Segunda-feira, 26 de Maio de 2014

Resultados eleições europeias

Publicado por Manuel Rodrigues às 00:56
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Sábado, 24 de Maio de 2014

Contra a manipulação da opinião pública

 

http://felizardocartoon.blogspot.pt/2013_05_01_archive.html

Recebi este mail que passo a divulgar 

 

 

As Eleições Europeias

No próximo dia 25 de Maio, os aposentados, pensionistas e reformados portugueses têm a oportunidade de votar em defesa do modelo social europeu e contra aqueles que, em Portugal, valendo-se de serem governo, os têm enganado e roubado, manipulando sem
vergonha a opinião pública.


A Europa, berço da Democracia, do Estado Social e do Estado de Direito está hoje ameaçada
por dois sinais inquietantes: o desemprego e o envelhecimento. Por isso, este é o momento
certo para exigirmos um sistema europeu de segurança social que não deixe desprotegidos
os mais novos e os mais velhos, os desempregados e os reformados. Bastaria uma pequena
taxa sobre as transacções financeiras dos bancos - que deverão pagar uma parte da crise que
criaram – para evitar que novos milhões de famílias por toda a Europa caiam na pobreza e na
fome sem qualquer medida de protecção assumida por Bruxelas.

Este é também o momento certo para, aqui em Portugal, defendermos o Estado Social e
“corrermos do poder” aqueles que nos têm enganado e roubado, sempre manipulando a
opinião pública.

Primeiro, disseram que “tínhamos vivido acima das nossas possibilidades” e que “tínhamos
tido menos cortes do que os outros” e aplicaram-nos um imposto chamado Contribuição
Extraordinária de Solidariedade (CES). Assim, passámos a ser o único grupo social a quem se aplica o IRS acrescido de um outro imposto sobre o rendimento. Tal imposto só passou no crivo do TC porque, era apresentado como temporário e ditado pela situação de “emergência”.
Depois, para “fundamentar” a medida anterior, tentaram enganar a população dizendo que
“o sistema público de pensões era insustentável”, nomeando um “grupo de sábios” para o
reformar, que logo descartaram. Ao mesmo tempo esconderam a reforma do sistema de
pensões feita em 2007, na qual já tinha sido introduzido um fator de sustentabilidade que
compensava até 2030 o aumento da esperança de vida, tendo-se ao mesmo tempo iniciado
o processo de convergência entre a CGA e a SS. Forte com os fracos, no início deste ano, o
governo penalizou ainda mais os cidadãos mais idosos, cortando pensões de sobrevivência e
de viuvez e aplicando a CES a pensões de valor mais baixo.

Agora, não tendo conseguido enganar o TC com a proposta de retroactividade na convergência dos dois sistemas de segurança social, o governo e os partidos que o apoiam, querem impô-la
através do próximo Orçamento de Estado, como um corte definitivo disfarçado com um novo nome (Contribuição de Sustentabilidade – CS), ao mesmo tempo que avançam com um novo aumento de impostos (IVA e TSU) que a todos abrange.


O cúmulo da falta de vergonha e da manipulação eleitoralista da opinião pública, foi o
anúncio, em sede do DEO (Documento de Estratégia Orçamental, para 2015 e os três anos
subsequentes) da “devolução” de uma parte dos cortes entretanto efectuados!

Não nos iludamos com a catadupa de expedientes e promessas pouco sérias: é-nos devida a totalidade das pensões e das reformas! A dita Contribuição de Sustentabilidade é mais um embuste que visa tornar definitivo aquilo que sempre foi apresentado como temporário.

Continuar a nossa luta significa, no dia 25, ir votar contra esta política, este governo e contra os partidos que o formam. Continuar a nossa luta significa ligá-la à dos reformados e pensionistas de Itália, de França, da Grécia, da Espanha, etc. por uma Europa mais solidária.


Ficar em casa é capitular!

Grupo de Contra Propaganda, APRe! PORTO
Ana Vale
Fernando Rodrigues
Jorge Martins
José Cavalheiro

Publicado por Manuel Rodrigues às 19:45
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Abstenção pode ser um apoio à direita

Faltam pouco mais de 24 horas para o ato eleitoral, oportunidade única durante os próximos cinco anos de dizermos à Europa quem queremos no Parlamento Europeu e rejeitar quem dos que nos governam se colaram aos neoliberais que dominam aquele parlamento.

Também é importante que os portugueses digam não aos neoliberais aqui em Portugal que, durante a campanha eleitoral, vestiram agora, novamente, a pele de cordeiro e mudando o discurso para os enganar. Tivemos até agora a experiência de governação de uma direita neoliberal colada aos radicais europeus da sua família política que diziam que somos todos uns calões que não gostamos de trabalhar e que, vejam só, vivíamos para além das nossas possibilidades.

Enquanto a direita se une porque tem um fim em vista e encontram pontos comuns, à esquerda do Partido Socialista, do PCP e do BE, proliferam partidos que apesar de terem todo o direito de se fazer representar conduzem à dispersão de votos.

esta campanha eleitoral por parte da CDU o alvo não foi a direita europeia ou a de Portugal, foi o PS, o parceiro à sua direita, o principal alvo dos ataques e, cujo objetivo, será apenas ganhar meia dúzia de votos onde os pode mais facilmente ir buscar o que não vai resolver nada em termos europeus nem nacional. Poderia até o PCP ter razão quanto às políticas seguidas pelo PS na altura da queda do Governo de José Sócrates mas o que é certo, é que, quer o PCP, quer o BE, ajudaram e muito a que a direita neoliberal ocupasse o poder. Até parece que o preferiram sabendo, mesmo assim, que não ganhavam nada com isso. Foi o que sucedeu nas eleições legislativas de 2011 e viu-se o resultado, a obtenção pelo PCP de um escasso resultado de 7,9% e 5,7% do BE.    

Não interessa em que partido se vote mas a abstenção não é solução, especialmente neste momento, porque poderá fornecer argumentos à coligação para justificar a sua ação, considerando que os valores da abstenção serão dados como aceitantes da política deste últimos três anos ou até que a abstenção foi a vencedora. Ir votar não é uma operação dolorosa mas um ato cívico que nada custa exercer.  

Quando votarem recordem-se dos três últimos anos e da destruição social que a coligação Aliança Portugal provocou: jovens contra idosos, privado contra público, desempregados jovens contra os empregados muitos deles pais desses mesmos jovens, cortes cegos nas bolsas de investigação científica e na cultura, muitos desempregados sem direito a subsídio de desemprego, destruição do tecido empresarial, grande parte dele constituído por pequenas e médias empresas, muitas delas familiares, sob o pretexto de serem obsoletas e que deveriam dar lugar a outras, deterioração, e, em alguns casos, destruição do Serviço Nacional de Saúde, aumento de impostos, tentativas de acabar com o ensino público canalizando verbas dos impostos para escolas privadas, mesmo em locais onde exista oferta pública, promessas falsas e não cumpridas, prejuízo sempre das populações mais frágeis, etc., etc..

 

Mas, se isto não, chega recorde-se o que o primeiro-ministro dizia antes de tomar o poder:

 

A política de privatizações em Portugal será criminosa nos próximos anos se visar apenas vender ativos ao desbarato para arranjar dinheiro.

 O país tem vindo a fazer poucos progressos no combate à pobreza.

Acusava-nos o PS de querermos liberalizar os despedimentos. Que lata.

Nunca concordei com taxar cada vez mais os impostos indiretos. Esta prática pode revelar-se profundamente injusta.

A ideia que se foi gerando de que o PSD vai aumentar o IVA não tem fundamento.

Precisamos de valorizar mais a palavra, para que quando for proferida possamos acreditar nela.

Não contarão connosco para mais ataques à classe média

Se vier a ser necessário, ainda, algum ajustamento fiscal, a minha garantia é a de que ele será canalizado para os impostos sobre o consumo e não para os impostos sobre os rendimentos das pessoas.

Não se pode cortar cegamente.

Já ouvi o primeiro-ministro dizer, infelizmente, que o PSD quer acabar com o 13º mês, mas nós nunca falámos disso e isso é um disparate.

 O PSD aposta no crescimento da economia e aposta em que toda a austeridade seja agora feita pelo Estado e não pelos portugueses.

 O Estado tem de dar o exemplo.] Não devemos aumentar os impostos. O orçamento que foi apresentado na Assembleia este ano, de alguma maneira vai buscar a quem não pode fugir, aos funcionários públicos.  

Se eu fosse primeiro-ministro não estávamos hoje com as calças na mão.

Publicado por Manuel Rodrigues às 00:17
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Domingo, 18 de Maio de 2014

Conter o avanço da direita e da extrema-direita nas eleições europeias

 

A União Europeia com as políticas de austeridade que tem imposto, por força da Alemanha, tem andado distraída e está a dar lugar ao surgimento de e fortalecimento de movimentos populistas da extrema-direita cujos discursos anti Europa e anti-imigração tentam interpretar o sentimento dos povos, incentivando e fazendo apelo a sentimentos nacionalistas, xenófobos e racistas. Ao mesmo tempo, mascarando-se com roupagens e linguagens de falso apoio ao Estado social, apropriam-se de conceitos e ideias chaves utilizadas pelos partidos de esquerda.

Há dois exemplos que muito nos devem preocupar, a nós portugueses enquanto cidadão de Portugal e pertencentes, quer queiramos, quer não, a uma União Europeia mesmo que a muitos nada diga. O primeiro, na França, parece muito longe mas não é, onde o Partido da Frente Nacional de Marine Le Pen está à frente nas sondagens. É dada como a vencedora das europeias com cerca de 24%, seguida pela UMP (União para um Movimento Popular) partido de direita de Sarkozy com 22%  e, em terceiro lugar, o Partidos Socialistas Francês com 18% a 20%.  A FN atualmente com três eurodeputados está a prever chegar aos 20 eurodeputados nas próximas eleições do dia 25 de Maio.

Na Holanda, o partido da extrema-direita PVV, Partido da Liberdade holandês de Geert Wilders entre outros tais como Liga do Norte italiana, o FPOe Partido da Liberdade da Áustria, o flamengo Vlaams Belang, os Democratas da Suécia e o SNS Partido Nacional da Eslováquia -deverão eleger ao todo cerca de 40 eurodeputados.

É muito natural que, se uma maioria de direita e extrema-direita forem eleitas com maioria de eurodeputados, através de arranjos e combinações de conveniência possam cooperar em matérias vão contra os interesses das populações e da desvalorização do trabalho, direitos sociais e Estado social, o que, se sem dúvida se irá refletir em Portugal.

Atualmente a Frente Nacional encontra-se inscrita no grupo dos "Não Inscritos" no Parlamento Europeu, isto é, não está inserida em nenhum grupo. Todavia, é muito bem possível que as extremas-direitas se unam e forme um grupo próprio como a própria Le Pen já afirmou.

A história tem-nos dados exemplos do caminho a que conduzem os populismo de direita e de extrema-direita e os seus discursos falsamente apoiantes de sistema sociais prósperos, recuperar a liberdade, a segurança e a prosperidade, como a própria Le Pen tem afirmado em campanha eleitoral em França que acabam por desembocar, quase sempre, em ditaduras mais ou menos violentas mas, todas elas ditaduras.

Nós, por cá, parecemos estar longe com tudo isto a passar-se aqui ao nosso lado. Uma forte votação nas esquerdas poderá colocar um pouco de água na fervura das direitas radicais e extras-direitas que, passo a passo, começam a mandar e a comandar a Europa que vai ditar muito de tudo aquilo que não queremos ser e que, ao longo de 40 anos, ambicionámos.

Devemos apelar aos mais jovens, que desconhecem o que é viver com uma extrema-direita a governar o seu país, para estarem alerta para a falsidade dos símbolos verbalizados que lhes propõem, e tão do agrado da juventude, mas que não são mais do que armadilhas para a conquista de um poder que, rapidamente, limitará a democracia utilizando as desculpas do costume… Por exemplo, consensos que partidos de direita pretendem fazer com a esquerda mais moderada, são parte do seu projeto de desvalorização da esquerda afogando-a pelo comprometimento para de certo modo vir a ser limitada a democracia tal qual ela existe.

O que sustenta este tipo de cultura já não são os antigos medos incutidos pelo fascismo mas novos medos generalizados e propagandeados pelos órgãos do poder, e nos ambientes de trabalho, organizando inseguranças que alimentam novos medos como, por exemplo, medo do despedimento, insegurança no trabalho, - estes ao nível das empresas, - a bancarrota, novos programas de assistência financeira, acenar com hipotéticos cenários de despesismo, subida de taxas de juros dos empréstimos, avaliação pelas agências de rating, a insustentabilidade da segurança social e, consequentemente, as reformas atuais do no futuro, etc., etc..  

Estar atento nunca é demais!...

 

Previsão para o Parlamento Europeu 2014

pela POLLWATCH

 

 

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 19:02
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Terça-feira, 13 de Maio de 2014

A verdade das mentiras ou a boa memória

Ao decidir em quem votar é bom recordar e tentar saber quem pronunciou tais frases
Será que podemos acreditar e votar em alguém que diz e promete hoje uma coisa e faz outra quando se apanha no poder? A maior parte das vezes e em campanha eleitoral quase todos os políticos falam muito e fazem pouco, pelo menos os dos partidos que têm tido assento no poder, mas com tal descaramento e quantidade não há memória.

Tente descobrir quem foi o político que proferiu estas frases que mesmo retiradas do seu contexto não alteram em nada o seu sentido.

Será um bom teste à memória, curta que dizem ter o povo, tentar identificar em que contexto político, em que tempo e quem pronunciou estas frases.

Quem pode agora garantir que não irá agora acontecer o mesmo. As eleições europeias são mesmo importantes porque, para além de se discutir a europa vai também estar em jogo o nosso futuro próximo.

Se as não conseguir ler na imagem encontram descritas mais abaixo.

_________________________________--

 

É sempre bom não esquecer:

 

  • A política de privatizações em Portugal será criminosa nos próximos anos se visar apenas vender ativos ao desbarato para arranjar dinheiro.
  • O país tem vindo a fazer poucos progressos no combate à pobreza.
  • Acusava-nos o PS de querermos liberalizar os despedimentos. Que lata.
  • Nunca concordei com taxar cada vez mais os impostos indiretos. Esta prática pode revelar-se profundamente injusta.
  • A ideia que se foi gerando de que o PSD vai aumentar o IVA não tem fundamento.
  • Precisamos de valorizar mais a palavra, para que quando for proferida possamos acreditar nela.
  • Não contarão connosco para mais ataques à classe média
  • Se vier a ser necessário, ainda, algum ajustamento fiscal, a minha garantia é a de que ele será canalizado para os impostos sobre o consumo e não para os impostos sobre os rendimentos das pessoas.
  • Não se pode cortar cegamente.
  • Já ouvi o primeiro-ministro dizer, infelizmente, que o PSD quer acabar com o 13º mês, mas nós nunca falámos disso e isso é um disparate.
  • O PSD aposta no crescimento da economia e aposta em que toda a austeridade seja agora feita pelo Estado e não pelos portugueses. O Estado tem de dar o exemplo. Não devemos aumentar os impostos.
  • O orçamento que foi apresentado na Assembleia este ano, de alguma maneira vai buscar a quem não pode fugir, aos funcionários públicos.  
  • Se eu fosse primeiro-ministro não estávamos hoje com as calças na mão.

 

Todas estas afirmações podem ser confirmadas pesquizando a imprensa da época em que os neoliberais estavam ansiosos pelo poder.

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 20:22
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Segunda-feira, 12 de Maio de 2014

Votar nas eleições europeias deve ser o exercício da missão de cidadania europeia

 

 

 Não podemos deixar que esta direita marque pontos a seu favor. Estar atento ao que se passa é uma missão de cidadania, portuguesa e europeia.

Os portugueses vão às urnas dentro de duas semanas para eleger o Parlamento Europeu pela quinta vez desde que é membro de facto da União Europeia.

A participação em eleições anteriores tem sido muito caracterizada pelo abstencionismo. Apenas em 1987 foi a mais baixa, apenas com 27,5%, a partir daí tem vindo sempre a crescer rondando em média os 62%. Isto significa que o que há um pensamento em que prevalece a ideia de que União Europeia está muito longe e em nada influencia a vida em Portugal. Nada mais enganador. Tivemos ao longo dos três últimos anos a prova disso.

Este ano todos devemos ir votar contribuindo assim para que a abstenção diminua o que pode vir a beneficiar este Governo. Como sabemos e temos vindo a sentir por experiência própria a União Europeia não é uma coisa que está muito longe e que em nada interfere connosco. A crise que atravessamos em Portugal tem sido gerida e, não raras vezes agravada, pelo domínio de uma direita neoliberal à qual pertence Durão Barroso e segue tudo quanto lhe é imposto.

A família da direita neoliberal detém uma maioria no Parlamento Europeu que requer, sem demora, seja substituída. Só desta forma alguma coisa poderá mudar na europa e, consequentemente, em países como Portugal.

Os presidentes da Comissão Europeia, com o fim do mandato de Durão Barroso, serão selecionados pelos partidos políticos.

A direita europeia cerra fileiras em todas as frentes para fazer acreditar no sucesso da austeridade nos países do sul e que ela conduziu ao sucesso da recuperação económica nesses países. Basta estarmos atentos aos números estatísticos, às vezes até contraditórios, e às declarações que nos chegam de todos os lados da U.E. e que pretendem demonstrar o sucesso do ajustamento. Até na Grécia passou a estar tudo bem.

Segundo o Le Monde, na abertura da campanha eleitoral do seu partido CDU, Angela Merkel congratulou-se pela saída progressiva da crise na zona euro dizendo que "Estou feliz por termos decidido que a Grécia devia permanecer no euro. A Grécia tomou um caminho difícil, mas nós estavam ao seu lado.". Não é de admirar que, após as eleições, tudo volte ao passado e já nada seja outra vez como é gora.

Por outro lado, há que ter em vista que os partidos da extrema-direita como o de Marine Le Pen da França com o seu discurso social-populista e Geert Wilders da Holanda com o discurso autocrata e xenófobo, pretendem também ganhar o maior número de lugares no Parlamento Europeu.

Faz falta a Portugal e à Europa um novo despertar de modo a bloquear as tentativas que têm vindo ser feitas para a manutenção e reforço no Parlamento Europeu das direitas liberais e neoliberais, alguns com traços autocráticos, com prejuízo, em especial, para os países do sul.

A todos cabe a missão de defender a Europa e fazer soar os toques de rebate. São os jovens e os que agora têm entre quarenta e cinquenta anos e mais que beneficiaram de tudo quanto a Europa ajudou a trazer, desde infraestruturas, passando pelo Estado social até ao elevado nível de escolaridade obtido, e que julgam, erradamente, que são dados como adquiridos. Os últimos anos de governação em Portugal têm demonstrado o contrário pondo tudo em causa e querendo fazer-nos recuar quase aos níveis da pré-adesão.

Não podemos deixar que esta direita marque pontos a seu favor. Estar atento ao que se passa é uma missão de cidadania, portuguesa e europeia. Abstermo-nos é deixar que outros decidam por nós.

 

Composição atual do Parlamento Europeu 

 

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 23:59
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Sexta-feira, 18 de Abril de 2014

Milagres leva-os o vento

 

Quem vê noticiários nas televisões e lê jornais facilmente se apercebe que surgem de todo o lado, como que por milagre, instituições internacionais, a par de outras nacionais, a fazer prognósticos macroeconómicos positivos sobre Portugal. Em pouco mais de mês e meio tudo se transformou passando do mau a muito boas perspetivas. Parece, de facto um autêntico milagre.

Agora, até o Banco Morgan Stanley que, tanto quanto eu saiba, ainda não tinha sido referido pelos canais de televisão e jornais generalistas, vem fazer previsões sobre a economia e o crescimento de Portugal mais positivas do que as do FMI.

Divulgou o referido banco que prevê em alta as suas estimativas de crescimento económico em Portugal, para 1,4 por cento este ano e 1,6 por cento em 2015.

O curioso é que os noticiários apenas alinharam esta última parte do que foi divulgado por aquele banco, descurando outros pontos do comunicado que são mais importantes do que este que é apenas um possibilidade.

Para captar votos surgem, a cada dia que passa, mais promessas do atual governo apregoando melhorias que ninguém sente, promessas confusas, vagas e elegias aos amanhãs que cantam (frase utilizada por Constança Cunha e Sá). Até se podem estar a verificar, apenas em números estatísticos, algumas melhorias ténues, mas tudo o resto não passa de pura ficção.

Sendo eleições para o Parlamento Europeu há que aproveitar para mudar a correlação de forças dentro da UE e, se assim for, a orientação poderá passar a ser diferente.

Atualmente, com o aproximar das eleições para o Parlamento Europeu, muita coisa se está a passar com medidas a serem prometidas, nomeadamente estratégias expansionistas e de menos austeridade para que o eleitorado europeu vote no sentido dos conservadores neoliberais que, a par da crise internacional, contribuíram para colocar a Europa no estado em que se encontra.

Após eleições se não houver uma derrota significativas dos partidos do Governo arriscamo-nos a que tudo fique ainda pior.

Publicado por Manuel Rodrigues às 20:11
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O piu-piu dos passarões

São evidentes os sinais e os piu-piu destes passarões que governam Portugal que, mascarados de passarinhos indefesos, não são mais do que aves de rapina. A entrevista atabalhoada do primeiro-ministro atestou que quis fazer-se passar por passarinho. Aliás, Gomes Ferreira fez os possíveis por não lhe colocar questões incómodas entre as quais algumas tão importantes como a da política estratégica que tem para Portugal e a sobre sustentabilidade da dívida com o regresso aos mercados e o confronto com os cálculos apresentados no prefácio escrito por Cavaco Silva nos Roteiros VIII.

Hoje mesmo o Presidente da República num evento em que participou classificou de injusta e intolerável a situação dos portugueses. É lastimável que Cavaco Silva venha agora dizer isto quando foi ele um dos responsáveis pela situação já que, face aos factos, nada fez, pelo contrário colaborando e até apoiando o Governo.

Agora que umas eleições se aproximam os neoliberais do governo e seus apoiantes, que pululam pela comunicação social, voltaram ao discurso social de falinhas mansas negando agora o que pensam vir a pôr em prática depois, temos disso a experiência, e tudo indica que irá continuar a ser assim. Até Durão Barroso vem a Portugal fazer descaradamente campanha pelos partidos do Governo e por ele próprio, antecipando uma eventual candidatura à Presidência da República, falar de situações insustentáveis dos portugueses para os quais há um limite, mostrando-se muito social. Na entrevista que deu, ou que pediu ao Jornal Expresso, foi nítido o apoio ao Governo tentando lavar a imagem dos elementos do PSD pelo se passou no BPN. Toda a gente sabe que o BPN era o banco do PSD, ponto final.  

Miraculosamente, a baixa dos juros da dívida é todos os dias anunciada, com grande orgulho como se fosse mérito dos Governo, que não é, pois está a verificar-se para todos os países nomeadamente os que estão sujeitos a intervenção como a Grécia. Claro que esta baixa dos juros da dívida faz parte de uma estratégia pré-eleitoral para conseguirem pôr a mão por baixo dos partidos maioritários que ocupam atualmente o Parlamento Europeu. É por isso que o voto nas próximas eleições é importante para que seja alterada a correlação de forças.

Publicado por Manuel Rodrigues às 00:00
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Terça-feira, 8 de Abril de 2014

A caverna

 

Não será isto, vivermos numa caverna onde são projetadas sombras (através dos meios de comunicação social) que não são mais do que a criação de ilusões duma prosperidade que se aproxima, quanto a mim falsa, para que, nas próximas eleições, a ingenuidade de alguns se possa traduzir em votos para os partidos do governo.   

 

Após 40 anos após o 25 de abril de 1974 ainda vivemos como se estivéssemos numa caverna sem luz e cujas paredes se encontram forradas por ecrãs de televisão, única luz que se movimenta à frente dos nossos olhos. Tudo se passa como se lá nos tivessem lançado involuntariamente como naquela alegoria em que Platão coloca Sócrates (o filósofo) em diálogo com Glauco, descrito na República, Livro VII, da qual passo a transcrever uma pequena parte (sublinhados meus):

 

"… imagina da maneira que se segue o estado da nossa natureza relativamente à instrução e à ignorância. Imagina homens numa morada subterrânea, em forma de caverna, tendo a toda a largura uma entrada aberta à luz; esses homens estão aí desde a infância, de pernas e pescoço acorrentados, de modo que não podem mexer-se nem ver senão o que está diante deles, dado que a cadeia os impede de voltar a cabeça; a luz chega-lhes de uma fogueira acesa numa colina que se ergue por detrás deles; entre o fogo e os prisioneiros passa uma estrada alta: imagina que ao longo dessa estrada está construído um pequeno muro, semelhante às divisórias que os apresentadores de títeres armam diante de si e por cima das quais exibem as suas maravilhas.

- Estou a ver disse ele.

Imagina agora, ao longo desse pequeno muro, homens que transportam objetos de toda a espécie, que transpõem o muro, e estatuetas de homens e animais, de pedra, madeira e toda a espécie de matéria; naturalmente, entre esses transportadores, uns falam e os outos calam-se.

- Um quadro estranho e estranhos prisioneiros - comentou.

- Assemelham-se a nós - respondi. - E, para começar, achas que, numa tal situação, eles tenham alguma vez visto, de si mesmos e dos seus companheiros, mais do que as sombras projetadas pelo fogo na parede da caverna que lhes fica defronte?

- E como - observou -, se são obrigados a ficar de cabeça imóvel durante toda a vida.

………………."

 

Frente aos ecrãs da televisão muitos portugueses veem apenas as imagens e a informação que os diversos canais lhe "vendem" e alinham como bem entendem. Tal como na caverna de Platão vemos apenas as imagens, quais projeções de sombras sem que se possam mexer para verem outra coisa senão o que está diante deles. As imagens chegam-lhes como se uma fogueira acesa atrás deles projetasse na parede (o aparelho de televisão) sombras de imagens e sons de ruidosa comunicação. Tudo se passa como se estivessem agrilhoados e ficassem habituados a viver num mundo de informação quase monolítica, que condicionam o seu pensamento crítico.

Claro que a realidade não é tão terrível como esta, mas, mesmo assim, ela tem contribuído para transformar os portugueses idênticos ao dos homens da caverna de Platão, cortando-lhes as asas para a imaginação, retirando-lhes e paralisando-lhes a vontade para criticar, reagir e agir.

As épocas eleitorais são propícias para estas análises. Nesta altura tudo serve para que, quem está no poder, possa manipular os circuitos informativos de modo a fazer passar as suas mensagens de boas novas e promessas, muitas delas incumpridas, o que já foi sentido por experiências em momentos do passado recente.

Os comentadores, porta-voz do governo, passam sistematicamente mensagens de sucesso à mistura de gaguejos mais ou menos críticos a algumas aspetos, poucos, que não são mais do que convenientes notas musicais desafinadas dando-se ares de isenção.

Estando atentos aos alinhamentos dos programas informativos das televisões deparamo-nos com incongruências entre pedidos de sacrifícios, austeridade continuada a par de recuperação económica do país, (não dos cidadãos), como aquela que ainda hoje foi anunciada pelo FMI do crescimento de 1,2% para este ano. Coincidentemente ou não, tudo se alinha para ludibriar os portugueses e os europeus antes das próximas eleições, que convém não sejam perdidas pelas direitas europeias.

Repare-se como é possível que, numa época em que todos falam de crise, de austeridade, de recuperação económica insipiente se dê a ilusão de que estamos num país que prospera em crescimento através de reportagens onde se anuncia antes de tempo que os hotéis na Páscoa se encontram esgotados (abril de 2014), criando falsas espectativas positivas para incentivo ao consumo que terão mais tarde (em 2015) consequências funestas…

Será isto um país em crise onde dizem que estamos a viver acima das nossas possibilidades, um país onde nos dizem que já não se voltará aos níveis de 2011, onde já se disse que não se pode comer bife, onde se disse, até há pouco tempo, não se poder subir o ordenado mínimo porque provocaria mais desemprego, onde se afirma que temos que ficar mais pobres, onde se preveem mais cortes no valor de dois mil e tal milhões de euros no estado social, na saúde, na educação, onde o desemprego continua a proliferar em grande escala, onde se mantem propositadamente a dúvida de que as pensões e os salários estão para ser ainda mais cortados, assim como os apoios sociais?

Não será isto, vivermos numa caverna onde são projetadas sombras (os meios de comunicação social) que não são mais do que a criação de ilusões duma prosperidade que se aproxima, quanto a mim falsa, para que, nas próximas eleições, a ingenuidade de alguns se possa traduzir em votos para os partidos do governo.   

Publicado por Manuel Rodrigues às 17:29
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Quarta-feira, 2 de Abril de 2014

Os interesseiros

Várias notícias que têm vindo a público nos órgãos de comunicação ao longo dos últimos trinta anos de democracia levam a pensar que possa existir um Estado paralelo, oculto e profundo, que está para além do que é visível e legível, para nós, cidadãos comuns. Os setores que afeta serão o judiciário, as polícias, as forças segurança, as autarquias, os ministérios mas não se quem os domina. Às vezes toma-se conhecimento disto pela comunicação social e por algum bom jornalismo de investigação. Saltam à vista casos como as prescrições e atrasos da justiça como por exemplo nos processos do BCP e BPN e isto para citar apenas o que têm sido mais noticiados ultimamente.

Se enveredarmos por uma teoria da conspiração poderíamos dizer que parece haver "conspirações" ou melhor, pressões religiosas, laicas, de esquerda, de direita, monárquicas, lóbis homossexuais, financeiros e nacionalistas que se movimentam "por aí" veladamente.

Foi devido ao modo como foi sendo construída a democracia que facilitou que aquelas forças se instalassem e tomassem conta do poder através de lóbis e influências, seja sobre que partido for que tenha estado ou esteja no Governo para capturar o Estado em seu favor.

Pode pergunta-se como foi possível um país se ter deixado dominar por estes grupos? A resposta parece ser simples, foram o entrosamento e a promiscuidade na política, já mais do que uma vez denunciados, os motores deste estado de coisas. Não é por acaso que a legislação produzida pelos Governos é encomendada, não raramente e a custos elevados, a gabinetes jurídicos privados associados a grupos de interesses.

Uma classe de banqueiros e de empresários e muitos outros espécimes que ascenderam à classe média alta após o 25 de abril de 1974, do qual se serviram, apropriaram-se indiretamente do aparelho de Estado, foram o motor e o suporte de sustentação que conduziu ao estado em que nos encontramos.

Apesar das iniciativas e novas leis “não existe em Portugal uma estratégia nacional de luta em vigor contra a corrupção”, acusou Bruxelas, que incita o país a apresentar um registo de resultados comprovados dos processos judiciais (Jornal Público fev/2014). 

Portugal em 2013 mantinha o 33.º lugar no Índice de Perceção da Corrupção da organização Transparência Internacional conforme tem sido denunciado em vários órgãos e comunicação, veiculado por instituições de combate à corrupção. Apesar de Portugal assinar todas as convenções contra a corrupção (ONU, OCDE e outras), depois, não desenvolve as atividades aí previstas, designadamente criação de estruturas especializadas de combate à corrupção, proteção dos denunciantes de casos de corrupção. Há pois todo um "conjunto de compromissos" que o Estado português assumiu no papel e que depois não concretiza. O que leva à suspeita de que há interesses para que tudo se mantenha como está.

Um dos domínios onde a corrupção se pode tornar mais evidente é a contratação pública que, de acordo com o relatório anticorrupção da U.E., é um "domínio de grande importância para a economia da UE, dado que cerca de um quinto do PIB da UE é gasto anualmente por entidades públicas na aquisição de bens, obras e serviços. É também um domínio vulnerável à corrupção" e acrescenta apelando à "criação de padrões de integridade mais exigentes no domínio dos contratos públicos e sugere melhoramentos dos mecanismos de controlo em determinados Estados-Membros.".

Num Portugal em crise é onde existe cada vez um mais pequeno número de pessoas que detêm a maior parte da riqueza nacional, isto é, os 25 mais ricos de Portugal são hoje donos de 10% do PIB quando há um ano as suas fortunas não chegavam aos 8,5% do PIB. Numa altura em que a riqueza disponível em Portugal é cada vez menor, os mais ricos do país estão a acumular cada vez mais fortuna.

Com muito ricos, social e politicamente influentes que se apropriaram da democracia para a modelarem aos seus interesses, uma classe média que hoje não é mais do que remediada e cada vez mais pobre e sem força, associados a um número cada vez maior de pobres não é difícil que os Governos fiquem reféns e, consequentemente, o Estado deixe de servir os interesses coletivos em favor de interesses pessoais e de grupos específicos que movimentam nos seus meandros.

Os primeiros possuem uma espécie de "wi-fi", que opera segundo padrões que não necessitam de licença para instalação e/ou operação, movimentando "frequências" e "canais" entre os seus apoiantes para beneficiarem dos negócios que lhe interessem. Detendo canais de informação e de comunicação através de órgãos de comunicação social podem agilizar o condicionamento e o comportamento dos cidadãos num determinado sentido de interesses. A própria publicidade paga, alguma dela disfarçada de artigos e de notícias, publicada na imprensa pode ser uma forma de sugestão e condicionamento.

Não é por acaso que, em épocas eleitorais, órgãos de comunicação social, especialmente da área audiovisual e de acordo com as suas orientações ideológicas direcionam o "jogo" a favor ou contra os intervenientes em confronto, sejam eles partidos ou pessoas.

Assim, os órgãos de comunicação podem operar de modo a que politicamente direcionem o noticiário jornalístico a partir de suas opiniões conservadoras, ou não, procurando definir a agenda pública e política do país a partir de entrevistados facilitando visões alinhadas e dificultando as não-alinhadas não facilitando muitas das vezes o contraditório.

Especialmente em épocas leitorais ou pré-eleitorais e por maioria de razão nas europeias que se aproximam há que ter bem atenção a potencial manipulação tendenciosa de noticiários e reportagens, aparentemente isentas, que possam favorecer forças políticas facilitadoras da manutenção de  situações que se acabam de referir.

Publicado por Manuel Rodrigues às 15:34
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Segunda-feira, 24 de Março de 2014

Viva a alegria dos números e a campanha eleitoral do Governo

Tenho andado atento ao vários noticiários das televisões e, estou muito enganado ou a maior parte dos canais está num alinhamento pró-governo, com algumas exceções, não estivesse já a preparar o caminho para as eleições. Por todo os canais proliferam notícias otimistas de sucessos do Governo no que respeita a índices macroeconómicos que, dizem, estão a revelar a recuperação económica.

Os dados são de otimismo e, como é costume dizer, os números não mentem, o que podem é estar enviesados, não premeditadamente mas conjunturalmente. Mas de qualquer forma o que pretendem é mostrar que se deu nestes últimos meses um "autêntico milagre", pelo menos no que respeita aos anúncios dados pela comunicação social.

Alguns canais de televisão e comentadores políticos parece que foram tomados por vigor apologético pró-governamental, muito bem encoberto de isenção, como preparação para a campanha eleitoral.

Penso que nenhum canal salientou, não sei se intencionalmente, uma frase da intervenção do primeiro-ministro hoje, salvo erro, em Viseu, que se referia a Portugal e aos portugueses e passo a citar: “Estão a falar de uma Europa que não existe, nem existirá e ainda bem, porque ninguém aceitaria uma Europa em que uns poupam para que outros possam gastar”

Por acaso alguém se apercebeu da gravidade do que disse hoje o primeiro-ministro, colando-se nitidamente à linha da direita mais radical da Europa. Analise-se a frase e vejam o desrespeito pelos portugueses e a falta de patriotismo. No meu entender é estar a comunicar para o exterior que os portugueses são gastadores ao lado dos outros países, conhecendo ele os dados que saíram sobre a pobreza em Portugal. Sobre isto os mercados já não o preocupam.  

Um primeiro-ministro que expõe e difama o povo que governa perante o estrangeiro e que, em vez de o defender, alinha com as críticas que têm sido feitas aos portugueses do exterior, não merece ser ministro de um país, como afirmou Constança Cunha e Sá na TVI24.

É por estas e por outras que, nas eleições europeias, todos em conjunto devemos bater-nos para que a direita mais radical saia derrotada a fim de que todos possamos, na UE,  ter uma esperança no futuro.  

Publicado por Manuel Rodrigues às 23:36
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Quinta-feira, 20 de Março de 2014

O coro

 

No caso português não vai ser fácil ao Partido Socialista obter uma maioria que ultrapasse substancialmente a oposição já que ela concorre em coligação PSD/CDS. Assim, tem que haver um esforço para que haja uma maioria de votações que derrote de forma significativa a direita coligada  para que Portugal possa fazer ouvir a sua voz juntamente com os seus parceiros europeus. 

 

À medida que as eleições europeias se aproximam, várias vozes em uníssono, internas e externas, nomeadamente europeias, tal como num coro, fazem campanha de ajuda ao governo. Afinados pelo mesmo diapasão tecem loas ao programa de ajustamento seguido pelo Governo de Passos Coelho.

Neste leque incluem-se, entre outros, o Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, o antigo chefe da missão do FMI em Portugal, Poul Thomsen, entre outras entidades e instituições.

Buscam-se minuciosamente nas estatísticas macroeconómicas, divulgadas por organismos nacionais e internacionais, informações sobre o débil desempenho económico de Portugal para sustentar as suas teses de crescimento para mascarar a austeridade.

Podemos identificar alguns dos elementos que cantam no coro: Comissão Europeia confirma previsões económicas para Portugal (26/02/2014); Durão Barroso considera que Portugal pode estar em condições de dispensar um programa cautelar, após a saída da “troika”. Depois de em Janeiro ter defendido que essa seria a melhor solução, o presidente da Comissão Europeia admite agora que a situação melhorou e, por isso, o país pode optar por uma saída limpa (03/03/2014); Barroso afirma que Comissão está disponível para apoiar qualquer opção de Portugal (03/03/2014)

Internamente falam de crescimento económico, da saída da "troika" (qual saída?), clamam aos quatro ventos estar no caminho certo e outras balelas. Apesar dos últimos dados mostrarem um incipiente crescimento económico e uma diminuição artificial do desemprego podem não ter a importância que lhe querem atribuir porque a tendência pode facilmente vir a inverter-se.

Parte dos problemas da UE só poderão ser resolvidos, embora com algumas dificuldades, se, nas próxima eleições europeias, mudar a correlação de forças que controlam a Comissão Europeia e o Parlamento Europeu que, até agora, tem sido favorável às famílias políticas liberais e neoliberais.

Se, por hipótese, as esquerdas europeias, nomeadamente as da família socialista da europa, onde se inclui o SPD (Sozialdemokratische Partei Deutschlands) da Alemanha, atualmente coligado com a CDU alemã (Christlich Demokratische Union Deutschlands), muita coisa poderia ser mudada no contexto político europeu. De notar que o SPD vai separado do seu parceiro da coligação a CDU. Há que fazer com que, nas eleições europeias, os grupos de esquerda tenham uma maioria de votações.

No caso português não vai ser fácil ao Partido Socialista obter uma maioria que ultrapasse substancialmente a oposição já que ela concorre em coligação PSD/CDS. Assim, tem que haver um esforço para que haja uma maioria de votações que derrote de forma significativa a direita coligada  para que Portugal possa fazer ouvir a sua voz juntamente com os seus parceiros europeus. 

 

Famílias e respetivos partidos no Parlamento Europeu:

 

Grupo do European People's Party (Christian Democrats)

Grupo do Progressive Alliance of Socialists and Democrats in the European Parliament

Grupo do Alliance of Liberals and Democrats for Europe

Grupo do Greens/European Free Alliance

Grupo dos European Conservatives and Reformists

Grupo do European United Left - Nordic Green Left

Europe of Freedom and Democracy Group

Publicado por Manuel Rodrigues às 23:54
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Segunda-feira, 10 de Março de 2014

Rangel e o canto do cisne

Paulo Rangel tem uma estratégia definida para iludir o povo, por um lado vai mostrar que se afasta de Passos Coelho e do governo e, por outro, afastar-se da discussão da política europeia e fazer do Partido Socialista o alvo de todos os ataques. Não se percebe portanto como vai Rangel pedir ao maior partido da oposição para se sentar à mesa dos consensos.

Rangel não passa de um tigre de papel. Vocifera a todos os ventos contra o PS utilizando como único argumento erros do passado, muitos dos quais os partidos que o apoiam ajudaram a cometer.

  

 

Rangel quer mostrar agora uma força de combate eleitoralista que não tem e, por isso, tenta mostrar uma dinâmica que o distancie das políticas seguidas pelos seus pares partidários que sustentam o governo de modo a minimizar os estragos eleitorais que já prevê, embora o negue, e que ficarão muito aquém dos desejados. O distanciamento da política do governo de coligação que o apoia vai ser difícil porque, não fará sentido, apontar qualquer outra proposta diferente que o coloque em confronto.

Rangel é do género "a montanha que pariu um rato" porque já não convence ninguém. O seu discurso desenxabido com justificações do tipo "vamos lá ver", ou, do "não é bem assim" já se torna maçador, assim como os ataques aos adversários das oposições que não são mais do que "dèja vu".

Rangel vai refugiar-se no rebuscar do passado e em evidenciar o falso isolamento do Partido Socialista negando, até deturpando, tudo o que o governo fez. A recuperação económica a partir de dados insipientes e alinhando em coro com a direita europeia que apregoa o mesmo numa fase da proximidade de eleições são os seus trunfos. Resta saber se alguém, com exceção de militantes e apoiantes ferranhos e outros conservadores clubistas que apoiam o governo, vai ficar encantado com o canto do cisne.

Rangel é o candidato do governo, ponto. Terá, por isso, que se identificar com os seus "sound bytes".

Publicado por Manuel Rodrigues às 18:33
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Eleições europeias e o neoliberalismo

Há quem não queira ver um rosto neoliberal neste PSD e CDS que estão no governo e se refugie em explicações para demonstrar a invalidade deste conceito da teoria económica. Mas a realidade é que ele é uma consequência mais moderna do clássico liberalismo. A escola liberal clássica defendia a abolição da intervenção do governo em matérias económicas e ser o comércio livre o melhor caminho para o desenvolvimento das economias nacionais.

O neoliberalismo é uma nova espécie de liberalismo que foi incentivado pela rápida globalização da economia do tipo capitalista e centra-se fundamentalmente na obediência aos seguintes princípios:

a)      Libertação do setor privado de qualquer obrigação imposta pelo governo (o Estado) mesmo causando danos sociais. Redução de salários e do papel dos sindicatos deixando os trabalhadores desprotegidos com eliminação dos direitos obtidos durante muitos anos.

b)      Redução ou eliminação da despesa pública destinda aos serviços sociais como educação, cuidados de saúde, redução da rede da segurança de minimização da pobreza.

c)       Passagem da exploração e manutenção das redes de comunicação terrestre para entidades privadas pagos com os impostos.

d)      Privatização da energia e da água, tudo em nome de redução do papel do Estado. Ao contrário de atribuições sociais, o neoliberalismo não põe em causa o pagamento de subsídios do Estado a entidades privadas ao mesmo tempo que evita taxar os benefícios do negócio.

e)      Redução da regulação por parte do governo de tudo quanto possa diminuir os lucros, incluindo a proteção e segurança ambiental e a proteção do emprego.

f)       Venda das empresas e serviços públicos a investidores privados. Isto inclui bancos, indústrias-chave, transportes públicos, portagens, eletricidade, escolas, hospitais e água potável, cujo argumento é a maior eficiência dos serviços, justificado pelo efeito da prosperidade. Conduz à concentração em apenas algumas mãos.

g)      Eliminação do conceito de bem público e de comunidade que são substituídos pela responsabilidade individual.

h)      Pressão sobre grande parte da sociedade, mesmo sobre os mais pobres da sociedade para eles próprios encontrarem soluções para a falta de cuidados de saúde, educação e segurança social, deixando-os a cuidar de si mesmo e, se falharem, acusando-os de serem "preguiçosos".

 

Como se sabe a aplicação do neoliberalismo tem sido imposto por instituições financeiras como o FMI, o Banco Mundial e o Banco Central Europeu (BCE) a países mais frágeis. Em Portugal são a coligação PSD/CDS e a "troika" que, com agrado e apoiando-se reciprocamente, impõem políticas neoliberais.

Não é por acaso que surgem pressões para a imposição daquelas medidas, a que dão o nome de austeridade, aos países do sul da europa e cujo objetivo é justificado pela necessidade da diminuição dos défices que passaram a ser excessivos.

A crise financeira internacional e da europa que o PSD e o CDS desconsideravam quando se encontram na oposição veio ajudar a submeter alguns países para, sob pressão, procederem a uma viragem para políticas neoliberais. Ao aproximarem-se as eleições europeias começaram a verificar-se intervenções intencionais dirigidas ao nosso país vindas de várias instituições nacionais e internacionais de apoio às medidas do Governo e elogiando o esforço. Entretanto saem estatísticas cujos números que servem e ajudam a completar o discurso.

A política neoliberal que estamos a suportar em Portugal aplicada por este governo á consequente com os princípios anteriormente enunciados que, há cerca de três anos, podem ser comprovados pelos seguintes factos:

  • 12000 Pessoas perdem apoios por mês.
  • Governo cobra cada vez mais e distribui cada vez menos: IRS subiu 35,5% custo de vida 20% mas os apoios caem 7%
  • Mais de 440000 desempregados sem qualquer apoio em 2014.
  • RSI apoia menos 52000 pessoas que em 2013.
  • Em maio de 2013 havia 399000 desempregados com direito a subsídio que recebiam em média 510 euros mensais, em janeiro deste ano os 388000 desempregados recebem 470 euros.
  • O governo conseguiu aumentar as receitas de IRS em 35,5% num só ano. Apesar do empobrecimento das famílias o aumento de receitas de IRS. (Contradições do neoliberalismo?).
  • Em 2010 48% ganhavam até 10000 euros ano. Agora são 66%. Isto é, se em 2010 existiam 2,3 milhões de famílias a ganhar menos de 10000 euros ano (48%) em 2012 contavam-se já 3,04 milhões de famílias nessa situação (66%).
  • Portugal está melhor. Se salários e pensões foram cortados, o custo de vida nos últimos anos aumentou: o preço da eletricidade subiu 23%, o uso de hospitais 19,3% mais caro e o ensino superior subiu 5,1%.
  • Num único mês 50000 crianças perderam o abono de família.
Para tudo isto basta fazer as contas

Fontes: IEFP, Instituto da Segurança Social, Segurança Social, INE, Banco de Portugal

                                                  

O dados apresentados são apenas uma parte do conjunto das pessoas afetadas que poderão ter ficado felizes com o facto de "Portugal estar melhor mas as pessoas não".

Há uma lógica neoliberal que, ao mesmo tempo que provoca crises, protege os responsáveis e força os "peões" que são as vítimas a pagar os custos. Portugal não é original neste sentido mas é o que segue o padrão com mais afinco. Já nem os partidos socialistas se conseguem distanciar. Basta recordar o que se passou com os bancos. As medidas de austeridade também serviram para os reparar do que eles próprios causaram.

A pergunta universal que podemos colocar é: quem ajudará as nações se até os partidos ditos sociais se afastam da sua matriz?

O nível elevado de abstenção que se verifica nos períodos eleitorais é manifesto de uma desilusão pela ineficácia das respostas das políticas vigentes e alternantes, pela falta de escrúpulos políticos e de valores humanos que leva à aplicação cega das teorias do neoliberalismo económico, executadas pelos que nos têm governado há décadas.

Somos todos responsáveis quando, através do voto, escolhemos em função da imagem mais ou menos favorável dos políticos que as televisões nos vendem em lugar de programas de governo e das propostas que apresentam. Quem se abstém também não se isenta de responsabilidades pois contribui para que outros escolham por ele.

O absentismo da política e do exercício da cidadania por parte dos cidadão deve-se, em parte, ao medo da perda do pouco que ainda resta de pertença a uma classe que está em vias de perder tudo em prol de uma outra que vem impondo através do empobrecimento e umas e da exclusão social de outras.

No mesmo contexto a igreja católica portuguesa também não está isenta de responsabilidades porque como já não tem o que evangelizar na europa dota-se agora duma outra função que é a de, subtilmente, apoiar políticas de governos neoliberais, ditos de inspiração cristã, que lhes é mais favorável e dos quais tira vantagens. 

Publicado por Manuel Rodrigues às 00:06
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Quinta-feira, 6 de Março de 2014

Mentirosos e desvairados

 

Mentirosos

 

O espetáculo lamentável dado pelo primeiro-ministro na Assembleia da República em primeiro lugar não o dignifica e que demonstrou ter perdido o rumo e o controle da situação. A deputada Catarina Martins do Bloco de Esquerda, pessoa que nunca foi do meu agrado devido às suas intervenções mais ou menos comicieiras, ao referir que a palavra do primeiro-ministro não "vale nada", não foi de todo desajustada na verbalização do termo aplicado, pois é sabido que Passos Coelho tem mentido e ocultado a verdade ao longo destes três anos de governo, por isso não tem autoridade moral para criticar seja quem for quando o confrontam com afirmações contraditórias no que se refere a políticas que anteriormente negou aplicar ou que nunca clarificou.

O primeiro-ministro foi questionado sobre questões do corte de salários e pensões quando dizia que eram medidas pontuais e transitórias. É verdade e evidente que ele mais do que uma vez o afirmou. Há cerca de um mês disse Passos Coelho que "Não enfrentaremos o futuro pensando que todos estes cortes que tivemos de fazer permanecerão. Muitos deles serão transitórios". Ao afirmar convictamente que aqueles cortes são para continuar significa que Passos Coelho mentiu logo, Catarina Martins ao afirmar que a palavra dele não vale nada não cometeu nenhuma calúnia.

Passos Coelho refugiou-se numa frase tirada da cartola num momento de ilusionismo para se esquivar a respostas objetivas dizendo que "Dado o valor que a minha palavra tem não estará à espera de resposta". Portanto, acabou por assumir a falta de valor da sua palavra. O menino ficou com a birra ao ser confrontado publicamente com as suas mentiras e, mais uma vez, aproveitou para fugir à questão. 

 

Desvairados

 

Hieronymus Bosh - O Jardim das Delícias Terrenas, painel direito - Detalhe do Coelho

 

Face ao desaire eleitoral que preveem os partidos do Governo os seus líderes e apoiantes perderam o rumo e desesperam refugiando-se nuns índices e dados macroeconómicos que neste momento ainda nada representam na realidade portuguesa.

Mas, para além das mentiras com que têm iludido os portugueses o Governo anda desvairado, alucinado, desatinado. Palavras, todas elas, mais do que adequadas ao que os seus elementos e propagandistas têm vindo a demonstrar nas mais diversas ocasiões e lugares.

Um dos desvairos são as afirmações de Paulo Rangel como o de fazer apelo à utilização das redes sociais para atrair as gerações mais novas com certeza para caírem, mais uma vez, nas armadilhas que a coligação Aliança Portugal prepara e que mais se deveria chamar "Coligação Aliança para a Destruição de Portugal". Claro que agora pretendem tirar dividendos do discurso fácil e divisionista lançado na sociedade colocandojovens contra velhos sabendo, previamente, que estes não andam pelas redes sociais.

Outro desvario corrente que se repete ad nauseam é o do sistemático convite para o Partido Socialista se sentar à mesa com o Governo. Será para alguma almoçarada? Mas que pressa é esta? A insistência leva a desconfiar. Se alguém convidasse outro para colaborar depois de o ter acusado e intrujado este ficaria sempre de pé atrás.

Paulo Rangel já arquitetou o discurso desatinado contra a oposição mas, ao mesmo tempo, apela a consensos. Mas que consensos? Será que pretende fazer campanha eleitoral em conjunto casos os haja?  

Nesta altura perante a proximidade de eleições europeias um governo com maioria absoluta que governa Portugal há três anos estar a insistir numa negociação com o seu opositor político é o mesmo que estar a dizer que o quer meter num buraco sem saída com comprometimentos e prejuízos óbvios.

 

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 14:54
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Quinta-feira, 27 de Fevereiro de 2014

O engano e a desfaçatez

 

 

O pequenino país em que vivemos, dizem alguns iluminados, está melhor do que as pessoas. Começou novamente a ser passada a mensagem falaciosa de Passos Coelho para captar votos, esperando que os portugueses vão atrás do engodo e já se tenham esquecido do que foram as últimas eleições legislativas.

Veja-se como o discurso de Passos Coelho está aos poucos, e temporariamente, a transformar-se num alinhamento de falsa esquerda quando afirma que "Não queremos um país fechado sobre si próprio, nem o regresso do escudo. Queremos um país com um Estado social forte - e sabemos que é forte, comparado a outros países - mas que só será sustentável se a economia o permitir e as escolhas o determinarem".

Queremos um país com Estado social forte disse o primeiro-ministro no congresso do Coliseu. A frase parece soar a falso sabendo nós quem a proferiu e qual a sua ideologia e a sua política. Estão na moda os cata-ventos. O que era nos anos anteriores deixou se o ser agora.

Passos Coelho apresenta-se com uma alma de esquerda ao afirmar-se defensor do Estado social em particular do Serviço Nacional de Saúde. Mas acrescenta, não a qualquer preço porque diz ele que sabemos o que custa para o Estado social a falta de rigor nas contas públicas. Podemos descortinar nestas afirmações algo pouco clarificado e muito ambíguo, como seria de esperar.

Todavia, acrescenta que esse Estado social que diz pretender (não se sabe qual é) só é possível se a economia o permitir e as escolhas o determinarem. Claro que, se assim for, com a política que está a ser seguida talvez lá para meados deste século, se o for, voltaremos a ter um Estado social. Mas atreve-se ainda a dizer que é para defender esse Estado social que insiste no convite à oposição para que se sente na comissão parlamentar de reforma do Estado.

Vamos lá ver se percebo: quer uma reforma do Estado para o qual já apresentou um rascunho feito por Paulo Portas, tem maioria absoluta mas precisa de consenso. Não atinjo, a menos que isto seja uma estratégia para ter um companheiro do fracasso que já antevê.

Aponta para um regresso do PSD à matriz social-democrata. Algo muito estranho se passou entretanto porque ele próprio afirma agora que o PSD se tinha afastado daquela matriz. Então quem o titulava de neoliberal parece que tinha razão.

O descaramento vai mais longe quando assume uma atitude de arrependimento ao afirmar que estávamos talvez muito agarrados às nossas opiniões (o que parece ser o reconhecimento de que falhou ao insistir na sua conduta de estratégia política) e que, por isso, não conseguimos um entendimento talvez porque houvesse muitas medidas difíceis para tomar. Na altura houve medidas difíceis? Então e agora já não vai haver? Ao mesmo tempo continua a afirmar que aquela política é para manter.

O PSD necessita do PS como de pão para a boca, como popularmente se diz, para lhe validar as políticas que seguiu e que vai continuar a seguir.

Esperemos o que vai dar a escolha de Francisco Assis como cabeça de lista para o Parlamento Europeu. Mas parece-me que os portugueses vão ter que estar muito atentos às armadilhas que os espera pela frente para não se deixarem enganar como o foram à cerca de três anos.

Publicado por Manuel Rodrigues às 17:21
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Segunda-feira, 20 de Janeiro de 2014

Os senhores das promessas atacam de novo

 

 

 

 

A campanha de intoxicação pública tendo em vista a preparação das eleições para o Parlamento Europeu e a tomada de balanço para as eleições legislativas de 2015 já começou.

Em maio de 2011 no blog antinomias escrevi que José Sócrates vivia no país das maravilhas, e, por isso mesmo muitas vezes afirmei que ele estava a enganar os portugueses. Ao reler o que escrevi na altura considero hoje que, em muitos pontos, não terei tido razão nas críticas que fiz ao verificar a atual prática política quotidiana destes novos "turbo" neoliberais[i] que nos governam, muito dele oriundos das JSD e da JP. Estes senhores são muito piores do que aqueles que acusam de nos ter conduzido ao ponto em que nos encontramos esquecendo-se que agravaram com o seu proclamado ir muito para além da "troika"a situação de todos os portugueses, pelo menos a da grande maioria, enquanto outros tiraram vantagens.

Comentadores de política dos canais de televisão alinham pela comunicação do Governo sobre a saída da "troika". Assim sendo não é mais do que uma falsa saída porque, na realidade, é um terá condições que levará a que tudo fique na mesma ou eventualmente piorar. Lançam para a opinião pública a mensagem da falsa ideia de que a saída da "troika" é vermo-nos livres do programa de ajustamento e da recuperação da soberania. Com base em estatísticas ainda rudimentares, apuradas segundo critérios alguns deles discutíveis, gabam-se da recuperação da economia, do aumento da procura interna, no aumento do consumo, do clima de confiança e tudo o que lhes sirva para demonstrar aquilo que não se verifica no quotidiano das empresas e das famílias.

O equilibrista da política Paulo Portas tenta vender assim alguma coisa, qual propagandista de feira que, para atrair clientela para a sua banca, utiliza um megafone ao qual juntou um relógio digital para contar os segundo até à realização de um sorteio no final da feira, neste caso a saída da "troika". Daria também um bom técnico para agências de marketing e publicidade que o quisessem contratar. Todos nós desejaríamos que tudo terminasse, mas a realidade é que não vai acontecer da forma como querem fazer crer aos portugueses.

O Presidente da República fala de esperança e de confiança. A esperança e a confiança não criam emprego, não fazem investimento, nem colocam pão na mesa em muitas centenas de milhar de portugueses.

Com a mira nas próximas eleições, os partidos da coligação, assestam a sua comunicação intoxicante para obtenção dos votos dos portugueses. Neste movimento acelerado encontram-se diversas instituições internacionais e alguns dos seus responsáveis que alinham pelo mesmo diapasão de apoio a este Governo tendo em vista as eleições europeias. Penso que já tivemos todos a experiência ao longo destes quase três anos do que nos são capazes de oferecer se ganharem as eleições.

Os que dizem que a oposição não tem alternativas e que, portanto, o caminho é único, dão como exemplo as posições tomadas ultimamente pelo presidente francês François Hollande.

Pode ser possível que a oposição tenha que manter ou transformar no todo, ou em parte, algumas das medidas tomadas, o que sempre será preferível às doses massiva, cegas e sem rumo que atingiram apenas alguns setores da sociedade com a austeridade mais excessiva. Sê-lo-ão feitas de forma diferente e escalonada.

O que esta gente promete a partir de maio é de facto um país como o de Alice no País das Maravilhas onde tudo é irreal e ao mesmo tempo absurdo. É uma espécie de engodo com açúcar para apanhar moscas incautas.

Devemos estar atentos e de olhos bem abertos às armadilhas que esta direita nos está a lançar.



[i] Neoliberalismo é um sistema económico que se baseia numa intervenção mínima do estado na economia. Será o mercado que se autorregula com total liberdade e sem qualquer intervenção. É a instituição de um sistema de governo onde se atribui à iniciativa privada mais importância do que o Estado, pelo que, quanto menor a participação do Estado na economia, mais rapidamente a sociedade pode desenvolver-se e progredir, buscando um Bem-Estar Social. Esse tipo de pensamento pode ser representado pela privatização e pelo livre comércio.

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 19:50
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Domingo, 5 de Janeiro de 2014

A intensificação da extrema-direita na Europa

Aproveitando-se da crise no espaço da União Europeia, especialmente nos países intervencionados, sem que muitos se deem conta, a extrema-direita está a ficar cada vez mais presente e a capitalizar apoiantes. Chegou-se ao ponto de, sem qualquer discrição, se exibirem símbolos fascistas e nazis tal como em Espanha onde símbolos franquistas são exibidos sem quaisquer complexos.

Casos concretos deste tipo de exibições em Espanha têm vindo da Juventude do Partido Popular, partido conservador que está no poder. Muitos destes jovens têm-se feito fotografar com símbolos nazis e franquistas que colocam no Facebook e no Twitter o que levou a que representantes do Partido Popular viessem desdramatizar falando de “infantilidades” e desculpabilizando-os ao dizerem paternalisticamente que aos jovens são desculpadas determinadas atitudes que são “imperdoáveis aos mais velhos”. 

Há sinais de alarme que provêm do Reino Unido, França, (veja o caso da Frente Nacional de Marine le Pen), Itália, Grécia, República Checa, Hungria e Eslováquia, todos países pertencentes à União Europeia. Em Portugal ainda se verifica uma certa contenção, talvez porque à esquerda do Partido Socialista há alguns partidos que, apesar de não terem uma elevada expressão eleitoral, ainda têm uma base de apoio social muito maior do que os seus equivalentes no resto da Europa.

O ambiente político, financeiro e económico internacional favorece os extremismos de direita que se alimentam da crise. De acordo com o jornal El País de Novembro passado, no Partido Popular de Espanha nenhum dirigente exibia símbolos franquistas nem nazis mas exibiam as cores do partido e da bandeira nacional. Atualmente, tudo mudou. Agora alguns jovens militantes daquele partido já se aventuram a mostrar publicamente símbolos franquistas.

Muitos destes movimentos extremistas surgem do interior dos partidos de direita, onde se encontram camuflados à espera de oportunidade para se manifestarem a descoberto. O curioso é que a maior parte deles são oriundos das juventudes partidárias de direita.

Já escrevi várias vezes neste blog que, em Portugal, nos partidos de direita, nomeadamente no PSD, se encontram no seu interior elementos que se denunciam pelas suas declarações públicas e na Assembleia da República que podem ser interpretadas como posições ideológicas de natureza pró nazi e segregacionista.

Não é de admirar que haja pontos comuns na origem destes grupos da extrema-direita europeia porque na prática estes grupos são oriundos dos partidos liberais, ou, no mínimo, provenientes ideologicamente deles mas que radicalizaram as suas posições.  Veja-se o caso do holandês Geert Wilders, antieuropeísta, do grupo dos partidos chamados Tea Party, líder da oposição holandesa que teve origem nos liberais e que conseguiu ser o terceiro partido mais votado nas últimas eleições.

Não é por mero acaso que está em negociação uma aliança entre o político da extrema-direita holandês Geert Wildess e o de Marine le Pen antes das eleições de maio de 2014 com o objetivo de “perturbar o funcionamento do Parlamento Europeu e destruir a EU a partir de dentro”. Esta aliança poderá incluir também partidos idênticos da Itália, Suécia e Bélgica.

Será esta também uma oportunidade para os partidos antieuropeístas de esquerda aproveitarem e darem, como habitualmente, uma mãozinha de abertura à extrema-direita?

Nas próximas eleições para o Parlamento Europeu devemos estar muito atentos e votar no sentido de que em Portugal não se venha a verificar o mesmo.    

Publicado por Manuel Rodrigues às 17:53
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Livros que já li

Prisioneiros da Geografia Tim Marshall As cidades invisíveis Italo Calvino Quando Portugal Ardeu Miguel Carvalho A Vida Secreta dos Livros O Romancista ingenuo e o sentimental de Orham Pamuk malbe

Os porques da esperança.png

Demorei algum tempo a ler este livro mais do que o costume. Livro sobre a política nacional sobre a forma de entrevistas que passaram na TVI 24 efetuada por um provocador nato cujas respostas são dadas por um astuto tribuno da palavra. Livro que aborda temas nacionais da política recente com uma abordagem em que as palavras se se entrelaçam com alguma exposições mais académicas. Um bom manual para quem se interesse pela política em Portugal nos últimos tempos.  

 

 

Piketty_Capit_SecXXI


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Crónica dos dias do lixo



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Rodrigues, Manuel A (2011). Geografia Social Urbana na Licenciatura em Educação Social, Cadernos de Investigação Aplicada, (5). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas


Rodrigues, Manuel A (2010). Didática da Geografia: recurso à Literatura como proposta interdisciplinar, Cadernos de Investigação Aplicada, (4). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas. .


Rodrigues, Manuel A (2008). Televisão e os efeitos de exposição a mensagens televisivas na educação: o efeito da terceira pessoa, Cadernos de Investigação Aplicada, (2). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas.


Rodrigues, Manuel A (2005). Do Presencial ao Online: um estudo de sobre a atitude de estudantes face a situação de aprendizagem online, Actas do VII Simpósio Internacional de Informática Educativa-SIIE05, Escola Superior de Educação de Leiria.


Rodrigues, Manuel A (2004). Um Modelo de Formação em Ambiente Misto de e-Learning (Blended Learning): uma experiência na disciplina de Tecnologia Educacional, Actas da Conferência eLes’04: e-Learning no Ensino Superior, Universidade de Aveiro.


Rodrigues, Manuel A (2004). Marionetas em Liberdade: a identidade pe(r)dida com as novas exigências curriculares, Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas.


Rodrigues, Manuel A (2000). Ciberespaço, Internet e as Fronteiras da Comunicação Educacional, Lisboa, Universidade Aberta. Porbase, CDU 37.01(043), 159.95043), 005.73Internet(043.2),371.1043)

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