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ZOOM SOCIAL - Cultura, sociedade e política

Apontamentos, comentários e OPINIÕES sobre política, economia, educação, sociedade e cultura. Confronto de afirmações, reflexões e contradições sobre o modelo social que temos.

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A síndrome do poder perdido ou a falta de originalidade oposicionista

Memória curta.pngSíndrome é um tipo de comportamento negativo ou estado mental que é típico duma pessoa numa situação específica. É caso clássico da síndrome da dona de casa, por exemplo, que se encontra aborrecida e enervada que não tendo nada para fazer passa os dias nas compras e cujo objetivo é passar o tempo.

A síndrome do PSD, mais do que do CDS, é o caso dum partido que se encontra perdido e toma posições incoerentes se tivermos em conta o que foi dizendo durante os quatro anos em que esteve no Governo. Encontrando-se sem rumo, nem projeto coerente para apresentar vai passando o tempo a afirmar a sua presença contradizendo tudo quanto disse quando foi poder, como o fez há poucos dias Maria Luís Albuquerque.

 A ex-ministra das Finanças do Governo de Passos Coelho disse que o Orçamento "assenta muitíssimo num aumento de impostos sobre uma série de matérias que passam uma mensagem completamente errada para quem queira poupar ou investir no país, porque reforça uma enorme instabilidade fiscal para dar a alguns, relativamente pouco, tirando a muitos e reforçando a injustiça social e as desigualdades".

É evidente que desfaçatez não lhe falta, não só a ela, mas também ao PSD de quem é porta voz. É o recurso a uma amnésia política premeditada. Quem assim fala deve ter a noção de que o povo tem todo memória curta, o que é verdade, mas não tanto assim.

Será que alguém já se esqueceu que o PSD tinha previsto aumentar a carga fiscal em 2016 e 2017, que manteria a sobretaxa do IRS até 2019 ou 2020, o congelamento das pensões e o corte de salários, do CSI - Complemento Social para Idosos e RSI – Rendimento Social de Inserção até 2019? E, tudo isto, à custa de quem trabalha e vive da sua reforma, isto é, sempre os mesmos.

Também o CDS voltou a ser o partido dos pensionistas e dos reformados com a proposta que vai apresentar durante o debate sobre o Orçamento de Estado. Parece que também se esqueceu de que permitiu que fosse ultrapassada a tal linha vermelha que tinha prometido enquanto esteve no Governo com as mais esfarrapadas justificações.

Já várias vezes escrevi que a oposição PSD e CDS, este último agora em menor escala, têm mostrado a sua falta de originalidade de oposição com a utilização dos mesmos argumentos que as oposições (PS, PCP e BE) lhes faziam quando estiveram no Governo, ao mesmo tempo que, agora na oposição, vão dizendo o contrário do que então declaravam.

Não há paciência, só para quem de facto está na disposição de dar crédito aos argumentos desta oposição fracassada.