Segunda-feira, 18 de Setembro de 2017

Um regresso ao passado através de Salazar

Discurso salazarista.png

Acabei de ler o este livro que foi o resultado de uma tese de doutoramento de Moisés de Lemos Martins em 1990. Esta é uma 2ª edição lançada em dezembro de 2016.

Escrita por um sociólogo que não se poupou a linguagens técnicas do discurso filosófico e sociológico torna-se, especialmente na primeira parte do livro, de leitura difícil para o comum dos cidadãos que não possua uma formação académica numa daquelas áreas.

O livro é uma análise de conteúdo do ponto de vista semiológica e interpretativo da política salazarista através dos seus discursos que o autor várias vezes cita. Os discursos de Salazar desde 1928 foram construídos para uma política redutora da sociedade portuguesa que necessitava duma regenerescência concretizada através duma construção minimalista da nação pelo somatório das células familiares que ele considerava ser essencial para o controle e manutenção da ordem social, mas que era redutor no seu conjunto e apenas como corpo da nação.

Os sistemas partidários destroem as nações são os fabricantes da mentira comparado com verdade do regime. A ordem militar prevenia a desordem civil. A nação era um corpo cujos órgãos necessitavam de regeneração e consequente de normalização.

Dizia Salazar num dos seus discursos “O lar desagrega este, separa os membros da família, torna-os um pouco estranhos uns dos outros”.  E noutro ainda “A União Nacional vincula os indivíduos a uma disciplina que previne os efeitos da divisão irracional do espaço nacional, da exploração das paixões dos indivíduos, da sua concentração doentia (espirito de grupo, de partidos, etc.)”.

Para o autor era a tecnologia da obediência, para Salazar a disciplina ética que prevenia a fragmentação nacional instaurada pela violência dos partidos. Ora, os órgãos da nação doente necessitavam de uma reordenação disciplinar através dum conjunto de táticas que combatessem a fragmentação e a irracionalidade da pátria. Mais adiante o discurso salazarista afirma implicitamente que pretende prevenir a revolução social, a luta de classes, a associação revolucionária, quer dizer, «a força ao serviço da desordem», a disciplina ética impõe o «espírito corporativo» a todos os interesses materiais e morais da nação.

Uma leitura acrítica da mensagem salazarista pode levar alguns a saudosismos ideológicos da filosofia política de Salazar que ainda andam por aí.

Enfim um livro difícil, mas interessante.

Publicado por Manuel Rodrigues às 13:26
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Quinta-feira, 14 de Setembro de 2017

Direitalhos

Direitalho.png

A direita normalmente não tem senso de autocrítica, e seguramente não se questiona sobre seus próprios equívocos. A direita perde a confiança do eleitorado, apesar de ter toda a máquina mediática nas suas mãos e começa a sentir que não têm líderes com credibilidade suficiente.

Não apresenta políticas inovadoras, mantem-se no neoliberalismo anti estado social que se provou fazer duvidosas privatizações. O conservadorismo religioso católico está colado à direita que pretende esta tome conta do país. A direita utiliza falsos discursos sociais democratas, mas que, prontamente, descarta uma vez chegada ao poder. Limita-se a reproduzir mantras repercutidos à exaustão como o de a esquerda é incompetente.

Com a economia em ciclo de crise tenta descobrir corrupção na esquerda para fazer esquecer a sua própria, que é mais eficaz, oculta e guardada por arames farpados e cães de guarda que a protegem para tachar a esquerda de economicamente incompetente e irresponsável.   

Poderiam, quando no poder, pensar num verdadeiro do sistema judiciário para lidar com a corrupção de maneira estrutural e institucional (porque corrupção não tem lado e não é apenas um problema pessoal) e acabar com a morosidade dos tribunais que impossibilitam o equilíbrio entre a presunção da inocência e a condenação necessários para a construção de um executivo ético. Mas não, limitaram-se a mudar o visível, o físico e o superficial, mantendo o que necessitava ser mudado.

Para esta situação contribuem os do clube dos direitalhos formado a partir de adeptos direitistas que são todos os que são da verdadeira direita democrática. Direitalho é uma palavra que não faz parte do vocabulário português e o seu antónimo é a palavra esquerdalho, mencionada com sentido pejorativo por alguns que se dizem contra a esquerda, seja qual for o motivo. A palavra esquerdalho faz parte do léxico dos direitalhos frequentadores das redes socias e dos comentários dos jornais online e nos blogs. Deixaremos para outra ocasião os esquerdalhos que, apesar de se encontrarem do lado oposto, abraçam a mesma linguagem, mas de sinal contrário.

Para os direitalhos, esquerdalhos são todos os que não são de direita, os que não são neoliberais, os que não são radicais de direita, os que não perfilham ideias e princípios fascizantes, os que são pela manutenção do status quo que abandona uns setores da sociedade em favorecimento de outros. Os direitalhos não sabem porque o são, nem lhes interessa saber. São direitalhos e chega.

Acham que lhes dá um certo estatuto e aceitação na ordem social. Muitos vivendo apenas do seu salário alinham com os que defendem baixar impostos para uns, os mais favorecidos, e aumentá-los para os outros, privatizar tudo porque acham que poderão vir a obter vantagens, gostam que outros pensem que o seu estatuto social é superior, apenas, e só, porque são direitalhos. Outros têm potencial financeiro, mas cultura, valores e ética são baixos, mas, por outro lado mostram o seu fervor religioso católico através de todos as organizações onde se infiltram e mostram a sua grande religiosodade. Não fazemos discriminação de género, as direitalhas também são deste grupo. Muitas conseguiram, por vários fatores, trepar a um patamar onde se julgam pertencer à “high society” e pretendem distinguir-se pelo tratamento dos filhos ou netos por você, evocando quando acompanhados nomes sonates da sociedade, dando-se ares perante vizinhos e amigos.     

Os direitalhos apenas falam na necessidade de reformas, papagueando o que outros dizem, mas não identificam quais. São pelo imobilismo e não mostram interesse em acompanhar a europa. São contra o investimento público e alguns pertencem ao grupo daqueles que esperam que caia do céu o investimento privado e anseiam para que haja uma mão de obra dócil e barata, e quanto mais barata melhor. Os investidores defendidos pelos direitalhos são os que pretendem que o investimento efetuado hoje, ao fim de alguns meses, tenha retorno do capital mais o lucro.

Os direitalhos são contra tudo o que seja social, mas são a favor de tudo o que lhes possibilite a livre especulação, de preferência sem legislação laboral. Neles incluem-se os revanchistas, os invejosos, os xenófobos, os racistas, os que acham que a direita, a deles, resolve os problemas que enfrentam e que ainda ninguém resolveu, os que vivem na espectativa duma viragem direitalha para os resolver.

Direitalhos são também os que enxovalham os outros, os que difamam, os que caluniam sem prova, os que, escondidos pela capa do anonimato lançam denúncias, (que mais fazem lembrar elementos pidescos infiltrados), guardam na gaveta do lixo os mexericos e as falsas suspeições para oportunisticamente os lançar para a opinião pública através dos media que lhes dão cobertura. Utilizam o lema do vale tudo desde que seja contra os outros, e nada contra eles.

Há antigos líderes que, à falta de melhor, transformaram-se em formadores de putativos direitalhos da JSD, como o fez Cavaco Silva no Pontal. Desdenhou a ideologia, como se ele próprio não tivesse uma, e lançou disparates como duma possível realização duma revolução socialistas através do Governo. Identificou-se assim ele próprio como possível direitalho.

É importante esclarecer que no grupelho dos direitalhos não incluo os da verdadeira direita democrática, os que valorizam os valores democráticos, os que têm uma visão socialmente diferente para as soluções e problemas do país e das pessoas, e que, através duma oposição construtiva e de verdade, consigam ganhar o poder através dos mecanismos que a democracia proporciona.

Os direitalhos não são de direita, são contra a esquerda porque consegue baralhar os seus pobres espíritos politiqueiros. Não sabem o que é ser de direita, nem sabem o que é ser de esquerda. Porque não sabem o que é, nem uma, nem outra. Todos os que não sejam direitalhos são “comunas” e perigosos revolucionários. Imitam alguns esquerdalhos que dizem que os de direita são todos fascistas.  

Recorrendo a uma metáfora e como mero exercício intelectual podemos imaginar uma entrevista a um adepto dum clube de futebol e estabelecer uma analogia com o pensamento político do direitalho. Porque não se trata de qualquer crítica ao espírito desportivo dos que gostam de futebol o leitor deve ter em mente que esta analogia trata duma transposição a partir do espírito clubista.  A ideia é que leitor substitua a palavra clube pela palavra partido, a que um direitalho pertença, e imagine uma entrevista nesse sentido.

-Porque é do clube A?

-Porque os meus pais sempre foram desse clube e os meus vizinhos também são.

Pergunta-se a outro:

-Porque é do clube B?

-Porque me inscreveram no clube desde muito pequenino e dei por mim sendo sempre desse clube.

-Alguma vez criticou o seu clube?

-Só nas alturas em que perde. Mas luto sempre por ele.

-Acha que o seu clube lhe traz algumas vantagens pessoais e familiares?

-Sim porque me dá alegrias quando vence.

-Como considera os outros clubes?

-São do pior que há. São todos uns…E porque, “ó meu”, fico lixado por terem ganho. São todos trapaceiros.

 -E quando o seu clube ganha?

-Ah! Isso é diferente. Isso é devido à sua própria capacidade e competência.

-Pensou alguma vez mudar de clube?

-Nem pensar, serei deste clube até ao fim dos meus dias.

 

Os direitalhos que colocam posts aqui e ali são assim, de pensamento oco, e de menoridade mental e não entendem que a democracia possui um vasto espectro de opções e um enorme potencial para a resolução de problemas sem a necessidade de golpes baixos e  assim haja vontade participativa de todos.

Publicado por Manuel Rodrigues às 21:08
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Sexta-feira, 9 de Junho de 2017

Política do sofisma ou a direita enganadora

Retórica.png

A ação política faz-se pela palavra, pelo discurso. O discurso, mormente o discurso político, passa necessariamente pelos media, particularmente a televisão.

A linguagem dos políticos, todos, e dos comentadores da política, também, é sempre baseado na retórica. Tenho ao longo dos textos neste blog utilizado algumas vezes o conceito de retórica que atribuo aos discursos de alguns políticos, mais a uns do que a outros, embora tente distanciar-me, por vezes, sem sucesso. Vejam-se os comentadores da política que não de distanciam nem um milímetro da sua área ideológica, mesmo que a evidência da verdade lhes caia em cima da mesa do debate, o que é válido quer para os de direita, quer para os de esquerda.

Mas afinal o que se entende por retórica? Sem querer entrar na filosofia, ramo que não é do meu domínio, retórica é uma técnica de construção do discurso, cultivada pelos sofistas, que visa a criação de um texto fortemente persuasivo, através de um uso correto da linguagem e a que Platão opôs a dialética que é verdadeiro ou filosófico.

O filósofo belga Michel Meyer define retórica como “o encontro entre os homens e a linguagem na exposição das suas diferenças e das suas identidades. Sempre e em todos os casos, a relação retórica consagra uma distância social, psicológica e intelectual, que é contingente e de ocasião, e que é estrutural ao manifestar-se, entre outras formas, através de argumentos ou da sedução.”. Vemos que esta definição se encaixa perfeitamente na atitude política.

Quem tem paciência para assistir a debates políticos apercebe-se facilmente que há uma técnica já interiorizada pelos intervenientes cujo objetivo é o de levar aos que os escutam mudar sua opinião sobre determinada matéria ou questão, ou a reafirmá-la, se for o caso em que o emissor da mensagem se mostra convincente pelos gestos, pela voz, pela postura, pelo estilo, pela construção de silogismos retóricos através de vários estratagemas discursivos.

É isto que políticos e comentadores fazem, mesmo que contrariando evidências factuais reformulando todo o discurso desviando uma evidência para outro facto favorável a sua tese. Um exemplo evidente é o caso do PSD quando pretender transformar um sucesso do governo no seu próprio sucesso através de sofismas utilizando, para tal, argumentos deliberadamente falsos para tentar induzir em erro quem os escuta.

Sobretudo para a direita a verdade, como algo que à parte de e em possível conflito com as conveniências políticas e partidárias, deixou de fazer parte do seu universo de retóricas. Podemos, então, distinguir dois tipos de uso do discurso retórico: o pedagógico e esclarecedor e aquele que é demagógico e manipulador. Este último é o preferido pelos adeptos dos partidos, especialmente dos da direita, (embora à esquerda também se verifique, mas em menor escala), porque gostam de o ouvir não se apercebendo de que também estão a ser manipulados.

Assim, e para concluir, como se processa esta retórica dos inimigos do povo, como lhes chamam alguns radicais de esquerda?

Destruir e economia portuguesa fazendo crer que tudo o que fazem é a bem da economia e da competitividade com o sacrifício de muitos e, ao mesmo tempo, dizendo que é para bem de todos num futuro de amanhãs que cantam.  

Demonstrar que o que eles fazem ou dizem é a verdade absoluta e para os seus antagónico a verdade é sempre relativa.

Fazer constar que os indicadores sociais e da economia quando se encontram no poder são sempre positivos mesmo que o não sejam.

Mostrar que os mesmos indicadores quando favoráveis a quem está no poder são enganadores e que, se são positivos, é devido à ação da direita quando está no governo.

Demonstrar que qualquer decisão tomada que não seja pela direita conduzirá à chegada do diabo e ao cataclismo.

Retirar (cortar) o máximo de direitos básicos e ou constitucionais se possível que lhes possa dar mais margem de manobra.

Eliminar paulatinamente a classe média.

Fazer a apologia da austeridade drástica e intransigente com a título de reformas profundas na organização social sem explicitar o que por isso entende.

Mandar os jovens para o estrangeiro e os idosos (a peste grisalha) para o cemitério através de mecanismos que dificultem o acesso á saúde e propondo o corte nas reformas segundo o princípio demagógico de que não há alternativa.

Ampliar e maximizar o poder e os lucros dos seus fiéis para que lhes possam propiciar a sua permanência no poder.

Publicado por Manuel Rodrigues às 22:29
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Quarta-feira, 19 de Abril de 2017

Que gente é esta?

Publicidade enganosa.png

Há um anúncio enganador colocado como publicidade paga à Google que pretende angariar clientes (?) através do engano.

Que gente é esta que está por detrás desta publicidade enganosa que se serve da política para fins pouco claros?

A imagem e a legenda foram extraídos do portal www.vercapas.com que circula pela Internet . É um anúncio gerido pelo Google e é uma publicidade paga pelo anunciante cujo conteúdo pode ser visto em http://sl.empiricus.pt/pce02-colapso/?xpromo=XP-ME-GGL-PCE02-L1SUBPT-X-SDC-X-&=pce&gclid=CL7js_PqsNMCFQEL0woducoEDQ

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 17:02
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Sexta-feira, 14 de Abril de 2017

A leitura do momento

 

Quando Portugal Ardeu.png

Regressei do Portugal da Beira Interior para fugir das festas da época pascal na chamada província.  A Páscoa não é para mim. Fora das grande cidades vive-se intensamente esta época, mais do que o Natal que é o símbolo do nascimento. Na época da Páscoa são demasiados os rituais religiosos que estão ligados ao renascer da natureza com a chegada da primavera. Esta sim, é a ressurreição da vida que se faz notar por todo o lado de norte a sul se Portugal que o citadino não capta no meio da confusão do transito e das compras para a Páscoa.

É também um boa altura para iniciar leituras assim selecionei um livro cujo lançamento aconteceu este mês. História e jornalismo podem complementar-se quando este nos trás para o presente factos dum passado mais ou menos recente. São, todavia, relatos diferentes da história. O jornalismo recupera testemunhos e documentos, ajuda a recuperar a memória do povo, que tem tendência para o esquecimento, dá uma visão aos mais jovens do passado que não experienciaram. O livro “Quando Portugal Ardeu” de Miguel Carvalho que agora comecei a ler foi com base em testemunhos e documentos inéditos e não é de história é jornalismo como diz o autor.

Publicado por Manuel Rodrigues às 17:55
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Terça-feira, 11 de Abril de 2017

No meio do nada nestes calmos dias de primavera

No meio do nada.jpg

O que tem ultimamente tem acontecido na política não sei. Encontro-me no meio do nada e a televisão a ele se associa deixa-me respirar. Longe do palco da política em plena beira interior onde os jornais não chegam e a televisão é a única fonte de informação. Aqui a  Internet ainda é para alguns, senão um luxo devido ao seu custo mensal, algo desnecessário e a resistência à mudança não facilita a adaptação e essa coisa das novas tecnologias que não enchem barriga.

Para a gente destes lados basta-lhes serem bombardeados diariamente com os noticiários das televisões que apenas lhes mostram as desgraças do mundo e sobre a política do país dizem apenas o mau e omitem ou tornam impercetível, para muita desta gente, o que houver de bom.

Estas gentes raramente falam de política, fogem dela como o diabo foge da cruz. População envelhecida, nascida, criada e vivida no tempo da ditadura salazarista ficaram-lhes bem vincados os receios de outrora. Todavia, a abertura das conversas em que a política aflora, vai-se timidamente mostrando. Ainda hoje, numa conversa entre vizinhas onde falavam de galinhas, flores, cultura e estado do tempo veio à baila, não sei como, a política. Falaram de Cavaco Silva não percebi sobre o quê e, no meio do diálogo, uma delas disse para a outra que o «António Costa está lá agora, mas já devia lá estar há muitos anos». Conversa terminada. Numa região cavaquista e conservadora pareceu ser uma luz no meio da escuridão. Oxalá ela não se engane, e eu também não para bem de todos.

Entretanto vim para aqui trabalhar, sim, porque aqui trabalha-se nem que seja para apanhar as folhas que o inverno deixou pelo chão e cortar as ervas que a primavera trás. Nos intervalos o sossego do espaço que nos envolve proporciona à reflexão, não apenas sobre política, embora esta esteja cada vez mais presente em todo o lado sem que nos apercebamos, mas sobre outros temas que alimentam o espírito.

Antes de vir revi algumas obras de escritores clássicos folheando aqui e ali as suas páginas motivado pela leitura do livro “A Vida Secreta dos Livros” que li recentemente. Os clássicos parecem estar na moda pois nas livrarias proliferam reedições dessas obras mergulhadas nas estantes que pareceriam esquecidas e agora tomaram novamente vida.

Deparei-me então com uma descrição sobre como Júlio Verne, um dos escritores de antecipação científica, escreveu alguns dos seus livros. Quando adolescente li algumas das suas obras duas delas adaptadas ao cinema como, por exemplo, as “Vinte mil léguas submarinas” e “A volta ao Mundo em oitenta dias”. Mas há uma obra pouco divulgada publicada anos após a sua morte, “Paris no Século XX”. Este livro encontra-se esgotado em Portugal tendo apenas conseguindo uma edição em francês na Amazone.

Por achar de relevante importância porque muitos anos antes faz uma previsão do futuro como seria de facto uma cidade como Paris, e do mundo dito civilizado. Transcrevo uma pequena passagem, traduzida do original francês, daquele livro em que Júlio Verne faz uma descrição do futuro feito por um personagem como se vivenciasse antecipadamente um presente visto do tempo em que em o romance foi escrito, o futuro em 1960.

“O que diria um dos nossos antepassados por ver essas avenidas iluminadas com um brilho comparável ao do sol, esses mil carros que circulam sem fazer ruído por sobre as ruas de asfalto, as ricas lojas como palácios, onde a luz se espalha em brancas irradiações, essas vias de comunicação amplas como praças, essas praças vastas como planícies, esses hotéis imensos onde se alojam sumptuosamente vinte mil viajantes, esses viadutos tão leves; essas compridas galerias elegantes, essas pontes que cruzam de uma rua para outra, e enfim, esses comboios reluzentes que parecem navegar no ar a uma velocidade fantástica… Ter-se-ia surpreendido muito, sem dúvida; mas os homens de 1960 já não admiram estas maravilhas; desfrutam delas tranquilamente, sem por isso serem mais felizes, pois na sua atitude apressada, o seu caminhar ansioso, o seu espírito americano, sente-se que o demónio do dinheiro os move sem descanso nem piedade.”

(Hachette le cherche midi éditeur 1863, pág. 21).

Publicado por Manuel Rodrigues às 17:10
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Domingo, 26 de Março de 2017

Lógica e metáfora do PSD

Os dois caminhos.png

A observação do PSD sobre o valor do défice que foi conseguido faz-me lembrar o diálogo de Alice com o Gato no livro “Alice no país das maravilhas” de Lewis Carroll:

O senhor poderia dizer-me, por favor, qual o caminho que devo tomar para sair daqui?

Isso depende muito de para onde quer ir, respondeu o Gato.

Não me importo muito para onde, retorquiu Alice.

Então não importa o caminho que você escolha, disse o Gato.

Contanto que vá dar a algum lugar, completou Alice.

Oh! Se caminhar bastante pode ter a certeza que vai lá chegar, disse o Gato.

A lógica é a ciência do raciocínio que estabelece as regras que o pensamento e o discurso devem seguir para serem coerentes, e a metáfora é uma figura de estilo utilizada na oratória e na literatura que consiste em designar um objeto ou ideia por uma ou conjunto de palavras ligada por uma analogia que produza sentidos figurados.

Vem isto a propósito das considerações sobre a redução do défice para 2,1% que o PSD teve que reconhecer publicamente a meta atingida, embora pareça óbvio que não terá sido de boa vontade, não poderia, contudo, agir de outra forma. O PSD considerou a redução do défice “positiva”, mas "feita pelo caminho errado". Ora é neste ponto nos encontramos com a lógica e com a metáfora.

Se para atingir os 2,1% de défice seguiu-se um caminho errado, então o seu valor é falso porque, ou só havia um caminho o do PSD, ou havia outro também certo. Para o PSD a lógica é se algo não é homem, então não é mamífero, o que é uma falácia. 

Quer dizer, foi atingido o objetivo, mas seguiu-se o caminho errado. O PSD e CDS seguiam o caminho certo e não conseguiram chegar ao destino. Se tivessem seguido outro caminho mais tortuoso e longo, o mais provável seria ou não chegarem ao destino ou então chegariam bastante tarde ao destino carregando com as consequências.

Ora vejamos: quando seguimos por um caminho errado é pouco provável que cheguemos ao nosso destino, o que não foi o caso. Se optarmos por outro percurso, embora certo, mas tortuoso, chegaremos tarde ao destino. Resta saber qual seria o caminho certo para o PSD de modo a chegar ao destino sem ser fora de tempo. Poder-se-á sempre pensar que seria o caminho por ele traçado anteriormente, mas pleno de incertezas de poder chegar ao destino.

Consideremos por outro lado que a afirmação do PSD seria uma metáfora, cujo sentido figurado era o de que o PSD possuía a chave do problema, então para resolver a solução não seria a fechadura que abre a porta, mas o encontrar a chave certa. Quer dizer, o caminho correto seria unicamente o seguido pelo PSD que já ficou provado que não era o adequado, isto é, não tinha a chave certa para abrir a porta. Diz, no entanto, que o atual Governo a abriu com a chave que não era para aquela fechadura, o que não condiz com a afirmação prévia.

Se assim fosse o destino não teria sido atingido e o caminho correto seria outro. Porém, não está provado que esse outro caminho (a chave), o do PSD, fosse o certo. Pode questionar-se o PSD e o CDS sobre qual a sua orientação, se é que ela existe.

Publicado por Manuel Rodrigues às 15:52
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Sábado, 25 de Fevereiro de 2017

Isto está cada vez pior

Está cada vez pior.png

O pequeno episódio que lhes vou contar não é anedota nem tão pouco é da minha lavra ficcional, que é pouca. Encontro-me algures no interior da Beira Alta num lugarzito muito verde com visibilidade da Serra do Caramulo que os incêndios provocados por mãos incendiárias tornaram numa espécie de montes escalavrados.

Estou rodeado por pequenas parcelas de terras onde se inserem pequenas casa de imitação de mau gosto urbano, outras antigas rurais que, apesar de modernizadas mantiveram a sua traça rural e adequadas ao ambiente. Os quintais à volta são plantados, consoante a época, com as mais diversas culturas para consumo interno. O cultivo é a ocupação onde grande parte da população, já reformada, passa o seu tempo cavando, plantando, tratando, colhendo, numa rotina interminável onde o que varia são apenas as culturas nos pequenos talhões de acordo com as épocas do ano.

População muito conservadora, votante na direita, naquela que a democracia lhes proporcionou mas que se mais à direita houvesse assim votariam.

Voltando à estória que resolvi contar-lhes que se passou numa dessas terras dum nosso vizinho. Homem há muito reformado com algumas limitações de mobilidade mas não tantas que não o coíbem de se passear, lentamente pelo seu pequeno minifúndio. Antigamente era ele e a mulher que amanhavam os talhões para o planto da couve-galega, das alfaces e dos tomates e, na época, o feijão-verde. A modernice, para não ficar atrás de outros levou-o a adotar do Kiwi construindo uma pequena arcada com os ramos desta fruta tropical

Conhecemos a sogra do senhor Augusto na altura em que ele e a sua mulher ainda viviam fora daqui. A D. Benilde gastava horas ao muro junto da sua casita a palrar com a vizinhança que passava e, como as nossas traseiras dão para a casa dela éramos os eleitos para os seus desabafos. Digo palrar porque a sua interminável lengalenga discursiva era tão rápida e ao mesmo tempo tão gaguejante que, para os nossos ouvidos, embora atentos, era mesmo assim impercetível.

O senhor Augusto e a sua mulher tinham vindo de Angola após a descolonização e fixaram-se lá para os lados do entre Leiria e Coimbra onde ele trabalhava numa qualquer indústria instalada naquela região. Nunca soubemos a fazer o quê. Nunca os víamos por aqui, nem aos fins de semana, nem nas férias. A D. Benilde aqui vivia sozinha sem tempo nem paciência para mais do que não fosse plantar umas covitas para a sopa.

Soubemos do falecimento da D. Benilde já com idade avançada quando voltámos aqui num certo verão. Já lá vai uma boa dezena de anos, ou mais. Talvez não fosse coincidência, mas o senhor Augusto e a esposa resolveram vir para a terra da mãe dela e aí construíram uma pequena casa como sendo de arrumos para não terem que pedir licença. A casa tem porta e janelas apenas para o lado de dentro da terra, do lado da ruela é só parede.

Os anos não perdoam e a idade mesmo que não gostemos é inexorável e vai pesando a todos coisa que para o senhor Augusto não era de esperar exceção tendo como consequência terem deixado de cultivar os talhões, mas, mesmo quando as pernas já não podem, há tarefas que têm de ser feitas e, assim, contrata-se outro que o faça. É o caso da poda das vinhas, que rodeiam o muro da terra e que é feita cerca de quatro meses após as vindimas, e a das árvores de fruta, e também a limpeza das ervas daninhas para a terra não ficar a mato.

Foi neste afã da poda das vinhas que volteiam o muro que ouvi a conversa em voz alta do senhor Augusto sentado numa cadeira a conversar ao mesmo tempo que observava a perícia do seu contratado. Diálogo curto mas representativo do pensamento do povo que somos e do qual quem sempre viveu numa grande cidade não se apercebe.

Empoleirado numa espécie de pequeno andaime, o trabalhador e o senhor Augusto sentado olhando para cima, tecia considerações sobre a tarefa e outras coisas mais. Por entre a conversa o senhor Augusto, cavaquista ferranho e fiel votante do PSD, segundo dizia, interpretava ao seu modo o que via e ouvia na televisão sobre a política do país.

- Nunca houve ninguém como o Cavaco, esse sim é que era um político a sério – falava com o seu ar de entendido instruindo o seu interlocutor que acho nem o escutava.

- O país estar a ser governado pela esquerda é um desastre. Qual maioria parlamentar qual quê! Isto precisava era dum Salazar.

A meio da tarde, já o sol de inverno se encaminhava para o ocaso, juntou-se ao grupo um outro parceiro para ajudar ao trabalho. Era o irmão do podador. Indivíduo gordo que trazia vestida uma camisola amarela que vincava uma barriga bem nutrida de tal modo saliente e arredondada que faria inveja a um globo terrestre. Logo que chegou foi inquirido pelos outros dois.

- Então isto é que são horas de chegar? - Perguntou-lhe o irmão em tom pouco amistoso.

- Não queiram saber! – Exclamou. Estive a fazer um trabalhinho, aqui a onze quilómetros, e depois fomos almoçar e atrasei-me um bocado – justificou-se continuando a resenha sobre a causa da tardia chegada.

- Foi um rico almocinho que estava bom e saboroso! – Exclamou o recém-chegado a desoras para aquele biscate.

E, sem deixar que ninguém o interrompesse continuou com o seu protesto de indignação.

- Com aquele almoço tão bom bebi apenas um copinho. Vejam lá! Apenas um copinho! Um só copinho! O almocinho estava-me a saber tão bem!

- Eles andam para aí danados na estrada – vociferou.

O senhor Augusto não lhe deu tempo para mais nada e, com um bramido estridente, grave e indignado lançou para o ar o seu grito de revolta:

HUMM! Isto tá cada vez pior!

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Publicado por Manuel Rodrigues às 18:16
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Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2017

Os Estados Unidos da América e as promessas de Donald Trum: uma visão pessoal

Trump_Presidente4.png

Dos Estados Unidos da América conheço apenas Nova York e, mesmo assim, não tão bem quanto gostaria. O resto que sei daquela América é através de notas de viagens, livros, revistas, jornais locais, documentários e filmes filtrados com espírito crítico assim como o que a internet nos permite consultar com a devida preocupação de filtrar a fidedignidade da informação.

Em Portugal somos tentados a considerar os Estados Unidos como uma nação unitária e não nos dando conta de que são apenas Estados duma União diferente nas mentalidades, na imprensa, na política, nos costumes e na justiça. Os Estados Unidos estão marcados pelo sentimento muito fundo pelo menosprezo sistemático por tudo o que é estrangeiro e por um chauvinismo reacionário e absurdo que durante as últimas décadas estiveram ocultos. Foi isto que Donald Trump conseguiu perceber, e foi nessa base que construiu a linguagem das suas intervenções de campanha e que assim continua. Interpretado o sentimento de muitos americanos utilizou a estratégia populista e com um discurso de ação política para conquistar apoio através da manipulação de emoções populares em prejuízo de argumento lógicos e racionais para captar votos.

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Mapa dos estados dos Estados Unidos da América

O que ultimamente se tem visto nos EUA é o aproveitamento dos media para uma campanha de marketing e de relações públicas nunca vista com anteriores presidentes fabricando e difundindo notícias de populismo favorável a Trum ao mesmo reduz as notícias desfavoráveis grande parte das vezes sem obter sucesso já que de modo geral os artigos de opinião sobre o seu executivo não lhe têm sido em quase nada favoráveis. Pelo que tenho percebido pela informação publicada parece que nesta nova administração existe uma força contrária que está a bloquear e a reduzir a influência das notícias desfavoráveis. Um dos exemplos foi caso das imagens divulgada pelos media sobre a população que assistiu à cerimónia da tomada de posse de Donald Trump que, em comparação com a de Obama, teve muito pouca afluência. O que sucedeu de seguida foi uma estratégia de contra informação que acusou a comunicação social de falsear as imagens que, como se sabe eram fiáveis e verídicas.

Pelas notícias veiculadas pela maior parte dos media dos EUA podemos caracterizar Trump, sem grande margem de erro, como a máscara assumida da prepotência e da presunção de quem não conhece, nem pressupõe, a existência de nada fora de si mesmo. Propagandismo rude e infantilizado, muito parecido ao da ex-união soviética no tempo de Estaline que mostra o rosto do americanismo mais rude e grosseiro de outrora manifesto no interior do país.

Do meu ponto de vista Trump fez promessas eleitorais a uma América, intelectualmente menor, das pequenas cidades do interior, dos estados onde prolifera aquilo que muitas das vezes os documentários, não propagandísticos, nos mostram: os bares com as paredes ornadas com troféu de caça das próprias florestas, os camponeses jogando às cartas, os chapéus à cowboy nas cabeças, as mulherzinhas sentadas à espera de engate, os bêbados que armam brigas saudosos do tempo dos duelos e da caça ao índio,  enfim. E, quem não frequenta estes bares, passa o seu tempo livre enterrado num sofá a comer calorias em catadupa e a ver televisão sintonizada nos canais de propaganda conservadores como a da Fox Broadcasting Company. Haverá muitos que nunca votaram (e ainda bem que não), nem sabem o que isso é que, por isso, talvez Trump não tenha tido mais votos.

Há, todavia, uma situação poderá explicar a deslocação do voto tradicional nos democratas na região dos grandes lagos e na região nordeste, o denominada Manufacturing Belt, Cintura Industrial dos EUA (Mapa 1), como era conhecida nos anos 70 do século passado.

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 Mapa 1 – Cintura industrial EUA

Foi nos estados de Wisconsin, Ohio, Michigan, Indiana, parte de Illinois, West Virgínia e Pensilvânia, donde foram deslocalizadas muitas empresas fabris, muitas delas para fora dos Estados Unidos, e onde outras fecharam portas.

Foi naqueles estados que votaram nos democratas em 2008 e que em 2017 votaram nos republicanos com Trump. Podemos comparar as cartografias das eleições em 2008, quando os democratas ganharam, com as de 2017 em que ganharam os Republicanos (dos mapas 2 e 3).

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Mapa 2 - Eleições de 2008. Os estados a vermelho correspondem a votações no Partido Republicano

Fonte: Geoawesomeness

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Mapa 3 - Eleições de 2016. Os estados a vermelho correspondem a votações no Partido Republicano (Trump)

 

Comparando os dois mapas observa-se que foram os estados do nordeste do EUA que abandonaram a votação nos democratas em favor de Donald Trump. O mesmo se passou com o estado da Califórnia, mas por causas diferentes.

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Mapa 3 - Eleições de 2016. Os condados a vermelho foi onde o Partido Republicano (Trump) aumentou as suas votações

Fonte: New York Times


Os condados, (subdivisão administrativa de cada um dos estados nos Estados Unidos), onde o Partido Republicano, com Trump, aumentou as votações estão evidenciados por uma linha a preto. Trump conseguiu vencer em estados em que os republicanos não tinha ganhado desde 2000 (ver evolução no Mapa 4).

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 Fonte: Geoawesomeness

Recordando alguns trabalhos sobre geografia industrial e económica dos EUA e recorrendo a uma recensão que fiz nos anos 80 de um artigo que Allan Pred publicou na revista Economic Geography sobre a região industrial dos Grandes Lagos constatava-se que era naquelas regiões onde a maior parte das indústrias de alto valor acrescentado estavam localizadas. Indústrias de alto valor acrescentado são aquelas cujas diferenças entre o valor total de receitas das vendas e o custo total de componentes, materiais e serviços adquiridos de outras empresas dentro de um relato período é mais elevada.

Foi no extremo nordeste que no princípio do século passado foram criadas estruturas onde se concentrava um número crescente de habitantes que obtinham empregos nas indústrias.

Era naquelas regiões onde se localizava também a indústria automóvel como por exemplo Detroit no estado de Michigan.

À volta da indústria automóvel foram criadas outras que serviam de fornecedoras de componentes e serviços às que ali se localizavam. Nestas regiões há ainda florestas de pinheiros, abetos e outras árvores que são utilizadas para a produção de papel e outras indústrias. Pred demonstrou no seu artigo que, na generalidade, as indústrias de alto valor acrescentado concentravam-se nas regiões tradicionalmente mais populosas e industrializadas do país. 

A conceção comum do “Manufactoring Belt” era a das grandes fábricas com um impacto ambiental significativo e provavelmente negativo. Empregavam mão-de-obra não qualificada, fazendo trabalho repetitivo nas linhas de produção. Entretanto as empresas industriais evoluíram significativamente e surgiram novas indústrias e, portanto, a perceção que se tinha de indústria está desatualizada.  A definição clássica circunscrevia o fabrico à transformação de matérias-primas em produtos acabados. Esta definição era limitada e não admitia a complexidade das modernas operações das atividades industriais. Daí o abandono e a deslocalização de muitas daquelas indústrias do “Manufacturing Belt” para outros países onde a mão de obra é mais barata e outros custos são menores. Muita coisa mudou no Mundo e nos EUA ao nível da produção industrial quer nos processos, quer na utilização de novas tecnologias. 

Os Estados Unidos têm tipicamente um grande desequilíbrio comercial com a maioria das regiões do mundo, mas o desequilíbrio com a Ásia, especialmente com a China, continua a aumentar como pude verificar nas estatísticas do comércio externo do país ver Mapa 5. Não é por acaso que Trump ora diz que vai modificar isso, ora fala telefonicamente com o presidente da China.

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Mapa 5 – Maiores parceiros comerciais das importações e exportações em cada estado em 2014

Segundo a revista US News Worls Report o presidente Donald Trump prometeu revitalizar a produção de bens nos EUA e recuperar milhares de empregos das industrias incluindo a mineira que se perderam ao longo dos últimos 20 a 30 anos. Parece, contudo, ser uma mistificação de Trump porque a retoma da produção já estava em andamento antes dele se candidatar a presidente e da tomada de posse no mês de janeiro. A US News cita o Bureau of Labor Statistics que mostra que a contratação de postos de trabalho em dezembro atingiu uma alta de quatro meses. Embora a produção de bens e de equipamentos nas indústrias de mineira exploração de madeira, construção e indústria mesmo que representem apenas 13% dos ganhos de contratação de dezembro, sua força relativa era difícil de perder. “As contratações na construção subiram para o nível mais alto desde dezembro de 2014. As contratações na indústria tiveram em novembro o melhor desempenho mensal desde 2010. As oportunidades de emprego na exploração mineira e exploração de madeira, entretanto, subiram para seu segundo maior nível de 2016.”.

Segundo as estatísticas do trabalho, numa entrevista reproduzida pela US News, e de acordo com dados de janeiro, em 2016 “os setores de produção de bens da economia verificaram uma perda mensal média de 2.000 empregos nos EUA, enquanto os setores de prestação de serviços cresceram a uma média de 166.000 empregos/mês”.

Foi esta situação que terá levado ao descontentamento que muitos trabalhadores dos estados industriais do denominado Manufactoring Belt estavam a sentir entre parte de 2015 e início de 2016. Este descontentamento manifestou-se pela votação em Trump naqueles estados (comparar Mapas 1 e 2).

Trump, durante a campanha eleitoral, sugeriu que a fabricação de peças de veículos, que já tinha subido 19% entre 2012 e 2015, seriam uma prioridade fundamental nas conversações com as administrações das fábricas de automóveis. A revista online US News afirma que o fabrico de peças par veículos automóveis, de acordo com o relatório, em 2015 representou 47% do emprego direto total em Michigan, Ohio, Indiana, Tennessee e Kentucky.

Várias situações destas foram aproveitadas de forma populista por Trump durante a campanha eleitoral para fazer promessas irrealistas que, a serem cumpridas, podem levar os EUA a recuar mais de 50 anos.

Trump prometeu uma nova era de produção de bens e mercadorias nos EUA através de impostos alfandegários e restrições comerciais para incentivar mais empresas a montar fábricas no país em vez de importar produtos do exterior. Não sou eu que digo, isto foi várias vezes ouvido nas televisões aqui em Portugal durante a campanha.

Economistas nos EUA têm feito críticas a esta política dizendo que “a automatização eliminou a necessidade de se manterem os mesmos tipos de cadeias de abastecimento de baixo nível de competência e mão-de-obra de baixa qualidade que estavam presentes no auge da fabricação americana.”, como era no passado. "Esses números mostram a associação de fabricantes e as suas empresas associadas estão a impulsionar a inovação, os empregos e o crescimento económico nos EUA, combinando fabrico e tecnologia"

O argumento de Trump é que as estatísticas são falsas, e que a taxa de desemprego nacional é "falsa", e que outros aspetos de indicadores económicos são de alguma forma imprecisos. Estes argumentos devem ter pesado em alguns eleitores nos estados de produção da indústria pesada a que me referi anteriormente e soou como verdadeiro para os eleitores nos estados da indústria pesada como o de Michigan onde as indústrias primárias não viram o mesmo tipo de crescimento de emprego e veio a perder o papel que tivera nos anos 70 do século passado quando pertencia ao grupo de estados de alto valor acrescentado. Sabendo isto, ou disseram-lhe, que Trump delineou a sua estratégia de modo a captar votos aproveitando o descontentamento localizado naquelas regiões que foram perdendo a sua hegemonia.

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 Gráfico 1- Total de empregados por setor de atividade 1970-2015

A mensagem de tornar a “América Grande outra vez” não sendo inovadora parece ser mais um espetáculo revivalista de Trump do que uma realidade. Os esforços para tornar a produção de bens novamente grande estão em curso há anos, tendo gerado mais de 2 milhões de empregos no setor da produção. Foi a depressão de 2009, provocada pelo sistema bancário, que levou a que os níveis mais baixos fossem atingidos em 2010. Apesar disso, no final da semana passada, Trump assinou uma Ordem Executiva para a revisão das regras aplicadas à banca no âmbito da lei Dodd-Frank, reforma aplicada à banca após o colapso do Lehman Brothers para evitar uma nova crise financeira mundial.

Segundo o que Trump, como afirmou durante a campanha contra Hillary Clinton, todo o sistema financeiro precisava de ser liberalizado, passando a estar sujeito a menos regras e supervisão para que possa tomar as melhores decisões de investimento. A teoria neoliberalista foi aplicada durante toda a presidência de George Bush, com resultados discutíveis porque, apesar de terem registado lucros históricos, os bancos criaram uma série de hipotecas tóxicas que fizeram rebentar a 'bolha' do imobiliário após a queda do Lehman Brothers. Parece que, não tendo percebido esta realidade, Trump quer agora voltar à liberalização total e desordenada dos bancos revogando uma lei que possibilitava um maior controle. Os neoliberais cometem sempre os mesmos erros, mas sabem que que beneficia e não é atingido são aqueles que eles favorecem quando estão nos governos.

Não fossem aqueles estados e condados, onde tradicionalmente votam nos democratas, terem votado em Trump e estaria ele agora com uma grande depressão provocada pela perda. Foram enganados e com eles também o Mundo. Temos pena.

O Estados Unidos da América são agora um feudo de Trump em que o modelo de desenvolvimento vai ser incompatível com a preservação ambiental afim de abastecer o seu parque industrial, o país vai continuar a ser o um dos maiores poluidores e devastador de recursos naturais do planeta.

Boa parte dos habitantes convive com sérios problemas socioeconómicos relacionados, especialmente, com a marginalização de segmentos da população e à discriminação racial decorrentes da concentração da renda, em que prevalece a busca pelo enriquecimento ainda maior de alguns já em si mesmo muito ricos.

Que país vai ser este a partir de agora?

Publicado por Manuel Rodrigues às 18:35
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Terça-feira, 7 de Fevereiro de 2017

Oposição e comentário político

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A oposição de direita ao Governo não é feita apenas pelos deputados dentro da Assembleia da República e pelos responsáveis partidários fora dela. Faz-se também por militantes dos seus partidos que, com aparência de credibilidade e isenção, são contratados pelos canais de televisão que lhes paga para fazer o dito comentário político. São comentadores partidários, propagandistas do PSD que, uma vez por outra, para darem ar de isentos, criticam também a oposição de que fazem parte.

Um destes comentadores ditos “isentos” é Marques Mendes que comenta no canal de notícias da SIC. Para ele o Governo está esgotado, porque os acordos estão esgotados, está parado porque nada faz. Gostaríamos de saber se, para ele, governar é simplesmente legislar por tudo e por nada sem qualquer efeito mediato ou imediato, sem reflexão sem estudo, sem debate, como fazia o líder do seu partido quando incentivou a divisão entre portugueses e fez atropelos sucessivos à Constituição. Como ele gostaria de ser o Trump português!

Se alguma coisa urgente há que fazer, é conter a dívida pública e dinamizar a economia e o crescimento. Como Marques Mendes muito bem sabe, o crescimento depende, em grande parte, de fatores exógenos a Portugal, que agora com Donald Trump na calha, e com a Europa no estado em que está nunca se sabe o que poderá acontecer.

Aquela personalidade do PSD faz oposição disfarçada de comentário, olhando tendencialmente para o negativo da solução governativa e ocultando o que é positivo.

Aliás o relatório da OCDE que ontem foi divulgado é mais objetivo do que as interpretações por vezes abusivas de quem faz comentários que mais parecem oposição.

Aquele relatório revela potencial existência de "imprevisibilidade, tensões e recuperação lenta da Europa que podem tornar o crescimento mais incerto.”. Há, portanto, causas perigosas que poderão ser derivadas de causas externas. Sobre o Governo de António Costa, o relatório traça elogios à orientação orçamental, mas deixa uma lista de avisos sobre a situação ainda frágil das finanças, sobretudo sobre a “conjuntura externa incerta, a situação da banca que é vulnerável, mas a margem de manobra nas contas públicas é estreita e a dívida pública elevada e o investimento escasso.”. “E o que vê é uma economia a recuperar de forma progressiva, mas onde as “vulnerabilidades estão a aumentar”.

Claro que não existe nenhum mar de rosas depois da coligação de direita ter quase deixado o país destruído a pretexto de “termos que ir para além da troika” e de, juntamente com ela, não ter detetado  mo nevoeiro denso que envolvia a banca ou parte dela.

Se a banca está como está deve-se sobretudo à desgovernação do PSD-CDS com a obsessão por reformas baseadas apenas num sentido, aumento de impostos e cortes de salários e pensões, de resto não passou de rabiscos escritos num papel que para nada serviram.

Publicado por Manuel Rodrigues às 17:25
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Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2017

Travessuras da menina feia e doçuras do giraço

Travessuras e doçuras.pngA cara jornalista Ana Sá Lopes, Diretora Adjunta Executiva do jornal i, filho mais novo do mesmo grupo do jornal Sol e parente do Correio da Manhã escreveu o editorial com um título interessante sobre a TSU, PS, PSD, Passos Coelho e António Costa. O tema é o da menina feia e o giraço da turma.

Sustenta que houve um plano B disfarçado para se atingir o défice de 2,3%. Concretiza com opinião de causa que Centeno “cativou tudo o que pôde e tudo o que mexia para não deixar o Estado gastar mais do que estava acordado com os parceiros de esquerda, e o investimento público foi zero.” Tenhamos paciência, é obrigação de qualquer governo não deixar o Estado gastar mais do que deve, controlando as despesas em fase ainda crítica e com uma dívida enorme às costas. Será isto algum plano B?

Ana Sá Costa apagou da sua memória política os planos A, B, C de Passos Coelho. O último era a previsão do corte de 400 milhões de euros que preparava sabe-se lá a quem. Com certeza às vítimas do costume.  

Ana não se fica por aqui, que também fez parte do plano B do Governo o investimento público ser zero. Mais uma amnésia. Haver ou não investimento público é opção estratégica de qualquer governo seja por questões de contenção de despesa ou outra. Será isto algum plano B? Onde esteve o investimento durante o anterior Governo? Cortava… cortava… e nada! Os que antes eram contra o investimento público e não o fizeram são agora a favor do dito. No caso da TSU, Ana Sá parece estar a ajudar a partidarite politiqueira que atacou o PSD e diz, fazendo coro, que “Costa que trate do assunto com a esquerda, a quem prometeu um namoro estável.” E, com isto, que se lixe o país e o elevado número de pequenas empresas.

Sabem o que é obnubilado? Não? Então já vou dizer, mas antes vejam o que diz Ana Sá Lopes: “O divertido deste debate é que é agora Passos Coelho que passa por incoerente – que é, de resto –, parecendo obnubilado do debate público todo o discurso socialista contra a redução da TSU e o acordo de esquerda”. Pois é, este palavrão que dizer, segundo o Dicionário da Língua Porto Editora, "tornar(-se) obscuro; turvar(-se); escurecer".

Esta guerra que fazem contra a TSU é uma guerra contra a solução parlamentar encontrada por Costa. É a guerra contra a reversão dos rendimentos e das pensões e de todas as medidas neoliberais tomadas contra a maior parte do povo. Não, não me esqueci! As condições eram diferentes. É verdade, mas agora também o são.

Antes de terminar diga-me, Ana Sá, qual é o “argumentário surrealista contra o PSD” a que se refere?

No jornal i Ana Sá Lopes já atravessou por várias administrações e direções e passou por vários cargos. Agora há que defender o posto de trabalho apoiando seja de que forma for os pontos de vista da direção. E porque já li o que escreveu noutras alturas enquanto está neste jornal as minhas desculpas se assim não for.

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 16:38
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Sábado, 7 de Janeiro de 2017

Recordando... mentiras

Mentiras de Passos_2.png

A direita de Pedro Passos Coelho servia do chavão utilizado por Thatcher conhecida por “There Is No Alternative - TINA  para mentir aos portugueses dizendo que não seria possível manter a TAP como empresa pública ou recapitalizar a Caixa Geral de Depósitos. Desculpava-se com Bruxelas que não deixava.

Argumentos falaciosos, confusos, deturpadores da realidade eram aqui e ali utilizados por ele e pelos fãs do comentário político da falácia. Utilizavam então com argumentos de juristas e de legislação para terminarem a dizer que a Europa não deixava. Este discurso era assimilado e replicado às cegas por quem nada percebia de direito Europeu. Não é obrigatório ser legista e licenciado em direito, basta ler e estar atento.

Neste âmbito incluem-se os fanáticos das privatizações das quais podem alguns beneficiar, e os crédulos que acreditam em tudo quanto ouvem ou leem e é divulgado pelos jornais de opção neoliberal que distorcem, para utilidade político-partidária, o que se passa de facto na Europa.

 Passos e os seus adeptos mentiam quando garantiam que só era possível uma política, a deles. Ao Governo de Passo e de Portas dava jeito que acreditássemos em tudo o que estava a ser feito. O PSD e CDS acreditavam que nunca haveria hipótese de refutar a tese do “não há alternativa” porque nunca pensaram que o PS faria um acordo parlamentar à sua esquerda para viabilizar um Governo daquele partido porque estava sem maioria absoluta, que a direita também não conseguiu. Pensavam assim porque durante dezenas de anos nunca tinha havido outra política na esquerda portuguesa. Foi e continua a ser essa a frustração da direita.  

Ainda nos recordamos de quando Passos Coelho nos dizia, por exemplo, que não seria possível manter a TAP como empresa pública ou recapitalizar a Caixa Geral de Depósitos? Aqui está o exemplo prático de que, servindo-se da mentira, desculpava-se dizendo que Bruxelas não deixava.

Com outro simples exemplo, recordemos o que Passos Coelho disse no Twitter, quando ainda na oposição e já em fase de pré-campanha eleitoral, três meses antes de tomar posse (21 de junho de 2011): “Se vier a ser necessário algum ajustamento fiscal, será canalizado para o consumo e não para o rendimento das pessoas.”. E só mais uma: “É uma tragédia o estado a que o nosso estado social tem chegado.”(maio de 2011). Nesta altura já sabia que haveria um processo de ajustamento e que a troika viria.

Deputados do PSD que estão agora na oposição por questões de lana caprina veem dizer que António Costa está a mentir aos portugueses. Replicam o que ouviam da oposição quando eram governo. Há, no entanto, uma diferença é que, na altura, quando se dizia que Passos Coelho mentia era mesmo verdade.

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 12:50
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Terça-feira, 3 de Janeiro de 2017

Porque não te calas?

Zé Povinho.pngNuma publicação partidária do PSD Passos Coelho defende aquilo que até agora ocultou aos portugueses, o que seria o seu programa se fosse novamente governo. Agarra uma frase que Belmiro de Azevedo utilizou há muito tempo, se não me engano no tempo em que Passos era primeiro-ministro, “é preciso deixar de navegar à vista”. Peca pela falta de originalidade.

Fala de reformas sem especificar o que são e o entende por isso. Há coisas que não convém esclarecer. Seria bom, já que todos falam em reformas sem ninguém dizer o que são. Está fora de causa aqui o conjunto de papéis que Paulo Portas arranjou como sendo reformas do Estado quando foi vice-primeiro ministro. Neste momento ainda ninguém me conseguiu objetivamente explicar o que são para Passos Coelho reformas, embora suspeite o que são.

Após a mensagem de Ano Novo do Presidente da República, em que aborda o crescimento, o ex-primeiro-ministro, agora “no exílio”, pega no óbvio e diz o que deve ser o crescimento económico abrindo o véu ao que será o seu programa mais conservador e neoliberal do que sempre foi o seu.

Para Passos Coelho “O que precisamos agora é de enterrar as políticas de reversão”. Quer ele dizer que é voltar ao corte de pensões, de salários, desmantelamento do SNS, deixar populações sem tribunais, voltar às privatizações de modo a que o Estado, nós todos, fiquemos com os prejuízos e entregando os ativos a quem adquirir o que for rentável. Mostra expectativas de que o diabo venha visto que segundo ele “as reversões que foram realizadas não nos venham a sair demasiado caro”.

E continua, "Quem quer semear para futuro e colher bons resultados tem de orientar as suas prioridades de modo diferente do que temos vindo a observar em Portugal, invertendo as políticas de navegar à vista e preparando uma estratégia de médio e longo prazo que faça sentido". Parece-me bem, mas…, afinal, qual é a estratégia para o médio e longo prazo que propõe para sabermos que o que afirma faz sentido. Precisamos de saber. Queremos optar com conhecimento senão não é mais do que conversa de propaganda idêntica àquela de que acusa António Costa.

Sentiu que o discurso de Marcelo Rebelo de Sousa também lhe foi dirigido, daí replicar falando de realismo nas questões políticas económicas e sociais, porque, para ele "o otimismo e o pessimismo traduzem, sobretudo, estados de espírito que nem sempre ajudam a encontrar as melhores soluções". Tudo bem, mas o que entende ele por realismo? Terão sido todas as medidas que pôs em prática quando foi governo que tiveram resultados insipientes e pouco convincentes de que acusa agora o atual Governo quando, na altura, afirmava alto e bom som que tinha que ir para além da troika? Fala em realismo nas questões sociais quando, no tempo em que governou, provocou a maior crise social de que há memória em Portugal criando injustiças, criando um clima tenso, com divisões sociais e laborais, instabilidade social e quebra da coesão.

Pelo que Passos Coelho afirma podemos perceber nas entrelinhas que é a isso que regressar.

Sustenta uma abordagem realista que permita perceber melhor o ponto de partida, estabelecer um nível de ambição "plausível" e a melhorar a adequação das respostas políticas aos problemas dizendo: "De acordo com esta abordagem realista, Portugal precisa de aproveitar melhor algumas vantagens da envolvente macroeconómica europeia e global e de aumentar a sua resiliência às incertezas políticas externas. Em ambos os casos, o tempo começa a não estar tanto a nosso favor como já esteve". Vamos lá ver se percebo: se o tempo já esteve a nosso favor, e deve estar a referir-se ao passado em que foi primeiro-ministro, porque não conseguiu ele atingir os objetivos que quer agora que outros cumpram rapidamente em condições que se preveem de incerteza?

Argumenta ainda o presidente do PSD que "o tempo não volta para trás", digo eu ainda bem! E cada vez há menos tempo para "tirar partido das referidas vantagens", mas digo eu vantagens que não aproveitou porque já no final do seu mandato dizia frequentemente que a economia estava a recuperar e a crescer. Mas todos nós sabemos ser tão insipientes quanto a do crescimento atual.

É uma proposta de regresso ao passado a que Passos Coelho propõe embora não defina concretamente o que pretende.

É caso para se dizer: porque não te calas?

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 17:31
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Incerteza e imprevisibilidade para o ano de 2017

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A incerteza e a imprevisibilidade foram palavras muitas vezes utilizadas implícitas por comentadores ao fazerem as suas previsões para o Novo Ano que então se aproximava.

A incerteza constitui o denominador comum de todas as ciências sejam teóricas ou aplicadas, ciências da terra e ciências sociais e humanas.

O ano de 2017 tem sido associado a um ano de risco e de incerteza quer ao nível da política interna e externa e dos refugiados, quer ao nível social, financeiro e económico. É um ano de eleições em alguns países da Europa que que se prevê irão ser dominadas pelas subida das extremas direitas  nacionalistas populistas e nos EUA vai tomar posse o novo presidente. Estes dois acontecimentos conjugados provocam incertezas e as previsões não vaticinam ser dos melhores e estão a preocupar os Estados.

A economia sendo uma ciência humana não exata confronta-se, como quaisquer outras disciplinas científicas, com a incerteza. Ao tratar da produção, do rendimento e do consumo não é mais do que trabalhar num ambiente de incerteza determinado, a maior parte das vezes, pelas ações humanas.

A incerteza afeta fenómenos como os rendimentos futuros do trabalho ou os rendimentos do capital. Pode ainda afetar a inflação , o nível dos impostos, o investimento. Todas as atividades económicas estão marcadas pela incerteza em vários graus. Sempre foi assim, mas o ano que entrou traz-nos novas variáveis entre as quais a dimensão da prática criminosa do terrorismo.

A economia esforça-se por caracterizar a incerteza e os riscos que lhe estão associados  e as escolhas económicas em ambiente de incerteza apresentadas sob a forma de riscos e de oportunidades. Todavia, a ciência económica tem-se desenvolvido e progredindo no sentido e de modo a poder analisar o risco e a incerteza.

Portugal que é um país com vulnerabilidades financeiras e económicas poderá vir a ser atingido por um contexto internacional caracterizado pela incerteza e imprevisibilidade que a direita irá fazer por ignorar aproveitando para reforçar a oposição culpabilizando o atual Governo por fracos desempenhos mesmo sendo devidos a fatores exógenos.

A incerteza sobre o que irá acontecer na União Europeia ao nível político, agravado pelo fraco crescimento económico, dever-se-á a resultados eleitorais ditados por populismos que, recorrendo a egoísmos mais ou menos nacionalistas que ao serem despertados, poderão conduzir à queda da U.E. e, consequentemente, do euro. Mas até às eleições alemãs a chanceler Merkel, preocupada com problemas internos e com a subida da extrema-direita, não irá mexer uma palha no que diga respeito à U.E..

Ao longo dos tempos a Europa, sobretudo no século passado fez por ignorar factos e acontecimentos e, depois desculpou-se com a imprevisibilidade dos  acontecimentos políticos mais do que previsíveis que estavam progressivamente a conduzir a Alemanha para as mãos dum Hitler que ocupou o poder através das eleições. O que aconteceu na Alemanha não foi fruto da incerteza nem da imprevisibilidade estava em curso  o despertar de sentimentos que se encontravam latentes no próprio povo e que Hitler soube despertar. A sucessão de acontecimentos a isso estava a conduzir. O mesmo já tinha sucedido com a revolução bolchevique que implantou o regime soviético que culminou na ditadura Estalinista. Ela teve uma causa: a revolta popular  alimentada pelo Partido Bolchevique contra a Rússia dos czares. A causa não teve geração espontânea, estava no regime czarista. A consequência seria previsível.

Embora com características diferentes, mais recentemente, veja-se o caso dos EUA com a eleição de Trump que, repetidamente disseram, ninguém esperava. Será que foi uma imprevisibilidade?  Acho que não. Mesmo com as previsões das sondagens que davam demasiada aproximação entre os dois partidos em confronto negligenciou-se o adversário. Aliás a previsibilidade estava já nas eleições primárias. Não havia incerteza, a hipótese de Trump ganhar estava colocada mesmo sem ter o apoio da maior parte dos media.

Depois de Trump ter ganho as eleições a comunicação social do EUA e os comentadores de política laçaram para o ar a teoria da imprevisibilidade para o que aconteceu. Foi algo que não se previa. As sondagens foram subestimadas, quando deram pela aproximação cada vez maior das percentagens de intenção de voto algo estaria mal e a vitória de Trump não poderia vir a ser considerada como imprevisível.

A imprevisibilidade está associada a algo que não pode ser previsto a partir de coisa alguma que tenha ocorrido antes. Mas, em política, há sempre algo que ocorreu antes, há antecedentes, há pistas mais ou menos concretas, há sinais, acontecimentos que portadores de informação suscetível de desencadear uma resposta ou uma reação, e, portanto, potenciais ocorrências futuras podem ser sujeitas a análises preditivas.

Em política a imprevisibilidade não é o mesmo que incerteza para a qual podem contribuir várias variáveis (causas). A imprevisibilidade pressupõe, obviamente, algo que não pode ser previsto, que não é equacionado. O facto da possibilidade de Trump poder vir a ser eleito como presidente do EUA terá sido, de facto, uma imprevisibilidade, ou terá sido propositadamente negligenciada?

Hillary Clinton demonstrou que a sua administração seria mais previsível e segura e Trump mostrou que a dele iria ser o oposto. De fato, escolha final dos eleitores teria sido previsível com um grau de confiança muito estreito.

O referendo no Reino Unido sobre a saída da U.E. provou que previsões extemporâneas de políticos, ou melhor, inoportunas, feitas de ânimo leve, descurando realidades por desconhecimento ou demasiada confiança, com  base eleitoralista e  sem uma margem confortável da no sentido de voto do eleitorado mostrado nas sondagens tornou-se numa decisão tola. Ficamos muito admirados quando ao estarmos certos de que se verificou o oposto do que esperávamos. Não se trata de prever o futuro como um adivinho trata-se sim dum jogo de risco quando da tomada de decisões.

Em Portugal a atual maioria parlamentar face aos antecedentes históricos um acordo tripartidário à esquerda e tal não era previsível, mas os antecedentes verificados com a anterior maioria absoluta, e tendo em conta os resultados eleitorais, seria previsível colocar esta hipótese com o intuito de bloquear nova governação da direita. Seria isto imprevisível? Acho que não. Há dados e antecedentes que ajudam a que não se justifique algo como imprevisível. A imprevisibilidade em política acontece quando estamos cientes de que as ações e procedimentos que escolhemos estão certos e quando subestimamos as dos adversários.

No livro “A Arte da Guerra” de Sun Tzu o autor diz que “Não permitas que o inimigo tome a dianteira… Qualquer negligência nesse sentido pode ter consequências nefastas. Em geral, só há desvantagem em ocupar o terreno depois do adversário”. Isto é jogar na antecipação e na previsão.

Quando estamos confrontados com sistemas sociais em presença que são grande parte das vezes imponderáveis e dependem da criatividade humana desconhecemos como dominar cognitivamente todas as relações de causa-efeito, a imprevisibilidade não depende só do nosso desconhecimento  mas da instabilidade que limitam e até impedem qualquer previsibilidade confiável. Pensar o futuro, formular cenários, tem que mobiliza sentimentos de insegurança, vontade, temor, esperança, desejos, o que se torna difícil.

Como a previsão depende de muitas outras variáveis que são controladas por diversos atores em vários contextos específicos sempre nebulosos e impossíveis de predizer só o passado e a simulação do futuro permite diminuir a possibilidade de surpresas contrárias ao que seria de esperar.

Neste novo ano de 2107 que apenas tem três dias as bolsas e os fundos preveem ficar em alta face às políticas que Trump se propõe executar na dinamização económica dos EUA daí o assédio aos clientes dos bancos para captar poupanças para investirem nestas áreas.

A ver vamos!

A prudência é a melhor estratégia. Não é imprevisibilidade é incerteza sobre o que se poderá passar com a direção do cata-vento Trump.

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 15:02
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Terça-feira, 27 de Dezembro de 2016

A Raquel, o Fado, Ana Moura e o Dia de Folga

Fado.pngNão sou, nem fui no passado, apreciador da chamada canção nacional. Se bem me lembro al longo da vida devo ter ido, em circunstância excecional, uma ou duas vezes a uma casa de fados.

Correndo o risco de receber protestos, Amália Rodrigues, para mim nunca me disse nada. Foi uma cantora que levou um género de canção para fora de portas, assim como tantos outros cantores de outros países que também levaram para fora as suas canções. Não sou dos que diziam, em tempo, que Amália era a embaixadora do fascismo português no estrangeiro, e viam-na como propagandista do antigo regime. Também não é pelo facto de o Fado ter ficado na lista do Património Imaterial da UNESCO que vou passar a gostar.

Há quem queira, agora, ver o Fado como canção de mensagem e de brado da indignação, pleno de conteúdo social, contra a exploração capitalista opressora. O Fado sempre for social, pois é representativo do imaginário e do estado de espírito, em sentido restrito, do sentir do dia a dia do povo.

O que me trouxe até aqui foi um “post” publicado por Raquel Varela onde tece elogios aos fados de Ana Moura particularmente ao “Dia de Folga”.  Raquel intelectualiza e carrega de conteúdo ideológico os fados daquela cantadora da canção nacional. 

Onde está a admiração de Raquel Varela? A letra do fado que abaixo reproduzo é o relato do dia a dia da vivência das pessoas nos vários bairros populares e sociais. Quantas letras de fado contêm implícita ou explicitamente uma natureza social, basta ir ao portal do fado e procurar letras em que poderemos fazer leituras com caráter social e mais ou menos metafóricas.

Que dirá de Ana Moura, quando, algum dia, por questões comerciais e de público alvo, as letras de Ana Moura passarem a falar de touros, toureiros, touradas, pegas e pegadores dos ditos (espetáculo, triste, que eu também não aprecio)?

Se Raquel do cantar de Ana Moura e das letra dos seus fados está no seu direito. Não será por não apreciar fado que passarei a criticar ou a elogiar quanto venha desse género musical apenas porque tem, ou não, caráter filosófico e social implícito ou explícito.

Diz Raquel que “Há filosofia e política, dialética, dinâmica, estrutura e conjuntura, economia e sociedade, cultura e modo de vida nas letras dos fados da Ana Moura”, e mais, tem “amor e psicanálise”. Não vamos, cara Raquel, caracterizar o fado como marxista e não marxista consoante o ponto vista ideológico de cada um. Tudo na vida pode ter, e tem, uma base política, mas não exageremos.

Discordo muitas vezes das perspetivas e das análises de Raquel Varela, enquanto comentadora. Não será por isso que deixarei de gostar mais ou menos dela como historiadora e investigadora das questões sociais

Reproduzo de seguida a letra do fado cantado por Ana Moura.

 

 Manhã na minha ruela, sol pela janela

O senhor jeitoso dá tréguas ao berbequim

O galo descansa, ri-se a criança

Hoje não há birras, a tudo diz que sim

O casal em guerra do segundo andar

Fez as pazes, está lá fora a namorar

Cada dia é um bico d’obra

Uma carga de trabalhos faz-nos falta renovar

Baterias, há razões de sobra

Para celebrarmos hoje com um fado que se empolga

É dia de folga!

Sem pressa de ar invencível, saia, saltos, rímel

Vou descer à rua, pode o trânsito parar

O guarda desfruta, a fiscal não multa

Passo e o turista, faz por não atrapalhar

Dona laura hoje vai ler o jornal

Na cozinha está o esposo de avental

Cada dia é um bico d’obra

Uma carga de trabalhos, faz-nos falta renovar

Baterias, há razões de sobra

Para celebrarmos hoje com um fado que se empolga

É dia de folga!

Folga de ser-se quem se é

E de fazer tudo porque tem que ser

Folga para ao menos uma vez

A vida ser como nos apetecer

Cada dia é um bico d’obra

Uma carga de trabalhos, faz-nos falta renovar

Baterias, há razões de sobra

Para a tristeza ir de volta e o fado celebrar

Cada dia é um bico d’obra

Uma carga de trabalhos, faz-nos falta renovar

Baterias, há razões de sobra

Para celebrarmos hoje com um fado que se empolga

É dia de folga

Este é o fado que se empolga

No dia de folga!

No dia de folga!

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 18:30
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Sábado, 3 de Dezembro de 2016

Noveleiros da direita

Passos_Noveleiro.pngO PSD com Passos Coelho tem as mãos vazias para fazer oposição. Agora que a novela da CGD está a chegar ao fim procura novos adornos para produzir uma outra versão atualizada para obter protagonismo mediático que lhe possibilite manter-se à tona. Com o pin ao peito a fazer de conta de patriota faz os possíveis para destruir aquilo que, em relação ao sistema bancário, os portugueses mais presam, o banco público. Atrás dele virão novamente neoliberais comentadores e adoradores de Passos titubeando “faits divers” sobre o tema.  

Santana Lopes como candidato à Câmara de Lisboa saiu-lhe pela culatra. Pois claro! Santana pode ter todos os defeitos, mas não é estúpido. O trabalho que está a fazer na Santa Casa está a ser meritório, dá-lhe sossego sem lhe prejudicar futuras andanças na política. Caso fosse candidato pelo PPD/PSD para salvar a imagem de Passos Coelho e perdesse, mesmo por escaços votos a sua imagem poderia voltar a ficara de rastos.

Resta agora a Passos procurar novo candidato ou coligar-se a Assunção Cristas que, estando um pouco chamuscada pelo passado, não parece que queira queimar-se associando-se a a um partido de quem se quer distanciar ainda sem o conseguir apesar do esforço.

Passos Coelho é o seguro de vida duma clique agarrada ao PSD com jovenzinhos de trinta e poucos anos “de alto mérito” como, por exemplo, António Leitão e Duarte Marques, com fracos currículos e que estão na política porque não encontram outros lugares tão bem remunerados em empresas locais. Repare-se que não é minha pretensão fazer cair em descrédito a política nem tenho nada contra os políticos, mas já tenho contra os oportunistas que a utilizam para futuros saltos. Quanto aos antigos, esses calam-se porque ainda não sabem como farão para conseguirem uma saída limpa do imbróglio em que se meteram na ânsia do poder quando apoiarem o atual líder e os seus princípios neoliberais. Mas, como diz o povo, enquanto o pau vai e vem folgam as costas. O discurso da direita está a mudar na UE para se afastar do utilizado pela extrema direita que, em alguns pontos, se apoderou do discurso populista próximo da esquerda e do centro.

O PSD de Passos queria estar no poder? Queria. Tinha em mente manter as políticas que seguiu? Tinha. Tem alguma coisa de novo para se mostrar alternativa? Não. A única coisa que tem nas mãos vazias á a CGD? É. Isso está em consonância com os interesses do país, isto é, com o interesse das empresas e das famílias? Não. Então o que pretende a direita PSD de Passos? Não sabemos.

Os portugueses já não sabem, mas há muitos que para escolherem um partido ligam mais ao aprumo do fenótipo que traz no seu porte elegante e apessoado do seu líder do que ao seu mérito.

À esquerda do PSD há que haver juízo. Como disse ontem Jerónimo de Sousa na entrevista que deu ao jornal Público. As sondagens são cada vez menos fiáveis, lá fora isso verifica-se. Por isso, o PS não pode embandeirar em arco com a subida nas sondagens. Tudo quanto sobe desce e a maior velocidade. Numa aliança parlamentar como é esta duma “geringonça funcional” é o todo que vale. Se um sai pode ser o enterro desta alternativa com a potencial subida da direita de Passos seguido e duma possível vitória ainda que a correlação de forças não se de apresente como tal. O eleitorado é, e pode vir a mostrar-se volúvel. Parece não ser isso que se quer. Não queremos voltar a outros quatro anos de mentiras, trapalhadas e divisões entre quem trabalha, nem quebras de coesão.

Digo eu agora: se não houver juízo por parte da esquerda já sabemos o que pode vir por aí. As sondagens são efémeras!

Publicado por Manuel Rodrigues às 21:24
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Terça-feira, 29 de Novembro de 2016

Senhor professor não fui eu, foi a quele menino

Não fui eu foi ele.pngAí estão eles agora, os senhores dos comentários e dos editoriais que estiveram ao lado da direita a fazer oposição ao Governo que utilizou como arma política a CGD. Justificam-se passando culpas para tudo menos para quem foi de facto o culpado. Para eles, não era o caso específico da Administração da CGD que estava em causa, era isso sim arranjarem um caso para fazer oposição porque para isso tinham as mãos cheias de pouco ou nada.

Vêm agora alguns dizer que a culpa foi de todos (Diários de Notícias), outro dizem que não, não foi a oposição e sobretudo o PSD que fez mal à CGD foi o Governo (Público). E fico-me por aqui.

Esta gente sabe muito bem porque é que a Caixa está como está. Conhece a situação em que Passos Coelho a deixou por negligência, criando um mundo virtual à volta dela para “fazer de conta” que estava tudo bem, e poder gabar-se de saídas limpas do programa de ajustamento. Pois Passos Coelho pode considerar que, neste ponto, saiu-se bem sujo. Colheu à volta umas ninharias para boicotar a limpeza da sujidade que fez. Passar a sujidade para outros, para não a limpar com as mãos. Se tivesse, na altura em que foi Governo, optado por recapitalizar a Caixa este imbróglio teria sido desnecessário.

A prova de que havia uma intenção do PSD de Passos Coelho de boicotar a recapitalização da CGD foi hoje clara quando votaram contra a injeção de capital na Caixa Geral de Depósitos que tinha sido aprovada por Bruxelas. Desta vez já não teve ao seu lado o CDS que se absteve.

Mais valia que este Passos Coelho e o seu PSD fizessem oposição séria ao Governo em vez de mandar os seus apaniguados tocar flautas sabendo que apenas sabem rabequear.

Publicado por Manuel Rodrigues às 18:26
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Domingo, 27 de Novembro de 2016

Dobrando a barra

Passo Coelho_fazforça.pngBem pode Pedro Passos Coelho e a sua direita no PSD esforçarem-se para dar a volta aos factos, (não apenas os das sondagens), com esforçados e ferrugentos discursos e argumentos, como estivessem a dobrar um ferro direito sem o conseguirem. Os seus discursos, e os do seu braço direito Maria Luís Albuquerque, colaboracionista na situação que o PSD atravessa, estão oxidados.  

Uma hipótese de salvação para esta direita de Passos Coelho é fazer uma oposição aqui, e agora, que passe por novas propostas e alteração de rumo. Um rumo que não se sabe bem qual é, mas que está a agora pedir, em vão, ao Governo. Será o mesmo que seguiu no passado recente, mas sem coragem para o dizer?

Acho que Passos já não diz coisa com coisa e pretende baralhar-nos com isso. Falando para dentro do seu partido na Convenção Autárquica, afirmou ontem que “este primeiro ano de Governo socialista, ´ficou muito aquém` das possibilidades do país, e que em 2016 deveria ter sido um ano com maior crescimento económico, maior geração de emprego e maior redução de divida do que foi. Em primeiro lugar porque a embalagem que vinha de trás assim o permitia". Será que Passos Coelho quer dizer que estaríamos muito melhor e que, por isso, as políticas e as medidas que aplicou quando era primeiro-ministro deveriam continuar? Ou será que queria dizer que deveriam ser reforçadas para empobrecer mais o país (alguns, diga-se) e que então estaríamos muito melhor. Mas quem, o país ou nós os portugueses?

Traduzindo para o português corrente: se Passos não fosse agora um primeiro-ministro no exílio, e o fosse ainda de facto, faria novamente tudo como fez ou faria pior e, assim, hoje, o país estaria muito melhor.

Balelas! O PSD de Passo Coelho está preso entre varas. Não tem coragem de dizer claramente ao país que manteria o mesmo rumo, mas, ao mesmo tempo, afirma que este que está a ser seguido está errado. Se mudar de rumo deixa de ser neoliberal e passa a ser social democrata, o mesmo seria dizer que seguiria caminho idêntico ao que o atual Governo está a seguir. Por outro lado, não tem coragem para dizer que reverteria algumas medidas.

Comparativamente até o CDS consegue estar a ser mais social democrata que este PSD.

Acho que o tempo do reinado neoliberal de Pedro Passos Coelho, de Maria Luís Albuquerque e de outros seus correligionários está a chegar ao fim. Mantêm-se no Parlamento que nada dizem de novo e repetem-se sucessivamente. A novela da CGD, à falta de melhor para eles, é uma forma de dizerem que estão vivos, mas com isso não estão a prejudicar o Governo, mas sim o país.

Podemos perguntar, como fez ontem Pacheco Pereira, qual foi a intervenção do Governo de Passos Coelho durante o programa de ajustamento, face ao que a troika propunha, quando ele antecipava que “tínhamos que empobrecer”.

“É muito relevante saber, por exemplo, quem propôs determinadas medidas na anterior legislatura, o Governo ou a troika? Pergunta Pacheco Pereira no Público.

E continua:

“É que para a história futura é muito relevante saber, por exemplo, quem propôs determinadas medidas na anterior legislatura, o Governo ou a troika? Que discussões existiram sobre a política fiscal, como foram justificados falhanços e elogiados sucessos? O que disse a troika sobre alguns processos de privatizações? É que sabemos muito pouco sobre o nosso processo de “ajustamento”, já sabíamos pouco sobre o que Merkel combinou com Sócrates, como foi feito o memorando, quem disse o quê, quem pediu à troika para incluir esta ou aquela medida”, e aí adiante...

É a isto que Passos Coelho tem que responder e o que, concreta e claramente, propõe se voltar a ser Governo. Não me parece que o vá conseguir, tal é a tacanhez duma certa direita que se infiltrou no PSD.

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 15:14
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Sábado, 26 de Novembro de 2016

Quem és tu Raquel

Raquel Varela.png

Raquel Varela_2.png

Gosto muito da Raquel Varela. Acho que para além de fotogénica é uma mulher atraente, cativante, com ar sedutor. Para mim, claro, porque isso de gostos, sejam eles do que for, tem o seu quê de subjetivo.  Mas este é o ponto que menos interessa referir. Interesso-me mais pelos seus pontos de vista sociais e políticos.

Desconheço o seu posicionamento partidário, mas quanto ao ideológico vejo-a como uma marxista ortodoxa que segue os ideais clássicos daquela corrente económica com se fossem uma espécie de ensinamentos catalogados.

Raquel é historiadora, investigadora, comentadora e outras coisas mais. Podem muitos não gostar dela, nem concordar com os seus pontos de vista, mas o seu valor intelectual é inegável. Apesar de todos estes atributos a minha aceitação por tudo quanto diz não é de modo nenhum incondicional.

Provocadora por inclinação podemos ouvi-la contra a direita, contra o centro, contra a esquerda. Vejo-a como alguém com necessidade extrema de protagonismo que consegue através da controvérsia política.

Apoia quaisquer greves vejam elas donde vierem, sejam elas que objetivo tiverem. Faz parte da sua ortodoxia marxista. À luz da sua visão dependente dum certo e indefinido esquerdismo critica, a seu modo, a esquerda moderada e democrática, acompanhando as críticas feitas pela direita. O dilema que Raquel Varela me coloca é, por um lado, eu ter necessidade de encontrar um centro político-ideológico que me leve a compreender o essencial do seu pensamento e posicionamento e, por outro, o de saber qual a sua lógica dominante.

Como historiadora está atenta a tudo e a todos os que saiam fora dos factos históricos deturpando-os a seu bel-prazer ideológico, como o tem feito esse dito historiador Rui Ramos. Neste ponto estou de acordo com ela, porque para mim a história que Rui Ramos divulga não entra no campo da investigação em história, são escritos de opinião sobre história vista à maneira dele.

 Mas voltando à Raquel, talvez ainda se recordem do apoio que deu à greve dos estivadores em 2015 chegando a ir a um plenário daquele grupo de trabalhadores incentivando as suas mulheres, como mães e donas de cas a juntarem-se à luta tendo daqui surgido um blogue de apoio.

 Do meu ponto de vista Raquel Varela é uma convicta radical de esquerda e defende intensamente a luta da classe operária, se é que ainda existe essa classe enquanto conceito do século XIX. É contra quaisquer ideologias dominantes ligadas ao bloco do poder que é um obstáculo ao pensamento e à sua produção científica em ciências sociais que não consegue separar da ideologia.

Fala sobre a banca dizendo que deveria ser toda nacionalizada porque está a enriquecer e a empobrecer o país. O Estado deveria deixar falir a banca, é o seu lema que várias vezes defendeu em algumas das suas intervenções em programas de opinião. Não percebe porque a Caixa deve ser capitalizada, mas a banca deveria ser nacionalizada e a Caixa Geral dos Depósitos não é, de todo, um banco público é privado com dinheiros públicos e não serve os interesses do povo, perceberam? Não? Eu também não.

Esta posição aproxima-se em alguns pontos às da direita que pretende travar a recuperação da Caixa. Raquel Varela navega por todos os mares e cavalga todas as ondas, é preciso é ser contra o poder seja ele qual for. É por isso que não a identifico com uma esquerda que pretenda agir segundo um conceito ideológico que se mostre através dum programa político claramente definido. Ela é contra um qualquer poder e uma purista do marxismo. Talvez, até seja uma narcisista intelectual que gosta de ser original pelos pontos de vista que vai lançando para o ar tornando-se polémica e, evidenciando-se, dessa forma, por uma pretensa diferença.

Não concordando com ela em muitos pontos, continuo a gostar da Raquel e leio quase tudo o que ela publica. Acredito, no que respeita à investigação, na sua credibilidade e fiabilidade científica. As ciências sociais como por exemplo a sociologia, a ciência política e a economia não sendo ciências exatas são permeáveis a ideologias e às suas tendências. O caso da economia é evidente no que respeita ao cálculo e à interpretação de indicadores. Daqui as várias teorias decorrentes.  Assim, a prática científica pode estar ligada a uma prática ideológica determinada considerando a produção científica em ciências sociais dum ponto de vista materialistas. É por este caminho que Raquel Varela segue sem perda de rigor. O mesmo já não posso dizer quando aborda certos aspetos da política que acabam por apoiar teses duma direita neoliberal que por aí se vai arrastando, sendo ela, como parece demonstrar, uma coletivista.

Não subscrevo a tese, como alguns dizem, de que Raquel Varela é uma pseudointelectual de Portugal. Posso questionar e responder de seguida, com margem de erro: Raquel Varela é de esquerda e faz o jogo da direita quando lhe convém? Sim. É contra o poder do Estado apenas em alguns casos? É. Defende um Estado que imponha a igualdade pelo coletivismo? Talvez.

Para mim é um enigma político onde se adivinham alguma demagogia populista. Talvez seja um protótipo duma esquerda caviar, sem ofensa para o caviar e para a Raquel.

Ainda no tempo do programa Barca do Inferno da RTP3 (fevereiro de 2015?), programa cujas opiniões não podiam ser levadas a sério Raquel Varela disse em determinado momento: “Não pagamos a dívida e usamos o dinheiro para empregar mais pessoas. Os restaurantes, por exemplo, se tiverem mais empregados, têm mais clientes e ganham mais”. Por tanto querer ser polémica por vezes sai disparate. Defesa intransigente dos trabalhadores sem critério.

É assim que os meus olhos vêm Raquel Varela.

A direita detesta-a e a esquerda tolera-a. Como a direita que anda por aí não gosta de ser contrariada e coloca-se na posição de ser a única detentora da verdade e da tese do não há alternativa que, ultimamente, tem estado a ser contrariada não gosta dela e, como tem vindo a ser o seu atributo, passa às ofensas pessoais como argumento.

Publicado por Manuel Rodrigues às 20:31
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Domingo, 6 de Novembro de 2016

Esta oposição de direita é um fiasco

Fiasco.png

A oposição do PSD continua a esbracejar e a gritar como se estivesse a afogar-se lentamente sem que ninguém a ouça por falta de coerência e de estratégia coerente e alternativa. É mais ou menos como aquele sujeito brincalhão que grita do mar por socorro numa certa praia como estivesse a afogar-se, e, quando chega o salva-vidas, diz que estava a brincar. Um dia viu-se mesmo aflito e ninguém lhe ligou. Morreu afogado.  

Grita em voz alta, sobre tudo e sobre nada, que o Governo está a fazer mal e não diz concretamente o que faria se fosse novamente Governo. Já sei, é a velha história do quem governa não somos nós, não temos nada para dizer. É verdade, mas no caso particular do PSD não, porque, um dia, quando houver eleições terá que abrir o jogo novamente e dizer ao que vai e, se não o fizer, então é que vão ser elas. Nessa altura Passos Coelho e a sua “entourage” irão engolir os tais sapos para não ficar entalados, isto se o partido o mantiver até lá.

Quem assistiu ao debate parlamentar sobre o Orçamento de Estado para 2017 terá apreciado o desempenho das intervenções dos partidos da direita PSD e CDS, e, também da esquerda, mas desta já sabemos quais são os seus pontos de vista e gere-os no tempo como muito bem entende e já assistimos, mais do que uma vez, a deixar a direita a falar sozinha.  

A oposição da direita foi lamentável e resultou em nada. Mostrou apenas despeito. Curiosamente, a intervenção de Passos Coelho mostrou uma postura de não rufia oposta à do primeiro-ministro António Costa que ele disse ser rufia. Ao dizê-lo, entrou também no rol dos rufias. Segundo o bem-falante Passos, que não é rufia, as boas ou as más políticas, as boas ou as más medidas parecem depender de quem governa ser mais ou menos rufia. Saltou-lhe o verniz falso, de baixa qualidade, que mostrava usar. Tão falso, como foi desde sempre. Antes, durante, e depois de ter estado no Governo.

Será que vale a pena enunciar novamente as políticas, as medidas e as afirmações atentatórias da dignidade de vários setores da sociedade portuguesa quando o não rufia Passos esteve no Governo? Pronto, já sei, o argumento costumeiro das condições excecionais em que governou. Parece ser óbvio que, à falta de dizer o que faria se voltasse a ser Governo, faria novamente tudo igual, com mais ou menos neoliberalismo à mistura, porque, se o fosse, a sua trupe de assalto ao poder lá continuaria.

Ainda a propósito do menino muito bem comportado Passos, preso ao passado recente, ter chamado rufia a António Costa seria interessante que este lhe colocasse um processo em tribunal como António Peixoto, o da peste grisalha, tal e qual dama ofendida, fez ao sujeito que lhe escreveu uma carta aberta onde lhe sugeria por meias palavras que era um dromedário e outros impropérios.

Ao escrever isto faço-o com um certo receio não me vão também instaurar um processo por abuso da liberdade de expressão.

Mas voltando ao assunto principal. Quais foram então as intervenções da direita? Tal como a conhecida frase “chapéus há muitos seu palerma”, intervenções da direita houve muitas, mas argumentos sérios e consistentes nenhuns. Limitaram-se apenas a cinco pontos sem interesse, desajustados e fuga aos objetivos concretos da discussão:

  1. O Orçamento de Estado tem todos os defeitos sem dizer o deveria ser feito. Falam de orçamento de austeridade, do tremendo aumento de impostos, até falam em cortes de regalias e por ai fora. Passos ora diz que não faria o mesmo ora diz que o faria melhor. Se for o melhor que já conhecemos estamos conversados.
  2. O CDS volta a julgar-se mandatado pelos pensionistas de menores recursos, mas, deixou ultrapassar todas as linhas vermelhas quando esteve no Governo em troca dum mandato para vice primeiro-ministro.
  3. A direita PSD e CDS tentaram passar uma esponja sobre tudo quanto fizeram quando estiveram no poder e, passam agora a criticar o Orçamento de Estado para 2017 dizendo que contem medidas que, como é sabido, eles é que as tomaram quando estiveram no Governo. Risos pois claro.
  4. Quem se der à paciência de procurar e analisar as intervenções e os argumentos que a então oposição PS, PCP e do BE utilizaram durante a governação de Passos Coelho verificará que há intervenções daqueles partidos que agora a direita utiliza quais como se fossem fotocópias. Já lá vai um ano, e nada mudou neste discurso do repete, vai para trás e nada para a frente, diz que vai para a frente mas fica para trás. O que faria a direita, hoje e agora, se estivesse no Governo ou o que fará se para lá voltar? Isso é o que interessa a todos nós portugueses.
  5. O tema principal da intervenção do deputado do CDS Telmo Correia centrou-se em sapos para aqui, engolir sapos para ali e por ai fora, na tentativa de fazer fissuras nos partidos à esquerda do PS. Segundo ele, abdicaram de muitas dos seus pontos essenciais. O que não é verdade pois quem os ouvir falar continuam nesses pontos a manter a sua matriz ideológica. O que faz falar a direita é uma espécie de raiva contida por esta geringonça estar a funcionar, coisa de que não estavam à espera.

Esta oposição de direita é um fiasco.

 

Notas finais:

Há por aí uns rumores de que Miguel Relvas e Marco António Costa do PSD andam a preparar qual,quer coisa. Se assim for então podemos estar descansados porque vai tudo mudar no PSD (ironia).

E, por último dá para rir. O PSD diz com grande desplanto que o Governo e também a Câmara de Lisboa, diga-se Medina, (da resolução do tribunal por causa do caso do Braga Parques) não estão a saber defender o país. Mas, se bem nos lembramos, o imbróglio foi um dos casos criado pelo próprio o PSD quando estava na Câmara e Carmona Rodrigues era o seu Presidente.

Publicado por Manuel Rodrigues às 23:40
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Livros que já li

Prisioneiros da Geografia Tim Marshall As cidades invisíveis Italo Calvino Quando Portugal Ardeu Miguel Carvalho A Vida Secreta dos Livros O Romancista ingenuo e o sentimental de Orham Pamuk malbe

Os porques da esperança.png

Demorei algum tempo a ler este livro mais do que o costume. Livro sobre a política nacional sobre a forma de entrevistas que passaram na TVI 24 efetuada por um provocador nato cujas respostas são dadas por um astuto tribuno da palavra. Livro que aborda temas nacionais da política recente com uma abordagem em que as palavras se se entrelaçam com alguma exposições mais académicas. Um bom manual para quem se interesse pela política em Portugal nos últimos tempos.  

 

 

Piketty_Capit_SecXXI


Memoráveis


Crónica dos dias do lixo



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Rodrigues, Manuel A (2011). Geografia Social Urbana na Licenciatura em Educação Social, Cadernos de Investigação Aplicada, (5). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas


Rodrigues, Manuel A (2010). Didática da Geografia: recurso à Literatura como proposta interdisciplinar, Cadernos de Investigação Aplicada, (4). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas. .


Rodrigues, Manuel A (2008). Televisão e os efeitos de exposição a mensagens televisivas na educação: o efeito da terceira pessoa, Cadernos de Investigação Aplicada, (2). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas.


Rodrigues, Manuel A (2005). Do Presencial ao Online: um estudo de sobre a atitude de estudantes face a situação de aprendizagem online, Actas do VII Simpósio Internacional de Informática Educativa-SIIE05, Escola Superior de Educação de Leiria.


Rodrigues, Manuel A (2004). Um Modelo de Formação em Ambiente Misto de e-Learning (Blended Learning): uma experiência na disciplina de Tecnologia Educacional, Actas da Conferência eLes’04: e-Learning no Ensino Superior, Universidade de Aveiro.


Rodrigues, Manuel A (2004). Marionetas em Liberdade: a identidade pe(r)dida com as novas exigências curriculares, Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas.


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