Terça-feira, 6 de Junho de 2017

Será que para burros só nos faltam as penas?

PCS_PSD.png

Depois do contratempo de Barcelona voltei ao ativo editorial deste blog. E começo pela questão da dívida pública que, a propósito, foi ontem constituída mais uma plataforma que elaborou um relatório sobre como a pagar em é substituída a palavra reestruturação por forma de pagar. Conclusão? Há agora dois relatórios e uma convicção comum: a dívida é excessiva.

Ultrapassado o problema do défice a direita PSD centra agora a sua “raiva” oposicionista sobre a dívida pública sobre o que evitava falar e discutir.  A direita há tempo trás, quando estava no governo nem queria ouvir falar nisso alegando na altura dificuldades que se prendiam com os mercados, e diabolizava todos quanto se referiam à palavra reestruturação da dívida. Lembrou-se agora a direita de constituir uma plataforma donde saiu um documento sobre o tema, após ter sido apresentado um outro elaborado por um grupo do PS e BE.

Compreende-se que o problema da dívida é melindroso e há que pegar nele com algumas pinças. No entanto, a direita nem com pinças lhe queria tocar. Parece agora que tudo mudou, porque, indo a reboque constituiu uma “plataforma” que autodenominou de PCS, Plataforma para o Crescimento Sustentável, (sigla que mais parece um disfarce, pois as letras P, C e S da referida sigla podem até querer significar Partido Comunista Social, ou coisa que o valha. Uma mistura de PC com PS, com um C no meio, talvez!).

A dita plataforma diz não ser do PSD, mas que é próxima do PSD. Isto é, aos seus elementos falta-lhes apenas o cartão de partido, porque, de resto, está tudo lá. Tentam fazer parecer que não é aquilo que é fazendo dos outros burros. Faz-me lembrar aquela anedota em que um sujeito diz para outro: “Para burro só lhe faltam as penas”. A reação foi imediata: “Mas burro não tem penas!” Ao que o primeiro responde: “Bom, então não lhe está faltando nada.”

A PCS diz-se uma “associação independente, sem filiação partidária”. Todavia, quem pertence ao conselho consultivo é Francisco Pinto Balsemão, um dos fundadores do PSD que, pelos vistos, parece não querer ser do PSD nesta andança, já que são apenas próximos do PSD conforme declaram. Neste momento ainda não se vislumbra o posicionamento de Passos Coelho face a esta plataforma PCS.

O projeto que o grupo de trabalho do PS e BE apresentou para discussão e reflexão sobre o tema da dívida pública tem que ser analisado e avaliado com algum cuidado para não ter um efeito contrário ao pretendido, pondo em risco a estabilidade dos mercados no que se refere aos juros e “ratings”.   

Prevendo outros ventos europeus sobre a gestão das dívidas públicas a direita, que diz que a sua plataforma não é PSD, mas que é PSD, vai a reboque, dizendo que não se trata de reestruturação, mas da forma de como pagar. Tirando o PCP e BE, alguém pretende o perdão, ou disse que não se devia pagar a dívida? O que esta direita pretende, como sempre fez, é confundir, enganar, baralhar.

Recordo que a primeira ideia apresentada sobre uma eventual restruturação da dívida lançada para debate, já lá vão mais de três anos foi o manifesto subscrito por 70 personalidades portuguesas que defendia que a reestruturação da dívida devia obedecer a três condições: abaixamento da taxa média de juro, alongamento dos prazos e reestruturação, pelo menos, da dívida acima dos 60% do produto interno bruto. Um dos subscritores que assinou o manifesto foi Manuela Ferreira Leite do PSD, que, na altura, foram diabolizados por Pedro Passos Coelho e pela sua “entourage” que, agora, e ainda bem para o PSD, mudaram de ideias.

O grupinho PCS quer um plano pós-troika de reformas para pagar a dívida, mas o que eles entendem por reformas já nós sabemos bem. O pós-troika é o regresso ao passado troikista com outro nome, e mais adocicado. Tudo isto não é mais do que um engodo, para ver se conseguem subir um pouco nas sondagens que andam muito pelas ruas da amargura, lá isso pode ser.

Publicado por Manuel Rodrigues às 22:21
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|

pesquisar

 

Posts recentes

Será que para burros só n...

Outubro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
11
13
15
16
18
19
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

Arquivos

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Livros que já li

Prisioneiros da Geografia Tim Marshall As cidades invisíveis Italo Calvino Quando Portugal Ardeu Miguel Carvalho A Vida Secreta dos Livros O Romancista ingenuo e o sentimental de Orham Pamuk malbe

Os porques da esperança.png

Demorei algum tempo a ler este livro mais do que o costume. Livro sobre a política nacional sobre a forma de entrevistas que passaram na TVI 24 efetuada por um provocador nato cujas respostas são dadas por um astuto tribuno da palavra. Livro que aborda temas nacionais da política recente com uma abordagem em que as palavras se se entrelaçam com alguma exposições mais académicas. Um bom manual para quem se interesse pela política em Portugal nos últimos tempos.  

 

 

Piketty_Capit_SecXXI


Memoráveis


Crónica dos dias do lixo



Links

Mais sobre mim

Trabalhos Publicados

Rodrigues, Manuel A (2011). Geografia Social Urbana na Licenciatura em Educação Social, Cadernos de Investigação Aplicada, (5). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas


Rodrigues, Manuel A (2010). Didática da Geografia: recurso à Literatura como proposta interdisciplinar, Cadernos de Investigação Aplicada, (4). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas. .


Rodrigues, Manuel A (2008). Televisão e os efeitos de exposição a mensagens televisivas na educação: o efeito da terceira pessoa, Cadernos de Investigação Aplicada, (2). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas.


Rodrigues, Manuel A (2005). Do Presencial ao Online: um estudo de sobre a atitude de estudantes face a situação de aprendizagem online, Actas do VII Simpósio Internacional de Informática Educativa-SIIE05, Escola Superior de Educação de Leiria.


Rodrigues, Manuel A (2004). Um Modelo de Formação em Ambiente Misto de e-Learning (Blended Learning): uma experiência na disciplina de Tecnologia Educacional, Actas da Conferência eLes’04: e-Learning no Ensino Superior, Universidade de Aveiro.


Rodrigues, Manuel A (2004). Marionetas em Liberdade: a identidade pe(r)dida com as novas exigências curriculares, Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas.


Rodrigues, Manuel A (2000). Ciberespaço, Internet e as Fronteiras da Comunicação Educacional, Lisboa, Universidade Aberta. Porbase, CDU 37.01(043), 159.95043), 005.73Internet(043.2),371.1043)

Participar

participe neste blog

Blogs Portugal

Facebook

Zoom Social no Facebook

Tags

todas as tags

blogs SAPO

subscrever feeds