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ZOOM SOCIAL - Cultura, sociedade e política

Apontamentos, comentários e OPINIÕES sobre política, economia, educação, sociedade e cultura. Confronto de afirmações, reflexões e contradições sobre o modelo social que temos.

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Apontamentos, comentários e OPINIÕES sobre política, economia, educação, sociedade e cultura. Confronto de afirmações, reflexões e contradições sobre o modelo social que temos.

Espécies preconceituosas

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A liberdade de expressão e de opinião são um dos pilares básicos de qualquer democracia. Quanto a isso estamos entendidos. Mas, independentemente das opiniões de cada um, sejam de direita ou de esquerda, há um mínimo de honestidade que deveria prevalecer nos comentários e análises.

O mesmo poderá verifica-se no mundo dos "blogs" e das redes sociais mas aí as emoções e os radicalismos por vezes sobrepõem-se à clareza de espírito.

Ao longo dos últimos anos, surgiram nos meios de comunicação social umas espécies preconceituosas sobre tudo quanto sejam soluções diferentes daquelas que, com insucesso, têm sido seguidas. Tornar-se-ia enfadonho fazer aqui uma classificação taxinómica destas espécies que, calorosamente, apregoam as vantagens de soluções liberais e austeras e de quanto mais radicais melhor para debelar crises e criticam afincadamente as decisões democráticas do povo grego sugerindo ser ignorante e estúpido como muito subtilmente já o fez Schäuble.

Muitas daquelas espécies, quais predadores, atacam tudo o que mexa a defender a manutenção ou melhoramento do estado social ou que proponha acesso a serviços de saúde e de educação dignos para toda a população, como o deveria ser em qualquer estado de direito[i] que tanto proclamam quando lhes convém. Tudo quanto seja Estado é um fantasma que os persegue em todas as circunstâncias. Não há meio-termo.

São espécies predadoras que vivem às claras nos órgãos de comunicação escrita e audiovisual e se dizem democráticas mas que, sempre que espreitam uma oportunidade lançam-se sobre as suas vítimas, através de editoriais, opiniões e comentários a tudo quanto seja conotado com a esquerda. Defendem o seu território quando se sentem em perigo.

Fazem também parte daquela espécie aves que vagueiam a sobrevoar o território dos media para captar tudo quanto seja alimento para o seu voraz apetite pela deturpação da realidade, e ao mesmo tempo omitindo tudo o que possa beliscar a realidade que defendem a todo o custo.

O germanismo parece ser uma doença viral que se apoderou destas espécies, não apenas em Portugal mas também na Europa. São adeptos fervorosos e reproduzem uma visão única e unilateral: a dos germânicos.

Até Obama serve para justificarem os seus intuitos predadores. Lançam-se com uma visão político-umbilical e deturpada dos factos sobre o que envolva propostas diferentes daquelas que acham ser únicas, sejam elas na Grécia, França, Itália ou Espanha e, claro, sempre com os olhos postos no elogio daquilo que, para elas, tem sido a governação em Portugal, país que pretendiam fosse o seu território de caça para todo o sempre.

Referindo-se às ilusões da esquerda para a resolução da crise política, económica e financeira da Europa uma das espécies a que me refiro escreveu, esta semana, no editorial dum jornal diário, que "Barack Obama era apresentado como um salvador que tudo mudaria com a força e o messianismo das suas palavras. Prometeu mudar o mundo… O mundo está hoje muito mais perigoso do que quando ele chegou ao poder." Conclusão a tirar, Obama é do partido democrata dos EUA e não Conservador Republicano (como se sabe nos EUA existem dois partidos onde estão aglutinadas várias tendências), logo o mundo está pior. Por esquecimento ou omissão premeditada não teve a honestidade de referir que foi George W. Bush quem abriu a caixa de pandora que era o Iraque ao iniciar em 2003, com a complacência da Durão Barroso, Tony Blair e José Maria Aznar, uma guerra naquele país com base em falsidades que custou centenas de milhares de mortos e biliões de dólares e que resultou no que agora se está a passar no mundo. Estes predadores só referem o que lhes convém.

Mas vai mais longe, critica tudo quanto sejam obras públicas como uma medida para a resolução da crise mencionando proposta de Hollande e Renzi .

Numa economia de mercado como é a da Europa a iniciativa privada é um fator fundamental e essencial para que haja investimento e consequente criação de emprego, é um facto. Tomando como exemplo o caso português as medidas tomadas até agora não funcionaram para dinamizar e incentivar o investimento empresarial. O INE aponta para uma taxa de variação negativa de -2,2% para 2015 da Formação Bruta do Capital Fixo, investimento empresarial. Outro facto.

Colocadas estas premissas, a pergunta que ocorre fazer às espécies que endeusam esta direita é: o que fazer? Esperar que o investimento caia do céu? Parece-me bem que é isso que tem estado a acontecer. Pedem às esquerdas que apresentem alternativas às políticas e austeridade seguidas. Pergunto eu, continuando com as mesmas práticas quais são as deles?

 

[1] Um «Estado de direito» é um «Estado democrático», o que significa que o exercício do poder baseia‑se na participação popular. Tal participação não se limita aos momentos eleitorais, mediante «sufrágio universal, igual, direto e secreto», mas implica também a participação ativa dos cidadãos na resolução dos problemas nacionais, o permanente controlo/escrutínio do exercício do poder por cidadãos atentos e bem informados, o exercício descentralizado do poder e o desenvolvimento da democracia económica, social e cultural — ou seja, a responsabilidade pública pela promoção do chamado Estado social: a satisfação de níveis básicos de prestações sociais e correção das desigualdades sociais.

 

A saúde está em risco, médicos e enfermeiros também

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A primeira página do Diário de Notícias de hoje noticia, na primeira página, que número de agressões, físicas e verbais, registadas em 2014 foi de 477, até outubro. Ministério Público já investigou 16 caso. Isto é revelador sintomático do que se está a passar nos hospitais. Para o ministro da saúde e para os seus secretários de estado está tudo a funcionar bem, e melhor do que antes. Para eles inserem-se no domínio dos casos pontuais.

A elevada carga de impostos que caíram sobre os portugueses não serviram para melhorar os serviços e muito menos o Serviço Nacional de Saúde, esvaem-se no pagamento da dívida e dos juros que são impagáveis.

A dívida pública subiu para 128,7% do PIB no final do ano. A ministra das finanças justificou o aumento da dívida pública em 2014 com o reforço do financiamento nos mercados, (a tão publicitada ida aos mercados cuja procura foi superior à oferta), no final do ano para antecipar os reembolsos ao FMI - Fundo Monetário Internacional. Foi positivo porque se pagam menos juros pelo empréstimo. Escusado seria andar a enganar, com subtileza verbal, quem a ouvia propagandear que tinha conseguido amortizar a dívida ao FMI sem dizer como e donde tinha vindo o dinheiro. Disse-o agora. Mais vale tarde do que nunca.

Relativamente aos problemas nos serviços de saúde e nos hospitais uma forma de os resolver parece ser o de chamar as atenções na praça pública para que alguma coisa se faça ou melhore. Vejam-se o caso de um doente com hepatite C que se indignou na Assembleia da República e as demissões de médicos nos hospitais. Nestas circunstâncias aparecem logo autorizações o dinheiro para tudo se fazer para calar a opinião pública. Com a aproximação do período eleitoral surge, miraculosamente, "elasticidade orçamental", para calar as vozes de revolta contidas. Devido ao ajustamento, culpa do passado diziam e ainda dizem, tinham que se fazer cortes em tudo quanto era serviço público a que Passos Coelho e o Governo deixando o cidadão comum a ficar sem serviços básicos.

O primeiro-ministro ficou deslumbrado com os cortes a que chamou na altura poupanças, e o desastre que provocou na saúde foi consequência da ideia devota de que, na saúde, os portugueses também viviam acima das suas possibilidades. Se é certo que houve alguma despesa desnecessária no sector da saúde, isso era devido à falta de controlo e de rigor, coisa que não resolvia sem a obsessão pelos cortes.

Em geral, para quem frequenta o SNS é notório o mal-estar endémico, contido, por vezes mal disfarçado, dos profissionais face ao doente que tem necessidade de recorrer aos serviços. As pressões são tantas que um certo receio se apoderou dos próprios médicos quando têm que fazer de prescrições de medicamentos e requisições de meios auxiliares de diagnóstico o que gera nos doentes uma desconfiança sobre o seu médico de família e o receio de falta de diagnóstico antecipado de suspeita de doenças graves. Há, portanto, um receio por parte dos clínicos de tomadas decisão que saiam fora dos parâmetros estabelecidos pela tutela e pelos diretores dos serviços clínicos.

Para aquela gente os portugueses têm que, obrigatoriamente, ter saúde e pronto. Se não a não tiver o problema é dela.

O xadrez alemão

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O plano de Schäuble

Em Atenas admite-se que Schäuble estava a planear eliminar, ou melhor, neutralizar e imobilizar o novo governo de esquerda na Grécia.

Até ao final esteve aliado aos governos Espanhol e o Português, que em última análise, também abandonou.

A fim de alcançar o isolamento histórico do Sr. Schäuble nos bastidores foram necessários acordos com líderes europeus. O Primeiro-Ministro grego esteve pessoalmente em contato por três vezes com o presidente francês François Holland que, de acordo com fontes, prometeu ajudar.

O Sr. Tsipras terá dito que "eu não vou deixá-lo junto nessa negociação". Em alguns aspetos Hollande, em última instância, conseguiu isolar o Sr. Schäuble e, por extensão, a chanceler Angela Merkel . Os franceses têm as suas próprias razões, eles foram oprimidos pelos alemães nos últimos anos e, talvez, eles apostassem na derrota estratégica da Alemanha e, neste momento, parece que a Grécia lhe ofereceu essa oportunidade.

Além disso, os laços dos franceses com os americanos são muito fortes e influência de Washington em Paris é intensa. Como todos sabem, a administração Obama pressionou os governos europeus no sentido de encontrar uma solução para o problema grego.

Em qualquer caso, Tsipras considera sessão Eurogrupo de sexta-feira histórica, não apenas para a Grécia, mas para a Europa. "É a primeira vez que o alemão não está seguindo o seu rumo", disse aos seus parceiros, insistindo que o acordo tem grande importância para toda a Europa.

O Primeiro-Ministro, não se ilude. Ele repete que "nós simplesmente temos a nossa cabeça acima da água" e observa que "a partir de agora temos um grande caminho difícil de seguir". Ele não esconde o fato de que "a situação é terrível ", que "os cofres estão vazios" e que "os bancos foram paralisados por um clima artificial de incerteza e insegurança".

Na sexta-feira à noite, ele disse aos seus parceiros que "a situação continua crítica", mas que ele esperava que, após o acordo "o clima mudaria os mercados" e ajudaria o governo agir num ambiente mais estável. Ele não afastou a sua preocupação de que o governo pode ter que enfrentar as mesmas dificuldades em junho, mas estima que, entretanto, terá a oportunidade da estabilizar-se no plano interno e levar assuntos do país para a frente.

Além disso, Tsipras acredita que, entretanto, será capaz de tirar proveito da cooperação com as organizações financeiras europeias e internacionais e criar uma relação de confiança com eles, capaz de oferecer oportunidades e flexibilidade no exercício e desenvolvimento de políticas.

Extraído da versão inglesa do jornal Grego "TO BHMA"

O bailarico do tutor alemão e dos bacocos subservientes

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  1. Diz-se que Portugal e a Espanha tentaram bloquear o acordo com a Grécia. Houve um desmentido muito pouco convincente. O presidente do Eurogrupo veio tentar dizer o contrário, mas não o disse nem, desdisse. "Por sua vez o ministro Varoufakis defende que Portugal e a Espanha tenham a política interna como preocupação. Ver vídeo.
  2. Cada qual assume as suas dores e as suas curas. A direita, preconceituosa pela vitória arrasadora da esquerda que eles dizem radical, afirmam categoricamente da sua cátedra, que a Grécia capitulou e retrocedeu, outros com pensamento mais moderado e claro afirmam que a Grécia tem um plano estratégico para ultrapassar este primeiro embate e que depois logo se verá. É isto que preocupa a direita. Portugal país governados por acólitos pró-germânicos já nem sabe o que há de dizer. E, cada vez que falam, afundam-se mais.
  3. Passos defendeu a criação de um Fundo Europeu para "retirar a fratura política" dos programas. Se bem me lembro isto do Fundo Europeu já foi proposto em tempos, não por ele, solução com que na altura não concordou. Mas quem se julga ele e que peso político e credibilidade pensa ele que tem na europa para ter a veleidade de propor seja o que for. Ele é apenas um joguete da Alemanha. Se não dá conta disto falta-lhe qualquer coisa…
  4. A bailarina acrobática, Paulo Portas, afirmou que Portugal mudou o ciclo económico. Está a defender uma das suas pastas gerida por Pires de Lima. Gostaríamos de saber qual a estratégia para pagar uma enorme dívida que um crescimento incipiente não vai ajudar. A recessão ficou para trás diz ele e que Portugal já passou pelos anos "mais difíceis". As aldrabices são tantas que se a coligação vier a ganhar as próximas eleições já sabemos com o que podemos contar. Só se deixa enganar mais do que uma vez quem quiser. A Grécia foi um exemplo de políticas idênticas postas em prática por sucessivos governos que seguiram a mesma linha. O povo grego foi enganado mais do que uma vez e fartou-se. A radicalização foi a solução.
  5. Façamos uma leitura atenta e interpretativa das seguintes palavras do ministro das finanças alemão Schüble: "Os gregos certamente vão ter dificuldades em explicar este acordo aos seus eleitores.". Conhecendo nós as declarações, pressões, e até ameaças, que alguns dos representantes do Eurogrupo fizeram sobre os representantes do governo grego, nomeadamente o ministro das finanças alemão, compreendemos bem onde este pretendeu chegar. O objetivo foi o de levar Varoufakis e Tsipras a ceder às exigências e às pressões de modo a provocar uma deceção nos eleitores quanto às promessas eleitorais do Syriza, pondo em causa o partido que os elegeram. Isto é um preconceito antidemocrático revelador das políticas de Merkel e Schäuble. Apenas os partidos que aprovem são os legítimos mesmo que o povo pense o contrário. Fartos como estão os gregos dos partidos que os governaram antes subservientes com uma austeridade sem resultados duvido que vão noutra direção.
  6. Passos Coelho diz que a dignidade nunca esteve em causa. Saberá por acaso o que isso é? Ele que sacrifica o povo aos números, assim como o que com mais gravidade aconteceu na Grécia, desconhece que a dignidade é o valor que tem todo o ser humano enquanto ser racional e livre e o respeito como pessoa, em si mesma e nos outros. Uma parte substancial da população lançada na pobreza donde nunca mais sairá não foi traduzida em perda da dignidade? Não admira que um político inculto como Passos e o seu governo não saibam o que significa o conceito do valor dignidade. A quase submissão cega e acrítica a um país estrangeiro não será perda de dignidade?
  7. Passos refugia-se no passado dizendo que, a com a entrada da troica, Portugal é que perdeu a dignidade. E, quando afirmou que o programa da troika era o seu programa e que tinha que ir para além daquele programa não pôs em causa a dignidade dos portugueses? Passos tem que rever princípios essenciais sobre valores humanos e sociais que um político tem por obrigação conhecer. Já houve alguns políticos que, no passado, os rasgaram e deitaram para o lixo. Recorde-se no que resultou. Estamos na agora a passar pelo mesmo mas em "modo soft".
  8. Diz Passos Coelho "temos hoje mais camas, mais médicos, é factual, mais atos praticados, mais assistência garantida" no SNS. A que país se está a referir? Será à Alemanha? Terá ele necessitado de frequentar o SNS e constatado o facto? O facto é: "hospitais públicos com menos de 430 camas em três anos". O facto é: haver médicos de família dos centros de saúde com receio de passarem exames auxiliares de diagnóstico. O facto é: corredores cheios de doentes em macas esperando horas para serem atendidos, alguns até falecendo de permeio. O facto é: diretores a demitirem-se nos hospitais por falta de meios. O facto é: redução de camas e queda de internamentos de 844 mil em 2012 para 687 mil em 2014 (ver Público p. 5).
  9. Num artigo de opinião embaixador da Alemanha em Portugal, Ulrich Bradenburg, vem ajudar o Governo de Passos Coelho e, ao mesmo tempo passar um detergente pela face da Alemanha dizendo que no "saldo comercial bilateral com a Alemanha, Portugal consegui abrir novos mercados" e que "jogamos todos ma mesma equipa: Europa". Claro que faz o seu papel tecendo elogios as seu país, contrariamente a Passo que faz o papel do bom aluno subserviente.
  10. Passos Coelho disse ontem no Parlamento a um deputada do Bloco de Esquerda que estava obcecada com a Alemanha. Face à subserviência e vénias ao ministro Schäuble quer do primeiro-ministro, quer da sua ministra da finança não será caso para isso? Diria mais, não é obsessão é antes preocupação. Penso que não se trata de ser ou não antialemão mas há limites para o que se diz e para a forma como se defende a política nacional na Europa. 
  11. Maria Luís aceitou acordo com a Grécia mas exige informação para acompanhar o processo. Governo "desmente categoricamente" ter estado contra o acordo. Ministra foi "exigente nos procedimentos" e quer conhecer compromissos gregos. Varoufakis alega "boas maneiras" para não comentar. Será que Maria Luís se enxerga para pensar que é um peso chave nas decisões em contexto europeu?
  12. A bacoca ministra das finanças Luís Albuquerque numa entrevista ao jornal alemão Handelsblatt explicou simploriamente a questão da dívida, tal e qual um aluno do nono ano de escolaridade, da seguinte forma: “Se eu pedir um crédito a um banco, eu tenho de reconhecer a obrigação de pagar o dinheiro de volta. Tenho também de oferecer garantias. Não funciona de outra forma”. A seguir explicou que é do interesse de todos que as regras sejam cumpridas. Se assim for, “são bem-vindos no clube”. A senhora bem se pode esforçar para explicar como faria com o crédito pedido para a sua casinha. A complexidade de um país é mais do que isso. O que não explicou foi como faria se, perdendo a capacidade de cumprimento porque a obrigaram a perder o emprego, lhe negaram a possibilidade de crescimento (leia-se não arranjava outro emprego), os impostos altos lhe levavam as poupanças e o negócio que ainda tinha em mãos não dava para o pagamento dos juros que consumiam o que lhe restava dos recursos. Pretendendo mesmo assim cumprir os compromisso perante o banco o que faria a senhora em elação a isso?

Campanha do regresso ao passado para fazer esquecer o presente

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O irrevogável Paulo Portas com passos de bailarina acrobática mais o seu CDS bem podem esforçar-se de vez em quando por vir mostrar que mantêm a sua identidade enquanto partido mas que, por mais que se esforcem, já não a consegue manter. Já não se percebe onde acaba um e começa o outro. Compreendem-se por isso os autoelogios que Passos e Portas fazem à maioria. Numa pertença diferença de opinião o líder parlamentar do CDS Nuno Magalhães veio ontem dizer que as críticas de Jean-Claude Juncker sobre a 'troika' coincidem com "os alertas" deixados pelo CDS-PP nos últimos três anos, mas que essa situação foi "superada" por "mérito dos portugueses". Fará já isto parte da campanha pré-eleitoral do CDS? Em tempo algum criticaram as posições alemãs. Estamos fartos de balelas!

Uma coligação como esta a que Paulo Portas se submeteu após o retrocesso do irrevogável ficou, irrevogavelmente, refém da maioria relativa do PSD. Mesmo que se esforce não deixa de ir a reboque do PSD. Os argumentos que lhe restam reduzem-se ao já gasto discurso do regresso ao passado tomada como ameaça ao futuro trombeteado pelo ministro da economia Pires de Lima cuja credibilidade se vai a cada dia esgotando. Esquecendo que, ao falar nas taxas e taxinhas de uns, faz parte de um governo que aumentou impostos e impostinhos, complementos e complementinhos de solidariedade, lançou taxas e taxinhas verdes e que apregoa como um grande feito o crescimento débil da economia. Este é um ministro cujas intervenções se baseiam num discurso débil e gasto mais digno de comício do que de um responsável por uma pasta da economia que, de substancial, ainda nada fez a não ser propaganda, daí ser a vuvuzela  o instrumento preferido que tem sempre à mão.

Paulo Portas ao dizer que a "solidariedade com a Grécia faria disparar os juros e diminuir a confiança" não se preocupou tanto na altura em fez estalar a crise do "irrevogável". Será que com aquela declaração Portas quis dizer:

- Somos solidários com a Grécia, mas, sabem, não o posso manifestar por causa dos mercados.

Treta! A solidariedade é sobretudo um sentimento de partilha do sofrimento que pode ou não ser consubstanciado em apoio político ou auxílio financeiro e económico e, nestes casos há a opção de neutralidade coisa que a maioria não conseguiu manter colando-se numa atitude colaboracionista com as posições radicais germânicas.

O prémio: Portugal é um país que serve como exemplo para dar cobertura ao falhanço das políticas alemãs de austeridade imposta aos países do sul. São portas abertas à invasão pacífica germanista que é também uma guerra contra a sociedade que está a ser ganha.

 

 

Os vuvuzelas

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As vuvuzelas dos políticos instalados no poder, Cavaco Silva, Passos Coelho, Maria Luís Albuquerque e Pires de Lima entrte muitos outros já atormentam suficientemente os ouvidos dos portugueses com a sua propaganda em uníssono, faltava agora, a reboque da situação grega, a intromissão dum agente alemão a contribuir para a propaganda partidária interna. Os vuvuzelas fazem de Portugal uma espécie de cãozinho amestrado que, quando lhe esfregam o lombo, abana a cauda.

A falta de autoestima dos portugueses leva a uma necessidade de procura desesperada de elogios de outros como própria realização enquanto povo. Isto é verdade em todas as manifestações que vão desde o futebol à política. A inveja é outro dos pecados dos portugueses que é de nos congratularmos com o mal dos outros como forma de nos distinguirmos e distanciarmos.

O provincianismo bacoco de quem nos governa vão desde o Presidente da Republica ao primeiro-ministro e afins é evidente nas declarações que fazem sobre Portugal e sobre países que fazem parte do grupo a que nos obrigaram pertencer.

Os recentes elogios feitos a Portugal pelo ministro das finanças germânico, Schäuble, são uma dessas evidências do oportunismo do governo alemão face aos acontecimentos na Grécia. Para o ministro germânico das finanças "Portugal é aprova de que os programas de assistência funcionam" que, por outras palavras, quer dizer Portugal passou a ser um caso de sucesso da intervenção externa. O sabe aquele senhor sobre a realidade portugueses a não ser o que lhe "transportam" Passo Coelho e Maria Albuquerque.

Uma análise sócio económica breve mostra-nos que Portugal devido à intervenção externa aumentou o desemprego de forma assustadora, embora o decréscimo artificioso apresentado pelas estatísticas, aumento do número de pobres, cidadãos em desemprego de longa duração e sem subsídios de desemprego, diretores clínicos que se demitem por falta de condições nos hospitais, dezenas de horas de espera nas urgências dos hospitais, doentes que morrem nas urgências por falta de assistência atempada, cortes em salários e em pensões, falta de condições nas escolas públicas, verbas dos impostos entregues a escolas privadas, aumento do número de crianças em estado de pobreza estrema, diminuição do investimento privado, redução do poder de compra das famílias, PME's sem crédito, empresas em situação de falência, milhares de famílias obrigadas sem possibilidades de pagamento de créditos à habitação, trabalhadores da função pública obrigados a entrar num corredor de despedimento que denominaram de requalificação, idosos sem possibilidades de aquisição de medicamentos, destruição de milhares de postos de trabalho, aumento em quantidade de instituições de apoio social que se transformou num negócio rentável que dizem sem fins lucrativos, desvio para bancos de dinheiro cobrado pelos impostos, privatização de empresas públicas rentáveis, venda de património nacional ao estrangeiro, rendas da energia elevadas a pesar nas faturas dos cidadãos, aumento de preços dos transportes e da energia sem que a inflação o justifique e em tempo de congelação de salários e pensões, previsões de crescimento anémico, dívida impagável pelo menos durante os próximos vinte anos, etc.,etc.. Estes são algumas das provas de que o programa de assistência funcionou em Portugal.

Portugal atualmente já não tem nem património económico nem dignidade que lhe foram retirados com a cumplicidade dos vuvuzelas alojados no governo e na presidência da república. Segundo o jornal Público Jean Claude Juncker o atual presidente da Comissão Europeia e ex-presidente do Eurogrupo aponta o dedo a Durão Barroso e reconheceu na quarta-feira à noite que “falta legitimidade democrática" à troika e que a Europa atentou “contra a dignidade” dos países que pediram resgates. “Pecámos contra a dignidade dos povos, especialmente na Grécia, em Portugal e também na Irlanda. Eu era presidente do Eurogrupo e pareço estúpido em dizer isto, mas há que retirar lições da história e não repetir os erros”, disse Jean-Claude Juncker, em declarações no Comité Económico e Social Europeu, em Bruxelas.

Pressurosamente veio o ministro Marques Guedes a dizer que "Jean Claude Juncker foi “infeliz”. O ministro da Presidência falou no Conselho de Ministros, esta tarde, e considerou que "em momento algum a dignidade dos portugueses foi posta em causa pela troika acolitado também pela ministra Teixeira da Cunha. Mas o que entendem estes sujeitos por dignidade que fizeram perder aos portugueses, não apenas no que se refere à pessoa humana enquanto tal mas também ao país como um todo. Que interesses está esta gente a defender? Os de Portugal não serão com certeza.

A chanceler Merkel para salvar a face perante o que está a acontecer na Grécia encarregou o seu número um das finanças de se bater a todo o custo pela passagem da mensagem de "sucesso" do programa por eles implementado em países como Portugal e a Irlanda, os mais frágeis. Seria um desastre político tremendo para o governo e a opinião pública alemães a demonstração do insucesso do programa, e a Grécia agudizou-lhes esse receio.

Há um quarto vuvuzela que é o ministro Pires de Lima, mas desse falaremos mais tarde.

Democracia sim mas apenas para elegerem quem eu quero ou democracia hipócrita

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No contexto europeu as posições tomadas contra a Grécia são demonstrativas duma democracia hipócrita que se está a viver na U.E. e se está a propagar por influência e pressão da Alemanha e outros países.

Estes políticos que Governam a Europa deixaram de ter sentido de Estado, e o respeito que seria suposto terem por estados soberanos. Para já não falar do primeiro-ministro e do Presidente da República, este último há muito que passou a ser mais uma figura de estilo e uma espécie de assessor do Governo, as declarações de Schäuble passaram as raias do bom senso democrático que se lhe exigia ao afirmar que "gregos elegeram um governo de irresponsáveis".

Schäuble anda irrequieto e nervoso e está a perder a calma que seria suposto manter. O jornal Público de hoje relata que "O porta-voz do Governo grego começou por dizer que a Grécia "não se deixa chantagear com ultimatos”. E depois de Schäuble ter afirmado antes da reunião do Eurogrupo “ter pena” dos gregos que elegeram um Governo “irresponsável”, Tsipras respondeu na mesma moeda, declarando aos deputados do Syriza que o ministro alemão “perdeu a calma” durante a reunião e que teria tecido considerações insultuosas sobre a Grécia.

O que ele chama simultaneamente de irresponsáveis é ao povo grego que se defende da humilhação social a que foi submetido por outros países que seria suposto serem parceiros. A história mostra que houve momentos em que países soberanos que não se submetendo voluntariamente a outro a isso foram obrigados pela força das armas. Agora a capitulação obriga-se com outro género de forças e de ameaças.  

 O que são governos responsáveis para aquele senhor que faz afirmações pró-totalitárias? Serão por acaso governos que gostaria de impor através dum partido por ele escolhido? Talvez partido único?!

Com um descaramento despudorado afirmou ainda que "a Grécia estava no bom caminho para resolver a crise até que chegou o novo governo presidido por Tsipras". Especialistas e pessoas de boa-fé sabem que não será possível a um país totalmente devastado pela austeridade e com uma dívida pagável apenas em centenas de anos resistir com a aplicação das mesmas medidas, a não ser que Schäuble esteja a pensar em tornar a Grécia um colonato ou um protetorado alemão.

Por aquelas declarações parece estar subjacente um espírito antidemocrático que vai naquelas cabeças e que pretendem condicionar negativamente, e de forma revanchista, as posições políticas e técnicas para a resolução dos problemas do povo grego.

Há por aí no nosso país comentadores do CDS como Nuno Magalhães que pretendem fazer inverter o processo dizendo que quem está a pressionar a Alemanha e a europa é a Grécia! Isso era como se a Grécia tivesse uma capacidade de pressão tal que colocasse a Alemanha nervosa. De facto Schäuble parece estar nervoso mas por não querer perder a razão que julgava ter para debelar a crise da UE através da austeridade extrema. Portugal é agora o seu argumento.

Portugal está metido numa europa onde uns países pretendem subjugar outros, normalmente os mais fracos cruzada apoiada internamente por germanistas traidores que se refugiam nos tratados e compromissos.

Portugal serve agora de exemplo, qual animal exótico metido numa jaula, para mostrar ao clube europeu a rasto da Alemanha que o caminho seguido foi, é ou será o correto e o único possível. Isto com a conivência dos Pétains que nos governam. Alguns canais de televisão, talvez sem se aperceberem (!), fazem de bons servidores e lacaios do Governo porque lá vão alinhando noticiários propagandísticos de elogios, insistindo em factos que, apesar de verídicos, são facciosa e tendenciosamente apresentados. Um exemplo? O exagerado caso do pagamento antecipado do empréstimo concedido pela troika a Portugal que o Eurogrupo vai autorizar como se de um grande feito se tratasse que não foi mais do que uma estratégia inteligente que qualquer governo faria. Pediu dinheiro a juro mais baixo para amortizar uma dívida que estava a juro mais elevado. Mas, alguns órgãos de comunicação social mão divulgam com a mesma insistência que o dinheiro foi captado nos mercados a juros mais baixos e ainda bem.

Calar a verdade e esconder a realidade

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A conferência de imprensa de Passos Coelho após a reunião do Eurogrupo, provavelmente encomendada, foi mais uma manobra sem vergonha de manipulação da opinião pública portuguesa. Num olhar distanciado a conferência de imprensa foi fastidiosa por ser extensa e repetitiva. Foi mais uma forma de propaganda e de autoelogios ao Governo.

Quem se der ao trabalho de a rever com cuidado encontra-se perante uma confusão e repetição de argumentos e auto elogios, onde se misturam uma mesquinhez política e uma falta de sentido de Estado sem precedentes.

Explorando os sentimentos mesquinhos duma população pouco informada sobre o tema da Grécia, solta o que ele sabe fazer de melhor, explorar a mesquinhez e acicatar o divisionismo latente contra um país em dificuldades que é tão membro da U.E. como o é, e está Portugal. A redundância discursiva sobre a ajuda de Portugal à Grécia em mil milhões de euros aproxima-o das raias do ridículo.

Repetiu várias vezes que os portugueses já contribuíram com os seus bolsos para ajudar a Grécia, mas o que ele não completou é que a Grécia também contribuiu quando entrámos em situação de resgate em 2010, pois foi neste ano que Portugal contribuiu assim como outros países para ajuda à Grécia.

O que Passos e Cavaco Silva não explicam é porque Portugal, necessitando ele mesmo de ajuda, se propôs a ajudar a Grécia como dizem. Solidariedade? Não, não foi!

Mas ainda o mais evidente da manipulação engendrada foi que as perguntas colocadas por três dos jornalistas foram na prática cópias umas das outras dando a possibilidade a Passos Coelho de poder repetir e de salientar até à exaustão o que já tinha dito por várias vezes (terá sido combinado?).

Portugal participou no passado em empréstimos à Grécia e à Irlanda, com uma quota calculada de acordo com a sua participação no capital do Banco Central Europeu. Com a assinatura do seu próprio acordo de empréstimo, Portugal já não participa nesses programas de ajuda.

Passo Coelho e Paulo Portas com a ajuda de Cavaco Silva têm vindo a repetir que Portugal vai pagar antecipadamente parte da dívida para mostrar que Portugal não é a Grécia, mas apenas dizem metade da verdade e escondem a outra parte da realidade, valendo-se da falta de informação de muitos portugueses sobre este assunto.

O que acontece é que foram colocados no mercado títulos de dívida pública a um juro mais baixo do que aquele que estamos a pagar pelo empréstimo da troika. A dívida não diminuiu, o que acontece é estarmos a pagar juros mais baixos.

Se pedirmos a alguém, por exemplo, 10 milhões e nos cobram juros de 3,5% temos uma dívida de 10 milhões mais os juros. Se conseguirmos que alguém empreste 10 milhões a juros de 2,3% podemos pagar ao primeiro credor os 10 milhões que pedimos emprestados mas ficamos na mesma com uma dívida de 10 milhões a outro credor apenas com juros mais baixos, mas a dívida mantem-se no mesmo montante. Claro que se tira sempre a vantagem de juros mais baixos, mas apenas isso.

Foi isto que aconteceu, portanto, enganam os portugueses premeditadamente fazendo-lhes passar mensagens deturpadas da realidade.

Os três cruzados

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O artigo de opinião intitulado Os Cruzados que Domingos Lopes escreveu no jornal Público é uma narrativa que confirma o estado de negação em que o governo germanista de Passos Coelho e o Presidente da República têm mostrado perante os portugueses.

O que Domingos Lopes escreveu levou-me a pensar retrospetivamente e a escrever as ideias por outras palavras elencando uma série de mentiras que Passos Coelho e Paulo Portas têm feito passar.  

Numa visão paternalista e ditatorial Passos e o seu Governo resolveram cuidar dos portugueses gastadores, "domesticá-los", empobrecendo-o como forma de denominação que os tem levado à indiferença.

Para o Governo e a maioria que o apoia os portugueses são em síntese:

Esbanjadores.

Cidadãos piegas.

Vivem à custa do Estado Social.

Têm que sair da sua zona de conforto.

Os que trabalham e tem os seus empregos têm que desocupar os seus postos para os dar aos jovens.

Há que fazer a mudança diziam os porta-vozes do Governo de Passos Coelho.

Se já não o dizem é porque estão em campanha eleitoral.

Se ganharem veremos o que vai acontecer.

Assim, laçaram-se numa "cruzada" contra a maioria da população que vivia, como diziam, acima das suas possibilidades, deixando de fora os responsáveis pelo sistema financeiro.

Os grandes causadores eram os que viviam dos seus salários e gastavam tudo o que tinham e não tinham. Mas os gestores bancários de instituições como o BPP, BCP, BES e BPN aconselhavam os que viviam dos seus vencimentos e tinham pequenas poupanças e rendimentos (prova-se aqui que, afinal, nem sempre gastavam tudo o que tinham e não tinham) a confiar e aplicar o dinheiro naquelas instituições, sabe-se hoje serem ativos tóxicos. Mas os administradores daquelas instituições e outros como o compincha e ex-conselheiro de estado de Cavaco Silva Dias Loureiro continuam a passear-se por aí, todos eles vivendo como nababos a gastar o dinheiro dos que viviam acima das suas possibilidades.

Apontando a crise causadora a governos anteriores, que não os deles, apagando o tempo em que Cavaco Silva foi primeiro-ministro e que, para receber fundos europeus, decidiu dar cabo do que restava da indústria e da agricultura, antros que alimentavam os perigosos sindicatos comunistas, lançam-se de espada em riste confiscando salários e tudo para bem dos prevaricadores.

O íncola de Belém, nome interessante aplicado por Domingos Lopes a Cavaco Silva, juntou-se afincadamente à trupe governativa acolitados por comentadores com a trombeta do Governo que propagandeiam ardilosamente sucessos da governação negando e ocultando o que as evidências do dia-a-dia mostram. É aqui que entra o estado de negação desta gente. Recordemos então:

As verdades feitas

O estado de negação

O país está bem e o SNS está melhor do que estava.

A gripe sazonal de inverno, mais que esperada, fez parar as urgências dos hospitais.

Alguns portugueses morreram ao fim de horas sem serem atendidos.

Os responsáveis hospitalares confiscam as macas aos bombeiros para os doentes não se espalharem no chão daqueles estabelecimentos.

Passos Coelho e seus acólitos apregoam o seu contentamento pelo novo estado do país.

Uma em cada três crianças está no limiar da pobreza…

 

Estão satisfeitos porque o país merece o crédito dos credores.

 

Não há vacinas para a tuberculose…

a dívida passou de 97% para 135% do PIB.

 

Com ar de muita credibilidade tentam demonstrar que não querem que os portugueses paguem os prejuízos da TAP e querem vendê-la aos privados que sabem gerir.

O que aconteceu com os bancos nacionais e internacionais. Estes privados não se sabe quem são, não têm rosto… deitaram a baixo bancos e empresas com proveito próprio o que mostra uma boa gestão.

Mostram um emblema da bandeira na lapela imitando os Estados Unidos da América.

Traem Portugal e mentem aos portugueses sempre que podem e castigam com a austeridade apenas para alguns porque, como diz o acólito do governo e inquilino de Belém, o tempo, não está para facilidades… Para alguns diga-se.

Anunciam reformas laborais de sucessos para bem da competividade e do investimento e para a estimulo da criação de postos de trabalho.  

O objetivo encaminha-se para acabar com o Código de Trabalho e deixar o mercado regular as relações entre o empregador e o empregado… a bem da concorrência.

Mas o desemprego estrutural e de longa duração aumentam.

Anunciam políticas (neoliberais) para deixar o mercado funcionar e austeridade para criar riqueza.

Resultou na devastação do tecido produtivo português e as condições de vida dos portugueses.

Elogiam um Estado mínimo sem gorduras.  

Deram golpes profundos no Estado Social e no Estado de Direito para construir uma sociedade em roda livre, à larga e sem leis para que os donos disto tudo investissem.

Não resultou nem em investimento nem na criação de postos de trabalho.

Vejam-se os casos BPN e BES como resultaram em investimento produtivo

Criaram empregos no Estado para amigos e famílias.

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Domingos Lopes termina escrevendo: "São estes os novos cruzados: gente que não gosta dos portugueses e que vive a pensar em como pode engrandecer os donos do dinheiro para os fazer enriquecer e simultaneamente empobrecer o país."

A conversa da treta sobre a Grécia

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Passos Coelho, os partidos do Governo e o seu acólito Cavaco Silva estão agora a tentar virar a opinião pública contra a Grécia. Em vez duma posição neutral assumem mais uma vez uma atitude de seguidismo germanista. Preferem, como está na sua genética apoiar a opressão.

O grande problema para esta gente não está propriamente na Grécia mas na opção política que o povo grego tomou nas últimas eleições.

Passos Coelho rasgou o conto de crianças e retira da parteleira uma nova história mas com o tema da ajuda e da solidariedade de Portugal para com os gregos. Balelas para distrair e confundir português.

Passos fala como se nós fossemos um país rico e com um grande peso nas decisões europeias. Então, nós que precisávamos e precisamos ainda de ajuda armámo-nos em ricos e emprestámos dinheiro à Grécia? Esta história está muito mal contada porque não explicam quando e em que condições. Tudo isto é para confundir os incautos do costume.

Teixeira dos Santos, ministro das finanças na altura, estávamos em 2010, afirmava que "Portugal está numa posição muito delicada e dificilmente poderia suportar aumentos da sua dívida pública para acudir a Grécia". Mas ontem disse que "a garantia de estabilidade financeira da zona euro (...) exige a solidariedade entre todos os Estados-membros". Uma tentativa de demonstrar a saúde da sua economia e de mobilizar ajuda europeia para o caso de, no futuro, vir a precisar dela.". (sublinhado meu)

 

O jornal Económico escrevia em abril de 2010:

 

"Apesar da difícil situação financeira do País, o Governo português decidiu ontem participar no mecanismo de empréstimos bilaterais da zona euro à Grécia, que pode atingir 30 mil milhões de euros. De acordo com a chave de repartição acordada, Portugal terá de emitir dívida pública para cobrir um empréstimo de até 774 milhões de euros a Atenas, reembolsado a uma taxa ligada à Euribor e que neste momento seria de 5%. Pelas actuais condições de mercado a que Portugal tem colocado a sua dívida, esta operação pode até resultar rentável para o Estado, ao longo dos três anos de duração desse crédito.

O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, disse ontem que "Portugal participará neste esforço conjunto numa proporção correspondente à sua dimensão económica e financeira, reflectida na participação no capital do BCE (2,58% excluída a Grécia)".

Na prática, assim que a Grécia accione este mecanismo de assistência e o pedido for aceite, implicará um agravamento da dívida pública, esperada para este ano, em quase meio ponto percentual do produto português. O comissário Olli Rehn, responsável pela Economia no Executivo comunitário, anunciou que "terá em conta" este elemento na avaliação das contas públicas nacionais e avisou que este mecanismo é apenas para a Grécia. Portugal e Espanha têm sido apontados como os próximos na lista de possíveis Estados a entrar em incumprimento da dívida e têm visto os seus ratings deteriorar-se.".

 

Por outro lado as ajudas a Portugal e à Grécia foram resgates aos bancos alemães. Se há dúvida veja-se o que disse um eis assessor de Durão Barroso quando estava na comissão europeiaAjudas a Portugal e Grécia foram resgates aos bancos alemães - PÚBLICO.pdf

O que preocupa políticos, governantes, e comentadores a soldo de um tipo de direita que por aí prolifera, é o Syriza ter ganho as eleições porque no que se refere aos problemas da dívida e da solidariedade para com a Grécia estão-se "borrifando".

Querem, como sempre têm feito, ocultar o sol com a peneira deturpando intencionalmente a realidade e desenterrando desculpas que justifiquem as suas posições de seguidismo alemão.

Cavaco Silva vem também ajudar à festa. Falando em solidariedade para com a Grécia rebuscando um empréstimo em tempo, que já mencionámos antes, que não é mais do que uma solidariedade hipócrita e falsa, aliás como já nos tem habituado. Este falso sentido de solidariedade não tem outro efeito do que fazer colocar a opinião pública contra a Grécia.

As declarações destes agentes seguidistas germânicos em Portugal, apoiados pelos seus jornalistas e comentadores, vão exatamente no sentido do apoio às posições alemãs. Seguir o mesmo trajeto até à derrocada final. As visões unilaterais e egocêntricas desta gente apenas têm objetivos partidários e preconceitos ideológicos.

Não se trata de apoiar o partido que está no poder na Grécia, mas antes o de fazermos análises distanciadas tentando ver o que se está a passar naquele país e o que se ainda se passará na europa com uma postura minimamente independente, coisa que esta gente sectária não consegue.

As políticas aplicadas até agora para debelar a crise falharam e continuarão a falhar (ponto). O que mais é preciso para mudarem as políticas na europa? Será preciso fazer um boneco para explicar? A guerra entre países excedentários e deficitários está aberta e os primeiros submeterão estes últimos. Eis o objetivo central.

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