Sexta-feira, 29 de Março de 2013

O Juízo Final da União Europeia

 

Painel central do tríptico O Juízo Final de Hieronymus Bosch

 

 

"É uma infelicidade da época, que os doidos guiem os cegos."

Shakespear

 





Estamos na Semana Santa, momento de recolhimento, tempo propício para a contemplação de arte religiosa selecione uma obra de arte que me possibilitou uma reflexão política sobre a União Europeia e as políticas atualmente praticadas penalizadores para os sacrificados países do sul, entre os quais Portugal.

A Europa está a ser avassalada por um tornado económico e financeiro que a está a devastar e a encaminhar para uma espécie de Juízo Final, onde os maus, que são os países do sul, gastadores, perdulários, preguiçosos, que vivem acima das suas possibilidades, devem ser condenados ao inferno de uma austeridade sem fim mesmo que tenham passado pelo purgatório do bom comportamento.

Partindo do tríptico do pintor flamengo Hieronymus Bosch (1450-1516), “O Juízo Final”, podemos construir uma representação imagética e metafórica sobre o que hoje se passa na União Europeia. Para tal, basta fazermos, com alguma imaginação, uma leitura do quadro com alguma analogia com a atualidade.

O conteúdo daquela pintura retrata as condições do imaginário medieval, as quais podemos relacionar com os valores da política da União Europeia por via dos factos históricos ocorridos no passado que nos levam a condicionar uma construção comparativa do que se passa no tempo presente.

Prestemos atenção aos pormenores do painel central do tríptico. No plano superior evidencia-se o império celeste com os seus anjos santos e beatos seguidores adoram o senhor. Transpondo para o nível político europeu, ao primeiro nível, símbolo de poder, podemos associar um país dominante e ao segundo nível também ao nível simbólico associamos os que com ele se alinham e giram à sua volta.  

Na parte inferior, abaixo daquele plano mais elevado, uma espécie de vale com ausência de luz, cenário da condenação, onde se vive o quotidiano e onde se encontram todos os que irão ser julgados e condenados. Os castigados, figuras minúsculas preponderantes, que segundo a mitologia grega eram entregues às Erínias, deusas que estavam encarregadas de castigar os crimes e delitos, que eram supervisionadas por Hades, deus impiedoso e imune a preces e a sacrifícios. A analogia estabelece-se aqui com os países do sul, os condenados e o país ou países que supervisionam os castigos, a Alemanha e os seus aliados do euro em substituição de Hades.  

Uma das obsessões da igreja medieval era o Juízo Final, pelo que ensinava aos crentes o caminho a seguir para terem acesso à felicidade eterna, e alertava os pecadores para os castigos que os esperavam se não fizessem penitência. Mais uma vez podemos estabelecer uma associação com a União Europeia, onde a penitência para os países pecadores, são a austeridade, o empobrecimento e o confisco (veja-se o atualíssimo caso de Chipre), decididos por um deus impiedoso.

Se repararmos na faca ameaçadora do canto inferior direito do painel central, podemos fazer, com um pouco de imaginação, uma associação à ameaça dos cortes orçamentais a que são obrigados os condenados, países que viviam acima das suas possibilidades.

É bom recordarmos que, se tudo correr como está previsto, a formalização da adesão da Croácia à União Europeia far-se-á em 1 julho de 2013 se todas as etapas necessárias correrem sem imprevistos. Assim acontecendo, a Croácia vai entrar para o mesmo inferno onde nós estamos ficando, mais tarde ou mais cedo, sujeita aos mesmos castigos.

Publicado por Manuel Rodrigues às 23:49
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Quarta-feira, 27 de Março de 2013

Salazar e a liberalização das rendas

http://rendarroios.blogspot.pt

 

Costumo ver quase sempre o programa “Governo Sombra” da TVI24 com  Ricardo Araújo Pereira, Pedro Mexia e João Miguel Tavares moderado por Carlos Vaz Marques. É um programa que, com algum humor, fala de coisas sérias da nossa vida política que vejo com algum agrado, apesar de nem sempre estar de acordo com algumas opiniões manifestadas. Mas, para ouvirmos ou vermos comentadores e debates políticos, temos que ter estrutura psicológica e paciência para suportar mesmo o que não gostamos ou com que não concordamos.

 

João Miguel Tavares é um liberal, como ele próprio se define e, como tal, tenta defender posições de acordo com a sua orientação política e ideológica. Sobre isto nada a dizer. O nome do João Miguel Tavares surge apenas como mote para este meu comentário sobre a Lei das rendas.

 

Numa das últimas emissões que vi daquele programa, Miguel Tavares, a propósito de um tema que se estava a debater, referiu-se ao congelamento das rendas que Salazar impôs, coisa que, para ele, Tavares, era inadmissível. É uma posição que, como tal, deve ser respeitada.

 

Mas o que é mais importante é saber qual a causa do congelamento das rendas de casa. Salazar tinha pavor à inflação, apesar de quase inexistente, que adviesse da pressão sobre o aumento dos salários. O funcionalismo público era mal remunerado, mas tinha mais regalias sociais, embora poucas, do que o setor privado. Deste modo, o congelamento das rendas tinha como objetivo garantir a habitação mantendo salários baixos. Aliás, naquele tempo, para se alugar uma casa tinha que se ter um fiador, mas para quem era funcionário público não era necessário. Nos anos 50 desse século foi aprovada a lei da renda limitada para habitação, cuja construção teria que obedecer a certas caraterísticas.  

 

A partir de 1981, as rendas foram liberalizadas e apenas condicionadas (não congeladas) a arrendamentos anteriores àquele ano.

 

Isto é, a liberalização das rendas, denominada lei das rendas tal como ela se encontra, vai atingir os mais frágeis que não têm possibilidade de defesa dos seus interesses quer devido a dificuldades financeiras, quer por desconhecimento de como agir para sua defesa.

 

A crise é para todos quer para inquilinos, quer para senhorios, mas não podemos defender uns da crise em detrimento de outros. Não foi por acaso que todos os governos falavam da necessidade de mexer no mercado de arrendamento mas só muito timidamente o fizeram porque sabiam que, qualquer mexida, teria consequências sociais graves. Estamos a ver agora as situações complicadas que, combinadas com o aumento de impostos, não são sustentáveis para a maior parte dos inquilinos afetados, criando problemas sociais, de coesão e de estabilidade social.

 

Os subsídios de apoio às rendas, para casos muito específicos que o Governo apregoa, é mais uma despesa para o Estado coisa que têm vindo sistematicamente a combater e a reduzir por falta de disponibilidade financeira. Não se percebe, corta-se na farinha e gasta-se mais no farelo.

 

Por outro lado, a questão que se levanta é a de saber se devem os senhorios ser transformados em entidades de assistência social da habitação. Todavia, tendo em conta a situação económica do país, a quebras de salários e de regalias sociais, o empobrecimento e o desemprego, talvez não seja despiciendo o Governo começar a pensar em soluções salazaristas!

 

Não está aqui em causa a apologia das rendas congeladas. O que está em causa é o ambiente social que se vive atualmente em que se reduzem os rendimentos às famílias e se deterioram as atividades económicas fazendo aumentar o desemprego enquanto os subsídios de desemprego são reduzidos, se cortam e retiram subsídios às pensões de reforma, outras são congeladas e se diminuem rendimentos aos funcionários públicos. Caminha-se para uma situação idêntica à da época de Salazar através do retrógrado empobrecimento da maioria dos portugueses pelo que se podem encontrar possíveis semelhanças entre as duas épocas, salvaguardando a respetiva relativização temporal que podemos definir como sendo a forma como a sociedade e a política e os ritmos específicos das relações sociais do passado e do presente se organizam.



 

Publicado por Manuel Rodrigues às 19:39
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Domingo, 24 de Março de 2013

Como seria o Governo de Passos Coelho sem resgate da Troika


O programa do PSD e deste Governo assentariam sempre na aplicação das mesmas premissas ideológicas ultraliberais mesmo que não tivessem existido os precedentes governativos que, de forma cansativa, tantas vezes referem.

 

 

 Imagem de: http://pyn-guyn.blogspot.pt/

 

 O que aconteceria se o governo atual (PSD e CDS) estivesse a governar sem a ajuda internacional da “troika”e com Passos Coelho como primeiro-ministro? Como nos encontraríamos agora? O que faria então o governo?

 

Tendo em conta as declarações atuais e os responsáveis pelo governo e os seus comentadores políticos a culpa é da “troika” e da intervenção externa que nos obrigou à perda de soberania e, por tal são justificadas as medidas até agora adotadas.

Sem a intervenção da “troika” que medidas e que caminho teria então tomado o Governo para equilibrar as finanças públicas e reduzir o défice para 3% a que obriga a EU? Com grande probabilidade seriam precisamente as mesmas das que tomou

com a presença da “troika”.

Vejamos então. Em 19 de maio de 2011 Passo Coelho apresentou, num hotel em Lisboa, as linhas mestras do programa eleitoral do PSD. Afirmou então com pena convicção que “este programa está muito além do memorando da troika”. Facilmente se poderá concluir que, com ou sem a “toika”, o programa do PSD seria, na prática, o mesmo que tem vindo a aplicar.

Para corrigir as conta públicas estava também implícito no programa do PSD que haveria na mesma cortes no Estado Social, redução das despesas do Estado e, consequentemente, cortes nos salários, nas reformas, nas pensões e dispensa de trabalhadores do setor público.

Quanto às privatizações o programa do PSD, pela voz de Passos Coelho, referia que “o plano de privatizações da troika não defende todas as privatizações. Nós queremos que isso se estenda aos órgãos de comunicação social.”. Referia ainda Passos Coelho que o país tinha um nível de desemprego que ameaçava a coesão e a justiça social pelo que era necessário colocar a economia portuguesa a crescer. Considerando que, como premissa inicial, o programa do PSD iria fazer reformas estruturais que iriam para além da “troika” como ele afirmou, logo, a aplicação das suas medidas, mesmo sem a “troika”, iriam conduzir aos mesmos resultados, isto é, o aumento desenfreado do desemprego como o  que se verifica atualmente.

O programa de governo do PSD/CDS entregue na Assembleia da República em 28 de junho de 2011 confirma o que se acaba de referir. É portanto, fácil concluir que, mesmo sem a “troika”, estaríamos na mesma situação em que nos encontramos ou pior ainda, mesmo que não tivéssemos a dívida e os juros adicionais que somos obrigados a pagar às instâncias internacionais devido à assistência a que estamos sujeitos.

Em conclusão, mesmo sem a “troika”, as medidas que foram tomadas e as que ainda irão ser tomadas por este Governo, e que nos afetam a todos, seriam as mesmas. Portanto, a responsabilidade da destruição do tecido social e empresarial não é nem só da “troika” nem só dos governos seus antecessores. Que fizeram mal já nós sabemos, mas não justifica tudo. O programa do PSD e deste Governo assentariam sempre na aplicação das mesmas premissas ideológicas ultraliberais mesmo que não tivessem existido os precedentes governativos que, de forma cansativa, tantas vezes referem. 

Publicado por Manuel Rodrigues às 22:46
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Quarta-feira, 20 de Março de 2013

Os bons e os maus desenhos segundo Catróga

O Dr. Euardo Catróga deu ontem, numa entrevista à TVI24, uma figura caricata ao tentar justificar, atabalhoadamente, o mau desenho do programa da “troika” que só agora o PSD descobriu estar mal desenhado. Tendo gasto o tempo num “déjà-vu” de regresso ao passado e sobre a história da causa da intervenção da “troika” que os portugueses já se fartaram de ouvir, o que levou o entrevistador, e muito bem, a recordar-lhe que se situasse no presente. Descobriu também ao fim de quase dois anos que o programa deia ser reajustado, como se fosse coisa que nunca se tivesse ouvido falar.

Por motivos patrióticos, dizia ele, é que o PSD e o CDS assinaram aquele memorando. Omitiu, ostensivamente o facto de, após a assinatura, ter feito declarações nos órgãos de comunicação, que podem ser comprovadas, onde claramente dizia que o memorando tinha sido melhorado devido à intervenção do PSD o que pode ser confirmado, entre outros, no Jornal Público Economia de 3 de maio de 2011. Como estas há muitas mais mas é gastar espaço e tempo, não merecidos, a citá-las.

Os portugueses também não esqueceram que o próprio primeiro-ministro Passos Coelho disse que “temos que ir para além da troika” e que o memorando era o programa de governo do PSD.

Na sua entrevista teve ainda tempo para tecer elogios ao ministro Vítor Gaspar defendendo até que as previsões como as que ele apresentou deviam ter um intervalo como por exemplo entre 1 e -3. Estão a ver não é? Quando falhassem estavam sempre dentro do previsto, logo estariam sempre certas. Estará por acaso à espera que se lhe atribua um outro grande lugar bem pago, seja onde for? É por gente como esta que nós estamos a ser governados.

O Dr. Catróga, na altura o coordenador do programa eleitoral do PSD, não pode agora colocar-se de fora. Mostrou que, para além de uma atitude facciosa, gastou o seu tempo de antena com minudências para não utilizar um palavrão por ele empregue na SIC Notícias na altura em que se discutia o memorando em 2011.

Publicado por Manuel Rodrigues às 20:40
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Terça-feira, 19 de Março de 2013

O boicote pode ser uma forma de poder dos povos

O povo, mesmo em democracia parlamentar, tem mais poder do que se julga. Existem várias formas de pressão e de mostrar o descontentamento popular para além das manifestações pacíficas em massa, das revoluções, como forma de insurreição, e da revolta, enquanto sublevação, estas duas últimas normalmente utilizadas em casos extremos.

Uma outra forma de pressão para mostrar o descontentamento popular e mais eficaz em contexto como aquele que se vive atualmente é o chamado boicote. O boicote pode ser considerado como um ato cívico de recusa de relações por razões económicas ou sociopolíticas com um individuo, grupo de pessoas, empresa, organização ou país como forma de protesto.

Nos Estados Unidos da América a utilização desta prática é comum, nomeadamente pelas donas de casa, contra determinados grupos económicos de venda a retalho, banco, etc.. Veja-se o que seria, durante vários dias, semanas ou meses, o boicote a um ou vários produtos ou serviços por descontentamento com a qualidade, preço ou quaisquer outros motivos.

Há sempre opções para substituição optando, temporariamente, por outros produtos ou locais de venda como o pequeno comércio ou outros bancos

Vem tudo isto a propósito da colagem que o terceiro empresário mais rico de Portugal que detém os Hipermercados Continente e Worten faz a Passos Coelho e ao Governo ao afirmar:

"Diz-se que não se devem ter economias baseadas em mão-de-obra barata. Não sei por que não. Porque se não for a mão-de-obra barata, não há emprego para ninguém".

Esta afirmação contraria o que sindicatos e organizações empresariais têm vindo a afirmar. Compreende-se que seja um dos homens mais ricos de Portugal acumulando riqueza com o trabalho e com a exploração dos seus fornecedores.

Sou cliente mais ou menos assíduo do Continente e embora a declaração de Belmiro de Azevedo não me afete pessoalmente, a partir de hoje, não irei comprar mais naquelas superfícies comerciais.

O boicote com razão, seja ao que for, quando tem um apoio coletivo, tem muito mais força do que uma manifestação pontual mesmo que congregue muita gente.

O que se diz para o comércio é aplicado à banca ou a qualquer outro serviço público ou privado. Imagine-se, por exemplo, um boicote a tudo o que fosse de origem alemã.

É preciso que as populações se apercebam que têm um poder nas mãos. 

Publicado por Manuel Rodrigues às 18:15
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Segunda-feira, 18 de Março de 2013

Os partidos também têm a sua zona de conforto

Imagem de: http://www.ctvclic.com/cccss/blog-21.05.2009.htm


 

Começa a ouvir-se e a escrever-se por aí contra o sentimento anti partidos e anti políticos que se está a gerar na sociedade sustentando que não há democracia sem partidos. Não haver democracia sem partidos é um facto pelo que, não devemos deixar que esse sentimento alastre por ser terreno propício ao estabelecimento de ideias mais ou menos populistas que, posteriormente, poderão gerar ditaduras ou “democracias musculadas”(?).

 

Tem-se desde há muito divulgado a ideia de que há partidos a mais, que os partidos não se entendem, etc.. Mas, por outro lado, avançam com a ideia contraditória de que estes partidos não nos representam e que nos enganam. Quanto à ideia de que os partidos não se entendem parece ser um pouco anedótico, pois se eles existem é porque têm princípios, propostas e programas diferentes de governo, caso contrário entraríamos num conceito de “união partidária” do tipo quase união nacional. Outra coisa são alianças partidárias pontuais por vizinhança ideológica, como é a do caso que nos governa. Mais difícil é fazer alianças quando há antagonismos ideológicos e programáticos mas, mesmo assim, é provável.

 

O que não é democrático é que partidos instalados, ou os seus elementos, venham opor-se publicamente, através de órgãos de comunicação, à constituição de novos partidos ou movimentos organizados de cidadãos , como se tem visto recentemente, com as ofensivas despropositadas a um manifesto subscrito de 60 cidadãos bem conhecidos que foram ou são de partidos diferentes.

 

Para vermos o que se está a passar com a democracia até o Tribunal Constitucional invalidou duas propostas para criação de partidos. Marinho Pinto, pessoa com cujas posições nem sempre concordo, também se insurgiu.  

 

Apesar de ser apenas um manifesto, acusam os seus promotores de se “aproveitarem da angústia e desespero das centenas de milhares de pessoas que têm vindo a manifestar-se contra este sistema… para proveito próprio”. Esta citação é de um elemento do PCP que, decerto, receia que alguém “fuja” para apoiar o manifesto.  

 

Os senhores que se levantam e indignam com este manifesto e com outros partidos e movimentos que possam surgir tendem logo a compará-los, sem qualquer argumento válido, a um partido que surgiu em Itália, liderado por um comediante que dá pelo nome de Beppe Grillo. Mas a realidade é que, não é apenas em Itália que há comediantes políticos, em Portugal existem há muito, e andam por aí.

 

Porque será que manifestos, movimentos e novos partidos assustam os já instalados que têm partilhado o poder e, também, os que, sistematicamente, se encontram na oposição? O receio da perda e dispersão de votos dos eleitores é a resposta. Novos partidos ou movimentos não são bem-vindos pelos partidos quer de direita, quer de esquerda, que se encontram mais ou menos na sua zona de conforto, (pegando na frase do malquisto Passos Coelho). Por fim, e é apenas uma constatação, enquanto a direita tende a unir-se a esquerda tende a dividir-se.


Publicado por Manuel Rodrigues às 19:28
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Domingo, 17 de Março de 2013

O caso do memorando mal desenhado

Imagem de: http://sergeicartoons.blogs.sapo.pt/arquivo/2004_10.html

Miguel Frasquilho ao comentar frente as câmaras de televisão o resultado da conferência de imprensa de Vítor Gaspar sobre a 7ª avaliação da “troika” proferiu publicamente o maior disparate ao dizer que tudo o que se está a passar com o memorando é porque ele foi mal desenhado no seu início. Desculpa mais inconsistente não poderia existir. O Deputado Frasquilho veio apenas demonstrar que tem memória curta e que a desorientação em que se encontram os deputados que apoiam o governo estão sem controle já que recorrem a argumentos insustentáveis. Embora já comece a não ter qualquer impacto estar continuamente a recorrer ao passado como desculpa para o presente, fazer afirmações como aquelas apenas comprometem o PSD e o CDS.

Senão vejamos, cronologicamente, através da imprensa ao tempo das negociações do memorando, quem esteve envolvido nessas negociações e quem as reivindicou como tendo tido grande influência nas mesmas.

Depois de se lerem estas declarações não vale a pena fazer maios comentários. Cada um tirará as suas ilações.

 

12 de Abril de 2011

Jornal i

Passos Coelho disse ontem em entrevista à TVI que vai esperar que o governo assuma a sua responsabilidade de negociar com o FMI, mas deixou um alerta a José Sócrates: "Não há acordo sem o PSD."

Passos Coelho confirmou que será a equipa que está a preparar o programa de governo dos sociais-democratas, liderada por Eduardo Catroga, que irá depois negociar o acordo de ajuda externa a Portugal, que deverá passar por uma "verdadeira austeridade para o Estado, mas não mais para os cidadãos".


19 de Abril de 2011

Jornal i

A equipa do PSD que está hoje a discutir com o FMI, BCE e Comissão Europeia as condições do resgate financeiro de Portugal é composta pelos economistas Eduardo Catroga, Abel Mateus e Carlos Moedas, disse à Lusa fonte do partido.

A 'troika' do FMI, Banco Central Europeu (BCE) e Comissão Europeia chegou à sede do PSD cerca das 09:30.

 

3 de Maio de 2011

Jornal SOL

Catogra negociação foi essencialmente influenciada' pelo PSD.

 

O economista Eduardo Catroga afirmou hoje que a negociação do programa de ajuda externa a Portugal «foi essencialmente influenciada» pelo PSD e resultou em medidas melhores e que vão mais fundo do que o chamado PEC IV.

Afirmou ainda que o PSD terá autonomia, se for Governo, para substituir eventuais «medidas penalizadoras para os portugueses» do programa de ajuda externa a Portugal por outras que cumpram os mesmos objetivos

 

3 de Maio de 2011

Jornal Público Economia

O economista Eduardo Catroga afirmou esta terça-feira que a negociação do programa de ajuda externa a Portugal "foi essencialmente influenciada" pelo PSD e resultou em medidas melhores e que vão mais fundo do que o chamado PEC IV.

Numa declaração aos jornalistas, em nome do PSD, na sede nacional dos sociais-democratas, em Lisboa, Eduardo Catroga considerou que a revisão da trajetória do défice foi uma "grande vitória" dos sociais-democratas.

Segundo Eduardo Catroga, o primeiro-ministro, José Sócrates, agora apresenta-se "como vítima e como vencedor de uma negociação que foi essencialmente influenciada pelo principal partido de oposição".

 

3 de Maio de 2011

Diário de Notícias


O economista Eduardo Catroga afirmou hoje que o PSD terá autonomia, se for Governo, para substituir eventuais "medidas penalizadoras para os portugueses" do programa de ajuda externa a Portugal por outras que cumpram os mesmos objetivos.

Numa declaração aos jornalistas, sem direito a perguntas, na sede nacional do PSD, em Lisboa, Eduardo Catroga referiu ter defendido este princípio de autonomia junto da "troika" composta pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Central Europeu (BCE) e Comissão Europeia (CE), "independentemente dos objetivos que vierem a ser definidos para o período 2011-2014".

"E houve uma adesão a este princípio de que o PSD, se for Governo, fica com autonomia para propor um novo 'mix' de políticas, se por acaso aparecerem amanhã [quarta-feira] surpresas de medidas penalizadoras para os portugueses", acrescentou o antigo ministro das Finanças.

"Negociação foi essencialmente influenciada" pelo PSD

Eduardo Catroga considerou que a revisão da trajetória do défice foi uma "grande vitória" dos sociais-democratas.

 

4 de Maio de 2011

Jornal Público


Eduardo Catroga, que lidera a equipa do PSD no encontro desta manhã com atroika, afirmou à entrada para a reunião que o acordo alcançado ontem entre Governo e a Comissão Europeia, Banco Central Europeu (BCE) e Fundo Monetário Internacional (FMI) “é preferível ao chamado PEC 4”.

Mesmo com a assinatura de um acordo, o economista sublinhou que não deixará de “fazer reservas técnicas” ao documento.

Depois de conhecidas algumas das medidas que fazem parte do acordo de ajuda financeira anunciadas na noite passada pelo primeiro-ministro, José Sócrates, Eduardo Catroga afirmou que estas são melhores do que algumas das inscritas no PEC 4. “O modelo é preferível ao chamado PEC 4”, considerou, acrescentando que este será “um processo mais interessante do ponto de vista estratégico para a economia portuguesa, cujo principal problema o crescimento económico”.


4 de Maio de 2011

Diário Económico


Governo diz que conseguiu "um bom acordo". Catroga garante que posições do PSD foram cruciais para o resultado final.

Ontem, quando Sócrates anunciou o acordo com a ‘troika', começou por dizer que o governo tinha conseguido "um bom acordo." Minutos depois, Eduardo Catroga puxou para o PSD o resultado das negociações. "A negociação foi essencialmente influenciada pelo principal partido da oposição"


4 de Maio de 2011

Jornal Expresso


Eduardo Catroga disse que a revisão da trajetória do défice foi uma "grande vitória" do PSD, sendo que o acordo entre o Governo e a troika é "melhor que o PEC IV"

O economista Eduardo Catroga afirmou que a negociação do programa de ajuda externa a Portugal "foi essencialmente influenciada" pelo PSD e resultou em medidas melhores e que vão mais fundo do que o chamado PEC IV.

O antigo ministro das Finanças alegou que a "troika" composta pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), pelo Banco Central Europeu (BCE) e pela Comissão Europeia (CE) percebeu a "estratégia diferenciadora" do PSD "quanto à qualidade da consolidação  orçamental, quanto à necessidade de virar agora a austeridade, não para as pessoas, mas para o Estado, quanto à necessidade de a austeridade ter mais justiça social".

"O Governo perdeu a batalha de querer convencer que as medidas do PEC IV eram as melhores para o país, de que a trajetória do défice o público era a melhor para o país, perdeu a batalha de não considerar conjuntamente com as medidas de austeridade do Estado", defendeu.

De acordo com Eduardo Catroga, as "informações gerais" que foram hoje conhecidas sobre o programa de ajuda externa a Portugal mostram que "o chamado PEC IV estava ultrapassado e que as medidas nele constantes eram insuficientes, na medida em que há um  reconhecimento de que o défice para 2011 é bastante superior".

"Como também se conseguiu demonstrar, como, aliás, o presidente do PSD em tempos já tinha dito, que era necessário rever a trajetória do défice que o Governo, inconscientemente, tinha acordado com Bruxelas", disse.

Publicado por Manuel Rodrigues às 17:16
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Sábado, 16 de Março de 2013

Estes partidos que nos governam

Reprodução: Agência Brasil


 

O que mudou no PSD nos últimos 20 anos que o conduziu a um programa e a políticas que nada têm a ver com a sua matriz ideológica que foi proposta aos portugueses e que nele acreditaram e votaram? A proposta do antigo PSD de um País, um Governo, um Presidente nada tinham a ver com esta falsidade que estes senhores criaram destruindo parte da base do apoio eleitoral do partido.

 

Tendo em conta afirmações de alguns “sujeitos”, há muito infiltrados no PSD que têm publicamente defendido posições políticas neoliberais radicais, podem colocar-se várias hipóteses explicativas e possíveis para a mudança de rumo do autêntico PSD. A que mais se poderá adequar é a de que, no PSD, se encontravam latentes, em alguns dos seus militantes mais antigos, ideias neoliberais radicais que foram catalisadas por outros militantes mais jovens, alguns oriundos da JSD, a quem foram impingidas teorias neoliberais radicais com uma visão distorcida da realidade portuguesa e absorvidas sem qualquer espírito crítico a serem aplicadas num curtíssimo espaço de tempo isto é, se possível numa legislatura de tal modo a impossibilidade de retrocesso, dificultando assim no futuro a governação por outras áreas ideológicas, nomeadamente do Partido Socialista, enquanto parido de alternância.

 

Em “posts” anteriores já associei a política de Passos Coelho àquela que Margarete Tatcher adotou para pôr em prática no Reino Unido nos anos oitenta do século passado que conduziram o país a um desastre social do qual, ao fim de todos estes anos, ainda não se libertou. Temos que ter em conta que, nos anos oitenta, aquelas políticas foram um fracasso apesar de os contextos e as condições políticas internacionais serem mais favoráveis.

 

Desconheço se Passos Coelho tem alguma noção histórica do que foram esses tempos, pois teria apenas uns vinte e poucos anos e se alguma vez se interessou por saber. Tendo em conta alguns economistas da sua área política que dizem que a história não serve para nada, é natural que não saiba. O certo é que ele e os seus protegidos do Governo (resta saber quem protege quem) pondo acima de tudo as ideologias politicas e económicas que professam, estão a conduzir Portugal para um caminho que, a continuar assim, será pior do que o da Grécia. Apenas com uma diferença, é que as políticas seguidas estão a ser implementadas com alguns adiamentos para que estertor não seja tão rápido. O receituário é o mesmo da Grécia, o que difere é apenas a posologia da medicação que passa a ser mais espaçada para que o doente sinta mais tarde os efeitos colaterais da morte.

 

O que é preocupante é que possam ainda existir portugueses que, de boa-fé, ao tencionarem votar no PSD, acham que estão a votar num partido em que acreditavam e que vai resolver os problemas para o desenvolvimento do país. Desenganem-se porque o tempo desse partido já lá vai! Proponho, assim, a mudança do nome de PSD para PUP-Partido Ultraliberal de Portugal para quem ainda tencione votar neste partido.


Publicado por Manuel Rodrigues às 15:28
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Quarta-feira, 13 de Março de 2013

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Imagem de: http://marx21.com/category/economia-e-politica-no-brasil/page/2/


 

Já lhe chamaram o profeta da desgraça. Sem quaisquer propósitos ofensivos para o Dr. Medina Carreira, sempre que o vejo às segundas-feiras na TVI24, não sei porquê, lembra-me antes aquele tipo de cientista louco das obras de ficção que, nos seu laboratório secreto (no caso dele deve ser o escritório), procura transformar a realidade através de manipulações mirabolantes, quer preparando cadinhos de poções mágicas, quer fazendo operações macabras para dar vida ao que é inanimado. Tal como um Dr. Jekyll/Dr Hyde, de Louis Stevenson, que escreveu a história do médico Jekyll, honesto e virtuoso que se transforma em Mr. Hyde de natureza má, ou um Dr. Frankestein, de Mary Shelley, que pretendia criar vida a partir de corpos inanimados.

 

Ora no caso do Dr. Medina Carreira as suas experiências partem da elaboração de gráficos que prepara de acordo com a sua sabedoria e tempera de modo a criar polémica e entretenimento televisivo. Outras vezes, menos polémico, trás a acalmia às hostes dos seus opositores. Os ingredientes básicos, neste caso os números, com que ele prepara os gráfico, podem estar e estão com certeza certos, apenas lhes faltam outros ingredientes necessários para se fazerem análises macroeconómicas com rigor.

 

Traçar gráficos de linhas de evolução de variáveis ou de barras comparativas é fácil. Qualquer aluno do primeiro ano da universidade quando apresenta os seus primeiros trabalhos é assim que faz. Para que se seja rigoroso o importante é, a partir do histórico determinar as causa, fazer o diagnóstico e, posteriormente, projeções. Não basta lançar gráficos do histórico é também necessário correlacionar as varáveis e indicadores sociais e macroeconómicos, comparar com outros países do mesmo grupo, fazer projeções e arranjar alternativas inovadoras, tudo o resto é mais ou menos tendencioso e não passa de um programa televisivo para subir audiências.

 

Na passada segunda-feira, ao falar das pensões de reforma e de eventuais cortes, foram lançados para a mesa números sobre pensões pagas a partir dos três mil euros, ao que o Dr. Medina Carreira respondeu prontamente que isso de cortar naquelas pensões não adiantava nada, o corte tinha que ser feito nas pensões mais baixas. Claro que, em termos globais, havendo menos pensionistas a receber valores mais elevados a verba será pouco significativa. Mas o espantoso é a forma como rapidamente tentou escusar cortes naquelas pensões. Estando ele reformado, como se pensa, e auferindo possivelmente pensão superior a três mil euros percebe-se.

 

 Não acham genial?  


Publicado por Manuel Rodrigues às 17:47
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Em política não se pode ter memória curta

Nada é tão admirável em política quanto uma memória curta

John Galbraith

 

Dois anos após da tomada de posse deste Governo é bom que nos lembremos que os partidos que agora estão no poder estiveram, não ainda há muito tempo, na oposição. Nessa altura, em que o desvario de José Sócrates, falava na construção de um TGVs, num novo aeroporto, na reconversão da escolas, em que gastou dinheiro em acabamentos luxuosos. Falava-se ainda na construção de uma nova ponte sobre o Tejo, tudo para estimular a economia.

Na mesma altura, o PSD e o CDS então na oposição criticavam, e com razão, todos aqueles investimentos que achavam desnecessários e despesistas. Indignados criticavam tudo o que fosse estímulo à economia via investimentos do Estado. Não foram contudo tão perentórios a criticarem na mesma altura as PPP.       

O que se começa a delinear agora é que os partidos do Governo, PSD e CDS, estão a pegar no que antes criticavam para, segundo eles, se começar a impulsionar a economia, como se antes não fosse também um dos motivos que justificassem os referidos projetos no tempo de José Sócrates. Abre-se novamente o balão de oxigénio do governo. Retomam-se então, embora com outros nomes, projetos como o de relançar a construção e o imobiliário (lembram-se da requalificação escolar?), o do comboio de mercadorias para alta velocidade para ligar a Espanha (caso do TGV mas agora com nome mais “rasca” para não levantar dúvidas), a retoma do novo aeroporto de Alcochete do qual se volta a falar nos gabinetes, o novo porto da Trafaria na margem sul do Tejo, com impactos ambientais negativos e que, para distribuir mercadorias para norte, vai ser necessário arranjar novas vias de comunicação ferroviárias e rodoviárias (nova ponte sobre o Tejo ou qualquer outra coisa). Tudo obras públicas que este Governo combatia a pés juntos.

Cabe perguntar quem irá ganhar com os estudos caríssimos destes projetos que se irão encomendar a gabinetes privados. Com certeza alguns que estão à espera de arrecadar dinheiro (de todos nós) que o Estado irá pagar para, no final, se chegar à conclusão de que não temos dinheiro suficiente para os tais projetos Mas têm sempre a hipótese de constituir mais PPP´s gravosas como o foram no passado e continuam a ser, justificando que sai mais barato e é mais eficaz. Então para o seu cumprimento virá mais austeridade e aumento de impostos e taxas. Foi assim no passado e irá ser assim no presente e no futuro!

Não podemos esperar sentados para ver. Temos que estar alerta para tudo e participarmos nos movimentos cívicos que se organizem para que a mesma receita não se repita, e não nos enganem novamente, desta vez, com outros que tais…  

Publicado por Manuel Rodrigues às 15:55
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Segunda-feira, 11 de Março de 2013

Os judas da política

 

Ao aproximarmo-nos da Páscoa vem a propósito recordar o símbolo da amizade falsa, da hipocrisia e da traição que é representado na cultura judaico-cristão por Judas, que entregou Jesus Cristo aos romanos a troco de “trinta dinheiros”.

Na política encontramos vários “judas”, que sendo militantes bem colocados no aparelho dos partidos, espreitam a cada passo a ocasião oportuna para trair, normalmente os seus líderes com o objetivo de, posteriormente, virem a receber os “trinta dinheiros” que serão o pagamento pela traição.

Se ouvirmos falar alguns nomes relevantes desses partidos, e deixemo-nos de metáforas, nomeadamente do Partido Socialista, ficamos estarrecidos quando os vemos colocarem-se numa postura de falsa independência, democracia e do tudo a bem dos portugueses. Em vez de uma oposição ao Governo, fazem ante uma tentativa de colagem. Vou ser mais claro; não fazem nem colaboram com unanimidade numa oposição ao Governo, antes tentam mostrar que, em vez de oposição, o que se deve fazer é um entendimento estratégico com o PSD em nome, dizem, do interesse nacional. O que se espera disto será talvez o posterior recebimento dos tais “trinta dinheiros” pagos em cargos políticos ou outros com que, esperam, alguém os recompensará mais tarde! E isto, numa altura em que este Governo está a ser cada vez mais contestado e é necessária uma oposição forte de alternativa convicta e sistemática e, ao mesmo tempo, responsável em vez de tentar desgastar a pouca que se lhe faz.

São eles alguns senhores do PS, anteriormente apoiantes de José Sócrates, que se transformaram e agora, de forma subtil, vão lançando para opinião pública a ideia de que nem tudo está mal, que o Presidente da República faz bem em não falar muitas vezes, que talvez o que seja necessário seja uma cooperação com o Governo em várias matérias, porque é necessária para a coesão nacional e para o bem de Portugal, etc., etc.. Estamos já mesmo a ver o que isto nos traria. Estamos fartos de boas intenções, enganos e de promessas não cumpridas. A quem me estou a referir? A ninguém especialmente. No PS cada um que enfie a carapuça que lhe couber.

Publicado por Manuel Rodrigues às 17:13
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Domingo, 10 de Março de 2013

A que tipo de austeridade nos podem levar consensos

Imagem de: http://cidadedegente.blogspot.pt

1. Os porta-vozes dos partidos que apoiam o governo, esgotados os argumentos às críticas que fazem ao Governo e ao Primeiro-ministro, voltam-se agora novamente para o passado, único argumento que conseguem tirar da manga do casaco. Está já gasta a recuperação do como e do porquê chegámos até aqui. Basta! Já sabemos como se chegou até aqui. O que os portugueses mais querem é que nos tirem daqui e não nos prometam à custa de sacrifício e austeridade, quimeras e prosperidade num futuro que sabemos não chegará.


2. Tenho escrito várias vezes contra os comentadores políticos e contra os chamados líderes de opinião que defendem, no direito democrático de expressão do seu pensamento, alguns pontos de vista numa falsa perspetiva de a bem do país.

Encontram-se neste quadrante os que falam em nome dos que apelidam de sensatos porque não participam em manifestações, se encontram alheios ou ficam perplexos com o que se passa. Como supostos intérpretes dos pensamentos destes grandes grupos onde se dizem estar incluídos, apresentam alternativas em que a economia não seja o único critério para a governação devido à complexidade das relações sociais moderna. Neste último ponto estamos de acordo. O que parece ser duvidoso e me deixa perplexo a mim, e não sou dos que pensam que se devem deixar de cumprir os nosso compromissos, é quando afirmam que há necessidade de um consenso político que tenha como pano de fundo o memorando assinado com a “troika”.

Sugerem ainda que esse consenso deveria ser obtido através da ação presidencial. Não fica claro que tipo de consenso seria esse. De salvação nacional com todos os partidos? Não vejo isso como possível visto implicar a aceitação por todos das condições impostas que seguem a linha, segundo a qual o primeiro-ministro diz estar no bom caminho. Um consenso alargado entre os partidos do Governo e o Partido Socialista que deveria ser forçado pelo Presidente da República? Isto é, implicar e envolver o PS nas medidas que irão ser tomadas e, então, todos os portugueses descontentes iriam aderir e apoiar apenas porque muitos deles se calavam e passariam a sofrer em silêncio e deixar de encher as ruas com o seu clamor de protestos. Os senhores que apoiam este tipo de políticas são de facto líricos ou receiam o avanço eleitoral dos partidos mais radicais de esquerda.


3. Não nos podemos esquecer que o Presidente da República, em circunstância idênticas, na altura do anterior governo, do qual dizia-mos, e na altura com razão, estar fartos, tecia críticas em tons particularmente violentos ao ex-primeiro-ministro Sócrates que ajudou indiretamente a derrubar. Agora a sua orientação é outra. Fala de uma necessidade de “solidez e consistência da coligação governativa” do imperativo da “coesão nacional, que não se esgota na concertação social” e do “consenso político alargado com as diversas sensibilidades da sociedade portuguesa”. Atitude diferente da anterior. Como Presidente de todos os portugueses, facciosismo não lhe falta.

Em síntese a quem serviria um consenso alargado onde as políticas seriam mais ou menos as mesmas mas apoiadas por mais um partido?


Publicado por Manuel Rodrigues às 19:45
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Quarta-feira, 6 de Março de 2013

A memória curta de Paulo Portas e do CDS/PP

Imagem de: http://www.opolvodanoticia.com/

 

 Tudo o que Paulo Portas diz ou venha a dizer é meramente propaganda e marketing. Aliás, basta recordarmos tudo o que dizia quando estava na oposição no tempo do anterior Governo e que agora mandou para detrás das costas do próprio esquecimento.

 

O ministro Paulo Portas passou a ser também o diretor de marketing de Portugal com o apoio implícito do primeiro-ministro. Pelo menos é o que temos visto nos últimos tempos em que Paulo Portas, umas vezes como líder do CDS/PP, outras como Ministro dos Negócios Estrangeiros, anda numa roda-viva a tentar aumentar as nossas exportações e a defender os nossos produtos do sector agroalimentar. Como líder do CDS/PP, como aconteceu no Salão Internacional do Sector Agroalimentar e Bebidas em Lisboa, em finais de fevereiro. Em 2 de março para a India, desta vez como Ministro dos Negócios Estrangeiros, com o azeite e com o vinho, como antes já tinha acontecido com o Brasil.

A comitiva de Paulo Portas, ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, integra 36 empresas portuguesas de diversos setores onde constavam, entre outras, nomes como os da Corticeira Amorim, Efacec, Martifer, Revigrés, Visabeira, Unicer e Brisa. A banca também está presente, com representantes da Caixa Geral de Depósitos, Banco Espírito Santo de Investimento, BPI. Outro sector, como já disse, foi o agrícola, que envia para a Índia cinco empresas, em especial da área do vinho e azeite.

Não podemos dizer que isto seja mau, bem pelo contrário. Todavia, há algo que nos escapa pois sempre pensei que isso deveria ser da competência do Ministro da Economia ou do Primeiro-Ministro. Estarei enganado?

Isto tudo fez-me lembrar os tempos do início da crise, quando José Sócrates, já em queda, se esforçava por levar comitivas para países que fossem potenciais compradores a Portugal, entre os quais a Venezuela.

Esta roda-viva de Paulo Portas tem dois objetivos, o primeiro é desempenhar um protagonismo que relance na opinião pública uma imagem positiva em contraponto com o primeiro-ministro e com o Ministro da Economia. O segundo é apoiar o seu ministério mais querido, o da agricultura e pescas. O terceiro é ver se consegue salvar o seu partido do atoleiro em que Passos Coelho tem metido o país progressiva e continuamente, minimizando o impacto negativo que venham a ter as próximas eleições para o CDS/PP.Tudo o que Paulo Portas diz ou venha a dizer é meramente propaganda e marketing. Aliás, basta recordarmos tudo o que dizia quando estava na oposição, no tempo do anterior Governo, que agora mandou para detrás das costas do próprio esquecimento.

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 18:33
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Segunda-feira, 4 de Março de 2013

Que se lixem os movimentos para lixarmos a democracia

Imagem de http://horadoteras.blogspot.pt


 

Uma das primeiras coisas que leio quando compro jornais são os editoriais. Eles exprimem a opinião da direção em relação a determinada atualidade e, como tal, veiculam a opinião de quem os escreve quando não do próprio jornal. Nem sempre estaremos de acordo com o que eles veiculam mas não deverá ser por isso devemos insurgir-nos contra quem os escreve, mas antes considerá-los como um exercício democrático da exposição livre de ideias. Sou leitor mais ou menos assíduo do Jornal i e vem isto a propósito do editorial do dia 4 de março, escrito pelo diretor adjunto Luís Rosa. De acordo com a minha interpretação faz algumas insinuações tendentes ao descrédito do movimento que deu corpo às manifestações de 15 de setembro de 2012, comparativamente à de 2 de março de 2013, aliás como é apanágio da direita e da esquerda moderada quando estão no poder.

 

O Jornalista Luís Rosa vê no movimento a comunicação de mensagens supostamente apartidárias de “capa angélica”. A questão que coloco é saber se haverá mensagens ao nível da política, venham elas da direita ou da esquerda que sejam, de facto, apartidárias. Qual será no entendimento do autor do editorial, uma PSD,CDSmovimentação de massas ou uma comunicação apartidárias?

 

Do meu modesto ponto de vista, não há nada em política que não tenha como base um vínculo, quer ideológico, quer partidário, mesmo que mais ou menos ténues. Temos muitos casos destes, o mais evidente é o dos Presidentes da República que, antes de se candidatarem deixam de estar formalmente inscritos nos partidos em que militavam, não sendo, por isso, que passam a ser apartidários ou destituídos de quaisquer opções, independentemente de se autodenominarem presidentes de todos os portugueses. A experiência valida o que acabo de afirmar.

 

O editorialista esforça-se numa depreciação da manifestação assegurando que o seu objetivo principal era a queda do Governo PSD/CDS. Para além de outros objetivos, com este a que se refere não posso estar mais de acordo. Que outro objetivo poderia ter uma manifestação deste tipo? Apoiar todas as medidas deste Governo, como era no tempo de Salazar e Caetano, tempo que talvez o jovem autor do editorial, devido à sua ainda muito jovem na altura, não conheceu nem viveu na prática. Nessa altura organizavam-se apenas manifestações de apoio ao Governo. As da oposição eventualmente organizadas eram consideradas, subversivas e, como tal, ilegais, logo reprimidas. Em democracia quaisquer manifestações podem ser pró ou contra algo e não têm que ser obrigatoriamente apartidárias, podendo até ser multipartidárias.

 

A manifestação do dia 2 de março não foi, obviamente, apartidária. Considero-a mais como multipartidária e com representação de várias tendências e não apenas de esquerda como se pretende fazer crer.

 

Voltamos a querer ressuscitar o velho fantasma e aquela máxima em que todos os que se opõem a alguma coisa que não seja o formalismo governativo vigente escondem, por detrás, algo que ataca a democracia. Os tempos do PREC e do Gonçalvismo em que se vislumbravam conspirações antidemocráticas felizmente terminaram. Há muito que estamos na Europa, se algo vier naquele sentido já não será da esquerda, mas sim da extrema-direita, basta estar atento ao que lá se está a passar.

 

Diz o Jornalista Luís Rosa que “do movimento social apartidário nascido espontaneamente no Facebook, esconde-se um ataque ao formalismo da democracia representativa e a reivindicação de uma maior participação dos eleitores nas decisões de poder político” e de imediato admite que “o sistema democrático necessita de reformas”, mas não com os líderes destes movimentos que, para ele são todos do PCP e do Bloco de Esquerda. Se é que percebi, e espero enganar-me, a participação da reforma do sistema político deve ser seletiva, isto é, apenas reservada à participação e discussão dos partidos do Governo, excluindo outros.

 

Correndo o risco de me repetir devemos então concluir que deveria ser a direita neoliberal, que nos governa, a organizar e a aglutinar o descontentamento de milhões de cidadãos. Como não é, logo, existem nuvens negras imaginárias num céu que o autor prevê, com a ajuda de uma bola de cristal, vão conduzir a um marxismo que se combate apenas com um formalismo de eleições de quatro em quatro anos. Para demonstrar a sua tese vai procurar numa arca já carunchosa, onde se encontram os bolorentos argumentos e técnicas da pedagogia do medo.

 

Se ao menos estivesse atento aos acontecimentos da atualidade, e tenho a certeza de que está, veria que em muitos países os cidadãos são chamados a participar através de referendos sobre assuntos para eles importantes (veja-se, por exemplo, o caso que veio ultimamente a público na Suíça. Mas há outros).

 

Em Portugal o poder foge dos referendos como o diabo foge da cruz. Do ponto de vista de alguns, os cidadãos apenas têm direito a manifestar o seu descontentamento de quatro em quatro anos, apesar do Governo que legitimamente escolheram, rasgue o compromisso e as promessas que estabeleceu com os cidadãos, apesar da má governação, apesar de incompetências várias, apesar de omitirem decisões que se escondem nos gabinetes, apesar de enganarem os que o elegeram, etc.,erc.. Porque os elegemos em determinado momento, teremos que os “aguentar” até novas eleições sem queixume. Como o povo costuma dizer, comer e calar, mesmo que tudo se passe nos corredores de um Parlamento onde os interesses pessoais e partidários se coloquem acima dos do país e dos cidadãos. A Itália, desde o pós-guerra já teve mais de sessenta governos, o que, consideremos, não é bom, mas não deixou, por isso, de ser a terceira economia da Europa.

 

Segundo do seu ponto de vista acha, implicitamente, que os portugueses presentes na manifestação terão sido manipulados e enganados por alguns partidos e movimentos e que os restantes, os que não foram, isto é, a maioria, apoiarão este Governo. Mas que forte convicção!

 

Não, caro Jornalista Luís Rosa, escusa de chamar ignorantes ludibriados aos portugueses e a quem esteve na manifestação. A sua análise, no mínimo, é facciosa, porque, entre os milhares e milhares de cidadãos que, como eu, lá estiveram, não se identificavam com as forças políticas a que se refere nem estão a ser enganados como subtilmente pretende sugerir. Fomos com a consciência clara do que se está a passar em Portugal que vai para além de qualquer ideologia política ou partido. Há uma outra frase, que talvez eu tenha interpretado mal, mas é o que está escrito: “São estes que lutam por uma alternativa à democracia liberal…”. Este conceito de liberal após a palavra democracia, com deve saber, pode ter várias conotações políticas e cada um tirará as que quiser, todavia, o ser-se por si mesmo partidário do liberalismo não aflige ninguém que seja democrata, porque cada um é livre de optar pelo que quiser, o que será talvez menos democrático é considerar que toda a opção democrática passa apenas por uma democracia do tipo uni-tendencial e liberal. Para sustentar esta afirmação deixo as seguintes citações:

 

“…Tenho muitas dúvidas sobre a vantagem em deixar nas mãos da direita neoliberal, mais liberal do que democrata, o exclusivo do conceito de democracia liberal…”, e, “Quando o liberalismo radical tende a recuperar a antiga oposição entre liberalismo e democracia, sacrificando a segunda ao primeiro, incumbe à esquerda defender a democracia liberal enquanto síntese da liberdade e da democracia política”.

 

Mesmo considerando que, como diz, os perigos espreitam, os portugueses já têm a maturidade suficiente para, num quadro de eleições livres e democráticas, saberem muito bem o que escolher, bem ou mal, como o fizeram para escolher este Governo.

 

Estamos, e vamos continuar a estar por muitos e bons anos, numa democracia representativa, com eleições livres e democráticas no tempo e nos termos que a Constituição prevê. Deixemo-nos, portanto, de fazer a pedagogia do medo que apenas serve para a perpetuar no poder, até ao fim de legislaturas, governos de interesse muitas das vezes para grupos restritos. Ou será que é democrático continuar a legitimar um poder que se prova estar a desestabilizar e a destruir, política e socialmente um país até uma altura em que já seja tarde de mais para se corrigirem erros e fracassos de quem nos governou. Para esse peditório já demos várias vezes.

 

Par evitar que me tomem por um “perigoso esquerdista”, termino com a frase:

 

De esquerda, eu? Não. Mas se a direita é isto então prefiro a esquerda.   


 

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 19:42
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Sábado, 2 de Março de 2013

A manifestação é um ato de cidadania!

   

 

O Governo e os seus porta-vozes fazem crer à população a ideia de que não há alterativas à política que estão a seguir. Não foi para isso que foram eleitos, foi para solucionarem os problemas e arranjarem alternativas. Para dizer isso, então, qualquer um serve para estar no poder. Sabem que têm falhado, mas a cegueira é tal e o apego ao poder é tanto que nem têm a coragem de dizer que se enganaram. Pelo contrário, Passos Coelho afirma que está a seguir a mesma linha e que vai manter o mesmo rumo. Isto conduzirá a uma situação que Portugal levará dezenas de anos a recompor que apenas será sentido, se tal for possível, quando os jovens de hoje estiverem, mais ou menos, a meio da sua vida ativa.

Ficar em casa e não ir à manifestação não é mais do que aceitar tudo o que este Governo tem feito e irá continuar ainda a fazer, por isso, vamos todos dizer BASTA!

Publicado por Manuel Rodrigues às 11:14
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Livros que já li

Prisioneiros da Geografia Tim Marshall As cidades invisíveis Italo Calvino Quando Portugal Ardeu Miguel Carvalho A Vida Secreta dos Livros O Romancista ingenuo e o sentimental de Orham Pamuk malbe

Os porques da esperança.png

Demorei algum tempo a ler este livro mais do que o costume. Livro sobre a política nacional sobre a forma de entrevistas que passaram na TVI 24 efetuada por um provocador nato cujas respostas são dadas por um astuto tribuno da palavra. Livro que aborda temas nacionais da política recente com uma abordagem em que as palavras se se entrelaçam com alguma exposições mais académicas. Um bom manual para quem se interesse pela política em Portugal nos últimos tempos.  

 

 

Piketty_Capit_SecXXI


Memoráveis


Crónica dos dias do lixo



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Rodrigues, Manuel A (2011). Geografia Social Urbana na Licenciatura em Educação Social, Cadernos de Investigação Aplicada, (5). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas


Rodrigues, Manuel A (2010). Didática da Geografia: recurso à Literatura como proposta interdisciplinar, Cadernos de Investigação Aplicada, (4). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas. .


Rodrigues, Manuel A (2008). Televisão e os efeitos de exposição a mensagens televisivas na educação: o efeito da terceira pessoa, Cadernos de Investigação Aplicada, (2). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas.


Rodrigues, Manuel A (2005). Do Presencial ao Online: um estudo de sobre a atitude de estudantes face a situação de aprendizagem online, Actas do VII Simpósio Internacional de Informática Educativa-SIIE05, Escola Superior de Educação de Leiria.


Rodrigues, Manuel A (2004). Um Modelo de Formação em Ambiente Misto de e-Learning (Blended Learning): uma experiência na disciplina de Tecnologia Educacional, Actas da Conferência eLes’04: e-Learning no Ensino Superior, Universidade de Aveiro.


Rodrigues, Manuel A (2004). Marionetas em Liberdade: a identidade pe(r)dida com as novas exigências curriculares, Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas.


Rodrigues, Manuel A (2000). Ciberespaço, Internet e as Fronteiras da Comunicação Educacional, Lisboa, Universidade Aberta. Porbase, CDU 37.01(043), 159.95043), 005.73Internet(043.2),371.1043)

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