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ZOOM SOCIAL - Cultura, sociedade e política

Apontamentos, comentários e OPINIÕES sobre política, economia, educação, sociedade e cultura. Confronto de afirmações, reflexões e contradições sobre o modelo social que temos.

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Apontamentos, comentários e OPINIÕES sobre política, economia, educação, sociedade e cultura. Confronto de afirmações, reflexões e contradições sobre o modelo social que temos.

Artimanha 2

 

 

 Claro! Agora como sempre o governo altera o que tinha dito e recua para distribuir apenas metade dos subsídios de férias e natal em duodécimos. O Jornal Público vem confirmar aquilo o que eu já tinha previsto no “post” Artimanhas ontem publicado. Era evidente que o turismo no verão e o comércio na altura do natal iriam sofrer consequências, daí o recuo. É a política do faz e do desfaz. Contudo, continuo a duvidar que esta medida se mantenha apenas durante o ano de 2013. Lançam uma ideia, veêm as reações, depois aplicam. Continuam a querer fazer-nos de parvos.

A artimanha

A palavra artimanha vem, em alguns dicionários, como um palavra composta por arte e manha que significa artifício, estratagema, astúcia, fraude, ardil. Pois foi a uma artimanha a que o ministro das finanças recorreu, acolitado por Passo Coelho, quando decidiram diluir pelos doze meses do ano um ou os dois subsídios de férias e de natal.

Esta decisão, com que alguns concordarão, pode aparentemente ser boa, mas não o é para quem vive apenas do seu salário. Para as empresas é vantajoso porque, financeiramente, não as sobrecarrega com o pagamento de dois meses de salário nos meses em que devem ser pagos.

A verdadeira razão da decisão não é olhar para as empresas mas uma artimanha para diminuir o enorme impacto dos impostos que vão incidir sobre o salário mensal de quem trabalha e recebe por conta de outrem. Tratando-nos como imbecis o governo pensa enganar, com o valor mensal que os trabalhadores vão receber devido ao acréscimo do duodécimo dos subsídios, criar a ilusão de que, afinal, não irão ficar assim tão prejudicados.

Há, contudo, outra razão subjacente que é a de minimizar o efeito sobre a quebra de consumo que está prevista ao longo de 2013. Assim, a distribuição por doze meses dos subsídios poderá vir a compensar a quebra de poder de compra, evitando, assim, um maior agravamento da recessão devido à redução do consumo interno, caso fosse recebido apenas o salário mensal líquido que baixa muito com resultado do agravamento dos impostos. Há ainda outra vantagem, não para quem trabalha, mas para o fisco, porque, estando os subsídios também sujeitos a imposto este passa a ser também cobrado mensal e antecipadamente e não apenas como seria aquando do seu recebimento integral.

Se após os anos de 2013 ou 2014 esta modalidade continuar podemos todos dizer adeus aos subsídios enquanto verba recebida na totalidade visto que passarão a ficar integrados no salário mensal e que, por isso, poderão vir a ficar também congelados durante vários anos.

Com este ardil o governo fica na expectativa ilusória de que o valor dos subsídios, recebidos mensalmente, irá compensar a perda do salário líquido recebido causado pelo agravamento dos impostos. A grande surpresa surgirá quando, chegados ao mês de férias e de natal e nada houver a receber para cobrir eventuais encargos assumidos tais como seguros, revisões de carro, amortizar uma ou outra dívida contraída e a falta de dinheiro para passar férias que poderá ter já sido gasto entretanto com o entusiasmo do consumo. Claro que, a melhor ou pior gestão das finanças familiares depende das opções de cada um, pelo que, neste campo, fazer generalizações é sempre perigoso.

Contudo, o artifício do governo não é em benefício das famílias nem das empresas, mas tentar que os indicadores económicos não caiam ainda mais do que aqueles que estão previstos em relação ao consumo interno, à recessão e ao desemprego e mais défice. Mas desiludam-se, hoje mesmo a OCDE prevê para Portugal uma contração da economia de 1,8% em 2013, o dobro das previsões do governo, e 17% de desemprego mais do que o previsto.  Esperemos pelos resultados, mas, por favor, não façam dos portugueses parvos porque eles não aceitam mais patranhas.



Quando o criminoso culpa o juiz pelo crime cometido

Não podemos deixar de considerar a situação hilariante quando, senhores com responsabilidades governativas, políticos, comentadores e analistas políticos, atribuem ao Tribunal Constitucional (TC), que considerou como inconstitucional os cortes abusivos e dirigidos apenas a alguns setores da sociedade, a responsabilidade pelo “brutal” aumento de impostos que vai atingir os portugueses a partir de janeiro de 2013, quando o orçamento for aprovado.

O TC exerceu a sua função de fiscalização jurisdicional garantindo a constitucionalidade dos atos normativos confirmando ou infirmando a violação da lei fundamental que é a Constituição Portuguesa ou, então, isto passaria a ser uma república das bananas, que talvez muitos gostariam que fosse.

Quando se levantam aquelas vozes contra a decisão e se imputa ao TC a responsabilidade do que vai acontecer com as novas(?) medidas de austeridade estão a atingir a nossa inteligência. Vem-me logo à cabeça a ideia daquela situação em que o réu, tendo sido comprovada a culpa, após a sentença, considera o tribunal e o juiz, ao tê-lo condenado, como sendo os verdadeiros responsáveis pelo crime que cometeu e por eventuais crimes futuros.

Isto, de facto, se não é triste, é, no mínimo, hilariante. Não brinquem connosco.


Encenação e encenador

 

 

 

 

Imaginemos um encenador de um palco universal onde nós, atores, protagonizamos os mais diversificados papéis. Os atores são manobrados de acordo com os propósitos do encenador em função dos enredos e das várias e simultâneas ações que conduzem a um sem fim de finais felizes ou infelizes, por vezes até catastróficos, em que os atores nos finais das representações vão sucessivamente morrendo, surgindo no palco novos atores representando os mesmos ou novos papéis num “sem fim” mecânico. As encenações são montadas de acordo com os interesses do arquiteto literário das peças, cuja criatividade e imaginação do encenador transpõe para o palco.

Vem isto a propósito da manifestação do dia 14 de novembro quando, no final e após a desmobilização geral, alguns indivíduos alheios à manifestação permaneceram no local provocando as forças policiais. As imagens e os comentários que então ocorreram na televisão ofuscaram por completo tudo quanto à greve e à manifestação ordeira dissessem respeito. Ficaram as repetições sucessivas da violência e da carga policial que varreu a eito, não apenas os chamados profissionais da desordem, designação atribuída por alguns comentadores dos acontecimentos, mas, também, cidadãos que se encontravam muito afastados do local da ocorrência.

A quem interessaria que estas imagens se evidenciassem mais do que à greve geral, à manifestação e à intervenção política e sindical dizia respeito? Os protagonistas passaram a atores secundários e de segundo plano, como se duma encenação teatral ou realização cinematográfica se tratasse.

Poderíamos supor que, aquelas provocações e manifestações violentas e agressivas contra as forças policiais, terão sido encenadas, não por um encenador universal, mas pelos encenadores do costume, profissionais da política para espectador ver e consumir até à exaustão, lançando para as calendas a encenação primeira, objeto da atenção dos mesmos espectadores. 

Apologia da pobreza por Isabel Jonet

Apologia da pobreza de Isabel Jonet
Fonte: Imagem do Blog 

http://corporacoes.blogspot.pt/2012/11/o-dia-em-que-jonet-homenageou-as.html

 

 

Penso não haver dúvidas que todos queremos que o Banco Alimentar continue a ajudar quem necessita e devemos todos contribuir e continuar a apoiá-lo, mas sem essa senhora que, se não estiver agarrada ao poder e ao protagonismo, deve ela própria demitir-se. 

 

 

Andam alguns colaboradores de jornais a escrever que todos os que se insurgem contra as afirmações de Isabel Jonet são de uma determinada esquerda. Mas o que os leva a etiquetar outros como seno de esquerda? Será que acham que os que são de direita não poderiam, nem deveriam pronunciar-se contra as afirmações que vêm do setor a que pertence aquela senhora? Isso é sectarismo. As referidas afirmações incomodaram tanto os de direita como os de esquerda e os sem partido porque foram dirigidas a todos.

Os mais jovens não passaram por isso, mas, afirmações como aquelas que a senhora Jonet proferiu, ouviam-se no tempo de Salazar quando, sistematicamente, se fazia passar a mensagem, coadjuvada pela igreja, da pobreza como uma virtude a seguir. Cada senhora rica da alta sociedade da época tinha os seus pobrezinhos que protegia e se regozijava com isso. Era o Estado da altura que fomentava as obras de caridadezinha privada para apoiar dois tipos de pobreza, os pobres que pediam à porta das igrejas e na rua, e os pobres envergonhados que a igreja protegia.

Esta senhora não deseja que os pobres saiam da pobreza, quer mais, quer que se agrave. Aliás algumas das suas afirmações são a evidência do que acabo de dizer: “vivíamos muito acima daquilo que eram as nossas possibilidades", "há uma necessidade permanente de consumo e de bens para uma satisfação das pessoas e que conduz à felicidade que não é real.” E ainda "Vamos ter que empobrecer muito, mas sobretudo vamos ter de reaprender a viver mais pobres". Pode perguntar-se a essa senhora se ela tem uma felicidade que não é real ou se, pelo contrário, pratica ela própria uma não “permanente necessidade de consumo” que a possa elevar à pobreza como felicidade.

Penso não haver dúvidas que todos queremos que o Banco Alimentar continue a ajudar quem necessita e devemos todos contribuir e continuar a apoiá-lo, mas sem essa senhora que, se não estiver agarrada ao poder e ao protagonismo, deve ela própria demitir-se.

Mais cargos políticos para sobrecarregar a despesa do Estado e os nossos impostos

Depois dizem que se está sempre a dizer mal de tudo. Pois claro, o caso não é para menos. Quando tanto se fala em cortar nas despesas que dizem respeito aos cidadãos, como SNS, e apoios sociais e despedimentos na função pública, criam-se novos cargos nas autarquias. No Jornal Expresso desta semana, 10 de novembro, última página, vem uma notícia com o título “Relvas cria “jobs” para ex-autarcas da qual passo a transcrever alguns passos.

O “lead” da notícia informa: “Vai nascer uma nova classe de dirigentes a nível intermunicipal. Serão mais de uma centena, remunerados

A notícia refere que o Governo aprovou uma proposta de lei em que autoriza um novo nível na Administração Publica” em que mais cem cargos remunerados vão nascer. Todos eles com vencimentos ilíquidos de 4000 euros, mais do que ganha um deputado. As remunerações dos restantes membros daqueles órgãos vão ser equiparadas a vereadores a tempo inteiro. Há algumas dúvidas quanto aos poderes daqueles órgãos. A notícia do Expresso continua dizendo que “numa altura em que se fala da racionalização da despesa, a criação da figura do "primeiro secretário" das comissões executivas é vista em meios políticos da oposição como "um fato à medida" de autarcas impedidos de se candidatarem a novo mandato.

Cortam no Estado Social e cada vez impõem mais austeridade aos portugueses para isto. Todos nós estamos a pagar isto, mas os senhores comentadores comprometidos não comentam estas notícias. Pois, não convém que se faça muito alarido. Quanto à oposição PS nem um comentário sobre isto, porque também lhe vai interessar para as suas clientelas partidárias já na expetativa das próximas eleições.

Medidas sociais para animar incautos ou a conversa da treta do costume

Foi noticiado um acordo com a APIFARMA e o Infarmed para a distribuição pelos idosos (repito: pelos idosos) medicamentos que estejam a seis meses do fim da validade. A medida parece-me positiva, mas como já vamos estando habituados às mais diversas “manobras” destes senhores que nos governam ficamos logo em alerta.

Como se está a verificar uma quebra na procura dos medicamentos por falta de recursos financeiros de quem necessita de os comprar, normalmente os pensionistas e reformados idosos, aqui está mais uma medida, esta aparentemente positiva, daquele senhor que está no Ministério da Segurança Social que hoje propõe uma coisa e amanhã o seu contrário.

O objetivo suposto é que as empresas farmacêuticas distribuam medicamentos que estão no fim de prazo de validade por falta de venda. Dizem ser uma doação, mas, resta saber, quem vai assumir os custos a distribuição se são a APIFARMA e o Infarmed.

 Claro que, quem vai apanhar com os medicamentos em final de prazo são mais uma vez os idosos que são os mais  vulneráveis economicamente e menos informados, podem não perceber qual o verdadeiro alcance da medida, devido à falta de informação e de esclarecimento sobre a  “bondade da oferta”.

O pode acontecer se, por exemplo, um medicamento com uma embalagem de 20 comprimidos estiver a uma semana do final do prazo, continua a ser válido tomar esse medicamento sabendo que após alguns dias ficará fora de prazo? E se, em conformidade com a posologia indicada, esse medicamento não for consumido nessa semana? Haverá ou não, o risco de esse medicamento continuar a ser utilizado pelo doente após ter caducado a validade?

Há ainda outro problema que é o de saber se os medicamentos a distribuir são, de facto, aqueles que são os mais utilizados pelos idosos face à prescrição médica e também se serão os se encontram em armazém perto do final da validade. Combater o desperdício sim, mas não à custa das pessoas. É que, quem toma medidas, deve saber que está a lidar com pessoas e não com números.   

Poderemos sempre especular sobre uma possível teoria da conspiração contra os idosos. Se em condições normais aqueles medicamentos não estariam autorizados a ser comercializados e a entrarem no mercado farmacêutico, porquê agora a descoberta desta grande medida social?

Conforme o previso no Programa de Emergência Social, a distribuição dos medicamentos é feita em «locais próprios e credenciados nas instituições sociais, com salvaguarda das regras legais de segurança». Vão controlar isto? Então não vão…? E os custos do controle não contam? Poupam na farinha e gastam no farelo. Resta ainda saber se aquelas instituições farmacêuticas não receberão quaisquer compensações do Estado, por poucas que seja, com esta benesse aos idosos.

Após ano e meio qualquer cidadão como eu está no direito de desconfiar de quaisquer medidas que venham desta governação porque elas trouxeram sempre “água no bico”. Quer dizer com isto que dizem uma coisa e aplicam outra, prometem uma medidas e executam outra.

Isabel Jonet uma senhora com letra pequena

Isabel Jonet, presidente do Banco Alimentar contra a Fome, advogou ontem, 6 de outubro, na edição da noite da SIC Notícias  empobrecimento e fome para os portugueses como necessários para a saida da crise.

Afirmou ainda que o estado social não pode continuar e que vivemos todos acima das nossas possibilidades, numa mesa redonda onde se encontravam Manuela Ferreira Leite e Rui Vilar.

Custa a acreditar mas é verdade. Para ela a luta contra a fome é criar mais pobreza.

É preciso que haja fome para que senhoras como esta possam existir.

 

VEJAM

 

 

Comentadores, analista políticos e banqueiros do aguenta, aguenta.

 

Quem tiver a disponibilidade e a paciência para ver e ouvir os comentadores políticos, analistas de economia e um novo grupo, a que alguns “pivots” da televisão resolveram dar o pomposo nome de “senadores”, que proliferam pelos vários canais de televisão, poderá, facilmente, tirar algumas conclusões. A primeira é que, todos eles, quase sempre os mesmos, pertencentes ou simpatizantes de uma determinada ala político-partidária, tecem de cima da sua cátedra,  sapiência sobre as medidas que se tomaram e que se devem ou não tomar.

Como se tem reparado, este jogo de xadrez de comentadores está à partida viciado. Porquê? Porque, salvo raras exceções, são conhecidos militantes de topo dos partidos atualmente no governo, pelo que, estamos no direito, de em princípio pôr em causa a sua isenção. Claro que mau seria que por vezes não fizessem críticas ao executivo em pontos demasiado evidentes. Mas se num dia o fazem noutro dia apontam logo no sentido contrário.

Quando se referem, por exemplo, à necessidades de mais austeridade, aos cortes de subsídios e de pensões, aos cortes na saúde e na educação como soluções inevitáveis, medidas que afetam a maior parte das populações, podemos pensar, e o pensamento ainda é livre, que se estão a defender a eles próprios porque sabem que ficarão em certa medida salvaguardados e, por isso, os “outros” que somos nós, o povaréu, como alguns já chamaram, que paguem a crise.

Se nos dermos ao trabalho de pesquisar quem é esta elite de comentadores, facilmente chegaremos à conclusão de que estão todos bem instalados, sem preocupações de desemprego, com remunerações mensais que ultrapassam em muito as dezenas de milhares de euros mensais, e a saúde e as reformas estão mais do que garantidas. Poderá dizer-se que eles também são afetados pelos impostos, pois também era o que mais faltava! Mas, como todos sabemos, há sempre formas de minimizar esse efeito, coisa que qualquer vulgar trabalhador por conta de outrem, que recebe o seu salário mais do que controlado, não consegue.

Coloquemos como hipótese que um de nós concorria a um emprego, éramos selecionados e a proposta contratual remuneratória era a seguinte: um valor base de remuneração que seria 1000€, com direito a viatura própria, pagamento mensal de gasolina pela empresa, pagamento de parte da habitação própria através de despesas, cartão de crédito da empresa com permissão de despesas pessoais, seguro de saúde pago pela empresa, entre outras regalias. Vejamos agora qual seria o valor que iria declarar para o IRS. Fazendo as contas teríamos 1000€X14 meses seria igual a 14000€ anuais e seria isso que declarava como rendimento. Comparemos agora com outro trabalhador que recebia também e apenas um salário mensal dos mesmos 1000€ sem quaisquer outras regalias. A sua declaração para o IRS seria 14000€ de rendimento anual. Para bom entendedor meia palavra basta. O que está em causa é a facilidade com que alguns e não tão poucos como se pensa, contornam os impostos.

Também não está em causa o valor salarial recebido que pode ser maior ou menor pois tem que ser de acordo com a sua formação, responsabilidades, experiência profissional, grau de exposição pública, etc., etc.. Um administrador de uma grande empresa ou um governante têm que ser bem remunerados, pois que ninguém aceitaria um ordenado, por exemplo, de 1000€ mais ajudas de custo para ter determinada responsabilidade, preocupações e o ritmo de trabalho que se lhe exige. A grande vantagem não está apenas na remuneração, mas nas portas que se lhe abrem, posteriormente, para o domínio privado. São contra o aumento de impostos mas, por outro lado, defendem a austeridade ma para os “outros”, porque da austeridade estão mais ou menos a salvo.

Ainda em 30 de outubro deste ano pudemos ouvir um banqueiro defender publicamente que ainda há espaço para mais austeridade e, comparando Portugal com a Grécia dizia que lá fazem umas revoluções, “partem umas montras”, mas “lá continuam vivos”. Que conclusões se podem tirar destas afirmações? Que interesses poderão existir por detrás delas ao apoiar o orçamento? Que interesses estarão em jogo? Que promessas terão sido feitas à banca? Perante as afirmações do referido senhor banqueiro, se tivesse dinheiro em tal banco correria a tirá-lo de lá nem que, para isso, tivesse de sacrificar os juros.

Não sou contra os bancos, longe disso. Que se deve tentar baixar o défice e diminuir a despesa e que para isso deva haver austeridade é um facto, contudo há limites.

Os bancos estão a ganhar com a dívida pública. Estão a financiar-se junto do banco central europeu a uma taxa baixíssima, cerca de 0,75%, e estão a emprestá-lo ao estado português a 7% ou 8%. Que grande negócio está a ser a nossa dívida.

Portugal perdeu a sua soberania face à Alemanha e tenta uma aproximação ao nível da educação e, internamente, o Estado perdeu a autoridade face aos grandes grupos financeiros que o controlam e dele tentam obter o maisque podem. Ainda esta tarde foi divulgada uma notícia pelo Correio da Manhã de que Nuno Crato “assinou um memorando de entendimento com a Alemanha para a cooperação na área do ensino profissional”.

Podem dizer que este é m texto populista e demagógico, talvez, mas não digam que não é realista.