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ZOOM SOCIAL - Cultura, sociedade e política

Apontamentos, comentários e OPINIÕES sobre política, economia, educação, sociedade e cultura. Confronto de afirmações, reflexões e contradições sobre o modelo social que temos.

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Apontamentos, comentários e OPINIÕES sobre política, economia, educação, sociedade e cultura. Confronto de afirmações, reflexões e contradições sobre o modelo social que temos.

Primárias do PS os candidatos vistos de fora

 
 José Seguro António Costa

A campanha do Partido Socialista para as primárias tem decorrido num ambiente pouco convincente. A única coisa que António José Seguro tem feito é populismo e ataques pessoais e provocações torpes ao seu opositor. Podemos não concordar com o tipo de campanha que António Costa tem feito, mas uma coisa não se lhe pode negar, a sua honestidade política perante o seu adversário no partido.

José Seguro aguentou três anos e bateu-se com o adversário mas sem mostrar assertividade política, embora com dedicação, coisa que ele agora reivindica, sem conseguir conquistar amplamente os portugueses. Para o país parece ter sido uma espécie de braço direito da Passos Coelho na oposição e da ala do PSD que o apoia.

Não é por acaso que a direita no poder e alguns dos seus comentadores têm mostrado "simpatia" por José Seguro elogiando-o até como o grande vencedor dos debates. Deixou a fazer oposição diplomática ao Governo para fazer uma oposição a António Costa não com base em ideias mas com base a ataques pessoais e tentativas de levar para a praça pública a roupa que ele próprio suja em atos de desespero ao pensar que poderá não vir a ser primeiro-ministro. Como poderemos confiar em alguém cujos argumentos nas primárias resumem-se na sua maioria a ataques pessoais enquanto os argumentos enquanto opositor ao Governo são até agora meras aparências e sem conteúdo substancial.

António Costa tem o chamado "background" da política. Isto é, no seu percurso político já mostrou competências essenciais na capacidade de liderar, de decidir, gerir executivos, promover consensos entre adversários e comunicar e explicar a suas ideias, embora se compreenda que nesta fase, talvez por estratégia, tenha sido omisso na explicitação e pormenorização de algumas.

António José Seguro apenas consegui nesta campanha aglutinar em si mesmo um misto de sentimentos de vitimização, de arrogância e de impotência…

Uma boa reforma era reformarem o governador do Banco de Portugal

Carlos Costa, Governador do Banco de Portugal, que tem tomado ("boas"?) decisões sobre o caso BES, recupera, num fórum em Lisboa, um tema divisionista da sociedade que em fevereiro de 2013 Relvas lançou e que o primeiro-ministro apoiou, no qual acusavam os "instalados" do mercado de trabalho de serem os responsáveis pelo nível de desemprego jovem registado. Acrescentou ainda que "o mundo laboral não parece mais favorável”, porque há “oportunidades raras e instalados a travar todas as ambições”. O discurso de Relvas punha sobre os ombros das gerações mais velhas a responsabilidade da falta de emprego para os que agora tentam entrar no mercado de trabalho.

Acrescentou Carlos Costa que os mais velhos deveriam ser reformados para dar lugar aos mais novos acusando-os ainda de abuso de baixas médicas. Não admira que, lançando trabalhadores na reforma antecipada, a que ele chama "pré-pensionamento", venham depois bradar aos céus da insustentabilidade da segurança social e da caixa nacional de pensões.

Acrescentou ainda esta espécie de governador do BdP que são faltistas e estão sempre de baixa os "trabalhadores que, por razões ligadas à sua formação, à sua longa história de trabalho e até por razões ligadas à própria inadequação às novas condições [de trabalho]". Para Carlos Costa, são os trabalhadores menos qualificados que estão em causa, podendo depreender-se que jovens da geração mais qualificada de sempre poderiam bem preencher aqueles lugares ocupados pelos mais velhos com salário muito mais baixo, porventura até o salário mínimo.

Reformar tudo quanto mexa sem quaisquer critérios é o lema dos senhores do Governo e dos seus subservientes servidores. Aquele senhor não se enxerga porque, face a tamanha confusão criada com o caso BES, parece bem que era ele próprio que deveria pedir a reforma antecipada. Uma forma de desviar as atenções focadas sobre problemas criados é lançar temas polémicos que minimizem ou façam esquecer outros. Colocar portugueses contra portugueses para reinar e desviar atenções é um peditório para o qual não demos nem daremos.

 

Imagem obtida do site da TVI24

Inconsequência, ética e moda das desculpas esfarrapadas

Os pedidos de desculpa por elementos do Governo passaram a cair na vulgaridade. Quando há erros de consequências políticas basta que, perante a Assembleia da República ou frente a um canal televisivo, se peça desculpa aos portugueses.

Portugal passou a ser o país da desculpabilização, quando não o jogo do empurra como fuga à responsabilidade. O pedido de desculpa por elementos deste Governo passou a ser uma forma de manutenção no poder acatado pelo próprio primeiro-ministro que, em tempo, também pediu desculpa. As consequências que advenham dum qualquer ato político gravoso passaram a poder ser substituídas por pedidos formais de desculpa. A força do pedido de desculpa, na prática, caiu na rua.

Já agora poderia também ser dada a oportunidade a Ricardo Salgado de um pedido de desculpas a todos os lesados pelo problema do BES e do seu grupo e ficaria tudo resolvido.

Este Governo perdeu o sentido de ética. Estes políticos do Governo deixaram de reger a sua conduta pessoal e profissional por princípios deontológicos. Por este andar, qualquer dia, um réu que seja condenado passa a pedir desculpa ao tribunal e o caso fica arrumado.

Seria impensável que, numa empresa privada, ao serem cometidos por um colaborador erros ou quaisquer atos lesivos que colocassem em causa os interesses e a sobrevivência da empresa, não resultassem daí quaisquer consequências, bastando um pedido de desculpa.

Passos Coelho mostra a coesão do seu Governo pela manutenção de incompetentes nos lugares de ministro e secretários de estado. Passos Coelho manda matar o mensageiro quando recebe más notícias, isto é, manda demitir subalternos. Ricardo Salgado já fez o mesmo, disse que a culpa do que aconteceu no BES foi do contabilista.

Portugal está a caminhar por caminhos dando sinais de bons exemplos, isso sim, às gerações futuras no que respeita à forma de fazer política e estar num governo.

Na campanha para as primárias do PS António José Seguro está também a ser um bom exemplo no que respeita à falta ética com que argumenta contra o seu adversário de campanha na ânsia pessoal de querer ser primeiro-ministro, como em tempos já afirmou mais do que uma vez.   

A cultura dos incultos na política

Revi hoje algumas das intervenções do responsável pela realidade que se vive atualmente no médio oriente, nomeadamente no Iraque, que teve a sua génese numa época bem determinada com a participação de um ator principal bem identificado apoiado por atores secundários que se deixaram arrastar para uma armadilha.

Esse ator principal que ascendeu à política com empurrões paternais foi George W. Bush, Jr. que bem poderia ter-se dedicado à "stand up  Comedy".

Não admira que a impreparação, a incultura, o desprezo por tudo quanto não seja, como dizem, a ligação das escolas ao mundo do trabalho e uma visão tacanha de desprezo por tudo quanto sejam ciências sociais e humanas, (lembram-se do jornalista português da área da economia que disse publicamente que a disciplina de história não servia para nada?), traduz-se nisto.

Vejamos alguns extratos de intervenções durante o mandato de George W. Bush Jr. como presidente dos Estados Unidos da América.  Se procurarmos bem encontraremos também bons exemplos em Portugal.

 

  • "Eu gostaria a de ter estudado latim, assim poderia comunicar melhor com o povo da América Latina.".
  • "A grande maioria das nossas importações vem de fora do país."
  • "Se não tivermos sucesso, corremos o risco de fracassarmos."   
  • "O Holocausto foi um período obsceno na História da nossa nação. Quero dizer, na História deste século". 15/09/95
  • "Uma palavra resume provavelmente a responsabilidade de qualquer governante. E essa palavra é estar preparado." 06/12/93
  • "Eu tenho feito bons julgamentos no passado. Eu tenho feito bons julgamentos no futuro."
  • "Eu não sou parte do problema. Eu sou Republicano."
  • "O futuro será melhor amanhã".
  • "Nós vamos ter o povo americano melhor educado do mundo.". 11/09/97
  • "Eu mantenho todas as declarações erradas que fiz.".
  • "Nós temos um firme compromisso com a OTAN. Nós fazemos parte da OTAN. Nós temos um firme compromisso com a Europa. Nós fazemos parte da Europa. "
  • Um número baixo de votantes é uma indicação de que menos pessoas estão a votar."
  • "Nós estamos preparados para qualquer imprevisto que possa ocorrer ou não.". 22/09/97
  • "O povo americano não quer saber de nenhuma declaração errada que George Bush possa fazer ou não.".
  • "Não á a poluição que prejudica o meio-ambiente. São as impurezas no ar e na água que fazem isso.".
  • "É altura de a raça humana entrar no sistema solar.". 

Onde estás impunidade que não te encontro

A justiça tem que ser feita e tem que ser célere seja para quem for e dou-a a quem doer. Mas será isso se tem verificado que nos últimos meses? Seguramente não. A imprensa e as televisões têmdado relevo aos julgamentos e condenações conotados com algumas áreas partidárias e originários de governo anterior a este. Está certo. Todo e qualquer processo deve culminar o mais rápido possível com a condenação ou a absolvição dos réus, como é óbvio, sem arrastos muitas das vezes desnecessários.

Mas, a opinião pública fica sempre com dúvidas da eficácia da justiça quando se confronta com a rapidez da justiça apenas num determinado sentido e em determinados momentos da vida política e partidária nacional enquanto outros continuam a arrastar-se indefinidamente levando atá à prescrição dos processos quiçá por desleixo, incompetência, ou porque assim interessa, sem que nada aconteça. Veja-se o caso das prescrições em processos relacionados com o BCP.

Quanto ao BPN, submarinos e outros onde há envolvimentos do outro lado do leque partidário arrastam-se até à exaustão. Estão em segredo de justiça, estão em andamento, etc., etc..

Por isso mesmo podemos sempre desconfiar que, sempre que há alguém das "elites" partidárias e da política, com ou sem envolvimento dos governos a quem não interessa o desenvolvimento do processo, tudo se arrasta ou acaba em "águas de bacalhau".

Há quanto tempo não se houve na comunicação social falar do processo BPN. Qual o ponto da situação? Recordo-me de uma afirmação da senhora ministra da justiça há alguns meses atrás que afirmava que o tempo da impunidade tinha acabado. Deveria de acabar de todo. Penso que todos concordamos. Mas será isso que se está a passar?

Em 11 de maio de 2012 a ministra da Justiça defendia que "o tempo da impunidade chegou ao fim», assegurando que, com a reforma do Código de Processo Penal deixarão de ser possíveis «expedientes dilatórios" que levem à prescrição dos crimes.

E mais, "Vamos ter uma nova legislação que vai ao encontro da solução daquilo que podiam ser expedientes dilatórios, ou que podiam ser usados como tal".

Em março de 2014 "as acusações do Banco de Portugal contra o ex-presidente do BCP, Jorge Jardim Gonçalves, prescreveram na sequência de uma série de recursos que foram apresentados. Jardim Gonçalves tinha sido condenado a pagar um milhão de euros e estava inibido de ter funções no sector financeiro durante nove anos, no processo de contraordenação movido pelo supervisor bancário. Em causa estava a prestação de informação falsa e falsificação de contas do BCP através de 17 sociedades sediadas em paraísos fiscais.". Ler mais…  Quanto a consequências, nada aconteceu.

Mais recentemente, no princípio de setembro, numa entrevista à RTP a mesma ministra afirmou que "No sector privado reinou durante muito tempo uma lógica de impunidade, acima de tudo, sobretudo nas grandes empresas, no sector estatal reinou uma certa promiscuidade entre o público e o privado…". O que vai acontecer com o BPN, BPP, BES? Provavelmente, nada. Como eu gostaria de estar enganado.

A fantasia do sobe e desce dos impostos

 

Vem a propósito de um editorial que reli numa revista semanal de agosto de 2012. Entre vários outros assuntos abordados resolvi pegar no que se refere à função pública, sejam eles professores, administrativos ou outros. Quando leio o que alguns escrevem por aí tenho a sensação de que esses senhores nunca observaram, durante um ou dois dias, com olhos e ouvidos verdadeiramente isentos o que se passa no interior de uma repartição pública.

Antes de continuar devo esclarecer que nunca trabalhei nem trabalho na função pública e que o meu trabalho foi sempre no privado, ao contrário de alguns que já "mamaram na teta da vaca" seja de que forma fosse.

Quero ainda afirmar que tenho imenso respeito e admiração por todos quantos trabalham na comunicação social seja na televisão ou na imprensa, especialmente os jornalistas, cujo trabalho exige muitas das vezes risco e trabalho quantas das vezes em condições precárias e sem horário para que possamos conhecer o que se passa à nossa volta e no mundo.

Dito isto estou à vontade para expressar contraditório sobre opiniões, por vezes manipuladoras, que se pretendem passar para a opinião pública.

Quando se baixam os impostos deve ser para todos, quando aumentam também deve ser para todos sem distinção de classes profissionais ou setoriais. É assim a equidade.

Teimosamente muitos senhores comentaristas de jornais e revistas, apoiantes das políticas ultraliberais do governo, pensam apenas neles e nos seus bolsos em nome de todos (quais?). Para eles os funcionários públicos e os pensionistas são os causadores de todos os males e do despesismo do estado. Argumentam alguns que, por exemplo, ao cortar dois subsídios na função pública e um subsídio no privado não é a mesma coisa porque, no primeiro caso é um corte na despesa, no outro é um imposto. Isto apenas porque uns são do privado e outros são da função pública. Como se o setor privado, cidadãos e empresas, não tivesse contribuído, cada qual à sua maneira, para o estado a que chegámos. Isto parece mais um filme onde há os bons e os maus. Miopia maniqueísta. Como se os funcionários públicos e pensionistas não pagassem impostos como qualquer trabalhador do sector privado paga. Já agora, poderiam sugerir que se estabelecem tabelas de impostos diferentes consoante os setores e as profissões.

O Estado, ao retirar seja a quem for a totalidade ou parte de um rendimento que foi atribuído funciona como um imposto. O mesmo não se passa com um empresa privada que, ao baixar os ordenados aos funcionários, o corte reverte a favor da própria empresa, prejudicando ao mesmo tempo o Estado que passa a arrecadar menos imposto ou taxa que seriam pagos pelo trabalhador, caso do IRS, e de empresa e trabalhador no caso da segurança social. O que aqueles senhores pretendem é que os impostos quando aumentasse fossem apenas dirigidos a alguns e, quando baixassem, seria apenas também para alguns.

Falam com desconhecimento total do que se passa na função pública quando dizem que o Estado é o único patrão que não exige mais trabalho quando é preciso produzir mais. Não sabem do que falam porque apenas conhecem a função pública do "front office", do contacto com o público que continua a trabalhar mesmo após fechar o atendimento, desconhecendo o "back office" que trabalha quando é necessário até horas impensáveis para dar elementos que lhes são pedidos à última da hora sem quaisquer pagamentos extras. Isto passa-se em vários ministérios e direções gerais ao longo do ano. Já não falamos das vezes em que, por causa de compromissos, se adiam férias.

O ataque à função pública pressupõe uma invejazinha latente. É uma massada para estes editorialistas que têm que escrever uma vez por semana um editorial para uma revista ou artigo de opinião para um jornal.

Gostaria que estes senhores que trabalham nos jornais e revistas estabelecessem uma comparação significativa entre o que é produzir na função pública e produzir numa revista ou num jornal. Já agora que dissessem o que entendem por produção ao nível dos serviços.

O mesmo artigo, timidamente, aborda as questões da despesa do Estado com as PPP's e as rendas excessivas mas isto faz parte de uma falsa isenção por que o seu olhar dirige-se sobretudo numa direção, a mais fácil e a que está mais à mão.

O moralismo do mestre das acrobacias

Há uma bailarina acrobática da política (ver blog reviravolta ) que está sempre a ensaiar novas acrobacias que a coloquem na opinião pública como a estadista que põe Portugal acima de tudo, mas, obviamente, quando tira partido disso.

A propósito da demissão de Vítor Bento a bailarina acrobática num curso partidário, (agora chamam cursos a doutrinações partidárias), expressou fúria contra a deserção de Vítor Bento e acusou indiretamente a decisão de "falta de espírito de missão" e de "pôr o interesse pessoal à frente do interesse nacional". Ao afirmar isto tem decerto memória muito curta, pois esqueceu-se da crise que lançou em 2013 colocando à frente do país os interesses pessoais, recuando, depois, quando lhe cheirou a mais protagonismo e poder.

Em Portugal o grupo acrobático de bailado político não se limita apenas a uma bailarina há também partenaires que participam no elenco, mas esses mantêm-se no segundo plano do proscénio.

Achas na fogueira

 

Venda-se o BES ou o Novo Banco ou lá o que é ao desbarato que se faz tarde. Depressa, venda-se o banco porque em ano de eleições não queremos ficar com tretas na mão pensa o governo mas não diz. Vítor Bento o economista neoliberal, conselheiro de estado, o tal que, alguns diziam, iria ser mais do mesmo na administração do Novo Banco e outros que seria o mágico da economia que iria restabelecer a confiança no "banco bom" demitiu-se com a sua equipa passados trinta e poucos mais dias. O que se terá passado na realidade ninguém sabe ao certo, nem se irá saber tão cedo.

A venda imediata do Novo Banco até ao final do ano  tem a ver com o ano de eleições e ao governo não lhe interessa desembolsar milhões de euros como o fez com o BPN, mesmo que, devido à venda apressada, faça baixar significativamente o preço de venda.

Se não vender o banco Passos Coelho ficará associado ao "BESaffair". Assim como a natureza tem horror ao vazio também Passo Coelho tem horror às nacionalizações, mesmo que isso traga vantagens para o Estado e para os contribuintes. Segundo alguns comentadores, para Passos Coelho não ser sugado pelo furacão "BESaffair" terá de vender o banco por um valor acima do que já enterrou com o BPN para que os contribuintes não sejam prejudicados.

A razão oficial da demissão de Vítor Bento e da sua equipa, segundo fontes do Jornal i, são devidas a motivos que "alteraram profundamente a natureza do desafio com base no qual aceitáramos esta missão em meados de julho". Razão vaga nada esclarecedoras do que esteve por detrás da demissão. Que circunstâncias terão sido alteradas? Pressões, incerteza, falta de informação suficiente, descoberta de situações mais graves do que as que se conheciam à data da tomada de posse? Duvido que se venha a saber, pelo menos para já. Até lá, Ricardo Salgado continua com o seu escritório montado no hotel mais caro do Estoril pago com que dinheiro e dirigindo que negócios?

Magia ao Luar uma forma de ver

 

Nada melhor do que uma ida ao cinema para ver um bom filme para intervalar dos políticos e de jornalistas comentadores que por aí proliferam. Escrevem uns artigos de opinião em jornais, alguns de referência, que na televisão transformam em discurso verborreico.

Sou fã desde muito jovem do argumentista e realizador Woody Allen. De todos quantos realizou e foram muitos, devem ter sido poucos os que não vi.

Magia ao Luar (Magic in Moonlight) estreado em Portugal a semana passada afasta-se das preocupações temáticas e do ritmo dos anteriores. Os diálogos por vezes demasiado longos nem sempre funcionam e o sarcasmo usual do texto de Allen é por vezes repetitivo, daí a oscilação do seu ritmo.

É uma comédia romântica sobre um inglês a quem é solicitado que ajude a desmascarar uma possível fraude das complicações pessoais e profissionais decorrentes.  Stanley, um mágico que trabalha sob o nome de Wei Ling Soo (Colin Firth), é solicitado por um amigo para ir à Riviera francesa para desmascarar  uma fraude. O alvo é Sophie (Emma Stone), oriunda de família pobre que diz ser uma clarividente americana que deslumbrou uma família rica com seus supostos dons.

A estreia de um filme de Woody Allen é sempre um bom evento e este último tem tudo para agradar, é romântico, divertido e, ao mesmo tempo, sério. Passado em 1920 poderia muito bem passar-se na atualidade onde proliferam cada vez mais adivinhos, cartomantes, conselheiros astrológicos e outros que tais que alguns canais de televisão se encarregam de promover.

Neste novo ambiente de comédia romântica Allen sai dos problemas metafísicos e psicanalíticos da existência da vida nova-iorquina, como aliás já tinha feito em "Meia-noite em Paris", e enveredou pela via dos fenómenos paranormais, telepatia, precognição, clarividência e mediunidade patentes neste filme. Os filmes Allen devem ser vistos com olhos diferentes de qualquer outro filme pois eles expressam um estilo e uma personalidade própria e uma forma de ver o mundo e a realidade social do ponto de vista filosófico, social e psicológico sem submeter o espectador a uma tortura de mais de uma hora. Eles são uma análise sobre a fé e a razão, a ilusão e a realidade, o otimismo e o pessimismo e dinâmica relacional que advém da convivência de todas estas dicotomias.

O ponto de partida pode parecer aparentemente simples e sem interesse mas Allen surpreende-nos com a sua arte de realizador exímio, e o desfecho, embora se suspeite qual será, não deixa de nos surpreender de forma descontraída e divertida.

O segredo da magia consiste em ludibriar os olhos do espectador. Neste sentido, o trabalho do ilusionista é bem semelhante ao do cineasta, que também deve iludir o seu público ao ponto de o fazer acreditar, mesmo que seja somente naqueles instantes, no que está vendo no ecrã. Woody Allen é mágico e o segredo de uma boa magia consiste em ludibriar os olhos do espectador Lembremo-nos do extraordinário filme "Rosa Púrpura do Cairo" onde Woody Allen coloca os personagens entre realidade e a ficção.

A magia do amor transforma um espírito positivista como o de Stanley Crawford (Collin Firth). Para ele o conhecimento científico é a única forma de conhecimento verdadeiro e apenas puder ser comprovado por métodos científicos válidos e desligado de quaisquer crenças, superstição ou quaisquer outros. Apesar da fraude e do espírito científico, o amor por Sophie (Emma Stone) sobrepõe-se. 

De salientar ainda a banda sonora com temas de Porter, além de muito jazz e músicas de cabaré, dos anos 20 não esquecendo a interpretação à altura de Eileen Atkins no papel de tia Vanessa. 

Li algures uma crítica que dizia que este é o pior dos melhores filmes de Allen. Para mim é um dos bons de entre os melhores.

Passos Coelho e José Seguro mais do mesmo ou o quanto mais falas mais te enterras

 

A direita neoliberal extremista que governa Portugal anda sem rumo e à deriva. O seu chefe Passos Coelho contribui para isso. Na festa dos direitinhas apoiantes do PSD de Passos, (ainda restam alguns), ouviu-se um discurso em que ora estava no passado, ora estava no presente ora dirigia-se ao futuro, com a agravante de voltar tática da divisão dos portugueses, novos contra velhos, tudo à roda das decisões do Tribunal Constitucional. Os líderes de países civilizados fazem tudo para unir o seu povo e não dividi-lo como o tem feito Passos Coelho. Apenas ditadores que querem lançar estigmas dentro do próprio povo que governam o fazem tendo em vista intuitos maquiavélico. Homens como este não merecem continuar a ser líderes.

Relativamente à contribuição de sustentabilidade apelou ao Partido Socialista que o ajudasse na elaboração de uma proposta conjunta para a reforma da segurança social, caso contrário, ameaçou, não tocaria mais no assunto. Hoje, aí está ele a pedir reunião urgente da Comissão Parlamentar permanente da Assembleia da República para discutir o assunto e, recentemente já voltou a lançar a ideia.

Sobre o caso BES teve a genial ideia do conotar com governos anteriores que apoiavam os grandes bancos, mas ele, santinho, era a favor da transparência e pela separação do Estado do mundo das finanças. O que lhe deu? Então não é ele e a ideologia que sustenta a favor dos negócios com os privados (leia-se privatizações, PPP´s) e que tem vendido Portugal ao capital estrageiro (leia-se Angola e Estado chinês).

Não é no seu governo que se passam coisas escandalosas como o caso do esquecimento da declaração às finanças de oito milhões de euros por Ricardo Salgado e que ainda beneficiou de uma amnistia fiscal feita quase à medida? Quando se esquecem oito milhões que outras verbas não poderiam estar em causa. Não foi durante o seu governo que prescreveram processos como o do BCP com explicações de credibilidade duvidosa e que raiam os limiares da incompetência? E a Ministra da Justiça que tinha afirmado há meses atrás que ninguém ficaria impune e que o "tempo da impunidade tinha acabado" numa alusão ao anterior governo. Referia-se a quem ou a quê?

As eleições de 2015 aproximam-se e começam a preparar a campanha eleitoral. Há que meter esqueletos no armário e novas mentiras que iludam os ainda muitos e incautos portugueses.

Quando o PSD e o CDS são confrontados com situações que os envolvem a primeira reação é a negação, a segunda a teoria da encenação montada pelos inimigos políticos, no abstrato, digo eu.

Escândalos financeiros como o do BES e do BPN e de corrupção que envolvem personalidades influentes, (as chamadas elites), atiçam o desprezo do eleitorado pelos políticos que andam de mãos dadas com a alta finança e com a côrte dos senhores do governo. Os que gravitam à sua volta disfarçam, evitando falar dos casos como namorados que não querem ser vistos juntos em público para não serem apanhados.

Tudo isto se passa enquanto o Partido Socialista atravessa dificuldades internas e o seu atual líder está mais preocupado em fazer campanha que o mantenha no poder do que fazer oposição certeira e transparente ao governo de Passos como se verificou no passado recente, daí ter sido confrontado por António Costa.

Todas estas derivas podem abrir caminho a novos partidos à solta que, aproveitando-se da situação, poderão tirar vantagem do descontentamento e da descredibilização dos atuais partidos, já que, em Portugal, partidos como a Frente Nacional de Marine Le Pen ainda não tiveram coragem de se apresentar sem preconceitos. Ainda bem porque não é desejável.

Passos Coelho, apesar da intervenção da troika, sabendo que Portugal teria que ser considerado junto da União Europeia e da Alemanha como um caso de sucesso, não se mostrou audacioso no plano diplomático. Veja-se a subserviência com que ele tem atuado junto das instâncias europeias.

Passos Coelho, aquando da campanha eleitoral, na ânsia de captar o poder para os neoliberais alojados no PSD, fez promessas que sabia não iria cumprir ou, não o sabia, e os seus “advisers” disseram-lhe para as fazer. António José Seguro começou a fazer promessas que diz vai cumprir, apesar das contas que ele tem no seu bloco pessoal poderem não estar certas e ameaça coma demissão se assim não for. Alguma vez se poderá ir votar num primeiro-ministro que à primeira contrariedade se demite? Neste momento que certeza pode ter do que se vai passar daqui a mais de um ano?

Recorde-se o exemplo de Passos Coelho que, já no poder, não se mostrou à altura das suas promessas desculpando-se dizendo que desconhecia o que encontrou. Então as medidas foram lançar um programa de reformas que apenas se baseou em cortes e mais cortes e tomar como lema o “temos que empobrecer”. Era o empobrecimento forçado dos portugueses sem qualquer explicação que não fosse o passado, fazendo letra morta das promessas de reformas sem tocar violentamente nos benefícios sociais, nos salários e nas pensões. Optou por reformas radicais do tipo “tatchariano”, mas nem ele é Thatcher nem estamos nos anos oitenta. Agarrou-se à Merkel e à austeridade que ela e outros países do norte como Finlândia e Holanda quiseram aplicar aos países do sul sem tentar perceber ou avançar com outras que alternativas que dizia não existirem que é o argumento preferencial dos neoliberais desta extirpe.  

A direita deve procurar outras personalidades menos manchadas e de vistas mais largas e menos anquilosadas do que estas que têm governado Portugal.

 

 

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