Terça-feira, 25 de Julho de 2017

Dos ciganos à formação de milícias populares vai um passo

Milicias populares.png

Já escrevi várias vezes neste blog que a direita com os seus comentadores e colunistas de opinião que proliferam como cogumelos nas televisões e na imprensa, à falta de substância para fazer oposição, centram-se na infelicidade das catástrofes dos incêndios e em casinhos que vão descobrindo, aqui e ali, para fazer política de cariz partidário obsessivo, oportunista e reles.

Digo direita porque há só uma, igual, sem diferença no que toca a projeto político de governação. porque não o têm e nada têm para oferecer. A direita na sua atuação é una, construiu uma união partidária de interesses com diferenças que esmiuçada nada as distingue. Os seus interesses efetivos são os de captar uns votinhos e nada dizem à maioria dos portugueses. Apostou na destruição do país e não para de a forçar.

Manuel Ferreira Leite no seu comentário semanal na TVI24 já disse. mais do que uma vez. que fica contristada quando se referem ao seu PSD como sendo um partido de direita. Terá sido no passado um partido social democrata, mas já não o é, e não é de agora. Ela ainda vive no sonho de o seu partido não ser de direita, e posiciona-se como não sendo. Nem centro direita já é. A seta laranja, símbolo do partido, inclina-se perigosamente e cada vez mais para a direita se não houver dentro dele quem trave a escalada.

Não sou defensor dos ciganos, para mim são pessoas cuja atuação e cultura desagrada a muitos terão de certo razão para tal porque saem e ultrapassam das regras do sociável onde se inserem rejeitando alguns até a integração social.  Há razões para tal porque a comunidade cigana, não toda, oportunisticamente aproveita tudo o que o estado lhe possa garantir sem dar contrapartida, em alguns casos até trapaceando. Mas isso compete ao Governo detetar e pôr termo com os mecanismos legais que tiver ao seu dispor. Mas não é por isso não deixam de ser pessoas.

Passos Coelho veio a público fazer questão de considerar serem suficientes as explicações dadas pelo seu candidato, isto é, aceitou como boa a reprodução dos mesmos princípios discriminatório dos ciganos com que Ventura se foi enlameando atolando durante a semana, em diferentes tons e com variadas não pelo princípio, mas na forma.

Eis senão quando, André Ventura (que à falta de outro partido com suficiente visibilidade se filiou no PSD, e aqui está, Drª Ferreira Leite, como o partido se transforma) esse jovem debutante que o PSD lançou para a ribalta das autárquicas de Loures saiu-se com outra grande intervenção inspirada e eloquente que parece ter sido tirada das páginas discursivas de ditadores que dominam nos governos totalitários assume que  “se o Governo insistir em não dar à PSP os meios para Loures ser um concelho mais seguro” e não terá “outra hipótese que não criar um exército em Loures”. “A polícia municipal terá que ser um exército de proteção”. A leitura pode ser feita no sentido de “vamos criar milícias populares” e, porque não, uma legião lourense.  A conversa sobre “criar um exército em Loures” com a Polícia Municipal é de uma gravidade sem precedentes para qualquer candidato de um partido que defenda o estado de direito. O autor do despautério que dizem ser professor universitário e até parece que dá umas aulas de direito, sabe certamente disso (será que sabe?) deve estar já a preparar-se para dizer que as suas declarações devem ser só entendidas no sentido figurado ou qualquer outra “treta” do género.

Publicado por Manuel Rodrigues às 10:16
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Terça-feira, 18 de Julho de 2017

O caso do candidato que mostra o que é mas que afinal não é

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"Não somos racistas nem xenófobos, nem nunca o fomos", mas continuaremos a apoiar o nosso candidato, foi assim que Passos Coelho de pronunciou sobre o caso André Ventura, mas que afinal parece que o é mas Passos diz que não é.

O PSD voltou a ser PPD e, pelos primeiros ensaios para a mudança de liderança, o seu caminho vai ser o populismo. Segue no sentido duma estratégia idêntica à de Trump, de Le Pen e outros populistas da extrema direita.

O caso do candidato do CDS André Ventura à autarquia de Loures é paradigmático. CDS-PP deixa cair André Ventura e PSD mantém apoio e abandona coligação.

O partido neofascista e próximo do neonazismo PNR, cuja ideologia se pauta pelo nacionalismo, conservadorismo social, populismo, protecionismo, anti-NATO, eurocepticismo, anti-imigração já veio dizer através dos eu líder José Pinto Coelho, que “Infelizmente, ao que parece, alguns dos ‘meus’ ainda andam pelos partidos do sistema”. O líder da extrema-direita neofascista reagiu à entrevista de André Ventura ao jornal i escrevendo no Twitter que André Ventura é um dos “seus”.

Parece ser este o caminho do populismo que a nova orientação do PPD/PSD está a seguir aliás começam a ser notórias as intervenções e Montenegro, agora que está de saída, para dar lugar a um outro “jovem” Hugo Soares que quer visibilidade e que será provável ir substituí-lo como líder da bancada PPD/PSD. É um dos que para se aproximar da direita extrema só lhe faltam a penas. Iremos confirmar isso posteriormente se se concretizar a sua candidatura.  

Publicado por Manuel Rodrigues às 20:38
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Segunda-feira, 17 de Julho de 2017

A ameaça virulenta da direita

Doença da direita.png

A oposição de direita está doente e, pior ainda, em vez curar as suas chagas internas utiliza-as para propagandear valores que há muito vimos varrer da face da Europa e que não são os nossos para obter mais uns votos.

O candidato pela PáF, PSD-CDS/PP, às autárquicas de Loures, André Ventura, provocou a indignação até na própria direita no seu partido devido a declarações proferidas sobre a etnia cigana. São estes os jovens na política, deserdados de valores, que se perfilam para liderar os partidos de direita e mais tarde a Nação.

O dirigente do CDS-PP Francisco Mendes da Silva chegou até a afirmar que já deseja que o candidato perca, e passo a citar: “Não há praticamente nada que André Ventura diga que eu não considere profundamente errado, ligeiro, fruto da ignorância e de um populismo que tanto pode ser gratuito, telegénico ou eleitoralista. Já o vi falar de tudo e mais alguma coisa, em muitos casos de assuntos que conheço técnica e/ou factualmente. Nunca desilude na impreparação e no gosto em ser o porta-estandarte das mais variadas e assustadoras turbas. Se perder, tudo bem: que nem mais um dia o meu partido fique associado a tão lamentável personagem. Apenas guerrinhas entre jovens do partido? Acredito na sinceridade de Mendes da Silva que se insurgiu face às declarações do seu companheiro de partido.

André Ventura sabe bem o que diz, e porque o diz. Para ganhar uns votinhos aqui e ali vai no sentido de interpretar o pensamento corrente de alguns setores da sociedade que estão a ser contaminados por certos vírus partidários, de cariz social racista e étnico, e que inoculam cada vez mais vírus em lugar de procurar antitudos para os eliminar.  Agora são os ciganos, seguir-se-ão os africanos e que mais haja. Para aqueles penduras da política serão todos eles causa dos males sociais.

Recordo-me (2009?) de Paulo Portas também se ter insurgido com um discurso idêntico, embora mais subtil, de forma mais contida e mais pensada, dizendo que "Este país avança com trabalho, avança com aqueles que contribuem para a riqueza da nação, (...) não avança com financiamentos à preguiça", e acrescentava existem "cada vez mais abusos, cada vez mais fraudes", por parte de beneficiários do RSI. "Gente que, pura e simplesmente, não quer trabalhar e quer viver a custa do contribuinte", acusava, numa ação de campanha num mercado local na Figueira da Foz. Mas Paulo Portas é Paulo Portas, sabe quando e como dizer. Não identifica, lança para o ar e quem quiser que apanhe.

Em 2013 também um elemento do PPD/PSD, Carlos Peixoto, deputado por aquele partido, num artigo de opinião publicado no jornal i, referindo-se ao aumento da população idosa, afirmou que “a nossa pátria foi contaminada com a já conhecida peste grisalha“.

Portanto, a direita, pela voz de alguns dos herdeiros ideológicos de famílias do passado, está, tendencialmente, caminhando para a criação de fenómenos de ostracização e de exclusão de setores da população.

Dirão alguns que estes são umas andorinhas e que uma andorinha não faz a primavera. Pois é, mas termino dizendo que grão a grão enche a galinha o papo.

Publicado por Manuel Rodrigues às 15:40
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Livros que estou a ler

Livros que já li

Quando Portugal Ardeu Miguel Carvalho A Vida Secreta dos Livros O Romancista ingenuo e o sentimental de Orham Pamuk malbe

Os porques da esperança.png

Demorei algum tempo a ler este livro mais do que o costume. Livro sobre a política nacional sobre a forma de entrevistas que passaram na TVI 24 efetuada por um provocador nato cujas respostas são dadas por um astuto tribuno da palavra. Livro que aborda temas nacionais da política recente com uma abordagem em que as palavras se se entrelaçam com alguma exposições mais académicas. Um bom manual para quem se interesse pela política em Portugal nos últimos tempos.  

 

 

Piketty_Capit_SecXXI


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Crónica dos dias do lixo



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Rodrigues, Manuel A (2011). Geografia Social Urbana na Licenciatura em Educação Social, Cadernos de Investigação Aplicada, (5). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas


Rodrigues, Manuel A (2010). Didática da Geografia: recurso à Literatura como proposta interdisciplinar, Cadernos de Investigação Aplicada, (4). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas. .


Rodrigues, Manuel A (2008). Televisão e os efeitos de exposição a mensagens televisivas na educação: o efeito da terceira pessoa, Cadernos de Investigação Aplicada, (2). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas.


Rodrigues, Manuel A (2005). Do Presencial ao Online: um estudo de sobre a atitude de estudantes face a situação de aprendizagem online, Actas do VII Simpósio Internacional de Informática Educativa-SIIE05, Escola Superior de Educação de Leiria.


Rodrigues, Manuel A (2004). Um Modelo de Formação em Ambiente Misto de e-Learning (Blended Learning): uma experiência na disciplina de Tecnologia Educacional, Actas da Conferência eLes’04: e-Learning no Ensino Superior, Universidade de Aveiro.


Rodrigues, Manuel A (2004). Marionetas em Liberdade: a identidade pe(r)dida com as novas exigências curriculares, Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas.


Rodrigues, Manuel A (2000). Ciberespaço, Internet e as Fronteiras da Comunicação Educacional, Lisboa, Universidade Aberta. Porbase, CDU 37.01(043), 159.95043), 005.73Internet(043.2),371.1043)

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