Terça-feira, 7 de Fevereiro de 2017

Oposição e comentário político

Marques Mendes5.png

 

A oposição de direita ao Governo não é feita apenas pelos deputados dentro da Assembleia da República e pelos responsáveis partidários fora dela. Faz-se também por militantes dos seus partidos que, com aparência de credibilidade e isenção, são contratados pelos canais de televisão que lhes paga para fazer o dito comentário político. São comentadores partidários, propagandistas do PSD que, uma vez por outra, para darem ar de isentos, criticam também a oposição de que fazem parte.

Um destes comentadores ditos “isentos” é Marques Mendes que comenta no canal de notícias da SIC. Para ele o Governo está esgotado, porque os acordos estão esgotados, está parado porque nada faz. Gostaríamos de saber se, para ele, governar é simplesmente legislar por tudo e por nada sem qualquer efeito mediato ou imediato, sem reflexão sem estudo, sem debate, como fazia o líder do seu partido quando incentivou a divisão entre portugueses e fez atropelos sucessivos à Constituição. Como ele gostaria de ser o Trump português!

Se alguma coisa urgente há que fazer, é conter a dívida pública e dinamizar a economia e o crescimento. Como Marques Mendes muito bem sabe, o crescimento depende, em grande parte, de fatores exógenos a Portugal, que agora com Donald Trump na calha, e com a Europa no estado em que está nunca se sabe o que poderá acontecer.

Aquela personalidade do PSD faz oposição disfarçada de comentário, olhando tendencialmente para o negativo da solução governativa e ocultando o que é positivo.

Aliás o relatório da OCDE que ontem foi divulgado é mais objetivo do que as interpretações por vezes abusivas de quem faz comentários que mais parecem oposição.

Aquele relatório revela potencial existência de "imprevisibilidade, tensões e recuperação lenta da Europa que podem tornar o crescimento mais incerto.”. Há, portanto, causas perigosas que poderão ser derivadas de causas externas. Sobre o Governo de António Costa, o relatório traça elogios à orientação orçamental, mas deixa uma lista de avisos sobre a situação ainda frágil das finanças, sobretudo sobre a “conjuntura externa incerta, a situação da banca que é vulnerável, mas a margem de manobra nas contas públicas é estreita e a dívida pública elevada e o investimento escasso.”. “E o que vê é uma economia a recuperar de forma progressiva, mas onde as “vulnerabilidades estão a aumentar”.

Claro que não existe nenhum mar de rosas depois da coligação de direita ter quase deixado o país destruído a pretexto de “termos que ir para além da troika” e de, juntamente com ela, não ter detetado  mo nevoeiro denso que envolvia a banca ou parte dela.

Se a banca está como está deve-se sobretudo à desgovernação do PSD-CDS com a obsessão por reformas baseadas apenas num sentido, aumento de impostos e cortes de salários e pensões, de resto não passou de rabiscos escritos num papel que para nada serviram.

Publicado por Manuel Rodrigues às 17:25
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Quinta-feira, 30 de Outubro de 2014

A Deus o que é de Deus e a César o que é de César

UGT.png

 

É uma leitura possível de um acontecimento que parece tornar evidente a promiscuidade entre alguns sindicatos, nomeadamente com a central sindical UGT, Passos Coelho e o governo. Pela primeira vez assisti pela televisão em 28 deste mês a uma sessão do seminário "Diálogo Social pela Educação e Formação - estratégias de intervenção e concertação para o desenvolvimento e o emprego", por ocasião do 36.º aniversário da UGT, para o qual foi convidado Passos Coelho que, pela primeira vez, foi aplaudido pela assistência. Resta saber que assistência. É tão mais patético quanto foi este primeiro-ministro que destruiu e contribuiu para o desnível das relações laborais em benefícios das empresas. Esclareça-se que nada tenho contra as empresas privadas, antes pelo contrário, o que acho é que cada qual no seu galho.

Lá estavam presentes, também, dirigentes sindicais que se dizem defender os trabalhadores que representam. Lá estava Carlos Silva ao lado de Passos e, pasme-se, também de Nuno Crato, claro, ou não se denominasse o seminário “Diálogo Social pela Educação e Formação”. Se foi o primeiro que convidou os segundos ou os segundos que convidaram o primeiro, para o caso é indiferente. Eu sou dos que acham que, nestas situações, a Deus o que é de Deus e a César o que é de César.

Os trabalhadores de qualquer setor, seja público ou privado, podem confirmar agora com que contar durante as negociações e que confiança podem ter naquela gente que diz defender os seus interesses. Terá sido um agradecimento ao primeiro-ministro pela voluntariedade que demonstrou pelo aumento do salário mínimo? Agora se percebe que, quando o secretário-geral da UGT, Carlos Silva, diz que se opõe ao Governo de Passos Coelho não é mais do que fachada para enganar quem trabalha. Cortes, redução de férias, pagamento de horas extraordinárias em dias de descanso a metade do seu valor hora entre outras amabilidades em benefícios tudo foi negociado com a UGT em troca de um pseudo manutenção e criação de postos de trabalho, em empresas que acabam por fechar as portas, e posto de trabalho que não se criam ou então são precários.

Desde quando sindicatos convidam membros de um governo ou primeiros-ministros para atividades comemorativas seja do que for? Quando isso acontece não é mais do que um aval ao governo para a tomada de quaisquer decisões futuras. Com que cara se apresentará Carlos Silva?

Tendo em conta que Carlos Silva da UGT foi apoiante incondicional de António José Seguro durante as primárias no PS podemos fazer uma outra leitura para esta promiscuidade e que passa de uma certa forma por uma atitude provocatória  de desforra política normalmente designada por revanchismo tendo na mira António Costa. Ficámos agora a saber para onde José Seguro e Carlos Silva se encaminhavam conjuntamente.

À margem do seminário o secretário-geral da UGT veio tenta redimir-se ou, quiçá, assumido por um arrependimento súbito diz à lusa que “Achamos estranho que o secretário-geral da OCDE venha sustentar as teses que levam o Governo a continuar a apostar em políticas de austeridade para 2015, nomeadamente, para nossa estranheza e profunda crítica e desacordo, quando decidem suscitar a questão dos tetos para as prestações sociais que, pessoalmente, acho completamente estapafúrdio.”.

Será este o homem das duas caras do sindicalismo?

Publicado por Manuel Rodrigues às 22:03
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Terça-feira, 26 de Novembro de 2013

Exportações

Foto: Sic Notícias

As exportações não se situam apenas no domínio dos negócios e dos bens transacionáveis. As exportações também se situam no domínio da política de descrédito das instituições do nosso país e o principal exportador são o primeiro-ministro, o Governo e respetivos porta-vozes.

Uma das principais exportações das nossas instituições democráticas são as tentativas de descrédito e de pressão sobre o Tribunal Constitucional que tem sido falado, caso único no mundo civilizado, pela pior forma. A tentativa de internacionalização das medidas do TC sem que, quer o Governo na voz do primeiro-ministro, quer do Presidente da República tenham tomado qualquer posição ou tido uma palavra de defesa da nossa soberania, pelo menos a das nossas instituições democráticas. Todos os organismos internacionais se têm referido ao TC como é o caso do FMI, Comissão Europeia, na voz do seu presidente Durão Barroso, OCDE e, agora, até o CITIBANK.

Será de facto posição de estadistas omitirem e passarem ao lado sem uma tomada de sentido de estado dos nosso governantes (vejam-se as declarações de Durão Barroso sobre o TC tomadas ao lado de Passos Coelho) e da Presidências da República. Isto é posição de garotos sem qualquer sentido de Estado que tanto apregoam. Por que admitem sem uma palavra de repúdio como se tudo isto fosse a normalidade. Será isto defender Portugal e as suas instituições democráticas? É explicável pois para eles defender Portugal é apenas defender os seus interesses e os lugares que ocuparam e distribuem pelos amigos oriundos das Jotas.

E por aqui me fico porque senão ainda sou multado ou mesmo preso por escrever no blog que não seja ser a favor do Governo, como é o caso que se está a passar na Hungria que até mudam a Constituição por decreto. Valia a pena terem visto, para quem a não viu, na Grande Reportagem que passou hoje na SIC ou consulte a Visão de outubro de 2012.

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 23:34
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Quarta-feira, 15 de Maio de 2013

As encomendas

 

Quando toca a matérias polémicas, antissociais e impopulares, para a quais o Governo não tem argumentos válidos e suficientes para as impor encomenda relatórios cujos resultados, como se tem verificado, estão sempre, como por milagre, de acordo com o que o Governo pretende. Claro que, para não ser demasiado evidente, há no meio dos relatórios algumas, poucas, exceções discordantes mas aconselhadas, às quais o Governo não liga nem pretende pôr em prática. Foi assim com o relatório encomendado ao FMI em janeiro de 2013 e agora este, encomendado à OCDE, que foi apresentado com grande divulgação da comunicação social, como se pretendia, e que, mais uma vez, confirma a maior parte das opções do Governo com o objetivo de mostrar que estão no tal dito “bom caminho”. O facto já não é novo, é um “déjà vu”.

 

Se as medidas que pretendem tomar estão corretas por princípio e têm plena justificação porque será que se pagam verbas avultadíssimas, que saem dos impostos que pagamos, para se encomendarem relatórios, cujo resultado já é de antemão conhecido, que apenas servem para confirmar e tentar validar as medidas que estão a ser tomadas? O objetivo é apenas um: enganar a opinião pública. Estamos mesmo a prever um certo número de pessoas a comentar no emprego, no café ou em casa, nos intervalos de um jogo de futebol televisionado: “Estão a ver, até aqueles da OCDE vêm dizer e a confirmar o que os do Governo estão a fazer! Não há outra forma pá!”.

 

Devemos sempre desconfiar do que lemos, vemos ou ouvimos. Apenas uma leitura contínua, atenta e validada da informação que nos fornecem permite verificar o que se passa à nossa volta. O Governo é o grande causador da nossa desconfiança, porque a isso nos habituou. É o primeiro Governo em que deixámos de acreditar seja no for. As provas estão aí vista.

 

Imagem da Revista Sábado de novembro de 2011

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 14:51
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Domingo, 21 de Abril de 2013

A falência da política económica e financeira europeia da austeridade na Europa

 

Ou ando distraído ou as notícias sobre declarações dos ministros das finanças na reunião do G20 têm sido omissas dos canais de televisão ou são tão escassas que não se dá por elas, vá-se lá saber porquê!

É do conhecimento geral que está ainda a decorrer em Washington a reunião dos G20, os 20 países mais ricos e emergentes do mundo e é integrado pela União Europeia, o G7 (EUA, Canadá, Japão, Alemanha, Reino Unido, Itália e França) e ainda Coreia do Sul, Argentina, Austrália, Brasil, China, Índia, Indonésia, México, Arábia Saudita, África do Sul, Turquia e Rússia.

Vários ministros das finanças daquele grupo têm vindo a público com declarações, algumas delas contrárias às políticas de austeridade seguidas pela Chanceler Alemã e por alguns dos seus seguidores.  

De forma muito subtil chamam estúpidas às políticas de austeridade imposta à Europa que estão a afetar a economia mundial. Para quem esteja a acompanhar, mesmo que pontualmente, o decurso daquelas reuniões, apercebe-se que há alguma coisa vai mal no “reino” da União Europeia e no euro, e cuja responsabilidade é da política alemã que é imposta. Os países do G20 cresceram 0,5% no quarto trimestre de 2012, ao contrário da Europa que lidera os recuos da atividade económica mundial. (Fonte:OCDE). O ministro das finanças da Austrália, Wayne Swan, antes da abertura da reunião do G20,chega mesmo a afirmar em declarações ao Wall Street Journal  que a política de austeridade seguida na Europa “é estúpida e está a sobrecarregar a economia mundial”. Por aqui podemos “adivinhar” o que se irá passar na reunião não será nada de bom para os que apoiam as políticas impostas pela Alemanha à U.E..

As declarações daquele ministro mencionam que a própria Ásia não pode continuar a suportar o fardo da falta de crescimento das economias desenvolvidas bloqueadas pela austeridade.

O que é curioso é que não se aplicam a Portugal teses, muitas delas defendidas pela diretora-geral do FMI, Christine Lagarde. Vejam só, critica com veemência as políticas de austeridade imposta a alguns países da Europa, mas o FMI continua a aplicá-las. Tudo o que ela tem dito é apenas “pregar aos peixes”, já que em nada tem mudado o pensamento único que prolifera na U.E.. É a Alemanha de Angela Merkel que, ao deixarem-na ser dona da Europa, mantem, até à exaustão, a austeridade, enviando para as calendas o crescimento económico dos países. Contudo, penso que não é de esperar que a reunião dos G20 conduza a alguma coisa de positivo para a Europa visto que estão mais interessados no crescimento económico mundial. 

Publicado por Manuel Rodrigues às 13:34
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Livros que já li

Prisioneiros da Geografia Tim Marshall As cidades invisíveis Italo Calvino Quando Portugal Ardeu Miguel Carvalho A Vida Secreta dos Livros O Romancista ingenuo e o sentimental de Orham Pamuk malbe

Os porques da esperança.png

Demorei algum tempo a ler este livro mais do que o costume. Livro sobre a política nacional sobre a forma de entrevistas que passaram na TVI 24 efetuada por um provocador nato cujas respostas são dadas por um astuto tribuno da palavra. Livro que aborda temas nacionais da política recente com uma abordagem em que as palavras se se entrelaçam com alguma exposições mais académicas. Um bom manual para quem se interesse pela política em Portugal nos últimos tempos.  

 

 

Piketty_Capit_SecXXI


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Rodrigues, Manuel A (2011). Geografia Social Urbana na Licenciatura em Educação Social, Cadernos de Investigação Aplicada, (5). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas


Rodrigues, Manuel A (2010). Didática da Geografia: recurso à Literatura como proposta interdisciplinar, Cadernos de Investigação Aplicada, (4). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas. .


Rodrigues, Manuel A (2008). Televisão e os efeitos de exposição a mensagens televisivas na educação: o efeito da terceira pessoa, Cadernos de Investigação Aplicada, (2). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas.


Rodrigues, Manuel A (2005). Do Presencial ao Online: um estudo de sobre a atitude de estudantes face a situação de aprendizagem online, Actas do VII Simpósio Internacional de Informática Educativa-SIIE05, Escola Superior de Educação de Leiria.


Rodrigues, Manuel A (2004). Um Modelo de Formação em Ambiente Misto de e-Learning (Blended Learning): uma experiência na disciplina de Tecnologia Educacional, Actas da Conferência eLes’04: e-Learning no Ensino Superior, Universidade de Aveiro.


Rodrigues, Manuel A (2004). Marionetas em Liberdade: a identidade pe(r)dida com as novas exigências curriculares, Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas.


Rodrigues, Manuel A (2000). Ciberespaço, Internet e as Fronteiras da Comunicação Educacional, Lisboa, Universidade Aberta. Porbase, CDU 37.01(043), 159.95043), 005.73Internet(043.2),371.1043)

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