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ZOOM SOCIAL - Cultura, sociedade e política

Apontamentos, comentários e OPINIÕES sobre política, economia, educação, sociedade e cultura. Confronto de afirmações, reflexões e contradições sobre o modelo social que temos.

ZOOM SOCIAL - Cultura, sociedade e política

Apontamentos, comentários e OPINIÕES sobre política, economia, educação, sociedade e cultura. Confronto de afirmações, reflexões e contradições sobre o modelo social que temos.

A cidade, as pessoas e os elementos marcantes

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Desloco-me muitas vezes a pé pela cidade de Lisboa seguindo percursos mentalmente delineados, muitos deles de várias horas parando por vezes em um ou outro local mais marcante ou aprazível. No último percurso que efetuei, e também o mais recente, demorei mais de duas horas, observando ruas e bairros populares por onde passei pisando calçada portuguesa, algumas delas em evolução para comodidade dos peões, casas, monumentos, pessoas e outros elementos marcantes da nossa capital.

Lembrei-me que estamos em cima das eleições autárquicas e os candidatos esfalfam-se para “caçar” votos nas suas “coutadas” de influência quer seja em lugares, aldeias, vilas, cidades ou capitais de distrito.  As promessas do que irão fazer multiplicam-se e emparelham com o que dizem já terem feito.

Se viajarmos por este nosso país podemos observar, sem grande esforço, que algumas coisas do que já fizeram foi apenas para encher a vista das populações algumas de utilidade prática duvidosa. Fazem-no para competir com os seus vizinhos e camaradas autarcas do mesmo ou de outros partidos, e até com os ditos independentes, numa espécie de lógica parecida com: “não podemos ficar atrás deles”.

Esta é, portanto, uma boa altura para fazermos a leitura das cidades através do modo como as olhamos e sentimos, do que representam para nós, e da perceção e imagem que cada citadino faz a sua leitura. Pensando nisto recuperei e atualizei um texto que escrevi em tempo que mostra como as diferentes perceções que temos de uma cidade onde vivemos nos dá o panorama da sua imagem e que pode consultar aqui ou ainda aqui.

Uma opinião sobre o protesto dos enfermeiros

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Os enfermeiros são uma classe necessária e imprescindível em todo e qualquer serviço de saúde. São eles que fazem a manutenção médica diária dos doentes, apoiam-nos e tratam-nos seja nos hospitais públicos seja nos privados, casas de saúde etc. Eu diria mais, sem eles a saúde colapsava já que os médicos não poderiam responder a tudo. Têm a formação adequada para as tarefas que desempenham, mas não são médicos. Mas, por outro lado, se questionássemos pessoas que estão ou estiveram internada nos hospitais públicos sobre a forma como os enfermeiros lidam com os doentes ouvir-se-iam de certeza muitas razões de queixa nomeadamente as atitudes que tomam para com os doentes. Todavia tenho consciência de que as generalizações podem ser injustas para muitos.

Os que hoje são enfermeiros devem ter optado pela enfermagem por vocação, por gosto, seja lá pelo que for, caso contrário teriam optado por medicina. Podem dizer que não tinham média para entrar e que, por isso, escolheram o curso superior de enfermagem. Seja, mas não são médicos. Não tiraram um curso de medicina e sim de enfermagem. Não podem agora através de formas de pressão tentarem administrativamente equalizar-se aos médicos cuja formação é em teoria e na prática muito diferente. Se não o fosse então os médicos teriam tirado o curso de enfermagem com menos custos financeiros e de saberes. Um médico pode fazer o serviço dum enfermeiro o contrário já não é verdadeiro.

Isto leva-me à chamada luta dos enfermeiros reivindicando carreiras, altos salários e o mesmo estatuto dos médicos. Na minha opinião foi uma manobra política de oposição contra o Governo utilizando as reivindicações laborais. Como se sabe na central sindical UGT existem duas correntes uma delas do TSD (Trabalhadores Sociais Democratas). Há um dos Sindicatos dos Enfermeiros que pertence àquela central sindical. Parece-me que é este o grupo que mais se tem salientado na luta por salários chorudos e em ações de rua. Oportunisticamente utiliza problemas ditos laborais para fazer pressão política sobre o Governo diria mais, fazer oposição já que o PSD tem falhado.

O que me parece ser mais estranho é que, se não me engano, foi esta a mesma classe que não se mobilizou para se manifestar com tanta perseverança e persistência quando o anterior Governo PSD/CDS lhes cortou direitos e salários, aumentou-lhes as horas de trabalho e retirou as horas extraordinárias e muitos tiveram que emigrar. Nessa altura a classe dos enfermeiros estava caladinha exceto um ou outro protesto sem significado e amochava.

Os enfermeiros querem o sol e a lua mesmo que impossível. Querem mais dinheiro, carreira fácil, estatuto e tudo o que mais vier do saco, e tudo o mais que lhes vier à cabeça que seja reivindicativo. Não sabem eles que quem depois pagará a fatura somos todos e eles também. Não se percebe a violência com que o protesto é feito o que me leva a crer que o ódio e a exaltação que se verifica nas atitudes deve ter influência de origem política e partidária.

Não são os únicos licenciados deste país, mas os enfermeiros com as greves estão indiretamente a utilizar os doentes, que deles necessitam e sofrem por esses hospitais, para fazerem valer as suas reivindicações exageradas relativamente a outros trabalhadores. É humanamente imoral e oportunisticamente político.

O estrebuchar

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1 - Hoje foi notícia um comunicado pelo Ministério da Defesa a propósito do relatório que semanário Expresso divulgou no sábado onde se atribuiu aos serviços de informações militares, com cenários "muito prováveis" de roubo de armamento em Tancos e com duras críticas à atuação do ministro da Defesa, Azeredo Lopes. Nesta sequência o Ministério da Defesa hoje defende a divulgação "na íntegra" do alegado relatório de um serviço de informações militares sobre o furto de armas nos paióis de Tancos, para que se possa verificar a sua existência e o seu valor e do qual transcrevo uma passagem que foi noticiado pela TVI no Jornal da 8

Todos os serviços de informações civis e militares negam a existência de tal relatório. Contudo, se existe algum documento nos moldes em que o Expresso noticiou, atendendo à relevância pública que a notícia ganhou, a bem do rigor e da transparência do debate público, é absolutamente fundamental que quem divulgou e credibilizou tal relatório o dê agora a conhecer na íntegra, de modo a todos os interessados atestarem de facto da sua existência e poderem aferir livremente do seu valor", disse à agência Lusa fonte oficial do Ministério da Defesa.”

2 - Se dúvidas tivesse elas dissiparam-se. O PSD, como já várias vezes afirmei, deixou de ser um partido da social democracia e transformou-se, pela evasão que sofreu de forças internas cuja ideologia se aproxima a uma fação de partido da extrema direita populista.

O que afirmo é evidenciado pela postura do candidato à câmara de Loures, André Ventura, que pertencerá àquela fação do PSD com a anuência do seu líder Passos Coelho. Esta anuência, do meu ponto de vista, é apenas estratégia política, por falta de candidato, mas que é prejudicial ao partido, já que não considero Passos nem racista nem xenófobo.

O PSD com a cumplicidade do seu líder lançou-se para a frente num perigoso balão de ensaio de populismo à portuguesa imitando o que se tem verificado em França com a Frente Nacional de Marine Le Pen, a Afd - Alternativa para a Alemanha, partido da extrema direita e o racismo e xenofobia de Trump nos EUA.

São vários os disparates nesta campanha assim como o é o caso de Loures com declarações infelizes. Sobre o caso de Tancos e sobre os incêndios o PSD não hesitou em explorar a tragédia deste verão fazendo de correio de boatos e insinuando sobre o destino do dinheiro solidário dado pelos portugueses fazendo crer que o Estado se tivesse apropriado do dinheiro, e, com a sua provável conivência, uma irresponsável tendo acesso a um canal de televisão fez acusações torpes através da manipulação duma lista de vítimas insinuando que o Governo teria omitido várias delas como se isto fosse admissível e até possível.  

Os social-democratas lançaram-se num caminho perigoso ao apoiar um candidato que defende a prisão perpétua, a pena de morte e que explora os preconceitos raciais e xenófobos numa tentativa de ganhar votos estimulando e interpretando o sentir do que se passa na cabeça de mentes obscuras que andam por aí. O que é lamentável é que o líder do PSD não veja o percurso etnofobico do partido ao entrar no jogo de aproximação a André Ventura e ao acenar com o fantasma da insegurança causada, segundo ele, pela imigração. Utiliza a mesma estratégia e linguagem que os partidos e candidatos da extrema-direita têm seguido noutros países.

O PSD agita-se convulsiva e desesperadamente para o exterior e vamos ver o que vai acontecer no interior. No meu entender o PSD só voltará a erguer-se e a ser social-democrata quando se vir livre dos extremismos de direita que o enfermaram e corroem por dentro.

O lixo e a solução de limpeza da direita

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A velha história da raposa que não tendo conseguido chegar às uvas diz para os que observaram as suas tentativas que não prestam estão verdes. É o procedimento da a direita, face aos indicadores, diz que são uma narrativa e não uma realidade e, com a saída do rating do lixo, argumenta que continuamos sujos, esquecendo-se da sujidade que lançou no país e nas pessoas durante o seu mandato.

Os comentadores e os jornalistas de opinião liberais, ditos de direita e fiéis incondicionais das políticas do antigo governo, tais como José Miguel Tavares, são muito preconceituosos no que à esquerda diz respeito, seja qualquer das esquerdas, mesmo as do centro esquerda. Nos artigos que escrevem fazem uma espécie de acrobacias na construção argumentativa, com alguma arte, diga-se. São exímios em lavagens cerebrais para muitos que os leem apanhados desprevenidos fazendo um discurso de quem procura conquistar apoios através da manipulação das emoções em detrimento do uso de argumentos lógicos ou racionais.

Tal aconteceu com o artigo de opinião no jornal Público. Auele douto da política nacional tece uma espécie de argumentação do tipo retrospetiva e evocação do futuro. Vamos então a detalhes sobre o que José Miguel Tavares escreveu a certa altura do seu texto:

1 – “… foi aí que António Costa ganhou o jogo e conquistou a esquerda: ofereceu-lhe um discurso de “novas políticas” que elas puderam apresentar aos seus eleitores como uma grande vitória.”

                A primeira é que considera implicitamente a esquerda que aceitou sem mais as “novas políticas” como se essa esquerda fosse mentecapta e não tivesse opinião deixando-se aldrabar.

2 – “É certo que dez euros a mais no ordenado são dez euros a menos na bomba de gasolina, mas como a maior parte do país está cheio de vontade de acreditar em tempos melhores, a escolha parece ter valido a pena, como bem demonstram as sondagens”.

                Aqui entra a demagogia: agarra nos aspetos emocionais que potencialmente possam o aumento da gasolina (que ora sobe, ora baixa) para os relacionar com os dez euros a mais nos ordenados para que pensem e digam, “pois é, afinal o aumento não chegou porque tudo está pior!”. Para Miguel Tavares todos (nós) somos mentecaptos porque somos levados a acreditar que tudo será melhor, e é por isso que as sondagens sobem. Não é por mais nada. É apenas por isto que elas sobem! Força caro Miguel, é assim mesmo.

3 – “A isto chama-se habilidade política, coisa que António Costa tem para dar e vender. Com Pedro Passos Coelho estaríamos provavelmente a crescer mais e com um défice mais baixo, mas o povo estaria menos feliz e a esquerda teria tomado conta da rua”.

                E, para além, disto não há mais nada, apenas habilidade política, o resto surgiu do nada, como por milagre, milagre que Passos Coelho tanto ansiava, mas que não apareceu apesar de prometer na altura das eleições que iria continuar a mesmo política, talvez esperando um milagre que estaria para chegar, e lá está, a seguir vem o oráculo retrospetivo porque a José Miguel Tavares parece não lhe ter agradado termos saído do “lixo” e diz premtóriamente que apesar de tal facto o certo é que para ele continuamos sujos, e di-lo sem qualquer pudor no seguinte parágrafo:

4 – “… desfasamento entre a realidade e a narrativa sobre essa realidade, que conduz a uma série de avaliações demagógicas sobre aquilo que nos tem acontecido. Sim, as previsões da direita falharam naquilo que ao diabo diz respeito. Só que as previsões da esquerda também falharam quanto à receita para sair da crise. Portugal está a crescer e a baixar o défice em condições que a própria esquerda garantiu que nunca cresceria: com o investimento público mais baixo da História e sem qualquer reestruturação da dívida”.

Qual será então a realidade para Miguel Tavares? Só pode ser a mesma que a direita oposicionista e desorientada. As realidades e os factos são demagógicos e pretende fazer-nos acreditar a todo o custo argumentativo que a realidade é a mesma que a receita da direita nos aplicou.

Com grande desplanto diz agora que não se fez qualquer reestruturação da dívida. Pois não. Mas não era a direita que nem sequer queria ouvir falar nisso quando esteve no poder? Ah, já sei não era oportuno, mas agora já é! O costume!  O mesmo se pode dizer do investimento público que o governo que apoiava congelou agora dão a isso uma prioridade.  

5 – “Com Pedro Passos Coelho estaríamos provavelmente a crescer mais e com um défice mais baixo, mas o povo estaria menos feliz e a esquerda teria tomado conta da rua.”

                Pois, meus caros leitores, é isso mesmo, Passo Coelho se estivesse no governo estaríamos a crescer muito mais, apesar de nos tornar um povo acabrunhado, dividido funcionalmente e profissionalmente, quiçá, empobrecendo mais, com outros cortes inimagináveis, reposições de rendimentos à vista sine die, mas o país estava a crescer mais, as pessoas não interessavam. Era um governo que fazia crescer o país para alguns. Estaríamos todos no nosso galho bem quietinhos e pequeninos à boa maneira da política do grande salvador da nação e da pátria do princípio do século passado. A esquerda seria um problema porque viria para a rua (mais um oráculo) em vez de aceitar pacatamente tudo o que fosse a bem da nação, pela nação e nada contra a nação no governo de Passos Coelho.

Cães raivosos são eles

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Não gosto de escrever utilizando uma linguagem idêntica à da direitalha porque passarei a fazer parte dum grupo de sinal contrário, pelo que desde já a desculpa pelo título. Mais adiante perceberão porquê.

Se nos dermos ao trabalho de pesquisar nos órgãos de comunicação informações sobre indicadores de economia, finanças, juros da dívida, mercados etc. e compararmos a informação noticiada nos períodos de 2012 e 2014 com as do período de 2015 até ao momento deparamo-nos com casos curiosos.

Durante o anterior governo, o da direita PSD/CDS, qualquer informação que houvesse sobre pequenos/ínfimos resultados positivos dos indicadores, alguns até pouco significativos, os portugueses eram bombardeados diariamente com a repetição exaustiva sobre aquela informação. Quando os resultados não eram muito favoráveis a notícia era dada rápida e parcimoniosamente.

O que vemos atualmente é precisamente o contrário. O que o atual governo tem conseguido é noticiado parcimoniosamente e sem grande impacto e tudo o que é desfavorável é noticiado com um relevo às vezes não justificado.

Se alguém acha que a comunicação social não tem animosidade com esta fórmula de governação à esquerda, então desengane-se. A direita toma conta de a crias com a ajuda da comunicação.  

Vamos a outro caso. Aqui há algum tempo atrás o Conselho Económico e Social pela voz de Teodora Cardos colocou de certo modo em causa as previsões do Governo para a economia, que ela dizia serem demasiado otimistas. Aliás basta comparar as previsões do CFP, que aparecem sempre no sentido do desfavorável, comparativamente com as restantes instituições internacionais e com as do Ministério da Finanças que se encontram em quadros publicados por aquele organismo. Será a metodologia utilizada pelo CFP para poder dar resultados convenientes? Mas o que interessa é que as previsões dadas quer pelo Governo, quer pelas instituições, são noticiadas pela rama e sem enfase, ao contrário do que se passava no anterior governo.

A partir daqui confluímos obrigatoriamente com as manobras de diversão que a direita pretende seja agenda política na abertura dos noticiários que é tudo o que menos interessa ao comum dos cidadãos, isto é, a chicana política de descredibilização.

Os bons resultados obtidos e a confiança das instituições europeias obtidos pelo Ministro das Finanças e pelo atual Governo revelado pela decisão da Standard & Poor’s (S&P), Portugal sentiu logo nos mercados o efeito positivo de ter tido uma das principais agências de rating mundiais a retirar o nível “lixo” que atribuía à sua notação de crédito assim como a saída de Portugal do lixo da agência de avaliação que foi noticiado pela rama no primeiro dia tentando que passasse pelos pingos da chuva.  A queda de juros registada esta segunda feira tem o potencial para gerar poupança anual de 37,5 milhões de euros em emissões de Obrigações do Tesouro (OT) a notícia foi dada sem grande relevo contrariamente ao que se passava no governo da direita. Tudo isto são pedras no sapato da direita e da qual não se consegue desenvencilhar e, por isso, procura o acessório, o desinteressante, o achincalhamento e a comunicação social sempre ávida de furos jornalísticos dá ajudinhas.

Quando foi colocada dívida pública cuja oferta superou a procura e a juros negativos, A TVI e a SIC noticiaram? Não. E a amortização da dívida com o pagamento ao FMI de 1700 milhões de euros? Foi dada timidamente. A TVI apenas deu uma pequena passagem de António Costa em que o divulgava, mas nem me recordo se foi passado nos noticiários em horário nobre ou se foi noutra altura e apenas uns breves 25 segundo, ficando-se por aí. Recordo-me que qualquer mexeriquice propagandística que vinha, e vem da direita, era, e é papagueada várias vezes ao dia.

Isto é falta de isenção, de independência, é informação de fação.

Alguns, como João Miguel Tavares, que escrevem nos jornais opiniões políticas sobre o Governo alinham pelo mesmo diapasão e logo surgem comentários online dos tais direitalhos contra quem não discorda de Miguel Tavares e contrapões com linguagem direitalha:

“Os cães raivosos do costume não conseguem esconder a sua irritação pois sabem que o João Miguel tem razão e tudo não passa dum castelo de areia e esses resistem muito pouco. É tudo uma questão de tempo. A única coisa que me deixa na expectativa é saber quem vão eles (os cães raivosos) culpar a seguir.”. Como já escrevi é esta a linguagem da direitalha. De certo que este termo também será um pouco pejorativo, mas é o nome para quem assim escreve, e este é uma pequeníssima amostra.

Bem, está visto quem são afinal os cães raivosos!

Um regresso ao passado através de Salazar

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Acabei de ler o este livro que foi o resultado de uma tese de doutoramento de Moisés de Lemos Martins em 1990. Esta é uma 2ª edição lançada em dezembro de 2016.

Escrita por um sociólogo que não se poupou a linguagens técnicas do discurso filosófico e sociológico torna-se, especialmente na primeira parte do livro, de leitura difícil para o comum dos cidadãos que não possua uma formação académica numa daquelas áreas.

O livro é uma análise de conteúdo do ponto de vista semiológica e interpretativo da política salazarista através dos seus discursos que o autor várias vezes cita. Os discursos de Salazar desde 1928 foram construídos para uma política redutora da sociedade portuguesa que necessitava duma regenerescência concretizada através duma construção minimalista da nação pelo somatório das células familiares que ele considerava ser essencial para o controle e manutenção da ordem social, mas que era redutor no seu conjunto e apenas como corpo da nação.

Os sistemas partidários destroem as nações são os fabricantes da mentira comparado com verdade do regime. A ordem militar prevenia a desordem civil. A nação era um corpo cujos órgãos necessitavam de regeneração e consequente de normalização.

Dizia Salazar num dos seus discursos “O lar desagrega este, separa os membros da família, torna-os um pouco estranhos uns dos outros”.  E noutro ainda “A União Nacional vincula os indivíduos a uma disciplina que previne os efeitos da divisão irracional do espaço nacional, da exploração das paixões dos indivíduos, da sua concentração doentia (espirito de grupo, de partidos, etc.)”.

Para o autor era a tecnologia da obediência, para Salazar a disciplina ética que prevenia a fragmentação nacional instaurada pela violência dos partidos. Ora, os órgãos da nação doente necessitavam de uma reordenação disciplinar através dum conjunto de táticas que combatessem a fragmentação e a irracionalidade da pátria. Mais adiante o discurso salazarista afirma implicitamente que pretende prevenir a revolução social, a luta de classes, a associação revolucionária, quer dizer, «a força ao serviço da desordem», a disciplina ética impõe o «espírito corporativo» a todos os interesses materiais e morais da nação.

Uma leitura acrítica da mensagem salazarista pode levar alguns a saudosismos ideológicos da filosofia política de Salazar que ainda andam por aí.

Enfim um livro difícil, mas interessante.

Direitalhos

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A direita normalmente não tem senso de autocrítica, e seguramente não se questiona sobre seus próprios equívocos. A direita perde a confiança do eleitorado, apesar de ter toda a máquina mediática nas suas mãos e começa a sentir que não têm líderes com credibilidade suficiente.

Não apresenta políticas inovadoras, mantem-se no neoliberalismo anti estado social que se provou fazer duvidosas privatizações. O conservadorismo religioso católico está colado à direita que pretende esta tome conta do país. A direita utiliza falsos discursos sociais democratas, mas que, prontamente, descarta uma vez chegada ao poder. Limita-se a reproduzir mantras repercutidos à exaustão como o de a esquerda é incompetente.

Com a economia em ciclo de crise tenta descobrir corrupção na esquerda para fazer esquecer a sua própria, que é mais eficaz, oculta e guardada por arames farpados e cães de guarda que a protegem para tachar a esquerda de economicamente incompetente e irresponsável.   

Poderiam, quando no poder, pensar num verdadeiro do sistema judiciário para lidar com a corrupção de maneira estrutural e institucional (porque corrupção não tem lado e não é apenas um problema pessoal) e acabar com a morosidade dos tribunais que impossibilitam o equilíbrio entre a presunção da inocência e a condenação necessários para a construção de um executivo ético. Mas não, limitaram-se a mudar o visível, o físico e o superficial, mantendo o que necessitava ser mudado.

Para esta situação contribuem os do clube dos direitalhos formado a partir de adeptos direitistas que são todos os que são da verdadeira direita democrática. Direitalho é uma palavra que não faz parte do vocabulário português e o seu antónimo é a palavra esquerdalho, mencionada com sentido pejorativo por alguns que se dizem contra a esquerda, seja qual for o motivo. A palavra esquerdalho faz parte do léxico dos direitalhos frequentadores das redes socias e dos comentários dos jornais online e nos blogs. Deixaremos para outra ocasião os esquerdalhos que, apesar de se encontrarem do lado oposto, abraçam a mesma linguagem, mas de sinal contrário.

Para os direitalhos, esquerdalhos são todos os que não são de direita, os que não são neoliberais, os que não são radicais de direita, os que não perfilham ideias e princípios fascizantes, os que são pela manutenção do status quo que abandona uns setores da sociedade em favorecimento de outros. Os direitalhos não sabem porque o são, nem lhes interessa saber. São direitalhos e chega.

Acham que lhes dá um certo estatuto e aceitação na ordem social. Muitos vivendo apenas do seu salário alinham com os que defendem baixar impostos para uns, os mais favorecidos, e aumentá-los para os outros, privatizar tudo porque acham que poderão vir a obter vantagens, gostam que outros pensem que o seu estatuto social é superior, apenas, e só, porque são direitalhos. Outros têm potencial financeiro, mas cultura, valores e ética são baixos, mas, por outro lado mostram o seu fervor religioso católico através de todos as organizações onde se infiltram e mostram a sua grande religiosodade. Não fazemos discriminação de género, as direitalhas também são deste grupo. Muitas conseguiram, por vários fatores, trepar a um patamar onde se julgam pertencer à “high society” e pretendem distinguir-se pelo tratamento dos filhos ou netos por você, evocando quando acompanhados nomes sonates da sociedade, dando-se ares perante vizinhos e amigos.     

Os direitalhos apenas falam na necessidade de reformas, papagueando o que outros dizem, mas não identificam quais. São pelo imobilismo e não mostram interesse em acompanhar a europa. São contra o investimento público e alguns pertencem ao grupo daqueles que esperam que caia do céu o investimento privado e anseiam para que haja uma mão de obra dócil e barata, e quanto mais barata melhor. Os investidores defendidos pelos direitalhos são os que pretendem que o investimento efetuado hoje, ao fim de alguns meses, tenha retorno do capital mais o lucro.

Os direitalhos são contra tudo o que seja social, mas são a favor de tudo o que lhes possibilite a livre especulação, de preferência sem legislação laboral. Neles incluem-se os revanchistas, os invejosos, os xenófobos, os racistas, os que acham que a direita, a deles, resolve os problemas que enfrentam e que ainda ninguém resolveu, os que vivem na espectativa duma viragem direitalha para os resolver.

Direitalhos são também os que enxovalham os outros, os que difamam, os que caluniam sem prova, os que, escondidos pela capa do anonimato lançam denúncias, (que mais fazem lembrar elementos pidescos infiltrados), guardam na gaveta do lixo os mexericos e as falsas suspeições para oportunisticamente os lançar para a opinião pública através dos media que lhes dão cobertura. Utilizam o lema do vale tudo desde que seja contra os outros, e nada contra eles.

Há antigos líderes que, à falta de melhor, transformaram-se em formadores de putativos direitalhos da JSD, como o fez Cavaco Silva no Pontal. Desdenhou a ideologia, como se ele próprio não tivesse uma, e lançou disparates como duma possível realização duma revolução socialistas através do Governo. Identificou-se assim ele próprio como possível direitalho.

É importante esclarecer que no grupelho dos direitalhos não incluo os da verdadeira direita democrática, os que valorizam os valores democráticos, os que têm uma visão socialmente diferente para as soluções e problemas do país e das pessoas, e que, através duma oposição construtiva e de verdade, consigam ganhar o poder através dos mecanismos que a democracia proporciona.

Os direitalhos não são de direita, são contra a esquerda porque consegue baralhar os seus pobres espíritos politiqueiros. Não sabem o que é ser de direita, nem sabem o que é ser de esquerda. Porque não sabem o que é, nem uma, nem outra. Todos os que não sejam direitalhos são “comunas” e perigosos revolucionários. Imitam alguns esquerdalhos que dizem que os de direita são todos fascistas.  

Recorrendo a uma metáfora e como mero exercício intelectual podemos imaginar uma entrevista a um adepto dum clube de futebol e estabelecer uma analogia com o pensamento político do direitalho. Porque não se trata de qualquer crítica ao espírito desportivo dos que gostam de futebol o leitor deve ter em mente que esta analogia trata duma transposição a partir do espírito clubista.  A ideia é que leitor substitua a palavra clube pela palavra partido, a que um direitalho pertença, e imagine uma entrevista nesse sentido.

-Porque é do clube A?

-Porque os meus pais sempre foram desse clube e os meus vizinhos também são.

Pergunta-se a outro:

-Porque é do clube B?

-Porque me inscreveram no clube desde muito pequenino e dei por mim sendo sempre desse clube.

-Alguma vez criticou o seu clube?

-Só nas alturas em que perde. Mas luto sempre por ele.

-Acha que o seu clube lhe traz algumas vantagens pessoais e familiares?

-Sim porque me dá alegrias quando vence.

-Como considera os outros clubes?

-São do pior que há. São todos uns…E porque, “ó meu”, fico lixado por terem ganho. São todos trapaceiros.

 -E quando o seu clube ganha?

-Ah! Isso é diferente. Isso é devido à sua própria capacidade e competência.

-Pensou alguma vez mudar de clube?

-Nem pensar, serei deste clube até ao fim dos meus dias.

 

Os direitalhos que colocam posts aqui e ali são assim, de pensamento oco, e de menoridade mental e não entendem que a democracia possui um vasto espectro de opções e um enorme potencial para a resolução de problemas sem a necessidade de golpes baixos e  assim haja vontade participativa de todos.

Porque não se calam

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O jornal i, primo pobre do semanário Sol, ambos propriedade da Newplex, SA e ambos com orientação de direita embora com algumas, poucas, opiniões de esquerda, traz hoje na primeira página a notícia da abertura de inquérito pelo Ministério Público a André Ventura, candidato pela direita, (agora apenas do PSD porque o CDS retirou-lhe o apoio), à presidência da Câmara de Loures, na sequência das afirmações feita sobre a etnia cigana.  

Recordando, André Ventura   critica a “impunidade” da comunidade cigana e que se julgam acima do Estado de direito, entre outras afirmações polémicas que pode consultar em jornal i de 17 de julho próximo passado, o que levou o CDS a retirar-lhe o apoio.

Por tais afirmações explicitas aos ciganos foi apelidado de racista e xenófobo, o que levou o Bloco de Esquerda a considerar que essa entrevista “não só difama as pessoas de etnia cigana, dizendo que estas são beneficiadas, como incita explicitamente à discriminação destas pessoas”.

À semelhança de muitos racistas e xenófobos que, com algum efémero e ilusório atravessaram a história, André Ventura, para captar votos, tornou-se o intérprete do sentir de setores da população, e não são poucos, que não têm coragem para se revelarem.

Diz Ventura que não retira uma vírgula ao que disse relativamente à comunidade cigana e que ficou “surpreendido com a decisão de instaurar um inquérito sobre algo que é evidente estar no domínio da liberdade de expressão e opinião, fundamentais à nossa democracia”.

Tem todo o direito de fazer críticas sobre políticas aplicadas a grupos sociais e apresentar soluções para tal sem referir casos específicos. O que ele devia denunciar não é oportunismo como se fosse exclusivo de um grupo étnico, neste caso os ciganos. A denúncia deveria ser da política errada aplicada na generalidade, quer fosse uma etnia, agremiação religiosa, raça ou a qualquer outros grupo social.   

Como não podia deixar de ser, como sempre faz a direita, André Ventura clama pela liberdade de expressão e de opinião querendo fazer crer que é direito exprimir publicamente, enquanto responsável político, ou não, quaisquer opiniões sejam elas de que natureza forem. Veio-me agora à memória o caso de Miguem Sousa Tavares chamar palhaço a Cavaco Silva e este lhe levantar um processo, posteriormente arquivado. Isto é, para Ventura vale tudo quando é dito pela direita. O que diria se fosse qualquer afirmação polémica contra a direita ou a qualquer grupo da sua pertença ideológica vinda da esquerda? A direita quando lhe convém refugia-se na liberdade de expressão.

Já agora, o caso de Passos Coelho ter mantido o apoio a Ventura levou a que alguns entusiastas dos clubes do disparate e dos que julgam dever ser o bom tom do debate político de esquerda, viessem chamar ao líder do PSD racista e xenófobo. De certo esta gente não sabe o que diz.

Quem tem lido os meus postes neste blogue conhece bem qual tem sido, ao longo dos últimos anos, a minha posição crítica sobre as políticas de Passos, por isso estou à vontade para poder dizer claramente: porque não se calam!

 

Não digam agora que é coincidência

Regressado novamente ao ambiente lisboeta e à política envolta e revolta neste momento pelas eleições autárquicas não registo a comentar, o que já fiz por várias vezes neste mesmo blog, a oportunidade de alguma espécie de comunicação social retirar da arca bafienta os seus rascunhos, conluiada com alguns falsos justiceiros que dizem andar a investigar a “Operação Marquês” e o seu estimado e querido tema Sócrates, pedindo adiamento atrás de adiamento de modo a coincidir com certos momentos políticos.

Como já disse várias vezes o adiamento e o tema acusação de Sócrates voltaria na altura em que se aproximassem as eleições autárquicas, saindo de novo do segredo de justiça para a comunicação social. Assim está a acontecer. Nem mais nem menos.

Coincidência, clamam em coro os intervenientes no processo cooperados com alguns órgãos de comunicação social.

Não se trata de defender nem acusar Sócrates, a isso não me atrevo. Não tenho dados que me permitam fazê-lo, até porque o que tem vindo a público não me dá garantias de nada e, qualquer observação que fizesse, seria mera especulação à partida viciada pelas fontes. O que para mim se deve colocar em causa não é Sócrates, é o processo estrategicamente definido no espaço jornalístico e no tempo, numa espécie de conluio temporal entre a investigação e ocasiões políticas relevantes.

Por favor não queimem os vossos neurónios, que lhes podem fazer falta, para justificarem que, afinal, não há qualquer espécie de coincidências.