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ZOOM SOCIAL - Cultura, sociedade e política

Apontamentos, comentários e OPINIÕES sobre política, economia, educação, sociedade e cultura. Confronto de afirmações, reflexões e contradições sobre o modelo social que temos.

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A brecha

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O assunto do dia a dia é a substituição da liderança no PSD. Os que não são simpatizantes ou o que pensam que naquele partido nada tem a ver com eles estão muito enganados.

Dois dos potenciais candidatos já desistiram depois duma dita reflexão. E parece que refletiram bem. Abandonaram a hipótese de candidatura à liderança, cada um apresentando as suas válidas razões. Parece que até ao momento estão em campo dois potenciais concorrentes, Santana Lopes, Rui Rio o neorracista e populista André Ventura.

A tendência interna do PSD, pelo que tem saltado daqui e dali pelos órgãos de comunicação afetos aos neoconservadores do partido têm ilustrado rasgados elogios ao líder Passos Coelho e, consequentemente à clique que ele ajudou a construir e que consideram com antigos e obsoletos todos os que pretendem que o partido regresse à sua base social-democrata. Jovens impreparados, de cultura deficitária, cuja ideologia se centra apenas nos interesses pessoais, partidários deixando para segundo lugar os de Portugal.

A herança de Passos Coelho é a fermentação de uma “nova extrema-direita” ainda pouco radical, mas é tudo uma questão de tempo, que deixa o centro vazio que pode vir a ser ocupado pelo CDS de Assunção Cristas. Deixou uma brecha cavada por jovens fogosos que Passos Coelho ideologicamente conseguiu angariar e que terá de ser fechada sacrificando estes ou, então, será ocupada por outros que estão à espreita.

Será por isto que dois dos potenciais líderes deixaram de ser candidatos e os outros estão num dilema porque não saberão se conseguirão lidar com esta estrutura radical infiltrada no PSD.

O que acontece é que alguns dos tradicionais eleitores do PSD ainda não se aperceberam do que está a acontecer e outros ainda sonham com as ideologias passadistas do tempo do Estado Novo que quer reconstruir ao modo século XXI.

O PSD, com a ajuda dos seus órgãos de comunicação social, está a seguir numa direção de direita radical e a combater o recentrar político do PSD facilitando a ocupação desse lugar, possivelmente para o CDS.   

O PSD está a ficar nostálgico da fase em que dizia ter que ir para além da troika dos tempos de Passos. Que provas há? São a quantidade de artigos que glorificam a sua dignidade e as suas virtudes e que, segundo eles, apresentam como tendo sido o melhor primeiro-ministro de sempre.  Para esta gente é o PSD o partido que pode continuar a política agressiva que corresponde a uma ideologia próxima do populismo de Trump, versão à portuguesa. Uma política agressiva que corresponda em primeiro lugar aos seus interesses à sua visão neoliberal do mundo.

Sobre a deriva do PSD para a direita radical escreveu hoje Pacheco Pereira no jornal Público:

«Eles sabem o que é importante, como a nossa alt-right sabe que sem Passos e com um PSD menos controlado ficam reduzidos a um pequeno grupo extremista, ou então tem que se dedicar ao CDS, que é um fraco instrumento, ou tentar fazer um partido “liberal” que, com um sistema político bastante bloqueado como o português, é uma tentativa de muito pouco sucesso previsível. Acresce que a direita tipo do PNR não lhes serve para nada, visto que é o exercício do poder político que lhes interessa e não a ortodoxia política, nem mimetismos das “frentes nacionais” europeias. Como tiveram a sorte grande, agora não lhes basta a terminação.»