Quinta-feira, 15 de Setembro de 2016

Conversas de comadres

Comadres.pngComeçou em Portugal a conversa de comadres com a discussão do Orçamento de Estado para 2017 Na Comissão Europeia as comadres falam sobre a uma possível suspensão dos fundos estruturais a Portugal. Comadres é um termo popular que designa maledicência, mexeriquice com criação de rumores e boatos, geralmente baseados em presunções maliciosas e facciosas.

É o tempo da apresentação e discussão do Orçamento de Estado para 2017, é tempo também para o regresso à conversa das comadres do anti Governo a nível interno. A nível europeu a conversa é sobre as pressões de ordem politica e financeira a um Governo que tem um apoio parlamentar que não é do seu agrado.

Este, que devia ser o tempo da oposição apresentar propostas concretas e credíveis dedica-se antes à prática da conversa mexeriqueira e ao baile mandado.

Passos Coelho com os mais diversos pretextos anda por aí a fazer intervenções que mais não são do que uma espécie de homilias dominicais para a paróquia de que é prior. Afirma que o Governo está a enganar os portugueses. Afinal, enganá-los foi o que ele fez durante mais de quatro anos consecutivos para além de criar divisões e conflitos entre eles.

A direita de Passos Coelho anda num desnorte. Luís Montenegro, presidente do grupo parlamentar do PSD disse num primeiro momento que não iria apresentar propostas para o Orçamento de Estado e, ao mesmo, criticava, dizendo ser uma tontice, quem dizia que o PSD não apresentava propostas.

Passos Coelho, numa das suas homilias, disse, a certa altura, avisando o Governo, que, "quem quer compromissos "não anda à pedrada". O que quer dizer que Passos Coelho rejeita entendimentos "com quem tem comportamentos revanchistas". Veja-se agora a disparidade entre o que disse Passos Coelho e o que diz Montenegro quando este revela agora que apresentará nada mais, nada menos, do que mais de 20 propostas.

Por outro lado Luís Montenegro acusa do Governo pela obsessão do défice e pela consolidação orçamental recuperando uma frase de Jorge Sampaio quando este disse "há mais vida para além do défice". Isto é no mínimo hilariante. Todos nos recordamos, basta reler antigos jornais, da obsessão de Passo Coelho pela consolidação orçamental no tempo do Governo PSD-CDS. Tudo se centrava aí. Recordemos algumas frases de Passo Coelho.

 

Outubro 2012. Numa reunião com a Comissão Política do PSD: “não pode haver amuos que ponham em causa a consolidação orçamental"

 

Março 2103. O antigo primeiro-ministro desafia o então secretário-geral do PS José Seguro "a esclarecer quanto vale o seu programa de consolidação orçamental alternativo, alegando que só depois de dar esse esclarecimento o PS poderá ser levado a sério." Isto porque acusava o PS de não querer a consolidação orçamental.

 

Julho 2013. Durante o debate da moção de censura do Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV), ao Governo, Pedro Passos Coelho sustentou que o Governo conseguiu resultados para iniciar um novo ciclo virado para o investimento e que afastam uma espiral recessiva, mas defendeu que é preciso manter o rumo da consolidação orçamental.

 

Maio 2013. Dizia Passos Coelho numa declaração aos jornalistas, na residência oficial de São Bento, em Lisboa que "Portugal seguirá um caminho que procura equilibrar os objetivos de consolidação orçamental e que precisa de consolidar de modo a ter uma política financeira saudável para o país…" e reitera a defesa da consolidação orçamental: "No entanto, os riscos de um processo desse tipo só serão definitivamente menorizados se mantivermos o rumo. Que não haja equívoco quanto ao que significa esse rumo: é o rumo da consolidação orçamental

 

O certo é que a oposição ao Governo com base na obsessão pelo défice não tem qualquer credibilidade assim como as críticas que fazem ao baixo crescimento económico verificado e previsto. Porque é mais do que sabido que a imposição de Bruxelas pelo cumprimento do défice é incompatível com o crescimento porque os recursos são todos canalizados para cobrir o excesso de despesa e para amortização de dívida e pagamento de juros. Todos os governos sabem disso e Passos e o seu Governo tiveram disso a experiência.

Analisando as intervenções do PSD, enquanto oposição ao Governo, verificamos que muitos deles são de baixa política e carecidos de originalidade. Na prática são duplicados dos argumentos utilizados pela oposição na altura em que Passos Coelho era primeiro-ministro.

A dança dos impostos também já começou. Ninguém gosta que os impostos aumentem. Da direita à esquerda todos somos contra o seu aumento, sejam eles diretos ou indiretos. Os neoliberais que fazem parte do PSD, agora na oposição, têm este argumento. Esquecem-se no entanto que, quando estiveram no Governo, a sua ação foi dirigida para dois campos, cortavam rendimentos para alguns e aumentavam impostos para todos sem conseguirem reduzir o défice.

Mas, afinal, o que pretendem os neoliberais? Apenas e simplesmente algo como o ensaio tivemos com Passos Coelho: impostos e regulação deveriam ser reduzidos (mas não foram); serviços públicos, privatizados. Reduzir ou eliminar a organização do trabalho e a negociação coletiva. Os sindicatos apenas servem para a distorção do mercado, que impede a formação de uma hierarquia natural entre vencedores e perdedores. A desigualdade é virtuosa: um prémio para a utilidade, ela é geradora de uma riqueza que se espalha de cima para baixo, enriquecendo todos. Criar uma sociedade mais igualitária é, ao mesmo tempo, contraproducente e moralmente corrosivo. O mercado assegurará que cada um receba o que merece.

Passos Coelho é um político de recursos limitados com a obsessão pela teoria do empobrecimento deliberado de alguns setores do país, porque, segundo ele, servirá de alavanca a um enriquecimento futuro (será apenas de alguns?). Isto é de tal modo incerto que nem ele próprio se atreve a prognosticar. Não é mais do a que a teoria neoliberal que ele professa e que, agora na oposição, pretende disfarçar.

É tradição partidária não substituir líderes que ganham eleições, e Passos Coelho ganhou-as, mas a sua manutenção no PSD será prejudicial. As suas atitudes e políticas que aplicou, sugeridas ou não pelos o rodeiam, não serão facilmente esquecidas pela gente portuguesa, pelo menos por grande parte dela. Passos sempre foi um político e um líder partidário ingénuo. Ele seria melhor como formador de uma qualquer escola ou universidade.

Publicado por Manuel Rodrigues às 23:30
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Quinta-feira, 30 de Julho de 2015

Confissão

confissão.png

Hoje dia da apresentação dum falacioso e eleitoralista programa de governo da coligação provavelmente não cumprível em muitos dos seus pontos, já não tenho paciência para ouvir o primeiro-ministro Passos Coelho, nem para o escutar com a pouca atenção que ele merece.

Nem o próprio sorriso que, ao pretender fazer-se simpático, se transforma num esgar que se aproxima do gozo cínico de quem está tentar convencer da veracidade do seu discurso e das promessas que sugerem mentira.

De cada vez que o ouço encho-me de arrependimento e propus-me uma confissão que me leve ao exercício do ato de contrição.

Assim, publicamente me confesso e arrependo de ter contribuído para o mal de muitos e penso que me perdoarão do contributo que dei através do voto, assim como outros portugueses e portuguesas, ao que depois se confirmou serem meras mentiras destinadas a levar-nos ao engano.

Pode vir agora dizer-nos que…, bem…., os números estavam errados. Pode dizer muita coisa, lá isso pode, mas não acreditar também podemos.

Eram mentiras de uma pessoa que pareceu convicto e convincente do que dizia, logo credível, logo potencial eleito.

É verdade que o “outro”, o que esteve no governo antes de Passos Coelho, também nos fez muitas “malandrices“, por isso o penalizámos tirando-lhe o poder para o dar àquele. O engano foi fatal. Foi muito pior do que o seu antecessor porque, sobretudo, ansiava há muito pela vinda duma “troika” que o ajudasse a implementar um programa de governo aquilo que antes já estava na sua mente, como ele próprio o disse: Temos que ir para além da troika!

Confesso-me arrependido da traição que cometi ao contribuir para desviar o meu voto para um partido em que, acreditara porque tinha na sua matriz preocupações sociais. Enganei-me. Essa matriz foi sendo desvirtuada pela atual liderança e seus acólitos, vindos da ala direita mais radical da JSD que trocaram a matriz de cariz social pela dum neoliberalismo do tipo bacoco.

Confesso que acreditei naquilo que depois verifiquei serem de enganos e falsas promessas. Mas agora prometo que, em plena campanha eleitoral, não vou acreditar em nada do que prometem nem nas manobras encobertas por narrativas mais ou menos enganosas destinadas ao convencimento dos cidadãos.  

Prometo ainda que nunca cometerei novamente tal pecado político ao votar nos que pretendem mostrar que tudo vai ser diferente e apelam àqueles que hostilizaram durante quatro anos que tudo mudou e vai melhorar (distribuindo aquilo que diziam não haver)  para, depois, e mais uma vez, repetirem novamente o massacre social e económico vestidos com outra roupagem.

A penitência que me inflijo é a de ouvir até à exaustão as narrativas professorais primárias de Passos Coelho e dos seus acólitos, mesmo sabendo que estão a agredir a minha inteligência, por pouca que seja, com a intenção de me enganarem novamente com afirmações enganosas disfarçadas de verdades.

Uma vez já chegou! Bem podem eles agora culpar o diabo, mas o diabo são eles.

Publicado por Manuel Rodrigues às 18:10
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Sexta-feira, 14 de Março de 2014

Dupont e Dupont

 

A palavra mais ouvida nas últimas semanas é consenso. Consenso é um consentimento, uma anuência. Para que haja uma anuência é necessário que existam pelo menos duas partes que se ponham de acordo sobre alguma coisa.

O pedido de consenso vindo primeiro dos partidos do governo e agora do Presidente da República é um logro e um ardil, palavra que também é sinónimo de embuste.

Argumentam comentadores e jornalistas propagandistas do governo que, na Europa, os consensos entre partidos são comuns como se verifica em alguns países, nomeadamente na Alemanha, onde existe uma coligação de governo entre a CDU (União Democrata Cristã), CSU (União Social Cristã da Baviera) e SPD (Partido Social Democrata) todos partido de direita exceto o SPD que é filiado na Internacional Socialista.

Destes argumentos pode aduzir-se que, se na Europa se estabelecem consensos entre partidos, em Portugal o mesmo deveria ser feito. Estes iluminados senhores parecem esquecer os contextos sociais, económicos e os enquadramentos políticos, dos diferentes países.

Os argumentos são fracos e apenas se justificam porque há uma situação de emergência do governo para envolver o Partido Socialista no buraco em que transformou o país, necessitando, por isso, de um companheiro que vá com eles ao fundo.

A história da política europeia dos últimos cinquenta anos mostra-nos alguns exemplo entre os quais o do PCI (Partido Comunista Italiano) que anos setenta, com mais de 20% de votação, se consensualizou com o Partido da Democracia Cristã em nome de um "Compromisso histórico" que o conduziu na prática a transformar-se num partido residual.

Pretende-se agora uma espécie de "compromisso histórico" ou de salvação nacional como alguns saudosos do passado chamam a um consenso cujo objetivo, dizem, é encontrar uma saída para situações difíceis e complexas que se aproximam. Claro que ao falarem em abstrato estão a referir-se, nomeadamente, a mais cortes a que o Governo chama reforma do Estado ao que se acrescenta a tal saída da "troica" que não será mais do que meramente virtual.

Os pressupostos para o insistente pedido ao Partido Socialista para consenso são evidentes. Apesar de existir uma maioria parlamentar confortável, os partidos do governo sabem que não será possível, respeitando a Constituição, governar e transformar um país cultural, política e socialmente complexo que foi por eles próprios fraturado. Assim, precisam de dispor de uma força suficiente para gerir e implementar as reformas neoliberais profundas, mantendo os extensos interesses financeiro e económicos e hábitos enraizados, num período de tempo suficientemente longo para se obterem efeitos desejados. Ora, numa previsão ou antecipação de uma possível crise (perda de eleições, por exemplo) há a necessidade de chamar a participação de outros, formando um consenso maioritário heterogéneo que legitime a força do governo.

O que pretendem com o consenso é uma opção estratégica de conveniência para atapetar a tomada de decisões difíceis que o Governo tem na forja, arrastando o seu opositor para o mesmo rumo de políticas seguidas o que é, no todo, uma armadilha.

Consenso político alargado como o que se pretende num país como Portugal, onde se procede ao empobrecimento institucionalizado, à diminuição da qualidade de vida e ao reduzir à sua expressão mais simples o Estado Social transformará a democracia parlamentar num pró-forma. O tipo de consensos que se pretende é viável em países ricos da UE e estabilizados financeiramente, onde se trocam consensos por pastas governamentais.   

A liberdade de escolha dos cidadãos passa a ser meramente formal porque deixaria de haver alternativas. Isto é, torna-se indiferente votar em projetos políticos porque perante a existência dum projeto comum formalizado é indiferente a opção tomada pelos eleitores, podendo conduzir, a prazo, numa progressiva redução de representatividade do Partido Socialista. Ou, como já disse Pacheco Pereira, "vote-se em quem votar, ou mesmo não votando, nada muda". Esta passaria a ser uma atitude que conduziria ao enfraquecimento da democracia e a uma espécie de "democracia consensual de partido único" que governaria para sempre fosse qual fosse o resultado das eleições. Uma forma de colocar a direita sempre no poder como se pretende ver pelos apelos ao consenso vindos das direitas europeias.

Pretende-se um consenso para o empobrecimento contínuo dos portugueses durante os próximos anos, a que chamam ajustamento, como se pode inferir das declarações de Poul Thomsen, vice-presidente do departamento europeu do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Pela insistência do consenso pode dizer-se que não há fumo sem fogo.

Publicado por Manuel Rodrigues às 13:42
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Quinta-feira, 19 de Setembro de 2013

Coligação azul-laranja ou laranja-azul?

Com a aproximação da época outonal das férias restam apenas recordações. Boas ou más consoante o que os senhores do governo determinaram, austeridade para muitos e bem-estar para uns poucos. Como podia ser confirmado no algarve, pasmava-se com ostentação gastadora dos tais que podem ainda ir de férias e comer bifes todos os dias e são intocáveis pela crise, enquanto outros, a maioria, olhava para a sardinhas que, este ano ao preço a que estavam já nem as puderam comprar, outros ainda, a crise que lhes provocaram obrigou-os a não sair de casa. É assim que se está a transformar este país, uma coutada para alguns, os mesmos que mais contribuíram para a crise.

As férias também serviram, noutros casos, como tempo de reflexão, longe das notícias das televisões alinhadas para captar audiências, muitas das vezes para lavagens das atrocidades políticas que desfilam sem que ninguém lhes ponha cobro, desculpadas pela necessária estabilidade política tantas vezes reclamada pelos mesmos que a provocaram no início do verão. Parte destas férias foram momentos para uma pesquisa tranquila de temas sobre o andamento da nossa triste política até que surja mais uma intranquilidade exógena a cada um de nós novamente desencadeada pelos mesmos do costume.

Os pregadores dos partidos, nomeadamente os da coligação laranja-azul, PSD-CDS, convidados pelas televisões calaram-se por poucos dias o que foi música para os nossos ouvidos e “poupança” para o povo livre das vozes dos elementos dos partidos da coligação do governo que proferem os mesmos argumentos desgastados e inverosímeis até à exaustão. 

A aliança laranja-azul ou azul-laranja (?) que governa (a ordem pode não ser arbitrária, dependendo de como cada um a entenda) colocou Portugal num fosso pior do que aquele donde o quis tirar.

Ao fim de dois anos e três meses a austeridade, provocada em parte pela necessidade do cumprimento do défice, e em maior parte pelo cariz ideológico neoliberal forçado que foi imposto e sempre reafirmado pelo primeiro-ministro que, para além de se aliar à “troika”, reforçou essa aliança com o discurso do “ir para além da troika”, não tendo conduzido a qualquer redução do dito, muito antes pelo contrário. Afinal para quê os sacrifícios?

Já sabemos, porque o repetem até ao limite, que é para as gerações futuras. Novo estilo em política, governar para quando estivermos todos mortos. Entretanto, até lá, as gerações futuras que são filhos hoje, a maioria claro, porque outros terão com certeza o seu futuro sempre garantido quaisquer que sejam as circunstâncias, recordar-se-ão das dificuldades e sacríficos que passaram e, quando lá chegarem, odiarão por certo, quem os colocou nessa situação.

De qualquer modo essa demagogia de passar para a opinião pública os argumentos das gerações futuras não passa de uma treta. Os atuais velhos e de meia-idade também já foram no passado gerações futuras e já nessa altura, quando ainda eram jovens, lhes acenavam com o mesmo chavão. Veja-se como se encontram agora. O mesmo irá acontecer aos atuais jovens. Daqui a trinta ou quarenta anos irão também ouvir os mesmos argumentos que são a chave desta direita radical que tem vindo a conseguir dividir o país.

Por sua vez a tentativa de entalar o maior partido da oposição ainda não terminou, Cavaco Silva e Passos Coelho (esta ordem não é arbitrária) ainda não desistiram de fomentar uma tal união nacional (?) que englobe os partidos ao que chamam arco da governação. Arco? Quando muito círculo, não, não é circo, é mesmo círculo da governação, pois esta forma geométrica é a que melhor representa uma área delimitada por uma linha exterior que representa um itinerário que se repete, embora com alternância dos que a percorrem sem interrupção ao longo dos anos. Continuando, ao colocar o PS no mesmo saco parte do eleitorado deste partido poderia associar que, não havendo na prática oposição ou alternativa logo, tudo seria igual e não vale a pena muda. Então, aquando das eleições legislativas, as opções do eleitorado poderiam vir a favorecer o PSD que capitalizaria parte do potencial eleitoral de outro partido, neste caso o PS.

Como querem estes senhores do governo, especialmente o PSD, que haja um consenso nacional, ou uma “união nacional” como preferiam se eles próprios têm fomentado a divisão entre os portugueses, com um estilo político impróprio isento de princípios, de valores políticos, individuais e sociais que transbordam os limites da indignação.

Em termos muito simples e dum ponto de vista politicamente egoísta: quem fez o buraco é que o deveria tapar. Quem disse que o iria tapar ,mas o escavou ainda mais que se amanhe. A competência tem que ser comprovada por eles próprios sem ajudas, com factos e não com palavras e promessas vãs. Ah! Pois, o Tribunal Constitucional. Pois é!

Relembrando as várias atuações e a conduta do primeiro-ministro e do seu governo verifica-se que têm com frequência subvertido os processos democráticos mais elementares de decisão, para além de cometerem nas suas declarações públicas erros propositados de conteúdo tentando enganar os menos atentos ou os que não acompanham mais de perto a política.

Em vez de governar reage contra tudo e contra todos criando fraturas por vezes insanáveis na coesão social e até entre gerações que seria básico existir neste momento de negociações com a “toika”. Passos Coelho, juntamente com Paulo Portas, em vez de unir desunem com a consciência disso, sendo Passos Coelho o vanguardista da desestabilização social e política. Põe até em causa o sistema de valores em que até a direita mais conservadora se baseia, pretendendo abalar e fazer perder aos portugueses a convicção adquirida de que o poder político só se pode exercer de maneira formalmente legal. Tem umas partículas embora finas do modelo soviético no tempo estalinista e do modelo chinês maoista cujo exercício do poder ultrapassava a legalidade.

A tentativa de manipulação de normas jurídicas, pondo em causa as instituições democráticas, são um sinal do frenesi pela imposição de normas que põem em causa a lei fundamental desafiando o Tribunal Constitucional que até a poderosa Chanceler Merkel respeita no seu país, revelam uma inclinação para um tipo de poder neototalitário.

Este governo, como tal nunca visto, é perito em violações deliberadas da Constituição da República. Ao colocarem a questão sobre a forma de interpretação da lei fundamental pelo Tribunal Constitucional que segundo os apoiantes do governo é errada significa que, e apenas eles, são os detentores da verdade interpretativa. Pinta de pensamento único que os aflige não poder exercer.

O serão vai longo. Por aqui se fica…     

Publicado por Manuel Rodrigues às 18:46
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Quarta-feira, 28 de Agosto de 2013

Universidades de verão ou em vão?


Este mês de agosto tenho andado arredado da política nem sei bem porquê talvez desiludido com uma direita que nada resolveu, mas antes agravou os problemas que diz serem sempre e todos dos outros e de uma esquerda receosa de propostas e estacionada para ver em que param as modas.

Entretanto vários diplomas têm vindo a ser preparados enquanto os portugueses embriagados pelo sol e pelos banhos talvez como preparação para as banhadas que irão apanhar até final do ano vindas a todos o vapor por esta direita desgovernada por um primeiro-ministro também ele com os comandos desgovernados.

Veio agora o tempo das universidades de verão do PS e do PSD. Fantochadas que, sob o pretexto de aulas, não são mais do que meras propagandísticas partidárias, está bem de ver. O título de universidade de verão com que aqueles partidos resolveram pomposamente designar os seus comícios restritos que nada têm a ver com o trabalho isento e metodologicamente científico que se faz nas universidades. Dali nada sai como contributo válido para a resolução dos problemas do país e obviamente das pessoas que nele vivem. São meras lavagens inconsequentes que apenas servem para regar as cabeças dos que ainda têm paciência para tomar a injeção ideológica vinda especificamente de uma direita neoliberal que, desastrosamente, nos tem desgovernado e que servem apenas para comunicação social divulgar.

Quanto ao PCP e ao BE continuam com o seu já habitual discurso panfletário e comicieiro este, diga-se, mais do lado do BE na voz da sua cabeça feminina.

E assim vai a política nacional num final de verão com Portugal dominado por terroristas incendiários, que ceifaram várias vidas no combate às chamas e aos quais o Presidente República não ser referiu tal qual fossem gente sem a importância que lhe merecesse. Ninguém tem a coragem de investigar a fundo e de apontar o dedo aqueles terroristas incendiários, limitando-se as autoridades a prender os suspeitos do costume como sejam o bêbado do lugar, o idoso que se quer vingar do vizinho, o maluquinho da aldeia que sobe encostas íngremes de uma serra para lançar fogos em várias frentes coincidentemente na mesma área, e outros que tais.

Houve ainda o infeliz desaparecimento do Dr. Borges que lamentamos apesar de em nada concordarmos com o seu contributo com pontos de vista radicais que, enquanto conselheiro, muito ajudaram Passos Coelho a destruir o tecido social fazendo-nos aproximar a passos largos de alguns países do leste europeu para, segundo eles, podermos ser competitivos. O que não podemos esquecer é que, quando aí chegarmos, os investimentos por que tanto ansiamos partirão para outros locais ainda mais competitivos.

Publicado por Manuel Rodrigues às 12:43
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Livros que já li

Prisioneiros da Geografia Tim Marshall As cidades invisíveis Italo Calvino Quando Portugal Ardeu Miguel Carvalho A Vida Secreta dos Livros O Romancista ingenuo e o sentimental de Orham Pamuk malbe

Os porques da esperança.png

Demorei algum tempo a ler este livro mais do que o costume. Livro sobre a política nacional sobre a forma de entrevistas que passaram na TVI 24 efetuada por um provocador nato cujas respostas são dadas por um astuto tribuno da palavra. Livro que aborda temas nacionais da política recente com uma abordagem em que as palavras se se entrelaçam com alguma exposições mais académicas. Um bom manual para quem se interesse pela política em Portugal nos últimos tempos.  

 

 

Piketty_Capit_SecXXI


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Rodrigues, Manuel A (2011). Geografia Social Urbana na Licenciatura em Educação Social, Cadernos de Investigação Aplicada, (5). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas


Rodrigues, Manuel A (2010). Didática da Geografia: recurso à Literatura como proposta interdisciplinar, Cadernos de Investigação Aplicada, (4). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas. .


Rodrigues, Manuel A (2008). Televisão e os efeitos de exposição a mensagens televisivas na educação: o efeito da terceira pessoa, Cadernos de Investigação Aplicada, (2). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas.


Rodrigues, Manuel A (2005). Do Presencial ao Online: um estudo de sobre a atitude de estudantes face a situação de aprendizagem online, Actas do VII Simpósio Internacional de Informática Educativa-SIIE05, Escola Superior de Educação de Leiria.


Rodrigues, Manuel A (2004). Um Modelo de Formação em Ambiente Misto de e-Learning (Blended Learning): uma experiência na disciplina de Tecnologia Educacional, Actas da Conferência eLes’04: e-Learning no Ensino Superior, Universidade de Aveiro.


Rodrigues, Manuel A (2004). Marionetas em Liberdade: a identidade pe(r)dida com as novas exigências curriculares, Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas.


Rodrigues, Manuel A (2000). Ciberespaço, Internet e as Fronteiras da Comunicação Educacional, Lisboa, Universidade Aberta. Porbase, CDU 37.01(043), 159.95043), 005.73Internet(043.2),371.1043)

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