Domingo, 26 de Março de 2017

Lógica e metáfora do PSD

Os dois caminhos.png

A observação do PSD sobre o valor do défice que foi conseguido faz-me lembrar o diálogo de Alice com o Gato no livro “Alice no país das maravilhas” de Lewis Carroll:

O senhor poderia dizer-me, por favor, qual o caminho que devo tomar para sair daqui?

Isso depende muito de para onde quer ir, respondeu o Gato.

Não me importo muito para onde, retorquiu Alice.

Então não importa o caminho que você escolha, disse o Gato.

Contanto que vá dar a algum lugar, completou Alice.

Oh! Se caminhar bastante pode ter a certeza que vai lá chegar, disse o Gato.

A lógica é a ciência do raciocínio que estabelece as regras que o pensamento e o discurso devem seguir para serem coerentes, e a metáfora é uma figura de estilo utilizada na oratória e na literatura que consiste em designar um objeto ou ideia por uma ou conjunto de palavras ligada por uma analogia que produza sentidos figurados.

Vem isto a propósito das considerações sobre a redução do défice para 2,1% que o PSD teve que reconhecer publicamente a meta atingida, embora pareça óbvio que não terá sido de boa vontade, não poderia, contudo, agir de outra forma. O PSD considerou a redução do défice “positiva”, mas "feita pelo caminho errado". Ora é neste ponto nos encontramos com a lógica e com a metáfora.

Se para atingir os 2,1% de défice seguiu-se um caminho errado, então o seu valor é falso porque, ou só havia um caminho o do PSD, ou havia outro também certo. Para o PSD a lógica é se algo não é homem, então não é mamífero, o que é uma falácia. 

Quer dizer, foi atingido o objetivo, mas seguiu-se o caminho errado. O PSD e CDS seguiam o caminho certo e não conseguiram chegar ao destino. Se tivessem seguido outro caminho mais tortuoso e longo, o mais provável seria ou não chegarem ao destino ou então chegariam bastante tarde ao destino carregando com as consequências.

Ora vejamos: quando seguimos por um caminho errado é pouco provável que cheguemos ao nosso destino, o que não foi o caso. Se optarmos por outro percurso, embora certo, mas tortuoso, chegaremos tarde ao destino. Resta saber qual seria o caminho certo para o PSD de modo a chegar ao destino sem ser fora de tempo. Poder-se-á sempre pensar que seria o caminho por ele traçado anteriormente, mas pleno de incertezas de poder chegar ao destino.

Consideremos por outro lado que a afirmação do PSD seria uma metáfora, cujo sentido figurado era o de que o PSD possuía a chave do problema, então para resolver a solução não seria a fechadura que abre a porta, mas o encontrar a chave certa. Quer dizer, o caminho correto seria unicamente o seguido pelo PSD que já ficou provado que não era o adequado, isto é, não tinha a chave certa para abrir a porta. Diz, no entanto, que o atual Governo a abriu com a chave que não era para aquela fechadura, o que não condiz com a afirmação prévia.

Se assim fosse o destino não teria sido atingido e o caminho correto seria outro. Porém, não está provado que esse outro caminho (a chave), o do PSD, fosse o certo. Pode questionar-se o PSD e o CDS sobre qual a sua orientação, se é que ela existe.

Publicado por Manuel Rodrigues às 15:52
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Prisioneiros da Geografia Tim Marshall As cidades invisíveis Italo Calvino Quando Portugal Ardeu Miguel Carvalho A Vida Secreta dos Livros O Romancista ingenuo e o sentimental de Orham Pamuk malbe

Os porques da esperança.png

Demorei algum tempo a ler este livro mais do que o costume. Livro sobre a política nacional sobre a forma de entrevistas que passaram na TVI 24 efetuada por um provocador nato cujas respostas são dadas por um astuto tribuno da palavra. Livro que aborda temas nacionais da política recente com uma abordagem em que as palavras se se entrelaçam com alguma exposições mais académicas. Um bom manual para quem se interesse pela política em Portugal nos últimos tempos.  

 

 

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Rodrigues, Manuel A (2010). Didática da Geografia: recurso à Literatura como proposta interdisciplinar, Cadernos de Investigação Aplicada, (4). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas. .


Rodrigues, Manuel A (2008). Televisão e os efeitos de exposição a mensagens televisivas na educação: o efeito da terceira pessoa, Cadernos de Investigação Aplicada, (2). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas.


Rodrigues, Manuel A (2005). Do Presencial ao Online: um estudo de sobre a atitude de estudantes face a situação de aprendizagem online, Actas do VII Simpósio Internacional de Informática Educativa-SIIE05, Escola Superior de Educação de Leiria.


Rodrigues, Manuel A (2004). Um Modelo de Formação em Ambiente Misto de e-Learning (Blended Learning): uma experiência na disciplina de Tecnologia Educacional, Actas da Conferência eLes’04: e-Learning no Ensino Superior, Universidade de Aveiro.


Rodrigues, Manuel A (2004). Marionetas em Liberdade: a identidade pe(r)dida com as novas exigências curriculares, Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas.


Rodrigues, Manuel A (2000). Ciberespaço, Internet e as Fronteiras da Comunicação Educacional, Lisboa, Universidade Aberta. Porbase, CDU 37.01(043), 159.95043), 005.73Internet(043.2),371.1043)

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