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ZOOM SOCIAL - Cultura, sociedade e política

Apontamentos, comentários e OPINIÕES sobre política, economia, educação, sociedade e cultura. Confronto de afirmações, reflexões e contradições sobre o modelo social que temos.

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Lógica e metáfora do PSD

Os dois caminhos.png

A observação do PSD sobre o valor do défice que foi conseguido faz-me lembrar o diálogo de Alice com o Gato no livro “Alice no país das maravilhas” de Lewis Carroll:

O senhor poderia dizer-me, por favor, qual o caminho que devo tomar para sair daqui?

Isso depende muito de para onde quer ir, respondeu o Gato.

Não me importo muito para onde, retorquiu Alice.

Então não importa o caminho que você escolha, disse o Gato.

Contanto que vá dar a algum lugar, completou Alice.

Oh! Se caminhar bastante pode ter a certeza que vai lá chegar, disse o Gato.

A lógica é a ciência do raciocínio que estabelece as regras que o pensamento e o discurso devem seguir para serem coerentes, e a metáfora é uma figura de estilo utilizada na oratória e na literatura que consiste em designar um objeto ou ideia por uma ou conjunto de palavras ligada por uma analogia que produza sentidos figurados.

Vem isto a propósito das considerações sobre a redução do défice para 2,1% que o PSD teve que reconhecer publicamente a meta atingida, embora pareça óbvio que não terá sido de boa vontade, não poderia, contudo, agir de outra forma. O PSD considerou a redução do défice “positiva”, mas "feita pelo caminho errado". Ora é neste ponto nos encontramos com a lógica e com a metáfora.

Se para atingir os 2,1% de défice seguiu-se um caminho errado, então o seu valor é falso porque, ou só havia um caminho o do PSD, ou havia outro também certo. Para o PSD a lógica é se algo não é homem, então não é mamífero, o que é uma falácia. 

Quer dizer, foi atingido o objetivo, mas seguiu-se o caminho errado. O PSD e CDS seguiam o caminho certo e não conseguiram chegar ao destino. Se tivessem seguido outro caminho mais tortuoso e longo, o mais provável seria ou não chegarem ao destino ou então chegariam bastante tarde ao destino carregando com as consequências.

Ora vejamos: quando seguimos por um caminho errado é pouco provável que cheguemos ao nosso destino, o que não foi o caso. Se optarmos por outro percurso, embora certo, mas tortuoso, chegaremos tarde ao destino. Resta saber qual seria o caminho certo para o PSD de modo a chegar ao destino sem ser fora de tempo. Poder-se-á sempre pensar que seria o caminho por ele traçado anteriormente, mas pleno de incertezas de poder chegar ao destino.

Consideremos por outro lado que a afirmação do PSD seria uma metáfora, cujo sentido figurado era o de que o PSD possuía a chave do problema, então para resolver a solução não seria a fechadura que abre a porta, mas o encontrar a chave certa. Quer dizer, o caminho correto seria unicamente o seguido pelo PSD que já ficou provado que não era o adequado, isto é, não tinha a chave certa para abrir a porta. Diz, no entanto, que o atual Governo a abriu com a chave que não era para aquela fechadura, o que não condiz com a afirmação prévia.

Se assim fosse o destino não teria sido atingido e o caminho correto seria outro. Porém, não está provado que esse outro caminho (a chave), o do PSD, fosse o certo. Pode questionar-se o PSD e o CDS sobre qual a sua orientação, se é que ela existe.