Segunda-feira, 10 de Outubro de 2016

O lamentável espetáculo dos taxistas são prova do serviço de qualidade

Taxistas_2.png

 

Se há alguém que tem que mudar são os táxis. Os taxistas ainda não perceberam que tudo está em mudança, incluindo os transportes e a mobilidade urbana.

A manifestação dos taxistas por boas razões que tenha não é mais do que um protesto que apenas serve para protelar um problema que, mais tarde ou mais cedo, terá apenas um fim, o reconhecimento de empresas do tipo Uber e Cabify ou quaisquer outras que se instalem no mercado. Os taxistas estarão sempre contra qualquer legislação desde que não seja a manutenção dum monopólio cujas traves mestras da lei que os regulamenta, como sejam contingentes, limites geográficos, viaturas caracterizadas que data dos anos 40 fazendo de conta que desconhecem que o mundo está a mudar. Por mais que se justifiquem alegando que o problema é da lei injusta o que na realidade pretendem é continuar com o monopólio deste tipo de transporte. A classe constituiu-se numa espécie de máfia dos transportes individuais que destrói propriedade alheia (a dos concorrentes que não fazem parte do grupo) para manter o controle dos transportes públicos individuais dos espaços urbanos.

Os estabelecimentos de venda direta ao público de bens e serviços deveriam também manifestar-se contra as vendas dos mesmos online, porque estes estão também em manifesta vantagem em relação aos tradicionais.

O que os táxis pretendem é o que, naturalmente, o comércio e serviços das grandes cidades gostaria também pretenderiam. Numa economia de mercado que todos desejamos a competição é salutar para melhoramento dos serviços prestados.

Não são os taxistas que ditam o que é bom, ou o que é mau, nem a qualidade dos serviços que uns e outros prestam, é o cliente que sabe o que quer, e que, quando não quer, ou não lhe serve, possa escolher.

As desculpas das obrigações e os encargos que uns têm e outros não, são determinados pela legislação. Poderão os taxistas ter razão, mas o problema não é esse, é que mesmo que assim fosse arranjariam novos argumentos para contestar qualquer novo modelo de serviço prestado.
Eles têm direitos e obrigações de serviço público, como sejam os benefícios fiscais na compra dos veículos, o uso das faixas BUS, o exclusivo das praças de táxi, a simplicidade de formar um contrato de transporte com o cliente a partir de um simples braço no ar na via pública. Estas vantagens que são (e serão) exclusivas dos táxis têm obrigações correspondentes. O preço é “dado” pelo taxímetro, os condutores são profissionais, as Autarquias decidem qual o número de táxis no seu território.

O que pretendem é manter o monopólio dos transportes individuais nas cidades.

As novas tecnologias que a Uber ou qualquer outra empresa utilizam facilita a vida aos cidadãos deste modo os taxistas deverão responder adaptando-se, arranjando novas soluções para poderem competir. Vivemos num mercado de livre iniciativa e a concorrência é salutar para o consumidor.

Recordo-me há alguns anos que os taxistas na altura se insurgiram contra o alargamento do acesso a novos alvarás. É uma classe conservadora do seu monopólio, sem capacidade de inovação, acomodada a uma legislação que, de certo modo, sempre os protegeu apesar de lhes exigir demasiado.

Claro que o PCP aproveita a oportunidade política para mostrar o seu conservadorismo no que se refere à evolução e ao mercado da livre concorrência. Revê-se na corporação taxista por ser uma espécie do sempre sonhou, o mercado controlado por monopólios geridos pelo Estado. Por outro lado, protege cooperativas de táxis que lhe são mais ou menos afetas.

Não é justo que os táxis tenham de pagar alvarás e licenças e os condutores da Uber não, mas os táxis devem arranjar alternativas de concorrência com a Uber fornecendo serviços de transporte público, individual, que também o são, com inovação e competindo em qualidade.

A Uber não é um táxi é um serviço de condutor e viatura que eu contrato particularmente para me transportar para onde quero. Os taxistas não querem perder o controle da cidade, não querem mudança que sirva para melhorar o serviço aos utentes.

Publicado por Manuel Rodrigues às 16:27
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1 comentário:
De pvnam a 11 de Outubro de 2016 às 00:13
Toda a gente sabe que são de uma belezura de ética:
- as Multinacionais Monopolistas compraram empresas para depois as fechar... leia-se, reduziram a capacidade negocial de fornecedores... leia-se, esmagaram fornecedores (FIZERAM DESAPARECER milhões de pequenas e médias empresas) - todavia o seu lucro é sempre sagrado...
Adiante.
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Existem dois tipos de famílias:
1) as que procuram preservar aquilo que herdaram;
2) as 'comissões liquidatárias' que - numa alegre bandalheira - vão desbaratando tudo o que herdaram.
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NÃO É NOVIDADE 1: Ao longo da História... montes de civilizações/sociedades desapareceram numa alegre bandalheira.
.
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Já foi a venda de Empresas Públicas Estratégicas (electricidade, gasolina, etc)...
Segue-se o massacre da classe média (que poupa e investe) com impostos.
Mais: a pouco e pouco a Comissão Liquidatária (pessoal numa alegre bandalheira em direcção ao desaparecimento) vai vendendo tudo aquilo que poderem... a Multinacionais Monopolistas.
.
E mais: a sociedade (nativa) NÃO É SUSTENTÁVEL (média de 2.1 filhos por mulher); o pessoal critica da repressão dos Direitos das mulheres... todavia, em simultâneo, para cúmulo, o pessoal defende que... no aproveitar da 'boa produção' demográfica proveniente de determinados países {nota: 'boa produção' essa... que foi proporcionada precisamente pela repressão dos Direitos das mulheres - ex: islâmicos}... é que está a 'salvação' para resolver o problema do deficit demográfico!?!?!?!
.
.
NÃO É NOVIDADE 2: Ao longo da História... vários povos construíram muros... tendo em vista conseguirem sobreviver.
.
.
RESUMINDO E CONCLUINDO:
Não há conversa nem com marionetas ao serviço da alta finança (capital global) nem com pessoal numa alegre bandalheira em direcção ao desaparecimento... leia-se SEPARATISMO-50!
Os 'globalization-lovers', UE-lovers e afins... que fiquem na sua... desde que respeitem os Direitos dos outros... e vice-versa.
-» http://separatismo--50--50.blogspot.com/.
[o legítimo Direito à sobrevivência das Identidades Autóctones]
[O primeiro passo será/é ir divulgando a ideia de SEPARATISMO nos países aonde a população nativa está sendo submergida pelo crescimento demográfico imparável dos não-nativos naturalizados]


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Quando Portugal Ardeu Miguel Carvalho A Vida Secreta dos Livros O Romancista ingenuo e o sentimental de Orham Pamuk malbe

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Demorei algum tempo a ler este livro mais do que o costume. Livro sobre a política nacional sobre a forma de entrevistas que passaram na TVI 24 efetuada por um provocador nato cujas respostas são dadas por um astuto tribuno da palavra. Livro que aborda temas nacionais da política recente com uma abordagem em que as palavras se se entrelaçam com alguma exposições mais académicas. Um bom manual para quem se interesse pela política em Portugal nos últimos tempos.  

 

 

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