Sábado, 25 de Fevereiro de 2017

Isto está cada vez pior

Está cada vez pior.png

O pequeno episódio que lhes vou contar não é anedota nem tão pouco é da minha lavra ficcional, que é pouca. Encontro-me algures no interior da Beira Alta num lugarzito muito verde com visibilidade da Serra do Caramulo que os incêndios provocados por mãos incendiárias tornaram numa espécie de montes escalavrados.

Estou rodeado por pequenas parcelas de terras onde se inserem pequenas casa de imitação de mau gosto urbano, outras antigas rurais que, apesar de modernizadas mantiveram a sua traça rural e adequadas ao ambiente. Os quintais à volta são plantados, consoante a época, com as mais diversas culturas para consumo interno. O cultivo é a ocupação onde grande parte da população, já reformada, passa o seu tempo cavando, plantando, tratando, colhendo, numa rotina interminável onde o que varia são apenas as culturas nos pequenos talhões de acordo com as épocas do ano.

População muito conservadora, votante na direita, naquela que a democracia lhes proporcionou mas que se mais à direita houvesse assim votariam.

Voltando à estória que resolvi contar-lhes que se passou numa dessas terras dum nosso vizinho. Homem há muito reformado com algumas limitações de mobilidade mas não tantas que não o coíbem de se passear, lentamente pelo seu pequeno minifúndio. Antigamente era ele e a mulher que amanhavam os talhões para o planto da couve-galega, das alfaces e dos tomates e, na época, o feijão-verde. A modernice, para não ficar atrás de outros levou-o a adotar do Kiwi construindo uma pequena arcada com os ramos desta fruta tropical

Conhecemos a sogra do senhor Augusto na altura em que ele e a sua mulher ainda viviam fora daqui. A D. Benilde gastava horas ao muro junto da sua casita a palrar com a vizinhança que passava e, como as nossas traseiras dão para a casa dela éramos os eleitos para os seus desabafos. Digo palrar porque a sua interminável lengalenga discursiva era tão rápida e ao mesmo tempo tão gaguejante que, para os nossos ouvidos, embora atentos, era mesmo assim impercetível.

O senhor Augusto e a sua mulher tinham vindo de Angola após a descolonização e fixaram-se lá para os lados do entre Leiria e Coimbra onde ele trabalhava numa qualquer indústria instalada naquela região. Nunca soubemos a fazer o quê. Nunca os víamos por aqui, nem aos fins de semana, nem nas férias. A D. Benilde aqui vivia sozinha sem tempo nem paciência para mais do que não fosse plantar umas covitas para a sopa.

Soubemos do falecimento da D. Benilde já com idade avançada quando voltámos aqui num certo verão. Já lá vai uma boa dezena de anos, ou mais. Talvez não fosse coincidência, mas o senhor Augusto e a esposa resolveram vir para a terra da mãe dela e aí construíram uma pequena casa como sendo de arrumos para não terem que pedir licença. A casa tem porta e janelas apenas para o lado de dentro da terra, do lado da ruela é só parede.

Os anos não perdoam e a idade mesmo que não gostemos é inexorável e vai pesando a todos coisa que para o senhor Augusto não era de esperar exceção tendo como consequência terem deixado de cultivar os talhões, mas, mesmo quando as pernas já não podem, há tarefas que têm de ser feitas e, assim, contrata-se outro que o faça. É o caso da poda das vinhas, que rodeiam o muro da terra e que é feita cerca de quatro meses após as vindimas, e a das árvores de fruta, e também a limpeza das ervas daninhas para a terra não ficar a mato.

Foi neste afã da poda das vinhas que volteiam o muro que ouvi a conversa em voz alta do senhor Augusto sentado numa cadeira a conversar ao mesmo tempo que observava a perícia do seu contratado. Diálogo curto mas representativo do pensamento do povo que somos e do qual quem sempre viveu numa grande cidade não se apercebe.

Empoleirado numa espécie de pequeno andaime, o trabalhador e o senhor Augusto sentado olhando para cima, tecia considerações sobre a tarefa e outras coisas mais. Por entre a conversa o senhor Augusto, cavaquista ferranho e fiel votante do PSD, segundo dizia, interpretava ao seu modo o que via e ouvia na televisão sobre a política do país.

- Nunca houve ninguém como o Cavaco, esse sim é que era um político a sério – falava com o seu ar de entendido instruindo o seu interlocutor que acho nem o escutava.

- O país estar a ser governado pela esquerda é um desastre. Qual maioria parlamentar qual quê! Isto precisava era dum Salazar.

A meio da tarde, já o sol de inverno se encaminhava para o ocaso, juntou-se ao grupo um outro parceiro para ajudar ao trabalho. Era o irmão do podador. Indivíduo gordo que trazia vestida uma camisola amarela que vincava uma barriga bem nutrida de tal modo saliente e arredondada que faria inveja a um globo terrestre. Logo que chegou foi inquirido pelos outros dois.

- Então isto é que são horas de chegar? - Perguntou-lhe o irmão em tom pouco amistoso.

- Não queiram saber! – Exclamou. Estive a fazer um trabalhinho, aqui a onze quilómetros, e depois fomos almoçar e atrasei-me um bocado – justificou-se continuando a resenha sobre a causa da tardia chegada.

- Foi um rico almocinho que estava bom e saboroso! – Exclamou o recém-chegado a desoras para aquele biscate.

E, sem deixar que ninguém o interrompesse continuou com o seu protesto de indignação.

- Com aquele almoço tão bom bebi apenas um copinho. Vejam lá! Apenas um copinho! Um só copinho! O almocinho estava-me a saber tão bem!

- Eles andam para aí danados na estrada – vociferou.

O senhor Augusto não lhe deu tempo para mais nada e, com um bramido estridente, grave e indignado lançou para o ar o seu grito de revolta:

HUMM! Isto tá cada vez pior!

Tags: ,
Publicado por Manuel Rodrigues às 18:16
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2017

Direita séria, e a sério, precisa-se urgente para Portugal

Politica séria.png

A direita tem demonstrado qual é a sua forma de prestar serviço ao país: desestabilizar, com o apoio de grande parte da comunicação social, para ocupar novamente o poder com estratégia idêntica a que partidos extremistas quer de direita, quer de esquerda adotam por esse mundo. Destabilizar, criar convulsões políticas que lhe abram o caminho ao poder. Quando não há motivo inventa-se um que passe a ser, supostamente, um assunto nacional. Só falta o golpe de Estado palaciano.

Faltava agora o sinistro ex-Presidente da República, Cavaco Silva, aparecer com livros e livrinhos e para ajudar a oposição de direita. Lançando piadinhas provocadoras sobre otimismos do então primeiro-ministro José Sócrates. A este pretexto vai fazendo uma provocação subtil ao atual Presidente Marcelo Rebelo de Sousa e a António Costa contaminada por certo estado de espírito dado à invejinha. Posso até pensar que poderá terá havido uma espécie de conluio com a oposição de modo a ser feita nesta altura a apresentação do livro que me parece ser mais uma forma a dar uma ajudinha à sua fação partidária.

Apesar de Manuela Ferreira Leite, quando se lhe fala de Cavaco, entrar sempre em sua defesa, talvez derivado a tempos passados de governo, ele é o exemplo perfeito da representação da direita deste país. O livro poderá ser idêntico a um volumoso resumo de apanhados de alguma imprensa sensacionalista com mais ou menos considerações para ajudar esta direita cuja reforma está a ser pedida há muito.

Esta é a direita da abjeção. A direita do jogo baixo, como sempre foi, mesmo quando esteve no governo. Enganou, omitiu, trapaceou. É uma direita umbilical cujo poder, dizem, lhe foi tirado. É uma direita amoral, sem ética, cuja luta pelo poder se baseia, e só, em atacar pessoas, é uma direita que não olha para dentro de si. Não olha para os submarinos, para os vistos Gold, para as “Tecnoformas”, para as listas VIP das finanças que não se podiam divulgar e outras, é a direita que usa e abusa de julgamentos na praça pública com o apoio de certa comunicação social, é uma direita que olha para os seus interesses em detrimento de todos nós, portugueses, é uma direita onde se encontram alguns descendentes duma elite que, perdendo as colónias e integrados, pretendem  aproveitar Portugal para benefício próprio (felizmente nem todos).

Lembram-se das vezes em que os deputados do PSD e do CDS-PP votaram contra o pedido para ver as mensagens trocadas entre Paulo Portas e os diretores da Mota-Engil? E no caso da Ferrostal, recordam-se? E quando os deputados do PSD e do CDS-PP negaram o acesso a ver as mensagens trocadas entre Maria Luís Albuquerque e os bancos com quem renegociou swaps, recordam-se? E as mensagens trocadas com o Santander Totta como eram? Recordam-se dos deputados do PSD e do CDS-PP terem exigido ver tudo isto tudo alegando a defesa do interesse público?

São agora estes os impolutos e os falsos moralistas. Hipócritas da política, nunca visto em Portugal.

Não lhes vai chegar a CGD, António Costa, e o ministro das finanças. Seguir-se-á a vez do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a quem não perdoam o apoio institucional que dá ao Governo face aos resultados obtidos. Resultados conseguidos, elogiados, mas pouco divulgados pela nossa “isenta” comunicação social. Recordo apenas que, durante o anterior governo de Passos Coelho, eramos diariamente bombardeados com notícias dos “sucessos” do dia, com o relevo dado a décimas mostrados pelos indicadores, e com os juros quando eram favoráveis da colocação nos mercados da dívida pública. Agora, apenas vemos amostras rápidas dos sucessos do governo atual em notícias dadas atabalhoadamente e de forma confusa.

Precisa-se duma direita sem falsos moralismos, com ética, com valores, séria e faça mais oposição e menos rábulas.

Publicado por Manuel Rodrigues às 17:36
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2017

Oposição carnavalesca da direita

Oposição carnavalesca.png

 A direita PSD e CDS faz-me lembrar aquele tipo de cães de guarda que, quando esfomeados, em vez de ajudarem a guardar a casa, que também é deles, ferram os dentes no sujeito encarregado da sua segurança.  

Entrámos na época carnavalesca e a direita mascarou-se e construiu um carro alegórico que passa na comunicação social apenas aplaudido por aqueles que o ajudaram à sua ornamentação e pretendem que o desfile continue durante a quaresma. Aliás esta direita sempre foi carnavalesca mesmo quando esteve no governo e como sabia que o era pretendeu eliminar o carnaval, senão no calendário, pelo menos no povo.   

Mais lamentável é ainda a comunicação social que alimenta aquele carnaval confundindo notícias com comentários políticos, procurando tudo quanto seja negativo e omitindo o positivo que deveria ser divulgado. Alinhando com a oposição a comunicação social, especialmente alguns canais de televisão, pensando que fazem dos portugueses parvos e selecionam nos seus noticiários o que à oposição interessa. E, quando algo de positivo acontece e não conseguem deixar de o divulgar fazem-no de tal modo confuso em números e comparações que um espectador menos atento ou menos informado ficam sem perceber nada. Ainda ontem, na TVI, no jornal da oito isso aconteceu. Sobre as contas do ultimo trimestre de 2016 divulgadas pelo INE, nem nada. Apenas uma pequena informação onde leva a crer que os indicadores tinham piorado. Alinha pelas declarações da direita. Sobre a declarações de Passos Coelho (embora não agradáveis) sobre o resultado desses indicadores, divulgados ontem pela Antena 3, às notícias, a TVI disse nada.

No último trimestre do ano, o Produto Interno Bruto (PIB) fixou-se nos 1,9%, em relação ao período homólogo, e nos 1,6% face ao trimestre anterior. Mas, para Passos Coelho, o crescimento ficou, no entanto, abaixo das estimativas anteriores.  Defende uma “alteração de política económica” que “o Governo tenha a humildade de concretizar”. Pergunto eu: qual é essa alteração? Voltar à mesma que ele aplicou? Continuamos sem saber porque ele e os do seu partido passam o tempo a falar na CGD, nos mails, SMS, cartas e cartinhas cujo conteúdo não interessam à maior parte das pessoas, tudo numa espécie de carnaval político.  Disse ainda que, “quando a poupança é sacrificada, como foi em 2016, o próprio investimento interno é penalizado”. Boa! Então no tempo dele é que havia poupança quando retirou poder de compra e reduziu salários e pensões?

Direita e televisões em consenso tentam enganar-nos por omissão. Como não poderemos desconfiar do controle da comunicação por grupos de direita?

O corso carnavalesco da direita vai continuar devido ao défice de argumentos que se traduzam numa oposição credível já que a seus argumentos do passado, quando foi governo, estão em derrocada.  Como o diabo não vem a direita quer forçá-lo a sair do inferno, para mal de Portugal, do país e dos portugueses que eles dizem defender. Temos que lamentar a baixeza do tipo de oposição do CDS e do PSD, mais conotada com o PSD, partidos que deveriam primar pela credibilidade política. O que a oposição de direita tem feito é apenas lutar por mais uns pontinhos em termos de décimas a mostrar nas sondagens.

Publicado por Manuel Rodrigues às 17:02
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Sábado, 11 de Fevereiro de 2017

Raiva

Raiva.png

Correndo o risco de me repetir sobre o que ultimamente tenho escrito sobre o lamentável comportamento da oposição de direita vou voltar ao assunto porque me recordei dum livro de 2004 do escritor argentino Sérgio Bizzio cujo título é “Rabia”, “Raiva” em português. Posteriormente o livro foi inspiração para um filme “Rabia” realizado por Sebastián Cordero, que ganhou o 13º Festival de Cine de Málaga em abril de 2010.

É um romance que relata uma história de amor que toma rumos inesperados expondo traços obscuros da personalidade humana e uma contundente crítica social. Atos de ira e intolerância e a paixão incontrolável são a base do enredo. Está implícita uma metáfora para o declínio social de um país e para o ressentimento fortemente presente no seu povo. É um romance que revela a decadência da sociedade argentina.

Mas, o que é o livro tem a ver com a oposição de direita, perguntará quem estiver a ler este texto? Nada. É apenas uma associação que faço com a estratégia da oposição de direita cujo objetivo está a reverter em desfavor do país.

A oposição de direita está em decadência, mantem-se em declínio e lança o seu forte ressentimento sobre o país. Está a fazer oposição com atos que acentuadamente revelam ao mesmo tempo ira, e sofrimento político-partidário intenso. Doutra forma não se compreende esta insistência em casos que já não interessam a ninguém a não para capas de jornais sensacionalistas, outros “jornal-ecos” online, e aberturas de telejornais à falta de coisas importantes para o país e para os portugueses.

Agora esta raiva, ao nível da baixeza, dirigem-na ao ministro das finanças Mário Centeno. Silenciosamente vão verificando os resultados conseguidos o que aumenta a sua ira e, apressadamente, há que pô-lo em causa por insignificância que em nada contribuem interna ou externamente para a imagem do país cujos interesses apregoam defender. Falam em mentira esquecendo-se de quem mais mentiu durante quatro anos e meio com a conivência do antigo Presidente da República.

Obviamente o papel da oposição não é apoiar o Governo, mas o de criticar a orientação política da sua atuação devidamente fundamentada nos seus aspetos essenciais. Até agora nada se viu. Nem sabemos o que fariam melhor nem como. Falam em acordos escondidos, em planos B, em faltas disto e daquilo. Procuram o acessório para ser publicitado na comunicação social. É como um frasco de perfume que apenas contem água colorida no seu conteúdo.

Esta oposição de direita não tem demonstrado seriedade, se é que em política ela pode ou deve existir. Esta atitude não é de agora, basta fazer algum esforço para nos recordarmos de algumas campanhas vindas se alguns órgãos do PSD que usam e abusam da utilização da ofensa pessoal, da desvirtuação de caráter dos seus adversários à falta de argumentos políticos válidos. Seria bom que olhassem para dentro e regressassem um pouco, apenas um pouco, ao seu passado governativo. Apenas se lhes pede, senhores deste PSD, que pratiquem, pelo menos ao nível da oposição política, um pouco de ética e de moral.

Já sabemos que na oposição de direita PSD há quem se esteja lixando para as sondagens, mas não será bem assim porque, caso contrário, não reagiriam apressadamente procurando pretextos de má qualidade para fazer de conta que estão a fazer oposição quando, na verdade, estão a fazer troça de todos nós. É apenas de lamentar tal triste figura. Não é assim que vão novamente obter a confiança dos portugueses. Aliás, apesar do embaraço com o episódio da TSU com o PSD  a reboque da extrema-esquerda que levou o Governo a ter de encontrar uma solução alternativa que simultaneamente agradasse a patrões e parceiros parlamentares, o Partido Socialista recuperou boa parte (0,5%) dos 0,7% perdidos há um mês. Contas feitas, a vantagem dos socialistas sobre os sociais-democratas alarga-se para uns confortabilíssimos 8,6 pontos percentuais. O mesmo se poderá vir a agravar o caso das cartas, cartinhas, SMS e outras coisas assim com justificações contrafeitas.

O PSD acrescenta desastre atrás de desastre para agradar a um pequeníssimo leque dos seus simpatizantes. O CDS, com Assunção Cristas e a sua “ascensão” ao topo do partido não tem conseguido essa a elevação milagrosa. O CDS não se tem assumindo como um verdadeiro partido conservador de direita defendendo os seus ideais. Ora cola-se ao PSD, ora tenta demarcar-se (afinal em que ficamos?).   

Publicado por Manuel Rodrigues às 17:50
Link do post | Comentar | Ver comentários (1) | Adicionar aos favoritos
|
Quinta-feira, 9 de Fevereiro de 2017

É o desespero meus senhores

Espelho meu.png

É o desespero senhores, é o desespero! É um desespero nunca visto em Portugal pelo qual a oposição está a passar. Há um alvo que querem atingir e que não lhes agrada se mantenha no Governo. É o ministro das finanças. Pode perguntar-se porquê e resposta é fácil. Não lhes interessa que esteja em funções um ministro que tem cumprido, a nível das finanças, os objetivos a que Portugal se tem proposto interna e externamente.

À oposição de direita não é Portugal nem os portugueses que lhe interessam é o seu umbigo e a sua autoestima partidária que estão em jogo. Fazer o que eles nunca conseguiram fazer é algo que lhes custa engolir. É a questão do estar a haver alternativa no lugar do bolorento não há alternativa dos neoliberais.

Há uma estratégia construída pela oposição de direita com o objetivo de descredibilizar os que querem compor o Portugal que os neoliberais do PSD destruíram coadjuvados pelos senhores do irrevogável CDS.

Mário Centeno e a sua equipa das finanças é a pedra no sapato desses sujeitinhos, entre os quais Paulo Rangel. Não gostam da equipa. Faz-lhe mal à sua credibilidade que pensavam ter quando estavam no governo do país e que desgovernaram durante mais de quatro anos. Desculpavam-se com a troika mesmo quando o seu líder Passos Coelho clamava para se ir ainda mais além. Com isto pretendem a destruição da CGD a todo o custo. Esqueceram-se rapidamente de todas as trapalhadas que arranjaram quando eram governo sem que ninguém se demitisse.

É a oposição da imundície politiqueira porque não têm nada para apresentar. Desviarem as atenções com grandes tiradas demagógicas que em nada ajuda a compor o país que tiveram a oportunidade de compor, mas que pouco ou nada conseguiram anão ser prejudicar certos setores da população. Até dão a entender que querem a todo o custo uma cabeça seja de quem for, como desforra da demissão de Miguel Relvas.

A fúria e o desespero dessa gente cuja perda do poder parlamentar ainda não conseguiram ultrapassar não tem limites. Tudo serve.

Ideias não as têm e, as que tiveram antes, negam-nas no presente.  Ainda hoje na Assembleia o PSD votou contra uma proposta do CDS que no passado já defendeu. É a desorientação estratégica de tudo.

Pegam agora na discussão da sobre a eutanásia, com a qual não concordo por estar a ser tratada de ânimo leve, e gritam aos quatro ventos vamos propor um referendo.  Apenas têm na manga mexeriquices? Nada mais.

É um falhanço duma oposição que apenas clama nos corredores por vingança e vê tudo apenas com objetivos partidários. Para eles os portugueses devem ser uma cambada de tontinhos que se enganam com frascos de perfumes que apenas contêm água, acolitados pelos seus comentadores de mão que por aí proliferam.

Publicado por Manuel Rodrigues às 22:57
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Terça-feira, 7 de Fevereiro de 2017

Oposição e comentário político

Marques Mendes5.png

 

A oposição de direita ao Governo não é feita apenas pelos deputados dentro da Assembleia da República e pelos responsáveis partidários fora dela. Faz-se também por militantes dos seus partidos que, com aparência de credibilidade e isenção, são contratados pelos canais de televisão que lhes paga para fazer o dito comentário político. São comentadores partidários, propagandistas do PSD que, uma vez por outra, para darem ar de isentos, criticam também a oposição de que fazem parte.

Um destes comentadores ditos “isentos” é Marques Mendes que comenta no canal de notícias da SIC. Para ele o Governo está esgotado, porque os acordos estão esgotados, está parado porque nada faz. Gostaríamos de saber se, para ele, governar é simplesmente legislar por tudo e por nada sem qualquer efeito mediato ou imediato, sem reflexão sem estudo, sem debate, como fazia o líder do seu partido quando incentivou a divisão entre portugueses e fez atropelos sucessivos à Constituição. Como ele gostaria de ser o Trump português!

Se alguma coisa urgente há que fazer, é conter a dívida pública e dinamizar a economia e o crescimento. Como Marques Mendes muito bem sabe, o crescimento depende, em grande parte, de fatores exógenos a Portugal, que agora com Donald Trump na calha, e com a Europa no estado em que está nunca se sabe o que poderá acontecer.

Aquela personalidade do PSD faz oposição disfarçada de comentário, olhando tendencialmente para o negativo da solução governativa e ocultando o que é positivo.

Aliás o relatório da OCDE que ontem foi divulgado é mais objetivo do que as interpretações por vezes abusivas de quem faz comentários que mais parecem oposição.

Aquele relatório revela potencial existência de "imprevisibilidade, tensões e recuperação lenta da Europa que podem tornar o crescimento mais incerto.”. Há, portanto, causas perigosas que poderão ser derivadas de causas externas. Sobre o Governo de António Costa, o relatório traça elogios à orientação orçamental, mas deixa uma lista de avisos sobre a situação ainda frágil das finanças, sobretudo sobre a “conjuntura externa incerta, a situação da banca que é vulnerável, mas a margem de manobra nas contas públicas é estreita e a dívida pública elevada e o investimento escasso.”. “E o que vê é uma economia a recuperar de forma progressiva, mas onde as “vulnerabilidades estão a aumentar”.

Claro que não existe nenhum mar de rosas depois da coligação de direita ter quase deixado o país destruído a pretexto de “termos que ir para além da troika” e de, juntamente com ela, não ter detetado  mo nevoeiro denso que envolvia a banca ou parte dela.

Se a banca está como está deve-se sobretudo à desgovernação do PSD-CDS com a obsessão por reformas baseadas apenas num sentido, aumento de impostos e cortes de salários e pensões, de resto não passou de rabiscos escritos num papel que para nada serviram.

Publicado por Manuel Rodrigues às 17:25
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2017

Despeitados do parlamento que andam por aí a falar de Trump

Carlos Carreiras_PSD.png

O deputado madeirense do PTP José Manuel Coelho foi condenado a um ano de prisão efetiva pelo Tribunal da Relação de Lisboa devido a um processo que Garcia Pereira, noutro tempo líder do MRPP, por o ter apelidado de agente da CIA. Isto é uma tontice se considerarmos o que Garcia Pereira dizia quando andava por aí a dizer nos comícios revolucionários.

Há também outras tolices escritas por quem não é revolucionário e anda por aí a dar opiniões utilizando conotações absurdas e acenando com papões da velha guarda. Numa tentativa de se distanciarem de Trump mas que, no seu íntimo e sem o declararem explicitamente, parecem defender as suas políticas. É o caso do atual presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, que tem uma coluna de opinião às quartas feiras num jornal diário e que, na sua última tirada de opinião começa por escrever: “Anda toda a gente muito perplexa com a escolha que os americanos fizeram para a Casa Branca. Não sei qual é o espanto. O nosso azar é muito maior que o dos americanos. Afinal de contas, nós não temos um Trump. Temos dois: Catarina Martins e Jerónimo de Sousa.”, o sublinhado é meu.

Carreiras foi presidente do Conselho de Administração do Instituto Francisco Sá Carneiro entre 2010 e 2013. Defensor incondicional, pelo que diz e escreve, da atual direção do PSD, passou de social-democrata a neoliberal seguindo fielmente o seu líder.

Esclareço que não tenho procuração nem do PCP e de Jerónimo de Sousa nem do BE e de Catarina Martins, mas aquele senhor lança para o ar tais disparates populistas, sem argumentos válidos, utilizando chavões e conotações disparatados que só de cabeças como a dele poderiam surgir. O que escreve deve ser dirigido a incultos, adeptos, simpatizantes e oportunistas militantes do atual PSD porque a outros não convence. Deve estar a dirigir-se a senhoras muito chiques e “muito bem”, sem nada que fazer a não ser aparecer nas revistas cor de rosa, senhores, senhores da alta finança duma “estrita” freguesia de Cascais, vila que frequentemente visito porque é agradável, simpática e onde nos sentimos bem, não fossem os preços exagerados praticados pela restauração.

Escreve ainda, em síntese, este nosso (deles) militante do PSD: “O nosso azar é muito maior que o dos americanos. Afinal de contas, nós não temos um Trump. Temos dois: Catarina Martins e Jerónimo de Sousa. A nossa sorte é que nem BE nem PCP são poder”. O negrito é meu.

Julga que nos engana ao fazer esta conotação disfarçando, mal, uma potencial simpatia oculta pelo atual presidente do EUA. Aqui, e ali, vai dizendo o que Trump tem feito e dito sem, no entanto, mostrar claramente desacordo refugiando-se a falar de outros, os que não lhe agradam, porque ajudaram o PS a retirar o poder ao seu querido líder. Ele e o seu partido ainda não fizeram o luto da perda, (não das eleições), mas do parlamento que representa o voto do povo.

Carlos Carreiras utiliza Trump como oportunidade para lançar o seu viperino veneno sobre uma solução parlamentar maioritária quer queiramos, quer não. Assim como o PSD também ganhou as eleições, gostemos ou não. No entanto, os portugueses não os escolheram ao nível do parlamento. Gostariam talvez de ter a muleta do PS para lhes validar os desvarios de outrora.

A desregulação interna e a desorientação do partido a que pertence obriga-o à verborreia política se quiser nas próximas eleições autárquicas renovar o mandato. Os senhores da vila assim o exigem nem que seja necessário virar um partido cujo passado sempre foi social-democrata. Se Sá Carneiro voltasse e visse como o partido se encontra encher-se-ia de vergonha e voltaria para donde está.

Afirma claramente que Trump e os líderes do PCP e do BE são iguais, que perfilham os mesmos princípios. Deduz-se que, para Carreiras, as ideologias e os motivos porque cada um defende certos objetivos não interessam porque alinha com a nova estratégia do PSD renunciar o que anteriormente defendia.

Podemos dizer que Carreira utiliza a mesma tática de Salazar e de Trump, difamar quem se lhe opõe compondo letras para canções com estribilhos plenos de bolor. Quem ler o artiguinho de Carlos Carreiras, se não pertencer ao seu grupo, poderá considerar à semelhança do que fez Garcia Pereira ao deputado do PTP se não mereceria também um processinho já que mais não fosse para chatear.

Carreiras, injuria aqueles a quem, ainda há bem pouco tempo o PSD se colou, no caso da TSU, preparando-se, mais uma vez, agora no caso da Carris da cidade de Lisboa, para, negando os seus princípios, votar ao lado dos da extrema-esquerda, os que ele denomina de “virgens do estalinismo e do neomarxismo”.

É como no futebol, quando se perde a culpa dos falhanços é sempre do árbitro. Temos pena!

Publicado por Manuel Rodrigues às 19:04
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Sábado, 28 de Janeiro de 2017

O cavalo de batalha já não é o défice é a dívida

Cavalo de batalha.png

As intervenções do PSD e do CDS na Assembleia da República começam mais parecem atuações de espetáculo burlesco para um público que não anda a par das realidades políticas mais virada para a economia e finanças.

Uma das últimas foi o alarido feito por aqueles dois partidos criticando o atual Governo por ter aumentado a dívida.  O retrovisor deles deve ter fundido a lâmpada para não se ver que a dívida com que agora estão tão preocupados começou a subir escandalosamente no tempo em que foram governo. António Costa apenas assumiu a herança que lhe adveio porque quis. Nesta altura poderia estar tranquilamente na oposição sendo o mais provável estarmos todos ainda pior do que antes e com a dívida ainda maior.

A dívida pública é a dívida de um determinado Estado, são os compromissos financeiros que se vencem em dado. Naturalmente, o excessivo endividamento do Estado como qualquer entidade pode levar a situações de dificuldade financeira. O que está na base são os juros praticados e o pagamento do valor da dívida. Em Portugal o que veio a agravar a situação da dívida foi o resgate financeiro da Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional que tem que ser amortizado assim como os juros.

Como a défice está em níveis de 2,3% do PIB que o PSD nunca pensou atingir agora apontam que foi devido a um tal plano B que os jornalistas gostam tanto de pedir emprestado ao PSD, esquecendo os expedientes que fizeram para o conseguir sem sucesso. Á falta de argumentos quanto ao défice, e para baralhar os menos conhecedores, centram-se agora na dívida que é um indicador diferente.

É certo que a dívida está a aumentar. Mas não basta dizê-lo, é preciso em primeiro lugar, saber o porquê e, em segundo lugar, como a reduzir.

Pode-se verificar no gráfico abaixo qual evolução da dívida desde o ano 2000 podendo-se observar que foi nos anos do governo PSD-CDS que ela aumentou sem controle.

Evolução da dívida.png

Foi a partir de 2009 que a dívida pública verificou aumentos exageradamente crescentes continuando a aumentar até 2014 durante o XIX Governo Constitucional (2011 a 2015) verificando-se um ligeiríssimo alívio em 2015.

Quando a crise financeira internacional rebentou em 2007-2008 agravou vários países europeus sendo os mais atingidos os mais frágeis um dos quais Portugal que viu-se obrigado a pedir um resgate financeiro da Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional (a troika). Têm razão que uma das causas para esta fragilidade derivaram de problemas estruturais da economia portuguesa, mas também de uma má gestão das finanças públicas dos governos de José Sócrates embora tenha havido justificação para acelerar o investimento público, mas essa é outra matéria

Publicado por Manuel Rodrigues às 18:55
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2017

Oposição errática e seus segredos

Rangel_Oposição.png

Quem ontem, 26/01, viu e ouviu o programa “Prova dos nove” da Constança Cunha e Sá na TVI24 terá visto que Paulo Rangel comprovou mais uma vez que mistura, confunde, desordena quando faz intervenções. Constança faz os possíveis, como sempre, para manter a imparcialidade nas questões que coloca.

Rangel, face ao que se passou com o PSD e a TSU, sem argumentos válidos e sustentados sobre o que se passou e sobre a nova solução apresentada pelo Governo, enredou-se em raciocínios tortuosos, adulteradamente sofisticadas, fora da realidade e com argumentação dirigida a alguns fiéis e fãs da sua retórica. Acho até que já nem ele próprio se entende, tais são as contradições. Lamentável! Esta posição nada tem a ver com o ser-se mais de esquerda ou de direita, é uma questão de bom senso.

Paulo Rangel dá voltas e voltas para justificar e alterar a realidade histórica muito recente que o seu partido construiu, negando as evidências com argumentos cujas dialéticas chegam às raias do absurdo. Quando os argumentos dos seus opositores o contradizem e não lhe agradam interrompe criando propositadamente entropias na comunicação.

Por outro lado, Rangel diz que o que o PSD fez é oposição ao Governo. Lá nisso terá razão, mas é uma oposição sem lei nem regra gerada apenas por egoísmo partidário e revanchista. O PSD queria ser governo minoritário e como enfrentaria uma maioria parlamentar que, para todos os efeitos, lhe seria hostil? Foi isso que fez com a TSU, hostilizar o Governo.  

Álvaro Beleza do Bloco de Esquerda que ontem substituiu Fernando Rosas, apesar de estar à altura dos seus parceiros de debate está menos à vontade do que Fernando Rosas desta vez esteve ausente.

A estratégia adotada pelo líder do PSD da oposição pela oposição, do meu ponto de vista, tem os dias contados. Neste aspeto quem tem mostrado ter bom senso é o CDS tentando distanciar-se da oposição errática do PSD.

Publicado por Manuel Rodrigues às 15:46
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2017

Quando a direita virou à esquerda radical ou passou a ser a sua muleta

Novo PSD.png

Há coisas curiosas e uma delas é o que se passa com os partidos que negam e rejeitam tudo o que defendiam até hoje. É o caso do PSD que para fazer oposição unicamente partidária e sem vantagens para o país. Neste caso para o PSD primeiro está o partido e depois o país.

O caso da TSU é a evidência do que acabo de afirmar, a aproximação aos partidos à esquerda do PS é clara apenas diferindo em alguns argumentos que são apenas retóricas e inúteis porque o objetivo estava claro, apenas criar bloqueios ao Governo e ao país.

Isto é tão evidente que até Américo Carlos aproveita partes do discurso de Passo Coelho ao dizer que “Alternativas à TSU? Quem arranjou o problema que encontre soluções". Ora Passos disse há duas semanas atrás coisa idêntica. Aquele sindicalista radical absolutamente obsoleto e obcecado com o patronato e cujos pontos de vista se cingem a atacar tudo e todos o que seja empresas que dão emprego e cujos os argumentos, se é que o são, foram sempre os mesmos ao longo dos anos.

O agora radical de esquerda PSD tem mais uma na manga aproveitando a boleia daqueles a que chamava há algum tempo atrás de extrema-esquerda e que, pelos vistos, agora já não o é visto que parece concordar com as propostas de cariz ideológico do Bloco de Esquerda. É agora a vez para o acaso das PPP da saúde.

O BE pensa apresentar um projeto para acabar com as PPP, isto é, o BE volta a defender o fim das PPP através de um projeto de resolução para que o governo não renove as parcerias público-privadas nos hospitais de Cascais e Braga. Apressado e diligente o PSD anunciou que vai votar favoravelmente essa iniciativa. Se o BE não fica alerta ainda os seus militantes lhe fogem para o PSD. Ironia claro!

Se isto não fosse triste e lamentável de certo que riríamos a bandeiras despregadas. O PSD, depois de fazer o luto das suas mágoas de ganhos e perdas consequentes das eleições arranjou um folgo esquerdista porventura soprado pelos seus mais fiéis vassalos, ou serão menos, dentro do partido. Já me questionei se não estarão a tentar prejudicar o seu líder. Se o objetivo é apenas fazer bloqueio à maioria de esquerda então algo não está certo porque está a por em causa tudo o que antes defendiam. Vejamos então uma síntese baseada e adaptada a partir do jornal Público:

Em outubro de 2014, quando o salário mínimo subiu de 485 para 505 euros, o Governo PSD-CDS aprovou uma redução da TSU. No ano passado, já com o PS no Governo, a remuneração mínima subiu de 505 para 530 euros e a medida foi repetida.

Em 2010, a redução aprovada pelo PS foi de um ponto percentual. Em 2014, Passos Coelho aprovou uma redução de 0,75 pontos e, no ano passado, António Costa manteve o valor. Em 2017 a descida seria de 1,25 pontos percentuais.

Passos Coelho aplicava aos encargos com os trabalhadores que, em pelo menos um dos meses entre Janeiro e Agosto de 2014, recebiam uma remuneração igual ao salário mínimo. Em 2016, a redução aplicou-se aos contratos anteriores a 1 de janeiro, desde que se tratasse de trabalhadores que a 31 de dezembro de 2015 tinham uma retribuição base entre os 505 e os 530 euros.

A redução da TSU tem sido sempre apresentada como excecional, mas a verdade é que se tem repetido, embora com cambiantes diferentes. Em 2014, (Governo de Passos Coelho e Portas) aplicou-se durante 15 meses (entre novembro de 2014 e janeiro de 2016). A medida aprovada em 2016 tem efeitos por 12 meses (termina no final de janeiro) e a intenção do Governo era que a nova redução se aplicasse também por um período de 12 meses (entre fevereiro de 2017 e janeiro de 2018).

Em 2014/2015, (Governo de Passos Coelho e Portas) a redução da TSU foi financiada pelo Orçamento do Estado (OE). Na medida que ainda está em vigor, o financiamento é assegurado, em partes iguais pelo OE e pelo orçamento da Segurança Social. A nova medida seria suportada “por transferência do OE”, mas isso só se concretizará totalmente em 2018.

Os partidos que apoiam o Governo no Parlamento, assim como a CGTP (central sindical que não assinou o acordo de concertação social), argumentam que ao reduzir a TSU das empresas com salário mínimo, está-se a incentivar uma política de baixos salários. Por outro lado, argumentam que o Estado está a por os trabalhadores e pensionistas a subsidiar as empresas que aumentam o SMN e a descapitalizar as Segurança Social. Foi por estas razões que PCP e BE pediram a apreciação parlamentar do decreto-lei que baixa a TSU em 2017, para pedir a sua anulação. Ao seu lado terão o PSD que vai votar pela anulação do diploma. com os mesmos argumentos (?) dos radicais de esquerda?

A resposta:

Um dos argumentos dos sociais-democratas (PSD), é semelhante ao dos partidos da esquerda radical. O PSD acusa o executivo de, ao transformar uma medida excecional em regra (é o terceiro ano consecutivo que o aumento do SMN é acompanhado de uma baixa da TSU), incentivar a contratação pelo salário mínimo. Considera ainda que está a agravar os custos salariais das empresas.

Isto vem confirmar o que tenho vindo a dizer e muitos já têm afirmado é que, do ponto de vista político, a principal razão para o chumbo é expor as fragilidades da atual solução governativa e o facto de António Costa ter negociado uma solução na concertação social que não tinha condições de aprovar. O PSD conforme diz Passos Coelho não quer ser a muleta do Governo. Mas quer prejudicar o país ficando como muleta da esquerda radical como tantas vezes lhes chamou.

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 23:12
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|

Uma aproximação comparativa às previsões de crescimento económico na União Europeia

Crescimento económico (1).png

 

O crescimento económico é um dos indicadores utilizados para avaliar o comportamento das economias. Em Portugal oposições aos governos, conforme se encontram num campo, ou noutro, aproveitam o argumento do crescimento para fazerem críticas ou autoelogios às medidas económicas tomadas que cada um toma quando em funções.

O crescimento anual do PIB - Produto Interno Bruto em volume é um indicador que reflete a variação anual da riqueza criada por uma dada economia. O mais utilizado é o PIB a preços constantes de modo a que apenas o crescimento real da produção seja levado em conta. É um indicador que possibilita comparações, quer ao longo do tempo quer entre economias de diferentes dimensões.

O PPC - Paridade de Poder de Compra é outro indicador que procura avaliar quanto a moeda duma determinada economia pode comprar em termos internacionais, utilizando como comparação o dólar. Isto porque, como os bens e serviços diferem os preços de um país para outro, esta medida procura relacionar o poder aquisitivo das pessoas com o custo de vida do local e se ela consegue comprar tudo o que necessita com seu salário.

Tendo em vista as previsões para o crescimento do PIB, do PIB per capita e do PPC na União Europeia para 2017 procedi a uma comparação através do cálculo de coeficientes de correlação entre aquelas três variáveis.

Os cálculos e os gráficos foram construídos tendo como fonte dados estatísticos do jornal Diário de Notícias de janeiro do corrente ano obtidos a partir de The Economist. Referem-se estes dados às previsões para o ano de 2017 e, de acordo com a informação publicada, foram aplicadas as taxas de câmbio do dólar com a conversão para euros feita segundo a taxa de câmbio de 7/12/2016.

Numa primeira fase, com base em dados estatísticos obtidos no INE, foi traçado um gráfico evolutivo do crescimento do PIB em Portugal comparativo com a evolução na União Europeia no mesmo período para mais facilmente se compararem diferenças.

Numa segunda fase foram traçados gráficos de dispersão das três variáveis em análise assim como o cálculo dos coeficientes de correlação. Para análise de alguns países da Ásia utilizei a mesma metodologia e os mesmos critérios feitos para a U.E.

Análise da evolução do crescimento.

Conforme mostra o Gráfico 1, desde 2000 que Portugal acompanhou o crescimento da U.E. apenas na evolução, mas apresentando sempre valores mais baixos. Partindo ambos dum valor muito próximo dos 4% no ano 2000. Assim, em 2000 o crescimento em Portugal está aproximadamente em conformidade com o valor da UE que acompanha até 2001. A partir deste ano inicia o seu afastamento gradual da UE distanciando-se da sua evolução verificando-se um distanciamento entre as variáveis crescimento enfatizando-se a magnitude da alteração ao longo do tempo que se agrava a partir de 2002.

Há dois momentos em que volta a aproximar-se, 2008 e 2010 acompanhando a queda brusca de 2009. Embora acompanhando a UE no crescimento negativo obtém um valor substancialmente menos negativo em 2009. Em 2010 o crescimento volta a crescer ficando em 2010 a par da UE ano a partir do qual a UE mantem o seu crescimento com valores positivos enquanto Portugal verificou uma queda brusca entre 2011 e 2012 durante o período do XX Governo Constitucional da aliança PSD-CDS recuperando timidamente os valores de crescimento negativo em que se manteve até meio de 2013, passando a acompanhar a UE a partir de 2014.

Gráfico 1_crescimento.png

 Gráfico 1

Nas evoluções do crescimento, Portugal e UE a magnitude da alteração ao longo do tempo mostra-nos que teve o seu máximo no ano de 2012 prolongando-se até 2014. É nítido o desvio entre os crescimentos das duas evoluções no mesmo período como mostra a área compreendida entre as duas linhas de evolução. A média do crescimento no período dos 15 anos analisados é, no caso de Portugal, nitidamente mais baixa, com 0,4, e 1,4 para a UE a 28.

Em síntese o crescimento de Portugal é nitidamente mais fraco do que a UE a 28, mas, por outro lado, acompanha a tendência deste grupo de países devido a conjunturas endógenas e exógenas a que todos os países ficaram expostos.

Previsão de crescimento e PIB per capita na UN: uma análise comparativa.

Efetuada a síntese do crescimento comparativo entre Portugal e a UE a 28 e alguns que não pertencem a este grupo, nomeadamente a Rússia, a Ucrânia e a Turquia, procedi a uma análise sobre as previsões de crescimento para 2017 entre os vários países. Para tal foi construído um gráfico de dispersão com a reta de tendência (reta de regressão) e calculou-se o coeficiente de correlação entre as variáveis em análise. Este coeficiente representa uma medida estatística determinada a partir da comparação entre as várias observações entre duas variáveis. Neste caso o cálculo foi efetuado entre as variáveis previsão do crescimento do PIB para 2017, com a previsão do PIB per capita e ainda com o crescimento da PPC cujo significado foi explicado no início.


A medida da variação conjunta das variáveis ou covariação observada num diagrama de dispersão é a correlação entre as duas variáveis. Essa medida é realizada numericamente por meio dos coeficientes de correlação que representam o grau de associação entre duas variáveis contínuas. As medidas genéricas de correlação, frequentemente são designadas por R e variam entre -1 e +1. No que respeita ao sinal + (mais) no coeficiente de correlação significa que as variáveis têm um comportamento no mesmo sentido, isto é, quando cresce uma também cresce outra. Um sinal - (menos) no coeficiente de correlação significará, ao contrário, que, quando uma varável cresce a outra decresce e vice-versa.

Gráfico 2_crescimento.png

 Gráfico 2

Efetuados os cálculos e traçados os gráficos observou-se que existe uma forte correlação negativa de -0,71 entre a variável previsão de crescimento do PIB e o PIB per capita entre os países da UE. Isto é, quanto menor é o PIB per capita maior é o crescimento, como mostra a tendência da reta de regressão e o sinal do coeficiente de correlação apresentados no Gráfico 2.


Pode observar-se pelo gráfico dois grupos de países que se aproximam pelas suas características segundo os PIB per capita e o crescimento. Um primeiro grupo com um crescimento relativamente elevado e um PIB per capita baixo. Estão neste caso a maior parte dos países do leste europeu e a Turquia onde um PIB per capita baixo, mesmo abaixo da média, correspondem previsões de crescimento mais elevados, todos acima da média de 2% do PIB. Destaca-se a Ucrânia com um dos rendimentos mais baixos, mas com uma previsão de crescimento acima dos 2,5% e a Rússia com baixo crescimento e PIB per capita também muito baixo. Após o “Brexit” o Reino Unido destaca-se pelo seu baixo crescimento e com o PIB per capita elevado.

Gráfico 3_crescimento.png

Gráfico 3

Os países com maior PIB per capita são os que apresentam uma previsão de crescimento mais baixos. Salientam-se a Grécia e Portugal com muito baixos crescimentos nas previsões, mas com um PIB per capita acima da média. Neste grupo destaca-se a Suécia cuja previsão do PIB per capita é elevado e com um crescimento relativamente elevado muito acima dos seus pares europeus.

Para Portugal prevê-se um crescimento muito abaixo do da Grécia, mas acima da Itália. Mesmo assim, as previsões apontam para que Portugal cresça significativamente ficando na 21ª posição do ranking alinhando com a Alemanha e acima dos países do norte da Europa dos quais seria de esperar melhores desempenhos. A Suécia salienta-se prevendo-se um crescimento acima da média tendo e com um PIB per capita elevado e muito acima da média.

No que se refere à correlação da PPC – Paridade de Poder de Compra, o coeficiente de correlação com a taxa de crescimento é também significativo e de sinal negativo, -0,61, que, embora menor, mesmo assim significativo, acompanha o do PIB per capita como mostra o Gráfico 3.

Os países onde se verifica mais crescimento são também aqueles onde a PPC é também mais baixa, como seria de esperar, não se verificando alterações significativas em relação à análise efetuada entre o PIB per capita e as previsões de crescimento.

Previsão de crescimento e PIB per capita em alguns países da Ásia


Alguns países da Ásia pertencem ao grupo dos considerados como economias emergentes e que ainda apresentam níveis sociais e de distribuição de renda limitados, com elevada pobreza e falta de recursos em muitas áreas da sociedade, como educação e saúde.

Gráfico 4_crescimento.png

Gráfico 4

Os países emergentes são grandes exportadores de matérias-primas, grandes recetores de empresas multinacionais que para lá se deslocalizam à procura de mão-de-obra barata (além de também serem medianos fornecedores dessas mesmas empresas), e possuem um amplo e crescente mercado consumidor e uma grande capacidade de crescimento económico centrado no setor terciário. A questão chave é se o crescimento económico desses países está a promover a diminuição das desigualdades sociais internas e se a parte inferior da pirâmide social está a ser beneficiada.

Utilizando os mesmos critérios foi composto o gráfico de dispersão e calculado o coeficiente de correlação para as previsões de crescimento em alguns países da Ásia, representados no Gráfico 4, tendo em conta os indicadores de previsão do PIB per capita, a PPC e o crescimento. Foi ajustada uma curva de tendência polinomial que me pareceu ser a mais adequada a esta série de dados o que é demonstrado pelo coeficiente de correlação muito significativo de -0,76. O ajustamento da reta mostra um valor menor, -0.61.

Foram traçadas duas curvas uma linear e outra polinomial a fim de se ver qual se ajustava melhor à dispersão de dados. A linha de tendência polinomial é útil para quando há flutuação de dados no caso de se analisar os ganhos e as perdas de um conjunto de dados de grande dimensão (não foi este o caso, mas, devido aos valores do PIB, em dólares serviu o objetivo) e porque os dados mostravam que havia flutuações dos dados com grandes oscilações (máximos e mínimos). A curva polinomial foi a que mais se ajustou à dispersão dos dados com o valor de R ao quadrado 0,5711. A linha de tendência linear mostrou um menor ajustamento R ao quadrado 0,3711 pelo que se optou pela primeira.

Gráfico 5_crescimento.png

Gráfico 5

Como se pode verificar pelo Gráfico 5 a tendência nas previsões de crescimento para a PPC mantém-se apresentando, no entanto, um coeficiente correlação de -0,81 que evidencia uma forte ligação com o crescimento.

A correlação entre o crescimento e o PIB per capita verificado nos países da UE a 28 também se comprova em alguns países da Ásia. Isto é, a um menor PIB per capita correspondem maiores taxas de crescimento. Contudo, a leitura deve ser feita com algum cuidado já que outras variáveis importantes como, por exemplo, a população, podem influenciar os resultados. Tendencialmente, os baixos rendimentos das populações parecem ser condição de crescimento das economias. Conhecendo-se que no cálculo do PIB per capita estão incluídos os rendimentos agregados do produto a renda, podemos, embora com alguma margem de erro, pode considera-se que os rendimentos do trabalho, isto é, os salários e outras remunerações são uma componente importante para a formação do PIB sendo o rendimento das classes trabalhadoras influencia o PIB per capita. Assim sendo, nos países onde aquele rendimento per capita é mais baixo é onde verificam maiores previsões de crescimento.

 

Síntese.

O crescimento de Portugal entre 2000 e 2015 acompanha a evolução do crescimento dos países da UE a 28, apresentando, no entanto, valores mais baixos nos mesmo período com exceção do ano 2015. A área entre a evolução das duas variáveis da observação mostra-se elevada ao longo da série, mas mostra um desnível de afastamento da evolução da Europa. 

As correlações entre as previsões de crescimento do PIB para 2017 e as previsões do crescimento do PIB per capita e da PPC para o mesmos anos apresentam-se relativamente elevadas verificando-se o mesmo comportamento em alguns países da Ásia o que pode conduzir à conclusão que os crescimentos mais elevados das economia depende sobretudo dos baixos rendimentos per capita, todavia poderá ser uma conclusão apresada visto que há variáveis e fatores que podem influenciar os ditos crescimentos mais elevados.

Segundo analistas internacionais os principais riscos para as perspetivas económicas da zona euro são externos mas a maioria dos indicadores de sentimento econômico apontam para uma expansão na economia da zona do euro em 2017. Esperam a continuação da recuperação com probabilidade de enfraquecimento. Será a procura interna o principal motor do crescimento, e espera-se que tanto o consumo como o crescimento do investimento se moderem.

O crescimento do consumo vai provocar um aumento da inflação, uma vez que o efeito da queda dos preços da energia desaparecerá, como aliás temos visto com o aumento dos combustíveis.

Os riscos são elevados e provêm principalmente da política interna, com eleições planeadas nos Países Baixos, França e Alemanha e do setor externo teremos a influência a política comercial americana de Trump o que provoca incertezas.

Para finalizar não quero deixar de dizer que as críticas feitas pelo PSD e o CDS ao crescimento em Portugal e da responsabilidade do atual governo é mera retórica partidária. Esquecem-se de que são consequências do passado dos seus governos que, por sua vez, também arcaram com as do governo anterior de José Sócrates no qual, o então ministro das finanças Teixeira dos Santos, teve grande parte das responsabilidades no  que se passou com as finanças públicas.

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 23:01
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Sábado, 21 de Janeiro de 2017

A direita PSD está a encaminhar-nos diretamente para o inferno

Inferno.png

A direita tenta fazer-nos acreditar que foi, e é, a solução para os nossos males. Talvez conduzir-nos ao céu da felicidade plena. Todavia, conduz-nos diretamente para o inferno, sem, ao menos, fazer-nos passar pelo limbo que deveria ser a antecâmara para a entrada no céu.

 

Entre o céu e o inferno o PSD não opta pelo limbo, escolhe, sem hesitação, o inferno apenas e só para infernizar o Governo, para marcar posição, para mostrar dureza, mas mostrar que o líder agora é forte, mas na fraqueza, sem convicção.

Os neoliberais são agora antiliberais, são agora inimigos dos patrões. Optam por pontos de vista que não são os seus apenas, e só, para mostrarem que, se não forem eles, o Governo não pode contar com a extrema do lado de lá. Sensacionalismo para alterar sondagens, manobras partidárias, oposição pela oposição.

Estou no grupo dos que têm dúvidas sobre a redução da TSU em troca do aumento salarial porque poderá prejudicar a prazo a segurança social embora o valor não seja significativo poderá vir a ser compensado pelas novas contribuições provenientes do aumento dos salários e de novas entradas no mercado de trabalho. Esta medida, contudo, é apenas para as novas admissões.

Há quem não concorde com a medida encontrada para reduzir um pouco a TSU para as empresas como compensação do aumento do salário mínimo. Há quem, tendo trabalho, está contra o “patronato” que lhe dá emprego não concordando que seja reduzida a TSU. Estes últimos não têm argumentos. Dizem-lhes apenas que vão tirar dinheiro à segurança social para o dar aos patrões e levam-nos a pensar que a direita, o PSD, está do lado deles. É a demagogia ao serviço de quem os desinforma que a direita reforça. Mas, quando for preciso, irão colocá-los contra a mesma direita que agora os apoia dizendo que “patronato” está a roubar-lhe direitos, a reduzir e atrasar pagamento de salários e a provocar despedimentos. Quando for este o caso a culpa terá sido, de facto, da direita.

Para isto é que a direita encontrou alternativa apanhando o comboio da extrema-esquerda, e votará ao lado de quem sempre foi conhecido o seu posicionamento nesta matéria. O mesmo já não se pode dizer da direita PSD e da sua liderança para quem que dantes eram verdades são agora pós-verdades.

Votar em liberdade é também ser imparcial sobre tudo, menos contra as suas próprias convicções. Para aquela direita a partir de agora não vai haver escolhas passarás a ser sempre do contra, seja o que for que apareça. A isto chama-lhe oposição.

E se tudo acontecesse ao contrário? Isto é, se a direita estivesse a governar em minoria (com toda legitimidade por ter ganho as eleições)? Como reagiria se a oposição tomasse a mesma atitude?

A direita tenta fazer-nos acreditar que foi, e é, a solução para os nossos males. Talvez conduzir-nos ao céu da felicidade plena. Todavia, conduz-nos diretamente para o inferno sem, ao menos, nos fazer passar pelo limbo que deveria ser a antecâmara para a entrada no céu.

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 20:12
Link do post | Comentar | Ver comentários (1) | Adicionar aos favoritos
|
Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2017

Poucos e fracos os elementos da consciência do PSD

Beijinho da direita.png

Os foram agora adquiridos com a ajuda daqueles a que chama de extrema-esquerda. Descobriram o patriotismo de grupo e de bairro: aprenderam agora que podiam mostrar-se orgulhosos de serem oposição pela negativa.   

Não é o Governo que está nervoso é o PSD e alguns editorialista e comentadores que estão excitadíssimos com a descoberta do vilão da TSU, que lhe foi oferecido para poderem fazer oposição, nomeadamente Ana Sá Lopes, no seu editorial de hoje no jornal i, mostra-se satisfeita com a oposição que o PSD faz sobre aquela matéria.

É uma oposição revanchista. É uma oposição que nada tem a ver com o país, mas com o próprio partido e com o complexo de perda do poder. O PSD junta-se numa votação àqueles que alguns dos seus denominam de estalinistas. Vota com eles, está de acordo com eles, para fazer de conta que está a favor dos trabalhadores, dos que odeiam o patronato, como lhes chamam aqueles que detestam tudo quanto mexa e seja privado e que, se fosse caso disso, também estatizavam o negócio da frutaria do bairro, explorada pelo nepalês ou pelo indiano.

Desta vez não é a extrema-esquerda, como lhes chamam, que se junta à direita para derrubar governos socialistas, é a direita que se junta à extrema-esquerda para obstruir a governação socialista, mesmo sem causa evidente, basta reviver as suas posições contraditórias nesta matéria ao longo dos últimos tempos.

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 18:41
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2017

Da partidarite à politiquice

Birras.pngO PSD apresenta-se atualmente com uma espécie de psicose que se caracteriza por perturbações de raciocínio e de comportamentos contraditórios de que julga ter consciência, mas que está deturpada.

Embora tenha ganho a eleições sem maioria absoluta e com a perda da maioria parlamentar ainda não conseguiu sublimar a frustração através de objetivos que representem um valor social positivo.  

Está no ar a medida da redução da TSU das empresas como compensação do aumento do salário mínimo. Não está em causa se a medida é boa ou má, mas, neste ponto o BE e o PCP têm agora um forte aliado. Estes dois partidos, são contra tudo o que mexa e seja iniciativa ou empresa privada. Está nos seus genes. Já quanto ao PSD o caso é diferente.

Não se compreende, embora muitos daquele partido justifiquem que são a favor da medida, mas…, ao mesmo tempo, também são contra. São contra o quê? Contra o aumento do salário mínimo que pode ser considerado, por alguns, neste momento excessivo? Se assim for compreende-se. São contra a redução da TSU às empresas? Caso assim seja o PSD apresenta uma síndrome amnésica grave. Varreu-se-lhe da memória a tentativa de por em prática o baixar da TSU para as empresas em troca do seu aumento para o setor trabalho quando, em 2012, o partido esteve no governo juntamente com o CDS. Diz agora que era transitório. Mas quem pensam eles que ainda estão a enganar?

O PSD está em falência com a atual liderança, (acho que a culpa não será apenas do líder, mas da sua entourage que lhe quer tirar o tapete), e foi-lhe oferecida de bandeja uma deixa que aproveitou, não a pensar no país mas apenas para fazer chicana meramente partidária.

É uma birra de menino a quem não lhe fazem as vontades. Vingançazinha soez, como quem diz: Mamã, aqueles meninos não me deixam brincar, por isso vou-lhes tirar a bola que é minha! Ou, ainda: Ai é? Então agora é que vocês vão ver! Nós votamos contra e vamos ver se funciona a maioria parlamentar que apoia o Governo!

Não servimos de muleta a ninguém dizem, sem propor alternativa. Meninos birrentos que apenas propõem aos portugueses a alternativa do nada. Apenas porque não a têm. E, como não a têm, fazem joguinhos partidários numa espécie de guerra de guerrilha.

Há uma coisa que ninguém lhes tira: é a fama da aliança à extrema esquerda, como eles lhe chamam, apenas e só, para colocar em causa o apoio parlamentar ao Governo.

Não deve ser difícil ao Governo ultrapassar este caso. Não seria o caso, mas estou, no entanto, convicto de que a tal esquerda radical não irá possibilitar, mesmo que tenha que engolir sapos vivos, a queda do Governo para o dar novamente à direita.

O PSD se não retorna à social-democracia bem pode estar a cavar aos poucos e a prazo a sua própria sepultura suicidando-se como partido que devia ser popular. E Assunção Cristas também não lhe está a facilitar a vida, graças ao seu mentor Paulo Porta. Ainda bem!

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 16:49
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Sábado, 7 de Janeiro de 2017

Recordando... mentiras

Mentiras de Passos_2.png

A direita de Pedro Passos Coelho servia do chavão utilizado por Thatcher conhecida por “There Is No Alternative - TINA  para mentir aos portugueses dizendo que não seria possível manter a TAP como empresa pública ou recapitalizar a Caixa Geral de Depósitos. Desculpava-se com Bruxelas que não deixava.

Argumentos falaciosos, confusos, deturpadores da realidade eram aqui e ali utilizados por ele e pelos fãs do comentário político da falácia. Utilizavam então com argumentos de juristas e de legislação para terminarem a dizer que a Europa não deixava. Este discurso era assimilado e replicado às cegas por quem nada percebia de direito Europeu. Não é obrigatório ser legista e licenciado em direito, basta ler e estar atento.

Neste âmbito incluem-se os fanáticos das privatizações das quais podem alguns beneficiar, e os crédulos que acreditam em tudo quanto ouvem ou leem e é divulgado pelos jornais de opção neoliberal que distorcem, para utilidade político-partidária, o que se passa de facto na Europa.

 Passos e os seus adeptos mentiam quando garantiam que só era possível uma política, a deles. Ao Governo de Passo e de Portas dava jeito que acreditássemos em tudo o que estava a ser feito. O PSD e CDS acreditavam que nunca haveria hipótese de refutar a tese do “não há alternativa” porque nunca pensaram que o PS faria um acordo parlamentar à sua esquerda para viabilizar um Governo daquele partido porque estava sem maioria absoluta, que a direita também não conseguiu. Pensavam assim porque durante dezenas de anos nunca tinha havido outra política na esquerda portuguesa. Foi e continua a ser essa a frustração da direita.  

Ainda nos recordamos de quando Passos Coelho nos dizia, por exemplo, que não seria possível manter a TAP como empresa pública ou recapitalizar a Caixa Geral de Depósitos? Aqui está o exemplo prático de que, servindo-se da mentira, desculpava-se dizendo que Bruxelas não deixava.

Com outro simples exemplo, recordemos o que Passos Coelho disse no Twitter, quando ainda na oposição e já em fase de pré-campanha eleitoral, três meses antes de tomar posse (21 de junho de 2011): “Se vier a ser necessário algum ajustamento fiscal, será canalizado para o consumo e não para o rendimento das pessoas.”. E só mais uma: “É uma tragédia o estado a que o nosso estado social tem chegado.”(maio de 2011). Nesta altura já sabia que haveria um processo de ajustamento e que a troika viria.

Deputados do PSD que estão agora na oposição por questões de lana caprina veem dizer que António Costa está a mentir aos portugueses. Replicam o que ouviam da oposição quando eram governo. Há, no entanto, uma diferença é que, na altura, quando se dizia que Passos Coelho mentia era mesmo verdade.

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 12:50
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Terça-feira, 3 de Janeiro de 2017

Porque não te calas?

Zé Povinho.pngNuma publicação partidária do PSD Passos Coelho defende aquilo que até agora ocultou aos portugueses, o que seria o seu programa se fosse novamente governo. Agarra uma frase que Belmiro de Azevedo utilizou há muito tempo, se não me engano no tempo em que Passos era primeiro-ministro, “é preciso deixar de navegar à vista”. Peca pela falta de originalidade.

Fala de reformas sem especificar o que são e o entende por isso. Há coisas que não convém esclarecer. Seria bom, já que todos falam em reformas sem ninguém dizer o que são. Está fora de causa aqui o conjunto de papéis que Paulo Portas arranjou como sendo reformas do Estado quando foi vice-primeiro ministro. Neste momento ainda ninguém me conseguiu objetivamente explicar o que são para Passos Coelho reformas, embora suspeite o que são.

Após a mensagem de Ano Novo do Presidente da República, em que aborda o crescimento, o ex-primeiro-ministro, agora “no exílio”, pega no óbvio e diz o que deve ser o crescimento económico abrindo o véu ao que será o seu programa mais conservador e neoliberal do que sempre foi o seu.

Para Passos Coelho “O que precisamos agora é de enterrar as políticas de reversão”. Quer ele dizer que é voltar ao corte de pensões, de salários, desmantelamento do SNS, deixar populações sem tribunais, voltar às privatizações de modo a que o Estado, nós todos, fiquemos com os prejuízos e entregando os ativos a quem adquirir o que for rentável. Mostra expectativas de que o diabo venha visto que segundo ele “as reversões que foram realizadas não nos venham a sair demasiado caro”.

E continua, "Quem quer semear para futuro e colher bons resultados tem de orientar as suas prioridades de modo diferente do que temos vindo a observar em Portugal, invertendo as políticas de navegar à vista e preparando uma estratégia de médio e longo prazo que faça sentido". Parece-me bem, mas…, afinal, qual é a estratégia para o médio e longo prazo que propõe para sabermos que o que afirma faz sentido. Precisamos de saber. Queremos optar com conhecimento senão não é mais do que conversa de propaganda idêntica àquela de que acusa António Costa.

Sentiu que o discurso de Marcelo Rebelo de Sousa também lhe foi dirigido, daí replicar falando de realismo nas questões políticas económicas e sociais, porque, para ele "o otimismo e o pessimismo traduzem, sobretudo, estados de espírito que nem sempre ajudam a encontrar as melhores soluções". Tudo bem, mas o que entende ele por realismo? Terão sido todas as medidas que pôs em prática quando foi governo que tiveram resultados insipientes e pouco convincentes de que acusa agora o atual Governo quando, na altura, afirmava alto e bom som que tinha que ir para além da troika? Fala em realismo nas questões sociais quando, no tempo em que governou, provocou a maior crise social de que há memória em Portugal criando injustiças, criando um clima tenso, com divisões sociais e laborais, instabilidade social e quebra da coesão.

Pelo que Passos Coelho afirma podemos perceber nas entrelinhas que é a isso que regressar.

Sustenta uma abordagem realista que permita perceber melhor o ponto de partida, estabelecer um nível de ambição "plausível" e a melhorar a adequação das respostas políticas aos problemas dizendo: "De acordo com esta abordagem realista, Portugal precisa de aproveitar melhor algumas vantagens da envolvente macroeconómica europeia e global e de aumentar a sua resiliência às incertezas políticas externas. Em ambos os casos, o tempo começa a não estar tanto a nosso favor como já esteve". Vamos lá ver se percebo: se o tempo já esteve a nosso favor, e deve estar a referir-se ao passado em que foi primeiro-ministro, porque não conseguiu ele atingir os objetivos que quer agora que outros cumpram rapidamente em condições que se preveem de incerteza?

Argumenta ainda o presidente do PSD que "o tempo não volta para trás", digo eu ainda bem! E cada vez há menos tempo para "tirar partido das referidas vantagens", mas digo eu vantagens que não aproveitou porque já no final do seu mandato dizia frequentemente que a economia estava a recuperar e a crescer. Mas todos nós sabemos ser tão insipientes quanto a do crescimento atual.

É uma proposta de regresso ao passado a que Passos Coelho propõe embora não defina concretamente o que pretende.

É caso para se dizer: porque não te calas?

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 17:31
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Sexta-feira, 30 de Dezembro de 2016

Feliz Ano Novo sem vir o diabo

FelizAnoNovo.pngQuando leio algumas notícias que provêm de declarações do PSD não consigo deixar de sorrir e, até rio com vontade se estou em presença de pessoas conhecidas. Desta vez foi aquela do PSD pressionar o Governo para alargar o pré-escolar.

A exigência para o Governo avançar já em 2017-18, com a generalização da oferta da frequência do pré-escolar aos 3 anos de idade consta de um projeto entregue na Assembleia da República no qual o PSD acusa o executivo de António Costa de não se comprometer com qualquer data concreta para a promessa e acusam-no de propaganda. Aqui eu diria olha quem fala?

Rir, e depois sentir um sentimento de pena para com o PSD, lamentando a tristeza da política que por lá deve andar. Perguntam então os leitores deste “post”, porquê? A resposta é simples.

O alargamento do pré-escolar é uma proposta que consta do programa do PS que António Costa divulgou que é para ser implementado durante a legislatura e que, recordo, vai agora entrar apenas no segundo ano.

Agora o PSD apanha a boleia para a sua azáfama de propaganda e mostra que está muito interessado na educação pré-escolar, como se este projeto pudesse ser implementado em cima do joelho e posto em prática em meia dúzia de meses. Aliás, projetos elaborados em cima do joelho foi o que mais tivemos durante o governo do PSD-CDS. Nada se ouviu nem viu sobre a alargamento do pré-escolar durante os quase cinco anos que estiveram no governo, mas é agora que estão muito interessados na rapidez. Portam-se, como disse em “post” anterior como garimpeiros que, em vez de algo valioso, carregam para o saco umas pedrazinhas que cujo valor nem dão para o esfoço.

Apenas me resta desejar-lhes um Bom Ano Novo gasto à procura do diabo.

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 20:17
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Terça-feira, 27 de Dezembro de 2016

Garimpeiros

Garimpeiro.png

O Natal já lá vai e a política da oposição de direita é a de continuar à procura de prendinhas preciosas para oferecer a si própria. Mas não é só a oposição, são também alguns que, não sendo da oposição de direita e considerando-se do PS, fazem oposição ajudando a meter golos na baliza do “clube” a que dizem pertencer.

A pesquiza de preciosidades e a procura de brechas insipientes na política do Governo são a oportunidade que resta à direita para fazer oposição fácil porque oposição afirmativa séria e alternativa, não sabem como fazê-la.

A oposição a Passos Coelho dentro do PSD começa a borbulhara e a fazer sair da penumbra a que se votaram, depois da perda do poder, alguns senhores que então o apoiavam.  Saltitam alguns reagindo a uma possível aliança do partido com o CDS para a Câmara de Lisboa. Autarcas e ex-autarcas sugerem um congresso extraordinário do PSD.  

Seguem-se outros de direita, nomeadamente colunistas de jornais diários que aproveitam para pegar em tudo quanto o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, diz ou possa ter dito para fazer manchetes e para o criticar oraculizando esboços de divergência institucionais com o Governo.

Há ainda outros, os que escrevem em editoriais que  o “Presidente não é o menino Jesus e que  por muita fé que tenha, o boletim meteorológico continua a apontar para mau tempo.” Fazem parte do grupo que, entrando na carruagem de Passos Coelho, esperam ansiosos pela paragem onde entra o diabo. Estes eram os defensores das políticas de Passos Coelho no passado.

Vão escavando, garimpam aqui e ali, em tentativas de procurar algo fazendo uma oposição sem consistência. Primeiro foi a CGD, agora são os lesados do GES para os quais Passos, enquanto esteve no Governo, não conseguiu, não quis ou não soube arranjar uma solução. Surgem como senhores das trevas que dizem defender o interesse de Portugal.

Timidamente vão saindo da nebulosidade outros comentadores e opositores vindos duma direita  enfezada, porventura devido a estarem próximo do diabo que dizem estar para vir. Tecem estes críticas veladas ao Presidente da República, ainda de forma comedida, mas que, entre linhas, vão insinuando que o Presidente está em consonância com o Governo por estar a fazer discursos pacificadores. Estes são os mesmos que, durante a campanha eleitoral, faziam campanha e elogiavam Marcelo. Anseiam agora por conflitos institucionais, querem instabilidade porque é isso que os torna vivos.

Estou à vontade para escrever porque sempre critiquei Marcelo Rebelo de Sousa para Presidente. Reconheço o meu erro, apenas, e só, porque, ao contrário do que pensava na altura, ele veio trazer um contributo para a paz social com uma atitude contrária ao passadista Passos Coelho que, durante o seu mandato, criou feridas, crispações e instabilidade sociais dividindo o que deveria unir, até porque Portugal estava confrontado com dificuldades a ultrapassar que necessitavam de união e não de divisão. Sobre esse tempo e essa atitude, neste mesmo sitio, várias vezes manifestei-me contra.

É mais do que certo que, nem tudo o que o Governo fez, ou se proponha fazer, está isento de críticas, nem tudo tem sido perfeito, mas qual foi a perfeição do Governo da passada legislatura. Aqui entram, mais uma vez, os que exaltam o que bom fez o Governo de Passos que preparou o terreno do que, dizem, estar o atual a aproveita-se.

Não falemos agora da saída limpa e do que, para isso, esconderam sobre o estado da banca!…

Garimpam desesperadamente em terrenos onde nada existe para garimpar.

Apenas como uma nora final tomem nota senhores autarcas do PS, atuais, futuros ou recandidatos, os garimpeiros da política andam por aí e a caça ao nepotismo e a outras atividades menos éticas já começou com a aproximação das eleições autárquicas.  Essas vão ser duras, mais do que se estivéssemos num Governo do PSD onde muita coisa seria ocultada, desculpada e dada sombria visibilidade.

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 18:40
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Sábado, 10 de Dezembro de 2016

Desorientados

Desorientação.pngDurante os quatro anos no Governo acrescentando mais um do exílio que, pelas circunstâncias de todos conhecidas, foi imposto a Passos Coelho, a política interna do PSD esteve fechada a quatro chaves. Em surdina começam a questionar a liderança de Passos Coelho. Escreve-se aqui e ali. O partido entrou em desorientação de rumo face à tempestade que ele próprio gerou.

O partido faz passar agora para a comunicação social alguns movimentos internos com um propósito: testar a opinião pública sobre quem poderá ter melhores condições de vir a suceder a Passos Coelho como líder do PSD. Isto porque as autárquicas se aproximam e estão a ver que a floresta pode começar a queimar-se.

Há algum tempo que a comunicação social avança nomes como o de Rui Rio. Não sei se será boa ou má escolha, ou se será melhor ou pior líder do que Passos Coelho. Rui Rio foi um homem forte e com tomadas de decisões irrevogáveis (as dele sim, foram mesmo irrevogáveis) e, enquanto esteve à frente da autarquia da cidade do Porto, terá tido uma boa relação institucional com António Costa o que poderá ser positivo.

Outros nomes como Paulo Rangel, Aguiar-Branco e Luís Montenegro surgem da sombra para suceder a Passos Coelho. Nesta barafunda interna do partido aparecem ainda os nomes de Marco António Costa e Miguel Relvas (sim esse mesmo) para fazerem as contagens e reunir seguidores para conseguir a eleição do próximo presidente.

Dos potenciais candidatos Paulo Rangel, Aguiar-Branco e Luís Montenegro, se de facto o forem, o PSD passará de mal a pior. Rangel e Montenegro têm-se firmado como fiéis seguidores de Passos Coelho e, a serem eleitos, serão ferozes neoliberais piores do que ele. As suas intervenções nas várias oportunidades que têm na comunicação social quer escrita quer televisiva ao longo dos quatro anos, mais um, as suas posições de apoio à atual política do PSD têm sido muito claras. Não será de esperar que algo mude no partido com aqueles possíveis candidatos, bem pelo contrário.

Montenegro já o conhecemos bem como líder da bancada do PSD. Sempre a poiou as medidas do Governo de Passos e ainda segue as mesmas orientações e é pouco provável que as venha a mudar no futuro. Com ele nada irá mudar no partido. O mesmo se pode dizes de Rangel que, na altura da luta pela liderança do partido, concorreu em oposição a Passos Coelho e perdeu. Todavia devemos ter em vista que foi um número circense. Uma espécie de faz de conta.

Há uma crença no interior do PSD que tem sido comprovada, quem perde as eleições para a liderança do partido nas seguintes ganha. Rangel sempre defendeu intransigentemente o Governo de Passos e, embora faça propaganda de que o partido é do centro, as posições dele estão longe de serem as da social democracia ou até do centro. A sua candidatura, se vier a verificar-se, servirá para baralhar e dar de novo. Com alguma destas três candidaturas política será a mudança na continuidade.

Quem tem feito o jeito de ler o que escrevo neste blog sabe quanto tenho estado contra as posições da política de Passos Coelho, mas, ao confirmar-se qualquer uma destas três candidaturas para a sua substituição, excetuando Rui Rio, por enquanto, então, antes Passos do que qualquer um daquele.

Publicado por Manuel Rodrigues às 17:27
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Terça-feira, 6 de Dezembro de 2016

Oposição de direita ou os inimigos dos portugueses

Cão Raivoso.pngLamentável a atitude da oposição da direita PSD que, como várias vezes tenho afirmado, à falta de argumentos e propostas alternativas de governo agarraram-se à CGD - Caixa Geral de Depósitos como para fazer oposição que, de facto o não é. Em vez de oposição o PSD faz prova de vida transformando-a numa traquitana politiqueira.

O PSD está a sofrer duma espécie de taquicardia autoinduzida com recurso à CGD e cuja consequência é, em vez de provocar a sua morte provoca estragos nos portugueses. Esclareço que, neste caso, aplico o conceito de taquicardia ao bater anormal e muito rápido do centro oposicionista do PSD liderado pelo ressabiado Passos Coelho.

O PSD não está a fazer oposição e transformou-se num inimigo dos portugueses que sempre e em circunstância adversas confiaram na CGD. Se isto é ser patriota, como muito vezes pregaram quando estavam no Governo, então vale tudo e, no limite até destruir Portugal. Passos deveria tirar o Pin da bandeira portuguesa da lapela porque lhe fica muito mal.

Libertaram a sua raiva porque não têm soluções para nada, nem para a própria Caixa. Perpetraram descalabros económicos e ameaçam um banco que deveria ser dado com um exemplo de solidez e merecer o apoio de todos, pelo menos neste caso. O Tribunal de Contas deu a conhecer hoje o emaranhado da CGD que o anterior Governo provocou.

Até o liberal e grande defensor do PSD e do Governo de direita, João Miguel Tavares, que eu aqui tenho algumas vezes criticado e acusado de ser faccioso, vem hoje dizer no jornal Público que a “CGD não precisa de um tipo baratinho e sacrificado. Precisa do melhor nome possível que exista no mercado, ainda que pago a peso de ouro”.

Diz algum povo por aí, porventura sem conhecimento de causa, e é com isso que o PSD conta: “Pois, eu ganho uma miséria e esses senhores ganham fortunas”. Pois é! O certo é que, eu, e, os meus caros senhores, que assim falam e se insurgem, não conseguíamos fazer o trabalho que eles fazem, nem temos as competências que se lhes exigem.

Alguém arrisca por aí a fazê-lo por um valor que achem ser razoável? Então proponham-se para tal. Eu cá por mim não.

Publicado por Manuel Rodrigues às 22:01
Link do post | Comentar | Ver comentários (1) | Adicionar aos favoritos
|

pesquisar

 

Posts recentes

Dos ciganos à formação de...

O artificialismo da oposi...

O caso do candidato que m...

A ameaça virulenta da dir...

O estado da desgraça da o...

Demissões na direita prec...

Oposição da direita e cre...

Será que para burros só n...

Mais uma vez a Mulher Mar...

Mulher maravilha e girass...

Zombies versus Judas

Considerações sobre algun...

Bombas e bombinhas

Fazer oposição ao país

Lógica e metáfora do PSD

Tesourinhos deprimentes

Uma vitória difícil e ama...

Pontos de vista

O espelho da direita

Falsas preocupações

Agosto 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

Arquivos

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Livros que estou a ler

Livros que já li

Quando Portugal Ardeu Miguel Carvalho A Vida Secreta dos Livros O Romancista ingenuo e o sentimental de Orham Pamuk malbe

Os porques da esperança.png

Demorei algum tempo a ler este livro mais do que o costume. Livro sobre a política nacional sobre a forma de entrevistas que passaram na TVI 24 efetuada por um provocador nato cujas respostas são dadas por um astuto tribuno da palavra. Livro que aborda temas nacionais da política recente com uma abordagem em que as palavras se se entrelaçam com alguma exposições mais académicas. Um bom manual para quem se interesse pela política em Portugal nos últimos tempos.  

 

 

Piketty_Capit_SecXXI


Memoráveis


Crónica dos dias do lixo



Links

Mais sobre mim

Trabalhos Publicados

Rodrigues, Manuel A (2011). Geografia Social Urbana na Licenciatura em Educação Social, Cadernos de Investigação Aplicada, (5). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas


Rodrigues, Manuel A (2010). Didática da Geografia: recurso à Literatura como proposta interdisciplinar, Cadernos de Investigação Aplicada, (4). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas. .


Rodrigues, Manuel A (2008). Televisão e os efeitos de exposição a mensagens televisivas na educação: o efeito da terceira pessoa, Cadernos de Investigação Aplicada, (2). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas.


Rodrigues, Manuel A (2005). Do Presencial ao Online: um estudo de sobre a atitude de estudantes face a situação de aprendizagem online, Actas do VII Simpósio Internacional de Informática Educativa-SIIE05, Escola Superior de Educação de Leiria.


Rodrigues, Manuel A (2004). Um Modelo de Formação em Ambiente Misto de e-Learning (Blended Learning): uma experiência na disciplina de Tecnologia Educacional, Actas da Conferência eLes’04: e-Learning no Ensino Superior, Universidade de Aveiro.


Rodrigues, Manuel A (2004). Marionetas em Liberdade: a identidade pe(r)dida com as novas exigências curriculares, Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas.


Rodrigues, Manuel A (2000). Ciberespaço, Internet e as Fronteiras da Comunicação Educacional, Lisboa, Universidade Aberta. Porbase, CDU 37.01(043), 159.95043), 005.73Internet(043.2),371.1043)

Participar

participe neste blog

Contador de visitas

Tags

todas as tags

blogs SAPO

subscrever feeds