Terça-feira, 3 de Outubro de 2017

A democracia é assim mesmo, dá sempre lugar à regeneração

Miguel Júdice.png

Após estas últimas eleições no seio das direções de informação começaram a perfilar-se novas composições na área do comentário político. A estreia foi iniciada com a TVI. O comentário político que José Miguel Júdice fazia às terças à noite na TVI24 passa a ser agora às segundas feiras no jornal da oito da TVI. Não é por acaso porque neste canal, e a àquela hora, apanha mais audiência a nível nacional. A TVI convidou Miguel Júdice, que andava há alguns anos afastado, para comentador algum tempo após o acordo parlamentar do PS com o PCP e o BE.

Como já várias vezes tenho escrito os comentadores de direita proliferam pelos canais de televisão falando com isenção duvidosa. Basta ver o perfil de Júdice para se compreender esta mudança. Anti esquerda convicto e com ódio às esquerdas mais radicais, talvez porque foram elas que ajudaram a apagar do mapa político português a influência da extrema direita.

Quem consultar documentos da época da revolução do 25 de abril ficará a saber que Júdice, embora não diretamente, esteve envolvido em conspirações antidemocráticas, com gente e partidos da extrema direita no norte do país que arquitetaram a rede bombista de 1976 causando a morte a várias pessoas. A história fará recordar aos mais novos a constituição do ELP (Exército de Libertação de Portugal) e do MDLP (Movimento Democrático de Libertação de Portugal), o primeiro mais militar do que político. O MDLP, a 17 de fevereiro de 1975, ensaiou um golpe de Estado. A 5 de maio de 1975 era oficialmente constituído o MDLP, uma força política de extrema-direita ficando a área da Política ao cuidado de José Miguel Júdice, na altura saudosista assumido do salazarismo. Em princípios de 1980, José Miguel Júdice aderiu ao PPD hoje PSD, onde militou. Em 2006 desfiliou-se do PSD e apoiou a candidatura de Cavaco Silva a Presidente da República. Em 2007 aceitou ser mandatário da candidatura do Partido Socialista, encabeçada por António Costa, à Câmara Municipal de Lisboa.

É agora comentador prime time na TVI. Nada contra, a democracia é assim mesmo, deve dar oportunidades de regeneração e ainda bem. Nada contra. Mas o que também acho é que devem ser dadas oportunidades para o contraditório a comentadores de esquerda residentes, que são escassos ou até, em alguns canais, muito incipientes ou disfarçadas em debates, aparecendo só em situações especiais.

Imagem tirada de http://www.jornaleconomico.sapo.pt/noticias/judice-novo-banco-vai-comprado-pelo-preco-da-uva-mijona-90073

Publicado por Manuel Rodrigues às 19:55
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Domingo, 24 de Setembro de 2017

O lixo e a solução de limpeza da direita

Lixo2.png

A velha história da raposa que não tendo conseguido chegar às uvas diz para os que observaram as suas tentativas que não prestam estão verdes. É o procedimento da a direita, face aos indicadores, diz que são uma narrativa e não uma realidade e, com a saída do rating do lixo, argumenta que continuamos sujos, esquecendo-se da sujidade que lançou no país e nas pessoas durante o seu mandato.

Os comentadores e os jornalistas de opinião liberais, ditos de direita e fiéis incondicionais das políticas do antigo governo, tais como José Miguel Tavares, são muito preconceituosos no que à esquerda diz respeito, seja qualquer das esquerdas, mesmo as do centro esquerda. Nos artigos que escrevem fazem uma espécie de acrobacias na construção argumentativa, com alguma arte, diga-se. São exímios em lavagens cerebrais para muitos que os leem apanhados desprevenidos fazendo um discurso de quem procura conquistar apoios através da manipulação das emoções em detrimento do uso de argumentos lógicos ou racionais.

Tal aconteceu com o artigo de opinião no jornal Público. Auele douto da política nacional tece uma espécie de argumentação do tipo retrospetiva e evocação do futuro. Vamos então a detalhes sobre o que José Miguel Tavares escreveu a certa altura do seu texto:

1 – “… foi aí que António Costa ganhou o jogo e conquistou a esquerda: ofereceu-lhe um discurso de “novas políticas” que elas puderam apresentar aos seus eleitores como uma grande vitória.”

                A primeira é que considera implicitamente a esquerda que aceitou sem mais as “novas políticas” como se essa esquerda fosse mentecapta e não tivesse opinião deixando-se aldrabar.

2 – “É certo que dez euros a mais no ordenado são dez euros a menos na bomba de gasolina, mas como a maior parte do país está cheio de vontade de acreditar em tempos melhores, a escolha parece ter valido a pena, como bem demonstram as sondagens”.

                Aqui entra a demagogia: agarra nos aspetos emocionais que potencialmente possam o aumento da gasolina (que ora sobe, ora baixa) para os relacionar com os dez euros a mais nos ordenados para que pensem e digam, “pois é, afinal o aumento não chegou porque tudo está pior!”. Para Miguel Tavares todos (nós) somos mentecaptos porque somos levados a acreditar que tudo será melhor, e é por isso que as sondagens sobem. Não é por mais nada. É apenas por isto que elas sobem! Força caro Miguel, é assim mesmo.

3 – “A isto chama-se habilidade política, coisa que António Costa tem para dar e vender. Com Pedro Passos Coelho estaríamos provavelmente a crescer mais e com um défice mais baixo, mas o povo estaria menos feliz e a esquerda teria tomado conta da rua”.

                E, para além, disto não há mais nada, apenas habilidade política, o resto surgiu do nada, como por milagre, milagre que Passos Coelho tanto ansiava, mas que não apareceu apesar de prometer na altura das eleições que iria continuar a mesmo política, talvez esperando um milagre que estaria para chegar, e lá está, a seguir vem o oráculo retrospetivo porque a José Miguel Tavares parece não lhe ter agradado termos saído do “lixo” e diz premtóriamente que apesar de tal facto o certo é que para ele continuamos sujos, e di-lo sem qualquer pudor no seguinte parágrafo:

4 – “… desfasamento entre a realidade e a narrativa sobre essa realidade, que conduz a uma série de avaliações demagógicas sobre aquilo que nos tem acontecido. Sim, as previsões da direita falharam naquilo que ao diabo diz respeito. Só que as previsões da esquerda também falharam quanto à receita para sair da crise. Portugal está a crescer e a baixar o défice em condições que a própria esquerda garantiu que nunca cresceria: com o investimento público mais baixo da História e sem qualquer reestruturação da dívida”.

Qual será então a realidade para Miguel Tavares? Só pode ser a mesma que a direita oposicionista e desorientada. As realidades e os factos são demagógicos e pretende fazer-nos acreditar a todo o custo argumentativo que a realidade é a mesma que a receita da direita nos aplicou.

Com grande desplanto diz agora que não se fez qualquer reestruturação da dívida. Pois não. Mas não era a direita que nem sequer queria ouvir falar nisso quando esteve no poder? Ah, já sei não era oportuno, mas agora já é! O costume!  O mesmo se pode dizer do investimento público que o governo que apoiava congelou agora dão a isso uma prioridade.  

5 – “Com Pedro Passos Coelho estaríamos provavelmente a crescer mais e com um défice mais baixo, mas o povo estaria menos feliz e a esquerda teria tomado conta da rua.”

                Pois, meus caros leitores, é isso mesmo, Passo Coelho se estivesse no governo estaríamos a crescer muito mais, apesar de nos tornar um povo acabrunhado, dividido funcionalmente e profissionalmente, quiçá, empobrecendo mais, com outros cortes inimagináveis, reposições de rendimentos à vista sine die, mas o país estava a crescer mais, as pessoas não interessavam. Era um governo que fazia crescer o país para alguns. Estaríamos todos no nosso galho bem quietinhos e pequeninos à boa maneira da política do grande salvador da nação e da pátria do princípio do século passado. A esquerda seria um problema porque viria para a rua (mais um oráculo) em vez de aceitar pacatamente tudo o que fosse a bem da nação, pela nação e nada contra a nação no governo de Passos Coelho.

Publicado por Manuel Rodrigues às 15:59
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Quinta-feira, 14 de Setembro de 2017

Direitalhos

Direitalho.png

A direita normalmente não tem senso de autocrítica, e seguramente não se questiona sobre seus próprios equívocos. A direita perde a confiança do eleitorado, apesar de ter toda a máquina mediática nas suas mãos e começa a sentir que não têm líderes com credibilidade suficiente.

Não apresenta políticas inovadoras, mantem-se no neoliberalismo anti estado social que se provou fazer duvidosas privatizações. O conservadorismo religioso católico está colado à direita que pretende esta tome conta do país. A direita utiliza falsos discursos sociais democratas, mas que, prontamente, descarta uma vez chegada ao poder. Limita-se a reproduzir mantras repercutidos à exaustão como o de a esquerda é incompetente.

Com a economia em ciclo de crise tenta descobrir corrupção na esquerda para fazer esquecer a sua própria, que é mais eficaz, oculta e guardada por arames farpados e cães de guarda que a protegem para tachar a esquerda de economicamente incompetente e irresponsável.   

Poderiam, quando no poder, pensar num verdadeiro do sistema judiciário para lidar com a corrupção de maneira estrutural e institucional (porque corrupção não tem lado e não é apenas um problema pessoal) e acabar com a morosidade dos tribunais que impossibilitam o equilíbrio entre a presunção da inocência e a condenação necessários para a construção de um executivo ético. Mas não, limitaram-se a mudar o visível, o físico e o superficial, mantendo o que necessitava ser mudado.

Para esta situação contribuem os do clube dos direitalhos formado a partir de adeptos direitistas que são todos os que são da verdadeira direita democrática. Direitalho é uma palavra que não faz parte do vocabulário português e o seu antónimo é a palavra esquerdalho, mencionada com sentido pejorativo por alguns que se dizem contra a esquerda, seja qual for o motivo. A palavra esquerdalho faz parte do léxico dos direitalhos frequentadores das redes socias e dos comentários dos jornais online e nos blogs. Deixaremos para outra ocasião os esquerdalhos que, apesar de se encontrarem do lado oposto, abraçam a mesma linguagem, mas de sinal contrário.

Para os direitalhos, esquerdalhos são todos os que não são de direita, os que não são neoliberais, os que não são radicais de direita, os que não perfilham ideias e princípios fascizantes, os que são pela manutenção do status quo que abandona uns setores da sociedade em favorecimento de outros. Os direitalhos não sabem porque o são, nem lhes interessa saber. São direitalhos e chega.

Acham que lhes dá um certo estatuto e aceitação na ordem social. Muitos vivendo apenas do seu salário alinham com os que defendem baixar impostos para uns, os mais favorecidos, e aumentá-los para os outros, privatizar tudo porque acham que poderão vir a obter vantagens, gostam que outros pensem que o seu estatuto social é superior, apenas, e só, porque são direitalhos. Outros têm potencial financeiro, mas cultura, valores e ética são baixos, mas, por outro lado mostram o seu fervor religioso católico através de todos as organizações onde se infiltram e mostram a sua grande religiosodade. Não fazemos discriminação de género, as direitalhas também são deste grupo. Muitas conseguiram, por vários fatores, trepar a um patamar onde se julgam pertencer à “high society” e pretendem distinguir-se pelo tratamento dos filhos ou netos por você, evocando quando acompanhados nomes sonates da sociedade, dando-se ares perante vizinhos e amigos.     

Os direitalhos apenas falam na necessidade de reformas, papagueando o que outros dizem, mas não identificam quais. São pelo imobilismo e não mostram interesse em acompanhar a europa. São contra o investimento público e alguns pertencem ao grupo daqueles que esperam que caia do céu o investimento privado e anseiam para que haja uma mão de obra dócil e barata, e quanto mais barata melhor. Os investidores defendidos pelos direitalhos são os que pretendem que o investimento efetuado hoje, ao fim de alguns meses, tenha retorno do capital mais o lucro.

Os direitalhos são contra tudo o que seja social, mas são a favor de tudo o que lhes possibilite a livre especulação, de preferência sem legislação laboral. Neles incluem-se os revanchistas, os invejosos, os xenófobos, os racistas, os que acham que a direita, a deles, resolve os problemas que enfrentam e que ainda ninguém resolveu, os que vivem na espectativa duma viragem direitalha para os resolver.

Direitalhos são também os que enxovalham os outros, os que difamam, os que caluniam sem prova, os que, escondidos pela capa do anonimato lançam denúncias, (que mais fazem lembrar elementos pidescos infiltrados), guardam na gaveta do lixo os mexericos e as falsas suspeições para oportunisticamente os lançar para a opinião pública através dos media que lhes dão cobertura. Utilizam o lema do vale tudo desde que seja contra os outros, e nada contra eles.

Há antigos líderes que, à falta de melhor, transformaram-se em formadores de putativos direitalhos da JSD, como o fez Cavaco Silva no Pontal. Desdenhou a ideologia, como se ele próprio não tivesse uma, e lançou disparates como duma possível realização duma revolução socialistas através do Governo. Identificou-se assim ele próprio como possível direitalho.

É importante esclarecer que no grupelho dos direitalhos não incluo os da verdadeira direita democrática, os que valorizam os valores democráticos, os que têm uma visão socialmente diferente para as soluções e problemas do país e das pessoas, e que, através duma oposição construtiva e de verdade, consigam ganhar o poder através dos mecanismos que a democracia proporciona.

Os direitalhos não são de direita, são contra a esquerda porque consegue baralhar os seus pobres espíritos politiqueiros. Não sabem o que é ser de direita, nem sabem o que é ser de esquerda. Porque não sabem o que é, nem uma, nem outra. Todos os que não sejam direitalhos são “comunas” e perigosos revolucionários. Imitam alguns esquerdalhos que dizem que os de direita são todos fascistas.  

Recorrendo a uma metáfora e como mero exercício intelectual podemos imaginar uma entrevista a um adepto dum clube de futebol e estabelecer uma analogia com o pensamento político do direitalho. Porque não se trata de qualquer crítica ao espírito desportivo dos que gostam de futebol o leitor deve ter em mente que esta analogia trata duma transposição a partir do espírito clubista.  A ideia é que leitor substitua a palavra clube pela palavra partido, a que um direitalho pertença, e imagine uma entrevista nesse sentido.

-Porque é do clube A?

-Porque os meus pais sempre foram desse clube e os meus vizinhos também são.

Pergunta-se a outro:

-Porque é do clube B?

-Porque me inscreveram no clube desde muito pequenino e dei por mim sendo sempre desse clube.

-Alguma vez criticou o seu clube?

-Só nas alturas em que perde. Mas luto sempre por ele.

-Acha que o seu clube lhe traz algumas vantagens pessoais e familiares?

-Sim porque me dá alegrias quando vence.

-Como considera os outros clubes?

-São do pior que há. São todos uns…E porque, “ó meu”, fico lixado por terem ganho. São todos trapaceiros.

 -E quando o seu clube ganha?

-Ah! Isso é diferente. Isso é devido à sua própria capacidade e competência.

-Pensou alguma vez mudar de clube?

-Nem pensar, serei deste clube até ao fim dos meus dias.

 

Os direitalhos que colocam posts aqui e ali são assim, de pensamento oco, e de menoridade mental e não entendem que a democracia possui um vasto espectro de opções e um enorme potencial para a resolução de problemas sem a necessidade de golpes baixos e  assim haja vontade participativa de todos.

Publicado por Manuel Rodrigues às 21:08
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Terça-feira, 11 de Julho de 2017

A orquestração

Orquestra.png

Há uma orquestração que tem vindo a ser muito bem dirigida, mas que é duma baixeza e oportunismo partidário a todos os níveis que só direita poderá estar a dirigir com beneplácito dos canais televisivos que, juntamente com comentadores, pouco isentos e partidariamente coniventes, se encarregam de divulgar e amplificar os casos cuja informação prestada ao público por vezes mais parece ser orquestrada à boa maneira da antiga união soviética, já para não dizer da Coreia do Norte. Quem vê televisão tem o sentimento de estar a receber informação imbuída de monolitismo ideológico de direita, com uma ou outra pincelada, aqui e ali, de contraditório que, no meio da pintura, nem nos apercebemos.

Todas os casos sucessivos que têm vindo a lume nos últimos tempos não me parecem coincidências. Surge-me por isso no espírito uma suspeita de orquestração proveniente da direita, (da esquerda não será com certeza), e com a afabilidade dos canais de televisão. O grave é que instituições, como é o caso da PGR, que deveriam ser isentas, estejam a reboque duma agenda partidária que chega às raias do subversivo. Parece que num repente se abriram as caixinhas onde estava tudo no recato á espera de favorecer a oportunidade partidária da direita. Isto parece-me ser subversão das instituições para benefício partidário.

Publicado por Manuel Rodrigues às 20:38
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Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2017

Travessuras da menina feia e doçuras do giraço

Travessuras e doçuras.pngA cara jornalista Ana Sá Lopes, Diretora Adjunta Executiva do jornal i, filho mais novo do mesmo grupo do jornal Sol e parente do Correio da Manhã escreveu o editorial com um título interessante sobre a TSU, PS, PSD, Passos Coelho e António Costa. O tema é o da menina feia e o giraço da turma.

Sustenta que houve um plano B disfarçado para se atingir o défice de 2,3%. Concretiza com opinião de causa que Centeno “cativou tudo o que pôde e tudo o que mexia para não deixar o Estado gastar mais do que estava acordado com os parceiros de esquerda, e o investimento público foi zero.” Tenhamos paciência, é obrigação de qualquer governo não deixar o Estado gastar mais do que deve, controlando as despesas em fase ainda crítica e com uma dívida enorme às costas. Será isto algum plano B?

Ana Sá Costa apagou da sua memória política os planos A, B, C de Passos Coelho. O último era a previsão do corte de 400 milhões de euros que preparava sabe-se lá a quem. Com certeza às vítimas do costume.  

Ana não se fica por aqui, que também fez parte do plano B do Governo o investimento público ser zero. Mais uma amnésia. Haver ou não investimento público é opção estratégica de qualquer governo seja por questões de contenção de despesa ou outra. Será isto algum plano B? Onde esteve o investimento durante o anterior Governo? Cortava… cortava… e nada! Os que antes eram contra o investimento público e não o fizeram são agora a favor do dito. No caso da TSU, Ana Sá parece estar a ajudar a partidarite politiqueira que atacou o PSD e diz, fazendo coro, que “Costa que trate do assunto com a esquerda, a quem prometeu um namoro estável.” E, com isto, que se lixe o país e o elevado número de pequenas empresas.

Sabem o que é obnubilado? Não? Então já vou dizer, mas antes vejam o que diz Ana Sá Lopes: “O divertido deste debate é que é agora Passos Coelho que passa por incoerente – que é, de resto –, parecendo obnubilado do debate público todo o discurso socialista contra a redução da TSU e o acordo de esquerda”. Pois é, este palavrão que dizer, segundo o Dicionário da Língua Porto Editora, "tornar(-se) obscuro; turvar(-se); escurecer".

Esta guerra que fazem contra a TSU é uma guerra contra a solução parlamentar encontrada por Costa. É a guerra contra a reversão dos rendimentos e das pensões e de todas as medidas neoliberais tomadas contra a maior parte do povo. Não, não me esqueci! As condições eram diferentes. É verdade, mas agora também o são.

Antes de terminar diga-me, Ana Sá, qual é o “argumentário surrealista contra o PSD” a que se refere?

No jornal i Ana Sá Lopes já atravessou por várias administrações e direções e passou por vários cargos. Agora há que defender o posto de trabalho apoiando seja de que forma for os pontos de vista da direção. E porque já li o que escreveu noutras alturas enquanto está neste jornal as minhas desculpas se assim não for.

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 16:38
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Sábado, 26 de Novembro de 2016

Quem és tu Raquel

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Raquel Varela_2.png

Gosto muito da Raquel Varela. Acho que para além de fotogénica é uma mulher atraente, cativante, com ar sedutor. Para mim, claro, porque isso de gostos, sejam eles do que for, tem o seu quê de subjetivo.  Mas este é o ponto que menos interessa referir. Interesso-me mais pelos seus pontos de vista sociais e políticos.

Desconheço o seu posicionamento partidário, mas quanto ao ideológico vejo-a como uma marxista ortodoxa que segue os ideais clássicos daquela corrente económica com se fossem uma espécie de ensinamentos catalogados.

Raquel é historiadora, investigadora, comentadora e outras coisas mais. Podem muitos não gostar dela, nem concordar com os seus pontos de vista, mas o seu valor intelectual é inegável. Apesar de todos estes atributos a minha aceitação por tudo quanto diz não é de modo nenhum incondicional.

Provocadora por inclinação podemos ouvi-la contra a direita, contra o centro, contra a esquerda. Vejo-a como alguém com necessidade extrema de protagonismo que consegue através da controvérsia política.

Apoia quaisquer greves vejam elas donde vierem, sejam elas que objetivo tiverem. Faz parte da sua ortodoxia marxista. À luz da sua visão dependente dum certo e indefinido esquerdismo critica, a seu modo, a esquerda moderada e democrática, acompanhando as críticas feitas pela direita. O dilema que Raquel Varela me coloca é, por um lado, eu ter necessidade de encontrar um centro político-ideológico que me leve a compreender o essencial do seu pensamento e posicionamento e, por outro, o de saber qual a sua lógica dominante.

Como historiadora está atenta a tudo e a todos os que saiam fora dos factos históricos deturpando-os a seu bel-prazer ideológico, como o tem feito esse dito historiador Rui Ramos. Neste ponto estou de acordo com ela, porque para mim a história que Rui Ramos divulga não entra no campo da investigação em história, são escritos de opinião sobre história vista à maneira dele.

 Mas voltando à Raquel, talvez ainda se recordem do apoio que deu à greve dos estivadores em 2015 chegando a ir a um plenário daquele grupo de trabalhadores incentivando as suas mulheres, como mães e donas de cas a juntarem-se à luta tendo daqui surgido um blogue de apoio.

 Do meu ponto de vista Raquel Varela é uma convicta radical de esquerda e defende intensamente a luta da classe operária, se é que ainda existe essa classe enquanto conceito do século XIX. É contra quaisquer ideologias dominantes ligadas ao bloco do poder que é um obstáculo ao pensamento e à sua produção científica em ciências sociais que não consegue separar da ideologia.

Fala sobre a banca dizendo que deveria ser toda nacionalizada porque está a enriquecer e a empobrecer o país. O Estado deveria deixar falir a banca, é o seu lema que várias vezes defendeu em algumas das suas intervenções em programas de opinião. Não percebe porque a Caixa deve ser capitalizada, mas a banca deveria ser nacionalizada e a Caixa Geral dos Depósitos não é, de todo, um banco público é privado com dinheiros públicos e não serve os interesses do povo, perceberam? Não? Eu também não.

Esta posição aproxima-se em alguns pontos às da direita que pretende travar a recuperação da Caixa. Raquel Varela navega por todos os mares e cavalga todas as ondas, é preciso é ser contra o poder seja ele qual for. É por isso que não a identifico com uma esquerda que pretenda agir segundo um conceito ideológico que se mostre através dum programa político claramente definido. Ela é contra um qualquer poder e uma purista do marxismo. Talvez, até seja uma narcisista intelectual que gosta de ser original pelos pontos de vista que vai lançando para o ar tornando-se polémica e, evidenciando-se, dessa forma, por uma pretensa diferença.

Não concordando com ela em muitos pontos, continuo a gostar da Raquel e leio quase tudo o que ela publica. Acredito, no que respeita à investigação, na sua credibilidade e fiabilidade científica. As ciências sociais como por exemplo a sociologia, a ciência política e a economia não sendo ciências exatas são permeáveis a ideologias e às suas tendências. O caso da economia é evidente no que respeita ao cálculo e à interpretação de indicadores. Daqui as várias teorias decorrentes.  Assim, a prática científica pode estar ligada a uma prática ideológica determinada considerando a produção científica em ciências sociais dum ponto de vista materialistas. É por este caminho que Raquel Varela segue sem perda de rigor. O mesmo já não posso dizer quando aborda certos aspetos da política que acabam por apoiar teses duma direita neoliberal que por aí se vai arrastando, sendo ela, como parece demonstrar, uma coletivista.

Não subscrevo a tese, como alguns dizem, de que Raquel Varela é uma pseudointelectual de Portugal. Posso questionar e responder de seguida, com margem de erro: Raquel Varela é de esquerda e faz o jogo da direita quando lhe convém? Sim. É contra o poder do Estado apenas em alguns casos? É. Defende um Estado que imponha a igualdade pelo coletivismo? Talvez.

Para mim é um enigma político onde se adivinham alguma demagogia populista. Talvez seja um protótipo duma esquerda caviar, sem ofensa para o caviar e para a Raquel.

Ainda no tempo do programa Barca do Inferno da RTP3 (fevereiro de 2015?), programa cujas opiniões não podiam ser levadas a sério Raquel Varela disse em determinado momento: “Não pagamos a dívida e usamos o dinheiro para empregar mais pessoas. Os restaurantes, por exemplo, se tiverem mais empregados, têm mais clientes e ganham mais”. Por tanto querer ser polémica por vezes sai disparate. Defesa intransigente dos trabalhadores sem critério.

É assim que os meus olhos vêm Raquel Varela.

A direita detesta-a e a esquerda tolera-a. Como a direita que anda por aí não gosta de ser contrariada e coloca-se na posição de ser a única detentora da verdade e da tese do não há alternativa que, ultimamente, tem estado a ser contrariada não gosta dela e, como tem vindo a ser o seu atributo, passa às ofensas pessoais como argumento.

Publicado por Manuel Rodrigues às 20:31
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Segunda-feira, 31 de Outubro de 2016

O comentarista transparente

Marques Mendes4.pngMarques Mendes no seu tempo de antena, aos domingos na SIC, dedica-se à propaganda da oposição do PSD ao Governo. Para ele toda a especulação serve para ter audiências e para se projetar tirando disso proveito de visibilidade. Segue uma estratégia diferente de Medina Carreira que utiliza para quem nada tem solução perdendo-se em gráficos que mostram as catastróficas as finanças, mas a finalidade é mesma.

Marques Mendes é uma divindade profética que fala do olimpo televisivo profetizando sobre política, de forma cada vez mais derrotista. Ele colmata a lacuna necessária para a oportunidade da instabilidade política. Se compararmos os seus comentários de hoje com os do tempo do Governo de Passos Coelho os seus comentários eram, na altura, dignos dum menino do coro celestial se soubesse cantar comentários políticos.

Ele fala sobre tudo, anuncia tudo, tem conhecimento de tudo, faz juízos intencionais, amplifica o mau, esconde o bom, desacredita tudo quanto venha da governação. Para Marques Mendes o Governo está envolto num intenso nevoeiro, nada é transparente, nada está claro, tudo precisa de ser clarificado, nada é transparente porque o Governo esconde, vê intencionalidades ocultas. Fala como se no tempo do Governo do líder do seu partido tudo fosse transparente. Se, revisse a imprensa da época…. Enaltece, valoriza, dá corpo a tudo quanto venha da oposição de direita e sobretudo se vem da oposição de esquerda que, ao mesmo tempo e em certas condições, apoia o Governo. Decide virtualmente demissões de ministros, aconselha sobre quem fica e quem sai.

Marques Mendes faz o jogo da esquerda quando lhe convém para, logo depois, apoiar a direita e embaraçar os dois partidos da esquerda do apoio parlamentar. Não faz comentário, faz oposição ao Governo. Dá uma ajuda pelo comentário à oposição de direita. Quer protagonismo como Marcelo Rebelo teve no seu tempo de comentador, mas nunca lá vai chegar com a técnica das comadres que, duma qualquer janela, dum qualquer bairro popular, juntam as razões para estarem contra a vizinha do terceiro que deita água em cima da roupa lavada.

Para ajudar à festança oposicionista, por vezes sem razões, há jornais que aplaudem e ajudam à visibilidade com parangonas de primeira página.

Saudades do comentador pantomineiro Marcelo Rebelo de Sousa, como eu o designava, e não sei se mais alguém.

Como já várias vezes disse a Caixa Geral de Depósitos – CGD é, para a direita, à falta de melhor, uma forma que encontrou para fazer uma oposição. Para a esquerda é mais um populismo que complementa o jogo da direita. O que a CGD é uma instituição pública com características diferentes das habituais, é um banco que, embora público, tem que competir num mercado concorrencial e, como tal a sua administração tem que ser idêntica à do mercado, tem que ter estabilidade para competir no mercado. Marques Mendes parece não compreender isso. Se não fosse apenas para ter visibilidade, para dizer eu existo, aceitaria que a SIC lhe pagasse um valor abaixo do mercado para fazer comentários?  Se fosse convidado para ocupação dum alto cargo de responsabilidade, como é o da CGD, e lhe oferecessem um salário de primeiro-ministro aceitaria o cargo? Se disser que aceitaria para poder servir o seu país, essa não cola.

Publicado por Manuel Rodrigues às 20:31
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Domingo, 2 de Outubro de 2016

A Conspiração

Cesar das Neves.png

 

Se alguém for de esquerda, moderada ou não, terá mais é que se converter. Se for católico, mas tiver ideias de esquerda converta-se na mesma.

Antes de começar a escrever este "post" pensei se deveria ou não fazê-lo, dado a náusea que me causa comentar as declarações patéticas dum sujeito que se deve julgar uma sumidade em economia política. Questionei-me se seria  merecido qualquer comentário dum simples cidadão desconhecido que em tempo colocou aqui um texto intitulado “Injustiçado ou perda da razão” sobre o douto professor. Gastar o meu tempo com ele seria continuar a dar-lhe importância, mas, por outro lado, não ficaria bem comigo se perdesse a oportunidade de lhe chamar alguns imagináveis e não explícitos nomes à boa maneira diplomática. Refiro-me ao senhor César das Neves, professor na Universidade Católica, cuja cristandade e consequente caridade andam muito afastados do seu pensamento hipócrita. Percebe-se pelas enormidades contraditórias que lança por aí.

As contradições entre o que diz e o que pensa são abissais. Quando numa entrevista foi confrontado com algumas afirmações do Papa Francisco, confundiu, baralhou, refugiou-se em questões retóricas que não se colocam nem estão implícitas em afirmações do Papa e tenta falaciosamente reconstruir a realidade.

Quando confrontado com questões objetivas desvia-se da objetividade refugiando-se em lugares comuns como defesa para a fragilidade dos seus argumentos. É o homem do talvez, e do não tanto. A ambiguidade é a sua arma de defesa.

Adoro uma boa teoria da conspiração, mas este sujeito passa das marcas ao afirmar enormidades como "Reformados e funcionários públicos controlam a política e a comunicação social". Ele deve estar enganado, mais parece ser o contrário, porque eu não vejo em nenhuma comunicação social nem reformados, nem funcionários públicos a fazer declarações nem a ocupar primeiras páginas de jornais nem canais de televisão.  É uma patológica falsa realidade por ele imaginada gerada por ódios pouco dignos de quem se diz um convicto cristão.

Fazer declarações polémicas desta espécie é ser um porta-voz em Portugal do pior que tem o neoliberalismo, embora afirme que não é neoliberal, nem sequer é liberal. Então afinal o que é?

César das Neves disse nas jornadas parlamentares do PSD em fevereiro de 2016 que "o país é mesmo socialista. Todos os partidos, do CDS ao Bloco de Esquerda, é tudo socialista". Esta frase terá várias leituras. A minha é simples, não sendo ele socialista, dizendo que não é liberal nem neoliberal, logo, um bom governo será uma ditadura de ultradireita. Aliás, muitas das suas afirmações parecem defender esse tipo de regime para Portugal. Aliás uma prova do que afirmo é está num comentário sobre um artigo que ele escreveu em 2013 e que pode ver em Mas que filme é este?

O oportunismo deste senhor é tal que aproveita o momento da visita do Papa Francisco a Fátima para lançar um livro onde se prevê desde já seja uma deturpação tendenciosa do que este Papa tem declarado.  “Os revolucionários querem usar o Papa como arma de arremesso”, disse numa entrevista. É uma tendenciosa inversão dos factos e o pressuposto da ignorância dos outros. Faz afirmações que não podemos aceitar como verdadeiras, porque acha que não se pode provar que é falso o que diz. Vejamos então. Será que alguns dos princípios e ideias do Papa Francisco que têm sido divulgadas são originais e nunca ninguém as pensou ou se pensou não as disse?

Sobre o assunto afirma que “a direita quer manter o que tem e os outros estão a atacar. Neste momento, a esquerda está em crescendo, o problema é uma crise do capitalismo. Temos a direita a resmungar que o Papa é desagradável, mas não se atrevem a dizer mal dele. Mas a esquerda está contente, não para se converter e ouvir o Papa como pastor, mas para o usar como arma de arremesso”. Reparem na palavra converter. Se alguém for de esquerda, moderada ou não, terá mais é que se converter. Se for católico, mas tiver ideias de esquerda converta-se na mesma.

A sua política, diz César da Neves, é a defesa da doutrina social da igreja, mas, ao mesmo tempo, acha que é preciso cortar nas reformas e nos salários da função pública. A conspiração deve ser uma das suas missões, pelo menos no que toca àquelas duas parcelas da sociedade, já que, segundo ele, são estes grupos instalados que controlam a nossa política e os nossos jornais. Quando se lhe pede uma explicação sobre qual o grupo de reformados tem jornais e a resposta é nada e vazia “Eu não vejo é ninguém a falar contra esses interesses instalados e preocupado com a criação da riqueza”.

Quando se pergunta a este professor da cadeira de História do Pensamento Económico na Universidade Católica se acredita que há uma ciência económica única e não várias abordagens responde que “talvez”, mas não tanto” e acrescenta o seu grande pensamento dizendo que “todos os modelos de compreensão da realidade são errados, mas alguns são úteis”. Poderá perguntar-se se será útil o que está errado, a não ser a utilidade para demonstrar que está errado? E se são úteis em quê e para quê? É claro a sua verbosidade é tal e inconsequente que até origina uma confusão mental em quem o lê.

Então mete-se por campos filosófico e diz que “a realidade não existe”, e retifica, “o que nós sabemos da realidade é uma apreensão humana”. A sua bazófia é tal que encaixa os factos que o circundam na sua própria definição de realidade em vez de fazer o contrário.

Para esta lente de sabedoria a todos os graves problemas económicos e sociais em Portugal e no Mundo se deve “responder com a doutrina social da Igreja: temos de responder recusando a luta de classes e, pelo contrário, falando na harmonia das classes; nós temos de criar uma integração daqueles que estão a ser marginalizados pelo processo…”. Se, por um lado, coloca a sociedade contra os reformados e os funcionários públicos, tomando-os como algo a marginalizar e a sair fora do processo, por outro, fala de integração de quem está a ser marginalizado pelo mesmo processo.

Baseia-se na doutrina social da Igreja e diz que é revolucionária, mas acrescenta que ela é revolucionária no sentido da mudança de corações, que é a única forma que garante a mudança do sistema. Refugia-se na confusão da espiritualidade teológica e nas palavras sem clareza que diz, apontam o caminho da mudança dos corações. E a praxis onde fica? Nada deve mudar, mas tenham esperança e fé.

Vejam a maravilha de resposta quando lhe foi pedido o que tinha a dizer sobre o que disse o Papa Francisco quando “chamou aos movimentos sociais, que convidou a colocarem a economia ao serviço do povo, “semeadores da mudança”, e nesse grupo estavam movimentos como os Sem Terra do Brasil.” Resposta clara e esclarecedora: “Sim, muitos deles ligados à Igreja. Estão lá a evangelizar. Estão lá a falar a favor dos pobres e em nome de Jesus Cristo. Estão lá a fazer aquilo que a Igreja está a fazer há muito tempo.”.  Isto é, à pergunta disse nada. Ficaram esclarecidos? Sim? Ainda bem porque eu não.

E mais não digo porque, enquanto cidadão comum e pertencente à grande massa de ignorantes, não tenho categoria para comentar este omnisciente.

Publicado por Manuel Rodrigues às 17:56
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Sábado, 7 de Novembro de 2015

Coligações e perdas de identidade política

Coligações.png

Tenho ouvido para aí responsáveis políticos e partidários, acolitados pelos seus comentadores de serviço, dizerem que António Costa tem ambição de poder e quer conquistá-lo a todo o custo. Não sei, e não tenho procuração para a sua defesa ou acusação. É, contudo, muito fácil de constatar que se uns procuram o poder, outros procuram mantê-lo a todo o custo. Num regime parlamentar quem faz ou desfaz governos é o Parlamento. A esquerda tem mais deputados do que a direita. É essa a sua grande angústia e raiva dissimuladas.

Se Passos Coelho quer manter o poder, a que diz ter todo o direito porque ganhou as eleições, o certo é saber como o conseguiria manter quando os deputados eleitos foram insuficientes para uma governação estável e duradoura que não lhe permite sustentar uma maioria na Assembleia da República. Por outro lado, a maioria de deputados são da oposição que, em conjunto, obteve 52,26% dos votos.

A coligação de direita PSD.CDS-PP, após as eleições, ao tomar consciência da situação em que se encontrava precisava duma muleta que lhe validasse as políticas, incluiu no seu programa de governo algumas das medidas do programa do Partido Socialista numa tentativa para o "capturar" politicamente chegando até a propor a sua entrada para o Governo. Aqui está, não convenceu ninguém com a partilha do poder.

O PSD esqueceu-se que, durante quatro anos não fez qualquer cedência nem tentativa de aproximação com o PS e não abandonou a sua posição neoliberal. Durante a campanha eleitoral ouviu-se Passos Coelho dizer que o seu programa seria a continuidade das políticas seguida e ao prever a impossibilidade duma maioria absoluta começou, com algum custo  a fazer algumas promessas para convencer o eleitorado.

Um acordo do PS não seria impossível noutras circunstâncias e com outra liderança no PSD. O que aconteceu foi que, como já o escrevi várias vezes, deu-se um deslocamento do PSD para a direita de tendência neoliberal, deixando para trás qualquer hipótese de negociação ao centro, pelo que, nas atuais circunstâncias, as negociações seriam apenas possíveis à esquerda. O PS não tem quaisquer afinidades com esta direita. Se também não a tem com sua esquerda, pelo menos conseguiu com ela negociar sem quaisquer preconceitos.

Acho que ninguém tem dúvidas de que o Partido Socialista tem uma tradição de fidelidade à democracia, seja em que circunstância for e, por isso, ao contrário de muitos outros não silencia tendências ou sensibilidades internas. Veja-se o caso do PSD que pelo facto de estar no poder as vozes que poderão ter pontos de vista diferentes não se ouvem.

Francisco Assis tem os seus pontos de vista que no interior do PS são duma ala mais à direita que discorda de alianças à esquerda. Está no seu direito. Mas desenganem-se os que pensam que ele seria por uma coligação com a direita. Segundo o seu pensamento, face ao que diz e escreve, seria favorável a que o PS se tornasse um partido do tipos balança parlamentar, deixando a coligação de direita governar e diligenciar ao nível parlamentar, Estando a direita em minoria aqui e ali seria obrigada a uma atitude mais negocial.

Um dos perigos que decorreria duma aliança estrutural com a direita seria o risco de "pasokização" do PS como aconteceu na Grécia, onde o PASOK desapareceu porque fez o que Assis e seus apoiantes defendem agora para o PS, uma aliança estrutural com a direita. 
A política da insegurança, do medo, do regresso ao passado, da instabilidade política, da quebra dos compromissos internacionais foram, durante a campanha eleitoral, e ainda o são, o mainstream (a corrente principal) da direita com que conseguiu manipular o eleitorado.

A coligação de direita PSD.CDS-PP fez perder a identidade política e programática e ideológica ao CDS-PP. Os princípios e programas diferentes fundiram-se num só, PSD e CDS são partidos diferentes mas iguais. Alguém consegue hoje em dia distinguir as diferenças entre o projeto do CDS-PP e o do PSD? A única diferença é Paulo Portas e os deputados que defendem juntamente com os do PSD e em uníssono as mesmas políticas. É bom que se pergunte onde estão as diferenças.   

É isso que muitos dentro do PS temem, que deixe de perder a sua identidade com uma aliança com a direita neoliberal, que se autointitula do centro.

 

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 18:57
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Quarta-feira, 28 de Outubro de 2015

Boliqueimismo, o novo movimento em Portugal

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O provincianismo é uma forma de costume característico do ambiente de uma província assim como pacóvio que é alguém considerado rústico, pouco evoluído ou de visões curtas e homem do campo, como muito respeito para com os homens do campo.

Nenhuma destas asserções tem a ver com inteligência e formação mas com o modo de pensar, de agir, de conduta, de procedimento e da forma como se vê o mundo.

Do sentido genérico de provincianismo podemos derivar para outros termos como por exemplo o boliqueimismo, ambiente característico do passado de Boliqueime, freguesia do concelho de Loulé, que teve até ao 25 de abril de 1974 horizontes limitados e assim continuaria se não fosse o desenvolvimento que a revolução e o turismo trouxeram.

O sufixo "-ismo", de origem grega, produz nomes que veiculam um conjunto variado de sentidos, desde movimentos políticos ou religiosos até meios profissionais. Àquele original movimento político de Boliqueime pertencem adeptos adjetivados como teimosos, infalíveis, presunçosos e revanchistas, qualidades que não podemos, nem devemos, imputar à generalidade dos cidadãos boliqueimenses.

Os boliqueimistas, têm um pensamento único que querem transformar em superior interesse nacional. Convém esclarecer que o sufixo  ´-ista´ vem do  sufixo grego ‘-istés’, que indicava a noção de agente, isto é, a pessoa que praticava uma dada ação.

Os boliqueimistas, como muitos outros, foram cozinhados no tempo da austera ditadura. Alguns evoluíram, outros desviaram, outras adaptaram-se, outros, ainda, disfarçaram-se de democratas.

A dimensão do que hoje se passa em Portugal não está ao nível de Bruxelas mas de Boliqueime e do movimento boliqueimista cujo objetivo é criar uma crise em Portugal com a desculpa do europeísmo de uns e do suposto antieuropeísmo de outros. Os boliqueimistas, ainda com o pensamento do tempo da Guerra Fria, mostram uma atitude suprapartidária, porque são adeptos do partido único como é o boliqueimismo.

Publicado por Manuel Rodrigues às 15:38
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Domingo, 4 de Outubro de 2015

A influência das televisões como forma de condicionamento da decisão do eleitorado

Televisão_manipulação.png

 

 

Se a coligação PPD-PSD.CDS-PP ganhar bem pode agradecer de todo o coração às televisões e a muitos dos seus comentadores e jornalistas. Todos os canais, sem exceção, mostraram uma parcialidade de tratamento nunca vista em eleições de anos anteriores. Foi uma espécie de retaliação contra o Partido Socialista. Resta-nos saber porquê.

Mas não foram só as televisões, estas serviram como veículo de partidos de todos os quadrantes para fazer campanha baseada no ataque ao Partido Socialista esquecendo grande número de vezes a coligação de direita PPD-PSD.CDS-PP que governou durante mais de quatro anos. O objetivo era simplesmente fazer com que o PS não tenha maioria o que servirá apenas para beneficiar a direita.

Dizia Eduardo Cintra Torres em janeiro de 1998 (p.168) que "Cabe aos mensageiros, (os jornalistas, os órgãos de informação) e aos recetores (os leitores, os espectadores) estarem atentos para que a realidade vista por cada um seja sua e não "deles". Essa vigilância é particularmente difícil no caso da televisão, porque as mensagens de propaganda se espalham temporalmente e se diluem em inúmeros blocos informativos - mensagens que são como pontos invisíveis, mas vão formando uma imagem, não no ecrã, mas dentro de nós, subliminar."

Cintra Torres, agora comentador no canal de televisão CMTV, escreveu isto quando no Governo em Portugal estava o Partido Socialista com António Guterres. Resta saber se hoje em dia ainda tem a mesma opinião com o Governo PSD/CDS ainda em funções.   

Como os portugueses estão agarrados aproximadamente quatro horas por dia a olhar para a televisão, é como se utilizassem uma ferramenta para mudança social, alterando a forma de pensar. O governo e a coligação PPD-PSD.CDS-PP seriam ingénuos se ignorassem o seu efeito. 

Assim como a televisão pode motivar através da publicidade para comprar roupas, música, jogos e por as pessoas dentro e fora de moda, o mesmo pode ser feito ao modo particular de pensar sobre quem governa.

A televisão através de informações selecionada e tratada com muito cuidado pode motivar e até manter um povo enganado através da seleção de temas e condicionamento de opiniões para servir a critério dum governo, dum partido ou outros.

O elemento principal do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e económicas, mediante a técnica de contínuas distrações e de informações insignificantes.

A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir o público de prestar atenção ao que verdadeiramente interessa e se passa na política. Manter a atenção do público distraído, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real.

Usar aspetos emocionais é uma técnica para causar uma espécie de curto-circuito na análise racional e no sentido crítico dos indivíduos. Além do mais, a utilização das emoções permite abrir a porta de acesso para fazer entrar ideias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos. Esta última fez parte da campanha da coligação de direita PSD/CDS.

A estratégia passa pela divulgação preferencial de conteúdos medíocres, e pela coroação de ícones políticos popularuchos que em geral não apresentam demasiada  cultura, nem inteligência mas que a televisão transforma.

Se a coligação PPD-PSD.CDS-PP ganhar bem pode agradecer de todo o coração às televisões. A todas sem exceção. Diretores de informação, alguns jornalistas, comentadores mostraram uma parcialidade nunca vista em anos anteriores. Foi uma espécie de retaliação contra o Partido Socialista.

Colocavam no ar tudo o que era bom da campanha PAF e horas a fio de Passo Coelho a falar monocordicamente e por outro lado quase tudo o que era mau na campanha do PS. Não havia censura, mas a forma como a informação é tratada e alinhada para ir para o ar pode também ser uma espécie de censura no sentido de avaliação negativa. Se, de facto, se acreditar em conluios, esta campanha foi bem disso a prova de como a direita teve uma influência que penetrou em todos os canais de televisão, mesmo naqueles cuja informação se diz ser independente. Somos livres de pensar de por portas e travessas não terá havido promessas a esses canais, alguns deles não são mais do que "canis" que abrigam cães rafeiros da desinformação.

Uma análise ao conteúdo das campanhas comprovaria o que acabo de dizer. Porque não é apenas o que dizem a quantidade do que dizem nem a quantidade do que passam é, também, a seleção tendenciosa das imagens e os comentários por vezes sem isenção e ao belo prazer e interpretação livre do jornalista que os faz  

Tirando alguns frente a frente onde por vezes estavam políticos de partidos à esquerda do PS (também era o que faltava que assim não fosse) os comentadores de serviço em todos os canais generalistas e de informação eram conhecidas figuras do PSD. Onde estava o contraditório?

Eu não acredito da independência e isenção de militantes sem contraditório quando comentam política nas televisões.

Para a maior parte das pessoas a fonte de informação é a televisão mais do que de qualquer outra fonte de notícias e daí há sempre uma maior preocupação pela forma como os canais cobrem uma campanha política. Estudos em outros países têm demonstrado a predisposição para a cobertura de notícias que se concentram mais na imagens dos candidatos, e para um jornalismo direcionado para quem está a ganha, quem está a perder, divulgação dos resultados das pesquisas de opinião, do que numa apresentação séria sobre as propostas que os partidos candidatos têm para oferecer. Veja-se o caso da discussão do programa da coligação PSD/CDS que na prática nunca foi conhecida e votado a um ocultismo propositado.

A cobertura televisiva das campanhas dos partidos dependeu quase exclusivamente em quantidade e extensão de "soundbites", trechos de mensagens de candidatos ou de excertos de comentário que tiveram especial atenção nos candidatos da coligação que tiveram tempos de antena privilegiado em tempo e qualidade de captação de imagem. No último dia da campanha até o Bloco de Esquerda foi contemplado em tempo e imagem.  

 Além de dependência de "soundbites" a cobertura de notícias das televisões da campanhas também foi caracterizada por "peritos" comentadores quase sempre do mesmo quadrante partidário que interpretaram os eventos para os telespectadores moldando, dirigindo, e centrando-se observações para favorecer mais um lado do que outro.

Houve um excessos de enviesamento político na campanha direcionada mais para o lado dos partidos do governo havendo diferenças entre os canais sobre a atenção privilegiada que davam a uns candidatos.  

Além do enviesamento político-partidário imediato as notícias das televisões colocaram demasiada ênfase em alguns dos candidatos. Para uns, discriminação positiva, para outros, discriminação negativa pelos extratos da campanha que eram escolhidos durante a edição de imagem assim como o tratamento que era dado pelos jornalistas que acompanham as campanhas dos partidos.

A cobertura televisiva pode ajudar a determinar como os candidatos são percebidos pelo eleitorado que pode influenciar o sucesso ou insucesso. Esta capacidade de provocar a retenção da atenção é vista como a influência da televisão no processo político duma forma muito decisiva, uma vez que um candidato que não se sai bem enfrenta não só uma batalha difícil mas podem ter dificuldade em levantar-se para continuar. Daí que é muito importante a leitura que se deve fazer de tudo quanto se vê.

Cobertura política pelas televisões não se limita a uma simples cobertura dos candidatos e atividades de campanha, os noticiários de televisão também tem desempenhado um grande papel na cobertura de outros aspetos do processo político pode por exemplo ajudar os eleitores a compreender melhor o processo de seleção política através do já referido enviesamento.

Publicado por Manuel Rodrigues às 17:36
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Sexta-feira, 13 de Dezembro de 2013

Neoliberalismo alimentar contra a fome

Tenho um enorme respeito pelo Banco Alimentar contra a Fome e pela obra desenvolvida e muitas vezes tenho contribuído quando e conforme posso. Deste modo, tudo quanto venha a dizer a seguir trata-se apenas de um comentário ao artigo de opinião de Henrique Raposo intitulado “O Banco Alimentar e o Ódio” publicado no jornal Expresso de 7 dezembro último e em nada tem a ver com a minha posição sobre

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 17:46
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Sexta-feira, 29 de Novembro de 2013

Direita portuguesa, eis a questão

 

Luís Rosa no editorial do Jornal i de hoje faz incursões pela direita e pela esquerda partindo da Constituição diz, vejam só, ela pretender "abrir caminho para uma sociedade socialista". Temos visto que, ao longo dos quase 40 anos de democracia, a Constituição em nada tem obstado à iniciativa privada, ao enriquecimento ilícito e lícito de alguns, ao crescimento de muitas empresas privadas portuguesas e estrangeiras[i].  

Continua dizendo que, por a "constituição não ser neutra há um preconceito cultural contra tudo o seja denominado de direita". Será que eu estou a perceber bem? Então, e nas últimas eleições, o complexo cultural contra tudo quanto seja de direita sublimou-se na atual maioria?

Leio sempre que posso, por vezes sem agrado, os editoriais do jovem Luís Rosa - comparado comigo é um jovem -, que terminou o curso na Lusófona no ano em que entrei como professor para uma das instituições de ensino superiores do grupo, (não, não passei alunos ao género do Relvas), apenas sabe do que foi a ditadura pelo que lhe dizem ou leu. Tenho a certeza de que sabe que houve durante estes 40 anos governos de direita.

Refere ainda que os últimos acontecimentos relativos às declarações de Mário Soares e da ocupação simbólica dos ministérios são "exemplos inimagináveis em democracias maduras como a inglesa ou francesa.". Diz bem, democracias maduras! Pelo menos a de Inglaterra já tem mais de quinhentos anos. Recordam-lhe estes factos a anarquia do radicalismo político da Primeira República e reforça que não se compara com a "luta política normal de um estado-membro da União Europeia". Que luta política na europa? A Europa está estabilizada com as suas direitas, não selvagens, em termos socias.

Viveu por acaso Luís Rosa numa anarquia para a comparar com as manifestações de descontentamento popular que se têm verificado. Se acha que são comparáveis então estamos mal porque o problema então apenas se resolveria com uma ditadura.

Mas o essencial é que a direita portuguesa não tem qualquer paralelo com as que lhe servem de comparação porque as direitas europeias (fora as extremas direita radicais) não sujeitam os seus povos a torturas sociais, nem colocam em segundo lugar as pessoas através de formas iníquas e critérios vincadamente ideológicos, próprios do radicalismo neoliberal como as do famigerado tempo de Thatcher.

Ainda ontem o ministro da economia Pires de Lima numa entrevista na TVI24  afirmou que a "austeridade tem sido seletiva" (nos momentos selecionados no portal da net da TVI essa afirmação não consta). Aqui está a equidade desta direita: atingir apenas alguns com a austeridade.

Esta direita portuguesa não é a direita europeia, é uma direita que se baseia, apenas e só, nos interesses dos seus clientes partidários e criar lugares na função pública para os amigos dos amigos e para os ansiosos por lugares que proliferam nas "jotas". Não tem sentido de Estado nem defende Portugal perante as interferências, ameaças e agressões verbais exógenas sobre as instituições democráticas (veja-se o caso do T.C.).

Nos países em que a direita está no poder os governos não tem procedido à destruição violenta dos seus estados sociais, salvo alguns ajustamentos necessários, nem atuam contra as Constituições, nem transformam estados em assistencialistas como esta direita tem feito e continua a fazer em Portugal.

Não defendamos o indefensável com passados recentes nem nos iludamos, a direita em Portugal nada tem a ver com a direita verdadeiramente democrática dos países europeus.

Será isto pensamento de esquerda? Se assim for então sou de esquerda.

 


[i] Veja-se o caso da Sonae por exemplo. http://www.sonae.pt/pt/sonae/historia/

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 19:03
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Segunda-feira, 16 de Setembro de 2013

Léxico do politiquês

Marques Mendes na Revista Visão de quinta-feira defende a liberdade de escolha na educação que se prevê ser consubstanciada pelo governo num tal cheque-ensino ao qual nem sequer se refere, pelo menos enquanto conceito. Mas sobre este tema pode ler-se o blog seguinte.

O que achei espantoso, e apenas como um exercício de linguagem politica, foi o senhor propagandista em determinado momento do seu artigo de opinião se referir a uma coligação negativa de uma determinada direita burocrática com a esquerda mais conservadora. Espanto meu! Comecei logo a pensar em rever e reestudar toda a minha linguagem política. Estava perante uma autêntica revolução dos conceitos naquela ciência.

A literatura e jornalismo políticos sempre se referiram à direita como os conservadores (embora direita e esquerda não sejam fáceis de delimitar nos seus espectros políticos). Na Inglaterra há os Trabalhistas e os Conservadores, nos EUA os Republicanos, também denominados conservadores e os Democratas e, em qualquer dos países, segundo eles, os conservadores são assim chamados assumidamente com muita honra. Então fiquei baralhado.

A direita combate a esquerda por esta ser pelo progresso e pela evolução de uma política mais virada para o social em vez da manutenção das estruturas sociais mais clássicas e conservadoras.  Agora Marques Mendes chama-lhes conservadores. Para ele, com certeza, a palavra conservador, em política, adapta-se consoante os interesses do momento para confundir os patetas dos portugueses que este governo deve considerar mentecaptos. Pelo menos assim parece, de acordo com a baralhada das intervenções do primeiro-ministro, quer pelos termos utilizados quer pelo tipo de leis que manda elaborar e aprovar. Requalificação em vez de despedimentos, poupanças em vez de cortes, convergência em vez de cortes nas pensões, mobilidade especial em vez de deslocações forçadas… São tanta e tais que nem há paciência para escrever todas. Davam um dicionário de coelhês.

Já cá faltava também este com uma novilíngua como a do governo. 

 

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 23:16
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Quarta-feira, 5 de Junho de 2013

O desespero da direita e a desconfiança da esquerda

 

Desesperada, a direita dispara em todos os sentidos ao mínimo restolhar, na voz de discípulos diletos, alguns que, identificados com a profissão de sociólogos, opinam em revistas de tiragem semanal, como se a sociologia fosse uma ciência credenciada para defesa da direita ou de qualquer outra ideologia. Faz-me recordar o disparar em todas as direções, num certo tempo do estrebuchar de José Sócrates, provocado, neste caso, pela direita e pela esquerda em uníssono.

A direita perdeu o rumo, está visto!

Ataca a esquerda radical (como lhe chamam) porque apresenta propostas que não lhe convém sequer ouvir, mesmo que sejam oportunas e positivas. Opção ideológica?

Ataca o centro esquerda por que não “tem sentido de estado“ e não se junta a ela para compactuar com as suas medidas. Haveria nisso todo o interesse porque, logo que surgisse oportunidade, face a um falhanço das políticas praticadas seria metido no rol dos culpados das medidas falhadas e assim a queda seria conjunta. É tática do se tudo corre bem fui eu que fiz, se corre mal também lá estiveste.

Ataca alguns elementos que, indiscutivelmente de direita, se atrevam a discordar dos pontos de vista do Governo.

Ataca personalidades de direita porque criticam algumas medidas do Governo. Recorrem então ao seu passado para as denegrir, indo ao ponto de as acusarem de ter pertencido ao regime do Estado Novo.

Ataca personalidades de direita, esquecendo-se que alguma daquela direita, infelizmente cada vez menos, combateu por dentro, e à sua maneira, o antigo regime. Como se as pessoas, ao longo do tempo, tivessem que ser como burros que olham sempre em frente sem ligarem ao que se passa ao lado.

Ataca militantes da direita que fazem ou fizeram parte do Governo, quando expressam opiniões contrárias às oficiais.

Ataca os que criticam agora o Presidente da República, não o tendo feito anteriormente com outros Presidentes, esses sim, eram “pantomineiros”, (tal qual foi escrito), e não pantomimeiros como o deveria ter sido. Acusa-os ainda de negociatas obscuras, ignorando (propositadamente) a problemática enredadora, essa sim obscura, de outros que consideram impolutos. É verdade, neste caso, tudo é sempre feito de forma legal e transparente, claro!!

Ataca ainda a comunicação social que dá cobertura à esquerda e veicula as suas ideias contra a coitadinha da direita indefesa que se esquece entretanto da quantidade de comentadores políticos militantes de direita, assim como economistas da mesma área que proliferam pelos canais televisivos.

Para concluir basta dar uma vista de olhos pela maior parte dos “blogs” de direita que mais parecem fóruns de discussão anárquica e verborreica, cujos textos desprezam a qualidade e a objetividade da escrita. Admito, contudo, que, apesar da discordância de ideias, há alguns com qualidade.

Na maior parte, o discurso anti democrático e anti esquerda é tal, que chegam ao cúmulo de ofender pessoalmente autores que publicam artigos de opinião em jornais, apenas e porque não estão em consonância com o pensamento deles, entrando, à falta de outros argumentos, num processo asneirento de ofensas pessoais em vez de comentários sobre pontos de vista. Faltou-lhes, decerto, alguma educação cívica e valores que não lhes foram incutidos ou não quiseram de todo assimilar. Dirão os que me estão a ler que a esquerda também tem “blogs” que não primam nem pelo civismo, nem por imperativos éticos. É totalmente certo, mas convenhamos que a maior parte dos da direita deixam muito a desejar.

Podemos sempre ver o feio como belo, e o belo como feio. Opiniões!

Deixemo-nos de “tretas”. A direita releva toda a informação e argumentos que lhe interessam, omitindo a que não lhe interessa, mesmo que verdadeira. Obviamente que a esquerda poderá também, como é óbvio, fazer o mesmo.

Publicado por Manuel Rodrigues às 16:52
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Segunda-feira, 18 de Março de 2013

Os partidos também têm a sua zona de conforto

Imagem de: http://www.ctvclic.com/cccss/blog-21.05.2009.htm


 

Começa a ouvir-se e a escrever-se por aí contra o sentimento anti partidos e anti políticos que se está a gerar na sociedade sustentando que não há democracia sem partidos. Não haver democracia sem partidos é um facto pelo que, não devemos deixar que esse sentimento alastre por ser terreno propício ao estabelecimento de ideias mais ou menos populistas que, posteriormente, poderão gerar ditaduras ou “democracias musculadas”(?).

 

Tem-se desde há muito divulgado a ideia de que há partidos a mais, que os partidos não se entendem, etc.. Mas, por outro lado, avançam com a ideia contraditória de que estes partidos não nos representam e que nos enganam. Quanto à ideia de que os partidos não se entendem parece ser um pouco anedótico, pois se eles existem é porque têm princípios, propostas e programas diferentes de governo, caso contrário entraríamos num conceito de “união partidária” do tipo quase união nacional. Outra coisa são alianças partidárias pontuais por vizinhança ideológica, como é a do caso que nos governa. Mais difícil é fazer alianças quando há antagonismos ideológicos e programáticos mas, mesmo assim, é provável.

 

O que não é democrático é que partidos instalados, ou os seus elementos, venham opor-se publicamente, através de órgãos de comunicação, à constituição de novos partidos ou movimentos organizados de cidadãos , como se tem visto recentemente, com as ofensivas despropositadas a um manifesto subscrito de 60 cidadãos bem conhecidos que foram ou são de partidos diferentes.

 

Para vermos o que se está a passar com a democracia até o Tribunal Constitucional invalidou duas propostas para criação de partidos. Marinho Pinto, pessoa com cujas posições nem sempre concordo, também se insurgiu.  

 

Apesar de ser apenas um manifesto, acusam os seus promotores de se “aproveitarem da angústia e desespero das centenas de milhares de pessoas que têm vindo a manifestar-se contra este sistema… para proveito próprio”. Esta citação é de um elemento do PCP que, decerto, receia que alguém “fuja” para apoiar o manifesto.  

 

Os senhores que se levantam e indignam com este manifesto e com outros partidos e movimentos que possam surgir tendem logo a compará-los, sem qualquer argumento válido, a um partido que surgiu em Itália, liderado por um comediante que dá pelo nome de Beppe Grillo. Mas a realidade é que, não é apenas em Itália que há comediantes políticos, em Portugal existem há muito, e andam por aí.

 

Porque será que manifestos, movimentos e novos partidos assustam os já instalados que têm partilhado o poder e, também, os que, sistematicamente, se encontram na oposição? O receio da perda e dispersão de votos dos eleitores é a resposta. Novos partidos ou movimentos não são bem-vindos pelos partidos quer de direita, quer de esquerda, que se encontram mais ou menos na sua zona de conforto, (pegando na frase do malquisto Passos Coelho). Por fim, e é apenas uma constatação, enquanto a direita tende a unir-se a esquerda tende a dividir-se.


Publicado por Manuel Rodrigues às 19:28
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Domingo, 11 de Novembro de 2012

Apologia da pobreza por Isabel Jonet

Apologia da pobreza de Isabel Jonet
Fonte: Imagem do Blog 

http://corporacoes.blogspot.pt/2012/11/o-dia-em-que-jonet-homenageou-as.html

 

 

Penso não haver dúvidas que todos queremos que o Banco Alimentar continue a ajudar quem necessita e devemos todos contribuir e continuar a apoiá-lo, mas sem essa senhora que, se não estiver agarrada ao poder e ao protagonismo, deve ela própria demitir-se. 

 

 

Andam alguns colaboradores de jornais a escrever que todos os que se insurgem contra as afirmações de Isabel Jonet são de uma determinada esquerda. Mas o que os leva a etiquetar outros como seno de esquerda? Será que acham que os que são de direita não poderiam, nem deveriam pronunciar-se contra as afirmações que vêm do setor a que pertence aquela senhora? Isso é sectarismo. As referidas afirmações incomodaram tanto os de direita como os de esquerda e os sem partido porque foram dirigidas a todos.

Os mais jovens não passaram por isso, mas, afirmações como aquelas que a senhora Jonet proferiu, ouviam-se no tempo de Salazar quando, sistematicamente, se fazia passar a mensagem, coadjuvada pela igreja, da pobreza como uma virtude a seguir. Cada senhora rica da alta sociedade da época tinha os seus pobrezinhos que protegia e se regozijava com isso. Era o Estado da altura que fomentava as obras de caridadezinha privada para apoiar dois tipos de pobreza, os pobres que pediam à porta das igrejas e na rua, e os pobres envergonhados que a igreja protegia.

Esta senhora não deseja que os pobres saiam da pobreza, quer mais, quer que se agrave. Aliás algumas das suas afirmações são a evidência do que acabo de dizer: “vivíamos muito acima daquilo que eram as nossas possibilidades", "há uma necessidade permanente de consumo e de bens para uma satisfação das pessoas e que conduz à felicidade que não é real.” E ainda "Vamos ter que empobrecer muito, mas sobretudo vamos ter de reaprender a viver mais pobres". Pode perguntar-se a essa senhora se ela tem uma felicidade que não é real ou se, pelo contrário, pratica ela própria uma não “permanente necessidade de consumo” que a possa elevar à pobreza como felicidade.

Penso não haver dúvidas que todos queremos que o Banco Alimentar continue a ajudar quem necessita e devemos todos contribuir e continuar a apoiá-lo, mas sem essa senhora que, se não estiver agarrada ao poder e ao protagonismo, deve ela própria demitir-se.

Publicado por Manuel Rodrigues às 16:14
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Prisioneiros da Geografia Tim Marshall As cidades invisíveis Italo Calvino Quando Portugal Ardeu Miguel Carvalho A Vida Secreta dos Livros O Romancista ingenuo e o sentimental de Orham Pamuk malbe

Os porques da esperança.png

Demorei algum tempo a ler este livro mais do que o costume. Livro sobre a política nacional sobre a forma de entrevistas que passaram na TVI 24 efetuada por um provocador nato cujas respostas são dadas por um astuto tribuno da palavra. Livro que aborda temas nacionais da política recente com uma abordagem em que as palavras se se entrelaçam com alguma exposições mais académicas. Um bom manual para quem se interesse pela política em Portugal nos últimos tempos.  

 

 

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Rodrigues, Manuel A (2011). Geografia Social Urbana na Licenciatura em Educação Social, Cadernos de Investigação Aplicada, (5). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas


Rodrigues, Manuel A (2010). Didática da Geografia: recurso à Literatura como proposta interdisciplinar, Cadernos de Investigação Aplicada, (4). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas. .


Rodrigues, Manuel A (2008). Televisão e os efeitos de exposição a mensagens televisivas na educação: o efeito da terceira pessoa, Cadernos de Investigação Aplicada, (2). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas.


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Rodrigues, Manuel A (2004). Um Modelo de Formação em Ambiente Misto de e-Learning (Blended Learning): uma experiência na disciplina de Tecnologia Educacional, Actas da Conferência eLes’04: e-Learning no Ensino Superior, Universidade de Aveiro.


Rodrigues, Manuel A (2004). Marionetas em Liberdade: a identidade pe(r)dida com as novas exigências curriculares, Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas.


Rodrigues, Manuel A (2000). Ciberespaço, Internet e as Fronteiras da Comunicação Educacional, Lisboa, Universidade Aberta. Porbase, CDU 37.01(043), 159.95043), 005.73Internet(043.2),371.1043)

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