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ZOOM SOCIAL - Cultura, sociedade e política

Apontamentos, comentários e OPINIÕES sobre política, economia, educação, sociedade e cultura. Confronto de afirmações, reflexões e contradições sobre o modelo social que temos.

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Apontamentos, comentários e OPINIÕES sobre política, economia, educação, sociedade e cultura. Confronto de afirmações, reflexões e contradições sobre o modelo social que temos.

Repete… Repete

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Acerta quem disser que nos meus comentários sobre política neste blogue incido em alguns pontos que já escrevi em textos anteriores. Mas é mesmo assim. A repetição faz parte da sucessão de acontecimentos que vão surgindo na política. A oposição de direita, faz isso até à exaustão.

Aproximam-se as eleições para as autarquias e a redundância do tema Sócrates será inevitável e na comunicação social poderá vir a ser mais uma evidência repetitiva. Aliás, o PSD já começou a utilizá-la e a contextualizá-la.  

A direita PSD recupera e repete o caso do despesismo de Sócrates quando esteve no governo e as nefastas consequências que teve para o país. Foi Abreu Amorim na RTP3 no frente a frente com Galamba do PS, agora é o presente chefe da bancada parlamentar do PSD, esse senhor de cabeça oca que dá pelo nome de Hugo Soares, cujo historial político e respetivos antecedentes não inspiram muita confiança, quer no aspeto ideológico, quer no debate político. É um dos já poucos fãs de Passos Coelho e das suas políticas.

Hugo Soares, em nome do PSD, como também o fizeram líderes de outros partidos, veio tecer comentários sobre a entrevista que António Costa deu ao semanário Expresso. Então não é que lá veio à baila o despesismo do investimento público do tempo de Sócrates e dos projetos megalómanos lançando o já cansativo jargão do medo dos resgates e da banca rota. Digam lá se isto é ou não repetitivo, pouco original, e que revela a falta de qualidade da argumentação política.

Vamos lá ver então. O PSD criticou o governo por manter a austeridade, e um dos argumentos era, na altura da discussão do orçamento, a falta ou o fraco investimento público. Recorde-se que neste campo aquele partido era defensor de quanto mais privado melhor e cancelou tudo o que fosse investimento público.

Curiosamente, quando se pede um compromisso entre os diferentes partidos para o programa 20-20 onde se prevê investimento público necessário e não megalómano, o PSD vem dizer agora que há um regresso ao despesismo do tempo de Sócrates. Vamos lá perceber este partido. Mas que há desorientação, lá isso há.

Mas, Hugo Soares, o único voluntário que se chegou à frente para liderar a bancada parlamentar do partido acrescentou que o PS não quis qualquer acordo com o PSD e agora faz apelo ao consenso. Entretanto muita coisa mudou e, pelos vistos, parece que o PSD prefere os seus joguinhos de interesses partidários ao bem do país. Não é novidade, isso já nós sabemos.

Variações em dó menor da política de verão

Variações à viola.png

1 Durante este mês de agosto, tempo de férias e de descontração, já longe do bulício do Algarve e dos discursos de ocasião que, nesta época do ano, a direita PSD cumpre no Pontal, tinha decidido não escrever sobre política. Impossível! Há causas que me ultrapassam e que têm a ver com o descaramento e a hipocrisia desta gente da direita que apanham tudo o que têm à mão para fazer oposição à custa da desgraça das populações atingidas pelo terrorismo dos incendiários. A direita pretendia e pretende que este governo resolvesse agora com uma espécie de varinha mágica aquilo que ela, enquanto esteve no governo, nunca se interessou por resolver. Sim, porque não é preciso recordar que durante os seus famigerados quatro anos de governação também houve grandes incêndios e tudo ficou na mesma.

Passos Coelho, no Pontal, utilizou a mesma estratégia discursiva, e já cansativa, de quem, por já não ter mais nada para dizer nem para oferecer, vai-se repetindo numa espécie de via-sacra da política que o conduzir a ele e ao PSD até ao calvário.

2 No debate televisivo no jornal das nove na RTP3 do dia 14/08/2017 as intervenções entre João Galamba do PS e Carlos Abreu Amorim do PSD foram confrangedoras, cada um por diferentes razões.

Galamba, embora mostrando a segurança do costume, apresentava-se cauteloso na defesa de alguns pontos de vista, nomeadamente no que se referia à questão dos incêndios e da ministra administração interna. Os argumentos de defesa foram fracos e sem convicção, talvez falta de conhecimento dos factos. Quanto ao crescimento do PIB de 2,8% no último trimestre, o maior das últimas décadas, parece ter ficado desiludido por não ser terem atingido os 3% apesar de Amorim ter afirmado que tinha sido bom o crescimento, embora saibamos que há aqui uma ligeira alteração do discurso e que este elogio está impregnado de alguma hipocrisia e estratégia.

Nas restantes intervenções, Amorim, seguindo o mestre, refugiou-se nas coisas vãs pretendendo voltar a recuperar a síndrome do medo e do regresso ao passado falando numa potencial banca rota, coisa que, disse ele, a direita está preparada para evitar com as suas reformas. Sobre as reformas que seria necessário efetuar nada disse a não ser quando se referiu à reforma da segurança social, mas sem dizer como. Não o disse, mas todos nós sabemos quais foram e quais serão as que direita pretende fazer neste campo. Quanto a outras ficámos em branco.

Os conservadores de direita pretendem ser inovadores mas não são mais do que conservadores passadistas, quer quanto à ideologia, quer quanto às práticas de regresso ao tal passado de empobrecimento da população. E, no domínio da educação o regresso às estratégicas educativas inspiradas em algumas do Estado Novo, adaptadas, revistas e melhoradas, aproveitando, para tal, as possibilidades que a democracia lhes dá. Basta ler alguns discursos de Salazar da sua época áurea sobre o tema para se poder comparar.

Mas voltemos a Carlos Amorim que recupera uma terminologia sobre a classificação dos partidos que apoiam o Governo ao nível parlamentar, que faz jus à sua nutrida inteligência política, e que denominou de extrema-esquerda radical. Apesar do disparate há a intenção objetiva na aplicação daquela adjetivação àqueles partidos. Senão vejamos: a denominação de extrema-esquerda pode-se aceitar, mas juntar radical a esta designação parece uma contradição. Não será já uma extrema-esquerda radical? Se não o é, e é apenas extrema-esquerda, então é porque pode existir uma extrema-esquerda que não é radical. Então em que ficamos? Pode perguntar-se a Carlos Amorim como é que ele, no espetro político, classifica os partidos. Será que para ele existe uma extrema-direita que não é radical e uma outra que o é? Como os caracterizaria ele?

3 Não quero abandonar o tema sobre Amorim sem mais um tesourinho de aproveitamento partidário sobre os incêndios. O Governo decretou o estado de calamidade pública para algumas regiões afetadas pela desgraça dos incêndios provocados por pirómanos desvairados. E, claro, Amorim aproveitando o tempo de antena a que lhe dão, e tem por direito, veio a público elogiar a medida mas que perde por tardia. Pois é dr. Amorim, segundo a sua estratégia e a do seu partido, tivesse sido tomada aquela medida uma semana antes teria vindo dizer o mesmo, e se fosse ainda antes e assim sucessivamente acredito que viria a dizer sempre o mesmo.

4 Se bem me recordo, foi também na altura dos incêndios em anos anteriores que um comentador especialista sobre incêndios, que nestas lamentáveis ocasiões os canais de televisão contratam, que um desses especialistas espontâneos ao fazer o seu comentário acabou por dizer que o povo português não é incendiário, são casos pontuais que por aí aparecem. Esta semana foi a vez de um outro especialista a que o jornalista perguntou se achava que havia um rede organizada de incendiários disse claramente que não e teceu o perfil do incendiário comum e claro são sempre os mesmo maluquinhos e irresponsáveis que por aí existem. Está-se mesmo a ver! Até as populações pelo seu conhecimento sabem que existe atos deliberados e organizados. Ou não será evidente que existe um padrão manifesto pelas horas, locais de ocorrência, simultaneidade das ignições, etc.. O que lá fora consta é que nós, os portugueses, somos uns maníacos pirómanos.

5 Para terminar, um comentário sobre essa coisa que é presidente dos EUA, o Pato Donald Trump. Sobre os acontecimentos dos confrontos racistas no estado da Virgínia. Diz e desdiz sem clarificar a sua posição. Por um lado, a culpa foi, como disse, ser da esquerda (?) que atacou a direita (?). Qual será o conceito dele de esquerda e de direita. Para ele a direita são os nazis, os neonazis, os xenófobos, os racistas e a sua mais objeta organização da Klu Klux Klan. Isto para ele deve ser a direita no seu conceito de democracia. Foram tais os comentários de Trump que levou o dirigente daquela grupo, através do Twitter, a elogiar os seus comentários. Na minha opinião estamos de facto em presença dum presidente que está a ser o percursor duma ideologia de inspiração nazi adaptada ao século XXI.

Uma coisa está a ser evidente: as intervenções e os discursos de Donald Trump durante a campanha eleitoral, e já depois de estar na presidência, estão a começar a dar os seus frutos.

Época piscinal

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Tempo de férias. A política da oposição de direita anda torta e baseia-se oportunisticamente em obter créditos partidários com as tragédias dos incêndios e do assalto ao paiol de Tancos. Apercebo-me que a direita não acrescenta qualquer valor que credibilize a sua política de oposição, antes pelo contrário.

Neste tempo de férias a ver o mar da varanda, sem o bulício e a barulheira infernal e ruidosa da comunicação social que, também ela, oportunisticamente, aproveita o que pode para captar audiências. Cria quando lhe convém ruído informativo, sabe-se lá com propósitos. Neste tempo dedico-me a observar o que por aí se diz que não seja política desligando-me dos infinitos e enfadonhos noticiários televisivos de mais de uma hora e tal.

Conduzo o meu pensamento para o turismo vindo de fronteiras que o  Espaço Schengen  diluiu que este ano afluiu ao Algarve e verifico no local onde me encontro que superou em muito o dos anos anteriores. Entre eles, também portugueses, vindos de outros lugares do país para estas bandas onde me encontro e que se contam pelos dedos, aos quais se juntam alguns autóctones das zonas limítrofes.

Sem que faça por isso, da varanda donde contemplo o mar, chegam-me aos ouvidos conversas, frases, ruídos, telefonemas. Destes apenas consigo ouvir um dos participantes da conversa: o do lado de cá.

- Sabes lá, estou aqui na piscina do apartamento. Brutal. Os miúdos estão delirantes. A água está espetacular. Passamos os dias aqui.

_ ????

Ah! Claro, sim… isto aqui é ótimo!

- ???

- Estamos fartos de dar mergulhos.

- ???

- Não, ainda não fomos à praia.

-???

- Vamos ficar aqui mais uma semanita. Isto aqui na piscina está espetacular. À noite vamos até à cidade próxima tomar um copo.

- ???

- Os miúdos? Claro que não vão tomar copos! É uma forma de dizer…

A conversa continuou, mas o meu interesse dispersou por outras vias. Como é que há pessoas, e não são poucas, acreditem, que vêm passar férias ao Algarve indo para hotéis e aldeamentos, e até aqui tudo bem, para ficarem “mergulhadas” à volta e dentro duma piscina quando têm à disposição um mar com águas quentes e calmas e também mais saudáveis do que o cloro e o suor em águas paradas onde se refrescam.

O que afirmo para os portugueses serve também a muitos dos estrangeiros que vêm para o Algarve procurar sol e mar, mas que se enfiam nas piscinas dos hotéis quando nos seus países do interior norte da Europa as têm em abundância de verão e de inverno.

Não frequentam a beira-mar a não ser para dar uma voltinha ao fim da tarde. Para estes frequentadores de alojamentos com piscina, vir para o Algarve e passar os dias na piscina deve ser uma espécie de estatuto.

Em Agosto, para passar férias em empreendimentos turísticos com piscina não é necessário ir para o Algarve. Em qualquer ponto do país, quer próximo, quer afastados da costa, há sítios agradáveis onde, quem quiser, pode fazer turismo piscinal fora da confusão do sotavento algarvio.

Gostos! Cada um tem os seus.

Eu, cá por mim, sigo para o interior norte onde o calor aperta, mas onde a vegetação cada vez mais rara ajuda a retemperar forças apesar de sujeitos dominados por obsessão ou fúria fazerem dos incêndios a sua prática.