS/PP que se agarrou a uma tábua de salvação para, no caso pouco provável da coligação ganhar as eleições, ficar no poder, evitando ao mesmo tempo a vergonha de ser reduzido a um partido sem representação significativa.

 

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 18:08
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Segunda-feira, 27 de Abril de 2015

O amado líder

cavaco silva_amado lider.png

 

O discurso do Presidente da República Cavaco Silva no Parlamento nas comemorações do 25 de abril de 2015 foi ovacionado pelos partidos PSD e CDS que sustentam o Governo. Foi uma manifestação de apoio ao discurso do amado líder, educador e orientador do maior partido que faz parte do Governo e, pretensamente, de todo o povo, na proximidade de eleições legislativas.

Mais pareciam aquelas manifestações de apoio ao líder na pretensa Assembleia Popular Suprema da Coreia do Norte. Há contudo uma grande diferença, é que, felizmente, em democracia nem todos são obrigados a aplaudir quando não se concorda, ao contrário do regime daquele país coreano.

A maior parte da intervenção do Presidente da República foi orquestrada em prol do Governo numa quase campanha eleitoral e, mais uma vez, de colagem ao que Passos Coelho e o seu Governo têm vindo enganosamente a lançar para a opinião pública.

Ao fazer apelo ao consenso nesta fase política só não seria perder o bom senso se, como se depreendeu e verificou posteriormente, não fosse conseguido entre os partidos da própria maioria.

Pretende mostrar uma atitude de colocação acima da política e dos políticos, mas sempre que intervém está fazer política, e da má.

Publicado por Manuel Rodrigues às 16:03
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Quinta-feira, 12 de Março de 2015

Monarquia republicana ou a nomeação de um sucessor

Cavaco_Rei.png

 

Coloquei há dias no Facebook um comentário dizendo o seguinte:

Não vale a pena gastar mais do que 80 palavras, e já são demais, para falar da intervenção do Presidente Cavaco Silva sobre a dívida de Passos Coelho à Segurança Social. Afirmar que dívidas do cidadão que é primeiro-ministro são querelas partidárias está tudo dito. Não é o cheiro a pré-campanha eleitoral é o cheiro a um presidente politicamente moribundo. É já um presidente em fase terminal da função. É como um pneu gasto de um carro em segunda mão.

 

Mas a provocação que Cavaco Silva, el presidente, faz às nossas inteligências é tal que não resisti a gastar o meu tempo com mais algumas palavras. Se este senhor continuar assim até às eleições não vou conseguir conter-me e lá vou que quebrar a minha promessa.

Bem pode Cavaco Silva, o Presidente da República do Governo e de Passos Coelho, vir declarar publicamente, com o seu sorriso mais ou menos hipócrita, que interpretaram mal a leitura que fizeram do prefácio do Roteiros IX quando dizem que definiu um perfil para o próximo presidente da república que não engana ninguém. Não nega que o fez lançando as culpas para a má interpretação que dele fizeram. Treta do costume.

O que o Presidente disse está bem claro quando escreve "É por tudo isto que, nos tempos que correm, os interesses de Portugal no plano externo só podem ser eficazmente defendidos por um Presidente da República que tenha alguma experiência no domínio da política externa e uma formação, capacidade e disponibilidade para analisar e acompanhar os dossiês relevantes para o País.".

Repare-se na frase onde o advérbio "" o verbo "podem" seguidos de "ser eficazmente defendidos" a que se segue "por um Presidente da República que tenha" repare-se sobretudo no presente do conjuntivo do verbo ter "que tenha".

Penso que fica bem claro que Cavaco Silva estabelece um perfil, mais do que óbvio, julgando-se um monarca que quer passar a sucessão a um outro que terá em vista dentro seu alinhamento político. Haverá muitos em quem possamos pensar no perfil por tecido? Vale a pena que façam um exercício, porque eu recuso a colocar aqui o nome em que estou a pensar.

Fica mais do que evidente no mapa seguinte que o jornal Público publicou na sua edição impressa de 10 de março do corrente a experiência externa de Cavaco Silva.  

Roteiros CavacoSilva.jpg

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 14:44
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Terça-feira, 6 de Janeiro de 2015

Presidente da República acabado Silva igual a Governo

cavaco-silva-zen.jpg

 

O discurso de ano Novo do Presidente da República foi um discurso de banalidades conhecidas  propagadas pela propaganda do Governo às quais, como sempre, se atrelou.

Foi um discurso de um Presidente da República acabado e sem nada de novo para dizer ao país. Nada de novo a não ser a parcialidade, a falta de independência e a traição aos compromissos assumidos para com o povo português.

Centrado nas eleições fez campanha eleitoral velada contra o PS. Para ele talvez fosse melhor não haver eleições, pois então!

Se por um lado afirma que "os partidos políticos são essenciais para a qualidade da democracia e para a expressão do pluralismo de opiniões", por outro apela a que os partidos abdiquem dos seus programas e dos seus projetos ao dizer que "Não é só no dia a seguir às eleições que se constroem soluções governativas estáveis, sólidas e consistentes…". Será que são soluções pré-eleitorais semelhantes à de partido único com alinhamento absoluto com os partidos do Governo conduzindo a uma oposição despicienda?

Avisa, implicitamente, que, se a direita não ganha, voltamos ao passado e que a via a seguir é só uma, a do Governo ao dizer que "A economia está a crescer, a competitividade melhorou, o investimento iniciou uma trajetória de recuperação e o desemprego diminuiu." Estes são os argumentos estatísticos apresentados pelo Governo.

Quanto ao desemprego estamos conversados, sabemos bem como foram criados dezenas de milhar de falsos postos de trabalhos para os retirar das estatísticas. Uma coisa é certa, a maior fatia não foi criada pelo investimento privado pois este está estacionário ou, em alguns casos, até diminuiu. Onde estão as medidas que o incentivassem?

O Presidente da República Cavaco Silva ficará para a história como o pior presidente em quem os portugueses votaram. Fazer das eleições de 2015 a parte principal da sua mensagem de Ano Novo não seria o esperado. Parafraseando os bonecos do antigo programa de sátira humorística Contra Informação da RTP, este é mesmo o acabado Silva.

Publicado por Manuel Rodrigues às 17:47
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Terça-feira, 23 de Julho de 2013

O grande iluminado cavaquismo

Em cena durante as últimas semanas, este circo da política foi prejudicial ao país. Tudo se teria evitado se comunicação do Presidente da República fosse unicamente aquela que fez no último domingo.

Poderemos perguntar-nos se a proposta apresentada pelo P.R. teria cabimento, sabendo-se há muito quais as posições assumidas pelo Partido Socialista. Foi uma tentativa falhada de entalar o PS querendo associá-lo à incompetência do Governo e querendo que passasse um cheque em branco sobre futuras medidas que, eventualmente, viessem a ser preparadas.

Apesar da maioria absoluta da coligação Passos Coelho e o seu Governo precisavam de uma moleta. É verdade que o Partido Socialista assinou o primeiro memorando de assistência, assim como o fizeram o PSD e o CDS/PP e, desde aí, muita coisa mudou.

Não nos esquecemos que, naquela altura, após ter provocado a crise política, Passos Coelho afirmava que iria resolver os problemas do país e mentiu ao eleitorado. Obteve uma maioria e, como tal, deve cumprir sozinho a sua legislatura e ser ele o protagonista da salvação nacional. Ele assim o prometeu, já lá vão dois anos.

A solução do Presidente da República de querer colocar os três partidos num saco, misturar, e sair um grupo que falasse em uníssono ao país, como ele gostaria, era o mesmo que dizer como já o disse uma vez a cavaquista Manuela Ferreira Leite suspender a democracia. Depois logo se veria desde que beneficiasse o partido maioritário do Governo.

Cavaco lançou a rede para ver se, no lago governativo, já poluído pelos partidos do Governo, pescava alguma coisa. Mas o peixe rasgou-lhe a rede e fugiu.

A maior parte dos portugueses não se esqueceu de que, quem criou mais prejuízos ao país nos últimos dois anos foi a tónica de apoio sistemático dado por Cavaco Silva ao Governo.

Passos Coelho continua, após saber que vai continuar a desgraçar o que resta do país, a querer agarrar-se à boia de salvação do PS. Poderemos continuar questionar-nos porque será?

Passos Coelho sabe que não consegue sair sozinho do pântano em que meteu o país, ou que o aconselharam a meter, e, por isso, pede ajuda, em uníssono com o Presidente de República, utilizando até à exaustão o chavão de salvação nacional. A salvação nacional deveria ter começado logo após a intervenção da “troika” evitando conduzir o país a este descalabro. Mas não, Passos Coelho e o seu grupo de terror neoliberal e impreparado do PSD quiseram ir para além da “troika”. Agora querem ajuda!

Porque é que o PSD, no tempo dos PEC’s não negociou com o PS um acordo de salvação nacional porque nessa altura também era disso que se tratava? Apenas porque queria rápido chegar ao poder. Agora está à vista.

Os portugueses, nas últimas eleições, não votaram no PS para salvar o país, votaram e confiaram no PSD, porque acreditavam que seriam merecedores da confiança para salvar o país mas acabaram por enterrá-lo ainda mais.  

A democracia não é, nem nunca foi, a menos que consideremos a União Nacional como um exemplo de democracia, feita de pensamento e acordos sem limites. Sem representantes dos descontentamentos através dos partidos, sem oposição a medidas que são tomadas, sem haver diferenças ideológicas e económicas sobre caminhos a seguir não há democracia.

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 11:05
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Segunda-feira, 15 de Julho de 2013

Escapadela à Arrábida

  

Tentei centrar-me novamente na paisagem e na sua geografia.

Já não consegui.

Regressei a Lisboa pensado que Portugal e nós, portugueses, merecemos mais do que esta cambada que, neste dois últimos anos, tem desacreditado a política e a economia.

  

Neste sábado 13 de julho, após a caloraça dos dias anteriores que se abateu sobre lisboa e por todo o país, resolvi procurar um lugar mais fresco para respirar da tempestade política que irresponsavelmente fizeram cair sobre o país e também procurar ares mais frescos e menos irrespiráveis.

Estava um dia nublado e fresco e dirigi-me para um lugar que, por enquanto, ainda deixam que seja paradisíaco, pelo menos no que respeita à paisagem, liberta da pressão da construção de mansões para alguns dos senhores que se julgam donos deste país e da venda a preço de saldo a estrangeiros que, graças à isenção de impostos, vêm comprando o território aos poucos.

Subi a Serra da Arrábida quase até ao cume. Detive-me num ponto onde, em dias de sol, se contempla o mar, a cidade de Setúbal e os arranha-céus dos hotéis que se destacam como monstros na Península e Troia onde pretenso desenvolvimento turístico, destinado apenas aos de muitas posses, afastou daquelas paragens a “ralé” que vive naquela capital de distrito.

Local aproximado onde me detive

 

Ver mapa maior

 

 

 

Imagem parcial da Serra da Arrábida

Em cima: Fotografia tirada em 1938 por Orlando Ribeiro

Em baixo: Fotografia do mesmo local, tirada por Duarte Belo em 2004


Belo, Duarte. 2012. Portugal Luz e Sombra. O País depois de Orlando Ribeiro, Lisboa, Círculo Leitores, Temas e Debates

 

Uma brisa marinha envolta em nevoeiro subia a encosta oeste da serra refrescando-me o corpo e o espírito, esquentado pelos acontecimentos políticos da semana, mas que não deixava descortinar o mínimo que fosse do azul-marinho daquelas águas aparentemente calmas mas de correntes fortes.

Recordei-me das várias incursões que fiz por esta serra nos meus tempos de estudante de geografia que me obrigara a estudar e a investigar no domínio da geografia física, da geologia, da geomorfologia e da biogeografia, sem esquecer o contributo da climatologia no estudo da influência microclimática na biodiversidade daquela região geograficamente original.

Apesar de a minha preferência ir mais para a área da geografia social e de planeamento regional, lá ia cumprindo a minha obrigação no estudo daquelas disciplinas dos primeiros anos da licenciatura que aqui me fizeram relembrar e requisitar ao meu imaginário geográfico tudo quanto aprendi e acumulei das observações e interpretações derivadas dos trabalhos de campo.

A Serra da Arrábida é uma cadeia montanhosa em cujo topo do anticlinal do Formosinho, dobra derivada da elevação das camadas dos estratos geológicos, nos podemos deslumbrar com a paisagem circundante cuja vista se espraia pelos horizontes de Lisboa, morro de Palmela e planalto do cabo Espichel.

Do local onde me situava, a neblina, consequência do contacto por convecção do ar marítimo morno e húmido com o ar mais frio do topo, apenas conseguia observar a vegetação naturalmente mediterrânica da proximidade que grassa por todo aquele espaço. É uma espécie de mata de arbustos com alguns de grande porte em locais mais afastados das arribas. Mais próximo do mar nada mais do que espécies arbustivas como o maquis, arbustos verdes densos e fechados de folha pequena e larga, e o garrigue, formação vegetal de pequenos arbustos dispersos que ocupam solos rochosos calcários.

 

 

 

 

 

 

 

Maquis

Garrigue

 

Ali permaneci mais do que uma hora observando as folhas daquela vegetação e as pequenas gotículas de água que a humidade do ar ali condensara junto à superfície fria. A neblina refrescante que, apressada, caminhava do mar para a serra, nada tinha a ver com o “fumo” nevoeirento, este, nada refrescante e com uma opacidade perturbadora e perigosa que o Presidente da República tinha lançado nessa semana sobre a política portuguesa em defesa da sua pessoa.

Tentei centrar-me novamente na paisagem e na sua geografia. Já não consegui. Regressei a Lisboa pensado que Portugal e nós, portugueses, merecemos mais do que esta cambada que, neste dois últimos anos, tem desacreditado a política e a economia.

 

 

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 16:52
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|

pesquisar

 

Posts recentes

Mulher maravilha e girass...

Cómicos da política

A galinhola e o pássaro

O último bafo político do...

A argúcia política pode i...

Parcialidade de um presid...

O que nunca aconteceu não...

O reflexo das imagens e a...

Sectários, mentirosos e a...

Em políticas, dois, mais,...

Ensaio da loucura das pre...

Ocultismo na campanha ele...

Ponto de vista de um cida...

Cobertor precisa-se

Os jogos de brincar à pol...

O amado líder

Monarquia republicana ou ...

Presidente da República a...

O grande iluminado cavaqu...

Escapadela à Arrábida

Agosto 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

Arquivos

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Livros que estou a ler

Livros que já li

Quando Portugal Ardeu Miguel Carvalho A Vida Secreta dos Livros O Romancista ingenuo e o sentimental de Orham Pamuk malbe

Os porques da esperança.png

Demorei algum tempo a ler este livro mais do que o costume. Livro sobre a política nacional sobre a forma de entrevistas que passaram na TVI 24 efetuada por um provocador nato cujas respostas são dadas por um astuto tribuno da palavra. Livro que aborda temas nacionais da política recente com uma abordagem em que as palavras se se entrelaçam com alguma exposições mais académicas. Um bom manual para quem se interesse pela política em Portugal nos últimos tempos.  

 

 

Piketty_Capit_SecXXI


Memoráveis


Crónica dos dias do lixo



Links

Mais sobre mim

Trabalhos Publicados

Rodrigues, Manuel A (2011). Geografia Social Urbana na Licenciatura em Educação Social, Cadernos de Investigação Aplicada, (5). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas


Rodrigues, Manuel A (2010). Didática da Geografia: recurso à Literatura como proposta interdisciplinar, Cadernos de Investigação Aplicada, (4). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas. .


Rodrigues, Manuel A (2008). Televisão e os efeitos de exposição a mensagens televisivas na educação: o efeito da terceira pessoa, Cadernos de Investigação Aplicada, (2). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas.


Rodrigues, Manuel A (2005). Do Presencial ao Online: um estudo de sobre a atitude de estudantes face a situação de aprendizagem online, Actas do VII Simpósio Internacional de Informática Educativa-SIIE05, Escola Superior de Educação de Leiria.


Rodrigues, Manuel A (2004). Um Modelo de Formação em Ambiente Misto de e-Learning (Blended Learning): uma experiência na disciplina de Tecnologia Educacional, Actas da Conferência eLes’04: e-Learning no Ensino Superior, Universidade de Aveiro.


Rodrigues, Manuel A (2004). Marionetas em Liberdade: a identidade pe(r)dida com as novas exigências curriculares, Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas.


Rodrigues, Manuel A (2000). Ciberespaço, Internet e as Fronteiras da Comunicação Educacional, Lisboa, Universidade Aberta. Porbase, CDU 37.01(043), 159.95043), 005.73Internet(043.2),371.1043)

Participar

participe neste blog

Contador de visitas

Tags

todas as tags

blogs SAPO

subscrever feeds