Segunda-feira, 8 de Maio de 2017

Mais uma vez a Mulher Maravilha

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A Mulher Maravilha das finanças, Maria Luís Albuquerque, para além do mais, é descarada, e está a pretender esconder duas realidades: a do país que se tem vindo a firmar positiva, embora não tanto quanto seria preciso; e a sua própria realidade que é a mesma do líder do seu partido que governou quatro anos e meio que diz que tudo o que está a acontecer agora a ele é devido. Pois é, tudo o que está a acontecer a Portugal também foi devido a D. Sebastião se ter perdido lá por Marrocos e, passados quarenta anos, se ter dado a revolução de 1640.

Para a Mulher Maravilha de portuguesa “No crescimento, na consolidação e na confiança 2016 foi um ano perdido”. Ninguém duvide do que ela diz, é, por isso, que é uma super-heroína. Continuamos é a não saber o que faria para que tanto mal se transformasse num bem idealizado pela sua realidade.

A Mulher Maravilha, Maria Luís Albuquerque, anda por aí, com o seu esplendor, qual flor de girassol, a rodar consoante o movimento do sol, a dizer que alguma vez ela, ou o seu partido, quisessem a privatização da Caixa Geral dos Depósitos. Vejamos o que disse Passos em 27.03.2011 segundo um jornal da época, “O líder do PSD abriu, ontem, a porta para privatizar parte da Caixa Geral de Depósitos. É uma das medidas que deverão constar do pacote de privatizações a efetuar, caso o PSD vença as mais do que prováveis legislativas antecipadas.”

Em 21 de setembro de 2012 “Passos Coelho não excluiu hoje no Parlamento a hipótese do Governo vir a privatizar a Caixa Geral de Depósitos”, escrevia o jornal Diário de Notícias.

Passados cerca de dois anos, em maio de 2014, era noticiado que “O Governo pretende privatizar a Caixa Geral de Depósitos (CGD) até ao final de 2015. A denúncia foi feita ontem pelo Sindicato dos Trabalhadores das Empresas do Grupo CGD através de um comunicado. "O Governo já terá deliberado que a privatização da Caixa Geral de Depósitos deverá estar consumada até final de 2015 e que esta matéria constará mesmo da carta de intenções já enviada, ou a enviar, ao FMI, na sequência da 12ª avaliação da troika".

Segundo a agência Lusa a 7 de maio de 2017 disse A Mulher Maravilha: “Acusam-nos de querermos a privatização da Caixa, mas lembro que estivemos quatro anos e meio no governo e não tomámos uma única iniciativa para o fazer.”. O que diz é verdade não tomaram “uma única iniciativa para o fazer”. Será porque deixaram de estar no poder? Ou, talvez, porque não tiveram tempo?

O meu subconsciente trouxe-me para a memória recente a segunda volta das eleições francesas e Marine Le Pen, quando alterou parcialmente o seu discurso radical de extrema direita, adoçando-o com alguns pacotes de açúcar mais liberais no que se refere, pelo menos, ao refendo sobre a saída da União Europeia e outras “bêtises” calamitosas para os franceses e não só…  

Publicado por Manuel Rodrigues às 17:08
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Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2017

Uma aproximação comparativa às previsões de crescimento económico na União Europeia

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O crescimento económico é um dos indicadores utilizados para avaliar o comportamento das economias. Em Portugal oposições aos governos, conforme se encontram num campo, ou noutro, aproveitam o argumento do crescimento para fazerem críticas ou autoelogios às medidas económicas tomadas que cada um toma quando em funções.

O crescimento anual do PIB - Produto Interno Bruto em volume é um indicador que reflete a variação anual da riqueza criada por uma dada economia. O mais utilizado é o PIB a preços constantes de modo a que apenas o crescimento real da produção seja levado em conta. É um indicador que possibilita comparações, quer ao longo do tempo quer entre economias de diferentes dimensões.

O PPC - Paridade de Poder de Compra é outro indicador que procura avaliar quanto a moeda duma determinada economia pode comprar em termos internacionais, utilizando como comparação o dólar. Isto porque, como os bens e serviços diferem os preços de um país para outro, esta medida procura relacionar o poder aquisitivo das pessoas com o custo de vida do local e se ela consegue comprar tudo o que necessita com seu salário.

Tendo em vista as previsões para o crescimento do PIB, do PIB per capita e do PPC na União Europeia para 2017 procedi a uma comparação através do cálculo de coeficientes de correlação entre aquelas três variáveis.

Os cálculos e os gráficos foram construídos tendo como fonte dados estatísticos do jornal Diário de Notícias de janeiro do corrente ano obtidos a partir de The Economist. Referem-se estes dados às previsões para o ano de 2017 e, de acordo com a informação publicada, foram aplicadas as taxas de câmbio do dólar com a conversão para euros feita segundo a taxa de câmbio de 7/12/2016.

Numa primeira fase, com base em dados estatísticos obtidos no INE, foi traçado um gráfico evolutivo do crescimento do PIB em Portugal comparativo com a evolução na União Europeia no mesmo período para mais facilmente se compararem diferenças.

Numa segunda fase foram traçados gráficos de dispersão das três variáveis em análise assim como o cálculo dos coeficientes de correlação. Para análise de alguns países da Ásia utilizei a mesma metodologia e os mesmos critérios feitos para a U.E.

Análise da evolução do crescimento.

Conforme mostra o Gráfico 1, desde 2000 que Portugal acompanhou o crescimento da U.E. apenas na evolução, mas apresentando sempre valores mais baixos. Partindo ambos dum valor muito próximo dos 4% no ano 2000. Assim, em 2000 o crescimento em Portugal está aproximadamente em conformidade com o valor da UE que acompanha até 2001. A partir deste ano inicia o seu afastamento gradual da UE distanciando-se da sua evolução verificando-se um distanciamento entre as variáveis crescimento enfatizando-se a magnitude da alteração ao longo do tempo que se agrava a partir de 2002.

Há dois momentos em que volta a aproximar-se, 2008 e 2010 acompanhando a queda brusca de 2009. Embora acompanhando a UE no crescimento negativo obtém um valor substancialmente menos negativo em 2009. Em 2010 o crescimento volta a crescer ficando em 2010 a par da UE ano a partir do qual a UE mantem o seu crescimento com valores positivos enquanto Portugal verificou uma queda brusca entre 2011 e 2012 durante o período do XX Governo Constitucional da aliança PSD-CDS recuperando timidamente os valores de crescimento negativo em que se manteve até meio de 2013, passando a acompanhar a UE a partir de 2014.

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 Gráfico 1

Nas evoluções do crescimento, Portugal e UE a magnitude da alteração ao longo do tempo mostra-nos que teve o seu máximo no ano de 2012 prolongando-se até 2014. É nítido o desvio entre os crescimentos das duas evoluções no mesmo período como mostra a área compreendida entre as duas linhas de evolução. A média do crescimento no período dos 15 anos analisados é, no caso de Portugal, nitidamente mais baixa, com 0,4, e 1,4 para a UE a 28.

Em síntese o crescimento de Portugal é nitidamente mais fraco do que a UE a 28, mas, por outro lado, acompanha a tendência deste grupo de países devido a conjunturas endógenas e exógenas a que todos os países ficaram expostos.

Previsão de crescimento e PIB per capita na UN: uma análise comparativa.

Efetuada a síntese do crescimento comparativo entre Portugal e a UE a 28 e alguns que não pertencem a este grupo, nomeadamente a Rússia, a Ucrânia e a Turquia, procedi a uma análise sobre as previsões de crescimento para 2017 entre os vários países. Para tal foi construído um gráfico de dispersão com a reta de tendência (reta de regressão) e calculou-se o coeficiente de correlação entre as variáveis em análise. Este coeficiente representa uma medida estatística determinada a partir da comparação entre as várias observações entre duas variáveis. Neste caso o cálculo foi efetuado entre as variáveis previsão do crescimento do PIB para 2017, com a previsão do PIB per capita e ainda com o crescimento da PPC cujo significado foi explicado no início.


A medida da variação conjunta das variáveis ou covariação observada num diagrama de dispersão é a correlação entre as duas variáveis. Essa medida é realizada numericamente por meio dos coeficientes de correlação que representam o grau de associação entre duas variáveis contínuas. As medidas genéricas de correlação, frequentemente são designadas por R e variam entre -1 e +1. No que respeita ao sinal + (mais) no coeficiente de correlação significa que as variáveis têm um comportamento no mesmo sentido, isto é, quando cresce uma também cresce outra. Um sinal - (menos) no coeficiente de correlação significará, ao contrário, que, quando uma varável cresce a outra decresce e vice-versa.

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 Gráfico 2

Efetuados os cálculos e traçados os gráficos observou-se que existe uma forte correlação negativa de -0,71 entre a variável previsão de crescimento do PIB e o PIB per capita entre os países da UE. Isto é, quanto menor é o PIB per capita maior é o crescimento, como mostra a tendência da reta de regressão e o sinal do coeficiente de correlação apresentados no Gráfico 2.


Pode observar-se pelo gráfico dois grupos de países que se aproximam pelas suas características segundo os PIB per capita e o crescimento. Um primeiro grupo com um crescimento relativamente elevado e um PIB per capita baixo. Estão neste caso a maior parte dos países do leste europeu e a Turquia onde um PIB per capita baixo, mesmo abaixo da média, correspondem previsões de crescimento mais elevados, todos acima da média de 2% do PIB. Destaca-se a Ucrânia com um dos rendimentos mais baixos, mas com uma previsão de crescimento acima dos 2,5% e a Rússia com baixo crescimento e PIB per capita também muito baixo. Após o “Brexit” o Reino Unido destaca-se pelo seu baixo crescimento e com o PIB per capita elevado.

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Gráfico 3

Os países com maior PIB per capita são os que apresentam uma previsão de crescimento mais baixos. Salientam-se a Grécia e Portugal com muito baixos crescimentos nas previsões, mas com um PIB per capita acima da média. Neste grupo destaca-se a Suécia cuja previsão do PIB per capita é elevado e com um crescimento relativamente elevado muito acima dos seus pares europeus.

Para Portugal prevê-se um crescimento muito abaixo do da Grécia, mas acima da Itália. Mesmo assim, as previsões apontam para que Portugal cresça significativamente ficando na 21ª posição do ranking alinhando com a Alemanha e acima dos países do norte da Europa dos quais seria de esperar melhores desempenhos. A Suécia salienta-se prevendo-se um crescimento acima da média tendo e com um PIB per capita elevado e muito acima da média.

No que se refere à correlação da PPC – Paridade de Poder de Compra, o coeficiente de correlação com a taxa de crescimento é também significativo e de sinal negativo, -0,61, que, embora menor, mesmo assim significativo, acompanha o do PIB per capita como mostra o Gráfico 3.

Os países onde se verifica mais crescimento são também aqueles onde a PPC é também mais baixa, como seria de esperar, não se verificando alterações significativas em relação à análise efetuada entre o PIB per capita e as previsões de crescimento.

Previsão de crescimento e PIB per capita em alguns países da Ásia


Alguns países da Ásia pertencem ao grupo dos considerados como economias emergentes e que ainda apresentam níveis sociais e de distribuição de renda limitados, com elevada pobreza e falta de recursos em muitas áreas da sociedade, como educação e saúde.

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Gráfico 4

Os países emergentes são grandes exportadores de matérias-primas, grandes recetores de empresas multinacionais que para lá se deslocalizam à procura de mão-de-obra barata (além de também serem medianos fornecedores dessas mesmas empresas), e possuem um amplo e crescente mercado consumidor e uma grande capacidade de crescimento económico centrado no setor terciário. A questão chave é se o crescimento económico desses países está a promover a diminuição das desigualdades sociais internas e se a parte inferior da pirâmide social está a ser beneficiada.

Utilizando os mesmos critérios foi composto o gráfico de dispersão e calculado o coeficiente de correlação para as previsões de crescimento em alguns países da Ásia, representados no Gráfico 4, tendo em conta os indicadores de previsão do PIB per capita, a PPC e o crescimento. Foi ajustada uma curva de tendência polinomial que me pareceu ser a mais adequada a esta série de dados o que é demonstrado pelo coeficiente de correlação muito significativo de -0,76. O ajustamento da reta mostra um valor menor, -0.61.

Foram traçadas duas curvas uma linear e outra polinomial a fim de se ver qual se ajustava melhor à dispersão de dados. A linha de tendência polinomial é útil para quando há flutuação de dados no caso de se analisar os ganhos e as perdas de um conjunto de dados de grande dimensão (não foi este o caso, mas, devido aos valores do PIB, em dólares serviu o objetivo) e porque os dados mostravam que havia flutuações dos dados com grandes oscilações (máximos e mínimos). A curva polinomial foi a que mais se ajustou à dispersão dos dados com o valor de R ao quadrado 0,5711. A linha de tendência linear mostrou um menor ajustamento R ao quadrado 0,3711 pelo que se optou pela primeira.

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Gráfico 5

Como se pode verificar pelo Gráfico 5 a tendência nas previsões de crescimento para a PPC mantém-se apresentando, no entanto, um coeficiente correlação de -0,81 que evidencia uma forte ligação com o crescimento.

A correlação entre o crescimento e o PIB per capita verificado nos países da UE a 28 também se comprova em alguns países da Ásia. Isto é, a um menor PIB per capita correspondem maiores taxas de crescimento. Contudo, a leitura deve ser feita com algum cuidado já que outras variáveis importantes como, por exemplo, a população, podem influenciar os resultados. Tendencialmente, os baixos rendimentos das populações parecem ser condição de crescimento das economias. Conhecendo-se que no cálculo do PIB per capita estão incluídos os rendimentos agregados do produto a renda, podemos, embora com alguma margem de erro, pode considera-se que os rendimentos do trabalho, isto é, os salários e outras remunerações são uma componente importante para a formação do PIB sendo o rendimento das classes trabalhadoras influencia o PIB per capita. Assim sendo, nos países onde aquele rendimento per capita é mais baixo é onde verificam maiores previsões de crescimento.

 

Síntese.

O crescimento de Portugal entre 2000 e 2015 acompanha a evolução do crescimento dos países da UE a 28, apresentando, no entanto, valores mais baixos nos mesmo período com exceção do ano 2015. A área entre a evolução das duas variáveis da observação mostra-se elevada ao longo da série, mas mostra um desnível de afastamento da evolução da Europa. 

As correlações entre as previsões de crescimento do PIB para 2017 e as previsões do crescimento do PIB per capita e da PPC para o mesmos anos apresentam-se relativamente elevadas verificando-se o mesmo comportamento em alguns países da Ásia o que pode conduzir à conclusão que os crescimentos mais elevados das economia depende sobretudo dos baixos rendimentos per capita, todavia poderá ser uma conclusão apresada visto que há variáveis e fatores que podem influenciar os ditos crescimentos mais elevados.

Segundo analistas internacionais os principais riscos para as perspetivas económicas da zona euro são externos mas a maioria dos indicadores de sentimento econômico apontam para uma expansão na economia da zona do euro em 2017. Esperam a continuação da recuperação com probabilidade de enfraquecimento. Será a procura interna o principal motor do crescimento, e espera-se que tanto o consumo como o crescimento do investimento se moderem.

O crescimento do consumo vai provocar um aumento da inflação, uma vez que o efeito da queda dos preços da energia desaparecerá, como aliás temos visto com o aumento dos combustíveis.

Os riscos são elevados e provêm principalmente da política interna, com eleições planeadas nos Países Baixos, França e Alemanha e do setor externo teremos a influência a política comercial americana de Trump o que provoca incertezas.

Para finalizar não quero deixar de dizer que as críticas feitas pelo PSD e o CDS ao crescimento em Portugal e da responsabilidade do atual governo é mera retórica partidária. Esquecem-se de que são consequências do passado dos seus governos que, por sua vez, também arcaram com as do governo anterior de José Sócrates no qual, o então ministro das finanças Teixeira dos Santos, teve grande parte das responsabilidades no  que se passou com as finanças públicas.

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 23:01
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Terça-feira, 3 de Março de 2015

Os trapalhões

Com a coligação PSD/CDS que está no Governo já não sabemos onde acaba o PSD e começa o CDS/PP e vice-versa. O CDS/PP perdeu a sua identidade. De vez em quando Paulo Portas, para dar um ar da sua graça costumeira, como que a dizer olá, eu estou aqui, mostra em escassos pontos que tem opinião diferente estando sempre presente em eventos que lhe deem visibilidade.

Qual é o projeto político e de governo do CDS/PP? Não existe, é o mesmo do PSD. Se o CDS for a votos sem ser em coligação como saber qual o seu programa eleitoral? Atualmente, tirando as respetivas lideranças, são uma e a mesma coisa. Cada um deste partidos tornou-se albergue de várias direitas sem expressão que por aí proliferam onde se incluem apoiantes da sempre esperançada causa monárquica.

A manutenção duma coligação como esta que nos governa é possível apenas e só, por interesse onde conta, sobretudo, a distribuição de pastas e de outros lugares à mesa do orçamento e nada mais.

Passos Coelho e os seus “vuvuzelas” partidários e governamentais continuam, por aqui e por ali, a lançar para o ar e para as mentes menos atentas os benefícios da austeridade a mata-cavalos elogiando os sacrifícios dos portugueses (em calão significa passar a mão pelo lombo) que souberam ser meninos bem comportados durante estes anos de governação. Agora vai tudo mudar devido ao crescimento económico auxiliado pelo turismo, à descida de desemprego, blá, blá…

Para a maioria que sustenta o Governo qualquer variação para melhor de 0,1% nos índices macroeconómicos é uma festa como dizia a outra, a da educação.

Eu tive um professor na Universidade que costuma dizer e cito que mais vale ter mau hálito do que não ter hálito nenhum. É sinal de que estamos vivos. É isso que o Governo faz, tentar mostrar que está vivo. É o mesmo que dizer “Ouçam!... Ouçam!... Ouçam!...”, como aquela canção portuguesa que foi à eurovisão muito antes do 25 de abril, estamos no bom caminho. O único problema é que a realidade não alinha pelo mesmo diapasão.

Mas vejamos:

O que poderá está a acontecer aos portugueses que falam, por tudo quanto é sítio com algum receio, não lhes vá acontecer pior, sobre cortes nas pensões, nos salários, no grave problema na saúde, na educação, no aumento do custo de vida, apesar da deflação, nos despedimentos liberalizados de milhares de trabalhadores a meio da sua vida profissional que ficarão condenados para sempre ao desemprego?

O sinal da mentira e da mistificação dum falso sucesso está a pegar de novo como no passado mas com outras nuances. Mistificações que, tal como nas eleições em 2011, levaram os portugueses a acreditar em promessas e mentiras.

A direita pode pensar que os portugueses são ingénuos, sofrem de medo atávico e gostam de estar metidos no seu cantinho que lhes destinaram para sempre e que, portanto, serão um alvo fácil para a burla política. Mas podem desenganar-se porque o povo desesperado não se deixa mais enganar.

Surge agora um medo que se apossou desta direita hostil para com os portugueses, são os gregos sem medo que apostaram na subida ao poder do Syriza na Grécia e os espanhóis com a subida nas sondagens do Podemos em Espanha. Não admira pois que Portugal e Espanha tenham manifestado os mais radicais contra o apoio à Grécia. Passos e Maria Albuquerque que o acompanhou, quiseram mostrar que são germanistas por convicção política, arrastando com eles o nome de Portugal. Para os nacionalistas radicais, isto, seria uma traição lesa Pátria. Para os portugueses mais moderados que acham que não devemos perder a nossa soberania na íntegra foi também uma traição.

Vejamos então a imagem de sucesso que Passos e companheiros de partido e de Governo nos apregoam e o que nos reservam se ganharem as próximas eleições.

O ir para além da troika pressupunha atingir determinadas metas como a descida dos custos do trabalho para atrair investimento nacional e estrangeiro, o que dinamizaria as exportações, a poupança das famílias que levaria à descida da dívida equilibrando as contas públicas (como se cortes em salários e pensões, aumento de impostos e população desempregada sobrasse alguma coisa para poupar), a redução da despesa do Estado que iria travar a dívida pública criando excedentes orçamentais para controlar as contas do Estado. O milagre esperado por esta direita de incompetentes e incultos que nos governa (talvez até incompetência propositada, caso dos vários chumbos do T.C.) seria a descida dos impostos, e a economia atingiria o crescimento de 4% do PIB ao ano. Seria o país da direita de sucesso.

Após anos de sacrifícios vemos o realismo dos números do país virem à superfície, mas o das pessoas é muito pior e não é visível. As exportações abrandaram significativamente porque o investimento foi escasso; a economia está a ser puxada pela procura interna com o consequente aumento das importações; segundo as estatísticas os automóveis, nomeadamente vindos da Alemanha, estão novamente no seu auge (prova de algum germanismo subconsciente?) esvaindo-se pela porta grande tudo o que se poupou com os sacrifícios; a dívida externa aumentou; défice orçamental acima dos 3%, mas dizem que vai baixar; as rendas excessivas, tão apregoadas pela troika, não reduziram, são estrangeiros a usufruir delas.

Tudo está bem neste país, com Paulo Portas a fazer parte do coro como mandam as boas regras da convivência política. Todavia, relatórios atrás de relatórios vindo de Bruxelas e do FMI dizem o contrário, ao mesmo tempo que determinam completar a tarefa com o receituário das medidas atá aqui tomadas e, se possível, com mais uns pozinhos.

Dizem o primeiro-ministro e o seu vice, juntamente com o badaleiro ministro da cervejeira, que, graças a isto e mais àquilo, agora é que vai ser, 2015 a crescer. Rima como poesia mas, como ela, é romantismo ficcional a entrar pelos nossos ouvidos, infelizmente para mal da maior parte dos portugueses.

As reformas estruturais, as que atingem gravosamente os portugueses (leia-se cortes à moda PSD/CDS) tais como reformas, pensões, educação, saúde, segurança social, despedimentos, aumentos de imposto, continuação das rendas para a energia pararam ou abrandaram, por enquanto.

O orçamento geral do estado para 2015 conseguiu, miraculosamente, uma elasticidade orçamental para dar aqui e ali umas benesses tendo em vista as eleições legislativas.

Passos Coelho passa o mesmo filme de 2011 reconstruido, e desta vez com o “dolby system”, onde prolifera a imagem ficcional de que o pior já passou. “O país está a crescer, e vai crescer mais este ano, as marcas de um período recessivo existem e a mais visível são os quase 14% de desemprego” apregoa. E confirma que “não é possível ter uma receita radicalmente diferente”.

A economia precisava de uma mudança estrutural mas ela não se viu, antes pelo contrário, o crescimento volta a ser pela procura interna e a balança comercial voltou estar numa situação instável a esta questão o primeiro-ministro dá respostas evasivas sabendo ele que o grande causador deste descalabro está na insistência das políticas de direita neoliberais e radicais que aplicou.

À questão do projeto para um futuro Governo que nunca mais anuncia, diz que quer continuar o projeto que tem em mão e escusa-se a responder dizendo que não é uma prioridade porque este é o tempo de governar e de garantir a recuperação.

Como é que Passos e os seus acólitos acusam António Costa de não apresentar um projeto mais detalhado para o país, nem um programa de governo se está bem claro que ele também não o quer apresentar já? Portanto, não se percebe porque estão os seus arautos e apoiantes continuamente a pressionar António Costa para definir a sua estratégia de governo.

O que se pode concluir é que o programa de governo caso Passos Coelho ganhe as eleições será o mesmo que seguiu até aqui e agravado porque o que iria muito para além da troika ainda não está cumprido. Ele próprio o confirma quando diz que “…há muita coisa que precisa ser feita… Há reformas por completar que não cabem nem no memorando nem numa legislatura. As próximas eleições são muito importantes para que este projeto possa ser completado…”.  Fica então claro o que pretende.

Sobre o último relatório da troika que foi crítico e acusou o Governo de ter parado com as reformas Passos admite que “algumas foram ajustadas em termos de calendário” e conclui que “as reformas estão a prosseguir”. Claro que o ajustamento de calendário a que ele se refere tem a ver com a proximidade das eleições para conseguir captar todos aqueles incautos que apesar de terem sido enganados uma vez possam novamente cair na armadilha. Portanto, os portugueses das classes médias e, em suma, todos aqueles foram massacrados por não terem qualquer hipótese reivindicativa e sobre os quais ainda não conseguiu completar os seus intentos já sabem o que os espera.

Não duvido que o próximo governo que sair das eleições, seja ele qual for, tenha que manter algumas das medidas mas seguindo outras vias que não a sejam a destruição abrupta do país.     

Dar com uma mão e “surripiar” com a outra é uma das estratégias já bem conhecida por todos. Passos, agora, como gato escaldado, promete sem prometer, dá sem dizer que retirará.

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 20:08
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Sexta-feira, 18 de Abril de 2014

Milagres leva-os o vento

 

Quem vê noticiários nas televisões e lê jornais facilmente se apercebe que surgem de todo o lado, como que por milagre, instituições internacionais, a par de outras nacionais, a fazer prognósticos macroeconómicos positivos sobre Portugal. Em pouco mais de mês e meio tudo se transformou passando do mau a muito boas perspetivas. Parece, de facto um autêntico milagre.

Agora, até o Banco Morgan Stanley que, tanto quanto eu saiba, ainda não tinha sido referido pelos canais de televisão e jornais generalistas, vem fazer previsões sobre a economia e o crescimento de Portugal mais positivas do que as do FMI.

Divulgou o referido banco que prevê em alta as suas estimativas de crescimento económico em Portugal, para 1,4 por cento este ano e 1,6 por cento em 2015.

O curioso é que os noticiários apenas alinharam esta última parte do que foi divulgado por aquele banco, descurando outros pontos do comunicado que são mais importantes do que este que é apenas um possibilidade.

Para captar votos surgem, a cada dia que passa, mais promessas do atual governo apregoando melhorias que ninguém sente, promessas confusas, vagas e elegias aos amanhãs que cantam (frase utilizada por Constança Cunha e Sá). Até se podem estar a verificar, apenas em números estatísticos, algumas melhorias ténues, mas tudo o resto não passa de pura ficção.

Sendo eleições para o Parlamento Europeu há que aproveitar para mudar a correlação de forças dentro da UE e, se assim for, a orientação poderá passar a ser diferente.

Atualmente, com o aproximar das eleições para o Parlamento Europeu, muita coisa se está a passar com medidas a serem prometidas, nomeadamente estratégias expansionistas e de menos austeridade para que o eleitorado europeu vote no sentido dos conservadores neoliberais que, a par da crise internacional, contribuíram para colocar a Europa no estado em que se encontra.

Após eleições se não houver uma derrota significativas dos partidos do Governo arriscamo-nos a que tudo fique ainda pior.

Publicado por Manuel Rodrigues às 20:11
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Quarta-feira, 31 de Julho de 2013

Armadilhas e cantos da sereia

 

 

A última crise política causada pelo governo e agravada pelo Presidente da República foi fértil em tecer armadilhas ao Partido Socialista para o seu envolvimento pleno no desastre que já existia, mas agravado por Passos Coelho. A primeira caixa da armadilha continha uma cenoura para atrair António José Seguro para uma dita salvação nacional em que o PS deveria estar envolvido.

Tudo se tem passado como se alguém, segundo a própria vontade, deitasse fogo à casa e, não conseguindo sozinho apagar o incêndio que alastrava cada vez mais, chamasse tardiamente os bombeiros para o ajudar a deter o que ele próprio tinha provocado ao mesmo tempo os culpabilizava por lhe terem colocado em casa os fósforos. Recordam-se? A tal história do queremos fazer mais e ir para além da “troika”.

Numa primeira tentativa para atrair o Partido Socialista para a armadilha, Cavaco Silva mostra a José Seguro uma cenoura que só não mordeu porque se apercebeu, à última da hora, onde estava a entrar.

Após aquele primeiro esforço várias outras tentativas têm vindo a ser feitas de vários quadrantes para que o PS dê o aval às políticas que, dizem eles, ser de um governo e um de novo ciclo. Mais armadilhas e engodos serão colocados para atrair o PS a aderir ao que agora Passos Coelho passou a chamar de união nacional. O que será para ele, politicamente falando, união nacional? Seria bom que os mais jovens se informassem junto dos seus avós ou procurassem informação através de livros ou outros meios sobre o que era de facto a união nacional. A união nacional que pretendem em termos políticos é uma espécie de associação de confrades onde se pretende incluir o Partido Socialista, a UGT associações patronais e outros parceiros sociais.

O Presidente da República que começou agora a sair da sua zona física de conforto onde se tinha acomodado há muito passou agora a fazer declarações com fundinho eleitoralista de apoio ao atual governo. Volta a mencionar e a fazer apelo a um consenso, que não seria mais do que uma união nacional, onde todos seguissem em uníssono os pontos de vista que ele acha serem o interesse de todos. Onde caberiam então as divergências que caracterizam as diferentes correntes de opinião e as diferentes sensibilidades políticas, sociais e económicas? Só falta agora defender uma nova concordata com a igreja idêntica à do tempo do antigo regime de Salazar. Como dizia Ribeiro Sanches, médico e intelectual português do século XVIII “que dificuldade tem um reino velho para emendar-se…”.  

A estratégia do governo, sugerida e apadrinhada por Cavaco Silva, não tem outro objetivo que não seja o de captar o PS para este círculo de medidas impopulares que o governo prepara para o orçamento para 2014, após eleições autárquicas, comprometendo-o e, com isto, obter posteriores vantagens eleitorais para os partidos do governo, especialmente para o PSD, já que o PS ficaria no mesmo saco.

A minha leitura de novo ciclo é muito linear. As eleições autárquicas estão próximas, há que convencer alguns eleitores desertores e esperar que alguns dos ingénuos que acreditaram nas promessas feitas e não cumpridas de quem atualmente nos governa, acreditem agora na reviravolta prometida. Com as más experiências que temos desta coligação e dos seus embustes, seja ela com estes ou outros elementos do governo, há apenas uma coisa em que se deve acreditar, é que, após as eleições, tudo voltará à mesma senão piorar. Gostaria de me enganar.

Para mostrarem a terra prometida do crescimento procuram agora nos números das estatísticas os mais pequenos indícios, como se tratasse de pequeníssimas sementes dispersas, para agitar como bandeira nos seus discursos encantatórios, quais sereias que conduzem os marinheiros para os recifes e aí naufragam.  

Publicado por Manuel Rodrigues às 23:56
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Sexta-feira, 21 de Junho de 2013

A teta da vaca que já não dá leite!

 

Apesar de se prever para a Alemanha uma baixa do crescimento de 0,7% para 0,4%, e porque se aproximam eleições, segundo a imprensa alemã,  Angela Merkel resolve ser perdulária. Para renovar o Estado Social alemão vai assim gastar 20 mil milhões de euros para pensionistas, mães solteira, mulheres que sustentem as famílias e pessoas impedidas de trabalhar; 7500 milhões de euros para subsídios a famílias carenciadas,  entre outras verbas.

Então como é? De onde é que vem o dinheiro…?      

Enquanto os países do sul da europa sofrem apertadas restrições os país do norte, conforme tem vindo a público na imprensa, Jornal i por exemplo, têm lucrado com a crise do euro que em contraponto têm vindo a ficar cada vez mais pobres. Culpa deles, dirão os do norte porque são gastadores, perdulários e preguiçosos.

Países como Portugal e Espanha governados pela direita têm vindo cada vez mais a ser penalizados em nome do défice e da dívida que tem sabido tão bem aos do norte. Tenho aversão ao estabelecimento destas dicotomias numa europa que todos ajudaram a construir, mas onde as vantagens são apenas para alguns. Talvez tivéssemos gastado menos, é verdade, mas Cavaco Silva nos anos oitenta também não seu o exemplo, bem pelo contrário.

O que se passa entre os países do norte e os do sul da zona euro pode ser comparado com o que se passa em cada país individualmente onde o enriquecimento rápido de alguns e faz à custa do empobrecimento de muitos. São os ricos a viver à custa dos pobres e não o que muitos dizem: coitadinhos dos ricos que estão (ou estavam) a ser vítimas da exploração pelos pobres devido aos impostos que pagavam. No caso dos países a situação é mais engenhosa. Passo a citar parte de um artigo do mesmo jornal que coloco em itálico:   

Se é certo que opções, erros e más políticas dos governos dos últimos anos de Portugal ou Grécia, por exemplo, são os grandes responsáveis pela queda destes países em recessão, também é cada vez mais evidente que os países ricos da zona euro souberam pôr a desgraça alheia a render em seu proveito: os pacotes de "ajuda" impostos aos países em dificuldades asseguraram uma enorme margem de lucro para estes, através dos juros cobrados aos países "irmãos" do euro, que, não fossem os elevadíssimos custos dos juros suportados pelos empréstimos "solidários", estariam já mais longe do caos: Portugal gasta por ano 4,4% do seu PIB em juros - 7,2 mil milhões de euros -, valor que sai diretamente dos bolsos dos contribuintes e dos trabalhadores portugueses para dezenas de cofres de Estados e bancos europeus.”.

Basta comparar os últimos dados do Eurostat sobre o PIB per capita e o índice de preços para verificarmos que o poder de compra dos portugueses está um terço abaixo da média europeia (ver gráfico abaixo) ao mesmo nível da Grécia e muito próximo da Letónia.

Nem os governos de direita da europa do norte foram condescendentes com os seus amigos do sul. Até na Espanha, uma das mais fortes economias do U.E. que não está diretamente intervencionada, o FMI pressiona para uma reforma laboral mais exigente e para a redução de salários para poder combater o desemprego. Devem estar a pensar ainda em moldes dos anos cinquenta. Não é necessário saber muito de economia para perceber que, quanto mais baixos os salários, não significa que uma empresa contrate trabalhadores. Se não há quem compre, o que lhe adianta estar a produzir e a admitir pessoal se depois não consegue pagar, mesmo com salários baixos. Poderá funcionar apenas para uma poucas algumas empresas exportadoras mas, mesmo assim, se não houver recessão nos mercados.

Captar investimento estrangeiro? Ilusão! Haverá sempre um lugar onde os salários serão sempre mais baixos. Ou será que se pretende que os já desgraçados do sul se coloquem mais abaixo do que os do Bangladesh?


Poder de Compra na Europa 2012


 

 

LEGENDA

BE:Belgium; BG:Bulgaria; CZ:Czech Republic; DK:Denmark; DE:Germany; EE:Estonia; IE:Ireland; EL:Greece: ES:Spain

FR:France; IT:Italy;CY:Cyprus; LV:Latvia;LT:Lithuania; LU:Luxembourg; HU:Hungary; MT:Malta;  NL:Netherlands; AT:Austria; PL:Poland; PT:Portugal; RO:Romania; SI:Slovenia; SK:Slovakia FI:Finland; SE:Sweden; UK:United Kingdom; IS:Iceland; NO:Norway; CH:Switzerland; ME:Montenegro; HR:Croatia; MK:Former Yugoslav Republic of Macedonia, the; RS:Serbia;TR:Turkey; AL:Albania; BA:Bosnia and Herzegovina

 

Fonte: Eurostat

Publicado por Manuel Rodrigues às 20:10
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Terça-feira, 7 de Maio de 2013

Ditadura financeira alemã ensombra a Europa

 

 

 Imagens do Der Spiegel e do WDR.de. A primeira modificada pelo autor

Comentadores e editorialistas têm vindo a dizer e a escrever que a Alemanha e na Holanda se estão a verificar alterações que perspetivam e aceitam que o caminho da austeridade já não tem sentido e urge avançar para medidas de recuperação económica. No entanto, o ministro das finanças alemão, Wolfgang Schäuble, tem vindo nos últimos dias a mostrar posição contrária.

Em 7 de maio considerou ser “um puro mal-entendido” o debate que se abriu na zona euro sobre austeridade e o crescimento no qual são consideradas duas estratégias opostas e incompatíveis. Mas a 4 do mesmo mês defendeu, em declarações a um jornal alemão, para dar mais tempo à França e a Espanha após as previsões da Comissão Europeia que traçava um cenário mais negro para a economia europeia. Todavia, esta declaração foi recebida com muitas críticas pelos partidos da coligação de direita alemã liderada por Angela Merkel.

Ainda relativamente à austeridade e crescimento o radical neoliberal ministro das finanças alemão disse, em princípios de abril, numa reunião com o secretário do Tesouro dos EUA que defende a atenuação na Europa da austeridade e a promoção dos crescimento económico, que “na Euroa ninguém vê uma contradição entre consolidação e crescimento” e acrescentou que “devemos parar com este debate que nos diz que temos de optar entre austeridade e crescimento”. Se isto não é uma ditadura alemã ou nacional-autoritarismo, então o que é?

A Europa tem um grande desafio que é o de provar que existem alternativas viáveis. Com declarações como aquelas, se não o fizer, bem se pode preparar para se ajoelhar perante a Alemanha.

Publicado por Manuel Rodrigues às 16:10
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Domingo, 21 de Abril de 2013

A falência da política económica e financeira europeia da austeridade na Europa

 

Ou ando distraído ou as notícias sobre declarações dos ministros das finanças na reunião do G20 têm sido omissas dos canais de televisão ou são tão escassas que não se dá por elas, vá-se lá saber porquê!

É do conhecimento geral que está ainda a decorrer em Washington a reunião dos G20, os 20 países mais ricos e emergentes do mundo e é integrado pela União Europeia, o G7 (EUA, Canadá, Japão, Alemanha, Reino Unido, Itália e França) e ainda Coreia do Sul, Argentina, Austrália, Brasil, China, Índia, Indonésia, México, Arábia Saudita, África do Sul, Turquia e Rússia.

Vários ministros das finanças daquele grupo têm vindo a público com declarações, algumas delas contrárias às políticas de austeridade seguidas pela Chanceler Alemã e por alguns dos seus seguidores.  

De forma muito subtil chamam estúpidas às políticas de austeridade imposta à Europa que estão a afetar a economia mundial. Para quem esteja a acompanhar, mesmo que pontualmente, o decurso daquelas reuniões, apercebe-se que há alguma coisa vai mal no “reino” da União Europeia e no euro, e cuja responsabilidade é da política alemã que é imposta. Os países do G20 cresceram 0,5% no quarto trimestre de 2012, ao contrário da Europa que lidera os recuos da atividade económica mundial. (Fonte:OCDE). O ministro das finanças da Austrália, Wayne Swan, antes da abertura da reunião do G20,chega mesmo a afirmar em declarações ao Wall Street Journal  que a política de austeridade seguida na Europa “é estúpida e está a sobrecarregar a economia mundial”. Por aqui podemos “adivinhar” o que se irá passar na reunião não será nada de bom para os que apoiam as políticas impostas pela Alemanha à U.E..

As declarações daquele ministro mencionam que a própria Ásia não pode continuar a suportar o fardo da falta de crescimento das economias desenvolvidas bloqueadas pela austeridade.

O que é curioso é que não se aplicam a Portugal teses, muitas delas defendidas pela diretora-geral do FMI, Christine Lagarde. Vejam só, critica com veemência as políticas de austeridade imposta a alguns países da Europa, mas o FMI continua a aplicá-las. Tudo o que ela tem dito é apenas “pregar aos peixes”, já que em nada tem mudado o pensamento único que prolifera na U.E.. É a Alemanha de Angela Merkel que, ao deixarem-na ser dona da Europa, mantem, até à exaustão, a austeridade, enviando para as calendas o crescimento económico dos países. Contudo, penso que não é de esperar que a reunião dos G20 conduza a alguma coisa de positivo para a Europa visto que estão mais interessados no crescimento económico mundial. 

Publicado por Manuel Rodrigues às 13:34
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Segunda-feira, 3 de Dezembro de 2012

Os sonhos de Relvas e de Portas

 

 


Pela Revista Sábado de 29 de novembro tive conhecimento que a ministra da Cultura do Brasil disse que “seria interessante contar em filme a história da ida da família real portuguesa para o Brasil, em 1808”, assunto que foi discutido quando a ministra esteve em Lisboa. Até aqui tudo aparentemente normal.

Contudo, a revista Brasileira “Isto É” ainda segundo a revista Sábado “os ministros Miguel Relvas e Paulo Portas gostaram da ideia e sugeriram o nome do ator americano Brad Pitt para fazer de Rei D. João VI, e para argumento e realização, foi discutido o nome de Steven Spilberg”. Para o comissário do Ano de Portugal no Brasil, o filme teria financiamento público dos dois países, apesar das restrições impostas pela troika a Portugal.

Levando isto a sério e a confirmar-se, o que é insólito é, o ministro Relvas, sim, o que comprou um curso tirado em dois meses numa universidade privada, venha sustentar que se contratem atores como Bred Pitt para o papel do Rei D. João VI, que não primava pela beleza e elegância e Spilberg para a realização do filme. Há dinheiro, há, menos para o estado social e para os portugueses sujeitos a austeridade rigorosa. E não me venham dizer que a verba não tem significado porque, quer o ator, quer o realizador sugerido, não cobram, propriamente, “cachets” de saltimbancos, que, contando com os custos da produção do filme seria orçamentado em dezenas de milhões de euros. O Brasil tem um crescimento anual da sua economia de 2,5% do PIB que, apesar das previsões terem sido revistas em baixa em setembro para 1,6% do PIB são, mesmo assim, muito maiores do que as nossas de crescimento negativo para 2013.

Quero ver, se este projeto for para a frente, de onde vai aparecer o dinheiro. Continuam a fazer dos portugueses tolos.

Publicado por Manuel Rodrigues às 17:46
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Sábado, 21 de Abril de 2012

Passos Coelho em Londres com David Cameron

O Sr Primeiro Ministros em Londres em mais um serviço da subserviência de Portugal.

O video do noticiário da SIC do di 18 de Abril mostra bem uma atitude de reverência face ao Ministro Britânico.

Atente-se, cerca de um minuto após o início da notícia e logo após à intervenção do reporter no local, no momento em que ambos contemplam um Quadro na parede, presumivelmente nº 10 da Down Street.

Cameron foi um dos 12 líderes europeus qu subscreveram um documento, dirigida à comissão europeia e aos Conselho Europeu sobre uma maior aposta no crescimento económico e no emprego.

Segundo o Jornal Público de 16 de Abrilde 2012 págia 7, "Passos, assim como Angela Merkel e Nicolas Sarkozy, não foi convidado a assinar a missiva.".

Passos correu a promover um encontro com Cameron! Será que Merkel e Sakozy fizeram o mesmo? Desconheço!!... 

Repare-se como Passos subservientemente e interrompendo Cameron na apreciação do quadro aponta para trás  depois é que volta a olhar para o quadro. Provavelmente para lhe chamar a atenção sobre os fógrafos para poder ficar na fotografia! Será que os fotógrafos não poderiam esperar? O que seria prioritário para Passo Coelho, o quadro ou os fotógrafos!

Será isto política externa, propaganda ao governo e ao próprio Passos ou apenas um ato de bajulação? 

Apreciem em baixo o vídeo do noticiário.

 

 

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 16:01
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Livros que estou a ler

Livros que já li

Quando Portugal Ardeu Miguel Carvalho A Vida Secreta dos Livros O Romancista ingenuo e o sentimental de Orham Pamuk malbe

Os porques da esperança.png

Demorei algum tempo a ler este livro mais do que o costume. Livro sobre a política nacional sobre a forma de entrevistas que passaram na TVI 24 efetuada por um provocador nato cujas respostas são dadas por um astuto tribuno da palavra. Livro que aborda temas nacionais da política recente com uma abordagem em que as palavras se se entrelaçam com alguma exposições mais académicas. Um bom manual para quem se interesse pela política em Portugal nos últimos tempos.  

 

 

Piketty_Capit_SecXXI


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Rodrigues, Manuel A (2011). Geografia Social Urbana na Licenciatura em Educação Social, Cadernos de Investigação Aplicada, (5). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas


Rodrigues, Manuel A (2010). Didática da Geografia: recurso à Literatura como proposta interdisciplinar, Cadernos de Investigação Aplicada, (4). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas. .


Rodrigues, Manuel A (2008). Televisão e os efeitos de exposição a mensagens televisivas na educação: o efeito da terceira pessoa, Cadernos de Investigação Aplicada, (2). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas.


Rodrigues, Manuel A (2005). Do Presencial ao Online: um estudo de sobre a atitude de estudantes face a situação de aprendizagem online, Actas do VII Simpósio Internacional de Informática Educativa-SIIE05, Escola Superior de Educação de Leiria.


Rodrigues, Manuel A (2004). Um Modelo de Formação em Ambiente Misto de e-Learning (Blended Learning): uma experiência na disciplina de Tecnologia Educacional, Actas da Conferência eLes’04: e-Learning no Ensino Superior, Universidade de Aveiro.


Rodrigues, Manuel A (2004). Marionetas em Liberdade: a identidade pe(r)dida com as novas exigências curriculares, Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas.


Rodrigues, Manuel A (2000). Ciberespaço, Internet e as Fronteiras da Comunicação Educacional, Lisboa, Universidade Aberta. Porbase, CDU 37.01(043), 159.95043), 005.73Internet(043.2),371.1043)

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