Quinta-feira, 20 de Julho de 2017

O artificialismo da oposição de direita

Oposição.png

Ah! Senhora, Senhora, que tão rica

estais que, cá tão longe, de alegria

me sustentais cum doce fingimento!

Em vos afigurando o pensamento,

foge todo o trabalho e toda a pena.

 Lírica de Luís de Camões Canção IX

O Governo, ao contrário do que a oposição de direita pretenderia, tem funcionado naquilo que mais interessa aos portugueses com a caminho da consolidação das contas públicas, com a redução do défice, o crescimento económico, o investimento, o desemprego, as exportações,  conseguidos e que reconstruiu a credibilidade de Portugal no exterior sem os arbitrários, cegos e interesseiros cortes perpetrados pelo anterior governo em conluio com a troika, em favor de, sabe-se lá, que outros interesses, terá levado o então primeiro-ministro a dizer alto e a bom som que teria que ir para além da dita.

O desgaste do Governo que a direita pretende provocar à custa da tragédia dos lamentáveis incêndios atiçados por terroristas incendiários venham eles donde vierem, não é para o bem de Portugal nem da sua população, é-o, apenas, por questões exclusivamente de interesses partidário.

A direita quando foi governo esqueceu-se dos enormes incêndios e não descobriu na altura falhanços em SIRESP ou outro, fechava-se em copas indo de férias e a Proteção Civil que se amanhasse. Tendo falhado no compromisso para com os portugueses quer também que este falhe. Esta é a pior direita de que tenho memória (não contando com os tempos quentes de 1975 e 1976), quer nos processos, quer nos métodos de atuação.

Durante os dois anos e meio da chamada geringonça a direita caldeou conspirações e preparou o terreno a vários níveis. O ministério público por exemplo parece um cacifo com caixinhas de surpresas que vai abrindo ao saber de certas agendas políticas quando se aproximam eleições, e fecha aquelas cujo seu conteúdo possa vir a quebrar as telhas de quem tem telhados de vidro. Chama-lhe a isso tempo judicial. Não me recordo de ver o mesmo afã diligente quando se trata de corrupção e outros feitos de políticos ou figuras públicas da direita.

Canais de televisão procuram por todo o lado quem sem credibilidade queira dar a cara para, por tudo por nada, atribuir culpas ao Governo. Veja-se um indivíduo da região de Leiria que a TVI descobriu na altura da catástrofe de Pedrógão Grande atribuindo-lhe tempo de antena na hora nobre. Nada disse, mas serviu para atacar o Governo mesmo sem apresentar provas ou qualquer argumento válido. Tudo serve!  Na anterior legislatura passava-se o inverso, procurava-se tudo e todos os que viessem a dar o seu contributo a favor do governo.

O que se passou, e ainda passa, no último mês não é a favor de Portugal é contra Portugal. É a síndroma da perda do poder por uma direita capaz de “tudo” para recuperar o que, por culpa dela, perdeu, pretendendo voltar a recuperar mesmo sem um projeto definido para apresentar.  Alimenta-se de casinhos por aqui e por ali pata fazer oposição

Sem nada para oferecerem os partidos da eis aliança PáF, PPD/PSD e CDS-PP, cada um por sua vez, ou em simultâneo, voltam-se para acossar o Governo e os seus ministros que, afinal, é uma forma de esconderem as suas próprias fragilidades.

As eleições autárquicas aproximam-se e a preparação do Orçamento de Estado para 2018 já está em curso, há que fazer propaganda. Utilizam todos os canais disponíveis, redes sociais incluídas, para a desinformação e para criar instabilidade.  Não propõem soluções porque as não têm. Fazem um tipo de oposição partidária que recolha alguns dividendos eleitorais e nas sondagens. Os canais de televisão, em conluio, dão uma ajudinha para deitarem lume na fogueira. Não informam, atiçam o lume com a desculpa de ter que servir todas as tendências, é assim a democracia na comunicação social. Verificamos isso pela proveniência dos comentadores selecionados que comentam sem contraditório. Desconheço o critério, mas parece que, segundo eles, os espetadores não têm nada que saber. É comer e calar. São mais de noventa por cento da oposição da direita. As exceções são sempre em debate a dois e poucos todas as outras são monólogos escondidos sob uma falsa isenção. Os jornalistas moderadores muitas das vezes até facilitam tendencialmente a tarefa ao interlocutor. Há exceções, claro. Mas refiro-me uma visão generalista e de conjunto.

A isenção no comentário político não existe. Há sempre uma vinculação quer ideológica quer partidária. É assim, sejam ele da direita ou da esquerda.  Outra coisa é confrontarmo-nos com uma grande maioria de comentadores da direita que falam sem serem contraditados.

À boa maneira da estratégia de comunicação que beberam e que veio do tempo de Salazar têm agora ao seu dispor para a propagar novos meios de comunicação para onde lançam notícias falsas, numa tática de contra informação, deturpando acontecimentos, enganando e cultivando ódios. Utilizam o regime democrático que dizem defender, mas que, nem sempre, perfilham. Isto é, apenas o perfilham, quando lhes é conveniente. Fazem de qualquer acontecimento um sismo de alta magnitude na escala política com a ajuda de alguns servos fiéis e dedicados à causa.

Pelo meio geram-se sinistras e poderosas cumplicidades que acabam por trazer para o debate político casos pontuais que vão desenterrando aqui e ali, mas que nada têm a ver com o debate daquilo que às pessoas interessa, ajudados pelos fiéis instalados nos órgãos de informação que, em vez de informarem, utilizando-os para levar ao público, ele mesmo desinformado, um escrutínio pré condenatório, seja do que for, sem julgamento, ultrapassando o limiar da luz dos factos.

Para a direita há nomes que devem ser queimados a todo o custo. Não vivem bem com a competência à esquerda, preferem que a sua própria incompetência seja a que custo for, mesmo que os portugueses tenham que pagar por ela. Não gostam que a verdade atrapalhe um bom plano desestabilizador.

 

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 14:11
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Segunda-feira, 26 de Setembro de 2016

Confuso ou talvez não

Mediaconfusão.png

Duma maneira geral a comunicação social é vista como um dos fatores mais responsáveis pela criação de instabilidade social e de desconfianças sobre as práticas políticas dos diversos atores em presença. Não inventa as notícias, elas existem, mas molda-as, adequa-as para terem mais impacto, alterando ou acrescentando sentidos. Os objetivos para tal podem ser vários e dependem das linhas editoriais, da necessidade de amplificação do impacto que o acontecimento ou a notícia possam ter para atrair o interesse do público para a compra e, no caso da televisão, para o aumentar as audiências.

Sem que seja caso único é um bom exemplo o que tem alimentado nos últimos dias, debates, notícias, informações e contrainformações sobre o caso dum potencial imposto sobre o património acumulado desnecessariamente causado por Marina Mortágua do BE.

A liberdade de imprensa que temos (impressa e televisiva) é um bem que deve ser preservado, contudo, corre sempre o risco de estar a ser limitada, condicionada, mesmo não existindo trâmites censórios próprios dos regimes ditatoriais, como era no tempo de Salazar e Caetano.

A pergunta que podemos colocar é a de saber se em democracia existe ou não uma tendência para o controle da comunicação social por grupos económicos através de "correias de transmissão" ligadas a ideologias e partidos políticos, mais ou menos dissimuladas.

A análise dos jornais, noticiários e comentários televisivos mostra-nos algumas tendências que se manifestam mais a favor, ou mais contra, consoante o ponto de vista ideológico de quem está no poder.  

Não deve ser noticiado apenas o que é bom e agradável mas estamos exaustos de ver e ouvir todos os dias notícias negativistas, o fatalismo como sendo as únicas notícias. Noticia-se o que é superficial e fútil e não o relevante. Sabe-se, eles sabem, os da comunicação, que isso é que "vende" e, por isso, insistem. A competição comercial entre canais a isso obriga, deixando a ética como se fosse um objeto sem valor. Espetacularização e sensacionalismo são a chave do negócio.

O alinhamento noticioso dos canais de televisão começou a adotar o modelo de outros canais como o CMTV onde, diariamente, se gasta tempo demais com são oferecidos crimes, marginalidade, corrupção, dinheiro sujo, estúpidos concursos, factos privados enfatizados ad nauseam, gira-se à volta de quem tem dinheiro e declarações de má política, mas compacta-se ao máximo no espaço e no tempo uma qualquer ideia, reflexão construtiva ou qualquer contributo positivo.

O que vemos nos canais noticiosos será de facto o retrato do país onde tudo o que acontece é mau? Desde que não esteja em linha com o que ideologicamente eles, os senhores dos comentários, pensam e que acham deveria ser e porque se quer estar do lado dos opositores que perfilham é tudo mau. Foi assim no passado recente, mas ao contrário.

Não se pode ser otimista irrefletido mas, o que se vê na "fotografia" dos media é um pessimismo paralisante e um fatalismo permanente. Comentar é também criticar com imparcialidade, com isenção, não apenas atacar por mera fação e questão ideológica de que, afinal, acusam outros. Ou, então, criticam porque sim.

Penso que já referi várias vezes neste blog a impressão negativa que tenho sobre alguns comentadores da televisão e sobre artigos de opinião escritos, independentemente de estar ou não de acordo com eles, venham da direita ou da esquerda. Nem tudo o que uns gostam de ouvir ou ler agradará a outros. Uma coisa é o debate de ideias e de pontos de vista em democracia, outra é o "arranjo" argumentativo falacioso propositadamente construído com deturbação e interpretação abusiva de opiniões, acontecimentos ou factos ainda não comprovados. Outro caso ainda é dizer-se que uma coisa é preta quando é evidente a perceção comprovada de que é branca. Isto é, nega-se uma realidade, lança-se-lhe umas pinceladas de frases mais ou menos demagógicas e populistas para se poder a continuar a dizer que aquela coisa é preta.

Neste segundo semestre aconteceu haver uma agitada dança de cadeiras a nível das direções em jornais e rádio, o que para o cidadão comum não é novidade. As justificações são sempre as mesmas, reorganizações, ajustamentos, rentabilizações, etc. e, por vezes, estas mudanças estão também ligadas a mudanças de orientação editorial. Desta vez estas mudanças verificam-se ocasionalmente num ano em que um Governo é apoiado por uma maioria parlamentar de esquerda.

Na direção do Diário de Notícias encontra-se desde setembro Pedro Baldaia que era diretor da TSF; David Dinis que saiu do jornal Sol, fundou com outros o jornal online Observador e foi para diretor da TSF donde sairá para passar a dirigir, a partir de 3 de outubro, o jornal Público. Também, José Miguel Tavares, passou a ter direito naquele jornal a mais um diazinho por semana para divulgar as suas facciosas opiniões. A direção do jornal i que mudou várias vezes (em pouco mais de seis anos de vida, o jornal já teve quatro proprietários e sete direções), cabe desde 15 de dezembro de 2015 a Mário Ramires que também é presidente do conselho de administração da proprietária do jornal, a NEWSPLEX, SA., e também do semanário Sol. O jornal i e o Sol anteriormente pertenciam à Newshold, empresa angolana liderada por Álvaro Sobrinho que tinha investido na entrada do capital da Cofina, (dona do "CM" - Correio da Manhã) e da Impresa (dona do Expresso).

A crise que há na imprensa escrita vai alastrando e por ela a liberdade de expressão dos jornalistas pode ser condicionada face a uma potencial perda de emprego à vista. As razões apresentadas são várias, normalmente de natureza financeira e económica que levam ao despedimento e a rescisões por mútuo acordo de jornalistas. A razão para que este ano exista tal azáfama leva-me a pensar. Mas isto de momento não nos interessa.

Publicado por Manuel Rodrigues às 16:55
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Livros que já li

Prisioneiros da Geografia Tim Marshall As cidades invisíveis Italo Calvino Quando Portugal Ardeu Miguel Carvalho A Vida Secreta dos Livros O Romancista ingenuo e o sentimental de Orham Pamuk malbe

Os porques da esperança.png

Demorei algum tempo a ler este livro mais do que o costume. Livro sobre a política nacional sobre a forma de entrevistas que passaram na TVI 24 efetuada por um provocador nato cujas respostas são dadas por um astuto tribuno da palavra. Livro que aborda temas nacionais da política recente com uma abordagem em que as palavras se se entrelaçam com alguma exposições mais académicas. Um bom manual para quem se interesse pela política em Portugal nos últimos tempos.  

 

 

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Rodrigues, Manuel A (2011). Geografia Social Urbana na Licenciatura em Educação Social, Cadernos de Investigação Aplicada, (5). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas


Rodrigues, Manuel A (2010). Didática da Geografia: recurso à Literatura como proposta interdisciplinar, Cadernos de Investigação Aplicada, (4). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas. .


Rodrigues, Manuel A (2008). Televisão e os efeitos de exposição a mensagens televisivas na educação: o efeito da terceira pessoa, Cadernos de Investigação Aplicada, (2). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas.


Rodrigues, Manuel A (2005). Do Presencial ao Online: um estudo de sobre a atitude de estudantes face a situação de aprendizagem online, Actas do VII Simpósio Internacional de Informática Educativa-SIIE05, Escola Superior de Educação de Leiria.


Rodrigues, Manuel A (2004). Um Modelo de Formação em Ambiente Misto de e-Learning (Blended Learning): uma experiência na disciplina de Tecnologia Educacional, Actas da Conferência eLes’04: e-Learning no Ensino Superior, Universidade de Aveiro.


Rodrigues, Manuel A (2004). Marionetas em Liberdade: a identidade pe(r)dida com as novas exigências curriculares, Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas.


Rodrigues, Manuel A (2000). Ciberespaço, Internet e as Fronteiras da Comunicação Educacional, Lisboa, Universidade Aberta. Porbase, CDU 37.01(043), 159.95043), 005.73Internet(043.2),371.1043)

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