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ZOOM SOCIAL - Cultura, sociedade e política

Apontamentos, comentários e OPINIÕES sobre política, economia, educação, sociedade e cultura. Confronto de afirmações, reflexões e contradições sobre o modelo social que temos.

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Regresso ao passado ou um paradigma socialista

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Uma notícia da jornalista Sónia Sapage publicada no jornal Público de hoje vem confirmar o que ultimamente tenho vindo a prever. O grupo de sapa da ala neoliberal do PSD, devota de Passos Coelho e apoiante de Santana Lopes nas eleições diretas, estão  a levantar a voz com exigências a Rui Rio.  

Segundo aquele jornal Miguel Pinto Luz ex-líder do PSD-Lisboa e atual vice-presidente do Município de Cascais assinou uma longa carta, com quatro páginas A4, dirigida ao líder eleito do PSD. O atual vice-presidente de Carlos Carreiras na Câmara de Cascais traça as linhas vermelhas que Rio não pode ultrapassar: na descentralização, no orçamento, em questões europeias. E deixa sete perguntas a Rui Rio.

Ainda segundo o mesmo jornal aquele que esteve para ser candidato a líder do PSD para além de propostas e sugestões a Rui Rio, como por exemplo a da limitação dos mandatos dos deputados, deixa, sobretudo, sete perguntas à espera de uma resposta de Rui Rio e que são apresentadas abaixo e que podem confirmar aqui:

  1. O que pensa sobre a sustentabilidade do Estado social em Portugal? Como deve ser reformado?
  2. O PSD vai defender o aprofundamento da liberdade de escolha para as famílias, nomeadamente na educação e na saúde?
  3. Como garantir a sustentabilidade do sistema de pensões, respeitando os pensionistas sem penalizar as novas gerações?
  4. Qual a sua proposta para harmonizar o contexto laboral num país com milhares de trabalhadores com vínculos precários?
  5. Que medidas vai apresentar para reter o talento dos nossos jovens, produzidos pelas universidades?
  6. Qual o papel do Estado no apoio à Ciência e à Inovação?
  7. A atividade cultural deve merecer apoio público?

Uma análise atenta às perguntas mostra que podem ser uma espécie de armadilha para obrigar o atual líder a definir a posição ideológica orientadora do partido e não parecem ser de resposta fácil. Para quem quer o regresso do partido à social-democracia real que não esteja apenas num nome, mas que seja exercida na prática é mesmo uma armadilha.

As perguntas são uma forma de pressão sobre o líder eleito para o cumprimento dum programa neoliberal que possibilite uma reversão das medidas tomadas pelo Governo com o apoio da atual maioria parlamentar.

A primeira pergunta, sobre a questão da sustentabilidade e já mais do que conhecida e sobre as quais o Governo já fez algumas alterações. A pergunta é uma armadilha ao dizer de forma vaga “respeitando os pensionistas” sem mais. Sobre esta questão todos ficámos a saber no passado o que se pode esperar.

A segunda é mais do que evidente pretende o regresso à balbúrdia dos contribuintes voltarem a subsidiar os colégios do ensino privado através dos impostos e do qual apenas se aproveitam os que têm mais desafogo económico.

A pergunta três é demagógica e pretende mostrar hipocritamente que se interessa, como a esquerda, pelo problema quando durante os mandatos do governo PSD e CDS estes partidos nunca se pronunciaram nem tomaram qualquer medida objetiva para uma solução. Agora lembram-se!

A quarta pergunta é hilariante. Medidas para “reter o talento dos nossos jovens, produzidos pelas universidades”. A memória é fraca. Esquecem-se que milhares de jovens foram obrigados a sair país no governo do seu devoto e quase eis líder do partido. Ah! É verdade culpa da troica.

A quinta pergunta terá sido inspirada pela narrativa socialista e que consta do seu programa eleitoral. Ou terá sido mesmo plagiada?

A sexta pergunta sobre se a atividade cultural deve merecer apoio público, para além de ser ambígua parece ser tirada duma anedota.  Mas esta ala do partido o que pensa? Que seja ou não apoiado. Se ao responder disser sim eles dizem que não deve porque isso é socialização da cultura. Se ao responder disser não podem vir a dizer que sim pois que a cultura é importante para o país. Ou então pode ficar-se na chamada meias-tintas Estranho é que, quem passou a cultura para secretaria de estado venha agora pedir medidas sobre a cultura que a corrente que representam foi sempre residual.

O que se irá passar no PSD não interessa apenas aos seus militantes e aos seus eleitores crónicos, mas também a todos nós porque de armadilhas ficámos fartos durante os anos de governação PSD-CDS.