Terça-feira, 18 de Julho de 2017

O caso do candidato que mostra o que é mas que afinal não é

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"Não somos racistas nem xenófobos, nem nunca o fomos", mas continuaremos a apoiar o nosso candidato, foi assim que Passos Coelho de pronunciou sobre o caso André Ventura, mas que afinal parece que o é mas Passos diz que não é.

O PSD voltou a ser PPD e, pelos primeiros ensaios para a mudança de liderança, o seu caminho vai ser o populismo. Segue no sentido duma estratégia idêntica à de Trump, de Le Pen e outros populistas da extrema direita.

O caso do candidato do CDS André Ventura à autarquia de Loures é paradigmático. CDS-PP deixa cair André Ventura e PSD mantém apoio e abandona coligação.

O partido neofascista e próximo do neonazismo PNR, cuja ideologia se pauta pelo nacionalismo, conservadorismo social, populismo, protecionismo, anti-NATO, eurocepticismo, anti-imigração já veio dizer através dos eu líder José Pinto Coelho, que “Infelizmente, ao que parece, alguns dos ‘meus’ ainda andam pelos partidos do sistema”. O líder da extrema-direita neofascista reagiu à entrevista de André Ventura ao jornal i escrevendo no Twitter que André Ventura é um dos “seus”.

Parece ser este o caminho do populismo que a nova orientação do PPD/PSD está a seguir aliás começam a ser notórias as intervenções e Montenegro, agora que está de saída, para dar lugar a um outro “jovem” Hugo Soares que quer visibilidade e que será provável ir substituí-lo como líder da bancada PPD/PSD. É um dos que para se aproximar da direita extrema só lhe faltam a penas. Iremos confirmar isso posteriormente se se concretizar a sua candidatura.  

Publicado por Manuel Rodrigues às 20:38
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Segunda-feira, 3 de Julho de 2017

Demissões na direita precisam-se

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O antigo dirigente social-democrata Ângelo Correia que acusa a liderança do PSD de “inércia” e diz que o partido está votado ao “silêncio” e à “ausência”. Diz mesmo que nem consegue criticar o líder da oposição. “Nós só podemos criticar aquilo que existe e como não existe nós nem sequer podemos criticar”, disse Ângelo Correia, em entrevista à TSF e ao Diário de Notícias. “O grande problema para o PSD

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 20:33
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Terça-feira, 27 de Junho de 2017

Oposição da direita e credibilidade das notícias

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Aqui da Beira onde me encontro tenho evitado emitir opiniões sobre uma situação que foi de terror para muitas populações. Mas há duas que não pude deixar passar sem um comentário qué são o desespero da oposição de direita, nomeadamente do PSD, acompanhado por alguns jornalistas dos órgãos de comunicação, televisão e imprensa que, ávidos de notícias polémicas e de furos jornalísticos que possam beliscar aqui e ali o Governo, lançam para a opinião pública notícias não são validadas nem confirmadas. Estas notícias foram baseadas em boatos originados e propagados por fontes pouco credíveis, nomeadamente quando se entrevistam aleatoriamente testemunhas envolvidas no próprio acontecimento e sempre que se verificam situações de catástrofe.  

Assim foi o caso de avião de combate ao incêndio que se teria despenhado apenas porque foi ouvido um ruído de explosão que passou por ser semelhante à queda duma aeronave. Resta saber se esta notícia não terá sido propositadamente fabricada, depois dada como boto para criar mais achas nas fogueiras que se atiçavam nas notícias divulgadas.

Figuras da televisão também elas ávidas de protagonismo, como Judite de Sousa, dando-se ares de grande repórter vai para o terreno colocando-se em falso risco para mostra em direto um cadáver coberto com um oleado amarelo que aguardava remoção que, no dizer desta candidata a um prémio bullytzer do jornalismo (nome inventado por mim a partir de bully, não confundir com prémio Pullitzer), estava ali sem ter sido retirado. Queixas para a ERC – Entidade Reguladora para a Comunicação choveram bastantes, mais do que uma centena. Comparou então ela o que fez com outras imagens que, lá fora, sempre o lá fora, também, embora noutras circunstâncias, tinham sido divulgadas. E, claro, era inevitável, a direção da TVI veio, apressuradamente, em sua defesa dizendo que ninguém dá lições de jornalismo. Presunção e água benta não lhes faltam.

Claro que o líder do PSD sem nada para fazer oposição agarra-se também a boatos que divulga através da comunicação: suicídios devido à tragédia, internamento hospitalar de uma tentativa de suicídio. Alegando que lhe tinha sido fornecida essa informação pelo Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Pedrógão Grande. Qual terá sido o objetivo? E mais, Passos Coelho falou ainda da falta de psicólogos para assistência às populações. Tudo isto se confirmou serem notícias falsas, desta vez veiculadas pelo próprio líder do PSD do qual veio depois pedir desculpa. É inadmissível vindo dum responsável partidário da oposição!

Isto apenas revela a desorientação da direita que, sem nada para fazer oposição, vendo as suas convicções de orientação para o país derrubadas, que dizia serem únicas, procura na tragédia que provocou a perda de bens e de vidas humanas algo onde se agarrar.

Publicado por Manuel Rodrigues às 19:39
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Terça-feira, 20 de Junho de 2017

Imaginação e cinismo

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É lamentável que um senhor deputado que deveria ser responsável fale, em tom jocoso, e em dói-dóis, desvalorizando o sofrimento de cidadão atingidos pela tragédia dos incêndios. Não é tempo para brincar senhor deputado Helder Amaral. Para além de vergonha deveria ter pelo menos, sentido político e de estado, e deixar de fazer gracinhas a calamidade tentando, ao mesmo tempo, beliscar politicamente alguém que está a apoiar, mesmo que seja através de afetos que é o que no momento necessitam pessoas que sofrem. A sua insensibilidade é notória como militante dum partido que diz perfilhar a democracia cristã. Nunca fui do CDS, mas, se o fosse, passaria a ter vergonha de o ser pelas afirmações lamentáveis do senhor deputado. Termino com a mesma frase que utilizei noutro post: tenha tento senhor deputado! Tenha tento!

***

Cinicamente olho para as intervenções de alguns políticos e também de alguns jornalistas e comentadores, tendencialmente de direita, e vejo as suas lamentações sobre a tragédia que caiu sobre a zona de Pedrógão Grande e concelhos periféricos. Lamentam as vítimas e apresentam condolências aos familiares deixando nos entrementes algumas achas de ataque político.

À direita conseguiu que, sem esfoço, ou talvez não, lhe caísse oportunamente mão um filão para explorar politicamente. Vai explorar até onde puder. Fracassadas as tentativas de ataque para fragilizar alguns ministros e secretários de estado do atual governo agarram-se agora à ministra da Administração Interna.

***

Recordemos agosto de 2013. Ministro da Administração Interna, Miguel Macedo. A serra do Caramulo foi dizimada pelo fogo, bombeiros morreram. O ministro publica e simplesmente lamentou o óbito. Pediu ele a demissão pelo acontecido? Não. Passos Coelho demitiu-o? Não. Ele demitiu-se devido à falcatrua dos “vistos gold”. Mas agora pedem já demissões. Estes senhores da direita são uns sem vergonha.

***

Um certo cinismo e uma maldadezinha perversa, sem regozijo, claro está, fermentam na minha cabeça. Tentar fazer a leitura da mente deles, os da direita, para compreender seu ponto de vista.  Ponho-me então a observar a sua linguagem facial e a detetar a escolha cuidadosa das suas palavras, que pode ser uma pista clara para conhecer o que alguém está pensando.

Com uma pitada de fértil imaginação antevejo no seu íntimo uma certa satisfação interior, não manifesta, pelo acontecido e pela oportunidade que lhes foi dada pelos seus deuses invisíveis para iniciarem um discurso oposicionista que a tragédia lhes facilitou, já que nada mais têm.

Faço, como é óbvio, juízos de intenção e de valor antecipando o que poderá virá por aí. Conhecendo-se, por experiência, como a direita trabalhou/trabalha e as estratégias de caminhos ínvios quando lhes retiraram/retiram o poder e os privilégios, é natural que estes, seus descendentes, que frequentam os seus “corredores” as continuem a utilizar, se não nos atos, pelo menos nos argumentos, pela ofensa e pela maledicência. E mais não digo…

Publicado por Manuel Rodrigues às 18:25
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Terça-feira, 6 de Junho de 2017

Será que para burros só nos faltam as penas?

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Depois do contratempo de Barcelona voltei ao ativo editorial deste blog. E começo pela questão da dívida pública que, a propósito, foi ontem constituída mais uma plataforma que elaborou um relatório sobre como a pagar em é substituída a palavra reestruturação por forma de pagar. Conclusão? Há agora dois relatórios e uma convicção comum: a dívida é excessiva.

Ultrapassado o problema do défice a direita PSD centra agora a sua “raiva” oposicionista sobre a dívida pública sobre o que evitava falar e discutir.  A direita há tempo trás, quando estava no governo nem queria ouvir falar nisso alegando na altura dificuldades que se prendiam com os mercados, e diabolizava todos quanto se referiam à palavra reestruturação da dívida. Lembrou-se agora a direita de constituir uma plataforma donde saiu um documento sobre o tema, após ter sido apresentado um outro elaborado por um grupo do PS e BE.

Compreende-se que o problema da dívida é melindroso e há que pegar nele com algumas pinças. No entanto, a direita nem com pinças lhe queria tocar. Parece agora que tudo mudou, porque, indo a reboque constituiu uma “plataforma” que autodenominou de PCS, Plataforma para o Crescimento Sustentável, (sigla que mais parece um disfarce, pois as letras P, C e S da referida sigla podem até querer significar Partido Comunista Social, ou coisa que o valha. Uma mistura de PC com PS, com um C no meio, talvez!).

A dita plataforma diz não ser do PSD, mas que é próxima do PSD. Isto é, aos seus elementos falta-lhes apenas o cartão de partido, porque, de resto, está tudo lá. Tentam fazer parecer que não é aquilo que é fazendo dos outros burros. Faz-me lembrar aquela anedota em que um sujeito diz para outro: “Para burro só lhe faltam as penas”. A reação foi imediata: “Mas burro não tem penas!” Ao que o primeiro responde: “Bom, então não lhe está faltando nada.”

A PCS diz-se uma “associação independente, sem filiação partidária”. Todavia, quem pertence ao conselho consultivo é Francisco Pinto Balsemão, um dos fundadores do PSD que, pelos vistos, parece não querer ser do PSD nesta andança, já que são apenas próximos do PSD conforme declaram. Neste momento ainda não se vislumbra o posicionamento de Passos Coelho face a esta plataforma PCS.

O projeto que o grupo de trabalho do PS e BE apresentou para discussão e reflexão sobre o tema da dívida pública tem que ser analisado e avaliado com algum cuidado para não ter um efeito contrário ao pretendido, pondo em risco a estabilidade dos mercados no que se refere aos juros e “ratings”.   

Prevendo outros ventos europeus sobre a gestão das dívidas públicas a direita, que diz que a sua plataforma não é PSD, mas que é PSD, vai a reboque, dizendo que não se trata de reestruturação, mas da forma de como pagar. Tirando o PCP e BE, alguém pretende o perdão, ou disse que não se devia pagar a dívida? O que esta direita pretende, como sempre fez, é confundir, enganar, baralhar.

Recordo que a primeira ideia apresentada sobre uma eventual restruturação da dívida lançada para debate, já lá vão mais de três anos foi o manifesto subscrito por 70 personalidades portuguesas que defendia que a reestruturação da dívida devia obedecer a três condições: abaixamento da taxa média de juro, alongamento dos prazos e reestruturação, pelo menos, da dívida acima dos 60% do produto interno bruto. Um dos subscritores que assinou o manifesto foi Manuela Ferreira Leite do PSD, que, na altura, foram diabolizados por Pedro Passos Coelho e pela sua “entourage” que, agora, e ainda bem para o PSD, mudaram de ideias.

O grupinho PCS quer um plano pós-troika de reformas para pagar a dívida, mas o que eles entendem por reformas já nós sabemos bem. O pós-troika é o regresso ao passado troikista com outro nome, e mais adocicado. Tudo isto não é mais do que um engodo, para ver se conseguem subir um pouco nas sondagens que andam muito pelas ruas da amargura, lá isso pode ser.

Publicado por Manuel Rodrigues às 22:21
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Terça-feira, 9 de Maio de 2017

Andamentos em Dó Menor do mestre escola

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Primeiro andamento:

 

O nevoeiro que avassala o PSD, que tem sido manifesto nas declarações do seu líder Passos Coelho, é confrangedor. Não avançando com qualquer medida concreta para as reformas e especificamente a da Segurança Social em junho de 2016  vai argumentando que os sociais-democratas não querem contribuir para “inquinar o debate desde já”, o presidente do PSD disse ainda que a reforma da Segurança Social está a ser feita sem transparência.

Em junho de 2015, Passos Coelho desafiava os restantes partidos, em particular o PS, para uma Reforma da Segurança Social, assumindo a aposta de uma comissão eventual no Parlamento que discuta a questão nos próximos seis meses. Para os convencer definiu linhas vermelhas: não haveria cortes nas pensões, não se mudaria o sistema de solidariedade geracional e deixaria cair o plafonamento das pensões, deixava algumas garantias para obrigar o PS a ir a jogo.

Se estaria ou não com boas intenções não sabemos, apenas sabemos que, uma mudança radical da sua posição sobre o tema levanta à partida suspeitas visto poderrmos considerar que está a falar para um eleitorado que, entretanto, perdeu.

A 30 de abril disse em Arganil, “que esta maioria não sabe conviver com quem não seja obediente, que não seja concordante com o poder vigente. Uma democracia precisa de pesos e contrapesos, de uma avaliação de práticas que sejam transparentes, do respeito pelas instituições. Quando isso não acontece, a democracia passa a ser limitada”. Mais acrescentou noutra altura que o processo da reforma da Segurança Social não está a ser transparente, mas o facto é que a comunicação social tem dado bem conta disso. Não merece comentário, basta perguntar: e, então o que fez quando estava em maioria absoluta no governo?

O dr. Passos Coelho tem dificuldade em sair do discurso de cangalheiro que é aquele discurso de circunstância que se faz quando não há nada para dizer e são críticas que “não são feitas à essência das opções, mas sim a situações colaterais”.

O ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, abordou o assunto à margem do congresso nacional da Economia Social, que se realizou na Póvoa de Varzim, lembrando que o Programa Nacional de Reformas, que depois de aprovado o ano passado tem este ano uma primeira revisão, “não sofreu alterações nos seus aspetos fundamentais”. Não foi o que Passos tinha dito antes?

 

Segundo andamento:

 

"Este Governo e esta maioria têm um único cimento, que foi repor rendimentos. O nosso problema não é repor rendimentos, é repô-los ao ritmo que não ponha em causa o equilíbrio de que precisamos para não voltar atrás", sustentou. O líder do PSD acrescentou que "o único cimento que esta maioria teve foi para reverter reformas estruturais importantes que se tinham feito".

Compreendi-te!

 

O líder social-democrata disse que os "Governos governam para o país, não governam para os seus eleitores nem para os militantes dos seus partidos" e "os países não podem ficar capturados por um determinado Governo ou maioria".

Parece que o anterior governo não era maioria e de que não estivemos reféns!

 

"Faz retaliação e a retaliação é um retrocesso democrático insuportável na época e que vivemos", afirmou.

Estou enganado. Ninguém foi retaliado democraticamente durante a maioria de direita.

 

"É preciso combater esta ilusão que se está a tentar criar de que os problemas estão resolvidos e que o que aconteceu em 2011 foi o resultado de uma conjuntura externa muito adversa e que não tem nada a ver com problemas estruturais que o país tenha"

Se bem me lembro este não era o discurso pré-eleitoral daquela época?

 

Terceiro andamento: reminiscência do passado, já lá vai quase um ano

 

O título deste post, “Dó Maior”  não se trata da nota da escala musical mas do nome masculino “dó”  que significa compaixão, piedade pelas atitudes da direita neoliberal do PSD e das suas juventudes que sofrem duma incultura histórica e política agravada.

Esta cultura da ignorância implica que o perfil cultural dos elementos dum partido político e dos seus satélites das juventudes partidárias, não é algo que possa ser considerado constante a partir dum qualquer curso ou de uma medida temporal localizada. Não se reduz aos níveis de escolaridade formal atingidos e não é encarado como qualquer coisa que se obtém num determinado momento e válido para todo o sempre.

A estas premissas acresce que a capacidade para desenvolver potencialidades e participar ativamente na sociedade tem de ser visto no quadro de níveis de exigências sociais em determinado momento para um bom desempenho de funções sociais diversificadas que corresponda ao exercício da atividade política. 

Neste contexto é manifesta a ignorância da montagem das imagens que em certas ocasiões a JSD faz proliferar que revelam confusão histórica e política, certamente premeditada. E, o que é mais grave ainda, têm a finalidade de confundir e amedrontar utilizando métodos idênticos aos já bem conhecidos utilizados no tempo do fascismo e das ditaduras idênticas às da Coreia do Norte.

Para estas juventudes politicamente formatadas, cultural e mentalmente alienadas, não podemos esperar, no futuro, nada de bom, ainda que Passos Coelho nos seus tempos de governação tenha sugerido várias vezes que, ao tomar medidas contra a grande maioria do povo, estava a pensar no futuro das novas gerações. Gerações como estas da JSD, geradas no casulo dum PSD cada vez mais neoliberal e radical, apesar do golpe de rins que nos últimos meses tem feito! Esperemos que, por isso, não venham a ter uma entorse de coluna.

Sobre a máquina da ignorância, digo eu, da incultura histórica, ao serviço da política Pacheco Pereira escreveu em tempo um artigo no jornal Público sobre o financiamento a algumas escola privadas, que vale a pena ser lido, e onde, a certa altura, escreve: “É de um ridículo atroz dizer que o cancelamento de alguns contratos com colégios privados, — que são negócios legítimos, mas negócios, — tem alguma coisa a ver com o estalinismo.”.

Publicado por Manuel Rodrigues às 19:27
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Sexta-feira, 31 de Março de 2017

Bombas e bombinhas

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Os problemas da banca são uma espécie de bombas, minas e granadas com retardador de rebentamento que o governo do PSD e do CDS deixaram para trás e que estão agora a rebentar nas mãos do atual para os resolver.

Como podem o PSD e o CDS estarem agora a dizer que nada disto tem a ver com eles. O que nós, portugueses, os governados, não precisamos é que nos queiram fazer estupidamente parvos.

O PSD e o CDS não têm credibilidade, nem legitimidade, nem autoridade para falarem dos problemas da banca como se fosse o governo em funções que os tivesse originado. O atual governo está a resolver os problemas que esconderam ao longo de mais e quatro anos. A memória é curta, mas não tanto.

Naquele tempo, do PSD e do CDS, ouvíamos dizer que no sistema financeiro estava tudo a correr bem. Até para os seus amigos da “troika” que, infelizmente tiveram que nos emprestar dinheiro, era assunto sobre o qual nem se pronunciavam, talvez em conluio com o governo de então. Nem sequer utilizaram o fundo de capitalização como o fizeram Espanha, Irlanda e Itália. Na prática, o PSD e o CDS mais os amigos da “troika” não se mexeram para nos fazer crer que a austeridade era a mãe que resolveria todas as soluções do problema financeiro. Enganaram-nos!

 Após a queda do BES criaram o Novo Banco, o banco bom e um banco mau que serviriam a salvação. Estamos agora a ver. O PSD, na altura, tinha na manga a solução perfeita segundo a “conversa”, que ia vendendo e que se verificou posteriormente ser gato em vez de lebre.

Não sou eu que o digo, está escrito no site do PSD o que o Passos disse em agosto de 2014.

"O que é essencial hoje é passar uma mensagem de tranquilidade quanto à solução que foi adotada. Ela respeita o quadro legal e, portanto, o Governo não deixou de a apoiar. E, em segundo lugar, é aquela que oferece, seguramente, maiores garantias de que os contribuintes portugueses não serão chamados a suportar as perdas que, neste caso, respeitam pelo menos a má gestão que foi exercida pelo BES”.
“Não tenho nenhuma razão para pensar que haverá uma dificuldade maior na venda do novo banco. Em primeiro lugar, já existia interesse de outros bancos europeus pelo BES, o que significa que esse interesse com certeza aumentará, porque tudo o que era problemático, digamos assim, ou menos transparente, ficará do lado de um ‘bad bank’ [mau banco], e, portanto, não estará inserido neste novo banco que será colocado à venda”.

O primeiro-ministro da altura destacou ainda a reação do mercado financeiro à decisão do Banco de Portugal, que até às 12:00, hora a que falou com os jornalistas, era “favorável” e “não penalizou nem os juros da dívida pública nem a cotação dos principais bancos que estão cotados [em bolsa]”,

“O que significa, portanto, que até ver esta solução que foi anunciada foi tomada pelo mercado como uma solução tranquila, que garante que a dívida pública não será afetada por esta operação. Saber depois se pode haver ou não em termos de défice algum reflexo, a senhora ministra das Finanças irá divulgar isso”.

Mas também houve outros como Marco António Costa, que elogiava à solução encontrada pelo Banco de Portugal para "salvar" o Banco Espírito Santo através da criação de duas novas instituições: o Novo Banco, com os ativos bons e depósitos; o banco mau, com os ativos tóxicos como dívidas ao GES. Uma opção que, diz, é distinta das anteriores.

"Há uma diferença entre esta solução e as do passado. No passado, era o dinheiro direto dos portugueses que era injetado", referiu na aultura o Vice-Presidente Coordenador do PSD Marco António Costa.

"A solução encontrada pelo conselho de administração do Banco de Portugal, sendo inovadora, é aquela que evita o recurso a soluções do passado, que não se relembram como as melhores para o interesse nacional", continuou Marco António Costa.

 Nos últimos anos, o BPN foi nacionalizado no Governo de José Sócrates qaundo o ministro das finanças era Teixeira dos Santos  com uma fatura que ainda não se conhece, mas que se encontra na casa dos milhares de milhões de euros, mas também a Caixa Geral de Depósitos, o BCP, o BPI e o Banif receberam injeções de capital, ainda no Executivo liderado por Pedro Passos Coelho.

Publicado por Manuel Rodrigues às 19:13
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Domingo, 26 de Março de 2017

Fazer oposição ao país

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A quem disser que tenho uma obsessão em publicar “posts” relacionados com Passos Coelho eu digo que é verdade. E como não a ter quando este senhor vai para fora, desta vez em Paris, fazer uma oposição disfarçada ao seu país, desta vez, embora de forma suave, mas intencional, para quem o quisesse ouvir, inclusivamente os tais mercados de quem ele se socorria quando esteve no governo para aterrorizar que sem se lhe opunha.

As medidas extraordinárias utilizadas, ou não, para diminuir o défice, dizem apenas respeito aos portugueses e são validadas e escrutinadas por Bruxelas, e basta.

Passos vai para fora fazer oposição, não contra o governo, mas ao próprio país, desdenhando recorrendo a uma espécie de elogio ao que foi conseguido. Mais ainda, lamenta-se e coloca-se no passado como vítima. Afinal, vai pedir lá fora que também o ajudem a fazer oposição. Vejamos então as suas declarações com sublinhados meus.

O líder do PSD afirmou em Paris, perante uma centena de pessoas na sede do partido Les Républicains, que o défice de 2,1 por cento do PIB foi alcançado com "medidas extraordinárias" e "será outro desafio enorme este ano para chegar ao mesmo nível".

 "O objetivo do défice foi alcançado, porém, com medidas desta natureza. O que significa que será outro desafio enorme, este ano, para ver se conseguimos chegar ao mesmo nível e outro tanto para o ano a seguir e por aí fora. Será difícil", indicou Pedro Passos Coelho, em Paris.

O líder do PSD afirmou, ainda assim, estar "satisfeito" por se ter cumprido "um défice claramente abaixo de três por cento", o que "é bom" tendo em vista uma saída do Procedimento por Défice Excessivo. Claro que aqui finge-se congratulado, também era o que mais faltava! Mas logo a seguir capta os louros para ele, “Fizemos muito por isso quando estivemos no Governo e achamos que o país fez o esforço que precisava e que merece para poder sair desse procedimentodisse.

E lá vai no seu propósito lançando para o ar o lamento alertando para que o número foi alcançado através de receitas extraordinárias que se fosse ele a tomar "caía o Carmo e a Trindade".

Chega! A oposição faz-se cá dentro! Será que não está preocupado com os mercados?

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 17:48
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Quinta-feira, 23 de Março de 2017

Tesourinhos deprimentes

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Ultimamente tenho evitado persistir em comentar e dar opiniões sobre Passos Coelho, salvo algumas situações pontuais, mas, ao fim deste tempo não aguentei mais, tantas são as disfunções no exercício político na oposição que tem revelado.

Não queria comentar demasiado as preleções que faz para dentro do seu clube de amigos do partido que a comunicação social tem feito o favor de divulgar. Não, não estou ainda a referir-me à escolha da Teresa Leal Coelho para a Câmara de Lisboa.

O que ele anda por aí a propagar são autênticos tesourinhos deprimentes que ao mesmo tempo são reveladores duma amnésia política artificial e infantilizada, qual criança que pretende intrujar o adulto com medo de se sentir atormentada por ter feito uma maldade.

Diz aquela candeia que ilumina o PSD que o PS tem “uma retórica infantilizada” sobre a austeridade, dizendo que está a acabar quando, na verdade, está a ser redistribuída com um orçamento restritivo.”. Pois, até parece que sim, mas aqui a amnésia de Passos Coelho é muito evidente. Acusa outros de estarem a fazer o que ele esqueceu que fez, mas pior.

O líder do PSD acusa o PS de se “ajoelhar” perante a Comissão Europeia. Como como num sketch de Herman José, “fantástico Melga!”. E isso que dizes é verdade Melga? E, Melga, tu garantes-me que testaste isso na Comissão Europeia, Melga?

Passos, referindo-se ao tema do fecho dos balcões da CGD, afirma que, sendo pública, não pressupõe “até certo ponto” um nível de serviço público. “Até certo ponto”? Qual o sentido disto? Mas qual ponto? Quem fala assim não é gago e manifesta uma amnésia seletiva pois foi ele e o seu governo quem fechou mais serviços públicos. Passou a ser agora amigo dos trabalhadores da banca quando no tempo dele a banca privada fechou balcões em catadupa. E mais, foi quando o PSD esteve na governação que a Comissão Europeia aprovou o fecho de 150 balcões da Caixa Geral de Depósito.

Acho que todos se recordam de quando lhe foi imputada responsabilidade no caso das transferências para offshores, o que considerou inaceitável. O líder do PSD parece sofrer de aterosclerose política de prognóstico grave quando se coloca no papel de virgem ofendida, por haver um primeiro-ministro que “não pede desculpa por tentar enlamear as pessoas que estiveram no seu lugar”. Esta frase é outra que faz parte dos tesourinhos deprimentes de Passos complementados pelas fugas para a comunicação social onde, numa reunião, chamou ao atual primeiro-ministro vil, soez, reles e outros mimos de boa linguagem política.

Para a Câmara de Lisboa foi escolher uma candidata que apesar de ter responsabilidades no partido, é vice-presidente, não passa ela própria também dum tesourinho deprimente que foi apenas escolhida pela confiança e amizade. A confiança não confere qualidade e a amizade muito menos.  Nem sempre as pessoas de confiança podem ser sempre as melhores escolhas. O PSD de Passos é um grupo de amigos que giram à sua volta e que ainda o apoiam sendo eles próprios tesourinhos deprimentes.

Passos Coelho pode falar muito bem, mas só convence quem se quer deixar convencer. Fala “como se um cangalheiro a tenter salvar o país com o discurso de um cangalheiro…”. Não sou eu que o digo, é alguém dentro do PSD que o disse.

Muitos mais tesourinhos haveria para recordar, mas não me quero alongar para não martirizar os seus amigos mais próximos do partido que eventualmente leiam este “post”.

Publicado por Manuel Rodrigues às 17:32
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Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2017

Oposição carnavalesca da direita

Oposição carnavalesca.png

 A direita PSD e CDS faz-me lembrar aquele tipo de cães de guarda que, quando esfomeados, em vez de ajudarem a guardar a casa, que também é deles, ferram os dentes no sujeito encarregado da sua segurança.  

Entrámos na época carnavalesca e a direita mascarou-se e construiu um carro alegórico que passa na comunicação social apenas aplaudido por aqueles que o ajudaram à sua ornamentação e pretendem que o desfile continue durante a quaresma. Aliás esta direita sempre foi carnavalesca mesmo quando esteve no governo e como sabia que o era pretendeu eliminar o carnaval, senão no calendário, pelo menos no povo.   

Mais lamentável é ainda a comunicação social que alimenta aquele carnaval confundindo notícias com comentários políticos, procurando tudo quanto seja negativo e omitindo o positivo que deveria ser divulgado. Alinhando com a oposição a comunicação social, especialmente alguns canais de televisão, pensando que fazem dos portugueses parvos e selecionam nos seus noticiários o que à oposição interessa. E, quando algo de positivo acontece e não conseguem deixar de o divulgar fazem-no de tal modo confuso em números e comparações que um espectador menos atento ou menos informado ficam sem perceber nada. Ainda ontem, na TVI, no jornal da oito isso aconteceu. Sobre as contas do ultimo trimestre de 2016 divulgadas pelo INE, nem nada. Apenas uma pequena informação onde leva a crer que os indicadores tinham piorado. Alinha pelas declarações da direita. Sobre a declarações de Passos Coelho (embora não agradáveis) sobre o resultado desses indicadores, divulgados ontem pela Antena 3, às notícias, a TVI disse nada.

No último trimestre do ano, o Produto Interno Bruto (PIB) fixou-se nos 1,9%, em relação ao período homólogo, e nos 1,6% face ao trimestre anterior. Mas, para Passos Coelho, o crescimento ficou, no entanto, abaixo das estimativas anteriores.  Defende uma “alteração de política económica” que “o Governo tenha a humildade de concretizar”. Pergunto eu: qual é essa alteração? Voltar à mesma que ele aplicou? Continuamos sem saber porque ele e os do seu partido passam o tempo a falar na CGD, nos mails, SMS, cartas e cartinhas cujo conteúdo não interessam à maior parte das pessoas, tudo numa espécie de carnaval político.  Disse ainda que, “quando a poupança é sacrificada, como foi em 2016, o próprio investimento interno é penalizado”. Boa! Então no tempo dele é que havia poupança quando retirou poder de compra e reduziu salários e pensões?

Direita e televisões em consenso tentam enganar-nos por omissão. Como não poderemos desconfiar do controle da comunicação por grupos de direita?

O corso carnavalesco da direita vai continuar devido ao défice de argumentos que se traduzam numa oposição credível já que a seus argumentos do passado, quando foi governo, estão em derrocada.  Como o diabo não vem a direita quer forçá-lo a sair do inferno, para mal de Portugal, do país e dos portugueses que eles dizem defender. Temos que lamentar a baixeza do tipo de oposição do CDS e do PSD, mais conotada com o PSD, partidos que deveriam primar pela credibilidade política. O que a oposição de direita tem feito é apenas lutar por mais uns pontinhos em termos de décimas a mostrar nas sondagens.

Publicado por Manuel Rodrigues às 17:02
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Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2017

Fotonovela da CGD ou a crise do não tenho mais nada

Saiba tudo sobre a fotonovela da CGD. Os segredos, as cumplicidades, as receitas partidárias, as conspirações e tudo o que dá para atrair as atenções da comunicação social na “Fotonovela da CGD ou a crise do não tenho mais nada”.

Fotonovela da CGD.jpg

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 23:39
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Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2017

Quando a direita virou à esquerda radical ou passou a ser a sua muleta

Novo PSD.png

Há coisas curiosas e uma delas é o que se passa com os partidos que negam e rejeitam tudo o que defendiam até hoje. É o caso do PSD que para fazer oposição unicamente partidária e sem vantagens para o país. Neste caso para o PSD primeiro está o partido e depois o país.

O caso da TSU é a evidência do que acabo de afirmar, a aproximação aos partidos à esquerda do PS é clara apenas diferindo em alguns argumentos que são apenas retóricas e inúteis porque o objetivo estava claro, apenas criar bloqueios ao Governo e ao país.

Isto é tão evidente que até Américo Carlos aproveita partes do discurso de Passo Coelho ao dizer que “Alternativas à TSU? Quem arranjou o problema que encontre soluções". Ora Passos disse há duas semanas atrás coisa idêntica. Aquele sindicalista radical absolutamente obsoleto e obcecado com o patronato e cujos pontos de vista se cingem a atacar tudo e todos o que seja empresas que dão emprego e cujos os argumentos, se é que o são, foram sempre os mesmos ao longo dos anos.

O agora radical de esquerda PSD tem mais uma na manga aproveitando a boleia daqueles a que chamava há algum tempo atrás de extrema-esquerda e que, pelos vistos, agora já não o é visto que parece concordar com as propostas de cariz ideológico do Bloco de Esquerda. É agora a vez para o acaso das PPP da saúde.

O BE pensa apresentar um projeto para acabar com as PPP, isto é, o BE volta a defender o fim das PPP através de um projeto de resolução para que o governo não renove as parcerias público-privadas nos hospitais de Cascais e Braga. Apressado e diligente o PSD anunciou que vai votar favoravelmente essa iniciativa. Se o BE não fica alerta ainda os seus militantes lhe fogem para o PSD. Ironia claro!

Se isto não fosse triste e lamentável de certo que riríamos a bandeiras despregadas. O PSD, depois de fazer o luto das suas mágoas de ganhos e perdas consequentes das eleições arranjou um folgo esquerdista porventura soprado pelos seus mais fiéis vassalos, ou serão menos, dentro do partido. Já me questionei se não estarão a tentar prejudicar o seu líder. Se o objetivo é apenas fazer bloqueio à maioria de esquerda então algo não está certo porque está a por em causa tudo o que antes defendiam. Vejamos então uma síntese baseada e adaptada a partir do jornal Público:

Em outubro de 2014, quando o salário mínimo subiu de 485 para 505 euros, o Governo PSD-CDS aprovou uma redução da TSU. No ano passado, já com o PS no Governo, a remuneração mínima subiu de 505 para 530 euros e a medida foi repetida.

Em 2010, a redução aprovada pelo PS foi de um ponto percentual. Em 2014, Passos Coelho aprovou uma redução de 0,75 pontos e, no ano passado, António Costa manteve o valor. Em 2017 a descida seria de 1,25 pontos percentuais.

Passos Coelho aplicava aos encargos com os trabalhadores que, em pelo menos um dos meses entre Janeiro e Agosto de 2014, recebiam uma remuneração igual ao salário mínimo. Em 2016, a redução aplicou-se aos contratos anteriores a 1 de janeiro, desde que se tratasse de trabalhadores que a 31 de dezembro de 2015 tinham uma retribuição base entre os 505 e os 530 euros.

A redução da TSU tem sido sempre apresentada como excecional, mas a verdade é que se tem repetido, embora com cambiantes diferentes. Em 2014, (Governo de Passos Coelho e Portas) aplicou-se durante 15 meses (entre novembro de 2014 e janeiro de 2016). A medida aprovada em 2016 tem efeitos por 12 meses (termina no final de janeiro) e a intenção do Governo era que a nova redução se aplicasse também por um período de 12 meses (entre fevereiro de 2017 e janeiro de 2018).

Em 2014/2015, (Governo de Passos Coelho e Portas) a redução da TSU foi financiada pelo Orçamento do Estado (OE). Na medida que ainda está em vigor, o financiamento é assegurado, em partes iguais pelo OE e pelo orçamento da Segurança Social. A nova medida seria suportada “por transferência do OE”, mas isso só se concretizará totalmente em 2018.

Os partidos que apoiam o Governo no Parlamento, assim como a CGTP (central sindical que não assinou o acordo de concertação social), argumentam que ao reduzir a TSU das empresas com salário mínimo, está-se a incentivar uma política de baixos salários. Por outro lado, argumentam que o Estado está a por os trabalhadores e pensionistas a subsidiar as empresas que aumentam o SMN e a descapitalizar as Segurança Social. Foi por estas razões que PCP e BE pediram a apreciação parlamentar do decreto-lei que baixa a TSU em 2017, para pedir a sua anulação. Ao seu lado terão o PSD que vai votar pela anulação do diploma. com os mesmos argumentos (?) dos radicais de esquerda?

A resposta:

Um dos argumentos dos sociais-democratas (PSD), é semelhante ao dos partidos da esquerda radical. O PSD acusa o executivo de, ao transformar uma medida excecional em regra (é o terceiro ano consecutivo que o aumento do SMN é acompanhado de uma baixa da TSU), incentivar a contratação pelo salário mínimo. Considera ainda que está a agravar os custos salariais das empresas.

Isto vem confirmar o que tenho vindo a dizer e muitos já têm afirmado é que, do ponto de vista político, a principal razão para o chumbo é expor as fragilidades da atual solução governativa e o facto de António Costa ter negociado uma solução na concertação social que não tinha condições de aprovar. O PSD conforme diz Passos Coelho não quer ser a muleta do Governo. Mas quer prejudicar o país ficando como muleta da esquerda radical como tantas vezes lhes chamou.

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 23:12
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Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2017

Travessuras da menina feia e doçuras do giraço

Travessuras e doçuras.pngA cara jornalista Ana Sá Lopes, Diretora Adjunta Executiva do jornal i, filho mais novo do mesmo grupo do jornal Sol e parente do Correio da Manhã escreveu o editorial com um título interessante sobre a TSU, PS, PSD, Passos Coelho e António Costa. O tema é o da menina feia e o giraço da turma.

Sustenta que houve um plano B disfarçado para se atingir o défice de 2,3%. Concretiza com opinião de causa que Centeno “cativou tudo o que pôde e tudo o que mexia para não deixar o Estado gastar mais do que estava acordado com os parceiros de esquerda, e o investimento público foi zero.” Tenhamos paciência, é obrigação de qualquer governo não deixar o Estado gastar mais do que deve, controlando as despesas em fase ainda crítica e com uma dívida enorme às costas. Será isto algum plano B?

Ana Sá Costa apagou da sua memória política os planos A, B, C de Passos Coelho. O último era a previsão do corte de 400 milhões de euros que preparava sabe-se lá a quem. Com certeza às vítimas do costume.  

Ana não se fica por aqui, que também fez parte do plano B do Governo o investimento público ser zero. Mais uma amnésia. Haver ou não investimento público é opção estratégica de qualquer governo seja por questões de contenção de despesa ou outra. Será isto algum plano B? Onde esteve o investimento durante o anterior Governo? Cortava… cortava… e nada! Os que antes eram contra o investimento público e não o fizeram são agora a favor do dito. No caso da TSU, Ana Sá parece estar a ajudar a partidarite politiqueira que atacou o PSD e diz, fazendo coro, que “Costa que trate do assunto com a esquerda, a quem prometeu um namoro estável.” E, com isto, que se lixe o país e o elevado número de pequenas empresas.

Sabem o que é obnubilado? Não? Então já vou dizer, mas antes vejam o que diz Ana Sá Lopes: “O divertido deste debate é que é agora Passos Coelho que passa por incoerente – que é, de resto –, parecendo obnubilado do debate público todo o discurso socialista contra a redução da TSU e o acordo de esquerda”. Pois é, este palavrão que dizer, segundo o Dicionário da Língua Porto Editora, "tornar(-se) obscuro; turvar(-se); escurecer".

Esta guerra que fazem contra a TSU é uma guerra contra a solução parlamentar encontrada por Costa. É a guerra contra a reversão dos rendimentos e das pensões e de todas as medidas neoliberais tomadas contra a maior parte do povo. Não, não me esqueci! As condições eram diferentes. É verdade, mas agora também o são.

Antes de terminar diga-me, Ana Sá, qual é o “argumentário surrealista contra o PSD” a que se refere?

No jornal i Ana Sá Lopes já atravessou por várias administrações e direções e passou por vários cargos. Agora há que defender o posto de trabalho apoiando seja de que forma for os pontos de vista da direção. E porque já li o que escreveu noutras alturas enquanto está neste jornal as minhas desculpas se assim não for.

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 16:38
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Sábado, 7 de Janeiro de 2017

Recordando... mentiras

Mentiras de Passos_2.png

A direita de Pedro Passos Coelho servia do chavão utilizado por Thatcher conhecida por “There Is No Alternative - TINA  para mentir aos portugueses dizendo que não seria possível manter a TAP como empresa pública ou recapitalizar a Caixa Geral de Depósitos. Desculpava-se com Bruxelas que não deixava.

Argumentos falaciosos, confusos, deturpadores da realidade eram aqui e ali utilizados por ele e pelos fãs do comentário político da falácia. Utilizavam então com argumentos de juristas e de legislação para terminarem a dizer que a Europa não deixava. Este discurso era assimilado e replicado às cegas por quem nada percebia de direito Europeu. Não é obrigatório ser legista e licenciado em direito, basta ler e estar atento.

Neste âmbito incluem-se os fanáticos das privatizações das quais podem alguns beneficiar, e os crédulos que acreditam em tudo quanto ouvem ou leem e é divulgado pelos jornais de opção neoliberal que distorcem, para utilidade político-partidária, o que se passa de facto na Europa.

 Passos e os seus adeptos mentiam quando garantiam que só era possível uma política, a deles. Ao Governo de Passo e de Portas dava jeito que acreditássemos em tudo o que estava a ser feito. O PSD e CDS acreditavam que nunca haveria hipótese de refutar a tese do “não há alternativa” porque nunca pensaram que o PS faria um acordo parlamentar à sua esquerda para viabilizar um Governo daquele partido porque estava sem maioria absoluta, que a direita também não conseguiu. Pensavam assim porque durante dezenas de anos nunca tinha havido outra política na esquerda portuguesa. Foi e continua a ser essa a frustração da direita.  

Ainda nos recordamos de quando Passos Coelho nos dizia, por exemplo, que não seria possível manter a TAP como empresa pública ou recapitalizar a Caixa Geral de Depósitos? Aqui está o exemplo prático de que, servindo-se da mentira, desculpava-se dizendo que Bruxelas não deixava.

Com outro simples exemplo, recordemos o que Passos Coelho disse no Twitter, quando ainda na oposição e já em fase de pré-campanha eleitoral, três meses antes de tomar posse (21 de junho de 2011): “Se vier a ser necessário algum ajustamento fiscal, será canalizado para o consumo e não para o rendimento das pessoas.”. E só mais uma: “É uma tragédia o estado a que o nosso estado social tem chegado.”(maio de 2011). Nesta altura já sabia que haveria um processo de ajustamento e que a troika viria.

Deputados do PSD que estão agora na oposição por questões de lana caprina veem dizer que António Costa está a mentir aos portugueses. Replicam o que ouviam da oposição quando eram governo. Há, no entanto, uma diferença é que, na altura, quando se dizia que Passos Coelho mentia era mesmo verdade.

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 12:50
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Terça-feira, 3 de Janeiro de 2017

Porque não te calas?

Zé Povinho.pngNuma publicação partidária do PSD Passos Coelho defende aquilo que até agora ocultou aos portugueses, o que seria o seu programa se fosse novamente governo. Agarra uma frase que Belmiro de Azevedo utilizou há muito tempo, se não me engano no tempo em que Passos era primeiro-ministro, “é preciso deixar de navegar à vista”. Peca pela falta de originalidade.

Fala de reformas sem especificar o que são e o entende por isso. Há coisas que não convém esclarecer. Seria bom, já que todos falam em reformas sem ninguém dizer o que são. Está fora de causa aqui o conjunto de papéis que Paulo Portas arranjou como sendo reformas do Estado quando foi vice-primeiro ministro. Neste momento ainda ninguém me conseguiu objetivamente explicar o que são para Passos Coelho reformas, embora suspeite o que são.

Após a mensagem de Ano Novo do Presidente da República, em que aborda o crescimento, o ex-primeiro-ministro, agora “no exílio”, pega no óbvio e diz o que deve ser o crescimento económico abrindo o véu ao que será o seu programa mais conservador e neoliberal do que sempre foi o seu.

Para Passos Coelho “O que precisamos agora é de enterrar as políticas de reversão”. Quer ele dizer que é voltar ao corte de pensões, de salários, desmantelamento do SNS, deixar populações sem tribunais, voltar às privatizações de modo a que o Estado, nós todos, fiquemos com os prejuízos e entregando os ativos a quem adquirir o que for rentável. Mostra expectativas de que o diabo venha visto que segundo ele “as reversões que foram realizadas não nos venham a sair demasiado caro”.

E continua, "Quem quer semear para futuro e colher bons resultados tem de orientar as suas prioridades de modo diferente do que temos vindo a observar em Portugal, invertendo as políticas de navegar à vista e preparando uma estratégia de médio e longo prazo que faça sentido". Parece-me bem, mas…, afinal, qual é a estratégia para o médio e longo prazo que propõe para sabermos que o que afirma faz sentido. Precisamos de saber. Queremos optar com conhecimento senão não é mais do que conversa de propaganda idêntica àquela de que acusa António Costa.

Sentiu que o discurso de Marcelo Rebelo de Sousa também lhe foi dirigido, daí replicar falando de realismo nas questões políticas económicas e sociais, porque, para ele "o otimismo e o pessimismo traduzem, sobretudo, estados de espírito que nem sempre ajudam a encontrar as melhores soluções". Tudo bem, mas o que entende ele por realismo? Terão sido todas as medidas que pôs em prática quando foi governo que tiveram resultados insipientes e pouco convincentes de que acusa agora o atual Governo quando, na altura, afirmava alto e bom som que tinha que ir para além da troika? Fala em realismo nas questões sociais quando, no tempo em que governou, provocou a maior crise social de que há memória em Portugal criando injustiças, criando um clima tenso, com divisões sociais e laborais, instabilidade social e quebra da coesão.

Pelo que Passos Coelho afirma podemos perceber nas entrelinhas que é a isso que regressar.

Sustenta uma abordagem realista que permita perceber melhor o ponto de partida, estabelecer um nível de ambição "plausível" e a melhorar a adequação das respostas políticas aos problemas dizendo: "De acordo com esta abordagem realista, Portugal precisa de aproveitar melhor algumas vantagens da envolvente macroeconómica europeia e global e de aumentar a sua resiliência às incertezas políticas externas. Em ambos os casos, o tempo começa a não estar tanto a nosso favor como já esteve". Vamos lá ver se percebo: se o tempo já esteve a nosso favor, e deve estar a referir-se ao passado em que foi primeiro-ministro, porque não conseguiu ele atingir os objetivos que quer agora que outros cumpram rapidamente em condições que se preveem de incerteza?

Argumenta ainda o presidente do PSD que "o tempo não volta para trás", digo eu ainda bem! E cada vez há menos tempo para "tirar partido das referidas vantagens", mas digo eu vantagens que não aproveitou porque já no final do seu mandato dizia frequentemente que a economia estava a recuperar e a crescer. Mas todos nós sabemos ser tão insipientes quanto a do crescimento atual.

É uma proposta de regresso ao passado a que Passos Coelho propõe embora não defina concretamente o que pretende.

É caso para se dizer: porque não te calas?

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 17:31
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Terça-feira, 27 de Dezembro de 2016

Garimpeiros

Garimpeiro.png

O Natal já lá vai e a política da oposição de direita é a de continuar à procura de prendinhas preciosas para oferecer a si própria. Mas não é só a oposição, são também alguns que, não sendo da oposição de direita e considerando-se do PS, fazem oposição ajudando a meter golos na baliza do “clube” a que dizem pertencer.

A pesquiza de preciosidades e a procura de brechas insipientes na política do Governo são a oportunidade que resta à direita para fazer oposição fácil porque oposição afirmativa séria e alternativa, não sabem como fazê-la.

A oposição a Passos Coelho dentro do PSD começa a borbulhara e a fazer sair da penumbra a que se votaram, depois da perda do poder, alguns senhores que então o apoiavam.  Saltitam alguns reagindo a uma possível aliança do partido com o CDS para a Câmara de Lisboa. Autarcas e ex-autarcas sugerem um congresso extraordinário do PSD.  

Seguem-se outros de direita, nomeadamente colunistas de jornais diários que aproveitam para pegar em tudo quanto o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, diz ou possa ter dito para fazer manchetes e para o criticar oraculizando esboços de divergência institucionais com o Governo.

Há ainda outros, os que escrevem em editoriais que  o “Presidente não é o menino Jesus e que  por muita fé que tenha, o boletim meteorológico continua a apontar para mau tempo.” Fazem parte do grupo que, entrando na carruagem de Passos Coelho, esperam ansiosos pela paragem onde entra o diabo. Estes eram os defensores das políticas de Passos Coelho no passado.

Vão escavando, garimpam aqui e ali, em tentativas de procurar algo fazendo uma oposição sem consistência. Primeiro foi a CGD, agora são os lesados do GES para os quais Passos, enquanto esteve no Governo, não conseguiu, não quis ou não soube arranjar uma solução. Surgem como senhores das trevas que dizem defender o interesse de Portugal.

Timidamente vão saindo da nebulosidade outros comentadores e opositores vindos duma direita  enfezada, porventura devido a estarem próximo do diabo que dizem estar para vir. Tecem estes críticas veladas ao Presidente da República, ainda de forma comedida, mas que, entre linhas, vão insinuando que o Presidente está em consonância com o Governo por estar a fazer discursos pacificadores. Estes são os mesmos que, durante a campanha eleitoral, faziam campanha e elogiavam Marcelo. Anseiam agora por conflitos institucionais, querem instabilidade porque é isso que os torna vivos.

Estou à vontade para escrever porque sempre critiquei Marcelo Rebelo de Sousa para Presidente. Reconheço o meu erro, apenas, e só, porque, ao contrário do que pensava na altura, ele veio trazer um contributo para a paz social com uma atitude contrária ao passadista Passos Coelho que, durante o seu mandato, criou feridas, crispações e instabilidade sociais dividindo o que deveria unir, até porque Portugal estava confrontado com dificuldades a ultrapassar que necessitavam de união e não de divisão. Sobre esse tempo e essa atitude, neste mesmo sitio, várias vezes manifestei-me contra.

É mais do que certo que, nem tudo o que o Governo fez, ou se proponha fazer, está isento de críticas, nem tudo tem sido perfeito, mas qual foi a perfeição do Governo da passada legislatura. Aqui entram, mais uma vez, os que exaltam o que bom fez o Governo de Passos que preparou o terreno do que, dizem, estar o atual a aproveita-se.

Não falemos agora da saída limpa e do que, para isso, esconderam sobre o estado da banca!…

Garimpam desesperadamente em terrenos onde nada existe para garimpar.

Apenas como uma nora final tomem nota senhores autarcas do PS, atuais, futuros ou recandidatos, os garimpeiros da política andam por aí e a caça ao nepotismo e a outras atividades menos éticas já começou com a aproximação das eleições autárquicas.  Essas vão ser duras, mais do que se estivéssemos num Governo do PSD onde muita coisa seria ocultada, desculpada e dada sombria visibilidade.

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 18:40
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Sábado, 10 de Dezembro de 2016

Desorientados

Desorientação.pngDurante os quatro anos no Governo acrescentando mais um do exílio que, pelas circunstâncias de todos conhecidas, foi imposto a Passos Coelho, a política interna do PSD esteve fechada a quatro chaves. Em surdina começam a questionar a liderança de Passos Coelho. Escreve-se aqui e ali. O partido entrou em desorientação de rumo face à tempestade que ele próprio gerou.

O partido faz passar agora para a comunicação social alguns movimentos internos com um propósito: testar a opinião pública sobre quem poderá ter melhores condições de vir a suceder a Passos Coelho como líder do PSD. Isto porque as autárquicas se aproximam e estão a ver que a floresta pode começar a queimar-se.

Há algum tempo que a comunicação social avança nomes como o de Rui Rio. Não sei se será boa ou má escolha, ou se será melhor ou pior líder do que Passos Coelho. Rui Rio foi um homem forte e com tomadas de decisões irrevogáveis (as dele sim, foram mesmo irrevogáveis) e, enquanto esteve à frente da autarquia da cidade do Porto, terá tido uma boa relação institucional com António Costa o que poderá ser positivo.

Outros nomes como Paulo Rangel, Aguiar-Branco e Luís Montenegro surgem da sombra para suceder a Passos Coelho. Nesta barafunda interna do partido aparecem ainda os nomes de Marco António Costa e Miguel Relvas (sim esse mesmo) para fazerem as contagens e reunir seguidores para conseguir a eleição do próximo presidente.

Dos potenciais candidatos Paulo Rangel, Aguiar-Branco e Luís Montenegro, se de facto o forem, o PSD passará de mal a pior. Rangel e Montenegro têm-se firmado como fiéis seguidores de Passos Coelho e, a serem eleitos, serão ferozes neoliberais piores do que ele. As suas intervenções nas várias oportunidades que têm na comunicação social quer escrita quer televisiva ao longo dos quatro anos, mais um, as suas posições de apoio à atual política do PSD têm sido muito claras. Não será de esperar que algo mude no partido com aqueles possíveis candidatos, bem pelo contrário.

Montenegro já o conhecemos bem como líder da bancada do PSD. Sempre a poiou as medidas do Governo de Passos e ainda segue as mesmas orientações e é pouco provável que as venha a mudar no futuro. Com ele nada irá mudar no partido. O mesmo se pode dizes de Rangel que, na altura da luta pela liderança do partido, concorreu em oposição a Passos Coelho e perdeu. Todavia devemos ter em vista que foi um número circense. Uma espécie de faz de conta.

Há uma crença no interior do PSD que tem sido comprovada, quem perde as eleições para a liderança do partido nas seguintes ganha. Rangel sempre defendeu intransigentemente o Governo de Passos e, embora faça propaganda de que o partido é do centro, as posições dele estão longe de serem as da social democracia ou até do centro. A sua candidatura, se vier a verificar-se, servirá para baralhar e dar de novo. Com alguma destas três candidaturas política será a mudança na continuidade.

Quem tem feito o jeito de ler o que escrevo neste blog sabe quanto tenho estado contra as posições da política de Passos Coelho, mas, ao confirmar-se qualquer uma destas três candidaturas para a sua substituição, excetuando Rui Rio, por enquanto, então, antes Passos do que qualquer um daquele.

Publicado por Manuel Rodrigues às 17:27
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Terça-feira, 6 de Dezembro de 2016

Oposição de direita ou os inimigos dos portugueses

Cão Raivoso.pngLamentável a atitude da oposição da direita PSD que, como várias vezes tenho afirmado, à falta de argumentos e propostas alternativas de governo agarraram-se à CGD - Caixa Geral de Depósitos como para fazer oposição que, de facto o não é. Em vez de oposição o PSD faz prova de vida transformando-a numa traquitana politiqueira.

O PSD está a sofrer duma espécie de taquicardia autoinduzida com recurso à CGD e cuja consequência é, em vez de provocar a sua morte provoca estragos nos portugueses. Esclareço que, neste caso, aplico o conceito de taquicardia ao bater anormal e muito rápido do centro oposicionista do PSD liderado pelo ressabiado Passos Coelho.

O PSD não está a fazer oposição e transformou-se num inimigo dos portugueses que sempre e em circunstância adversas confiaram na CGD. Se isto é ser patriota, como muito vezes pregaram quando estavam no Governo, então vale tudo e, no limite até destruir Portugal. Passos deveria tirar o Pin da bandeira portuguesa da lapela porque lhe fica muito mal.

Libertaram a sua raiva porque não têm soluções para nada, nem para a própria Caixa. Perpetraram descalabros económicos e ameaçam um banco que deveria ser dado com um exemplo de solidez e merecer o apoio de todos, pelo menos neste caso. O Tribunal de Contas deu a conhecer hoje o emaranhado da CGD que o anterior Governo provocou.

Até o liberal e grande defensor do PSD e do Governo de direita, João Miguel Tavares, que eu aqui tenho algumas vezes criticado e acusado de ser faccioso, vem hoje dizer no jornal Público que a “CGD não precisa de um tipo baratinho e sacrificado. Precisa do melhor nome possível que exista no mercado, ainda que pago a peso de ouro”.

Diz algum povo por aí, porventura sem conhecimento de causa, e é com isso que o PSD conta: “Pois, eu ganho uma miséria e esses senhores ganham fortunas”. Pois é! O certo é que, eu, e, os meus caros senhores, que assim falam e se insurgem, não conseguíamos fazer o trabalho que eles fazem, nem temos as competências que se lhes exigem.

Alguém arrisca por aí a fazê-lo por um valor que achem ser razoável? Então proponham-se para tal. Eu cá por mim não.

Publicado por Manuel Rodrigues às 22:01
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Equipas do serviço de limpeza

Limpeza.pngQuem assistiu na RTP3, após a entrevista de António Costa na RTP1, ao painel de comentadores diria que mais parecia uma equipa de limpeza mobilizado para o ataque a um, e para a defesa implícita de outro, o anterior Governo e que, ao mesmo tempo, e que era uma equipa que pretendeu manchar António Costa e o seu Governo.

Foram todos escolhidos a dedo. Era um painel claramente da oposição sem qualquer elemento para fazer o contraditório. Eram quatro, mas cada um, à sua maneira, não queria sair fora das opiniões dos outros. Era um quarteto já conhecido pelo seu uníssono que sempre se mostrou contra a atual solução governativa. É assim que vai a nossa comunicação televisiva em termos da política. São equipas no terreno que em vez de informarem com isenção preocupam-se mais em confundir a opinião pública.

A entrevista iniciou-se, como se esperava, sobre a CGD. Longo tempo foi passado com este tema que nada acrescentou para a solução que é pôr a Caixa a funcionar. O que já disse em tempo, e que alguém também já tinha dito, é que, quem dita a agenda mediática é o PSD. Não há dúvida que a comunicação social parece estar refém de Passos e da direita, daí que a maioria de comentadores e jornalistas serem tendencialmente de direita.

Não interessava, neste caso, o passado e o contributo negativo dado pelo Governo de Passos Coelho para o que se passa na CGD o que interessa é o presente cuja resolução e o imbróglio proveniente daquele famigerado passado.

Não sei em quem votam esses especialistas em política, nem isso me interessa, mas se o sentido de voto está em consonância com que comentam então não terei dúvidas. São agentes de propaganda desta direita coxa. Com certeza que jornalistas e comentadores têm as suas convicções políticas e ideológicas e, talvez, por isso, é difícil a o distanciamento das suas tendências, julgando mal o que possa estar bem. O mínimo que se pede é honestidade dos comentários e não a distorção dos seus argumentos. Ontem um dos comentadores convidados pela RTP3, e não digo o nome, teve a desfaçatez de dizer que havia cartas dum amigo de António Domingues que mostravam que houve combinações prévias com o ministro das finanças no caso da CGD. Teve acesso a cartas dum amigo daquele então administrador? Acabou por dizer que um dia a história se fará para rematar a conversa. Isto, para mim, não é mais do que conversa da treta que revela um certo caráter desse género de jornalistas.

Quem costume ler ou ouvir comentários de analistas que frequentam canais de televisão e escrevem em colunas de opinião na imprensa constatará que são os mesmos que, no Governo anterior, o de Passos Coelho, elogiavam a sua governação e anunciavam, com grande enlevo, décimas de progressos nos indicadores económicos, por vezes, com teses contraditórias, são os mesmos que hoje criticam o atual para defenderem uma direita liderada por Passos Coelho que tem uma estratégia de oposição moribunda.

São esses que pertencem a equipas de serviço de limpeza da imagem de Passos Coelho e que, fora do Parlamento, fazem uma oposição de direita que já se revelou ser má para o país, pelo menos no caso da CGD.

Publicado por Manuel Rodrigues às 19:02
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Segunda-feira, 5 de Dezembro de 2016

E agora Renzi?

Itália_Renzi.pngQuem não está na política ativa pode alvitrar ou propor seja o que for, sobre o que se deve ou se pode ou não fazer. Para quem está na politica e exerce o poder não é o mesmo. Antes duma decisão deve tomar em consideração a conjuntura e analisar muito bem as causas e as consequências das suas decisões. Se não tem certezas é para isso que existem os assessores e conselheiros embora estes errem ou enviesem as questões quando.

Vejamos o contexto externo. A União Europeia está envolta numa pré-crise do euro, com crises das bancas, dos refugiados, das dívidas, das políticas externas e outras que desconhecemos. A Itália debate-se com uma dívida enorme, com problemas da banca gravíssimos, com o aparecimento dum partido de esquerda populista, o Cinco Estrela que, segundo as sondagens, tem vindo a subir nas intenções de voto. Renzi do Partido Democrático, constituído a partir de outros do centro-esquerda, propôs um referendo à constituição com umas variantes que poderíamos considerar despropositadas para esta altura que a UE atravessa.

Lá por Itália, de acordo com um artigo publicado pelas Rádio Renascença há poucos dias atrás, surgiram várias vozes que avançaram argumentos pelo “Não”, puramente ligados à Constituição, para apelar a um voto negativo na consulta popular ontem realizada. Os argumentos de Renzi centravam-se na agilização na aprovação de leis e lançava a cenoura que era de poder reduzi o número de lugares no Senado de 315 para 100. Convenhamos que até há um exagero neste tipo de organização em Itália mas foi, para o momento, populismo.

Quem se opunha à reforma da Constituição propostas por Renzi argumentava que os poderes das regiões foram adotados depois da Segunda Guerra Mundial, precisamente para evitar a repetição de um cenário como o que permitiu a ascensão do ditador Benito Mussolini, temendo que uma aprovação da reforma enfraqueça as bases democráticas do país. Terão razão se tivermos presente o momento da União Europeia em que as extremas-direita estão a progredir no terreno aproveitando as aberturas que as democracias lhes possibilitam.

Este referendo também iria permitir alterações à lei eleitoral impossibilitando alguns partidos de chegarem ao poder. Não mês esqueci que, em Portugal, Passos Coelho antes do seu mandato também propunha uma revisão da nossa Constituição.

Identicamente ao que se passou no Reino Unido com o Brexit o referendo proposto pelo primeiro-ministro Cameron, um político experiente, que se terá arrependido. Renzi em Itália abriu a Caixa de Pandora e cometeu erro idêntico. Meteu água, e da grossa. Arrisca-se a que o poder seja entregue de mão beijada a populistas.

E agora Renzi? A sua demissão demonstra coerência, mas vai criar problemas que poderiam ser evitados. Pelos menos ainda não disse que a culpa não era sua, mas dos outros meninos.

Oxalá me engane, porque em democracia há sempre alternativas, só na cabeça dos senhores da direita é que não as há, desde que seja para o seu interesse imediato ou mediato. Apenas, e quando, é do seu interesse é que as há.

Publicado por Manuel Rodrigues às 17:03
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Quando Portugal Ardeu Miguel Carvalho A Vida Secreta dos Livros O Romancista ingenuo e o sentimental de Orham Pamuk malbe

Os porques da esperança.png

Demorei algum tempo a ler este livro mais do que o costume. Livro sobre a política nacional sobre a forma de entrevistas que passaram na TVI 24 efetuada por um provocador nato cujas respostas são dadas por um astuto tribuno da palavra. Livro que aborda temas nacionais da política recente com uma abordagem em que as palavras se se entrelaçam com alguma exposições mais académicas. Um bom manual para quem se interesse pela política em Portugal nos últimos tempos.  

 

 

Piketty_Capit_SecXXI


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Crónica dos dias do lixo



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Trabalhos Publicados

Rodrigues, Manuel A (2011). Geografia Social Urbana na Licenciatura em Educação Social, Cadernos de Investigação Aplicada, (5). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas


Rodrigues, Manuel A (2010). Didática da Geografia: recurso à Literatura como proposta interdisciplinar, Cadernos de Investigação Aplicada, (4). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas. .


Rodrigues, Manuel A (2008). Televisão e os efeitos de exposição a mensagens televisivas na educação: o efeito da terceira pessoa, Cadernos de Investigação Aplicada, (2). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas.


Rodrigues, Manuel A (2005). Do Presencial ao Online: um estudo de sobre a atitude de estudantes face a situação de aprendizagem online, Actas do VII Simpósio Internacional de Informática Educativa-SIIE05, Escola Superior de Educação de Leiria.


Rodrigues, Manuel A (2004). Um Modelo de Formação em Ambiente Misto de e-Learning (Blended Learning): uma experiência na disciplina de Tecnologia Educacional, Actas da Conferência eLes’04: e-Learning no Ensino Superior, Universidade de Aveiro.


Rodrigues, Manuel A (2004). Marionetas em Liberdade: a identidade pe(r)dida com as novas exigências curriculares, Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas.


Rodrigues, Manuel A (2000). Ciberespaço, Internet e as Fronteiras da Comunicação Educacional, Lisboa, Universidade Aberta. Porbase, CDU 37.01(043), 159.95043), 005.73Internet(043.2),371.1043)

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