Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

ZOOM SOCIAL - Cultura, sociedade e política

Apontamentos, comentários e OPINIÕES sobre política, economia, educação, sociedade e cultura. Confronto de afirmações, reflexões e contradições sobre o modelo social que temos.

ZOOM SOCIAL - Cultura, sociedade e política

Apontamentos, comentários e OPINIÕES sobre política, economia, educação, sociedade e cultura. Confronto de afirmações, reflexões e contradições sobre o modelo social que temos.

A farsa: segundo ato

Mais uma vez Passos Coelho volta a atacar com deturpação política dos factos. Afirmou que "Esta Europa que devia merecer um debate aprofundado passou ao lado destas eleições", lamentando "as tentativas de Paulo Rangel para abordar propostas para a Europa, sem sucesso.". Se é certo que José Seguro e Assis se centraram mais sobre as questões nacionais provocados curiosamente por Paulo Rangel, esse sim, que trouxe para o debate da campanha eleitoral o passado, a entrada da troika e os louros da saída da troika. Em vez de discutir a Europa, discutiu mais o Partido Socialista e José Sócrates.

"Esta campanha provou o nível de inconsciência política de alguns agentes", afirmou ainda ontem (28 de maio) o primeiro-ministro, criticando aqueles que tudo fizeram para nacionalizar a campanha e apresentar propostas "de repor isto e de repor aquilo".

Pois é, mas quem começou a falar na reposição progressiva de salários na função pública foi precisamente, ele. Quem ia prometendo veladamente a baixa de impostos eram ministros do seu governo. Quem falava em repor parcialmente os cortes nas reformas também foi iniciado por ele. E fico por aqui porque não dá tempo para repescar na imprensa outros eleitoralismos do género quando em pré-campanha eleitoral.

Passos Coelho vai falando para dentro do PSD e para o seu Governo dizendo que não contem com ele para eleitoralismos fáceis daqui até as eleições de 2015. "É preciso saber o que se quer" e que "o maior desafio é não ter medo de dizer aquilo que fizemos. Não podemos estar obcecados com as eleições". Aqui está uma nova versão do "que se lixem as eleições", mas, entretanto, vai mudando o seu discurso e atribui mais uma vez as culpas, parafraseando alguns dos comentadores do seu partido, aos problema de comunicação, dizendo que "podemos precisar de afinar a comunicação, de explicar melhor, de estar mais próximo das pessoas, e de os deputados e os membros do Governo terem mais tempo para as atender". Mas o mais importante, na sua opinião, é o de assumir que o caminho feito "não foi porque a troika impôs, foi o que era preciso fazer".

É curioso, depois de ter praticado um terrorismo governativo contra as pessoas, colocando os portugueses uns contra os outros, lançando famílias para miséria, destruindo muitas empresas tem agora o descaramento de falar sobre aproximação às pessoas. E, como se tal não chegasse, ainda mente ao dizer que o caminho que seguiu não foi porque a troika impôs mas porque era preciso seguir esse caminho. Quantas vezes não ouvimos destacados elementos afetos ao PSD, do seus comparsas do CDS e do Governo dizerem que as medidas que tomavam tinham sido da responsabilidade e impostas pela troika devido ao memorando assinado pelo PS, como se o PSD e o CDS não o tivessem alguma assinado e piorado.

As mentiras e os embustes vão continuar a agravar-se daqui para a frente, agora debaixo de uma capa de farsante mais humana e social e mais afabilidade para tentar recuperar o que perdeu nestas eleições que assumiu com uma humildade disfarçada.

Devemos estar atentos.

Contra a manipulação da opinião pública

 

http://felizardocartoon.blogspot.pt/2013_05_01_archive.html

Recebi este mail que passo a divulgar 

 

 

As Eleições Europeias

No próximo dia 25 de Maio, os aposentados, pensionistas e reformados portugueses têm a oportunidade de votar em defesa do modelo social europeu e contra aqueles que, em Portugal, valendo-se de serem governo, os têm enganado e roubado, manipulando sem
vergonha a opinião pública.


A Europa, berço da Democracia, do Estado Social e do Estado de Direito está hoje ameaçada
por dois sinais inquietantes: o desemprego e o envelhecimento. Por isso, este é o momento
certo para exigirmos um sistema europeu de segurança social que não deixe desprotegidos
os mais novos e os mais velhos, os desempregados e os reformados. Bastaria uma pequena
taxa sobre as transacções financeiras dos bancos - que deverão pagar uma parte da crise que
criaram – para evitar que novos milhões de famílias por toda a Europa caiam na pobreza e na
fome sem qualquer medida de protecção assumida por Bruxelas.

Este é também o momento certo para, aqui em Portugal, defendermos o Estado Social e
“corrermos do poder” aqueles que nos têm enganado e roubado, sempre manipulando a
opinião pública.

Primeiro, disseram que “tínhamos vivido acima das nossas possibilidades” e que “tínhamos
tido menos cortes do que os outros” e aplicaram-nos um imposto chamado Contribuição
Extraordinária de Solidariedade (CES). Assim, passámos a ser o único grupo social a quem se aplica o IRS acrescido de um outro imposto sobre o rendimento. Tal imposto só passou no crivo do TC porque, era apresentado como temporário e ditado pela situação de “emergência”.
Depois, para “fundamentar” a medida anterior, tentaram enganar a população dizendo que
“o sistema público de pensões era insustentável”, nomeando um “grupo de sábios” para o
reformar, que logo descartaram. Ao mesmo tempo esconderam a reforma do sistema de
pensões feita em 2007, na qual já tinha sido introduzido um fator de sustentabilidade que
compensava até 2030 o aumento da esperança de vida, tendo-se ao mesmo tempo iniciado
o processo de convergência entre a CGA e a SS. Forte com os fracos, no início deste ano, o
governo penalizou ainda mais os cidadãos mais idosos, cortando pensões de sobrevivência e
de viuvez e aplicando a CES a pensões de valor mais baixo.

Agora, não tendo conseguido enganar o TC com a proposta de retroactividade na convergência dos dois sistemas de segurança social, o governo e os partidos que o apoiam, querem impô-la
através do próximo Orçamento de Estado, como um corte definitivo disfarçado com um novo nome (Contribuição de Sustentabilidade – CS), ao mesmo tempo que avançam com um novo aumento de impostos (IVA e TSU) que a todos abrange.


O cúmulo da falta de vergonha e da manipulação eleitoralista da opinião pública, foi o
anúncio, em sede do DEO (Documento de Estratégia Orçamental, para 2015 e os três anos
subsequentes) da “devolução” de uma parte dos cortes entretanto efectuados!

Não nos iludamos com a catadupa de expedientes e promessas pouco sérias: é-nos devida a totalidade das pensões e das reformas! A dita Contribuição de Sustentabilidade é mais um embuste que visa tornar definitivo aquilo que sempre foi apresentado como temporário.

Continuar a nossa luta significa, no dia 25, ir votar contra esta política, este governo e contra os partidos que o formam. Continuar a nossa luta significa ligá-la à dos reformados e pensionistas de Itália, de França, da Grécia, da Espanha, etc. por uma Europa mais solidária.


Ficar em casa é capitular!

Grupo de Contra Propaganda, APRe! PORTO
Ana Vale
Fernando Rodrigues
Jorge Martins
José Cavalheiro

Abstenção pode ser um apoio à direita

Faltam pouco mais de 24 horas para o ato eleitoral, oportunidade única durante os próximos cinco anos de dizermos à Europa quem queremos no Parlamento Europeu e rejeitar quem dos que nos governam se colaram aos neoliberais que dominam aquele parlamento.

Também é importante que os portugueses digam não aos neoliberais aqui em Portugal que, durante a campanha eleitoral, vestiram agora, novamente, a pele de cordeiro e mudando o discurso para os enganar. Tivemos até agora a experiência de governação de uma direita neoliberal colada aos radicais europeus da sua família política que diziam que somos todos uns calões que não gostamos de trabalhar e que, vejam só, vivíamos para além das nossas possibilidades.

Enquanto a direita se une porque tem um fim em vista e encontram pontos comuns, à esquerda do Partido Socialista, do PCP e do BE, proliferam partidos que apesar de terem todo o direito de se fazer representar conduzem à dispersão de votos.

esta campanha eleitoral por parte da CDU o alvo não foi a direita europeia ou a de Portugal, foi o PS, o parceiro à sua direita, o principal alvo dos ataques e, cujo objetivo, será apenas ganhar meia dúzia de votos onde os pode mais facilmente ir buscar o que não vai resolver nada em termos europeus nem nacional. Poderia até o PCP ter razão quanto às políticas seguidas pelo PS na altura da queda do Governo de José Sócrates mas o que é certo, é que, quer o PCP, quer o BE, ajudaram e muito a que a direita neoliberal ocupasse o poder. Até parece que o preferiram sabendo, mesmo assim, que não ganhavam nada com isso. Foi o que sucedeu nas eleições legislativas de 2011 e viu-se o resultado, a obtenção pelo PCP de um escasso resultado de 7,9% e 5,7% do BE.    

Não interessa em que partido se vote mas a abstenção não é solução, especialmente neste momento, porque poderá fornecer argumentos à coligação para justificar a sua ação, considerando que os valores da abstenção serão dados como aceitantes da política deste últimos três anos ou até que a abstenção foi a vencedora. Ir votar não é uma operação dolorosa mas um ato cívico que nada custa exercer.  

Quando votarem recordem-se dos três últimos anos e da destruição social que a coligação Aliança Portugal provocou: jovens contra idosos, privado contra público, desempregados jovens contra os empregados muitos deles pais desses mesmos jovens, cortes cegos nas bolsas de investigação científica e na cultura, muitos desempregados sem direito a subsídio de desemprego, destruição do tecido empresarial, grande parte dele constituído por pequenas e médias empresas, muitas delas familiares, sob o pretexto de serem obsoletas e que deveriam dar lugar a outras, deterioração, e, em alguns casos, destruição do Serviço Nacional de Saúde, aumento de impostos, tentativas de acabar com o ensino público canalizando verbas dos impostos para escolas privadas, mesmo em locais onde exista oferta pública, promessas falsas e não cumpridas, prejuízo sempre das populações mais frágeis, etc., etc..

 

Mas, se isto não, chega recorde-se o que o primeiro-ministro dizia antes de tomar o poder:

 

A política de privatizações em Portugal será criminosa nos próximos anos se visar apenas vender ativos ao desbarato para arranjar dinheiro.

 O país tem vindo a fazer poucos progressos no combate à pobreza.

Acusava-nos o PS de querermos liberalizar os despedimentos. Que lata.

Nunca concordei com taxar cada vez mais os impostos indiretos. Esta prática pode revelar-se profundamente injusta.

A ideia que se foi gerando de que o PSD vai aumentar o IVA não tem fundamento.

Precisamos de valorizar mais a palavra, para que quando for proferida possamos acreditar nela.

Não contarão connosco para mais ataques à classe média

Se vier a ser necessário, ainda, algum ajustamento fiscal, a minha garantia é a de que ele será canalizado para os impostos sobre o consumo e não para os impostos sobre os rendimentos das pessoas.

Não se pode cortar cegamente.

Já ouvi o primeiro-ministro dizer, infelizmente, que o PSD quer acabar com o 13º mês, mas nós nunca falámos disso e isso é um disparate.

 O PSD aposta no crescimento da economia e aposta em que toda a austeridade seja agora feita pelo Estado e não pelos portugueses.

 O Estado tem de dar o exemplo.] Não devemos aumentar os impostos. O orçamento que foi apresentado na Assembleia este ano, de alguma maneira vai buscar a quem não pode fugir, aos funcionários públicos.  

Se eu fosse primeiro-ministro não estávamos hoje com as calças na mão.

Conter o avanço da direita e da extrema-direita nas eleições europeias

 

A União Europeia com as políticas de austeridade que tem imposto, por força da Alemanha, tem andado distraída e está a dar lugar ao surgimento de e fortalecimento de movimentos populistas da extrema-direita cujos discursos anti Europa e anti-imigração tentam interpretar o sentimento dos povos, incentivando e fazendo apelo a sentimentos nacionalistas, xenófobos e racistas. Ao mesmo tempo, mascarando-se com roupagens e linguagens de falso apoio ao Estado social, apropriam-se de conceitos e ideias chaves utilizadas pelos partidos de esquerda.

Há dois exemplos que muito nos devem preocupar, a nós portugueses enquanto cidadão de Portugal e pertencentes, quer queiramos, quer não, a uma União Europeia mesmo que a muitos nada diga. O primeiro, na França, parece muito longe mas não é, onde o Partido da Frente Nacional de Marine Le Pen está à frente nas sondagens. É dada como a vencedora das europeias com cerca de 24%, seguida pela UMP (União para um Movimento Popular) partido de direita de Sarkozy com 22%  e, em terceiro lugar, o Partidos Socialistas Francês com 18% a 20%.  A FN atualmente com três eurodeputados está a prever chegar aos 20 eurodeputados nas próximas eleições do dia 25 de Maio.

Na Holanda, o partido da extrema-direita PVV, Partido da Liberdade holandês de Geert Wilders entre outros tais como Liga do Norte italiana, o FPOe Partido da Liberdade da Áustria, o flamengo Vlaams Belang, os Democratas da Suécia e o SNS Partido Nacional da Eslováquia -deverão eleger ao todo cerca de 40 eurodeputados.

É muito natural que, se uma maioria de direita e extrema-direita forem eleitas com maioria de eurodeputados, através de arranjos e combinações de conveniência possam cooperar em matérias vão contra os interesses das populações e da desvalorização do trabalho, direitos sociais e Estado social, o que, se sem dúvida se irá refletir em Portugal.

Atualmente a Frente Nacional encontra-se inscrita no grupo dos "Não Inscritos" no Parlamento Europeu, isto é, não está inserida em nenhum grupo. Todavia, é muito bem possível que as extremas-direitas se unam e forme um grupo próprio como a própria Le Pen já afirmou.

A história tem-nos dados exemplos do caminho a que conduzem os populismo de direita e de extrema-direita e os seus discursos falsamente apoiantes de sistema sociais prósperos, recuperar a liberdade, a segurança e a prosperidade, como a própria Le Pen tem afirmado em campanha eleitoral em França que acabam por desembocar, quase sempre, em ditaduras mais ou menos violentas mas, todas elas ditaduras.

Nós, por cá, parecemos estar longe com tudo isto a passar-se aqui ao nosso lado. Uma forte votação nas esquerdas poderá colocar um pouco de água na fervura das direitas radicais e extras-direitas que, passo a passo, começam a mandar e a comandar a Europa que vai ditar muito de tudo aquilo que não queremos ser e que, ao longo de 40 anos, ambicionámos.

Devemos apelar aos mais jovens, que desconhecem o que é viver com uma extrema-direita a governar o seu país, para estarem alerta para a falsidade dos símbolos verbalizados que lhes propõem, e tão do agrado da juventude, mas que não são mais do que armadilhas para a conquista de um poder que, rapidamente, limitará a democracia utilizando as desculpas do costume… Por exemplo, consensos que partidos de direita pretendem fazer com a esquerda mais moderada, são parte do seu projeto de desvalorização da esquerda afogando-a pelo comprometimento para de certo modo vir a ser limitada a democracia tal qual ela existe.

O que sustenta este tipo de cultura já não são os antigos medos incutidos pelo fascismo mas novos medos generalizados e propagandeados pelos órgãos do poder, e nos ambientes de trabalho, organizando inseguranças que alimentam novos medos como, por exemplo, medo do despedimento, insegurança no trabalho, - estes ao nível das empresas, - a bancarrota, novos programas de assistência financeira, acenar com hipotéticos cenários de despesismo, subida de taxas de juros dos empréstimos, avaliação pelas agências de rating, a insustentabilidade da segurança social e, consequentemente, as reformas atuais do no futuro, etc., etc..  

Estar atento nunca é demais!...

 

Previsão para o Parlamento Europeu 2014

pela POLLWATCH

 

 

 

A verdade das mentiras ou a boa memória

Ao decidir em quem votar é bom recordar e tentar saber quem pronunciou tais frases
Será que podemos acreditar e votar em alguém que diz e promete hoje uma coisa e faz outra quando se apanha no poder? A maior parte das vezes e em campanha eleitoral quase todos os políticos falam muito e fazem pouco, pelo menos os dos partidos que têm tido assento no poder, mas com tal descaramento e quantidade não há memória.

Tente descobrir quem foi o político que proferiu estas frases que mesmo retiradas do seu contexto não alteram em nada o seu sentido.

Será um bom teste à memória, curta que dizem ter o povo, tentar identificar em que contexto político, em que tempo e quem pronunciou estas frases.

Quem pode agora garantir que não irá agora acontecer o mesmo. As eleições europeias são mesmo importantes porque, para além de se discutir a europa vai também estar em jogo o nosso futuro próximo.

Se as não conseguir ler na imagem encontram descritas mais abaixo.

_________________________________--

 

É sempre bom não esquecer:

 

  • A política de privatizações em Portugal será criminosa nos próximos anos se visar apenas vender ativos ao desbarato para arranjar dinheiro.
  • O país tem vindo a fazer poucos progressos no combate à pobreza.
  • Acusava-nos o PS de querermos liberalizar os despedimentos. Que lata.
  • Nunca concordei com taxar cada vez mais os impostos indiretos. Esta prática pode revelar-se profundamente injusta.
  • A ideia que se foi gerando de que o PSD vai aumentar o IVA não tem fundamento.
  • Precisamos de valorizar mais a palavra, para que quando for proferida possamos acreditar nela.
  • Não contarão connosco para mais ataques à classe média
  • Se vier a ser necessário, ainda, algum ajustamento fiscal, a minha garantia é a de que ele será canalizado para os impostos sobre o consumo e não para os impostos sobre os rendimentos das pessoas.
  • Não se pode cortar cegamente.
  • Já ouvi o primeiro-ministro dizer, infelizmente, que o PSD quer acabar com o 13º mês, mas nós nunca falámos disso e isso é um disparate.
  • O PSD aposta no crescimento da economia e aposta em que toda a austeridade seja agora feita pelo Estado e não pelos portugueses. O Estado tem de dar o exemplo. Não devemos aumentar os impostos.
  • O orçamento que foi apresentado na Assembleia este ano, de alguma maneira vai buscar a quem não pode fugir, aos funcionários públicos.  
  • Se eu fosse primeiro-ministro não estávamos hoje com as calças na mão.

 

Todas estas afirmações podem ser confirmadas pesquizando a imprensa da época em que os neoliberais estavam ansiosos pelo poder.

 

Votar nas eleições europeias deve ser o exercício da missão de cidadania europeia

 

 

 Não podemos deixar que esta direita marque pontos a seu favor. Estar atento ao que se passa é uma missão de cidadania, portuguesa e europeia.

Os portugueses vão às urnas dentro de duas semanas para eleger o Parlamento Europeu pela quinta vez desde que é membro de facto da União Europeia.

A participação em eleições anteriores tem sido muito caracterizada pelo abstencionismo. Apenas em 1987 foi a mais baixa, apenas com 27,5%, a partir daí tem vindo sempre a crescer rondando em média os 62%. Isto significa que o que há um pensamento em que prevalece a ideia de que União Europeia está muito longe e em nada influencia a vida em Portugal. Nada mais enganador. Tivemos ao longo dos três últimos anos a prova disso.

Este ano todos devemos ir votar contribuindo assim para que a abstenção diminua o que pode vir a beneficiar este Governo. Como sabemos e temos vindo a sentir por experiência própria a União Europeia não é uma coisa que está muito longe e que em nada interfere connosco. A crise que atravessamos em Portugal tem sido gerida e, não raras vezes agravada, pelo domínio de uma direita neoliberal à qual pertence Durão Barroso e segue tudo quanto lhe é imposto.

A família da direita neoliberal detém uma maioria no Parlamento Europeu que requer, sem demora, seja substituída. Só desta forma alguma coisa poderá mudar na europa e, consequentemente, em países como Portugal.

Os presidentes da Comissão Europeia, com o fim do mandato de Durão Barroso, serão selecionados pelos partidos políticos.

A direita europeia cerra fileiras em todas as frentes para fazer acreditar no sucesso da austeridade nos países do sul e que ela conduziu ao sucesso da recuperação económica nesses países. Basta estarmos atentos aos números estatísticos, às vezes até contraditórios, e às declarações que nos chegam de todos os lados da U.E. e que pretendem demonstrar o sucesso do ajustamento. Até na Grécia passou a estar tudo bem.

Segundo o Le Monde, na abertura da campanha eleitoral do seu partido CDU, Angela Merkel congratulou-se pela saída progressiva da crise na zona euro dizendo que "Estou feliz por termos decidido que a Grécia devia permanecer no euro. A Grécia tomou um caminho difícil, mas nós estavam ao seu lado.". Não é de admirar que, após as eleições, tudo volte ao passado e já nada seja outra vez como é gora.

Por outro lado, há que ter em vista que os partidos da extrema-direita como o de Marine Le Pen da França com o seu discurso social-populista e Geert Wilders da Holanda com o discurso autocrata e xenófobo, pretendem também ganhar o maior número de lugares no Parlamento Europeu.

Faz falta a Portugal e à Europa um novo despertar de modo a bloquear as tentativas que têm vindo ser feitas para a manutenção e reforço no Parlamento Europeu das direitas liberais e neoliberais, alguns com traços autocráticos, com prejuízo, em especial, para os países do sul.

A todos cabe a missão de defender a Europa e fazer soar os toques de rebate. São os jovens e os que agora têm entre quarenta e cinquenta anos e mais que beneficiaram de tudo quanto a Europa ajudou a trazer, desde infraestruturas, passando pelo Estado social até ao elevado nível de escolaridade obtido, e que julgam, erradamente, que são dados como adquiridos. Os últimos anos de governação em Portugal têm demonstrado o contrário pondo tudo em causa e querendo fazer-nos recuar quase aos níveis da pré-adesão.

Não podemos deixar que esta direita marque pontos a seu favor. Estar atento ao que se passa é uma missão de cidadania, portuguesa e europeia. Abstermo-nos é deixar que outros decidam por nós.

 

Composição atual do Parlamento Europeu 

 

 

Sustentabilidade da Segurança Social

 

Quem deseja conhecer o que de facto se passa com a segurança social em Portugal tem neste livro a possibilidade de consultar diversos artigos que desmontam as falácias prpositadamente geradas pelo governo para justificar os cortes e a sustentabilidade que diz não existir. 

Livro de coordenação de Raquel Varela, escrito numa linguagem científica mas acessível, é de leitura ou de consulta obrigatória.

A direita e o "conseguimento" do poder

 

 

A troika foi, em grande parte, trazida pela direita, portanto, teria que libertar-se dela, já que mais não fosse virtualmente.

Todos os que agora querem, advogam, pedem e apelam ao consenso com a oposição para validarem medidas cada vez mais austeras que querem impor aos portugueses são os mesmos que, em 2011, não se interessaram em o fazer.

Obcecados que estavam pelo poder ajudaram a empurrar Portugal para um pedido de resgate de 78 mil milhões de euros da troika que veio de facto a governar secundarizando o próprio governo que, mesmo com a limpeza da saída, por cá vai ficando atrás da porta até 2021.

A política financeira do país, na altura muito pouco cuidada e desastrosa de José Sócrates, pese embora os sinais dados pela Europa no sentido da promoção do investimento público, a verdade é que Passos e Portas, quando decidiram recusar o PEC 4, tinham na mira do poder.

Não se ouviu naquela altura o Presidente da República apelar a quaisquer consensos e entendimentos como o faz agora tão insistentemente querendo ir para além do mero entendimento do DEO (Documento de Estratégia Orçamental).

Teria sido oportuno efetuar um acordo ou um pacto parlamentar que, na altura, evitasse o resgate da troika para que não tivéssemos hoje:

 

O empobrecimento da população em geral.

Um Estado social a enfraquecer bruscamente.

Um aumento dos desempregados cuja baixa se deve a meios artificiais e não por criação de postos de trabalhos reais.

Diminuição progressiva dos apoios sociais.

Cantinas socias cheias pelo que se vangloria o ministro Mota Soares.

Venda das melhores e mais rentáveis empresas do Estado.

Promessas da continuação da austeridade por muitos anos embora a propaganda diga que estamos a começar a entrar no melhor dos mundos e cantam loas de vitórias virtuais.

 

A Espanha, aqui ao lado, lá conseguiu recuperar sem tutelas externas e sem passar por humilhações como aquelas que ainda hoje passamos, como a da ingerência e pressões sobre as nossas instituições democráticas. Durão Barroso descobriu agora o seu país intrometendo-se na política interna, diz e desdiz o que já disse ajudando a que a humilhação continue, e o governo aceita tudo isto como de uma normalidade se tratasse.  

 

A direita bem pode fazer um ato de contrição porque grande parte da responsabilidade pelo que hoje estamos a passar, senão a maior, também é dela.

Os provocadores

Não é por coincidência que se organiza na mesma altura das eleições uma conferência subordinada ao tema "Política Monetária num Contexto Financeiro em Evolução" em que estão presentes Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), e Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia. Porquê e só agora no período de 25 e 27 de maio, sendo o dia 25 em que os portugueses estão precisamente a exercer o seu direito de voto? Porque não antes ou depois? Está bem de ver. Veja-se só a coincidência, inicia-se exatamente no dia do ato eleitoral. Sabendo-se quem está presente podemos inferir de apoio orquestrado à campanha pró-governo.

Isto revela intromissão, provocação sem limites, sem pudor e um desrespeito total pelo direito à independência dos portugueses. Isto é uma forma de pressão do exterior sobre a decisão dos portugueses. E daí ter que concordar com a tomada de posição do Bloco de Esquerda sobre a queixa do Bloco de Esquerda à Comissão Nacional de Eleições.

Pág. 1/2