Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2017

Falsas preocupações

Os que estiveram à frente da governação num passado, ainda não muito longínquo, fizeram as suas trapalhadas mas nunca ninguém se demitiu nem foi demitido. Caso das listas VIP, por como exemplo, quando Paulo Núncio era secretário de estados do tesouro no ministério de Maria Luís Albuquerque. Paulo Núncio teve uma tirada teatral no caso dos 10 mil milhões que se esgueiraram para os offshore entre 2012 e 2015 o que, diga-se, parece ser muito mais preocupante do que os SMS’s trocados entre de telemóveis de quem quer que seja, com quem quer que já foi, o que ainda deve dar muita satisfação que se saiba a Lobo Xavier.

O golpe de teatro de Paulo Núncio, dando-se ares de tomar uma atitude ético-moralista, que não teve no caso das listas VIP, vem tentar mostrar-nos agora uma integridade política que na altura não teve quando responsável do tesouro.

Isto de assumir responsabilidades governamentais “póstumas” pedindo a sua demissão dum qualquer cargo partidário, neste caso no CDS, já nada nos diz, e nada muda. Isso é lá com ele e com o partido a que pertence, para nós, portugueses não interessa nada. O que nos interessa, isso sim, é o que se passou, o porquê e o como. Claro que o PSD, oportunisticamente, e mais uma vez querendo mostrar-se isento e de princípios éticos corre pressuroso a reclamar uma comissão de inquérito. Tudo bem. Mas não passa duma tentativa para salvar a sua alma porque o caso deu-se quando o PSD e Passos Coelho estiveram no governo e Maria Luís Albuquerque era a sua ministra das finanças.

Eu, cá por mim ficarei com a dúvida que é a de saber se foi apenas um mero esquecimento ou falha administrativa, ou se, de facto, não terá havido a intenção de favorecer quem quer que fosse. Isso de pedir a tal comissão parlamentar de inquérito ainda me levanta a suspeita de ser uma espécie de manobra para enganar o Zé Povinho que ainda acredita num PSD que se quer manter a todo o custo numa oposição que já não é credível. E assim será até que o atual líder se mantiver porque, quando ele sair, os galos que cantam também vão deixar de cantar e eles não querem.

Publicado por Manuel Rodrigues às 18:38
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Sábado, 25 de Fevereiro de 2017

Isto está cada vez pior

Está cada vez pior.png

O pequeno episódio que lhes vou contar não é anedota nem tão pouco é da minha lavra ficcional, que é pouca. Encontro-me algures no interior da Beira Alta num lugarzito muito verde com visibilidade da Serra do Caramulo que os incêndios provocados por mãos incendiárias tornaram numa espécie de montes escalavrados.

Estou rodeado por pequenas parcelas de terras onde se inserem pequenas casa de imitação de mau gosto urbano, outras antigas rurais que, apesar de modernizadas mantiveram a sua traça rural e adequadas ao ambiente. Os quintais à volta são plantados, consoante a época, com as mais diversas culturas para consumo interno. O cultivo é a ocupação onde grande parte da população, já reformada, passa o seu tempo cavando, plantando, tratando, colhendo, numa rotina interminável onde o que varia são apenas as culturas nos pequenos talhões de acordo com as épocas do ano.

População muito conservadora, votante na direita, naquela que a democracia lhes proporcionou mas que se mais à direita houvesse assim votariam.

Voltando à estória que resolvi contar-lhes que se passou numa dessas terras dum nosso vizinho. Homem há muito reformado com algumas limitações de mobilidade mas não tantas que não o coíbem de se passear, lentamente pelo seu pequeno minifúndio. Antigamente era ele e a mulher que amanhavam os talhões para o planto da couve-galega, das alfaces e dos tomates e, na época, o feijão-verde. A modernice, para não ficar atrás de outros levou-o a adotar do Kiwi construindo uma pequena arcada com os ramos desta fruta tropical

Conhecemos a sogra do senhor Augusto na altura em que ele e a sua mulher ainda viviam fora daqui. A D. Benilde gastava horas ao muro junto da sua casita a palrar com a vizinhança que passava e, como as nossas traseiras dão para a casa dela éramos os eleitos para os seus desabafos. Digo palrar porque a sua interminável lengalenga discursiva era tão rápida e ao mesmo tempo tão gaguejante que, para os nossos ouvidos, embora atentos, era mesmo assim impercetível.

O senhor Augusto e a sua mulher tinham vindo de Angola após a descolonização e fixaram-se lá para os lados do entre Leiria e Coimbra onde ele trabalhava numa qualquer indústria instalada naquela região. Nunca soubemos a fazer o quê. Nunca os víamos por aqui, nem aos fins de semana, nem nas férias. A D. Benilde aqui vivia sozinha sem tempo nem paciência para mais do que não fosse plantar umas covitas para a sopa.

Soubemos do falecimento da D. Benilde já com idade avançada quando voltámos aqui num certo verão. Já lá vai uma boa dezena de anos, ou mais. Talvez não fosse coincidência, mas o senhor Augusto e a esposa resolveram vir para a terra da mãe dela e aí construíram uma pequena casa como sendo de arrumos para não terem que pedir licença. A casa tem porta e janelas apenas para o lado de dentro da terra, do lado da ruela é só parede.

Os anos não perdoam e a idade mesmo que não gostemos é inexorável e vai pesando a todos coisa que para o senhor Augusto não era de esperar exceção tendo como consequência terem deixado de cultivar os talhões, mas, mesmo quando as pernas já não podem, há tarefas que têm de ser feitas e, assim, contrata-se outro que o faça. É o caso da poda das vinhas, que rodeiam o muro da terra e que é feita cerca de quatro meses após as vindimas, e a das árvores de fruta, e também a limpeza das ervas daninhas para a terra não ficar a mato.

Foi neste afã da poda das vinhas que volteiam o muro que ouvi a conversa em voz alta do senhor Augusto sentado numa cadeira a conversar ao mesmo tempo que observava a perícia do seu contratado. Diálogo curto mas representativo do pensamento do povo que somos e do qual quem sempre viveu numa grande cidade não se apercebe.

Empoleirado numa espécie de pequeno andaime, o trabalhador e o senhor Augusto sentado olhando para cima, tecia considerações sobre a tarefa e outras coisas mais. Por entre a conversa o senhor Augusto, cavaquista ferranho e fiel votante do PSD, segundo dizia, interpretava ao seu modo o que via e ouvia na televisão sobre a política do país.

- Nunca houve ninguém como o Cavaco, esse sim é que era um político a sério – falava com o seu ar de entendido instruindo o seu interlocutor que acho nem o escutava.

- O país estar a ser governado pela esquerda é um desastre. Qual maioria parlamentar qual quê! Isto precisava era dum Salazar.

A meio da tarde, já o sol de inverno se encaminhava para o ocaso, juntou-se ao grupo um outro parceiro para ajudar ao trabalho. Era o irmão do podador. Indivíduo gordo que trazia vestida uma camisola amarela que vincava uma barriga bem nutrida de tal modo saliente e arredondada que faria inveja a um globo terrestre. Logo que chegou foi inquirido pelos outros dois.

- Então isto é que são horas de chegar? - Perguntou-lhe o irmão em tom pouco amistoso.

- Não queiram saber! – Exclamou. Estive a fazer um trabalhinho, aqui a onze quilómetros, e depois fomos almoçar e atrasei-me um bocado – justificou-se continuando a resenha sobre a causa da tardia chegada.

- Foi um rico almocinho que estava bom e saboroso! – Exclamou o recém-chegado a desoras para aquele biscate.

E, sem deixar que ninguém o interrompesse continuou com o seu protesto de indignação.

- Com aquele almoço tão bom bebi apenas um copinho. Vejam lá! Apenas um copinho! Um só copinho! O almocinho estava-me a saber tão bem!

- Eles andam para aí danados na estrada – vociferou.

O senhor Augusto não lhe deu tempo para mais nada e, com um bramido estridente, grave e indignado lançou para o ar o seu grito de revolta:

HUMM! Isto tá cada vez pior!

Tags: ,
Publicado por Manuel Rodrigues às 18:16
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2017

Caçadores de bruxas

Caça às bruxas.png

A direita iniciou uma espécie de caça às bruxas aos elementos do Governo recorrendo a todas as cavilações a que tiver de recorrer para condenar, achincalhar tudo e todos que lhe possam causar incómodo. A explicação é simples: à direita não convém que, por interesse exclusivamente partidário, embora alheio ao país, estejam a ser conseguidos resultados que vêm descredibilizando as teorias que avançavam quer no passado recente, quer no presente.

A direita quer recuperar o que perdeu e, para isso, utiliza tudo que estiver à mão, não interessa o quê, apresenta-o com aquela carga de agressividade dos sem razão e dos perdedores como se o ataque fosse a melhor defesa. Faz-me lembrar aqueles filmes em que o herói leva pancada dos “maus” até ficar quase sem ação e, por artes mágicas, o nosso herói levanta-se e dá uma valente pancadaria no “mau”. Poderá ser isto que venha a acontecer mais tarde ou mais cedo à direita.

No meio de tudo o que tem estado por detrás da CGD algumas elites bem instaladas, alguns deles atores do debate político onde dissimulam o que são na realidade do dia a dia e, com objetivos partidários fazem colheitas rebuscam nas amizades e nos conhecimentos pessoais que possa ser recrutado e aliciados para uma traiçãozinha, dando-lhes garantias de ficarem bem fotografia. Não sei se sabem a quem, e ao que me refiro. Não será difícil lá chegar.

Em Portugal a direita acha que tem o monopólio da democracia. Ela é a democracia, julgam. O resto não conta. Que bom seria existir apenas, e só, a direita. A direita não gosta de ser contrariada, tal e qual uma criança faz uma birra porque não lhe dão ou tiraram um brinquedo. Bate os pés, chora, grita, torna-se agressiva. Para uma criança nestas circunstâncias não existe possibilidade de negociação ou de troca. Nada escuta. Ouve-se apenas a ela própria. Até que, pela exaustão e cansaço, acaba por adormecer e, quando acorda está serena. Então pode negociar-se com ela.

Privada do seu complexo se superioridade que as eleições lhe deram, embora em minoria, a direita em Portugal, controlada pelas elites financeiras e de compadrios, por oportunismo partidário, não se desvia, um milímetro da sua linha que, como se sabe não funcionou. Capturada por um neoliberalismo ideologicamente estrangulador, e por uma comunicação social que a protege, deixou de saber o que é a social-democracia a que diz pertencer.

Como se viu no caso da TSU esta direita é duma incoerência pertinaz, como o é quem exercita a sua inteligência no estrito sentido partidário e de poder que diz lhe caber por direito embora a realidade parlamentar seja outra. Mas, por outro lado, e porque não quer ser incoerente com as linhas programáticas que defendeu e adotou durante os anos no poder, recusa-se a mostrar claramente o que defende e o que pretende optando sem fim pela política das coisas marginais. A discussão sobre os problemas no país não tem lugar, não interessa à oposição de direita que se encontra despojada de chaves críticas e com as ideológicas transformadas apenas em objetivos partidários. A direita não se abre a dizer o que pretende.     

Os aspetos sociológicos que, afinal, em sentido restrito, são os das pessoas em comunidade são negativos e desconsiderados pela direita. Para ela as pessoas não interessam, e agora parece que já nem o país. Jura e tresjura que o país pode sofrer involuções gravíssimas, que tudo está dominado pelos radicais de esquerda, ameaçam com o passado amedrontando, lançando dúvidas. O medo é a sua arma preferida para atingir as populações politicamente menos esclarecidas, sem culpa delas.

A oposição não tem que apoiar nem tem que aceitar o que um governo faz ou propõe, por isso mesmo é oposição, mas o debate político da oposição não deve ser o enxovalho  que conduz à descredibilização dos políticos e com ela os seus próprios.

O facto de Portugal assentar em bases fundamentalmente democráticas qualquer retrocesso mesmo grave não será possível cair-se novamente em forma autoritária do tipo fascista como está a acontecer na Turquia e na Polónia para não falar de outos países com a U. E. a observar impávida, e serena.

Publicado por Manuel Rodrigues às 18:31
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2017

Direita séria, e a sério, precisa-se urgente para Portugal

Politica séria.png

A direita tem demonstrado qual é a sua forma de prestar serviço ao país: desestabilizar, com o apoio de grande parte da comunicação social, para ocupar novamente o poder com estratégia idêntica a que partidos extremistas quer de direita, quer de esquerda adotam por esse mundo. Destabilizar, criar convulsões políticas que lhe abram o caminho ao poder. Quando não há motivo inventa-se um que passe a ser, supostamente, um assunto nacional. Só falta o golpe de Estado palaciano.

Faltava agora o sinistro ex-Presidente da República, Cavaco Silva, aparecer com livros e livrinhos e para ajudar a oposição de direita. Lançando piadinhas provocadoras sobre otimismos do então primeiro-ministro José Sócrates. A este pretexto vai fazendo uma provocação subtil ao atual Presidente Marcelo Rebelo de Sousa e a António Costa contaminada por certo estado de espírito dado à invejinha. Posso até pensar que poderá terá havido uma espécie de conluio com a oposição de modo a ser feita nesta altura a apresentação do livro que me parece ser mais uma forma a dar uma ajudinha à sua fação partidária.

Apesar de Manuela Ferreira Leite, quando se lhe fala de Cavaco, entrar sempre em sua defesa, talvez derivado a tempos passados de governo, ele é o exemplo perfeito da representação da direita deste país. O livro poderá ser idêntico a um volumoso resumo de apanhados de alguma imprensa sensacionalista com mais ou menos considerações para ajudar esta direita cuja reforma está a ser pedida há muito.

Esta é a direita da abjeção. A direita do jogo baixo, como sempre foi, mesmo quando esteve no governo. Enganou, omitiu, trapaceou. É uma direita umbilical cujo poder, dizem, lhe foi tirado. É uma direita amoral, sem ética, cuja luta pelo poder se baseia, e só, em atacar pessoas, é uma direita que não olha para dentro de si. Não olha para os submarinos, para os vistos Gold, para as “Tecnoformas”, para as listas VIP das finanças que não se podiam divulgar e outras, é a direita que usa e abusa de julgamentos na praça pública com o apoio de certa comunicação social, é uma direita que olha para os seus interesses em detrimento de todos nós, portugueses, é uma direita onde se encontram alguns descendentes duma elite que, perdendo as colónias e integrados, pretendem  aproveitar Portugal para benefício próprio (felizmente nem todos).

Lembram-se das vezes em que os deputados do PSD e do CDS-PP votaram contra o pedido para ver as mensagens trocadas entre Paulo Portas e os diretores da Mota-Engil? E no caso da Ferrostal, recordam-se? E quando os deputados do PSD e do CDS-PP negaram o acesso a ver as mensagens trocadas entre Maria Luís Albuquerque e os bancos com quem renegociou swaps, recordam-se? E as mensagens trocadas com o Santander Totta como eram? Recordam-se dos deputados do PSD e do CDS-PP terem exigido ver tudo isto tudo alegando a defesa do interesse público?

São agora estes os impolutos e os falsos moralistas. Hipócritas da política, nunca visto em Portugal.

Não lhes vai chegar a CGD, António Costa, e o ministro das finanças. Seguir-se-á a vez do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a quem não perdoam o apoio institucional que dá ao Governo face aos resultados obtidos. Resultados conseguidos, elogiados, mas pouco divulgados pela nossa “isenta” comunicação social. Recordo apenas que, durante o anterior governo de Passos Coelho, eramos diariamente bombardeados com notícias dos “sucessos” do dia, com o relevo dado a décimas mostrados pelos indicadores, e com os juros quando eram favoráveis da colocação nos mercados da dívida pública. Agora, apenas vemos amostras rápidas dos sucessos do governo atual em notícias dadas atabalhoadamente e de forma confusa.

Precisa-se duma direita sem falsos moralismos, com ética, com valores, séria e faça mais oposição e menos rábulas.

Publicado por Manuel Rodrigues às 17:36
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2017

Os Estados Unidos da América e as promessas de Donald Trum: uma visão pessoal

Trump_Presidente4.png

Dos Estados Unidos da América conheço apenas Nova York e, mesmo assim, não tão bem quanto gostaria. O resto que sei daquela América é através de notas de viagens, livros, revistas, jornais locais, documentários e filmes filtrados com espírito crítico assim como o que a internet nos permite consultar com a devida preocupação de filtrar a fidedignidade da informação.

Em Portugal somos tentados a considerar os Estados Unidos como uma nação unitária e não nos dando conta de que são apenas Estados duma União diferente nas mentalidades, na imprensa, na política, nos costumes e na justiça. Os Estados Unidos estão marcados pelo sentimento muito fundo pelo menosprezo sistemático por tudo o que é estrangeiro e por um chauvinismo reacionário e absurdo que durante as últimas décadas estiveram ocultos. Foi isto que Donald Trump conseguiu perceber, e foi nessa base que construiu a linguagem das suas intervenções de campanha e que assim continua. Interpretado o sentimento de muitos americanos utilizou a estratégia populista e com um discurso de ação política para conquistar apoio através da manipulação de emoções populares em prejuízo de argumento lógicos e racionais para captar votos.

USA1.png

Mapa dos estados dos Estados Unidos da América

O que ultimamente se tem visto nos EUA é o aproveitamento dos media para uma campanha de marketing e de relações públicas nunca vista com anteriores presidentes fabricando e difundindo notícias de populismo favorável a Trum ao mesmo reduz as notícias desfavoráveis grande parte das vezes sem obter sucesso já que de modo geral os artigos de opinião sobre o seu executivo não lhe têm sido em quase nada favoráveis. Pelo que tenho percebido pela informação publicada parece que nesta nova administração existe uma força contrária que está a bloquear e a reduzir a influência das notícias desfavoráveis. Um dos exemplos foi caso das imagens divulgada pelos media sobre a população que assistiu à cerimónia da tomada de posse de Donald Trump que, em comparação com a de Obama, teve muito pouca afluência. O que sucedeu de seguida foi uma estratégia de contra informação que acusou a comunicação social de falsear as imagens que, como se sabe eram fiáveis e verídicas.

Pelas notícias veiculadas pela maior parte dos media dos EUA podemos caracterizar Trump, sem grande margem de erro, como a máscara assumida da prepotência e da presunção de quem não conhece, nem pressupõe, a existência de nada fora de si mesmo. Propagandismo rude e infantilizado, muito parecido ao da ex-união soviética no tempo de Estaline que mostra o rosto do americanismo mais rude e grosseiro de outrora manifesto no interior do país.

Do meu ponto de vista Trump fez promessas eleitorais a uma América, intelectualmente menor, das pequenas cidades do interior, dos estados onde prolifera aquilo que muitas das vezes os documentários, não propagandísticos, nos mostram: os bares com as paredes ornadas com troféu de caça das próprias florestas, os camponeses jogando às cartas, os chapéus à cowboy nas cabeças, as mulherzinhas sentadas à espera de engate, os bêbados que armam brigas saudosos do tempo dos duelos e da caça ao índio,  enfim. E, quem não frequenta estes bares, passa o seu tempo livre enterrado num sofá a comer calorias em catadupa e a ver televisão sintonizada nos canais de propaganda conservadores como a da Fox Broadcasting Company. Haverá muitos que nunca votaram (e ainda bem que não), nem sabem o que isso é que, por isso, talvez Trump não tenha tido mais votos.

Há, todavia, uma situação poderá explicar a deslocação do voto tradicional nos democratas na região dos grandes lagos e na região nordeste, o denominada Manufacturing Belt, Cintura Industrial dos EUA (Mapa 1), como era conhecida nos anos 70 do século passado.

USA2.png

 Mapa 1 – Cintura industrial EUA

Foi nos estados de Wisconsin, Ohio, Michigan, Indiana, parte de Illinois, West Virgínia e Pensilvânia, donde foram deslocalizadas muitas empresas fabris, muitas delas para fora dos Estados Unidos, e onde outras fecharam portas.

Foi naqueles estados que votaram nos democratas em 2008 e que em 2017 votaram nos republicanos com Trump. Podemos comparar as cartografias das eleições em 2008, quando os democratas ganharam, com as de 2017 em que ganharam os Republicanos (dos mapas 2 e 3).

USA3.png

Mapa 2 - Eleições de 2008. Os estados a vermelho correspondem a votações no Partido Republicano

Fonte: Geoawesomeness

USA4.png

Mapa 3 - Eleições de 2016. Os estados a vermelho correspondem a votações no Partido Republicano (Trump)

 

Comparando os dois mapas observa-se que foram os estados do nordeste do EUA que abandonaram a votação nos democratas em favor de Donald Trump. O mesmo se passou com o estado da Califórnia, mas por causas diferentes.

USA5.png

Mapa 3 - Eleições de 2016. Os condados a vermelho foi onde o Partido Republicano (Trump) aumentou as suas votações

Fonte: New York Times


Os condados, (subdivisão administrativa de cada um dos estados nos Estados Unidos), onde o Partido Republicano, com Trump, aumentou as votações estão evidenciados por uma linha a preto. Trump conseguiu vencer em estados em que os republicanos não tinha ganhado desde 2000 (ver evolução no Mapa 4).

USA6.png

 Fonte: Geoawesomeness

Recordando alguns trabalhos sobre geografia industrial e económica dos EUA e recorrendo a uma recensão que fiz nos anos 80 de um artigo que Allan Pred publicou na revista Economic Geography sobre a região industrial dos Grandes Lagos constatava-se que era naquelas regiões onde a maior parte das indústrias de alto valor acrescentado estavam localizadas. Indústrias de alto valor acrescentado são aquelas cujas diferenças entre o valor total de receitas das vendas e o custo total de componentes, materiais e serviços adquiridos de outras empresas dentro de um relato período é mais elevada.

Foi no extremo nordeste que no princípio do século passado foram criadas estruturas onde se concentrava um número crescente de habitantes que obtinham empregos nas indústrias.

Era naquelas regiões onde se localizava também a indústria automóvel como por exemplo Detroit no estado de Michigan.

À volta da indústria automóvel foram criadas outras que serviam de fornecedoras de componentes e serviços às que ali se localizavam. Nestas regiões há ainda florestas de pinheiros, abetos e outras árvores que são utilizadas para a produção de papel e outras indústrias. Pred demonstrou no seu artigo que, na generalidade, as indústrias de alto valor acrescentado concentravam-se nas regiões tradicionalmente mais populosas e industrializadas do país. 

A conceção comum do “Manufactoring Belt” era a das grandes fábricas com um impacto ambiental significativo e provavelmente negativo. Empregavam mão-de-obra não qualificada, fazendo trabalho repetitivo nas linhas de produção. Entretanto as empresas industriais evoluíram significativamente e surgiram novas indústrias e, portanto, a perceção que se tinha de indústria está desatualizada.  A definição clássica circunscrevia o fabrico à transformação de matérias-primas em produtos acabados. Esta definição era limitada e não admitia a complexidade das modernas operações das atividades industriais. Daí o abandono e a deslocalização de muitas daquelas indústrias do “Manufacturing Belt” para outros países onde a mão de obra é mais barata e outros custos são menores. Muita coisa mudou no Mundo e nos EUA ao nível da produção industrial quer nos processos, quer na utilização de novas tecnologias. 

Os Estados Unidos têm tipicamente um grande desequilíbrio comercial com a maioria das regiões do mundo, mas o desequilíbrio com a Ásia, especialmente com a China, continua a aumentar como pude verificar nas estatísticas do comércio externo do país ver Mapa 5. Não é por acaso que Trump ora diz que vai modificar isso, ora fala telefonicamente com o presidente da China.

USA8.png

Mapa 5 – Maiores parceiros comerciais das importações e exportações em cada estado em 2014

Segundo a revista US News Worls Report o presidente Donald Trump prometeu revitalizar a produção de bens nos EUA e recuperar milhares de empregos das industrias incluindo a mineira que se perderam ao longo dos últimos 20 a 30 anos. Parece, contudo, ser uma mistificação de Trump porque a retoma da produção já estava em andamento antes dele se candidatar a presidente e da tomada de posse no mês de janeiro. A US News cita o Bureau of Labor Statistics que mostra que a contratação de postos de trabalho em dezembro atingiu uma alta de quatro meses. Embora a produção de bens e de equipamentos nas indústrias de mineira exploração de madeira, construção e indústria mesmo que representem apenas 13% dos ganhos de contratação de dezembro, sua força relativa era difícil de perder. “As contratações na construção subiram para o nível mais alto desde dezembro de 2014. As contratações na indústria tiveram em novembro o melhor desempenho mensal desde 2010. As oportunidades de emprego na exploração mineira e exploração de madeira, entretanto, subiram para seu segundo maior nível de 2016.”.

Segundo as estatísticas do trabalho, numa entrevista reproduzida pela US News, e de acordo com dados de janeiro, em 2016 “os setores de produção de bens da economia verificaram uma perda mensal média de 2.000 empregos nos EUA, enquanto os setores de prestação de serviços cresceram a uma média de 166.000 empregos/mês”.

Foi esta situação que terá levado ao descontentamento que muitos trabalhadores dos estados industriais do denominado Manufactoring Belt estavam a sentir entre parte de 2015 e início de 2016. Este descontentamento manifestou-se pela votação em Trump naqueles estados (comparar Mapas 1 e 2).

Trump, durante a campanha eleitoral, sugeriu que a fabricação de peças de veículos, que já tinha subido 19% entre 2012 e 2015, seriam uma prioridade fundamental nas conversações com as administrações das fábricas de automóveis. A revista online US News afirma que o fabrico de peças par veículos automóveis, de acordo com o relatório, em 2015 representou 47% do emprego direto total em Michigan, Ohio, Indiana, Tennessee e Kentucky.

Várias situações destas foram aproveitadas de forma populista por Trump durante a campanha eleitoral para fazer promessas irrealistas que, a serem cumpridas, podem levar os EUA a recuar mais de 50 anos.

Trump prometeu uma nova era de produção de bens e mercadorias nos EUA através de impostos alfandegários e restrições comerciais para incentivar mais empresas a montar fábricas no país em vez de importar produtos do exterior. Não sou eu que digo, isto foi várias vezes ouvido nas televisões aqui em Portugal durante a campanha.

Economistas nos EUA têm feito críticas a esta política dizendo que “a automatização eliminou a necessidade de se manterem os mesmos tipos de cadeias de abastecimento de baixo nível de competência e mão-de-obra de baixa qualidade que estavam presentes no auge da fabricação americana.”, como era no passado. "Esses números mostram a associação de fabricantes e as suas empresas associadas estão a impulsionar a inovação, os empregos e o crescimento económico nos EUA, combinando fabrico e tecnologia"

O argumento de Trump é que as estatísticas são falsas, e que a taxa de desemprego nacional é "falsa", e que outros aspetos de indicadores económicos são de alguma forma imprecisos. Estes argumentos devem ter pesado em alguns eleitores nos estados de produção da indústria pesada a que me referi anteriormente e soou como verdadeiro para os eleitores nos estados da indústria pesada como o de Michigan onde as indústrias primárias não viram o mesmo tipo de crescimento de emprego e veio a perder o papel que tivera nos anos 70 do século passado quando pertencia ao grupo de estados de alto valor acrescentado. Sabendo isto, ou disseram-lhe, que Trump delineou a sua estratégia de modo a captar votos aproveitando o descontentamento localizado naquelas regiões que foram perdendo a sua hegemonia.

USA7.png

 Gráfico 1- Total de empregados por setor de atividade 1970-2015

A mensagem de tornar a “América Grande outra vez” não sendo inovadora parece ser mais um espetáculo revivalista de Trump do que uma realidade. Os esforços para tornar a produção de bens novamente grande estão em curso há anos, tendo gerado mais de 2 milhões de empregos no setor da produção. Foi a depressão de 2009, provocada pelo sistema bancário, que levou a que os níveis mais baixos fossem atingidos em 2010. Apesar disso, no final da semana passada, Trump assinou uma Ordem Executiva para a revisão das regras aplicadas à banca no âmbito da lei Dodd-Frank, reforma aplicada à banca após o colapso do Lehman Brothers para evitar uma nova crise financeira mundial.

Segundo o que Trump, como afirmou durante a campanha contra Hillary Clinton, todo o sistema financeiro precisava de ser liberalizado, passando a estar sujeito a menos regras e supervisão para que possa tomar as melhores decisões de investimento. A teoria neoliberalista foi aplicada durante toda a presidência de George Bush, com resultados discutíveis porque, apesar de terem registado lucros históricos, os bancos criaram uma série de hipotecas tóxicas que fizeram rebentar a 'bolha' do imobiliário após a queda do Lehman Brothers. Parece que, não tendo percebido esta realidade, Trump quer agora voltar à liberalização total e desordenada dos bancos revogando uma lei que possibilitava um maior controle. Os neoliberais cometem sempre os mesmos erros, mas sabem que que beneficia e não é atingido são aqueles que eles favorecem quando estão nos governos.

Não fossem aqueles estados e condados, onde tradicionalmente votam nos democratas, terem votado em Trump e estaria ele agora com uma grande depressão provocada pela perda. Foram enganados e com eles também o Mundo. Temos pena.

O Estados Unidos da América são agora um feudo de Trump em que o modelo de desenvolvimento vai ser incompatível com a preservação ambiental afim de abastecer o seu parque industrial, o país vai continuar a ser o um dos maiores poluidores e devastador de recursos naturais do planeta.

Boa parte dos habitantes convive com sérios problemas socioeconómicos relacionados, especialmente, com a marginalização de segmentos da população e à discriminação racial decorrentes da concentração da renda, em que prevalece a busca pelo enriquecimento ainda maior de alguns já em si mesmo muito ricos.

Que país vai ser este a partir de agora?

Publicado por Manuel Rodrigues às 18:35
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|

Oposição carnavalesca da direita

Oposição carnavalesca.png

 A direita PSD e CDS faz-me lembrar aquele tipo de cães de guarda que, quando esfomeados, em vez de ajudarem a guardar a casa, que também é deles, ferram os dentes no sujeito encarregado da sua segurança.  

Entrámos na época carnavalesca e a direita mascarou-se e construiu um carro alegórico que passa na comunicação social apenas aplaudido por aqueles que o ajudaram à sua ornamentação e pretendem que o desfile continue durante a quaresma. Aliás esta direita sempre foi carnavalesca mesmo quando esteve no governo e como sabia que o era pretendeu eliminar o carnaval, senão no calendário, pelo menos no povo.   

Mais lamentável é ainda a comunicação social que alimenta aquele carnaval confundindo notícias com comentários políticos, procurando tudo quanto seja negativo e omitindo o positivo que deveria ser divulgado. Alinhando com a oposição a comunicação social, especialmente alguns canais de televisão, pensando que fazem dos portugueses parvos e selecionam nos seus noticiários o que à oposição interessa. E, quando algo de positivo acontece e não conseguem deixar de o divulgar fazem-no de tal modo confuso em números e comparações que um espectador menos atento ou menos informado ficam sem perceber nada. Ainda ontem, na TVI, no jornal da oito isso aconteceu. Sobre as contas do ultimo trimestre de 2016 divulgadas pelo INE, nem nada. Apenas uma pequena informação onde leva a crer que os indicadores tinham piorado. Alinha pelas declarações da direita. Sobre a declarações de Passos Coelho (embora não agradáveis) sobre o resultado desses indicadores, divulgados ontem pela Antena 3, às notícias, a TVI disse nada.

No último trimestre do ano, o Produto Interno Bruto (PIB) fixou-se nos 1,9%, em relação ao período homólogo, e nos 1,6% face ao trimestre anterior. Mas, para Passos Coelho, o crescimento ficou, no entanto, abaixo das estimativas anteriores.  Defende uma “alteração de política económica” que “o Governo tenha a humildade de concretizar”. Pergunto eu: qual é essa alteração? Voltar à mesma que ele aplicou? Continuamos sem saber porque ele e os do seu partido passam o tempo a falar na CGD, nos mails, SMS, cartas e cartinhas cujo conteúdo não interessam à maior parte das pessoas, tudo numa espécie de carnaval político.  Disse ainda que, “quando a poupança é sacrificada, como foi em 2016, o próprio investimento interno é penalizado”. Boa! Então no tempo dele é que havia poupança quando retirou poder de compra e reduziu salários e pensões?

Direita e televisões em consenso tentam enganar-nos por omissão. Como não poderemos desconfiar do controle da comunicação por grupos de direita?

O corso carnavalesco da direita vai continuar devido ao défice de argumentos que se traduzam numa oposição credível já que a seus argumentos do passado, quando foi governo, estão em derrocada.  Como o diabo não vem a direita quer forçá-lo a sair do inferno, para mal de Portugal, do país e dos portugueses que eles dizem defender. Temos que lamentar a baixeza do tipo de oposição do CDS e do PSD, mais conotada com o PSD, partidos que deveriam primar pela credibilidade política. O que a oposição de direita tem feito é apenas lutar por mais uns pontinhos em termos de décimas a mostrar nas sondagens.

Publicado por Manuel Rodrigues às 17:02
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2017

Fotonovela da CGD ou a crise do não tenho mais nada

Saiba tudo sobre a fotonovela da CGD. Os segredos, as cumplicidades, as receitas partidárias, as conspirações e tudo o que dá para atrair as atenções da comunicação social na “Fotonovela da CGD ou a crise do não tenho mais nada”.

Fotonovela da CGD.jpg

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 23:39
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Domingo, 12 de Fevereiro de 2017

O Brexit de Theresa May e o namoro de Trump

Trump e May.png

Os países que atualmente integram a UE - União Europeia, nomeadamente os países de leste, não foram obrigados, quiseram entrar e fizeram tudo para isso. Considerassem ou não as regras para a entrada sabiam ao que estariam sujeitos, conheciam-nas e aceitaram-nas. A UE não os recusou descorando o que poderia a acontecer.  

Agora, com a saída do Reino Unido a intenção da senhora Theresa May do Partido Conservador, a quem entregaram o governo do Reino Unido para a negociação da saída, é a de apostar na divisão entre membros da UE para daí tirar proveito e iniciar o seu desmantelamento e, daí, ser uma grande aliada para Trump. May já disse que "Este é o primeiro passo para um futuro acordo comercial com os EUA, que poderia proporcionar enormes benefícios para o nosso músculo econômico e dará às empresas mais certeza e confiança". Trump não se faz rogado e corresponde dizendo que “queria que a Sra. May fosse a primeira pessoa que vê quando chega em uma visita de estado para ver a rainha e que ele disse a um funcionário que guardasse o cardápio da Casa Branca para almoçar juntos como lembrança Reunião”.

Inclusivamente a simpatia por aquele indivíduo é tal que já fala no restabelecimento de fronteiras com a Irlanda, talvez por timidez não tenha falado de construção de muro. Theresa May, ao contrário do que vinha dizendo está a voltar a face e o discurso. Diz agora que a fronteira será um mal menor em relação aos problemas que podem surgir. É uma espécie de ameaça porque, tal como a Escócia, a Irlanda votou a favor da permanência na UE e a saída poderá obrigar à reposição de controlos na fronteira que desapareceram com os acordos de paz de 1998.

Pretendendo colocar em confronto governos aumentado o risco das negociações falharem, ameaçando sobre o que fará com os impostos e com a segurança se não conseguir o que pretende, vira-se para países como a Hungria e Polónia, por enquanto, jogando com a diferença de interesses entre eles e os da Alemanha e França. Isto é o que Jean-Claude Juncker pensa e que somos levados os mais pessimistas nesta área pode vir a acontecer. Por isto se confirma o que escrevi atrás sobre países que andaram a pedir para entrar na UE e preparam-se para atraiçoar quem os aceitou.

A europa do euro tem que unir-se para manifestar, neste assunto um mesmo pensamento e ser exigente de modo a que o Reino Unido veja que não ficará melhor fora da UE do que dentro e que, face ao desastre que surgiu nos EUA, são mais importantes do que manter boas relações com o Reino Unido.

A UE têm que vacinar-se contra as ideias de isolamento com que tantos europeus se deixaram contaminar pelos nacionalismos e populismos bolorentos que voltaram a estar na moda incentivando os que gostam de se mostrar do contra corrente e muito “in”, mas que mais tarde se arrepende por ficarem “out”.

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 19:05
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Sábado, 11 de Fevereiro de 2017

Raiva

Raiva.png

Correndo o risco de me repetir sobre o que ultimamente tenho escrito sobre o lamentável comportamento da oposição de direita vou voltar ao assunto porque me recordei dum livro de 2004 do escritor argentino Sérgio Bizzio cujo título é “Rabia”, “Raiva” em português. Posteriormente o livro foi inspiração para um filme “Rabia” realizado por Sebastián Cordero, que ganhou o 13º Festival de Cine de Málaga em abril de 2010.

É um romance que relata uma história de amor que toma rumos inesperados expondo traços obscuros da personalidade humana e uma contundente crítica social. Atos de ira e intolerância e a paixão incontrolável são a base do enredo. Está implícita uma metáfora para o declínio social de um país e para o ressentimento fortemente presente no seu povo. É um romance que revela a decadência da sociedade argentina.

Mas, o que é o livro tem a ver com a oposição de direita, perguntará quem estiver a ler este texto? Nada. É apenas uma associação que faço com a estratégia da oposição de direita cujo objetivo está a reverter em desfavor do país.

A oposição de direita está em decadência, mantem-se em declínio e lança o seu forte ressentimento sobre o país. Está a fazer oposição com atos que acentuadamente revelam ao mesmo tempo ira, e sofrimento político-partidário intenso. Doutra forma não se compreende esta insistência em casos que já não interessam a ninguém a não para capas de jornais sensacionalistas, outros “jornal-ecos” online, e aberturas de telejornais à falta de coisas importantes para o país e para os portugueses.

Agora esta raiva, ao nível da baixeza, dirigem-na ao ministro das finanças Mário Centeno. Silenciosamente vão verificando os resultados conseguidos o que aumenta a sua ira e, apressadamente, há que pô-lo em causa por insignificância que em nada contribuem interna ou externamente para a imagem do país cujos interesses apregoam defender. Falam em mentira esquecendo-se de quem mais mentiu durante quatro anos e meio com a conivência do antigo Presidente da República.

Obviamente o papel da oposição não é apoiar o Governo, mas o de criticar a orientação política da sua atuação devidamente fundamentada nos seus aspetos essenciais. Até agora nada se viu. Nem sabemos o que fariam melhor nem como. Falam em acordos escondidos, em planos B, em faltas disto e daquilo. Procuram o acessório para ser publicitado na comunicação social. É como um frasco de perfume que apenas contem água colorida no seu conteúdo.

Esta oposição de direita não tem demonstrado seriedade, se é que em política ela pode ou deve existir. Esta atitude não é de agora, basta fazer algum esforço para nos recordarmos de algumas campanhas vindas se alguns órgãos do PSD que usam e abusam da utilização da ofensa pessoal, da desvirtuação de caráter dos seus adversários à falta de argumentos políticos válidos. Seria bom que olhassem para dentro e regressassem um pouco, apenas um pouco, ao seu passado governativo. Apenas se lhes pede, senhores deste PSD, que pratiquem, pelo menos ao nível da oposição política, um pouco de ética e de moral.

Já sabemos que na oposição de direita PSD há quem se esteja lixando para as sondagens, mas não será bem assim porque, caso contrário, não reagiriam apressadamente procurando pretextos de má qualidade para fazer de conta que estão a fazer oposição quando, na verdade, estão a fazer troça de todos nós. É apenas de lamentar tal triste figura. Não é assim que vão novamente obter a confiança dos portugueses. Aliás, apesar do embaraço com o episódio da TSU com o PSD  a reboque da extrema-esquerda que levou o Governo a ter de encontrar uma solução alternativa que simultaneamente agradasse a patrões e parceiros parlamentares, o Partido Socialista recuperou boa parte (0,5%) dos 0,7% perdidos há um mês. Contas feitas, a vantagem dos socialistas sobre os sociais-democratas alarga-se para uns confortabilíssimos 8,6 pontos percentuais. O mesmo se poderá vir a agravar o caso das cartas, cartinhas, SMS e outras coisas assim com justificações contrafeitas.

O PSD acrescenta desastre atrás de desastre para agradar a um pequeníssimo leque dos seus simpatizantes. O CDS, com Assunção Cristas e a sua “ascensão” ao topo do partido não tem conseguido essa a elevação milagrosa. O CDS não se tem assumindo como um verdadeiro partido conservador de direita defendendo os seus ideais. Ora cola-se ao PSD, ora tenta demarcar-se (afinal em que ficamos?).   

Publicado por Manuel Rodrigues às 17:50
Link do post | Comentar | Ver comentários (1) | Adicionar aos favoritos
|
Quinta-feira, 9 de Fevereiro de 2017

É o desespero meus senhores

Espelho meu.png

É o desespero senhores, é o desespero! É um desespero nunca visto em Portugal pelo qual a oposição está a passar. Há um alvo que querem atingir e que não lhes agrada se mantenha no Governo. É o ministro das finanças. Pode perguntar-se porquê e resposta é fácil. Não lhes interessa que esteja em funções um ministro que tem cumprido, a nível das finanças, os objetivos a que Portugal se tem proposto interna e externamente.

À oposição de direita não é Portugal nem os portugueses que lhe interessam é o seu umbigo e a sua autoestima partidária que estão em jogo. Fazer o que eles nunca conseguiram fazer é algo que lhes custa engolir. É a questão do estar a haver alternativa no lugar do bolorento não há alternativa dos neoliberais.

Há uma estratégia construída pela oposição de direita com o objetivo de descredibilizar os que querem compor o Portugal que os neoliberais do PSD destruíram coadjuvados pelos senhores do irrevogável CDS.

Mário Centeno e a sua equipa das finanças é a pedra no sapato desses sujeitinhos, entre os quais Paulo Rangel. Não gostam da equipa. Faz-lhe mal à sua credibilidade que pensavam ter quando estavam no governo do país e que desgovernaram durante mais de quatro anos. Desculpavam-se com a troika mesmo quando o seu líder Passos Coelho clamava para se ir ainda mais além. Com isto pretendem a destruição da CGD a todo o custo. Esqueceram-se rapidamente de todas as trapalhadas que arranjaram quando eram governo sem que ninguém se demitisse.

É a oposição da imundície politiqueira porque não têm nada para apresentar. Desviarem as atenções com grandes tiradas demagógicas que em nada ajuda a compor o país que tiveram a oportunidade de compor, mas que pouco ou nada conseguiram anão ser prejudicar certos setores da população. Até dão a entender que querem a todo o custo uma cabeça seja de quem for, como desforra da demissão de Miguel Relvas.

A fúria e o desespero dessa gente cuja perda do poder parlamentar ainda não conseguiram ultrapassar não tem limites. Tudo serve.

Ideias não as têm e, as que tiveram antes, negam-nas no presente.  Ainda hoje na Assembleia o PSD votou contra uma proposta do CDS que no passado já defendeu. É a desorientação estratégica de tudo.

Pegam agora na discussão da sobre a eutanásia, com a qual não concordo por estar a ser tratada de ânimo leve, e gritam aos quatro ventos vamos propor um referendo.  Apenas têm na manga mexeriquices? Nada mais.

É um falhanço duma oposição que apenas clama nos corredores por vingança e vê tudo apenas com objetivos partidários. Para eles os portugueses devem ser uma cambada de tontinhos que se enganam com frascos de perfumes que apenas contêm água, acolitados pelos seus comentadores de mão que por aí proliferam.

Publicado por Manuel Rodrigues às 22:57
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Terça-feira, 7 de Fevereiro de 2017

América de Trump: a democracia no ponto de lixo

DER SPIEGEL.png

A ilustração da capa de DER SPIEGEL esta semana

Sobre o que se está a passar nos EUA com Donald Trump limito-me a reproduzir um artigo escrito por Klaus Brinkbäumer no Der Spiegel desta semana. Peço desculpas pela tradução livre feita a partir do artigo em inglês.

A imagem da capa do DER SPIEGEL desta semana foi criticada, mas como diz o autor o símbolo que ela retrata é sério: a ameaça muito real que o presidente Donald Trump representa para a democracia liberal.

Em última análise, a indiferença é mortal. A apatia. O sentimento de impotência. E o silêncio ocioso que se segue. Pessoas, incluindo jornalistas, começam a pensar que de qualquer maneira não podem fazer nada. Foi o que aconteceu na Turquia e na Hungria e há muito que a Rússia e a China também o são. Isso também acontecerá nos Estados Unidos?

Quando a democracia começa a corroer, isso raramente acontece muito rapidamente. Olhando para trás, muitas vezes pode-se determinar o momento em que se tornou grave - geralmente foi através duma eleição. Como poderia a Turquia ter eleito Erdogan, a Rússia Putin, a Hungria Orbán e como os Estados Unidos poderiam ter escolhido Donald Trump com a consciência limpa? Quando o discurso político conduz a uma situação em que o discurso em si é substituído pela demagogia, e quando esse demagogo é trazido ao poder por um processo democrático, então é possível que a própria democracia seja substituída pela autocracia.

Tudo o resto acontece lentamente. Enquanto isso, alguns meios de comunicação continuam sonhando tornando-se ainda mais obsessivos na  rotulagem de qualquer pessoa que adverte contra a ameaça.

Então, aqui o temos nós: Donald Trump, um misógino e um homem de negócios racista que, verificadamente, fez 87 declarações falsas ao longo de apenas cinco dias da campanha eleitoral, não pode ser mais um candidato. Ele está sentado na Casa Branca. Aqui estão três ideias sobre este presidente americano que está no cargo desde 20 de janeiro.

  • Primeiro, nas duas semanas e meia desde seu terrível discurso de posse, ele demonstrou que fará o que disse: ordenará a construção de um muro na fronteira com o México, está a fazer decretos xenófobos e agita os aliados e as instituições internacionais da América e, também todos os aspetos da política global. Já ameaçou o Irã e a Coreia do Norte. Nada disto é uma surpresa, porque até mesmo os eleitores de Trump sabiam que o conselheiro Stephen Bannon é um homem que considera as guerras úteis.
  • Em segundo lugar, Trump também está a mostrar que vai fazer muito do que não anunciou na campanha. Ordenou aos cientistas que não conduzissem ou publicassem pesquisas sobre temas que ele não aprovasse. Diz que a mudança climática não existe e di-lo com seriedade.Ficou parado enquanto um de seus confidentes mais próximos inventou o termo "factos alternativos" para criar uma realidade paralela. Trump leva os filhos com ele para reuniões de alto nível, contratou o seu genro como conselheiro da Casa Branca, poupou países onde faz negócios de sua proibição de viajar a cidadãos de estados predominantemente muçulmanos, não se desfez das suas explorações da companhia, não libertou as suas limitações de impostos (apesar de se comprometer a faz-lo) e teve mesmo o seu conselheiro Kellyanne Conway que os eleitores não se importaram. Agora quer desfazer regulamentos bancários para que "meus amigos" possam ter acesso mais fácil ao dinheiro. Ele está abrindo caminho para ganhar dinheiro e enriquecer-se ainda mais no escritório?
  • Terceiro, Trump já provou o que já sabíamos sobre ele. A perceção que as pessoas têm dele é mais importante para Trump do que qualquer outra coisa. Nada foi mais importante para ele nas duas primeiras semanas e meia de mandato do que o tamanho da multidão na sua tomada de posse. Trump é um mentiroso crónico e prova isso num tweet após o outro. Trump despreza os media (a que chama "partido de oposição" e diz "Como sabe, eu tenho uma guerra com os meios de comunicação"), bem como o ramo judicial sob a forma de "chamados juízes" que não o deixam governar à maneira que deseja. Enquanto isso, Trump afirma que as pessoas que protestam contra ele são "pagas".

Não é de todo absurdo supor que, se a resistência não se organiza e põe em campo isto continuará.

Cada vez menos pessoas estão a participar nos protestos porque, lentamente, as pessoas estão perdendo o interesse e um sentimento de impotência está a ser sentido. Os media estão a voltar-se para questões mais suaves e mais divertidas porque causam menos problemas. Os políticos que haviam jurado resistência notarão que a vida é mais fácil se se submeterem. As empresas também obterão contratos quando os apresentarem. Muitas pessoas tornar-se-ão ricas e crescerão na sociedade quando se submeterem. E se não fizerem isso, verão como os outros fazem. Isso é, como formar autocracias - "não pelo diktat e violência", David Frum escreveu no The Atlantic revista, mas através do "processo lento de desmoralização, de corrupção e fraude."

O DER SPIEGEL, advertiu contra Trump numa reportagem de capa, no início de 2016. Seguimos com outra reportagem de capa, " Cinco Minutos para Trump ,"sete semanas antes da eleição. Cometemos erros, mas subestimar Donald Trump não era um deles. No sábado (4 de fevereiro de 2017), publicámos uma reportagem de capa ilustrada com uma caricatura desenhada por Edel Rodriguez, um imigrante cubano que vive em Nova Jersey. A imagem mostra um homem gritando sem olhos ou nariz, mas facilmente discernível como Trump, segurando a cabeça decapitada da Estátua da Liberdade em uma mão e uma espada sangrenta na outra. "America First", afirma - não há nada mais para ver ou ler - qualquer outra coisa, como com toda a arte, é uma questão de interpretação.

Impressionante ", escreveu o Washington Post. A revista política Mother Jones descreveu como " uma declaração e tanto ." Os manifestantes também usaram a imagem da capa em cartazes em protestos nas ruas de cidades em toda a América. "A imagem da capa espetacular está a circular aqui nos EUA e as pessoas estão todas a gostar", escreveu a romancista Irene Dische de Nova York. Nós também fomos inundados com cartas apaixonadas de leitores aqui na Alemanha, com respostas normalmente indo em duas direções - ou é "brilhante" ou "que está doente, você deve ver um psicólogo." Alguns reclamaram porque a imagem era muito brutal.

A autoridade bild.de, o site de notícias do maior jornal sensacionalista da Alemanha, levou ao Twitter para criticar habilmente DER SPIEGEL. Não desperdiçou palavras sobre a alienação, a caricatura ou a liberdade de expressão. Em vez disso, alegou que SPIEGEL tinha retratado Trump como um terrorista do Estado islâmico, como se fosse algum tipo de fotomontagem. Esta interpretação desigual pavimentou o caminho para uma onda de raiva de indignação. Mas os colegas mais graves em meios de comunicação como o Süddeutsche Zeitung e Frankfurter Allgemeine Zeitung também escreveram que DER SPIEGEL foi longe demais. O  que depois de tudo, podemos esperar?

Em Kress , uma publicação de comércio da indústria de media líder na Alemanha, o jornalista Franz Sommerfeld escreveu: "Se Trump é uma emergência, então é função dos media tocar o alarme da maneira mais sólida e mais informativa possível, tal como o novo Spiegel fez. Isso, naturalmente, inclui também caricaturas e outras formas de confronto jornalístico".

Afinal, o que devemos esperar?

Para Trump mostrar o que para são negócios? Ele já está fazendo isso. Para ele começar sua primeira guerra?

Para que os EUA desapareçam, para que seu povo suporte Trump e permita que um processo comece a se tornar irreversível?

Donald Trump não decapitou uma pessoa na capa de DER SPIEGEL, ele decapitou um símbolo. A Estátua da Liberdade tem servido como símbolo da América da liberdade e da democracia desde 1886 - que acolhe refugiados, migrantes, "os sem-teto, excluídos", de acordo com a inscrição que ele carrega. Donald Trump despreza e ameaça a democracia liberal, despreza e ameaça a ordem mundial ele é o homem mais poderoso do planeta. A emergência já está sobre nós.

Publicado por Manuel Rodrigues às 19:43
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|

Oposição e comentário político

Marques Mendes5.png

 

A oposição de direita ao Governo não é feita apenas pelos deputados dentro da Assembleia da República e pelos responsáveis partidários fora dela. Faz-se também por militantes dos seus partidos que, com aparência de credibilidade e isenção, são contratados pelos canais de televisão que lhes paga para fazer o dito comentário político. São comentadores partidários, propagandistas do PSD que, uma vez por outra, para darem ar de isentos, criticam também a oposição de que fazem parte.

Um destes comentadores ditos “isentos” é Marques Mendes que comenta no canal de notícias da SIC. Para ele o Governo está esgotado, porque os acordos estão esgotados, está parado porque nada faz. Gostaríamos de saber se, para ele, governar é simplesmente legislar por tudo e por nada sem qualquer efeito mediato ou imediato, sem reflexão sem estudo, sem debate, como fazia o líder do seu partido quando incentivou a divisão entre portugueses e fez atropelos sucessivos à Constituição. Como ele gostaria de ser o Trump português!

Se alguma coisa urgente há que fazer, é conter a dívida pública e dinamizar a economia e o crescimento. Como Marques Mendes muito bem sabe, o crescimento depende, em grande parte, de fatores exógenos a Portugal, que agora com Donald Trump na calha, e com a Europa no estado em que está nunca se sabe o que poderá acontecer.

Aquela personalidade do PSD faz oposição disfarçada de comentário, olhando tendencialmente para o negativo da solução governativa e ocultando o que é positivo.

Aliás o relatório da OCDE que ontem foi divulgado é mais objetivo do que as interpretações por vezes abusivas de quem faz comentários que mais parecem oposição.

Aquele relatório revela potencial existência de "imprevisibilidade, tensões e recuperação lenta da Europa que podem tornar o crescimento mais incerto.”. Há, portanto, causas perigosas que poderão ser derivadas de causas externas. Sobre o Governo de António Costa, o relatório traça elogios à orientação orçamental, mas deixa uma lista de avisos sobre a situação ainda frágil das finanças, sobretudo sobre a “conjuntura externa incerta, a situação da banca que é vulnerável, mas a margem de manobra nas contas públicas é estreita e a dívida pública elevada e o investimento escasso.”. “E o que vê é uma economia a recuperar de forma progressiva, mas onde as “vulnerabilidades estão a aumentar”.

Claro que não existe nenhum mar de rosas depois da coligação de direita ter quase deixado o país destruído a pretexto de “termos que ir para além da troika” e de, juntamente com ela, não ter detetado  mo nevoeiro denso que envolvia a banca ou parte dela.

Se a banca está como está deve-se sobretudo à desgovernação do PSD-CDS com a obsessão por reformas baseadas apenas num sentido, aumento de impostos e cortes de salários e pensões, de resto não passou de rabiscos escritos num papel que para nada serviram.

Publicado por Manuel Rodrigues às 17:25
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Sexta-feira, 3 de Fevereiro de 2017

A seguir à América somos nós, e antes da Holanda

Portugal Second do 5 Para a Meia-Noite da RTP 1 a enviar para Trump. 

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 17:57
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2017

Despeitados do parlamento que andam por aí a falar de Trump

Carlos Carreiras_PSD.png

O deputado madeirense do PTP José Manuel Coelho foi condenado a um ano de prisão efetiva pelo Tribunal da Relação de Lisboa devido a um processo que Garcia Pereira, noutro tempo líder do MRPP, por o ter apelidado de agente da CIA. Isto é uma tontice se considerarmos o que Garcia Pereira dizia quando andava por aí a dizer nos comícios revolucionários.

Há também outras tolices escritas por quem não é revolucionário e anda por aí a dar opiniões utilizando conotações absurdas e acenando com papões da velha guarda. Numa tentativa de se distanciarem de Trump mas que, no seu íntimo e sem o declararem explicitamente, parecem defender as suas políticas. É o caso do atual presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras, que tem uma coluna de opinião às quartas feiras num jornal diário e que, na sua última tirada de opinião começa por escrever: “Anda toda a gente muito perplexa com a escolha que os americanos fizeram para a Casa Branca. Não sei qual é o espanto. O nosso azar é muito maior que o dos americanos. Afinal de contas, nós não temos um Trump. Temos dois: Catarina Martins e Jerónimo de Sousa.”, o sublinhado é meu.

Carreiras foi presidente do Conselho de Administração do Instituto Francisco Sá Carneiro entre 2010 e 2013. Defensor incondicional, pelo que diz e escreve, da atual direção do PSD, passou de social-democrata a neoliberal seguindo fielmente o seu líder.

Esclareço que não tenho procuração nem do PCP e de Jerónimo de Sousa nem do BE e de Catarina Martins, mas aquele senhor lança para o ar tais disparates populistas, sem argumentos válidos, utilizando chavões e conotações disparatados que só de cabeças como a dele poderiam surgir. O que escreve deve ser dirigido a incultos, adeptos, simpatizantes e oportunistas militantes do atual PSD porque a outros não convence. Deve estar a dirigir-se a senhoras muito chiques e “muito bem”, sem nada que fazer a não ser aparecer nas revistas cor de rosa, senhores, senhores da alta finança duma “estrita” freguesia de Cascais, vila que frequentemente visito porque é agradável, simpática e onde nos sentimos bem, não fossem os preços exagerados praticados pela restauração.

Escreve ainda, em síntese, este nosso (deles) militante do PSD: “O nosso azar é muito maior que o dos americanos. Afinal de contas, nós não temos um Trump. Temos dois: Catarina Martins e Jerónimo de Sousa. A nossa sorte é que nem BE nem PCP são poder”. O negrito é meu.

Julga que nos engana ao fazer esta conotação disfarçando, mal, uma potencial simpatia oculta pelo atual presidente do EUA. Aqui, e ali, vai dizendo o que Trump tem feito e dito sem, no entanto, mostrar claramente desacordo refugiando-se a falar de outros, os que não lhe agradam, porque ajudaram o PS a retirar o poder ao seu querido líder. Ele e o seu partido ainda não fizeram o luto da perda, (não das eleições), mas do parlamento que representa o voto do povo.

Carlos Carreiras utiliza Trump como oportunidade para lançar o seu viperino veneno sobre uma solução parlamentar maioritária quer queiramos, quer não. Assim como o PSD também ganhou as eleições, gostemos ou não. No entanto, os portugueses não os escolheram ao nível do parlamento. Gostariam talvez de ter a muleta do PS para lhes validar os desvarios de outrora.

A desregulação interna e a desorientação do partido a que pertence obriga-o à verborreia política se quiser nas próximas eleições autárquicas renovar o mandato. Os senhores da vila assim o exigem nem que seja necessário virar um partido cujo passado sempre foi social-democrata. Se Sá Carneiro voltasse e visse como o partido se encontra encher-se-ia de vergonha e voltaria para donde está.

Afirma claramente que Trump e os líderes do PCP e do BE são iguais, que perfilham os mesmos princípios. Deduz-se que, para Carreiras, as ideologias e os motivos porque cada um defende certos objetivos não interessam porque alinha com a nova estratégia do PSD renunciar o que anteriormente defendia.

Podemos dizer que Carreira utiliza a mesma tática de Salazar e de Trump, difamar quem se lhe opõe compondo letras para canções com estribilhos plenos de bolor. Quem ler o artiguinho de Carlos Carreiras, se não pertencer ao seu grupo, poderá considerar à semelhança do que fez Garcia Pereira ao deputado do PTP se não mereceria também um processinho já que mais não fosse para chatear.

Carreiras, injuria aqueles a quem, ainda há bem pouco tempo o PSD se colou, no caso da TSU, preparando-se, mais uma vez, agora no caso da Carris da cidade de Lisboa, para, negando os seus princípios, votar ao lado dos da extrema-esquerda, os que ele denomina de “virgens do estalinismo e do neomarxismo”.

É como no futebol, quando se perde a culpa dos falhanços é sempre do árbitro. Temos pena!

Publicado por Manuel Rodrigues às 19:04
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Sábado, 28 de Janeiro de 2017

O cavalo de batalha já não é o défice é a dívida

Cavalo de batalha.png

As intervenções do PSD e do CDS na Assembleia da República começam mais parecem atuações de espetáculo burlesco para um público que não anda a par das realidades políticas mais virada para a economia e finanças.

Uma das últimas foi o alarido feito por aqueles dois partidos criticando o atual Governo por ter aumentado a dívida.  O retrovisor deles deve ter fundido a lâmpada para não se ver que a dívida com que agora estão tão preocupados começou a subir escandalosamente no tempo em que foram governo. António Costa apenas assumiu a herança que lhe adveio porque quis. Nesta altura poderia estar tranquilamente na oposição sendo o mais provável estarmos todos ainda pior do que antes e com a dívida ainda maior.

A dívida pública é a dívida de um determinado Estado, são os compromissos financeiros que se vencem em dado. Naturalmente, o excessivo endividamento do Estado como qualquer entidade pode levar a situações de dificuldade financeira. O que está na base são os juros praticados e o pagamento do valor da dívida. Em Portugal o que veio a agravar a situação da dívida foi o resgate financeiro da Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional que tem que ser amortizado assim como os juros.

Como a défice está em níveis de 2,3% do PIB que o PSD nunca pensou atingir agora apontam que foi devido a um tal plano B que os jornalistas gostam tanto de pedir emprestado ao PSD, esquecendo os expedientes que fizeram para o conseguir sem sucesso. Á falta de argumentos quanto ao défice, e para baralhar os menos conhecedores, centram-se agora na dívida que é um indicador diferente.

É certo que a dívida está a aumentar. Mas não basta dizê-lo, é preciso em primeiro lugar, saber o porquê e, em segundo lugar, como a reduzir.

Pode-se verificar no gráfico abaixo qual evolução da dívida desde o ano 2000 podendo-se observar que foi nos anos do governo PSD-CDS que ela aumentou sem controle.

Evolução da dívida.png

Foi a partir de 2009 que a dívida pública verificou aumentos exageradamente crescentes continuando a aumentar até 2014 durante o XIX Governo Constitucional (2011 a 2015) verificando-se um ligeiríssimo alívio em 2015.

Quando a crise financeira internacional rebentou em 2007-2008 agravou vários países europeus sendo os mais atingidos os mais frágeis um dos quais Portugal que viu-se obrigado a pedir um resgate financeiro da Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional (a troika). Têm razão que uma das causas para esta fragilidade derivaram de problemas estruturais da economia portuguesa, mas também de uma má gestão das finanças públicas dos governos de José Sócrates embora tenha havido justificação para acelerar o investimento público, mas essa é outra matéria

Publicado por Manuel Rodrigues às 18:55
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2017

Dois jornais duas notícias

Correio da Manhã2 (1).pngJornal i (1).pngHoje, trago para aqui duas formas de dar a mesma notícia, sobre o mesmo acontecimento, em dois jornais. Ambos noticiam a reunião de ministros das Finanças dos países do euro conhecido por Eurogrupo.

Um dos jornais é o Correio da Manhã o outro é o jornal i este do mesmo grupo do jornal Sol. Não vou tecer quaisquer comentários, limito-me a transcrever as notícias de ambos os jornais para que cada um tire as suas próprias conclusões.

Note-se apenas a moderação de um, o primeiro, e o alarmismo tendencioso do segundo com seleção de algumas citações menos favoráveis para provocar preocupação. Não digo que as notícias tenham sido trabalhadas, falsas, nem tão pouco pretendo sugerir que as mesmas não fossem divulgadas. O que pretendo evidenciar são as citações escolhidas pelos jornalistas de cada um dos jornais retiradas de partes do contexto demonstrativas da tendência do jornalista que podem levar a interpretações erradas.

 

Notícia do CORREIO DA MANHÃ

 

Portugal está a tomar as medidas certas para tranquilizar mercados

O presidente do Eurogrupo considerou esta quinta-feira, em Bruxelas, que a volatilidade dos mercados sublinha a necessidade de Portugal prosseguir uma agenda de reformas e reforçar o setor bancário, mas manifestou-se convicto de que o Governo está a tomar "as medidas adequadas". Questionado durante a conferência de imprensa final da reunião de hoje do Eurogrupo sobre o aumento das taxas de juro da dívida pública portuguesa, Jeroen Dijsselbloem apontou que o assunto não foi discutido de forma detalhada mas foi registado "o facto de haver alguma volatilidade" dos mercados. "Penso que (essa volatilidade) sublinha uma vez mais a necessidade de Portugal fazer avançar a agenda de reformas, com a qual disseram estar comprometidos, e de dar mais passos para reforçar o setor bancário, o que está a ser feito neste momento. Penso, portanto, que estão a tomar as medidas adequadas", disse. O comissário europeu dos Assuntos Económicos, Pierre Moscovici, disse partilhar a opinião do presidente do Eurogrupo, no final de uma reunião que tinha como um dos pontos em agenda as conclusões da quinta missão de monitorização pós-programa realizada em Portugal no final de 2016. " Analisámos a situação com um olhar construtivo e tomámos nota dos compromissos claros assumidos por Mário Centeno, com quem me encontrarei amanhã (sexta-feira) à tarde, num encontro bilateral", afirmou o comissário francês.

 

 

Notícia do Jornal I

 

Eurogrupo sem “espaço para complacência com Portugal”

 

O Eurogrupo deixou alertas sobre a situação financeira de Portugal e o governo garante que vai adotar as políticas que permitam cumprir todos os compromissos do país. Os juros da dívida pública são uma preocupação.

Ontem, à saída da reunião dos ministros das Finanças dos países do euro, o presidente do Eurogrupo disse que “não há espaço para complacência com Portugal” e que há “riscos relevantes no médio prazo”. “A volatilidade nos mercados sublinha a necessidade de Portugal acelerar as reformas e fortalecer os bancos”, afirmou Jeroen Dijsselbloem, citado pela agência Bloomberg.

Por seu lado, e também à saída do mesmo encontro, o seu homólogo português afirmou que a análise feita pelo Eurogrupo tem uma perspetiva um “pouco mais longa”e salientou que “estamos num período de volatilidade no mercado e de incerteza que se instalou”.

Em relação ao sistema financeiro, Mário Centeno lembrou que “o governo delineou um plano que está a ser implementado” e, sobre a banca portuguesa, garantiu que o executivo está a “atuar” e que essa “foi essa a mensagem que aqui ficou”. “Nós mantemos sempre os compromissos. E mostrámos de forma muito evidente a determinação do país em cumprir os seus compromissos”, salientou o governante, citado pela agência Lusa.

Por seu lado, o comissário europeu dos Assuntos Económicos, Pierre Moscovici, afirmou ter analisado “a situação com um olhar construtivo e tomámos nota dos compromissos claros assumidos por Mário Centeno, com quem me encontrarei amanhã (sexta-feira) à tarde, num encontro bilateral”. Já Klaus Regling, presidente do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), também salientou que os mercados estão “nervosos com o nível de dívida, o setor financeiro e a competitividade” do país, ao mesmo tempo que disse estar “confiante que, se derem resposta a estas questões, os mercados irão reagir positivamente”.

Publicado por Manuel Rodrigues às 19:13
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|

Oposição errática e seus segredos

Rangel_Oposição.png

Quem ontem, 26/01, viu e ouviu o programa “Prova dos nove” da Constança Cunha e Sá na TVI24 terá visto que Paulo Rangel comprovou mais uma vez que mistura, confunde, desordena quando faz intervenções. Constança faz os possíveis, como sempre, para manter a imparcialidade nas questões que coloca.

Rangel, face ao que se passou com o PSD e a TSU, sem argumentos válidos e sustentados sobre o que se passou e sobre a nova solução apresentada pelo Governo, enredou-se em raciocínios tortuosos, adulteradamente sofisticadas, fora da realidade e com argumentação dirigida a alguns fiéis e fãs da sua retórica. Acho até que já nem ele próprio se entende, tais são as contradições. Lamentável! Esta posição nada tem a ver com o ser-se mais de esquerda ou de direita, é uma questão de bom senso.

Paulo Rangel dá voltas e voltas para justificar e alterar a realidade histórica muito recente que o seu partido construiu, negando as evidências com argumentos cujas dialéticas chegam às raias do absurdo. Quando os argumentos dos seus opositores o contradizem e não lhe agradam interrompe criando propositadamente entropias na comunicação.

Por outro lado, Rangel diz que o que o PSD fez é oposição ao Governo. Lá nisso terá razão, mas é uma oposição sem lei nem regra gerada apenas por egoísmo partidário e revanchista. O PSD queria ser governo minoritário e como enfrentaria uma maioria parlamentar que, para todos os efeitos, lhe seria hostil? Foi isso que fez com a TSU, hostilizar o Governo.  

Álvaro Beleza do Bloco de Esquerda que ontem substituiu Fernando Rosas, apesar de estar à altura dos seus parceiros de debate está menos à vontade do que Fernando Rosas desta vez esteve ausente.

A estratégia adotada pelo líder do PSD da oposição pela oposição, do meu ponto de vista, tem os dias contados. Neste aspeto quem tem mostrado ter bom senso é o CDS tentando distanciar-se da oposição errática do PSD.

Publicado por Manuel Rodrigues às 15:46
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2017

Quando a direita virou à esquerda radical ou passou a ser a sua muleta

Novo PSD.png

Há coisas curiosas e uma delas é o que se passa com os partidos que negam e rejeitam tudo o que defendiam até hoje. É o caso do PSD que para fazer oposição unicamente partidária e sem vantagens para o país. Neste caso para o PSD primeiro está o partido e depois o país.

O caso da TSU é a evidência do que acabo de afirmar, a aproximação aos partidos à esquerda do PS é clara apenas diferindo em alguns argumentos que são apenas retóricas e inúteis porque o objetivo estava claro, apenas criar bloqueios ao Governo e ao país.

Isto é tão evidente que até Américo Carlos aproveita partes do discurso de Passo Coelho ao dizer que “Alternativas à TSU? Quem arranjou o problema que encontre soluções". Ora Passos disse há duas semanas atrás coisa idêntica. Aquele sindicalista radical absolutamente obsoleto e obcecado com o patronato e cujos pontos de vista se cingem a atacar tudo e todos o que seja empresas que dão emprego e cujos os argumentos, se é que o são, foram sempre os mesmos ao longo dos anos.

O agora radical de esquerda PSD tem mais uma na manga aproveitando a boleia daqueles a que chamava há algum tempo atrás de extrema-esquerda e que, pelos vistos, agora já não o é visto que parece concordar com as propostas de cariz ideológico do Bloco de Esquerda. É agora a vez para o acaso das PPP da saúde.

O BE pensa apresentar um projeto para acabar com as PPP, isto é, o BE volta a defender o fim das PPP através de um projeto de resolução para que o governo não renove as parcerias público-privadas nos hospitais de Cascais e Braga. Apressado e diligente o PSD anunciou que vai votar favoravelmente essa iniciativa. Se o BE não fica alerta ainda os seus militantes lhe fogem para o PSD. Ironia claro!

Se isto não fosse triste e lamentável de certo que riríamos a bandeiras despregadas. O PSD, depois de fazer o luto das suas mágoas de ganhos e perdas consequentes das eleições arranjou um folgo esquerdista porventura soprado pelos seus mais fiéis vassalos, ou serão menos, dentro do partido. Já me questionei se não estarão a tentar prejudicar o seu líder. Se o objetivo é apenas fazer bloqueio à maioria de esquerda então algo não está certo porque está a por em causa tudo o que antes defendiam. Vejamos então uma síntese baseada e adaptada a partir do jornal Público:

Em outubro de 2014, quando o salário mínimo subiu de 485 para 505 euros, o Governo PSD-CDS aprovou uma redução da TSU. No ano passado, já com o PS no Governo, a remuneração mínima subiu de 505 para 530 euros e a medida foi repetida.

Em 2010, a redução aprovada pelo PS foi de um ponto percentual. Em 2014, Passos Coelho aprovou uma redução de 0,75 pontos e, no ano passado, António Costa manteve o valor. Em 2017 a descida seria de 1,25 pontos percentuais.

Passos Coelho aplicava aos encargos com os trabalhadores que, em pelo menos um dos meses entre Janeiro e Agosto de 2014, recebiam uma remuneração igual ao salário mínimo. Em 2016, a redução aplicou-se aos contratos anteriores a 1 de janeiro, desde que se tratasse de trabalhadores que a 31 de dezembro de 2015 tinham uma retribuição base entre os 505 e os 530 euros.

A redução da TSU tem sido sempre apresentada como excecional, mas a verdade é que se tem repetido, embora com cambiantes diferentes. Em 2014, (Governo de Passos Coelho e Portas) aplicou-se durante 15 meses (entre novembro de 2014 e janeiro de 2016). A medida aprovada em 2016 tem efeitos por 12 meses (termina no final de janeiro) e a intenção do Governo era que a nova redução se aplicasse também por um período de 12 meses (entre fevereiro de 2017 e janeiro de 2018).

Em 2014/2015, (Governo de Passos Coelho e Portas) a redução da TSU foi financiada pelo Orçamento do Estado (OE). Na medida que ainda está em vigor, o financiamento é assegurado, em partes iguais pelo OE e pelo orçamento da Segurança Social. A nova medida seria suportada “por transferência do OE”, mas isso só se concretizará totalmente em 2018.

Os partidos que apoiam o Governo no Parlamento, assim como a CGTP (central sindical que não assinou o acordo de concertação social), argumentam que ao reduzir a TSU das empresas com salário mínimo, está-se a incentivar uma política de baixos salários. Por outro lado, argumentam que o Estado está a por os trabalhadores e pensionistas a subsidiar as empresas que aumentam o SMN e a descapitalizar as Segurança Social. Foi por estas razões que PCP e BE pediram a apreciação parlamentar do decreto-lei que baixa a TSU em 2017, para pedir a sua anulação. Ao seu lado terão o PSD que vai votar pela anulação do diploma. com os mesmos argumentos (?) dos radicais de esquerda?

A resposta:

Um dos argumentos dos sociais-democratas (PSD), é semelhante ao dos partidos da esquerda radical. O PSD acusa o executivo de, ao transformar uma medida excecional em regra (é o terceiro ano consecutivo que o aumento do SMN é acompanhado de uma baixa da TSU), incentivar a contratação pelo salário mínimo. Considera ainda que está a agravar os custos salariais das empresas.

Isto vem confirmar o que tenho vindo a dizer e muitos já têm afirmado é que, do ponto de vista político, a principal razão para o chumbo é expor as fragilidades da atual solução governativa e o facto de António Costa ter negociado uma solução na concertação social que não tinha condições de aprovar. O PSD conforme diz Passos Coelho não quer ser a muleta do Governo. Mas quer prejudicar o país ficando como muleta da esquerda radical como tantas vezes lhes chamou.

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 23:12
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|

Uma aproximação comparativa às previsões de crescimento económico na União Europeia

Crescimento económico (1).png

 

O crescimento económico é um dos indicadores utilizados para avaliar o comportamento das economias. Em Portugal oposições aos governos, conforme se encontram num campo, ou noutro, aproveitam o argumento do crescimento para fazerem críticas ou autoelogios às medidas económicas tomadas que cada um toma quando em funções.

O crescimento anual do PIB - Produto Interno Bruto em volume é um indicador que reflete a variação anual da riqueza criada por uma dada economia. O mais utilizado é o PIB a preços constantes de modo a que apenas o crescimento real da produção seja levado em conta. É um indicador que possibilita comparações, quer ao longo do tempo quer entre economias de diferentes dimensões.

O PPC - Paridade de Poder de Compra é outro indicador que procura avaliar quanto a moeda duma determinada economia pode comprar em termos internacionais, utilizando como comparação o dólar. Isto porque, como os bens e serviços diferem os preços de um país para outro, esta medida procura relacionar o poder aquisitivo das pessoas com o custo de vida do local e se ela consegue comprar tudo o que necessita com seu salário.

Tendo em vista as previsões para o crescimento do PIB, do PIB per capita e do PPC na União Europeia para 2017 procedi a uma comparação através do cálculo de coeficientes de correlação entre aquelas três variáveis.

Os cálculos e os gráficos foram construídos tendo como fonte dados estatísticos do jornal Diário de Notícias de janeiro do corrente ano obtidos a partir de The Economist. Referem-se estes dados às previsões para o ano de 2017 e, de acordo com a informação publicada, foram aplicadas as taxas de câmbio do dólar com a conversão para euros feita segundo a taxa de câmbio de 7/12/2016.

Numa primeira fase, com base em dados estatísticos obtidos no INE, foi traçado um gráfico evolutivo do crescimento do PIB em Portugal comparativo com a evolução na União Europeia no mesmo período para mais facilmente se compararem diferenças.

Numa segunda fase foram traçados gráficos de dispersão das três variáveis em análise assim como o cálculo dos coeficientes de correlação. Para análise de alguns países da Ásia utilizei a mesma metodologia e os mesmos critérios feitos para a U.E.

Análise da evolução do crescimento.

Conforme mostra o Gráfico 1, desde 2000 que Portugal acompanhou o crescimento da U.E. apenas na evolução, mas apresentando sempre valores mais baixos. Partindo ambos dum valor muito próximo dos 4% no ano 2000. Assim, em 2000 o crescimento em Portugal está aproximadamente em conformidade com o valor da UE que acompanha até 2001. A partir deste ano inicia o seu afastamento gradual da UE distanciando-se da sua evolução verificando-se um distanciamento entre as variáveis crescimento enfatizando-se a magnitude da alteração ao longo do tempo que se agrava a partir de 2002.

Há dois momentos em que volta a aproximar-se, 2008 e 2010 acompanhando a queda brusca de 2009. Embora acompanhando a UE no crescimento negativo obtém um valor substancialmente menos negativo em 2009. Em 2010 o crescimento volta a crescer ficando em 2010 a par da UE ano a partir do qual a UE mantem o seu crescimento com valores positivos enquanto Portugal verificou uma queda brusca entre 2011 e 2012 durante o período do XX Governo Constitucional da aliança PSD-CDS recuperando timidamente os valores de crescimento negativo em que se manteve até meio de 2013, passando a acompanhar a UE a partir de 2014.

Gráfico 1_crescimento.png

 Gráfico 1

Nas evoluções do crescimento, Portugal e UE a magnitude da alteração ao longo do tempo mostra-nos que teve o seu máximo no ano de 2012 prolongando-se até 2014. É nítido o desvio entre os crescimentos das duas evoluções no mesmo período como mostra a área compreendida entre as duas linhas de evolução. A média do crescimento no período dos 15 anos analisados é, no caso de Portugal, nitidamente mais baixa, com 0,4, e 1,4 para a UE a 28.

Em síntese o crescimento de Portugal é nitidamente mais fraco do que a UE a 28, mas, por outro lado, acompanha a tendência deste grupo de países devido a conjunturas endógenas e exógenas a que todos os países ficaram expostos.

Previsão de crescimento e PIB per capita na UN: uma análise comparativa.

Efetuada a síntese do crescimento comparativo entre Portugal e a UE a 28 e alguns que não pertencem a este grupo, nomeadamente a Rússia, a Ucrânia e a Turquia, procedi a uma análise sobre as previsões de crescimento para 2017 entre os vários países. Para tal foi construído um gráfico de dispersão com a reta de tendência (reta de regressão) e calculou-se o coeficiente de correlação entre as variáveis em análise. Este coeficiente representa uma medida estatística determinada a partir da comparação entre as várias observações entre duas variáveis. Neste caso o cálculo foi efetuado entre as variáveis previsão do crescimento do PIB para 2017, com a previsão do PIB per capita e ainda com o crescimento da PPC cujo significado foi explicado no início.


A medida da variação conjunta das variáveis ou covariação observada num diagrama de dispersão é a correlação entre as duas variáveis. Essa medida é realizada numericamente por meio dos coeficientes de correlação que representam o grau de associação entre duas variáveis contínuas. As medidas genéricas de correlação, frequentemente são designadas por R e variam entre -1 e +1. No que respeita ao sinal + (mais) no coeficiente de correlação significa que as variáveis têm um comportamento no mesmo sentido, isto é, quando cresce uma também cresce outra. Um sinal - (menos) no coeficiente de correlação significará, ao contrário, que, quando uma varável cresce a outra decresce e vice-versa.

Gráfico 2_crescimento.png

 Gráfico 2

Efetuados os cálculos e traçados os gráficos observou-se que existe uma forte correlação negativa de -0,71 entre a variável previsão de crescimento do PIB e o PIB per capita entre os países da UE. Isto é, quanto menor é o PIB per capita maior é o crescimento, como mostra a tendência da reta de regressão e o sinal do coeficiente de correlação apresentados no Gráfico 2.


Pode observar-se pelo gráfico dois grupos de países que se aproximam pelas suas características segundo os PIB per capita e o crescimento. Um primeiro grupo com um crescimento relativamente elevado e um PIB per capita baixo. Estão neste caso a maior parte dos países do leste europeu e a Turquia onde um PIB per capita baixo, mesmo abaixo da média, correspondem previsões de crescimento mais elevados, todos acima da média de 2% do PIB. Destaca-se a Ucrânia com um dos rendimentos mais baixos, mas com uma previsão de crescimento acima dos 2,5% e a Rússia com baixo crescimento e PIB per capita também muito baixo. Após o “Brexit” o Reino Unido destaca-se pelo seu baixo crescimento e com o PIB per capita elevado.

Gráfico 3_crescimento.png

Gráfico 3

Os países com maior PIB per capita são os que apresentam uma previsão de crescimento mais baixos. Salientam-se a Grécia e Portugal com muito baixos crescimentos nas previsões, mas com um PIB per capita acima da média. Neste grupo destaca-se a Suécia cuja previsão do PIB per capita é elevado e com um crescimento relativamente elevado muito acima dos seus pares europeus.

Para Portugal prevê-se um crescimento muito abaixo do da Grécia, mas acima da Itália. Mesmo assim, as previsões apontam para que Portugal cresça significativamente ficando na 21ª posição do ranking alinhando com a Alemanha e acima dos países do norte da Europa dos quais seria de esperar melhores desempenhos. A Suécia salienta-se prevendo-se um crescimento acima da média tendo e com um PIB per capita elevado e muito acima da média.

No que se refere à correlação da PPC – Paridade de Poder de Compra, o coeficiente de correlação com a taxa de crescimento é também significativo e de sinal negativo, -0,61, que, embora menor, mesmo assim significativo, acompanha o do PIB per capita como mostra o Gráfico 3.

Os países onde se verifica mais crescimento são também aqueles onde a PPC é também mais baixa, como seria de esperar, não se verificando alterações significativas em relação à análise efetuada entre o PIB per capita e as previsões de crescimento.

Previsão de crescimento e PIB per capita em alguns países da Ásia


Alguns países da Ásia pertencem ao grupo dos considerados como economias emergentes e que ainda apresentam níveis sociais e de distribuição de renda limitados, com elevada pobreza e falta de recursos em muitas áreas da sociedade, como educação e saúde.

Gráfico 4_crescimento.png

Gráfico 4

Os países emergentes são grandes exportadores de matérias-primas, grandes recetores de empresas multinacionais que para lá se deslocalizam à procura de mão-de-obra barata (além de também serem medianos fornecedores dessas mesmas empresas), e possuem um amplo e crescente mercado consumidor e uma grande capacidade de crescimento económico centrado no setor terciário. A questão chave é se o crescimento económico desses países está a promover a diminuição das desigualdades sociais internas e se a parte inferior da pirâmide social está a ser beneficiada.

Utilizando os mesmos critérios foi composto o gráfico de dispersão e calculado o coeficiente de correlação para as previsões de crescimento em alguns países da Ásia, representados no Gráfico 4, tendo em conta os indicadores de previsão do PIB per capita, a PPC e o crescimento. Foi ajustada uma curva de tendência polinomial que me pareceu ser a mais adequada a esta série de dados o que é demonstrado pelo coeficiente de correlação muito significativo de -0,76. O ajustamento da reta mostra um valor menor, -0.61.

Foram traçadas duas curvas uma linear e outra polinomial a fim de se ver qual se ajustava melhor à dispersão de dados. A linha de tendência polinomial é útil para quando há flutuação de dados no caso de se analisar os ganhos e as perdas de um conjunto de dados de grande dimensão (não foi este o caso, mas, devido aos valores do PIB, em dólares serviu o objetivo) e porque os dados mostravam que havia flutuações dos dados com grandes oscilações (máximos e mínimos). A curva polinomial foi a que mais se ajustou à dispersão dos dados com o valor de R ao quadrado 0,5711. A linha de tendência linear mostrou um menor ajustamento R ao quadrado 0,3711 pelo que se optou pela primeira.

Gráfico 5_crescimento.png

Gráfico 5

Como se pode verificar pelo Gráfico 5 a tendência nas previsões de crescimento para a PPC mantém-se apresentando, no entanto, um coeficiente correlação de -0,81 que evidencia uma forte ligação com o crescimento.

A correlação entre o crescimento e o PIB per capita verificado nos países da UE a 28 também se comprova em alguns países da Ásia. Isto é, a um menor PIB per capita correspondem maiores taxas de crescimento. Contudo, a leitura deve ser feita com algum cuidado já que outras variáveis importantes como, por exemplo, a população, podem influenciar os resultados. Tendencialmente, os baixos rendimentos das populações parecem ser condição de crescimento das economias. Conhecendo-se que no cálculo do PIB per capita estão incluídos os rendimentos agregados do produto a renda, podemos, embora com alguma margem de erro, pode considera-se que os rendimentos do trabalho, isto é, os salários e outras remunerações são uma componente importante para a formação do PIB sendo o rendimento das classes trabalhadoras influencia o PIB per capita. Assim sendo, nos países onde aquele rendimento per capita é mais baixo é onde verificam maiores previsões de crescimento.

 

Síntese.

O crescimento de Portugal entre 2000 e 2015 acompanha a evolução do crescimento dos países da UE a 28, apresentando, no entanto, valores mais baixos nos mesmo período com exceção do ano 2015. A área entre a evolução das duas variáveis da observação mostra-se elevada ao longo da série, mas mostra um desnível de afastamento da evolução da Europa. 

As correlações entre as previsões de crescimento do PIB para 2017 e as previsões do crescimento do PIB per capita e da PPC para o mesmos anos apresentam-se relativamente elevadas verificando-se o mesmo comportamento em alguns países da Ásia o que pode conduzir à conclusão que os crescimentos mais elevados das economia depende sobretudo dos baixos rendimentos per capita, todavia poderá ser uma conclusão apresada visto que há variáveis e fatores que podem influenciar os ditos crescimentos mais elevados.

Segundo analistas internacionais os principais riscos para as perspetivas económicas da zona euro são externos mas a maioria dos indicadores de sentimento econômico apontam para uma expansão na economia da zona do euro em 2017. Esperam a continuação da recuperação com probabilidade de enfraquecimento. Será a procura interna o principal motor do crescimento, e espera-se que tanto o consumo como o crescimento do investimento se moderem.

O crescimento do consumo vai provocar um aumento da inflação, uma vez que o efeito da queda dos preços da energia desaparecerá, como aliás temos visto com o aumento dos combustíveis.

Os riscos são elevados e provêm principalmente da política interna, com eleições planeadas nos Países Baixos, França e Alemanha e do setor externo teremos a influência a política comercial americana de Trump o que provoca incertezas.

Para finalizar não quero deixar de dizer que as críticas feitas pelo PSD e o CDS ao crescimento em Portugal e da responsabilidade do atual governo é mera retórica partidária. Esquecem-se de que são consequências do passado dos seus governos que, por sua vez, também arcaram com as do governo anterior de José Sócrates no qual, o então ministro das finanças Teixeira dos Santos, teve grande parte das responsabilidades no  que se passou com as finanças públicas.

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 23:01
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
|
Terça-feira, 24 de Janeiro de 2017

Ler nas entrelinhas

Entrelinhas_1.pngEntrelinhas_2.png

David Dinis, diretor do jornal Público, disse que a entrevista dada por Marcelo Rebelo de Sousa à SIC é para ler nas entrelinhas. Ler nas entrelinhas serve para tudo, é uma leitura subjetiva, é ler aquilo que gostaríamos que fosse escrito ou dito.

Ler nas entrelinhas é ler o que está implícito ou subtendido, é uma inferência, que deduz o que está implícito. Muitas vezes o que se dia ou escreve tem um significado escondido, o autor não transmite diretamente por motivos por causas estranhas, significa encontrar a mensagem escondida que está implícita e propositadamente não foi explicitada.

David Dinis encontra, ao seu modo e ao seu agrado, mensagens implícitas no que o Presidente da República disse na entrevista. Ler nas entrelinhas é uma arte praticada conforme os interesses ideológicos e partidários de cada um que comenta mensagens políticas. Pessoas diferentes farão “leituras entre linhas” também diferentes. Veja-se as diferentes leituras que cada partido faz de discursos, entrevistas, mensagens de políticos relevantes seja um Presidente da República ou um Primeiro-Ministro.

Parece ser objetivo de comentadores e produtores de notícias criar confusão mental e cognitiva aos leitores ou ouvintes fazendo com que, por um lado, as pessoas menos avisadas se sintam impossibilitadas de pensar com clareza ficando desorientadas sobre acontecimentos, e por outro lado, lançar dúvidas, por vezes inexistentes, nos recetores das mensagens.

Só o incompleto e pouco desenvolvido espírito crítico de cidadãos autónomos que capacite para a interpretação das mensagens políticas, raciocinando com lógica não se deixando influenciar é que se compreende os que querem ser os intérpretes oficiosos, de forma subjetiva, das mensagens de terceiros que denominam de “leitura das entre linhas”.

Se eles sabem ler nas entrelinhas nós também, escusamos interpretações.

 

 

Publicado por Manuel Rodrigues às 17:08
Link do post | Comentar | Ver comentários (1) | Adicionar aos favoritos (1)
|

pesquisar

 

Posts recentes

Falsas preocupações

Isto está cada vez pior

Caçadores de bruxas

Direita séria, e a sério,...

Os Estados Unidos da Amér...

Oposição carnavalesca da ...

Fotonovela da CGD ou a cr...

O Brexit de Theresa May e...

Raiva

É o desespero meus senhor...

América de Trump: a democ...

Oposição e comentário pol...

A seguir à América somos ...

Despeitados do parlamento...

O cavalo de batalha já nã...

Dois jornais duas notícia...

Oposição errática e seus ...

Quando a direita virou à ...

Uma aproximação comparati...

Ler nas entrelinhas

Fevereiro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
14
18
19
20
21
22
23
24
26
28

Arquivos

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Livros que estou a ler

O Romancista ingenuo e o sentimental de Orham Pamuk

Livros que já li

malbe

Os porques da esperança.png

Demorei algum tempo a ler este livro mais do que o costume. Livro sobre a política nacional sobre a forma de entrevistas que passaram na TVI 24 efetuada por um provocador nato cujas respostas são dadas por um astuto tribuno da palavra. Livro que aborda temas nacionais da política recente com uma abordagem em que as palavras se se entrelaçam com alguma exposições mais académicas. Um bom manual para quem se interesse pela política em Portugal nos últimos tempos.  

 

 

Piketty_Capit_SecXXI


Memoráveis


Crónica dos dias do lixo



Links

Mais sobre mim

Trabalhos Publicados

Rodrigues, Manuel A (2011). Geografia Social Urbana na Licenciatura em Educação Social, Cadernos de Investigação Aplicada, (5). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas


Rodrigues, Manuel A (2010). Didática da Geografia: recurso à Literatura como proposta interdisciplinar, Cadernos de Investigação Aplicada, (4). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas. .


Rodrigues, Manuel A (2008). Televisão e os efeitos de exposição a mensagens televisivas na educação: o efeito da terceira pessoa, Cadernos de Investigação Aplicada, (2). Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas.


Rodrigues, Manuel A (2005). Do Presencial ao Online: um estudo de sobre a atitude de estudantes face a situação de aprendizagem online, Actas do VII Simpósio Internacional de Informática Educativa-SIIE05, Escola Superior de Educação de Leiria.


Rodrigues, Manuel A (2004). Um Modelo de Formação em Ambiente Misto de e-Learning (Blended Learning): uma experiência na disciplina de Tecnologia Educacional, Actas da Conferência eLes’04: e-Learning no Ensino Superior, Universidade de Aveiro.


Rodrigues, Manuel A (2004). Marionetas em Liberdade: a identidade pe(r)dida com as novas exigências curriculares, Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas.


Rodrigues, Manuel A (2000). Ciberespaço, Internet e as Fronteiras da Comunicação Educacional, Lisboa, Universidade Aberta. Porbase, CDU 37.01(043), 159.95043), 005.73Internet(043.2),371.1043)

Participar

participe neste blog

Contador de visitas

Tags

todas as tags

blogs SAPO

subscrever feeds