Sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2017

Caçadores de bruxas

Caça às bruxas.png

A direita iniciou uma espécie de caça às bruxas aos elementos do Governo recorrendo a todas as cavilações a que tiver de recorrer para condenar, achincalhar tudo e todos que lhe possam causar incómodo. A explicação é simples: à direita não convém que, por interesse exclusivamente partidário, embora alheio ao país, estejam a ser conseguidos resultados que vêm descredibilizando as teorias que avançavam quer no passado recente, quer no presente.

A direita quer recuperar o que perdeu e, para isso, utiliza tudo que estiver à mão, não interessa o quê, apresenta-o com aquela carga de agressividade dos sem razão e dos perdedores como se o ataque fosse a melhor defesa. Faz-me lembrar aqueles filmes em que o herói leva pancada dos “maus” até ficar quase sem ação e, por artes mágicas, o nosso herói levanta-se e dá uma valente pancadaria no “mau”. Poderá ser isto que venha a acontecer mais tarde ou mais cedo à direita.

No meio de tudo o que tem estado por detrás da CGD algumas elites bem instaladas, alguns deles atores do debate político onde dissimulam o que são na realidade do dia a dia e, com objetivos partidários fazem colheitas rebuscam nas amizades e nos conhecimentos pessoais que possa ser recrutado e aliciados para uma traiçãozinha, dando-lhes garantias de ficarem bem fotografia. Não sei se sabem a quem, e ao que me refiro. Não será difícil lá chegar.

Em Portugal a direita acha que tem o monopólio da democracia. Ela é a democracia, julgam. O resto não conta. Que bom seria existir apenas, e só, a direita. A direita não gosta de ser contrariada, tal e qual uma criança faz uma birra porque não lhe dão ou tiraram um brinquedo. Bate os pés, chora, grita, torna-se agressiva. Para uma criança nestas circunstâncias não existe possibilidade de negociação ou de troca. Nada escuta. Ouve-se apenas a ela própria. Até que, pela exaustão e cansaço, acaba por adormecer e, quando acorda está serena. Então pode negociar-se com ela.

Privada do seu complexo se superioridade que as eleições lhe deram, embora em minoria, a direita em Portugal, controlada pelas elites financeiras e de compadrios, por oportunismo partidário, não se desvia, um milímetro da sua linha que, como se sabe não funcionou. Capturada por um neoliberalismo ideologicamente estrangulador, e por uma comunicação social que a protege, deixou de saber o que é a social-democracia a que diz pertencer.

Como se viu no caso da TSU esta direita é duma incoerência pertinaz, como o é quem exercita a sua inteligência no estrito sentido partidário e de poder que diz lhe caber por direito embora a realidade parlamentar seja outra. Mas, por outro lado, e porque não quer ser incoerente com as linhas programáticas que defendeu e adotou durante os anos no poder, recusa-se a mostrar claramente o que defende e o que pretende optando sem fim pela política das coisas marginais. A discussão sobre os problemas no país não tem lugar, não interessa à oposição de direita que se encontra despojada de chaves críticas e com as ideológicas transformadas apenas em objetivos partidários. A direita não se abre a dizer o que pretende.     

Os aspetos sociológicos que, afinal, em sentido restrito, são os das pessoas em comunidade são negativos e desconsiderados pela direita. Para ela as pessoas não interessam, e agora parece que já nem o país. Jura e tresjura que o país pode sofrer involuções gravíssimas, que tudo está dominado pelos radicais de esquerda, ameaçam com o passado amedrontando, lançando dúvidas. O medo é a sua arma preferida para atingir as populações politicamente menos esclarecidas, sem culpa delas.

A oposição não tem que apoiar nem tem que aceitar o que um governo faz ou propõe, por isso mesmo é oposição, mas o debate político da oposição não deve ser o enxovalho  que conduz à descredibilização dos políticos e com ela os seus próprios.

O facto de Portugal assentar em bases fundamentalmente democráticas qualquer retrocesso mesmo grave não será possível cair-se novamente em forma autoritária do tipo fascista como está a acontecer na Turquia e na Polónia para não falar de outos países com a U. E. a observar impávida, e serena.

Publicado por Manuel Rodrigues às 18:31
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Quinta-feira, 12 de Novembro de 2015

O reflexo das imagens e a distorção da política

 

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O jornal i publicou um artigo de opinião de Carlos Carreiras, conhecido militante do PSD, intitulado "La grande bouffe" onde escreveu: "A esquerda está esfomeada. Quer poder. Quer tomar conta do aparelho de Estado. Como os homens do filme, vai comer até não poder mais". É o que ele acha.

Todos podem, eu incluído, dizer os disparates mais disparatados, desculpem a redundância propositada.

Olhemos para o espelho por onde a coligação de direita está a ver os outros e olhemos para o seu reflexo. As principais propriedades de um espelho plano são a simetria entre os pontos objeto e a imagem, e que a maior parte da reflexão que acontece é regular. Algumas superfícies apresentam retro reflexão. A estrutura destas superfícies é tal que a luz volta na direção de onde veio.

Façamos então a releitura a partir do reflexo do espelho por onde Carlos Carreira se mira. A direita está empanturrada. Mas quer manter o poder. Quer continuar a tomar conta do aparelho do Estado. Como os homens do filme comeu até não poder mais. Quer ainda mais. O que sucedeu é que, como os homens do filme, morreram com tanto comer.   

À falta de melhor a direita neoliberal agarra-se agora à que sempre foi a sua tábua de salvação: O Presidente da República Cavaco Silva. Vêm nele o porto de abrigo que elimine qualquer solução por mais estável que seja. Não tem em conta os superiores interesses de Portugal como tantas vezes tem afirmado. Vê os interesses do seu partido em primeiro lugar e a sua revanche não tem limites pelo que dele tudo se espera.  

Cavaco Silva tem um desrespeito por Portugal e pelo povo ao colocar prioritariamente o passeio à Madeira, como se isso fosse inadiável, preferindo adiar Portugal. Coisa nunca vista em nenhum Presidente da República responsável.

É o Presidente do pensamento único, virado para o passado do partido único. Coloca em primeiro lugar a sua imagem e a coligação que apoia, apesar de estar pelas ruas da amargura, e Portugal em segundo.

Não se pode queixar da falta de tempo porque foi ele que decidiu marcar a data para as eleições. Ou será que ele o fez propositadamente, sabendo ele, e já o disse, previu todas as hipóteses? Se assim for agiu premeditadamente. Nos julgamentos os crimes premeditados acarretam penas agravadas. Neste caso quem vai sofrer a pena vai ser Portugal, vamos ser todos, devido à visão estrábica, egoísta, passadista e autofágica da política.

Publicado por Manuel Rodrigues às 18:55
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Quarta-feira, 30 de Setembro de 2015

Ponto de vista de um cidadão mais do que comum sobre quatro anos de políticas PSD/CDS

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Os textos que tenho vindo a escrever neste blog são uma espécie de cruzada política empreendida contra Passos Coelho, enquanto primeiro-ministro, e o seu Governo neoliberal e não subjugada a quaisquer interesses partidários. Uma cruzada, mesmo que no sentido figurado, não é um empreendimento de defesa mas de ataque para libertar algo ou alguém.

Durante os últimos anos de governação de José Sócrates já tinha feito o mesmo empreendimento. Só após a sua queda e após ter entrado em funções o Governo de Passos Coelho reconheci que tinha sido enganado e incorrido num erro grosseiro ao associar-me àquela expedição contra Sócrates devido a influências exógenas imanadas dos seus opositores e órgãos de comunicação a elas veiculados.

O meu arrependimento chegou quando afundei a minha cabeça entre as mãos e lamentei que tivesse havido desde o 25 de abril de 1974 um homem na política que me conseguiu enganar com o requinte com que Passos Coelho o fez. Como se costuma dizer, "comi gato por lebre".

Os próprios "ditos" de Passos Coelho que, ao negá-los afirma serem, como diz "mitos urbanos" que se criaram. Saberá ele por acaso o que é um mito urbano ou ter-lhe-ão soprado ao ouvido este conceito e ele apenas resolveu debitá-lo para a plateia que, como eu, ainda tem paciência para o ouvir.

O conceito de mito é complexo e tem várias formas de entendimento. O étimo da palavra tem origem grega (mythos) que significa narrativa ou lenda. O conceito mais genérico e comum de mito e, no caso mito urbano é uma crença imaginária baseada na credulidade daqueles que a aceitam. Isto é, o que foi dito por Passos Coelho sobre emigração dos jovens segundo o próprio não foi dito e não foi mais do que uma lenda e crença imaginária. Os órgãos de comunicação que replicaram o que ele disse não produziram mais do que uma narrativa dum acontecimento duvidoso, fantástica e inverosímil. Para bem da informação aquela ideia foi desmontada com as palavras do próprio primeiro-ministro.

Há afirmações que me ocorrem proferidas por ele ou outros do seu Governo que tinham a pretensão de colocar jovens contra pais, avós e idosos em geral, empregados contra desempregados, trabalhadores públicos contra trabalhadores privados baseando-se em postulados falsos. Será que tudo o que foi dito e ouvido por muita gente serão também mitos urbanos?

O meu empenho nesta cruzada aconteceu a partir de 2011 e levou-me a estar mais atento ao que se passava na política e a arriscar-me a todas as críticas contra os meus escritos que, por mais violentas, virulentas e contundentes, não me afastaram do meu objetivo.

Não se pode dizer que nada sabia e que inventava os assuntos porque o que soube, e sei, foi, e é, pelos órgãos de comunicação social. E das duas uma, ou estão todos errados ou eles próprios desconhecem os factos e os assuntos.

As minhas fontes não são os meandros da política são os órgãos de comunicação social, das conversas de café, dos taxistas e opiniões de conhecidos e desconhecidos.

Na pesquisa social há outros métodos para obter dados que não envolvem recolha direta de informação a partir de algo investigado. É o que se denomina em ciências sociais métodos não interferentes. As entrevistas, os questionários e as sondagens criam atitudes por parte das pessoas alvo porque os que respondem tentam na generalidade suscitar impressões de si próprio a fim de manter o seu estatuto aos olhos do entrevistador mesmo que este não esteja na sua presença.

Estudos sobre comportamento eleitoral concluem que há pessoas que declaram nos inquéritos, mesmo que telefónicos, ter votado, ir votar num sentido ou não ter votado não o tendo feito de facto.

Era meu objetivo percorrer todos os anos de governação PSD/CDS até 2015 mas o tempo escasseou e não saiu mais do que uma tentativa de síntese incompleta, diga-se, do que se passou nos primeiros dois anos do Governo PSD/CDS. Fiquei por alguns factos que, embora sem uma sequência temporal, do meu ponto de vista, julguei serem mais relevantes. Correndo o risco de saturar e esgotar a paciência, até dos mais curiosos, resolvi anexar o ficheiro com a parte descritiva de partes dos referidos anos.

Coloco em baixo um pequeno extrato dos apontamentos que podem podem ser consultados na íntegra em Política vista por um cidadão comum_final.pdf

 

Pouco dias antes daquela data 6 de abril de 2011 Portugal tinha proposto um programa de austeridade denominado PEC 4 (Plano de Estabilidade e Crescimento IV, atualmente chamam-lhe apenas PE - Plano de Estabilidade) que tinha sido elogiado por Angela Merkel. Com o seu apoio e o do presidente da Comissão Europeia, Portugal poderia ter obtido um resgate mais suave.

Sobre este facto José Sócrates dá conhecimento disso ao líder da oposição Passos Coelho. Nessa altura era bem conhecido o apoio partidário, o poder e a influência que José Relvas exercia sobre o líder do PSD. Podemos afirmar que Passos Coelho era dependente de Relvas e por este influenciado, e por isso não deixa passar o PEC IV.

Passos Coelho, justificando que já tinha havido vários PEC’s, alegava desconhecimento do que se passava e que não queria que os portugueses passassem mais sacrifícios. É bom considerar este seu pensamento e compará-lo com as posições posteriormente efetuadas durante a campanha eleitoral e também com as  depois já no Governo as posteriores de Passos.

Objetivo principal, óbvio e oportunista era a queda do Governo e a tomada do poder através de eleições antecipadas, cujas sondagens devido às medidas já tomadas pelos PEC’s anteriores davam uma maioria ao PSD.

No discurso da tomada de posse como Presidente da República, a 4 de abril, Cavaco Silva faz um ataque ao então Governo de Sócrates afirmando que não havia espaço para mais austeridade, “Há limites para os sacrifícios que se podem exigir ao comum dos cidadão”, dizia. Nesta altura começou a ser notado o alinhamento do Presidente da Repúblicacom o Governo e a sua falta de isenção e independência.

Entretanto os bancos pressionavam o ministro das Finanças da altura, Teixeira dos Santos que sem consultar José Sócrates anuncia publicamente que Portugal precisava de recorrer a ajuda financeira externa. Sócrates pede a intervenção da “troika”.

Angela Merkel que também desconhecia aquele facto mostra-se surpreendida e desconfortada com tal medida.

Claro que os partidos da oposição, obcecados pelo poder, e os comentadores neoliberais extremados e alinhados com o potencial futuro Governo de maioria, sem o mínimo espírito crítico, dão vivas ao memorando de entendimento que foi assinado como sendo o melhor que poderia ter acontecido a Portugal.

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 22:19
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Quinta-feira, 11 de Junho de 2015

Feira das medalhas

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As distribuições de condecorações dadas pelo Presidente Cavaco Silva no dia 10 de junho raramente são comentadas na comunicação social. Quando alguém recusa receber tal condecoração, o que raramente acontece, a notícia espalha-se como pólvora acesa. E há razões para isso. Criticar uma atribuição é por em causa o mérito de quem a recebe.

Há também na distribuição das condecorações, não em todas convenhamos, algo de político e até perverso. Refiro-me ao caso do ex-ministro das Finanças Teixeira dos Santos. Não está minimamente em causa o mérito, o valor, as competências, o conhecimento, a capacidade de trabalho, a sua dedicação à causa pública e muitas outras virtudes do Prof. Teixeira dos Santos. O que, no meu ponto de vista, está em causa é a carga simbólica da oportunidade da condecoração.

Como todos sabemos o Prof. Teixeira dos Santos foi o último dos ministros das finanças dos governos de José Sócrates. Antes disso foi secretário de estado do Tesouro e Finanças no governo de António Guterres. Em 2005 foi chamado por José Sócrates para ministro da Finanças e de Estado do primeiro governo de José Sócrates função que desempenhou até 2009. No XVIII Governo Constitucional que tomou posse em julho de 2009 José Sócrates confiou-lhe a pasta ministro da Economia e da Inovação que desempenhou até outubro de 2009. Neste mesmo mês José Sócrates entregou-lhe a pasta de ministro de Estado e das Finanças onde se manteve até junho de 2011.

Foi Teixeira dos Santos que subiu o degrau que faltava para a queda do Governo de José Sócrates que foi precipitada pela crise política criada com a rejeição do PEC IV - Programa de Estabilidade e Crescimento IV, a 23 de Março de 2011.

Não sei se já estão ou não acessíveis os documentos confidenciais de tal facto porque será apenas por eles que se saberá com rigor por que razão o país foi forçado, a procurar ajuda externa. Na Assembleia da República os votos contra da direita PSD e CDS/PP, do PCP e do BE provocaram a queda do Governo do Eng, José Sócrates justificado pelas medidas de austeridade contidas no PEC IV que posteriormente acabaram por ser contempladas no memorando da troika que o Governo que Passos Coelho acabou por agravar.

No caso particular de Teixeira dos Santos a condecoração, do meu ponto de vista, contem um simbolismo que não podemos desligar do contributo indireto que ele teve para a queda do Governo, para a vinda da troika e para que a direita chegasse ao poder, facto que o senhor Presidente não podia deixar de louvar.

É bom recordar que Teixeira dos Santos foi quem em 2008 pediu a nacionalização do BPN, propriedade da Sociedade Lusa de Negócios, e que justificou na altura que está “numa situação muito perto da iminente rutura de pagamentos”, e sublinhou que a instituição “não tendo vindo a cumprir os rácios mínimos solvabilidade” impostos pelo Banco de Portugal e não existem perspetivas de que encontre, a curto prazo, "novas fontes de liquidez". E termina dizendo que “Face à inexistência de uma solução que permita defender o interesse dos depositantes, o Governo viu-se obrigado a propor à Assembleia da República a nacionalização do BPN”.

Todos sabemos quem eram as figuras públicas que estavam ligadas, tinham negócios ou utilizaram o BPN.  Mesmo que se queira não podemos deixar de fazer conotações com esta condecoração.

Esta condecoração foi um reforço para intensificar e maximizar um sintoma de recuperação de parte duma memória social e política que possa de algum modo, através da recordação, minimizar a situação evolutiva do prenúncio dum futuro que está mais ou menos determinado, que é a perda de eleições pela direita neoliberal.

Publicado por Manuel Rodrigues às 20:14
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Terça-feira, 9 de Junho de 2015

A campanha das causas da violência

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Em plena campanha de captação de votos Passos Coelho e Paulo Portas, os dois evangelistas da coligação PAF, dizem cá para fora uma coisa, mas lá bem no fundo os seus “corações” pensam outra. Isto é, falam para os potenciais eleitores que, para eles, não passam de números expressos em votos, as pessoas enquanto tal não são o motivo das suas preocupações.

Durante estes quatro anos o discurso de Passo Coelho e a estratégia comunicacional do seu Governo não foi o de mobilizar a sociedade para um projeto conjunto, mas antes o de criar clivagens dividindo-a com objetivos bem definidos: dividir para poder governar sem contestação a fim de conseguir os seus intentos. Foi o setor público contra o privado, os jovens contra os idosos, os que não têm trabalho contra os que o têm, trabalhadores precários contra os trabalhadores a contrato, pensionistas contra pensionistas, professores contra professores, etc.. Não foi só ele, também elementos do seu Governo, como Miguel Relvas, o disseram. Escusa de desmentir e desafiar para que o provem porque é coisa muito fácil de fazer sem muito esforço.

Parece que aquele discurso tem dado os seus frutos. A desmobilização de contestações, a falta de interesse de discutir direitos e deveres, a indiferença perante tudo o que seja política, o comodismo, o conformismo, o desinteresse da sociedade por tudo o que seja política, o cultivo do individualismo feroz e a competitividade por um posto de trabalho mal pago.

Não é por acaso que a violência em Portugal tem-se agravado e, nos últimos anos, tem verificado um aumento significativo dos números. Há vários fatores explicativos. Os alinhados com a atual política do governo desvalorizam estes números e afirmam que sempre houve violência mas que não lhe era dada visibilidade. Estas almas que tal afirmam pretendem tapar o sol com a peneira. A tal visibilidade dada pelos órgãos de comunicação social só é dado porque o fenómeno está em expansão e, por isso, não passa despercebida.

Sendo um fenómeno multifatorial pode por isso ter várias explicações. Algumas são devidas à mediatização dos casos, outras à variável socioeconómica, mas a forma como o Governo tem resolvido a crise tem ajudado a agravar a ansiedade e a desesperança que são contributos para a violência.

A perda do poder real de compra, a falta de recursos para cuidar da saúde, agravamento e as dificuldades criadas ao Serviço Nacional de Saúde, a forma como as pessoas fazem a leitura da impunidade para alguns e a severidade injustificada da justiça para outros, a perda de emprego, impossibilidade de cumprir compromissos por motivos não imputáveis aos próprios, privações económicas e familiares, entre outros, podem ter influência nos comportamentos individuais de violência familiar e social manifestada aos seu vários níveis. Há cada vez mais agressividade no dia-a-dia.

O fenómeno da violência para de associado aos fatores atrás referidos, a crise em si mesma gerou medidas imprevisíveis e draconianas num curtíssimo espaço de tempo, e o discurso político e as mensagens passadas pelo Governo têm dado sem dúvida o seu contributo, e muito.

A violência doméstica também subiu em flecha. Ela é uma das causas da degradação social provocada pela violência das medidas cegas tomadas por um Governo que vê apenas nos números da macroeconomia o seu único objetivo colocando as pessoas ao nível de danos colaterais.  

Constata-se também a violência exercida por cidadãos sobre outros cidadãos funcionários das finanças, como se eles fossem os causadores das desgraças que lhes bateu à porta;

A violência sobre professores é outro dos fenómenos que piorou no tempo de Maria de Lurdes Rodrigues quando era ministra da educação e se agravou com o ministério de Nuno Crato que contribui em força para a continuar a descredibilizar e a desautorizar os professores. No campo da educação a forma e os processos utilizados contribuíram para um reforço dos comportamentos de violência por parte de alunos e de encarregados de educação.

Os Anuários Estatísticos do INE e as estatísticas da justiça mostram que no ano letivo de 2013/2014 foram registados 6693 ilícitos em ambiente escolar mais 5,4% que no ano letivo anterior, dos quais 1665 foram ofensas corporais. A justificação dada por pretensos especialistas em educação, afetos à maioria governamental, diz que não é bem assim, e que, muitas das vezes a responsabilidade pertence aos professores. Fala quem não está no terreno ou então tentam a desculpabilização dos responsáveis da tutela.

Por razões que afetam as suas vidas e talvez por desconhecimento da verdadeira causa dos problemas que enfrentam as pessoas tendem a manifestar a sua revolta e desagrado onde podem. A degradação do Serviço Nacional de Saúde pode ser um dos muitos exemplo. Veja-se o que aconteceu nas urgências dos hospitais durante o último inverno (só mês de janeiro). Segundo o Observatório Nacional da Violência contra os Profissionais de Saúde foram verificadas 33 notificações de violência contra profissionais do Serviço Nacional de Saúde, próximas das que se verificaram em todo o ano de 2007. Desde então os números nunca pararam de crescer como mostra o gráfico seguinte.

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A violência que nos últimos anos se tem manifestado dos modos mais diversos. Não ver que há uma associação entre o aumento da violência a crise e o projeto do Governo neoliberal que tomou medidas que nem o próprio memorando da troika contemplava e até as agravou, é viver um estado de fantasia política.

Publicado por Manuel Rodrigues às 19:03
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Quarta-feira, 27 de Maio de 2015

Falta de paciência para a coligação

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Estou na beira interior longe do bulício da informação política, mas não resisto a dar uma olhadela. Por muita que se tenha, começa a faltar a paciência para aturar esta coligação do Governo. Truques, mentiras, omissões, atrapalhações, dito por não dito. A última foi a senhora ministra das finanças Maria Luís Albuquerque com todo à vontade e perante os deputados da oposição, negar que tinha dito que era necessário por uma questão de sustentabilidade a possibilidade de cortar nas pensões em pagamento.   

Não satisfeita com este ato de mentira descarada e face ao Documento de Estratégia Orçamental que enviou para Bruxelas que incluía um cortar 600 milhões de euros nas pensões a pagamento com o qual a oposição a confrontou não respondeu diretamente à questão e avançou com uma trapalhada qualquer sobre receita e despesa no sentido positivo, negando o inegável.

A hipocrisia do Governo e do PSD é lamentável. Quer consensos com o PS sem apresentar quaisquer propostas para discussão. A estratégia deste Governo é estar a transformar-se num partidos que faz oposição à oposição em vez de apresentar claramente o que pretende vir a fazer caso ganhe as eleições.

Ainda hoje, vimos e ouvimos na sede do CDS Mota Soares e Marco António Costa que em vez de falar dos projetos da coligação passou o tempo a falar das propostas do PS. Há uma coisa que é certa, este Governo nasceu da mentira antes das eleições, mente durante o mandato e faz omissões ou mente no que respeita ao futuro.  

Será que ainda há paciência para a ouvir esta gente a falar?

Parece que sim, e eu sou um deles, mas começa a faltara paciência…

Publicado por Manuel Rodrigues às 22:31
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Segunda-feira, 11 de Maio de 2015

Eu também quero ter a minha biografia

 

Sim, também quero publicar a minha biografia muito rica de uma vida comum de muitas dezenas de anos, mais do que a de Passos Coelho que é um caso paradigmático do corriqueirismo bacoco e dum populismo pessoal eleitoralista e confrangedor.

"Que feitos tem este recente ex-jota para nos dar a conhecer?", diz Maria Helena Magalhães no jornal i.

E, pergunto eu, que factos da curta vida política e pessoal de Passos Coelho nos poderão interessar? Que tem voz de barítono, que canta, que vai à padaria comprar pão para o pequeno-almoço, que ajuda a sua esposa a colocar a louça na máquina, que canta a morna, (mal empregada morna) e outras triviais coisas do quotidiano. Que é isto senão populismo eleitoral para enganar cidadãos para que se identifiquem com ele na vida quotidiana, sem saberem que estão a ser logrados e que isso não é condição necessária nem suficiente para ser um bom líder e, muito menos, governante.

Que riqueza de vida, de dedicação à causa pública e humanista que lhe foram dadas pela JSD que tem a veleidade a ter direito a uma biografia!? A que estado grotesco as personalidades políticas deste país chegaram! A que condição caricata chegou este país que presta homenagem à mediocridade de vidas dos políticos que nos que condenaram  e pretendem ainda condenar por mais tempo à mediocridade de vida os cidadãos que dizem governar.

A biografia de Passos Coelho escrita por uma assessora do PSD omite propositadamente aspetos importantes da vida e carreira política que não seriam abonatórias para a propaganda do perfil a divulgar.

Sobre a referida biografia, Pacheco Pereira escreveu no sábado o seguinte no jornal Público que passo transcrever: 

"A vida política de Passos Coelho, desde a sua passagem pela União dos Estudantes Comunistas, continuando pela sua ascensão na JSD, as suas experiências eleitorais falhadas na Distrital de Lisboa (uma delas comigo, em que perdeu), a sua campanha autárquica na Amadora, tudo isso parece à autora irrelevante. O mesmo se passa com a vida profissional de Passos Coelho, assombrada de “casos” como a Tecnoforma, os não pagamentos para a Segurança Social, e outras obscuridades, que não merecem à autora sequer o esforço de tentar ir mais longe. Fala deles porque tinha que falar, mas enuncia-os mais do que os relata. Aliás, repete uns mitos circulantes sobre a resistência “heróica” de Passos Coelho a Cavaco Silva na JSD, de que o mínimo que se possa dizer é que não foi bem assim. Para além do facto de as propostas de Passos e da JSD serem aquilo que ele hoje demonizaria como “despesistas”, as más relações entre Passos e Cavaco tinham a ver com outras razões como seja o facto de haver sistemáticas fugas de informação das reuniões da comissão política, por singular coincidência centradas nas próprias intervenções de Passos Coelho, muitas vezes confusas e incompreensíveis. 

É que há um traço de carácter evidente na biografia real de Passos Coelho, completamente omitido, a sua ambição política e a sua capacidade de orientar a sua carreira para esses objectivos e, mais do que isso, o facto de ele ter sido de há muito o candidato apoiado e preparado e levado ao colo por certos grupos internos no PSD e certos grupos de influência e interesses com um pé dentro e outro fora do PSD. Passos foi, como dizem os ingleses, grooming, treinado, preparado e promovido para chegar onde chegou e foi, como se viu, uma boa escolha."

A biografia de Passos Coelho não é mais do que um panfleto autopromocional para captar votos com base num perfil pessoal fraco em vez dum projeto político consistente para Portugal.

 

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 13:12
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Quarta-feira, 26 de Novembro de 2014

Descubra quem são os Dantas da política

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Uma crónica sobre o Manifesto Anti Dantas, escrito por Almada Negreiro, levou-me a fazer a sua releitura e achei a sua atualidade inegável face aos Dantas e comentadores da política que por aí proliferam.  

Júlio Dantas foi uma espécie de "chico cortiça" que se compatibilizou com todos os regimes políticos da sua época desde a Monarquia até ao Estado Novo, passando pela Primeira República e, daí, Almada Negreiros e outros intelectuais da época o terem considerado oportunista e retrogrado. Foi deputado pela Monarquia, ministro da educação na Primeira República e embaixador no Estado Novo.

Sem mais, passo a transcrever extratos do referido poema deixando que cada um faça as associações convenientes ao que hoje se passa pela política e por quem nos governa.

Todavia, faço questão de esclarecer que ser antipolíticos (anti alguns) não é o mesmo que estar contra a política nem contra todos os políticos.

Não sou Dantas, não sei escrever, não sou antipolítica mas aqui vai.

Veja também os vídeos.

 

 Basta pum basta!!!

 

Uma geração que consente deixar-se representar por um Dantas é uma geração que nunca o foi. É um coio d'indigentes, d'indignos e de cegos! É uma resma de charlatães e de vendidos, e só pode parir abaixo de zero!

 

Abaixo a geração!

 

Morra o Dantas, morra! Pim!

 

Uma geração com um Dantas a cavalo é um burro impotente!

 

Uma geração com um Dantas ao leme é uma canoa em seco!

 

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O Dantas é um habilidoso!

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O Dantas é Dantas!

 

O Dantas é Júlio!

 

Morra o Dantas, morra! Pim!

 

O Dantas fez uma soror Mariana que tanto o podia ser como a soror Inês ou a Inês de Castro, ou a Leonor Teles, ou o Mestre d'Avis, ou a Dona Constança, ou a Nau Catrineta, ou a Maria Rapaz!

 

E o Dantas teve claque! E o Dantas teve palmas! E o Dantas agradeceu!

 

O Dantas é um ciganão!

 

Não é preciso ir pró Rossio pra se ser pantomineiro, basta ser-se pantomineiro!

 

Não é preciso disfarçar-se pra se ser salteador, basta escrever como o Dantas! Basta não ter escrúpulos nem morais, nem artísticos, nem humanos! Basta andar com as modas, com as políticas e com as opiniões! Basta usar o tal sorrisinho, basta ser muito delicado, e usar coco e olhos meigos! Basta ser Judas! Basta ser Dantas!

 

Morra o Dantas, morra! Pim!

 

O Dantas nasceu para provar que nem todos os que escrevem sabem escrever!

 

O Dantas é um autómato que deita pra fora o que a gente já sabe o que vai sair... Mas é preciso deitar dinheiro!

 

O Dantas é um soneto dele-próprio!

 

O Dantas em génio nem chega a pólvora seca e em talento é pim-pam-pum.

 

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Morra o Dantas, morra! Pim!

 

O Dantas é o escárnio da consciência!

 

Se o Dantas é português eu quero ser espanhol!

 

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O Dantas é a meta da decadência mental!

 

E ainda há quem não core quando diz admirar o Dantas!

 

E ainda há quem lhe estenda a mão!

 

E quem lhe lave a roupa!

 

E quem tenha dó do Dantas!

 

E ainda há quem duvide que o Dantas não vale nada, e que não sabe nada, e que nem é inteligente, nem decente, nem zero!

 

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E as convicções urgentes do homem Cristo Pai e as convicções catitas do homem Cristo Filho!...

 

E os concertos do Blanch! E as estátuas ao leme, ao Eça e ao despertar e a tudo! E tudo o que seja arte em Portugal! E tudo! Tudo por causa do Dantas!

 

Morra o Dantas, morra! Pim!

 

Portugal que com todos estes senhores conseguiu a classificação do país mas atrasado da Europa e de todo o Mundo! O país mais selvagem de todas as Áfricas! O exílio dos degredados e dos indiferentes! A África reclusa dos europeus! O entulho das desvantagens e dos sobejos! Portugal inteiro há-de abrir os olhos um dia - se é que a sua cegueira não é incurável e então gritará comigo, a meu lado, a necessidade que Portugal tem de ser qualquer coisa de asseado!

 

Morra o Dantas, morra! Pim!

 

Autor: Almada Negreiros (1893-1970)

Ler a versão completa em: http://www.munseys.com/diskfive/adan.pdf

 

 

Pim! from Gonçalo Nobre on Vimeo.

Publicado por Manuel Rodrigues às 17:37
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Segunda-feira, 31 de Março de 2014

Os ruidosos

O que devemos reter sobre o que se passou a semana anterior em torno caso das pensões é que jamais se deve dar crédito aos elementos deste governo de Passo Coelho e a ele próprio, porque, para esta gente, o que é hoje já não é amanhã. É bom que todos nos lembremos disto quando formos votar, mesmo nas eleições europeias, porque seremos um reflexo na Europa do que formos em Portugal.

 

Estes senhores do faz de conta que governam, experientes em disparates, trapalhadas e enganos, quando os cometem refugiam-se e apressam-se a dizer que houve falha de comunicação e que, o que estava subjacente não era bem isto, mas aquilo… Outras vezes queixam-se do ruído da comunicação que eles próprios criam, propositadamente ou por incompetência. Mesmo tendo colocado Poiares Maduro como responsável pela dita comunicação do governo pouco ou nada melhorou, em alguns casos até piorou tal como se viu na semana anterior.

As declarações do secretário de estado da Administração Pública num "briefing" foram a base para o ruído causado, não digo pela comunicação o social já que ela foi mais ou menos coerente no relato das declarações, mas refiro-me à trapalhada e à atrapalhação de elementos do Governo onde claro está, não poderia deixar de estar incluído o primeiro-ministro Passo Coelho.

Aquela semana foi dominada por declarações contraditórias sobre os cortes de pensões e sobre a sua transformação ou não em definitivos. Os cortes de pensões e de salários são a matéria preferida do Governo, aliás única, sobre a qual conseguiu governar, mal, até hoje.

Quanto ao vice-primeiro ministro, como anda no joguinho do toca e foge, lança umas tantas bocas costumeiras, depois recua para não dar muito nas vistas.

Nesta polémica do diz, que diz, mas não disse o que disse, etc., estiveram no centro da polémica, para além do referido secretário de estado, Passos Coelho falando em prudência, Paulo Portas com o desmentido ao secretário de estado afirmando que foi um "erro" que não devia ter acontecido", Marques Guedes, dizendo que foi um "alarmismo injustificado" e Luís Albuquerque a dizer que nada estava decidido. A confusão e a trapalhada estavam lançadas.

Até Marque Mendes, um dos comentadores pró-governo da televisão, afirmou sobre os cortes nas pensões: "uma trapalhada monumental". “Mais do que um problema de comunicação, esta é uma trapalhada monumental, a grande trapalhada da semana”. 

O que devemos reter sobre o que se passou a semana anterior em torno caso das pensões é que jamais se deve dar crédito aos elementos deste governo de Passo Coelho e a ele próprio, porque, para esta gente, o que é hoje já não é amanhã. É bom que todos nos lembremos disto quando formos votar, mesmo nas eleições europeias, porque seremos um reflexo na Europa do que formos em Portugal.

Publicado por Manuel Rodrigues às 17:07
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Segunda-feira, 24 de Março de 2014

Viva a alegria dos números e a campanha eleitoral do Governo

Tenho andado atento ao vários noticiários das televisões e, estou muito enganado ou a maior parte dos canais está num alinhamento pró-governo, com algumas exceções, não estivesse já a preparar o caminho para as eleições. Por todo os canais proliferam notícias otimistas de sucessos do Governo no que respeita a índices macroeconómicos que, dizem, estão a revelar a recuperação económica.

Os dados são de otimismo e, como é costume dizer, os números não mentem, o que podem é estar enviesados, não premeditadamente mas conjunturalmente. Mas de qualquer forma o que pretendem é mostrar que se deu nestes últimos meses um "autêntico milagre", pelo menos no que respeita aos anúncios dados pela comunicação social.

Alguns canais de televisão e comentadores políticos parece que foram tomados por vigor apologético pró-governamental, muito bem encoberto de isenção, como preparação para a campanha eleitoral.

Penso que nenhum canal salientou, não sei se intencionalmente, uma frase da intervenção do primeiro-ministro hoje, salvo erro, em Viseu, que se referia a Portugal e aos portugueses e passo a citar: “Estão a falar de uma Europa que não existe, nem existirá e ainda bem, porque ninguém aceitaria uma Europa em que uns poupam para que outros possam gastar”

Por acaso alguém se apercebeu da gravidade do que disse hoje o primeiro-ministro, colando-se nitidamente à linha da direita mais radical da Europa. Analise-se a frase e vejam o desrespeito pelos portugueses e a falta de patriotismo. No meu entender é estar a comunicar para o exterior que os portugueses são gastadores ao lado dos outros países, conhecendo ele os dados que saíram sobre a pobreza em Portugal. Sobre isto os mercados já não o preocupam.  

Um primeiro-ministro que expõe e difama o povo que governa perante o estrangeiro e que, em vez de o defender, alinha com as críticas que têm sido feitas aos portugueses do exterior, não merece ser ministro de um país, como afirmou Constança Cunha e Sá na TVI24.

É por estas e por outras que, nas eleições europeias, todos em conjunto devemos bater-nos para que a direita mais radical saia derrotada a fim de que todos possamos, na UE,  ter uma esperança no futuro.  

Publicado por Manuel Rodrigues às 23:36
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Domingo, 3 de Novembro de 2013

Os portugueses, o coelho e a Alice no país das maravilhas

 

 No tempo de Sócrates várias vezes se disse que ele pensava estar viver no país da maravilhas, eu disse-o no blog antinomias, o tempo de Coelho transportou-nos para a queda  num buraco como aquele do conto de Lewis Carrol onde Alice caiu. Alice, no seu sonho, caiu pela toca do coelho debaixo de uma sebe. Ao seguir o coelho nem sequer pensou de como poderia voltar a sair.

 

 

 

Numa tradução do livro de Lewis Carrol, Aventuras de Alice no País da Maravilhas, pode ler-se:


A toca prosseguia a direito, como um túnel, por uma certa distância, para logo se inclinar subitamente para baixo, tão subitamente que Alice não teve um instante que fosse para pensar em travar antes de se ver a cair por um poço muito fundo abaixo.


Mais adiante Carrol escreve:


... ou o poço era muito fundo ou ela caía muito devagarinho, porque o certo é que teve imenso tempo para olhar em volta, enquanto descia, e tentar imaginar o que lhe iria suceder em seguida... De passagem, tirou um boião de um dos armários. Tinha um rótulo onde se lia «DOCE DE LARANJA», mas para seu grande desapontamento, estava vazio.".


Alice pensou ainda que, conforme escreve o autor,


"Depois de uma queda como esta, que importância posso eu dar a qualquer trambolhão por uma escada abaixo! E caía, caía, caía. Seria possível que aquela queda nunca chegasse ao fim?"


Ao reler o conto logo me ocorreu uma metáfora com o momento político. Alice, são todos quantos de nós portugueses se deixaram, e alguns ainda deixam, atrair por um coelho que em tempo atraiu as atenções e que, ao irmos atrás dele, nos levou à queda num poço com fundo interminável durante a qual, fascinados por um boião com doce cor de laranja que, afinal, contrariamente ao da história que estava simplesmente vazio, este ao ser aberto estava estragado e azedo.

Poderíamos encontrar neste magnifico conto muitas outras situações adaptáveis à nossa realidade. Não resisto a transcrever a passagem do diálogo com a Lagarta, após Alice ter bebido um frasco contendo um líquido que a fez encolher.

 

Estás satisfeita com o tamanho que tens agora? - perguntou a Lagarta.

- Olhe, senhor, eu gostava de ser um bocadinho maior, se não se importasse! - respondeu Alice. - É que, realmente, oito centímetros não é altura que se tenha.

- Pois fica sabendo que é uma altura ótima! - gritou a Lagarta, furiosa, ao mesmo tempo que se punha de pé (tinha precisamente oito centímetros de altura).

- Mas eu não estou habituada! - defendeu-se a pobre Alice em tom lamentoso. E, para consigo, pensou: "Quem dera que estas criaturinhas não se ofendessem tão facilmente!"

- Com o tempo, logo te habituas! - disse a Lagarta. E, pondo novamente o narguilé na boca, desatou a fumar.


Alice continuamos a ser nós o povo que, sem saber o que lhe aconteceu, está a pagar uma fatura de encolhimento involuntária e o que (o governo Lagarta) nos tem para dizer é que nos temos que habituar à míngua a que nos violentaram pela bebida amarga que, ao contrário de Alice, nos deram a beber obrigatoriamente. Somos um povo demasiado dócil que aceitamos tudo o que nos dão, por isso não temos que nos queixar.

Isto leva-nos à ordem da Rainha para que cortassem a cabeça à Alice:

 

Como é que eu poderia saber?", disse Alice surpreendida por sua coragem. "Não é da minha conta."

A Rainha ficou vermelha de raiva e depois de encará-la por um momento como uma fera selvagem, começou a gritar: "Cortem-lhe a cabeça! Cortem-lhe...


Publicado por Manuel Rodrigues às 22:01
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Segunda-feira, 16 de Setembro de 2013

Léxico do politiquês

Marques Mendes na Revista Visão de quinta-feira defende a liberdade de escolha na educação que se prevê ser consubstanciada pelo governo num tal cheque-ensino ao qual nem sequer se refere, pelo menos enquanto conceito. Mas sobre este tema pode ler-se o blog seguinte.

O que achei espantoso, e apenas como um exercício de linguagem politica, foi o senhor propagandista em determinado momento do seu artigo de opinião se referir a uma coligação negativa de uma determinada direita burocrática com a esquerda mais conservadora. Espanto meu! Comecei logo a pensar em rever e reestudar toda a minha linguagem política. Estava perante uma autêntica revolução dos conceitos naquela ciência.

A literatura e jornalismo políticos sempre se referiram à direita como os conservadores (embora direita e esquerda não sejam fáceis de delimitar nos seus espectros políticos). Na Inglaterra há os Trabalhistas e os Conservadores, nos EUA os Republicanos, também denominados conservadores e os Democratas e, em qualquer dos países, segundo eles, os conservadores são assim chamados assumidamente com muita honra. Então fiquei baralhado.

A direita combate a esquerda por esta ser pelo progresso e pela evolução de uma política mais virada para o social em vez da manutenção das estruturas sociais mais clássicas e conservadoras.  Agora Marques Mendes chama-lhes conservadores. Para ele, com certeza, a palavra conservador, em política, adapta-se consoante os interesses do momento para confundir os patetas dos portugueses que este governo deve considerar mentecaptos. Pelo menos assim parece, de acordo com a baralhada das intervenções do primeiro-ministro, quer pelos termos utilizados quer pelo tipo de leis que manda elaborar e aprovar. Requalificação em vez de despedimentos, poupanças em vez de cortes, convergência em vez de cortes nas pensões, mobilidade especial em vez de deslocações forçadas… São tanta e tais que nem há paciência para escrever todas. Davam um dicionário de coelhês.

Já cá faltava também este com uma novilíngua como a do governo. 

 

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 23:16
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Livros que já li

Prisioneiros da Geografia Tim Marshall As cidades invisíveis Italo Calvino Quando Portugal Ardeu Miguel Carvalho A Vida Secreta dos Livros O Romancista ingenuo e o sentimental de Orham Pamuk malbe

Os porques da esperança.png

Demorei algum tempo a ler este livro mais do que o costume. Livro sobre a política nacional sobre a forma de entrevistas que passaram na TVI 24 efetuada por um provocador nato cujas respostas são dadas por um astuto tribuno da palavra. Livro que aborda temas nacionais da política recente com uma abordagem em que as palavras se se entrelaçam com alguma exposições mais académicas. Um bom manual para quem se interesse pela política em Portugal nos últimos tempos.  

 

 

Piketty_Capit_SecXXI


Memoráveis


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Rodrigues, Manuel A (2011). Geografia Social Urbana na Licenciatura em Educação Social, Cadernos de Investigação Aplicada, (5). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas


Rodrigues, Manuel A (2010). Didática da Geografia: recurso à Literatura como proposta interdisciplinar, Cadernos de Investigação Aplicada, (4). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas. .


Rodrigues, Manuel A (2008). Televisão e os efeitos de exposição a mensagens televisivas na educação: o efeito da terceira pessoa, Cadernos de Investigação Aplicada, (2). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas.


Rodrigues, Manuel A (2005). Do Presencial ao Online: um estudo de sobre a atitude de estudantes face a situação de aprendizagem online, Actas do VII Simpósio Internacional de Informática Educativa-SIIE05, Escola Superior de Educação de Leiria.


Rodrigues, Manuel A (2004). Um Modelo de Formação em Ambiente Misto de e-Learning (Blended Learning): uma experiência na disciplina de Tecnologia Educacional, Actas da Conferência eLes’04: e-Learning no Ensino Superior, Universidade de Aveiro.


Rodrigues, Manuel A (2004). Marionetas em Liberdade: a identidade pe(r)dida com as novas exigências curriculares, Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas.


Rodrigues, Manuel A (2000). Ciberespaço, Internet e as Fronteiras da Comunicação Educacional, Lisboa, Universidade Aberta. Porbase, CDU 37.01(043), 159.95043), 005.73Internet(043.2),371.1043)

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