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ZOOM SOCIAL - Cultura, sociedade e política

Apontamentos, comentários e OPINIÕES sobre política, economia, educação, sociedade e cultura. Confronto de afirmações, reflexões e contradições sobre o modelo social que temos.

ZOOM SOCIAL - Cultura, sociedade e política

Apontamentos, comentários e OPINIÕES sobre política, economia, educação, sociedade e cultura. Confronto de afirmações, reflexões e contradições sobre o modelo social que temos.

Ligados pelo pescoço

 

Para quem está de fora dos meandros da política a perceção que se tem do ministro Miguel Relvas é a de que  é um mau político que tem prejudicado o Governo. Se este o mantém é porque existem interesses mútuos que em muito ultrapassam os interesses do país. Há uma imagem interessante que António Capucho do PSD utilizou dizendo num frente a frente na SIC Notícias que Miguel Relvas e Passo Coelho parecem estar ligados por uma corda ao pescoço de tal modo que se um saltar por uma janela o outro vai atrás. Sendo Relvas um prejuízo para a imagem do Governo, como se pode compreender o facto de ainda continuar a fazer parte dele, a não ser o receio de que Relvas, ao deixar o governo, arraste Passos Coelho para a queda. Podemos inferir então que os interesses pessoais e partidários devem ser muito superiores aos interesses do país e dos portugueses. Somos levados a questionar que negócios existirão ou promessas terão sido mutuamente feitas para que tal suceda?

Neste fosso está também mergulhado o CDS, enquanto colaboracionista de políticas que vão, num crescendo, destruindo um país que nem a direita nem a esquerda vão poder recuperar tão cedo. Somos um país que está neste momento a depender quase e apenas das exportações, se estas começam  falhar onde é que nos vamos agarrar. Este governo apenas tem planos de contingência e planos para os cortes mas nada tem a oferecer para alavancar a economia a não ser, e apenas, palavras, nomeadamente as de Miguel Relvas que apenas prejudicam.

 

A verruga

 Não há dúvida de que o ministro Miguel Relvas é uma verruga na face visível do Governo. Consegue desvirtuá-lo se é que alguma virtude tem. O ministro Miguel Relvas tem, desde os primeiros escanda-los, maçonaria, espiões e licenciatura, andado a jogar ao toca e foge. Quando os ânimos aquecem vai para fora. Voltou depois com toda a força, atingindo os portugueses com intervenções divisionistas e anti união de esforços conjuntos para a superação da crise.  Agora já se diz que vai até Moçambique.

Se a animosidade contra o Governo se deve a ele próprio, não é menos verdade que grande parte se deve sobretudo ao ministro Relvas.

Vieram alguns comentadores, nomeadamente do Partido Socialista, interceder a favor de Miguel Relvas a propósito da sua intervenção que esteve para fazer no ISCTE antecipada por manifestantes que cantaram Grândola Vila Morena. Alegaram estes comentadores e jornalistas que, ao impossibilitarem a intervenção do ministro colocou-se em causa a liberdade de expressão. Se revirmos as imagens captadas podemos verificar que o ministro, embora com um esgar forçado tentou, caricatamente, trautear a canção. O que houve foi uma interrupção de algo que ainda não se tinha iniciado. Se aconteceu uma ocorrência mais drástica de seguida apenas a ele cabe a responsabilidade, pois não soube, com dignidade, esfriar os ânimos como muitos dos seus colegas já tinham feito. Todavia, talvez não funcionasse para o ministro Relvas, à semelhança de outros, porque conseguiu, por tudo o que ele tem vindo a dizer, concentrar nele toda a revolta que a população sente por este Governo.

Cabe recordar, porque nem todos têm memória curta, o que se passou com José Sócrates, quando primeiro-ministro, que contribuiu com grande quota-parte para que o Jornal Nacional da TVI apresentado por Manuel Moura Guedes fosse extinto sem dó nem piedade, muita embora pesemos algumas críticas que lhe pudéssemos fazer. O episódio Relvas, comparado com este, é uma brincadeira de crianças. Quem parece ter memória curta é o PS.


Imagem a partir de: http://acartaagarcia.blogspot.pt/2012/05/os-desconchavos-esquizofrenicos-do.html

Vergonha para as Universidades Portuguesas

 

Acho uma vergonha para as universidades portuguesas, que têm investigadores à altura (ou não têm?) a encomenda que foi feita, através do Conselho de Reitores, de um estudo sobre o sistema de ensino superior português. Será que o estudo foi uma oferta? Ou, quem ganhou com isto?

Governo deve apoiar a vinda de docentes e investigadores estrangeiros para as universidades portuguesas e incentivar a mobilidade de professores, nomeadamente do litoral para o interior. Estas são duas das recomendações feitas por um grupo de peritos da European University Association (EUA), a quem o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas encomendou um estudo sobre o sistema de ensino superior português. O relatório é apresentado hoje, no Conselho Nacional de Educação, em Lisboa.  

Partindo da ideia de que a distribuição de universidades e politécnicos, públicos e privados, tem "agravado" os desequilíbrios do país, em vez de os corrigir, a EUA recomenda uma maior cooperação entre as instituições a nível regional.

Acabar com a duplicação de cursos, apostar nas formações que podem promover o desenvolvimento das regiões e promover a permuta de alunos entre um sistema e outro são algumas das ideias lançadas e que ajudariam a resolver o problema do despovoamento do interior.”

Veja a notícia completa em  Expresso

Políticos dia a dia


 

 Imagem Aventar.eu

 

 Imagem Aventar.eu


Liderança Cérbero ou o monstro de três cabeças

Segundo a mitologia Grega, Cérbero era um cão que guardava as portas do Tártaro impedindo a saída daquele inferno.

O Blocos de esquerda tem uma liderança bicéfala devido ao cocktail de misturas ideológicas.


O governo é tricéfalo porque liderado por três cabeças, Passos Coelho, Miguel Relvas e Vítor Gaspar. Qual deles terá mais poder nas decisões para evitar a saída do inferno.

 

Relvas após ter andado escondido, quiçá envergonhado pelo escândalo da sua licenciatura, regressa agora com toda a sua pujança anda com aquela arrogância que o caracteriza mas que, entrouas causas , provocará a derrocada do PSD. Ele personifica tudo o que a geração prveniente dos retornados preparou ao longo dos anos como um prato de vingança, que  serviram frio, ao conseguirem a tomada do poder.


Passos Coelho anda numa corda banda, dizendo e desdizendo, mentindo e desmentindo.


 

O transformismo semântico que Carlos Moedas metamorfoseou a palavra cortes em poupanças através de uma roupagem sinonímica que Passos Coelho já adotou. Se consultarmos um dicionário veremos que corte é a diminuição da quantidade, interrupção na continuidade de algo, supressão e poupança é dinheiro economizado, economias, gastar menos. Pressupõe, portanto, que possa existir um excedente gastando menos para que se possa poupar. Não estamos portanto a ver como é que, estes “jovens” governantes que fazem circular por aí que são inteligentes, mas que não passam de uns teóricos inexperientes podem, sem cortes, fazer poupanças de quatro milhões. Ou mentem ou pretendem iludir-nos.


 

 

A cabeça de Paulo Portas não faz parte do Cérebro, aparece e desparece à medida das conveniências mas que apesar de não ter voto na matéria se mantem, segundo ele, apenas a bem do país. Ou será da Nação? Mas que grande sacrifício está a fazer pelo país! Sacrifícios estão os portugueses a fazer e são muitos e dolorosos. O CDS/PP não é mais de uma muleta do Governo do qual Portas é cúmplice mesmo que não queira. De vez em quando faz de conta que discorda, mas que, o sentido de Estado assim o exige. Transformou-se numa marioneta do Governo o que o levará a perder, cada vez mais a base de apoio eleitoral que em tempos recuperou. Depois bem pode continuar a fazer números de circo, nem que sejam saltos mortais, que não o fará recuperar. Esperemos para ver.  

Portas agora tem um documento em mãos para preparar, mas já disse que temos que cumprir os nossos compromissos internacionais. Quem é que diz o contrário, com exceção de alguns exaltados, e com razão, mais radicais?



Cada um diz a sua.

Miguel Relvas disse: - O desemprego tira-me o sono.

Passos Coelho disse: - O desemprego não lhe tira o sono. Dorme pouco mas dorme bem.



Coesão Social

Passos Coelho diz que “reforma do Estado é um imperativo de coesão social”.

Talvez, mas a reforma que ele pretende vai no sentido contrário, destruir a coesão social.

Aliás Relvas está a ser exímio nisso, lançando os jovens contra trabalhadores mais velhos. A velha regra do dividir para reinar. Será que pretende lançar no desemprego mais milhares de trabalhadores sem depois arranjar empregos para os mais novos? Ao que chega a campanha enganosa para captar os votos dos jovens. Nunca tive nada contra os retornados, mas este de descendente de retornados, no que se refere à vingança, está no seu melhor.

 

Combustíveis aumentam vejam só!!

Uma nova justificação para o aumento dos combustíveis: o frio no Norte da Europa que obriga aqueles países a consumir mais combustível e que por isso o preço aumenta em Portuga! Agora já não é euro que está a valorizar, arranjaram outra.

O consumo diminuiu 9%. Como manter as mesmas margens de lucro? Aumentam-se os preços. Será isto o mercado livre e a livre concorrência que como dizem fará baixar os preços?



Marcelo Rebelo de Sousa

 

 

Continua com a sua arte de fazer crer na opinião pública uma imagem de independência. O que acontece é que nos meios das suas opiniões há sempre um sútil apoio a este Governo. A última: “a semana passada o Governo melhorou.” Vale a pena fazer mais comentários?

Silêncios do CDS e as medidas antissociais

 

Segundo o Jornal Sol, Anacoreta Correia do CDS/PP afirma numa entrevista a este jornal que “o CDS não pode estar numa atitude de rendimento mínimo de governação, gerindo silêncios em matérias problemáticas”. É sabido que aquele partido, com o argumento de não querer provocar uma crise política, está agarrado ao poder, isso é inegável. O PSD estando em maioria relativa está mesmo assim mandatado para governar sem o CDS pelo que teria então que governar através de consensos. O CDS/PP, mantendo-se no governo, está a ser cúmplice de um plano que está a conduzir Portugal ao colapso.

O mais grave é que os ministros que estão ligados ao CDS/PP são os que, tendo também pastas sociais muito sensíveis, têm mostrado muito pouca sensibilidade social e implicitamente concordam com as palavras do primeiro-ministro sobre o desemprego e a pobreza que, para ele, são efeitos colaterais das medidas que toma.

Encontram-se neste caso os ministros Mota Soares e Assunção Cristas, ambos do CDS/PP. Um porque prefere o assistencialismo e a caridade e faz cortes a eito, sem análise das consequências, sobre quem mais precisa. Depois cá estamos nós, alguns, a compensar com a tal taxa de solidariedade de 3,5% para compensar as falhas sociais deste senhor.

Outra é a lei das rendas, conhecida publicamente por lei dos despejos que está a colocar muita gente, nomeadamente os mais idosos, em situação de desespero.

Assunção Cristas, face ao problema afirma que vai procedera sessões de esclarecimento sobre o assunto. Isto é, depois da aplicação da legislação e, lançada a confusão vai então esclarecer! Mas mais, afirma ainda com grande desfaçatez, que os maiores de 65 anos terão mais cinco anos até serem atingidos pelas novas regras e que poderão ser apoiados por subsídios. Ou seja, ao fim dos tais cinco anos, se não tiverem possibilidades de pagar o aumento das rendas são despejados! Deve ser humor negro da senhora ministra. Deve estar à espera que entretanto muitos deles morram (se fizermos bem a ligação aos problemas e às dificuldades com o SNS não é difícil perceber).

Após o tal período de cinco anos muitas das pessoas que têm agora 65 anos terão, na altura,70 anos, logo, o problema subsiste ou até se agrava. Quer dizer, o governo que vier a seguir vai ficar com mais um problema entre mãos. Mais ainda, se a senhora ministra fala em subsídios às rendas para aquelas pessoas, sem dizer se são de apoio aos senhorios ou aos inquilinos, é necessário saber onde vai ela arranjar as centenas de milhões de euros para esses apoios. Claro que, Assunção Cristas, supondo que eventualmente os partidos do governo perderão as eleições assume que os outros que vierem que se amanhem. Esperteza saloia! Não se deveria ter avaliado antes os impactos? Tudo isto seria evitável se estes senhores não fizessem tudo em cima do joelho, embora paguem milhões de euros a escritórios de advogados e a consultores.

Coincidências

 Imagem: http://www.its-annoying.com/could-it-be-a-coincidence/


Não sei se já repararam que, após a grande reportagem sobre o BPN difundida pela SIC, vieram à tona nos canais de televisão notícias sobre a questão do BPP (Banco Popular Português), que defraudou milhares de depositantes, e que se encontra em tribunal arrastando-se há cinco anos.

Concidentemente ou não, só agora se lembraram do caso BPP.

Como neste caso, assim como noutros, penso não haver coincidências, podemos encontrar uma explicação para o caso, como seja a de possíveis indicações, venham lá de onde vierem, para lançar para a opinião pública o BPP para esquecer temporariamente e fazer passar para segundo plano o caso do BPN.

 

Vejam lá se pode ou não ser coincidência!


Ainda sobre a Reforma do Estado

 

Imagem de Risco Contínuo

 

Agora, com a notícia sobre a nomeação de Secretários de Estado mais ou menos cúmplices em falcatruas bancárias que consumiram e consomem recursos financeiros dos nossos impostos que deviam servir para o bem público, andam muito sossegados com a Reforma do Estado depois daquela fantochada de uma comissão para a sua discussão.

Sobre este tema realizou-se em finais de janeiro em Lisboa uma conferência sobre a reforma e organização do Estado. Algumas das conclusões da conferência nada têm a ver com o aquilo que nos querem “impingir” e, ao mesmo tempo, fazer apressadamente.

Com já referi em “post” anterior é óbvio que uma reforma do Estado, mesmo que muito bem planeada, nunca se sabe antecipadamente se terá ou não sucesso. Copiar ou importar modelos de outros países que foram feitos em épocas e contextos diferentes é de acreditar que podem não funcionar. Cada país tem o seu próprio sistema político e administração pública diferentes de outros e o nosso tem, com certeza, as suas especificidades.

Poderão sempre seguir-se determinados caminhos mas o certo será mais difícil do que o errado. Isto é, a precipitação irá conduzir-nos a uma atalho errado que nos pode conduzir a um precipício. A confiança em consultores externos que negligenciam as culturas locais, ignorando as competências locais e a sua participação nas reformas são erros que, no futuro, nos obrigar a pagar caro. Por este motivo é disparate entregar a reforma a instituições internacionais como a troika. Não se sabe ao certo qual o diagnóstico, mas já se está, à pressa, a fazer a prescrição, o que leva a crer que o pretendido é um certo tipo de reforma setorial atingindo apenas e só o que respeita ao trabalho e à parte social do Estado. Prescrever antes do diagnóstico é um disparate que não ocorreria ao mais fraco aluno do primeiro ano de um qualquer curso. Tudo se direcionou para procura de problemas em vez de soluções. Lógico seria o contrário.

Ao avançarem apressadamente leva-nos a supor que a reforma é para ser de elite, o que é um risco. Uma reforma tão sensível como esta tem que ser vista não com um olhar exógeno, mas endógeno e, de tal modo, que incluísse chefias de topo e intermédias da Função Pública.

Por isso é que a reforma proposta pelo Governo, para além de estúpida, é um risco devido ao seu potencial falhanço. Insistir num ”erro que dará maus resultados é capaz de ser ainda mais estúpido”, como afirmou na conferencista Christopher Ploitt.

Um conto de reis

Hoje resolvi colocar aqui um conto muito fresquinho, porque recente e atual, escrito por Isabel Moura e ilustrado por Matos Costa. É uma crítica social sobre o qual vale bem a pena pensar.

Encontramo-nos numa encruzilhada em que este tipo de contos vêm mesmo a propósito já que, pela via normal da escrita dos artigos de opinião política, muitos podem não ter paciência para os ler.

Só peço à Isabel para fazer mais coisas destas. E, passo a passo, em pouco tempo terá um livro de crónicas e de contos praticamente escrito.

Vamos então ler. Vale a pena!

 

 

 

lustração de Matos Costa


O Rei e os seus ministros

Era uma vez um Rei que tinha três ministros.
E os ministros decidiam, punham e dispunham e o Rei assinava, mataborrava, lacrava e selava tudo o que os três ministros decidiam, punham e dispunham.
E cada vez que os ministros reuniam para decidir, pôr e dispor e o Rei assinava, mataborrava, lacrava e selava, o País perdia um bocadinho de cor.
Tudo começou tão devagarinho que quase nem se deu por isso.
Primeiro as pessoas deixaram de vestir de vermelho, depois esqueceram o verde, o amarelo e começaram a vestir de preto, cinzento e castanho.
E os ministros continuavam a reunirem-se para ministriarem, decidirem, porem e disporem e o Rei continuava a assinar, mataborrear, selar e lacrar e as pessoas deixaram de pintar as casa, as cores foras descascando, escorrendo pelas paredes, até que ficaram todas do mesmo tom cinza pálida.
 E esqueceram-se dos jardins e das flores, de regar a erva e tudo foi ficando cinza, castanho, preto, queimado, esquecido.
Um dia o Rei chegou à janela e olhou aquele país sobre o qual ele assinava, mataborrava, selava e lacrava e sentiu o peso do país sem cores e a tristeza que mataborreava tudo. Quando os três ministros que tudo decidiam souberam que o Rei ia sair para observar de perto o seu Reino, acorreram imediatamente, cheios de urgências e muitos, muitos decretos a necessitar serem assinados, mataborreados, lacrados e selados e, perante tanta insistência o Rei prendeu-os numa rede mágica que encolhia um bocadinho de cada vez que eles asneiravam no seu decidir, ou no pôr, ou no dispor. Hoje o Rei tem os três ministros em cima da secretária, vivem num cubinho de rede muito pequenino, sevem de pisa-papeis a todos os decretos que o Rei trata de assinar, mataborrar, lacrar e selar para ver se as cores regressam ao seu país cada vez mais cinzento.

...

Caso passe a haver uma nova liderança no PS que caminhe num sentido de negociações, mesmo que pontuais, com os partidos do Governo, que os leve a facilitar os seus desígnios, podemos ter a certeza de que, nas próximas eleições legislativas, o PS sairá bastante enfraquecido e o poder não lhe vai com certeza cair no colo como pensa que será e, a “deadline” aproxima-se.



Porquê e com que interesses se levanta, nesta altura da política portuguesa, uma crise no Partido Socialista? Os comentadores, para confusão de todos divagam sobre a crise do PS com as mais diversas opiniões, contraditórias por vezes, enquanto os mais altos responsáveis do partido alimentam uma crise com palavras dúbias e tecendo secretismos à volta do tema.

O líder do Partido Socialista, António José Seguro, não ata nem desata com um projeto alternativo e sem capacidade para fazer uma oposição efetiva e de confronto político com o atual Governo, refugiando-se na repetição de afirmações já mais do que gastas para a opinião pública. Parece existir um complexo de culpa por parte do líder do PS porque, o partido então no Governo assinou, ao tempo de José Sócrates, o tal memorando com as entidades internacionais, vulgo troika.

Seguro parece não estar ciente que, a partir do momento em que Passos Coelho afirmou ao país que “tínhamos que ir para além da troika”, o pacto com o PSD terminaria ali. Por outro lado, parece ter um complexo em relação ao passado que lhe tolhe os “movimentos” devido à assinatura do tal memorando. Não se pretende com isto dizer que o PS não se deva cumprir os compromissos assumidos rasgando o acordo à semelhança do que o PCP e o BE fazem passar para a opinião pública. Contudo acredito que, em situação de governação, viessem a cumprir o que dizem porque, uma coisa é dizê-lo, outra é fazê-lo.

O PS, sem assumir o passado e, ao mesmo tempo, fazer uma rutura com ele, não há oposição que seja possível fazer ao atual Governo. Reparemos que, desde a data da assinatura daquele memorando, muitas coisas aconteceram quer a nível nacional, quer a nível europeu que levam a que as condições iniciais já não sejam exatamente as mesmas, com exceção do défice que continua elevado e das previsões erradas do Ministro das Finanças Jorge Gaspar que se prevê continue a errar, de acordo com previsões de entidades oficiais.

Não se percebe o que é que José Seguro quer dizer com “fazer uma oposição responsável e construtiva”. Ninguém está contra a responsabilidade e a construção de soluções mas a oposição faz-se com alternativas substantivas e credíveis e não através de um jogo do tipo toca e foge com os partidos do Governo apenas porque se encontra agarrado ao memorando da troika. Fazer oposição não é apenas ser responsável e ser construtivo, é mostrar que é (não poder vir a ser) alternativa a este Governo de coligação, criticando e propondo novas ideias que alterem a situação tal como está a ser conduzida por esta maioria.

Não creio que qualquer dos oponentes a Seguro que eventualmente pretendam uma nova liderança para o partido tenham de facto algo a propor de novo, excetuando se for uma nova forma de fazer oposição que seja mais assertiva e mais contundente, pondo de lado o receio de conotações com o passado recente, porque essa contrição já foi feita.

O perigo à vista de os partidos da coligação perderem as próximas eleições a favor do Partido Socialista começa a tomar forma através dos prognósticos políticos de Marcelo Rebelo de Sousa na TVI. Não por acaso que idealiza possíveis e potenciais coligações/associações do PS com o PSD num futuro governo, fazendo ressuscitar o que ele designa por bloco central caso o PS ganhe as eleições sem maioria absoluta.

Caso passe a haver uma nova liderança no PS que, ainda durante o mandato deste Governo, caminhe num sentido de negociações, mesmo que pontuais, com os partidos do Governo que os leve a facilitar os seus desígnios, podemos ter a certeza que, nas próximas eleições legislativas, o PS sairá bastante enfraquecido e o poder não lhe vai com certeza cair no colo como pensa que será, e a “deadline” aproxima-se.


Os mesmos de sempre

Pergunta-se o que é que se está a passar neste país em que se aceita tudo! Desculpem o vernáculo, mas há um ditado muito antigo que diz que “quanto mais te baixas mais o rabo se te vê!”. É isto que está a acontecer. Todos se encolhem, todos têm medo de falar de se opor. Não tenhamos ilusões, por este andar a cada um chegará a sua vez, porque ela chegará. Mas quando derem por isso já será tarde de mais.

 

 

Com certeza já reparam que sistematicamente, nós, os portugueses, somos culpabilizados pelo governo e pelos seus comentadores oficiosos por tudo o que nos está a acontecer, aumentos de impostos, diminuição e cortes de salários, redução, cortes nas reformas, sem falar da eliminação de apoios sociais, cortes na saúde, educação, etc.. Somos gastadores, devedores inveterados, comíamos bifes todos os dias, ainda temos que suportar mais austeridade, porque os sem-abrigo também sobrevivem, etc., etc.., como afirmou o tal senhor do BPI. Que teve lucros à custa da dívida portuguesa e com o dinheiro dos contribuintes. O Estado Social que se foi construindo ao longo de décadas está em risco de ser destruído em meses.

Este Governo que ocupou, embora legitimamente, o poder pratica o terrorismo social apenas comparável à administração de Reagan e de Thatcher (1980-1988) que levaram a cabo uma extensa política de ataque às classes trabalhadores e às mais desfavorecidas. Assim, entre outras medidas, os salários reais baixaram, corte na duração de assistências aos desempregados, cedências feitas pelos trabalhadores banalizaram-se, os valores dos impostos às empresas baixaram ao mesmo tempo que os salários eram desvalorizados, o número de pessoas sujeitas cada vez a salários mais baixos cresce todos os dias, etc.. Então quer nos EUA, quer na Grã-Bretanha, embora as despesas sociais sofressem cortes os défices orçamentais continuaram a crescer. Contudo quem ler a imprensa da época depara-se com afirmações como “aliviar a carga dos impostos” (Varela, 2012:p.121)[i] sobre uma população sobrecarregada. Hoje, em Portugal, já começámos a ouvir isto justificando para proceder cortes na educação, saúde, etc..

Basta estarmos atentos ao que se passa neste momento no nosso país para vermos se há ou não semelhanças. Se isto não é ser ultraliberal então o que lhe devemos chamar?

 O que agora está a acontecer em Portugal com as políticas ultraliberais do atual Governo, muito diferentes das do original PSD, agora muito mais próximo do Tea Party, partido da direita radical dos EUA, é conduzir Portugal para uma posição idêntica àquela em que nos encontrávamos em 1974 e aproximarmo-nos dos países da cauda da Europa.

Justifica-se tudo com o défice, a reforma do estado, a reestruturação da economia, cedências nos contratos de trabalho.  Mas será que Estado Social pôs alguma vez em causa o desenvolvimento económico. Antes do 25 de abril não havia um Estado Social, não havia gastos excessivos nem despesismos, na prática, não tínhamos défice mas, apesar disso, grassava a pobreza, o analfabetismo, a mortalidade infantil excessiva, a falta de cuidados de saúde éramos um país subdesenvolvido.

Após a queda do antigo regime de Salazar e de Marcelo Caetano, durante a preparação para a entrada de Portugal no grupo dos países desenvolvidos da europa, a então denominada CEE, era condição necessária que nos aproximássemos dos índices de desenvolvimento do grupo de países de que iríamos fazer parte. Assim nos fomos aproximando com dificuldade daqueles países ficando, em muitos dos índices, muito abaixo das médias.

Alguns que viveram aqueles tempos já começam a dizer que a classe média que o salazarismo apoiava vivia na altura melhor do que está atualmente a viver.

Após a queda do muro de Berlim outros país, que estavam então sobre o domínio da ex-União Soviética, vieram, posteriormente, a pedir a sua entrada para o grupo europeu. Estes países, que passaram a fazer parte da EU, conforme pode ser comprovado pelas estatísticas do Eurostat, encontram-se na chamada cauda da Europa.

A justificação do Governo é o défice, a competitividade e a atratividade para o investimento, mas estes os argumentos são os que servem para vender à população acompanhados com ameaças sobre o pagamento de salários e pensões. Mas as medidas tomadas têm também um cariz ideológico no sentido em que se podemos considerar que se trata de uma desforra da geração originária dos retornados, dos quais muitos ocupam agora pastas no Governo, que nunca perdoaram a descolonização tal e qual foi feita por terem perdido privilégios que agora querem recuperar de outra forma.  Não é por acaso que Angola passou a estar na ordem do dia. É um parceiro para tudo.

À ala radical do PPD/PSD juntou-se o CDS/PP que, tendo uma matriz social cristã, é movido pela caridade e pelo assistencialismo e em nada se afasta do seu amigo de coligação. Tudo o que se possa dizer sobre a crise da coligação é apenas manobra de diversão. O CDS/PP está agarrado ao poder, mesmo que a política seguida vá contra as sua matriz ideológica fundamental. A criação de lugares para os seus militantes tem mais força do que o país, embora clame aos quatro ventos que se mantém na coligação porque os interesses de Portugal estão primeiro.

Com a mascarada da remodelação do Governo tomaram posse novos Secretários de Estado, deputado do CDS/PP que tem apenas um senão, é precisamente um daqueles deputados que se insurgiu contra o Orçamento de Estado para 2013. Outros do PSD, era vice-presidente da UGT, estamos a ver porquê. Mais grave ainda é ter sido dado posse a outro Secretário de Estado administrador da SLN holding proprietária do BPN e que, de forma passiva, teve um papel no escândalo daquele banco. Pior é que foi omitida esta parte no currículo daquele senhor agora conduzido para o Governo e ao qual o Presidente da República deu posse. Será que terá tido a ver com as ações daquele banco que ele adquiriu?

Até quando estamos despostos a tolerar tudo isto enquanto o Governo, continua impávido e sereno, com a certeza de que está a governar para totós que somos, desligados do que se passa à nossa volta, que se desligam e assobiam para o lado pensando que, enquanto respirarem está-se bem. Mas, quando formos todos agarrados já nem força teremos para nos insurgirmos.



[i] Varela, Raquel (Coord.). 2012, Quem Paga o Estado Social em Portugal?, Lisboa, Betrand Editora