Terça-feira, 25 de Abril de 2017

O dia do 25 de Abril

 

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Algumas recordações do 25 de Abril em 2017 vão ficar por aqui. Este dia é também um dia para reflexão sobre o passado e para alguma autocrítica sobre as opções tomei. Concluí que ao fim de 43 anos de democracia e de eleições livres cometi três erros nos últimos sete anos por falta de análise criteriosa da situação política e partidária, o  que me levou a tomar opções que depois verifiquei serem erradas. O voto não pode ser visto como algo sem importância, nem ser feito de ânimo leve porque os erros, por vezes, saem muito caros. Um deles, o último não terá sido por desconfiança e esta, às vezes, não é boa conselheira.

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 21:48
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Domingo, 23 de Abril de 2017

Considerações sobre alguns factos do 25 de abril

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Encontramo-nos nas proximidades das comemorações do 25 de abril, faltam 48 horas, e é bom relembrar e relacionar factos casuais de personalidades da política atual com o passado.

Miguel Júdice foi recrutado pela TVI 24 para o comentário político há alguns meses atrás. É claro o espírito deste comentador. Não vou sintetizar o que ele tem dito, mas limito-me a citar um dos comentários mais recente, este no que toca a Marcelo Rebelo de Sousa.

Até parece coincidência, mas o jornal i de hoje publicou uma entrevista com José Miguel Júdice, um militante da extrema direita do pós 25 de abril que se reciclou posteriormente em democrata militando no PSD. Na entrevista Júdice tece comentários pessoais a políticos denegrindo alguns de forma muito clara, mas politicamente correta como um oportunista da política. Um dos atingidos foi Marcelo Rebelo de Sousa que considera como sendo «maquiavélico de forma instrumental, é ácido, às vezes, com as pessoas, mas isso não é o objetivo da vida dele. Se ele achar que esse lado da vida dele, às vezes lúdico, outras vezes sarcástico, lhe é útil, não deixará de o usar, mas ele quer ficar na história como o melhor e o mais importante Presidente da República em democracia». Não ficando por aqui diz ainda que «é manipulador, é capaz de jogar com as pessoas, é capaz de dizer mal das pessoas quando elas não estão presentes... Tem esses defeitos, mas tem enormes qualidades cívicas e é uma pessoa de uma honestidade elevada. É uma pessoa que faz falta na política».

Miguel Júdice dá uma no cravo outra na ferradura, mas lá vai passando a mensagem negativa.

Este advogado, ex-dirigente do PSD, membro do secretariado em 1984 e do conselho Nacional em 1985, logo após o 25 de abril participou em ações da extrema-direita como dirigente do PP – Partido do Progresso integrando posteriormente o MDLP - Movimento Democrático de Libertação de Portugal que «Spínola liderava e que contava com uma organização espalhada pela Espanha (Alpoim Calvão, José Miguel Júdice, entre outros), França (Sanches Osório) e Brasil, tinha sido já anunciado um mês e meio antes e começava a articular-se com o Exército de Libertação de Portugal (ELP), que unira figuras da extrema-direita, incluindo ex-elementos da PIDE, apostadas em “limpar o país de todos os cães comunistas e traidores” e com o Movimento Maria da Fonte, liderado pelo editor da obra de Spínola Portugal e o Futuro, Paradela de Abreu, e por Jorge Jardim, em íntima conexão com o Arcebispado de Braga e sectores empresariais do Norte do país contra sedes de partidos políticos da direita com o objetivo de culpar os partidos de esquerda» escreveu o jornal Público em 26 de abril de 2014, também relatado no livro Quando Portugal Ardeu, p. 75.  

«ELR MDLP, Igreja, ex-agentes da PIDE e da Legião, elementos de guerrilhas e movimentos avessos à independência das ex-colónias, mercenários, ex-militares, serviços de inteligência estrangeiros, banqueiros, empresários e industriais. A extensão da rede de cumplicidades e ramificações para pôr o Portugal pós-revolução a arder não olhou a meios nem a divergências de pormenor.

Os vários exércitos, da contrarrevolução, alguns avulsos, foram responsáveis por 566 ações violentas no País entre maio de 197 5 e abril de 1977, uma média de 24 atos de terrorismo por mês, quase um por dia, causando mais de dez mortes e prejuízos incalculáveis no património de vítimas e instituições. os partidos à esquerda do PS, com o PCP à cabeça, a par de militares e sindicatos, foram os alvos preferenciais de quase 80 por cento das bombas, assaltos, incêndios, espancamentos, apedrejamentos e atentados a tiro. A contabilidade foi coligida num Dossier Terrorismo, elaborado pelo PCR mas os cálculos não merecem suspeita. "Muito do que eles escreveram naquele livro está correto reconheceu Francisco Van Uden, do ELP. Também é um indicador de que eles possuíam uma estrutura de informação muito bem organizada, assume». (In Quando Portugal Ardeu, Miguel Carvalho, p. 79)

Em julho de 2006 o jornal Correio da Manhã noticiava que Conselho Superior acusava Míguel Júdice de violação das normas deontológicas. Em causa estava «uma entrevista ao Jornal de Negócios, em 2005, após o longo período de silêncio que se seguiu ao fim do mandato como bastonário. Júdice defendeu que o Estado devia contactar as três maiores sociedades de advogados do País para serviços de consultadoria, entre as quais a PLMJ da qual é sócio e que conta com 220 advogados. A declaração soou a publicidade e deu origem a um processo disciplinar.»

Muita coisa estará por contar sobre as manigâncias da extrema-direita da qual muitos dos seus cabecilhas e dirigentes se reciclaram em democratas espalhando-se pelos partidos da direita democrática donde agora manobram lenta e engenhosamente para conseguirem os seus intentos servindo-se da voz que lhes é dada pela comunicação social.

Ainda bem! É sinal de que estamos a viver em democracia e liberdade de expressão de pensamento, o que nos obriga à responsabilidade democrática de, após 43 anos, continuarmos atentos.

Publicado por Manuel Rodrigues às 17:15
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Quarta-feira, 8 de Março de 2017

Os boicotes à liberdade de expressão são contrários à racionalidade

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Quem lê os meus “posts” sabe qual a minha posição sobre uma direita ambígua na oposição que vem perdendo dia a dia a credibilidade. Pronunciar-se contra a direita ou contra a esquerda é um direito que assiste a qualquer cidadão. Outra coisa são as tentativas de boicote a iniciativas que a democracia e as suas instituições possibilitam, venham elas da direita, da esquerda ou da chamada extrema esquerda.

Não me identifico com os pontos de vista de Jaime Nogueira Pinto com quem politicamente discordo por ser um conservador de direita que revela, por vezes, algum saudosismo do passado, assim como não me identifico com os de Paulo Portas, de Catarina Martins, de Jerónimo de Sousa ou de quaisquer outros que defendem as suas ideias em ambiente de democracia.

Não encontro justificação para o que se passou na FCSH, nem é legítimo que se proceda a manobras intimidatórias e atentatórias da liberdade de expressão dentro duma universidade, ou qualquer outra instituição democrática, para evitar que se debatam temas que estão na ordem do dia e aos quais não se podem fechar os olhos como se pudessem tapar o sol com uma peneira.

Debater não significa doutrinar e, por isso mesmo, se esgrimem argumentos consoante diversas correntes de opinião. Pode haver quem prefira o unanimismo de opiniões, mas esses coabitam mal com a democracia. É assim!

A juventude é por vezes dada a impulsividades e radicalismos mais emocionais do que racionais e, só assim se compreende as atitudes que terão sido interpretadas como o exagero da ameaça de boicote que conduziram a receios e a precauções, provavelmente infundados, por parte dos responsáveis da universidade. Não é admissível em democracia. Também não faltaram alguns, como uma tal organização denominada Nova Portugalidade, responsável pelo evento, a falar em pressões e boicotes que terá havido segundo o seu representante

Quem andou pelas universidades após o 25 de abril bem sabe como é possível manipular uma assembleia de estudantes de modo a obter efeito contrário ao pretendido e, posteriormente, se poder “virar o feitiço contra o feiticeiro”. E não digo mais nada.

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 18:16
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Sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2017

Caçadores de bruxas

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A direita iniciou uma espécie de caça às bruxas aos elementos do Governo recorrendo a todas as cavilações a que tiver de recorrer para condenar, achincalhar tudo e todos que lhe possam causar incómodo. A explicação é simples: à direita não convém que, por interesse exclusivamente partidário, embora alheio ao país, estejam a ser conseguidos resultados que vêm descredibilizando as teorias que avançavam quer no passado recente, quer no presente.

A direita quer recuperar o que perdeu e, para isso, utiliza tudo que estiver à mão, não interessa o quê, apresenta-o com aquela carga de agressividade dos sem razão e dos perdedores como se o ataque fosse a melhor defesa. Faz-me lembrar aqueles filmes em que o herói leva pancada dos “maus” até ficar quase sem ação e, por artes mágicas, o nosso herói levanta-se e dá uma valente pancadaria no “mau”. Poderá ser isto que venha a acontecer mais tarde ou mais cedo à direita.

No meio de tudo o que tem estado por detrás da CGD algumas elites bem instaladas, alguns deles atores do debate político onde dissimulam o que são na realidade do dia a dia e, com objetivos partidários fazem colheitas rebuscam nas amizades e nos conhecimentos pessoais que possa ser recrutado e aliciados para uma traiçãozinha, dando-lhes garantias de ficarem bem fotografia. Não sei se sabem a quem, e ao que me refiro. Não será difícil lá chegar.

Em Portugal a direita acha que tem o monopólio da democracia. Ela é a democracia, julgam. O resto não conta. Que bom seria existir apenas, e só, a direita. A direita não gosta de ser contrariada, tal e qual uma criança faz uma birra porque não lhe dão ou tiraram um brinquedo. Bate os pés, chora, grita, torna-se agressiva. Para uma criança nestas circunstâncias não existe possibilidade de negociação ou de troca. Nada escuta. Ouve-se apenas a ela própria. Até que, pela exaustão e cansaço, acaba por adormecer e, quando acorda está serena. Então pode negociar-se com ela.

Privada do seu complexo se superioridade que as eleições lhe deram, embora em minoria, a direita em Portugal, controlada pelas elites financeiras e de compadrios, por oportunismo partidário, não se desvia, um milímetro da sua linha que, como se sabe não funcionou. Capturada por um neoliberalismo ideologicamente estrangulador, e por uma comunicação social que a protege, deixou de saber o que é a social-democracia a que diz pertencer.

Como se viu no caso da TSU esta direita é duma incoerência pertinaz, como o é quem exercita a sua inteligência no estrito sentido partidário e de poder que diz lhe caber por direito embora a realidade parlamentar seja outra. Mas, por outro lado, e porque não quer ser incoerente com as linhas programáticas que defendeu e adotou durante os anos no poder, recusa-se a mostrar claramente o que defende e o que pretende optando sem fim pela política das coisas marginais. A discussão sobre os problemas no país não tem lugar, não interessa à oposição de direita que se encontra despojada de chaves críticas e com as ideológicas transformadas apenas em objetivos partidários. A direita não se abre a dizer o que pretende.     

Os aspetos sociológicos que, afinal, em sentido restrito, são os das pessoas em comunidade são negativos e desconsiderados pela direita. Para ela as pessoas não interessam, e agora parece que já nem o país. Jura e tresjura que o país pode sofrer involuções gravíssimas, que tudo está dominado pelos radicais de esquerda, ameaçam com o passado amedrontando, lançando dúvidas. O medo é a sua arma preferida para atingir as populações politicamente menos esclarecidas, sem culpa delas.

A oposição não tem que apoiar nem tem que aceitar o que um governo faz ou propõe, por isso mesmo é oposição, mas o debate político da oposição não deve ser o enxovalho  que conduz à descredibilização dos políticos e com ela os seus próprios.

O facto de Portugal assentar em bases fundamentalmente democráticas qualquer retrocesso mesmo grave não será possível cair-se novamente em forma autoritária do tipo fascista como está a acontecer na Turquia e na Polónia para não falar de outos países com a U. E. a observar impávida, e serena.

Publicado por Manuel Rodrigues às 18:31
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Terça-feira, 7 de Fevereiro de 2017

América de Trump: a democracia no ponto de lixo

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A ilustração da capa de DER SPIEGEL esta semana

Sobre o que se está a passar nos EUA com Donald Trump limito-me a reproduzir um artigo escrito por Klaus Brinkbäumer no Der Spiegel desta semana. Peço desculpas pela tradução livre feita a partir do artigo em inglês.

A imagem da capa do DER SPIEGEL desta semana foi criticada, mas como diz o autor o símbolo que ela retrata é sério: a ameaça muito real que o presidente Donald Trump representa para a democracia liberal.

Em última análise, a indiferença é mortal. A apatia. O sentimento de impotência. E o silêncio ocioso que se segue. Pessoas, incluindo jornalistas, começam a pensar que de qualquer maneira não podem fazer nada. Foi o que aconteceu na Turquia e na Hungria e há muito que a Rússia e a China também o são. Isso também acontecerá nos Estados Unidos?

Quando a democracia começa a corroer, isso raramente acontece muito rapidamente. Olhando para trás, muitas vezes pode-se determinar o momento em que se tornou grave - geralmente foi através duma eleição. Como poderia a Turquia ter eleito Erdogan, a Rússia Putin, a Hungria Orbán e como os Estados Unidos poderiam ter escolhido Donald Trump com a consciência limpa? Quando o discurso político conduz a uma situação em que o discurso em si é substituído pela demagogia, e quando esse demagogo é trazido ao poder por um processo democrático, então é possível que a própria democracia seja substituída pela autocracia.

Tudo o resto acontece lentamente. Enquanto isso, alguns meios de comunicação continuam sonhando tornando-se ainda mais obsessivos na  rotulagem de qualquer pessoa que adverte contra a ameaça.

Então, aqui o temos nós: Donald Trump, um misógino e um homem de negócios racista que, verificadamente, fez 87 declarações falsas ao longo de apenas cinco dias da campanha eleitoral, não pode ser mais um candidato. Ele está sentado na Casa Branca. Aqui estão três ideias sobre este presidente americano que está no cargo desde 20 de janeiro.

  • Primeiro, nas duas semanas e meia desde seu terrível discurso de posse, ele demonstrou que fará o que disse: ordenará a construção de um muro na fronteira com o México, está a fazer decretos xenófobos e agita os aliados e as instituições internacionais da América e, também todos os aspetos da política global. Já ameaçou o Irã e a Coreia do Norte. Nada disto é uma surpresa, porque até mesmo os eleitores de Trump sabiam que o conselheiro Stephen Bannon é um homem que considera as guerras úteis.
  • Em segundo lugar, Trump também está a mostrar que vai fazer muito do que não anunciou na campanha. Ordenou aos cientistas que não conduzissem ou publicassem pesquisas sobre temas que ele não aprovasse. Diz que a mudança climática não existe e di-lo com seriedade.Ficou parado enquanto um de seus confidentes mais próximos inventou o termo "factos alternativos" para criar uma realidade paralela. Trump leva os filhos com ele para reuniões de alto nível, contratou o seu genro como conselheiro da Casa Branca, poupou países onde faz negócios de sua proibição de viajar a cidadãos de estados predominantemente muçulmanos, não se desfez das suas explorações da companhia, não libertou as suas limitações de impostos (apesar de se comprometer a faz-lo) e teve mesmo o seu conselheiro Kellyanne Conway que os eleitores não se importaram. Agora quer desfazer regulamentos bancários para que "meus amigos" possam ter acesso mais fácil ao dinheiro. Ele está abrindo caminho para ganhar dinheiro e enriquecer-se ainda mais no escritório?
  • Terceiro, Trump já provou o que já sabíamos sobre ele. A perceção que as pessoas têm dele é mais importante para Trump do que qualquer outra coisa. Nada foi mais importante para ele nas duas primeiras semanas e meia de mandato do que o tamanho da multidão na sua tomada de posse. Trump é um mentiroso crónico e prova isso num tweet após o outro. Trump despreza os media (a que chama "partido de oposição" e diz "Como sabe, eu tenho uma guerra com os meios de comunicação"), bem como o ramo judicial sob a forma de "chamados juízes" que não o deixam governar à maneira que deseja. Enquanto isso, Trump afirma que as pessoas que protestam contra ele são "pagas".

Não é de todo absurdo supor que, se a resistência não se organiza e põe em campo isto continuará.

Cada vez menos pessoas estão a participar nos protestos porque, lentamente, as pessoas estão perdendo o interesse e um sentimento de impotência está a ser sentido. Os media estão a voltar-se para questões mais suaves e mais divertidas porque causam menos problemas. Os políticos que haviam jurado resistência notarão que a vida é mais fácil se se submeterem. As empresas também obterão contratos quando os apresentarem. Muitas pessoas tornar-se-ão ricas e crescerão na sociedade quando se submeterem. E se não fizerem isso, verão como os outros fazem. Isso é, como formar autocracias - "não pelo diktat e violência", David Frum escreveu no The Atlantic revista, mas através do "processo lento de desmoralização, de corrupção e fraude."

O DER SPIEGEL, advertiu contra Trump numa reportagem de capa, no início de 2016. Seguimos com outra reportagem de capa, " Cinco Minutos para Trump ,"sete semanas antes da eleição. Cometemos erros, mas subestimar Donald Trump não era um deles. No sábado (4 de fevereiro de 2017), publicámos uma reportagem de capa ilustrada com uma caricatura desenhada por Edel Rodriguez, um imigrante cubano que vive em Nova Jersey. A imagem mostra um homem gritando sem olhos ou nariz, mas facilmente discernível como Trump, segurando a cabeça decapitada da Estátua da Liberdade em uma mão e uma espada sangrenta na outra. "America First", afirma - não há nada mais para ver ou ler - qualquer outra coisa, como com toda a arte, é uma questão de interpretação.

Impressionante ", escreveu o Washington Post. A revista política Mother Jones descreveu como " uma declaração e tanto ." Os manifestantes também usaram a imagem da capa em cartazes em protestos nas ruas de cidades em toda a América. "A imagem da capa espetacular está a circular aqui nos EUA e as pessoas estão todas a gostar", escreveu a romancista Irene Dische de Nova York. Nós também fomos inundados com cartas apaixonadas de leitores aqui na Alemanha, com respostas normalmente indo em duas direções - ou é "brilhante" ou "que está doente, você deve ver um psicólogo." Alguns reclamaram porque a imagem era muito brutal.

A autoridade bild.de, o site de notícias do maior jornal sensacionalista da Alemanha, levou ao Twitter para criticar habilmente DER SPIEGEL. Não desperdiçou palavras sobre a alienação, a caricatura ou a liberdade de expressão. Em vez disso, alegou que SPIEGEL tinha retratado Trump como um terrorista do Estado islâmico, como se fosse algum tipo de fotomontagem. Esta interpretação desigual pavimentou o caminho para uma onda de raiva de indignação. Mas os colegas mais graves em meios de comunicação como o Süddeutsche Zeitung e Frankfurter Allgemeine Zeitung também escreveram que DER SPIEGEL foi longe demais. O  que depois de tudo, podemos esperar?

Em Kress , uma publicação de comércio da indústria de media líder na Alemanha, o jornalista Franz Sommerfeld escreveu: "Se Trump é uma emergência, então é função dos media tocar o alarme da maneira mais sólida e mais informativa possível, tal como o novo Spiegel fez. Isso, naturalmente, inclui também caricaturas e outras formas de confronto jornalístico".

Afinal, o que devemos esperar?

Para Trump mostrar o que para são negócios? Ele já está fazendo isso. Para ele começar sua primeira guerra?

Para que os EUA desapareçam, para que seu povo suporte Trump e permita que um processo comece a se tornar irreversível?

Donald Trump não decapitou uma pessoa na capa de DER SPIEGEL, ele decapitou um símbolo. A Estátua da Liberdade tem servido como símbolo da América da liberdade e da democracia desde 1886 - que acolhe refugiados, migrantes, "os sem-teto, excluídos", de acordo com a inscrição que ele carrega. Donald Trump despreza e ameaça a democracia liberal, despreza e ameaça a ordem mundial ele é o homem mais poderoso do planeta. A emergência já está sobre nós.

Publicado por Manuel Rodrigues às 19:43
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Sábado, 9 de Julho de 2016

Convergência com o pensamento dominante ou punição

UE Castiga Portugal.pngMuitos, como eu, estarão fartos e exaustos das políticas da U.E. apesar de sabermos da inoportunidade e perigos que poderão advir duma saída daquele agrupamento de países que pretendem impor um pensamento único de cariz ortodoxo.

A U.E. é uma espécie de Cérbero, cão de três cabeças que guarda as portas dum mundo no qual não se impede a entrada, mas impede-se a saída.

Quando alguém chega, Cérbero faz a festa, tece elogios. Quando alguém quer sair desse mundo ele impede sua saída a todo o custo. Cérbero torna-se assim um cão feroz e temido por todos. A U.E. é uma espécie de diretório multicéfalo com orientação de pensamento único de maioria dominante que pretende impor regras e submeter os mais fracos. Neste clube que domina o Parlamento Europeu encontram-se o PSD e CDS-PP que apoiam medidas mesmo que elas vão contra os interesses de Portugal, até quando se encontravam no poder.

Tudo funciona como uma espécie de bullying contra um aluno que se tem esforçado e tem conseguido, em parte, ser cumpridor embora, ultimamente, tentando um caminho diferente.

Quem manda na U.E. vê as coisas deste modo: há vários caminhos mas o único a seguir é aquele que nós impomos mesmo que, no fim desse caminho, seja a queda num precipício.

Nesta última semana o Brexit deixou de ser o prato do dia apesar das técnicas da confeção do cozinhado serem mais difíceis do que o problema português. Todavia, Portugal passou a ser um fator de de distração para os problemas de que enferma a U.E..

É mais do que evidente que as declarações sobre Portugal oriundas dos responsáveis máximos desta união de pensadores pretendem que não seja posta em causa a teoria do pensamento único. No livro, “A Realidade é Real?”, que li há muito, mas cuja leitura recuperei, Paul Watzlawick, escrevia no prefácio da página 7 o seguinte axioma: “A ilusão mais perigosa de todas é a de que existe apenas uma realidade.”

Os defensores dos argumentos do chamado “pensamento único” num mundo globalizado tanto a nível económico como a nível da informação, e, a sua inevitabilidade como fator de desenvolvimento, esquecem o conceito de democracia emergente nos finais do Século XX.

A filosofia do “pensamento único”, está a impedir, deformar, destruir, o livre pensamento, a discussão de ideias, a democracia participativa, a soberania e estados nacionais, a promover o controlo da comunicação social, caminhando para a restrição dos direitos humanos, etc., criando nos atores secundários que são as populações de países soberanos uma visível sonolência.

Em termos ideológicos os impositores desta “nova doutrina” na U.E. pretendem ser os apóstolos da única verdade impingindo aos países a crença de que ela é irreversível e que ou se adere a ela ou se fica à margem da História e do desenvolvimento.

Caso paradigmático é o que se tem passado nos últimos meses com adiamentos sucessivos sobre as ditas sanções a Portugal e a Espanha, neste último caso justificando o adiamento da decisão devido às eleições. Podemos tirar inerentes conclusões. Se a direita ganhasse por uma maioria confortável, o que não foi o caso, tudo ficaria solucionado e o caso encerrado com as desculpas do costume. Como assim não foi há que castigar o infrator, o povo espanhol, que votou contra o pensamento único votando numa maioria de esquerda, embora sem entendimento a nível das cortes espanholas.

No caso de Portugal a coisa é mais complicada e causa frenesim nos senhores “donos” da U.E. por ter sido possível um entendimento para uma maioria de esquerda parlamentar que sustenta um Governo do Partido Socialista no poder. Isto não agrada aos senhores da direita da U.E., onde se encontram o PSD e o CDS, portanto, há que castigar o povo que votou fora do pensamento dominante.

Apenas ensaístas, comentadores e políticos da cegueira neoliberal sabem que ficaria comprometida a política da ortodoxia vigente na U.E. se vier a ter sucesso outra política, colocando em causa o princípio do não há alternativa.

Para constatar o facto, basta analisarmos as declarações dos ex-governantes e representantes do calhambeque que forma agora a oposição ao Governo em Portugal.

Maria Luís Albuquerque fez afirmações que apenas constatam o que escrevo. Disse ela que “Se eu fosse ministra das Finanças a questão das sanções não se colocava”. Isto é, se Passos Coelho fosse ainda primeiro-ministro não haveria sanções mesmo que o défice do 3%fosse ultrapassado? É a comprovação de que há, de facto, uma retaliação da U.E. porque Portugal deixou de ter um Governo que deixou de seguir a via do pensamento único e da subserviência.

Outra pressão intencional, especulativa, com base numa falsidade, veio há dias do ministro das finanças alemão Wolfgang Shäuble ao afirmar que Portugal está a pedir "um novo programa" e que "vai consegui-lo". Claro que veio de seguida a corrigir dizendo que "Os portugueses não o querem e não vão precisar de um segundo resgate se cumprirem as regras europeias". O que é isto senão uma forma de pressão causando instabilidade nos mercados e sobre a dívida portuguesa. A justificação, para além de distrair sobre o Brexit devido é a de em Portugal não estarem no poder partidos de subserviência e seguidores de pensamento único, tão do seu agrado.  

Há uma justificação que se pode avançar: se em Portugal a aplicação de outro caminho e de outras políticas alternativas tiverem eventualmente sucesso isso poderá comprometer a credibilidade dos defensores do não há alternativa a da aplicação de austeridade cega, extrema e contínua em países mais vulneráveis. A Wolfgang Schäuble isso não interessará que fique no seu “currículo”.

Não é admissível que responsáveis da U.E. ponham publicamente em causa a credibilidade e a confiança dos mercados sobre um país, membro de pleno direito, que tem feito os possíveis para cumprir as regras, interferindo ainda que indiretamente na sua política interna.

A Alemanha sempre teve e continua a ter ambições hegemónicas na U.E.. O final da guerra fria, (que agora passou a estar, outra vez, parece, em cima da mesa), com o desmantelamento da eis União Soviética veio facilitar-lhe aquela ambição de dominação.

Na ótica do desvio ao pensamento único, os meninos desestabilizadores, mal comportados, entenda-se que não escolham os seus governos de acordo com a linha dominante, devem ser repreendidos e castigados de forma persecutória. Não de verifica o mesmo empenho dos dirigentes da U.E. a criticar quando são eleitos governos de extrema-direita que limitam liberdades nos seus países.

Na U.E. a liberdade democrática através do voto popular está estabelecida e garantida, mas desde que esteja em linha a orientação oficial dominante, caso contrário o caldo está entornado.

A Alemanha e países alinhados terão pretensões de caminhar para uma U.E. menos democrática. Senão, leia-se o documento preparado por Wolfgang Schäuble, ministro das finanças alemão, publicado pelo jornal alemão Handelsblatt que pretende que uma entidade independente, separada da Comissão Europeia faça a análise dos orçamentos dos Países-membros da EU entre outras reformas ainda pouco claras quanto aos intuitos.

Afinal, o que se pretende é a ingerência nos Estados de modo a limitar cada vez mais a soberania de (apenas de alguns!) países apesar de membros dum clube de ricos.

 

Na política, e no Euro 2016 que ganhe Portugal!

Publicado por Manuel Rodrigues às 19:56
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Terça-feira, 19 de Abril de 2016

Panfletos na revolução do 25 de Abril

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Estamos a caminho de mais um ano de celebrações da Revolução do 25 de Abril que este ano comemora os seus 42 anos. Para os mais jovens que já nasceram, felizmente para eles, em democracia talvez esta data nada lhes diga porque sempre viveram num contexto de liberdade em que por vezes o  “conflito” e o “confronto” são salutarmente democráticos.

Muitos proclamam por aí em à roda de mesas de cafés e restaurantes “os partidos não se entendem!”. Ainda bem, porque se assim não fosse cairíamos num unanimismo de ideias e de opiniões que poderiam conduzir num sentido de aplicação políticas lesivas de todos. E mesmo assim é o que se vê.

Em alguns países da União Europeia partidos de direita atraíram para a sua esfera governativa outros partidos de centro esquerda e centro direita. Em alguns desses mesmos países o seu desenvolvimento permite-lhes governar sem lesar a sua população mantendo um nível de vida global aceitável por todos, o que não tem acontecido em Portugal. 

Hoje vou recuar ao tempo da “guerra” panfletária do início dos conturbados anos da revolução apresentando alguns panfletos partidários da época que pode ser consultados aqui.

A maior parte é da autoria do PCP porque, na altura, era este partido que se autointitulava de vanguarda e monopolizando todas as lutas que desencadeava e, daí, a sua produção exaustiva de material panfletário, muito dele demagógico e provocador de contestações várias.  

Ao longo de todos estes anos a democracia foi sendo progressivamente utilizada e apoderada por grupos de famílias e de interesses, alguns, talvez a maioria, marcadamente de direita. O conceito político de direita não deveria ter uma conotação negativa mas, neste caso, posso aplicá-lo como tal, visto se aproveitaram da democracia para próprio benefício. A constatação desse aproveitamento tem vindo ao de cima pelo menos ao longo dos últimos dez anos.

O PPD – Partido Popular Democrata que posteriormente passou a ser PPD-PSD Partido Social-Democrata era um partido cujos princípios programáticos correspondiam à própria designação. Com Passos Coelho e seus apoiantes o partido descaracterizou-se e da sua genética inicial passou a ser explicitamente de direita, embora o pretexto arranjado para abandono daqueles princípios tenha sido a intervenção do ajustamento. Alguns dos seus mais fiéis e históricos dirigentes acoplaram-se ao novo modelo instigado pelo seu recente líder que apenas se mantém para poder captar votos mais pelo “look” do que por qualquer outra razão.

Foi com eles que se fincou a tentativa para desvalorizar a data histórica do 25 de abril nomeadamente com o objetivo de a fazer esquecer na população mais jovem. Essa tentativa incidiu também noutras datas marcantes da nossa história. Tentativa de minimizar os valores históricos, coadjuvada por muitos adeptos dessa nova filosofia desvalorizadora como por exemplo o economista e “insigne” comentador Camilo Lourenço que chegou a insinuar um dia que a disciplina de história não teria interesse ser aprendida e que deveria de acabar nos currículos. Se não foi isto foi aproximado.

Com uma democracia não menos estável do que as de outros países não se vislumbraram ao longo destas décadas investimentos saudáveis, salvo casos particulares mesmo quando governos do centro e do centro-direita se encontravam no poder. Os investimentos privados de capital nacional, efetuados após a revolução, foram provenientes alguns dos que já existiam que não abandonaram Portugal e outros constituídos de novo criaram postos de trabalho, aos quais devemos fazer a devida justiça. Podemos citar dois exemplos como Belmiro de Azevedo e Alexandre Soares dos Santos, dois dos mais ricos de Portugal cujas fortunas foram amealhadas já no pós-25 de Abril em alturas até com alguma instabilidade política. Estes dois exemplos são sinónimos não apenas de duas grandes fortunas mas também das duas maiores companhias nacionais, mau grado aos que levam o capital para outros países onde pagam menos impostos. Não é, portanto, por culpa da Constituição da República, como alguns setores da direita nos querem fazer crer, que não se investe em Portugal.

Quando a direita está no poder tem feito tudo para anunciar que as reformas são condição necessária sem a qual não há investimento, nem captação de capital nacional e estrangeiro que gere criação de riqueza, (resta saber a quem está destinada a maior parcela do bolo), e criação de postos de trabalho. O que se tem visto é que o investimento privado em áreas produtivas para a tal criação de riqueza tem sido diminuto.

Durante os últimos vinte ou trinta anos tudo a economia centrou-se no consumo para onde bancos e empresas estiveram sempre orientados, descurando o estímulo à poupança, vista não como forma radical de congelação e repouso de todas as formas de rendimento que impossibilitam o consumo e a consequente paragem a produção. Se assim fosse haveria ainda mais desemprego e menos rendimento para ser aplicado em bens de consumo fazendo com que o sistema produtivo deixasse pura e simplesmente de existir.

Todos os partidos da esquerda moderada e do centro não têm conseguido, nem feito para que isso aconteça, especialmente o último Governo do partido dito social-democrata, cuja reforma do Estado passava só e apenas pelo aumento dos impostos, cortar nas reformas e nos salários da função pública. Eram os bombos da festa de Passos Coelho.

Em quarenta e um anos muito se fez num país que nada tinha a não ser uma classe média que lá se ia mantendo mas que de política não convinha nem falar. Mas há que contemplar muita dessa classe média, intelectuais, clérigos seculares e não seculares que ajudaram e participaram ativamente para que hoje fosse possível a todos poderem exprimir-se livremente apesar de, como em tudo, haver excessos.

Se os mais novos pudessem regredir numa espécie de viagem no tempo até essa altura e comparassem Portugal de então com o atual veriam uma diferença abissal, não apenas ao nível das infraestruturas mas também ao nível social.

Publicado por Manuel Rodrigues às 17:21
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Terça-feira, 17 de Novembro de 2015

Parcialidade de um presidente

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Uma breve referência ao que se passou em Paris. Foi um exemplo lamentável do terror praticado contra a democracia e as culturas europeias que causou indignação mundial. Que mais se pode esperar de quem não respeita a sua própria cultura e regressa a um estado de barbárie? Esperemos que estes atos de extrema violência não sirvam de pretexto para que alguns ditadorzecos que por aís andam comecem a gritar aos quatro ventos, agitando os papões da segurança, dando oportunidade para porem em causa a liberdade democrática.

*

*   *

Vamos então voltar à nossa República começando pela expressão "ter dois pesos e duas medidas" segundo os Novos Dicionários de Expressões Idiomáticas – Português, Lisboa, Edições João Sá da Costa, 2006, «diz-se de pessoa que não usa de imparcialidade, isenção, equidade em seus juízos, atos, decisões», isto é, julgar de forma parcial duas situações iguais. Aquela expressão aplica-se na íntegra ao atual Presidente da República que tem demonstrado a sua aplicabilidade na prática corrente da sua política.

É o exemplar perfeito da falta de carácter político. Revanchista, tendência para ditador que, infelizmente para ele, não pode exercer como acha que deveria. Utiliza o poder que lhe foi concedido pelos eleitores para impor a sua vontade e do seu partido.

Nas suas intervenções proclamava a instabilidade governativa como prejudicial a Portugal sugerindo esse facto como prejudicial caso a coligação de direita não ganhasse maioria absoluta que agora parece ter deixado de ter qualquer importância. Num regresso ao passado relembra agora que ele, quando primeiro-ministro, e que no tempo de José Sócrates, que agora já serve de exemplo, também houve governos de gestão.

Ainda hoje numa missão de propaganda do ex-governo que protegeu voltou a elogiá-lo e regressou mais uma vez ao passado. Este Presidente não é mais do que uma pouca-vergonha para Portugal. Uma mancha na história da nossa democracia.

Os mercados, os credores já não são relevantes. Provavelmente, Cavaco Silva estaria interessado em que reconhecessem que havia instabilidade governativa para poder justificar as decisões políticas mal-amanhadas que viesse a tomar. Parece que os tais mercados não até hoje não o demonstram porque Lisboa dispara 2,5%. A melhor sessão desde as eleições. Isto também foi devido ao anterior Governo ou ao de gestão de Passos Coelho?

 Onde estão agora os superiores interesses da nação? O que diz e o que faz são antagónicos. "Agrei sempre…, mas sempre de acordo com os interesses superiores de Portugal...", proclama. Mas será? A prática não o confirma.

Cavaco Silva, enquanto Presidente, diz que não é político. Mas que afirmação mais disparatada. Não terá a função de Presidente da República, um dos órgãos de soberania, uma função também política. É um político até de mais agravado pelo seu partidarismo porque age como um Presidente partidário.  

Publicado por Manuel Rodrigues às 22:18
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Sexta-feira, 21 de Agosto de 2015

A essencial derrota

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É essencial que no dia 4 de outubro seja infligida uma derrota significativa à coligação no Governo, por dois motivos também essenciais. Em primeiro lugar para se mudarem as políticas seguidas nos quatro anos do Governo de Passos Coelho que, ainda há bem pouco tempo, reafirmou que eram para continuar. Ao mesmo tempo, mostrar que há outras vias que não a duma direita neoliberal retrógrada submissa ao estrangeiro que não tem mostrado qualquer espécie de dignidade. Aliados na Europa sim, mas sem subserviência. Em segundo lugar, para que o PSD renove a sua liderança e retire de campo esta rapaziada fogosa que tem atormentado o país.

A irresponsabilidade pode ser de vários tipos. Os que não reconhecem a autoria do que fizeram: “não fomos nós, foram os outros”. Outros dizem: “não fomos nós foram as circunstâncias” o que de certo modo os pode desculpar. Ao fazermos escolhas que nos vão governar durantes quatro anos somos por vezes empurrados pelo sistema político e económico vigente e pela sua propaganda, influenciados pelo exemplo de outros como vizinhos, amigos e familiares, que fazem também a suas campanhas privadas onde prevalecem medos, ignorância, falta de informação política, a não ser a que lhes “vendem” e que condicionam as nossas opções e liberdade de escolha que deve ser só, e apenas nossa. Quando admirados perante os resultados o abstencionista afirma que não sabia que seriam estes os resultados da sua ação e não se considera responsável por eles. Mas também foi.

Não podemos ser apenas meros sujeitos arrastados pelas circunstâncias e propaganda que nos impingem. Só seremos verdadeiramente livres em democracia se expurgarmos os medos e os fantasmas com que nos ameaçam e fazermos escolhas de acordo com a nossa consciência e não de acordo com a dos vizinhos ou amigos.

Neste momento a opção é escolhermos entre continuar a ficar encarcerados numa prisão, vigiada pelo mesmo carcereiro, que nos diz que iremos mudar para uma cela melhor sem ter mais celas disponíveis, ponto de vista da coligação ou, então, matar o carcereiro (em sentido figurado, claro) para lhe tirar as chaves e sair em plena liberdade.

Para bem da nossa democracia o PSD da coligação deve perder as eleições para se renovar e poder recuperar as suas raízes de modo a voltar a ter a credibilidade que perdeu com a gente que o capturou para seu interesse pessoal e político e que tem prejudicado o partido pela ânsia de poder. Não necessariamente regressando a um passadismo, mas aproveitar os jovens com honestidade política e fiéis à matriz social-democrata. Estou à vontade para o dizer convicta e desinteressadamente porque não pertenço a essa área ideológica e partidária.

O PSD necessita de uma renovação por dentro e de renovação do discurso para fora. Como, com a atual liderança não se consegue renovar por isso pede continuamente, tendo como suporte a Presidência da República, (agora perto das eleições com menos insistência), compromissos e consensos, muletas necessárias para a sua sobrevivência enquanto partido que pretende continuar a ser poder.

Quanto ao CDS e a Paulo Portas vale mais que se mantenha do que vir outro pior que por lá apareça para ocupar o lugar. Pelo menos, Paulo Portas, sempre nos vai divertindo com a sua linguagem anafórica e com as tuas tiradas eloquentemente demagógicas e  demissões irrevogáveis.

O distrito de Viseu, onde me encontro de momento, é um caso de estudo. No que respeita à votação nas várias eleições, exceto nas legislativas de 2007, o PSD tem obtido sempre a maioria de votos.

Particularmente, fora do centro urbano Cavaco Silva deixou o seu cheiro que perdura e perdurará anos. É um cheiro a mesquinhez, bacoquice, conservadorismo levado ao extremo. O povo do distrito é politicamente acrítico e visceralmente conservador no que respeita à política do PSD. O seguidismo acéfalo pelo velho líder Cavaco que na altura se formou tem-se reproduzido ao longo dos anos. Se houvesse um partido que defendesse uma “democracia musculada”, seja lá isso o que for, era lá que Cavaco Silva estaria. Não é por acaso que o distrito é conhecido por “cavaquistão”. 

Publicado por Manuel Rodrigues às 17:29
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Segunda-feira, 13 de Julho de 2015

Humilhação ou o prenúncio da morte da democracia na Europa

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O que ontem e hoje se passou com a Grécia foi uma derrota e a tristeza da humilhação dum povo e a vitória de todos os que não gostam da democracia tal qual como ela existe. Isto é, obrigam a que a democracia e a governação de países soberanos sejam obrigatoriamente governados por de um só, ou dois partido em unicidade, normalmente sempre os mesmos.

Foi uma guerra, primeiro pela interferência no processo democrático interno da Grécia e segundo foi a ocupação de um país sem utilização de armas.

Tsipras foi, e é, um exemplo da resistência política e ideológica contra poderes dominantes que odeiam a democracia e a prática do voto tal e qual como existe.  

O que é estranho é que a dívida da Grécia é impagável e os credores sabem que o é. Todavia aceitam emprestar mais dinheiro, mesmo mediante condições, sabendo que a economia não vai resistir e que a dívida continuará a ser cada vez mais impagável.

Será que os prestamistas entraram numa crise de estupidez grosseira? Deixa-nos a pensar!

A partir de hoje a União Europeia passou a estar em perigo. Está em curso a falência democrática e aberto caminho para o seu défice democrático. Neste contexto considero défice democrático a ocorrência que se dá quando organizações ou instituições, aparentemente democráticas, elas mesmas constituídas por governos aparentemente democráticos, ficam aquém de cumprir princípios da democracia nas suas práticas ou operações que digam respeito aos povos.      

É a morte da democracia na sua plenitude promovida por países cuja ambição é a de submeter outros que não sigam as suas regras ditas democráticas por via de pressões económicas e de dependência financeira.

Agora foi a Grécia a ser submetida por países cujos regimes se dizem democráticos mas que, afinal, por preconceito ideológico, fazem exercícios de ditadura.

O senhor que se segue por favor!  

Publicado por Manuel Rodrigues às 23:46
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Sábado, 4 de Julho de 2015

A Grécia não é o Syriza nem o Syriza é a Grécia

Stiglitz, prémio Nobel da Economia em 2001 assume posições que colidem com as prescrições de política económica e reformas estruturais do FMI (Fundo monetário Internacional) caracteriza como equívocos, as condicionalidades que o FMI impõe às economias em crise financeira (e também cambial o que não é o caso de Portugal e da Grécia), em troca de ajuda financeira.

Vai ainda mais longe, critica as pressões do FMI para que os países que pedem ajuda promovam a liberalização de seus mercados financeiros e de suas contas de capital que produz instabilidade económica e financeira e impactos distributivos perversos, mais do que crescimento económico e eficiência locativa que é o mais alto nível de bem-estar social dada uma determinada oferta e procura.

Joseph Stiglitz autor do livro chama também a atenção que, não foram os gregos os grandes beneficiários dos resgates efetuados à Grécia. A maior parte do dinheiro emprestado à Grécia foi para lá mas para os credores do setor privado, bancos alemães e franceses.

O custo da dívida grega, per capita, (em euros) nos países mais expostos, em caso de perdão total da dívida.

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Fontes: Open Europe, Banco Mundial

 

Países da zona euro mais expostos à dívida grega

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Fontes: Open Europe, IESEG, Euronews 2015

Critica fortemente a zona euro firma que os representantes da zona euro estão a tentar forçar um Governo democraticamente eleito a ir contra os desejos dos seis eleitores.

A zona euro é para Stiglitz a “antítese da democracia” que acredita pode fazer cair o Governo do Syriza “ao intimidá-lo a aceitar um acordo que contraria o seu mandato”. Ainda para Stiglitz só há uma opção viável: os gregos devem colocar a democracia em primeiro lugar, rejeitando as condições da Troika. Ainda que o resultado continue a ser incerto, um voto a favor do “não” que permitiria à Grécia, “com a sua forte tradição democrática, deixar o seu destino nas suas próprias mãos”.

Para finalizar por agora devo dizer que não sou da área do Syriza, nem tão pouco pretendo entrar em sua defesa, mas tento distanciar-me nas análises que faço referindo-me agora aos noticiários televisivos onde a repetição e enfase com que foi por demais anunciada a falsa questão e o grande problema de os gregos poderem levantar apenas 60 euros por dia. Leia-se o que Raquel Varela diz sobre o assunto:

"Agora a comunicação social portuguesa tem tido uma cobertura superficial e histérica. Veja-se o caso dos famosos 60 euros. Uma desgraça porque os gregos só podem levantar 60 euros por dia. Alguém me diz quantos gregos têm 60 euros por dia para levantar?

1800 Euros por mês?

Porque não foi anunciado com o mesmo espanto e repetição a quantidade de gregos que por continuar a pagar a dívida «pública» há muito deixou de ter 60 euros por dia, educação, acesso à saúde?"

Será que alguém discorda? Se sim, diga-o com argumentos lógicos e fundamentados ou então cale-se. Provocação!

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 20:16
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Democracia: a nossa, a vossa e a deles

Faltam menos de 48 horas para o refendo na Grécia e as direitas europeias e portuguesa que, infelizmente, procuram deturpar os factos à sua maneira, interferem nos assuntos internos dum país soberano (?).

A democracia na União Europeia começa a estar em perigo. Através da miragem da adesão ao euro cuja permanência é vitalícia porque após entrar não há como sair e dos apetecíveis fundos países soberanos estão a ser "conquistados e ocupados" não pela força das armas mas por processos ínvios conducentes à passagem a protetorados passando pela perda de soberania e logo depois pela submissão mais vigorosa. Este é o que pretendem com o caso da Grécia como experiência exploratória para posterior alargamento a países mais frágeis como Portugal.

A interferência das instituições europeias nas eleições de países como a Grécia e Portugal direta tem sido uma evidência. Recorde-se o caso das eleições para o Parlamento Europeu em Portugal onde por várias vezes dirigentes europeus interferiram com conselhos, ameaças como as efetuadas por Durão Barroso.

Ter votado num partido diferente daqueles que a "democrática" União Europeia pretendia tem contribuiu para que fosse exercido um terrorismo, uma tortura psicológica e, sobretudo a criação de uma insegurança que os solidários governantes europeus exercem como castigo pelo atrevimento que tiveram em escolher quem pretendiam para o seu Governo.

Para os países que controla a União Europeia, nomeadamente a Alemanha e os países seus mandatários aos quais se juntam os subservientes, a democracia é só uma, a deles, a do poder alemão, e a do poder financeiro e mais nenhuma. O princípio para onde a Europa está a ser conduzida é a de manutenção no poder de partidos de ideologia única para o exercício de uma de forma de poder com forte controlo ditatorial disfarçado por laivos de democracia.

A democracia nos países mais frágeis da U.E., como a nossa em Portugal, está também em perigo porque o seu exercício está sujeito a influências e interferências exteriores em países supostamente soberanos que não teriam receber quaisquer recomendações, boas ou más, por parte das instituições europeias ou internacionais sobre os seus atos de escolha política e partidária.

A vossa democracia tem que ser aquela como nós a entendemos e queremos que seja e, quanto isso, não há como escapar, é a mensagem que transparece e nos chega da europa alemã.  

Uma coisa são manifestações de a favor ou contra, levadas a cabo por organizações e povos de outros países sobre acontecimentos (a nível estritamente político e não interferentes), outra são os responsáveis máximos e líderes políticos de instituições da U. E. que deveriam ficar distanciadas, o que não é o caso.

A questão da Grécia sempre foi financeira e económica mas deixou de o ser a partir do momento em que um partido como o Syriza ganhou democraticamente as eleições. O referendo que se vai realizar deveria ser um assunto deveria ser discutido internamente e a decisão, fosse qual fosse, democraticamente aceite.

O que se vê são as interferências descaradas das instituições europeias ora com ameaças, ora com ofertas de cenoura à frente do burro para o levar para onde queremos, ora através do medo e do terror propagado através dos media. É um terrorismo político.

O media, nomeadamente em Portugal dão notícias veiculando mensagens de voto no SIM na Grécia como esta em que se diz que "líderes europeus, mas também os media gregos, continuam a pressionar pelo voto no “sim”. Varoufakis diz que "há demasiado em jogo" para que a Grécia saia do euro e que a União Europeia quer fazer do país um exemplo para Portugal e Espanha".

A pergunta que é efetuada ao povo grego para responder no dia 5 de julho, ao contrário do que as direitas por essa Europa querem fazer crer não é a saída ou não do Euro mas é simplesmente responder se SIM ou NÃO "Aceitam um documento projeto apresentado pela Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional, na reunião do Eurogrupo realizada em 25 de junho?". Se vai haver ou não consequências para a Grécia sair do Euro isso depende exclusivamente da União Europeia.

Publicado por Manuel Rodrigues às 17:19
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Quinta-feira, 25 de Junho de 2015

Libertai Barrabás

O que se vem passando neste país nos últimos quatro anos, os acontecimentos dos últimos seis meses, nomeadamente na Grécia, e as sondagens que por aí se divulgam fizeram-me recordar uma passagem do Novo Testamento que passo a resumir.

Na antiga Judeia por ocasião da festa Pilatos o governador romano na região costumava conceder a liberdade a um prisioneiro à escolha do povo. Nessa altura havia um afamado criminoso e assaltante chamado Barrabás que tinha sido preso por causa de uma insurreição desencadeada na cidade, e por homicídio.

Jesus Cristo na altura era invejado e punha em causa o poder dos sacerdotes do templo e a organização social que então se vivia sob o poder romano que ocupava a cidade, isto é, Jesus apresentava outras alternativas para a época que tinha por base a construção de uma sociedade mais humanizada.

Então chegada a altura da condenação Pilatos perguntou à multidão que se encontrava reunido e perguntou: "Qual quereis que seja libertado: Barrabás ou Jesus Cristo?".

Os sumos-sacerdotes receosos da perda do poder e aqueles que pretendiam que nada fosse alterado naquela sociedade persuadiram a multidão a pedir que soltassem Barrabás e a exigir a morte de Jesus. Então Pilatos inquiriu: "Qual dos dois quereis que vos solte?". A populaça respondeu: "Barrabás, Barrabás!". "Que hei de fazer, então, de Jesus?". "Seja crucificado!".

Esta história bíblica é bem demostrativa do comportamento das populações quando condicionadas e alimentadas por ideias que lhes são induzidas previamente.  

As sondagens eleitorais têm vindo a demonstrar o medo e o receio de alternativas diferentes das que lhe impuseram durante anos. Pensamento típico do português que acha que mais vale ficar neste cantinho do que mudar para outro que pode ainda ser pior. Não pondera se pode ser melhor, mas aceita logo de imediato que pode pior. A quem pode interessar este tipo de atitude?

É a consequência da ordem lógica das coisas criada pelos princípios da política salazarista que tem persistido que é bem explorada por uma direita que gostava que tudo continuasse na mesma ainda que sob a capa duma democracia onde se pode dizer e a escrever umas coisas, a que chamam liberdade de expressão, e a eleições de quatro em quatro anos e, se possível, apenas em partidos a que chamam do arco da governação.  

O que faria a União Europeia se houvesse outros Syrizas a ganhar eleições? Tudo mudaria. É mais por isso que a UE pretende servir-se do exemplo da Grécia para evitar que volte a acontecer o mesmo noutro qualquer país. Esta é democracia da europa do euro.

Rejeitar partidos eleitos pelos povos impondo uma falsa democracia de com regimes de partidos únicos.

Jesus Cristo colocou em causa a sociedade da época e apresentava uma alternativa humanista, por isso, a populaça gritava "Barrabás, libertem Barrabás e crucifiquem Jesus" num ímpeto de vingança e com o medo da mudança.

Publicado por Manuel Rodrigues às 20:14
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Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2015

Democracia sim mas apenas para elegerem quem eu quero ou democracia hipócrita

Varoufakis_Schauble.png

 

No contexto europeu as posições tomadas contra a Grécia são demonstrativas duma democracia hipócrita que se está a viver na U.E. e se está a propagar por influência e pressão da Alemanha e outros países.

Estes políticos que Governam a Europa deixaram de ter sentido de Estado, e o respeito que seria suposto terem por estados soberanos. Para já não falar do primeiro-ministro e do Presidente da República, este último há muito que passou a ser mais uma figura de estilo e uma espécie de assessor do Governo, as declarações de Schäuble passaram as raias do bom senso democrático que se lhe exigia ao afirmar que "gregos elegeram um governo de irresponsáveis".

Schäuble anda irrequieto e nervoso e está a perder a calma que seria suposto manter. O jornal Público de hoje relata que "O porta-voz do Governo grego começou por dizer que a Grécia "não se deixa chantagear com ultimatos”. E depois de Schäuble ter afirmado antes da reunião do Eurogrupo “ter pena” dos gregos que elegeram um Governo “irresponsável”, Tsipras respondeu na mesma moeda, declarando aos deputados do Syriza que o ministro alemão “perdeu a calma” durante a reunião e que teria tecido considerações insultuosas sobre a Grécia.

O que ele chama simultaneamente de irresponsáveis é ao povo grego que se defende da humilhação social a que foi submetido por outros países que seria suposto serem parceiros. A história mostra que houve momentos em que países soberanos que não se submetendo voluntariamente a outro a isso foram obrigados pela força das armas. Agora a capitulação obriga-se com outro género de forças e de ameaças.  

 O que são governos responsáveis para aquele senhor que faz afirmações pró-totalitárias? Serão por acaso governos que gostaria de impor através dum partido por ele escolhido? Talvez partido único?!

Com um descaramento despudorado afirmou ainda que "a Grécia estava no bom caminho para resolver a crise até que chegou o novo governo presidido por Tsipras". Especialistas e pessoas de boa-fé sabem que não será possível a um país totalmente devastado pela austeridade e com uma dívida pagável apenas em centenas de anos resistir com a aplicação das mesmas medidas, a não ser que Schäuble esteja a pensar em tornar a Grécia um colonato ou um protetorado alemão.

Por aquelas declarações parece estar subjacente um espírito antidemocrático que vai naquelas cabeças e que pretendem condicionar negativamente, e de forma revanchista, as posições políticas e técnicas para a resolução dos problemas do povo grego.

Há por aí no nosso país comentadores do CDS como Nuno Magalhães que pretendem fazer inverter o processo dizendo que quem está a pressionar a Alemanha e a europa é a Grécia! Isso era como se a Grécia tivesse uma capacidade de pressão tal que colocasse a Alemanha nervosa. De facto Schäuble parece estar nervoso mas por não querer perder a razão que julgava ter para debelar a crise da UE através da austeridade extrema. Portugal é agora o seu argumento.

Portugal está metido numa europa onde uns países pretendem subjugar outros, normalmente os mais fracos cruzada apoiada internamente por germanistas traidores que se refugiam nos tratados e compromissos.

Portugal serve agora de exemplo, qual animal exótico metido numa jaula, para mostrar ao clube europeu a rasto da Alemanha que o caminho seguido foi, é ou será o correto e o único possível. Isto com a conivência dos Pétains que nos governam. Alguns canais de televisão, talvez sem se aperceberem (!), fazem de bons servidores e lacaios do Governo porque lá vão alinhando noticiários propagandísticos de elogios, insistindo em factos que, apesar de verídicos, são facciosa e tendenciosamente apresentados. Um exemplo? O exagerado caso do pagamento antecipado do empréstimo concedido pela troika a Portugal que o Eurogrupo vai autorizar como se de um grande feito se tratasse que não foi mais do que uma estratégia inteligente que qualquer governo faria. Pediu dinheiro a juro mais baixo para amortizar uma dívida que estava a juro mais elevado. Mas, alguns órgãos de comunicação social mão divulgam com a mesma insistência que o dinheiro foi captado nos mercados a juros mais baixos e ainda bem.

Publicado por Manuel Rodrigues às 13:36
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Terça-feira, 7 de Outubro de 2014

Presidência asfixiante

O discurso do senhor Presidente da República no dia das comemorações da implantação da República, dia da libertação de uma monarquia opressora, sugere algo que denomino por instauração dum PEPU, Processo em Curso para Partido Único. O discurso daquele senhor esquece premeditadamente o que se está a passar na governação deste país e debruça-se sobre questões sobre a democracia e o mau contributo dos partidos.

Portugal é hoje um país apático, parado que corre no mesmo sítio sem de lá sair. Este Presidente pretende a manutenção a todo o custo deste PSD, para que o país não possa respirar fundo, propõe, para isso, uma espécie de mono partidarismo disfarçado  de consenso, asfixiando desta forma a democracia.

Mas, afinal, o que quer o Presidente menos popular de sempre? Quer que os partidos sejam política e ideologicamente isomorfos? Para ele os partidos e a democracia são uns empecilhos que devem ser reformulados de acordo com a sua indiscutível forma de pensar.

Cavaco Silva, Presidente da República, que deveria ser a salvaguarda das instituições democráticas resolveu, aproveitando os críticas de café aos partidos políticos, dissertar sobre o sistema partidário para regozijo do governo cujos partidos da sua constituição tem apoiado sem qualquer sombra de disfarce e pudor político.

Obviamente que o seu "estado de espírito" subjacente é desviar a opinião pública dos problemas concretos na justiça e na educação, estes os mais graves, que foram criados pelo "seu partido" no governo.

Como noticia hoje o Jornal i, não foi por acaso que o PSD, na voz do seu secretário-geral Matos Rosa, veio dar a sua concordância ao desafiar António Costa a juntar-se ao seu partido para reformar o sistema político, o que lhes interessa. Agora, a meses das eleições, e já em plena campanha pré eleitoral!? Como é evidente as alterações tão apetecidas implicam uma alteração à lei eleitoral.

O que pretendem de facto ele e o "seu partido" é uma reforma ao sistema de democrático aproveitando algum descontentamento manifesto nas chamadas "bocas populares de café", que dizem que os partidos que não se entendem (como se eles existissem para se entenderem!), de modo a reduzir os mandatos dos pequenos partidos que deixariam de ter uma representação parlamentar significativamente proporcional.

Portugal passaria a ser uma democracia coxa, isto é, qualquer um de nós, que não se sentisse representado pelos partidos da alternância teria poucas hipóteses de o ser através de outros partidos. Matavam dois coelhos de uma queixada só, primeiro, limitavam ou anulavam a voz aos pequenos partidos; segundo impossibilitavam outros partidos de terem assento no parlamento. Ficaríamos com um parlamento ao velho estilo da União Nacional que deve ser tão saudoso a Cavaco.

Para alcançarem lugar no parlamento alguns partidos recorreriam a toda a forma de populismo e de demagogia para terem votos e se fazerem lá representar.

Senhor Presidente, não queira escavacar mais a nossa democracia transformando-a apenas na mera formalidade de se colocar, sem convicção, um pedaço de papel numa urna de voto para manter tudo na mesma numa ilusão da existência de “direitos humanos”, “democracia”, “livre expressão”, “livre iniciativa”, “pluralismo”, “multipartidarismo”. O Senhor Presidente gostaria que se estabelecessem com "o seu partido" consensos e acordos, para transformar o voto numa espécie de legitimação de partido único, passando a pluralidade partidária a não ser mais do que mera fachada, e o parlamento um órgão monolítico que punha de lado a escolha de um modelo de sociedade, o estado social, que estão a transformar num embuste, assim como ao estado de direito.

As palavras do Presidente da República no cinco de outubro de 2014 não foram mais do que linguarices, apesar de Miguel Sousa Tavares ter dito na SIC que foi o seu melhor discurso. Resta-me perguntar o que teme Cavaco Silva, o Presidente ????

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 17:46
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Domingo, 18 de Maio de 2014

Conter o avanço da direita e da extrema-direita nas eleições europeias

 

A União Europeia com as políticas de austeridade que tem imposto, por força da Alemanha, tem andado distraída e está a dar lugar ao surgimento de e fortalecimento de movimentos populistas da extrema-direita cujos discursos anti Europa e anti-imigração tentam interpretar o sentimento dos povos, incentivando e fazendo apelo a sentimentos nacionalistas, xenófobos e racistas. Ao mesmo tempo, mascarando-se com roupagens e linguagens de falso apoio ao Estado social, apropriam-se de conceitos e ideias chaves utilizadas pelos partidos de esquerda.

Há dois exemplos que muito nos devem preocupar, a nós portugueses enquanto cidadão de Portugal e pertencentes, quer queiramos, quer não, a uma União Europeia mesmo que a muitos nada diga. O primeiro, na França, parece muito longe mas não é, onde o Partido da Frente Nacional de Marine Le Pen está à frente nas sondagens. É dada como a vencedora das europeias com cerca de 24%, seguida pela UMP (União para um Movimento Popular) partido de direita de Sarkozy com 22%  e, em terceiro lugar, o Partidos Socialistas Francês com 18% a 20%.  A FN atualmente com três eurodeputados está a prever chegar aos 20 eurodeputados nas próximas eleições do dia 25 de Maio.

Na Holanda, o partido da extrema-direita PVV, Partido da Liberdade holandês de Geert Wilders entre outros tais como Liga do Norte italiana, o FPOe Partido da Liberdade da Áustria, o flamengo Vlaams Belang, os Democratas da Suécia e o SNS Partido Nacional da Eslováquia -deverão eleger ao todo cerca de 40 eurodeputados.

É muito natural que, se uma maioria de direita e extrema-direita forem eleitas com maioria de eurodeputados, através de arranjos e combinações de conveniência possam cooperar em matérias vão contra os interesses das populações e da desvalorização do trabalho, direitos sociais e Estado social, o que, se sem dúvida se irá refletir em Portugal.

Atualmente a Frente Nacional encontra-se inscrita no grupo dos "Não Inscritos" no Parlamento Europeu, isto é, não está inserida em nenhum grupo. Todavia, é muito bem possível que as extremas-direitas se unam e forme um grupo próprio como a própria Le Pen já afirmou.

A história tem-nos dados exemplos do caminho a que conduzem os populismo de direita e de extrema-direita e os seus discursos falsamente apoiantes de sistema sociais prósperos, recuperar a liberdade, a segurança e a prosperidade, como a própria Le Pen tem afirmado em campanha eleitoral em França que acabam por desembocar, quase sempre, em ditaduras mais ou menos violentas mas, todas elas ditaduras.

Nós, por cá, parecemos estar longe com tudo isto a passar-se aqui ao nosso lado. Uma forte votação nas esquerdas poderá colocar um pouco de água na fervura das direitas radicais e extras-direitas que, passo a passo, começam a mandar e a comandar a Europa que vai ditar muito de tudo aquilo que não queremos ser e que, ao longo de 40 anos, ambicionámos.

Devemos apelar aos mais jovens, que desconhecem o que é viver com uma extrema-direita a governar o seu país, para estarem alerta para a falsidade dos símbolos verbalizados que lhes propõem, e tão do agrado da juventude, mas que não são mais do que armadilhas para a conquista de um poder que, rapidamente, limitará a democracia utilizando as desculpas do costume… Por exemplo, consensos que partidos de direita pretendem fazer com a esquerda mais moderada, são parte do seu projeto de desvalorização da esquerda afogando-a pelo comprometimento para de certo modo vir a ser limitada a democracia tal qual ela existe.

O que sustenta este tipo de cultura já não são os antigos medos incutidos pelo fascismo mas novos medos generalizados e propagandeados pelos órgãos do poder, e nos ambientes de trabalho, organizando inseguranças que alimentam novos medos como, por exemplo, medo do despedimento, insegurança no trabalho, - estes ao nível das empresas, - a bancarrota, novos programas de assistência financeira, acenar com hipotéticos cenários de despesismo, subida de taxas de juros dos empréstimos, avaliação pelas agências de rating, a insustentabilidade da segurança social e, consequentemente, as reformas atuais do no futuro, etc., etc..  

Estar atento nunca é demais!...

 

Previsão para o Parlamento Europeu 2014

pela POLLWATCH

 

 

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 19:02
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Sábado, 21 de Dezembro de 2013

Pela borda fora

Caro Camilo Lourenço não me leve a mal esta crítica que nada tem de pessoal. Apesar de ser um cidadão comum, sem visibilidade pública, também me acho no direito de dizer o que penso como muitos que por aí proliferam e esgrimem os maiores argumentos e disparates para iludir o “povaréu”, designação já atribuída por Medina Carreira à maioria esmagadora dos portugueses.

 

....................................................

 

O neoliberal Camilo Lourenço e apoiante incondicional das políticas de Passos Coelho e deste Governo, fez publicar um novo livro, desta vez e do meu ponto de vista, pior do que o anterior. “Saiam da frente” são meia dúzia de ideias feitas baseada em argumentos discutíveis que, certamente, seriam rebatidos por qualquer deles. São ideias alinhavadas à pressa, plenas de pré juízos, sobre os que estão contra este Governo e se opõem a Passos Coelho e à sua trupe circense.

Não sei o que entende por mudar mentalidades. Mudar mentalidades é um conceito que é social e psicologicamente muito vasto e carece de definição e delimitação que é uma das coisas que deveria constar no esboço que escreveu. Mudar para melhor é outro conceito subjetivo e vago de sentido. Será que mudarmos para melhor é insistir em apoiar este Governo de um Passos Coelho desclassificado enquanto governante e nas suas medidas falhadas sem qualquer espécie de equidade. Quem é que insiste em condicionar o rumo de Portugal a uma política sem futuro onde apenas alguns, muito poucos, têm sido de modo oportuno salvos da crise como se verificou até aqui.

O título do livro, e porque estamos a falar de figuras públicas da democracia portuguesa, soa-me a qualquer coisa como banir, ostracizar, desterrar, desaparecer, o que nos permite supor algo sobre o pensamento do autor sobre o que deve ser a democracia.

E por que não Camilo Lourenço poupar a maioria dos portugueses aos seus remoques sobre todos quantos criticam o governo e deixar de os intoxicar com os seus comentários e análises medíocres e dejà vue. Encontrou uma mina de ganhar dinheiro e agora é vê-lo, ninguém escapa à sua fúria manifesta pelas fotografias do friso do livro, ao constatar que a expectativa que tinha com este Governo está a ser frustrada devido à incompetência que dele emana colocando todas as culpas no passado e já agora, em alguns no presente.

Não vivemos do passado, aliás, a história não lhe diz nada ao senhor Camilo Lourenço como já um dia afirmou. Vivemos do presente e do futuro que têm que ser melhorados. Devo recordar ao senhor Camilo Lourenço que ser de direita não é apoiar, a qualquer preço, um governo que governe mal e incompetente, por mais liberal que se seja. Apesar de tudo acho que deve continuar até ao fim da legislatura para mostrar o que vale e para demonstrar qualitativa e quantitativamente que tudo quanto fez esteve certo. Camilo Lourenço esquece-se, por conveniência, que o PSD e o CDS estavam há muito com a mira assestada no poder a qualquer custo para o compartilharem com as suas clientelas o que também tem conduzido à desgraça de Portugal. Recordo também que para isso quer o PSD quer o CDS deveriam ficar gratos à esquerda mais radical que os ajudaram a apanhar o poder.

Para o ajustamento a política deste Governo não tocou em privilégios instalados no aparelho de Estado e seus satélites e ainda os aumentou.

Já agora, parafraseando o livro que alinhavou, suponho que à pressa para sair na altura do natal, gostaria de colocar também um friso de alguns elementos, não só do Governo, que a maioria dos portugueses gostaria que lhe saíssem da frente, não no sentido de os ostracizar mas no sentido literal, porque estão sempre a tropeçar neles e já estão fartos de cair. É que já não há paciência.

Estou a ganhar por treze a seis. Aqui estão eles:

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 22:29
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Sexta-feira, 29 de Novembro de 2013

Direita portuguesa, eis a questão

 

Luís Rosa no editorial do Jornal i de hoje faz incursões pela direita e pela esquerda partindo da Constituição diz, vejam só, ela pretender "abrir caminho para uma sociedade socialista". Temos visto que, ao longo dos quase 40 anos de democracia, a Constituição em nada tem obstado à iniciativa privada, ao enriquecimento ilícito e lícito de alguns, ao crescimento de muitas empresas privadas portuguesas e estrangeiras[i].  

Continua dizendo que, por a "constituição não ser neutra há um preconceito cultural contra tudo o seja denominado de direita". Será que eu estou a perceber bem? Então, e nas últimas eleições, o complexo cultural contra tudo quanto seja de direita sublimou-se na atual maioria?

Leio sempre que posso, por vezes sem agrado, os editoriais do jovem Luís Rosa - comparado comigo é um jovem -, que terminou o curso na Lusófona no ano em que entrei como professor para uma das instituições de ensino superiores do grupo, (não, não passei alunos ao género do Relvas), apenas sabe do que foi a ditadura pelo que lhe dizem ou leu. Tenho a certeza de que sabe que houve durante estes 40 anos governos de direita.

Refere ainda que os últimos acontecimentos relativos às declarações de Mário Soares e da ocupação simbólica dos ministérios são "exemplos inimagináveis em democracias maduras como a inglesa ou francesa.". Diz bem, democracias maduras! Pelo menos a de Inglaterra já tem mais de quinhentos anos. Recordam-lhe estes factos a anarquia do radicalismo político da Primeira República e reforça que não se compara com a "luta política normal de um estado-membro da União Europeia". Que luta política na europa? A Europa está estabilizada com as suas direitas, não selvagens, em termos socias.

Viveu por acaso Luís Rosa numa anarquia para a comparar com as manifestações de descontentamento popular que se têm verificado. Se acha que são comparáveis então estamos mal porque o problema então apenas se resolveria com uma ditadura.

Mas o essencial é que a direita portuguesa não tem qualquer paralelo com as que lhe servem de comparação porque as direitas europeias (fora as extremas direita radicais) não sujeitam os seus povos a torturas sociais, nem colocam em segundo lugar as pessoas através de formas iníquas e critérios vincadamente ideológicos, próprios do radicalismo neoliberal como as do famigerado tempo de Thatcher.

Ainda ontem o ministro da economia Pires de Lima numa entrevista na TVI24  afirmou que a "austeridade tem sido seletiva" (nos momentos selecionados no portal da net da TVI essa afirmação não consta). Aqui está a equidade desta direita: atingir apenas alguns com a austeridade.

Esta direita portuguesa não é a direita europeia, é uma direita que se baseia, apenas e só, nos interesses dos seus clientes partidários e criar lugares na função pública para os amigos dos amigos e para os ansiosos por lugares que proliferam nas "jotas". Não tem sentido de Estado nem defende Portugal perante as interferências, ameaças e agressões verbais exógenas sobre as instituições democráticas (veja-se o caso do T.C.).

Nos países em que a direita está no poder os governos não tem procedido à destruição violenta dos seus estados sociais, salvo alguns ajustamentos necessários, nem atuam contra as Constituições, nem transformam estados em assistencialistas como esta direita tem feito e continua a fazer em Portugal.

Não defendamos o indefensável com passados recentes nem nos iludamos, a direita em Portugal nada tem a ver com a direita verdadeiramente democrática dos países europeus.

Será isto pensamento de esquerda? Se assim for então sou de esquerda.

 


[i] Veja-se o caso da Sonae por exemplo. http://www.sonae.pt/pt/sonae/historia/

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 19:03
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Segunda-feira, 11 de Novembro de 2013

Os polémicos paradoxais

 

De tempos, a tempos, surgem por aí uns senhores que, ciosos de estar nas paragonas dos jornais e nos holofotes das televisões, defendem posições políticas de consonância situacionista, polémicas e, por vezes, contrárias às que defenderam noutras ocasiões. Nesta casta encontramos desde políticos, jornalistas, alguns deles escritores e comentadores nas horas vagas, comentadores económicos, economistas,sociólogos,etc..

A polémica é sinónimo de controvérsia que pode produzir ruturas e colidir com as formas de pensar do senso comum e, daí, todo o interesse em ser polémico porque gera em quem os lê ou ouve reações que o publicitam. No âmbito das opiniões políticas, aos polémicos não interessa se falam mal dele, mas que falem, porque assim não cairá no esquecimento. Aproveitam para se salientar estando contra a corrente do momento.

Por vezes reúnem-se e debatem temas polémicos. Intitulam-nos então de comissões de sábios que estudam e defendem posições e sugerem medidas em matérias polémicas. assegurando-se previamente de que não serão por elas atingidos caso sejam adotadas, apesar de saberem que estão salvaguardados pelo seu estatuto ou e autonomia económica e financeira.

Os polémicos, autodefendem-se das medidas concretas a serem tomadas e tentam evitar que lhes venham também bater à porta. Isto é, defendem a iniquidade se isso servir os seus fins, segundo o princípio de enquanto se sacrificam alguns não me sacrificam a mim. É o princípio das ações iníquas e divisionistas que o governo tem fomentado

Há polémicos provocadores ocasionais e outros sistemáticos. Qualquer deles defende posições que sabem ser vivamente combatidas pelos seus opositores e por muitos setores da sociedade e esperam, disso, feedback. Defendem medidas penalizadoras para a maioria da população aproveitando e utilizando a crise para invocarem a obrigatoriedade de reformas. Tornam-se, por vezes, imorais revelando até, sem rodeios, um certo ódio social aos mais fracos que são a maioria da população anónima a quem antigamente a direita extremista denominava de "maioria silenciosa".

Veja-se, por exemplo, o caso de medidas excecionais como o aumento de impostos ou a retirada de algumas regalias que abranjam todos os setores da sociedade onde os polémicos também se incluam. Não é difícil vê-los combater e criticar o governo que tomou tais medidas esgrimindo argumentos vários que demonstrem os seus inconvenientes. Mas, quando elas incidem apenas noutros setores nos quais não se encontram abrangidos tecem elogios a essas medidas tentando mostrar, debaixo de uma capa de imparcialidade, a coberto de um patriotismo bacoco de que estão incutidas as suas atitudes políticas. Colocam-se do lado de quem lhes dá ou possa vir a dar, (não o pão da sobrevivência diária de que a maioria necessita para viver), cargos altamente remunerados, a manutenção dos mesmos que pretendem manter e, se possível, outro tipo de favores porque a vida está difícil!… Polémicos desinteressados que defendam ideias com convicção e imparcialidade há poucos.

É certo que a democracia constrói-se também com o salutar contraste de opiniões, o que parece estranho é que, consoante as ocasiões mais ou menos favoráveis, e por uma questão de visibilidade mediática, apresentem pontos de vista contrários a outros tomados anteriormente ou, então, ficam-se pelo "nin", quando não refugiando-se num palavreado confuso e impercetível pela maioria dos cidadãos até verem em que param as modas.

As convicções não mudam como o vento ou em função do andar das políticas ou da obtenção de cargos que há muito anseiam. Manter as convicções não significa apoiar medidas a qualquer preço sabendo de antemão que estão erradas. Uma coisa é as convicções não deverem ser limitadoras da expressão livre de opiniões contrárias às circunstâncias de certo momento, outra, é de as manter em função das circunstâncias políticas do momento sem qualquer ética social e política. As convicções podem mudar ao longo do tempo com a experiência,maturidade psicológica e política.

Estaremos por acaso a ver um sujeito que perdeu o emprego sem justa causa ou culpa própria, que ficou sujeito ao fundo de desemprego, como se de uma esmola se tratasse e não tivesse descontado durante todo o tempo de serviço, aparecer com um discurso público, situacionista, a defender que a medida ou circunstância provocada que o colocou involuntariamente naquela situação foi uma boa medida tomada pelo governo, seja ele qual for, ou a defender o corte do seu salário para salvar o país ou, ainda, saudar a destruição do Serviço Nacional de Saúde em nome da medicina privada que ele, sem meios financeiros, teria de passar a pagar? Seria um paradoxo está bem de ver. Mas, se estivesse bem colocado num alto cargo do qual beneficiou por bons serviços prestados ao seu "grupo" não seria de esperar que viesse publicamente dizer as medidas que foram tomadas eram as piores porque ele não deveria ocupar certo lugar mas sim outro mais competente ou, ainda, maldizer quem lho ofereceu, seria também um paradoxo.

Um outro aspeto a que os polémicos dedicam atenção por convicção absurda é a necessidade da mudança a qualquer preço seguindo sempre na mesma direção, o que me faz lembrar a frase que diz que só os burros não mudam. Mas a não mudança também pode ser uma convicção de burrice.

Onde se podem ver um furo eles aí estão alerta para entrarem em defesa do indefensável à luz da insaciável polémica que possa produzir os seus frutos a prazo, a mudança que beneficie alguns prejudicando muitos. Este é o pensamento ideológico que se apoderou da Europa que os regimes neoliberais têm adotado que, mais tarde ou mais cedo com a destruição das funções sociais do Estado porão em causa a própria democracia desencadeando levantamentos populares da qual se aproveitarão movimentos da extrema-direita e também, talvez, de extrema-esquerda cada tendo em vista objetivos opostos.

Talvez até seja esse o objetivo. 

Publicado por Manuel Rodrigues às 17:00
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Terça-feira, 23 de Julho de 2013

O grande iluminado cavaquismo

Em cena durante as últimas semanas, este circo da política foi prejudicial ao país. Tudo se teria evitado se comunicação do Presidente da República fosse unicamente aquela que fez no último domingo.

Poderemos perguntar-nos se a proposta apresentada pelo P.R. teria cabimento, sabendo-se há muito quais as posições assumidas pelo Partido Socialista. Foi uma tentativa falhada de entalar o PS querendo associá-lo à incompetência do Governo e querendo que passasse um cheque em branco sobre futuras medidas que, eventualmente, viessem a ser preparadas.

Apesar da maioria absoluta da coligação Passos Coelho e o seu Governo precisavam de uma moleta. É verdade que o Partido Socialista assinou o primeiro memorando de assistência, assim como o fizeram o PSD e o CDS/PP e, desde aí, muita coisa mudou.

Não nos esquecemos que, naquela altura, após ter provocado a crise política, Passos Coelho afirmava que iria resolver os problemas do país e mentiu ao eleitorado. Obteve uma maioria e, como tal, deve cumprir sozinho a sua legislatura e ser ele o protagonista da salvação nacional. Ele assim o prometeu, já lá vão dois anos.

A solução do Presidente da República de querer colocar os três partidos num saco, misturar, e sair um grupo que falasse em uníssono ao país, como ele gostaria, era o mesmo que dizer como já o disse uma vez a cavaquista Manuela Ferreira Leite suspender a democracia. Depois logo se veria desde que beneficiasse o partido maioritário do Governo.

Cavaco lançou a rede para ver se, no lago governativo, já poluído pelos partidos do Governo, pescava alguma coisa. Mas o peixe rasgou-lhe a rede e fugiu.

A maior parte dos portugueses não se esqueceu de que, quem criou mais prejuízos ao país nos últimos dois anos foi a tónica de apoio sistemático dado por Cavaco Silva ao Governo.

Passos Coelho continua, após saber que vai continuar a desgraçar o que resta do país, a querer agarrar-se à boia de salvação do PS. Poderemos continuar questionar-nos porque será?

Passos Coelho sabe que não consegue sair sozinho do pântano em que meteu o país, ou que o aconselharam a meter, e, por isso, pede ajuda, em uníssono com o Presidente de República, utilizando até à exaustão o chavão de salvação nacional. A salvação nacional deveria ter começado logo após a intervenção da “troika” evitando conduzir o país a este descalabro. Mas não, Passos Coelho e o seu grupo de terror neoliberal e impreparado do PSD quiseram ir para além da “troika”. Agora querem ajuda!

Porque é que o PSD, no tempo dos PEC’s não negociou com o PS um acordo de salvação nacional porque nessa altura também era disso que se tratava? Apenas porque queria rápido chegar ao poder. Agora está à vista.

Os portugueses, nas últimas eleições, não votaram no PS para salvar o país, votaram e confiaram no PSD, porque acreditavam que seriam merecedores da confiança para salvar o país mas acabaram por enterrá-lo ainda mais.  

A democracia não é, nem nunca foi, a menos que consideremos a União Nacional como um exemplo de democracia, feita de pensamento e acordos sem limites. Sem representantes dos descontentamentos através dos partidos, sem oposição a medidas que são tomadas, sem haver diferenças ideológicas e económicas sobre caminhos a seguir não há democracia.

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 11:05
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Livros que estou a ler

Livros que já li

Quando Portugal Ardeu Miguel Carvalho A Vida Secreta dos Livros O Romancista ingenuo e o sentimental de Orham Pamuk malbe

Os porques da esperança.png

Demorei algum tempo a ler este livro mais do que o costume. Livro sobre a política nacional sobre a forma de entrevistas que passaram na TVI 24 efetuada por um provocador nato cujas respostas são dadas por um astuto tribuno da palavra. Livro que aborda temas nacionais da política recente com uma abordagem em que as palavras se se entrelaçam com alguma exposições mais académicas. Um bom manual para quem se interesse pela política em Portugal nos últimos tempos.  

 

 

Piketty_Capit_SecXXI


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Rodrigues, Manuel A (2011). Geografia Social Urbana na Licenciatura em Educação Social, Cadernos de Investigação Aplicada, (5). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas


Rodrigues, Manuel A (2010). Didática da Geografia: recurso à Literatura como proposta interdisciplinar, Cadernos de Investigação Aplicada, (4). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas. .


Rodrigues, Manuel A (2008). Televisão e os efeitos de exposição a mensagens televisivas na educação: o efeito da terceira pessoa, Cadernos de Investigação Aplicada, (2). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas.


Rodrigues, Manuel A (2005). Do Presencial ao Online: um estudo de sobre a atitude de estudantes face a situação de aprendizagem online, Actas do VII Simpósio Internacional de Informática Educativa-SIIE05, Escola Superior de Educação de Leiria.


Rodrigues, Manuel A (2004). Um Modelo de Formação em Ambiente Misto de e-Learning (Blended Learning): uma experiência na disciplina de Tecnologia Educacional, Actas da Conferência eLes’04: e-Learning no Ensino Superior, Universidade de Aveiro.


Rodrigues, Manuel A (2004). Marionetas em Liberdade: a identidade pe(r)dida com as novas exigências curriculares, Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas.


Rodrigues, Manuel A (2000). Ciberespaço, Internet e as Fronteiras da Comunicação Educacional, Lisboa, Universidade Aberta. Porbase, CDU 37.01(043), 159.95043), 005.73Internet(043.2),371.1043)

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